{"id":55972,"date":"2020-04-30T01:49:07","date_gmt":"2020-04-30T04:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=55972"},"modified":"2020-06-11T02:09:59","modified_gmt":"2020-06-11T05:09:59","slug":"entrevista-a-frequencia-rara-de-dani-black","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/30\/entrevista-a-frequencia-rara-de-dani-black\/","title":{"rendered":"Entrevista: a Frequ\u00eancia Rara de Dani Black"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dani Black \u00e9 um daqueles artistas que exibe um alto n\u00edvel t\u00e9cnico em tudo o que faz: toca, comp\u00f5e e interpreta muito bem. No quesito sensibilidade, o cantor e compositor paulistano n\u00e3o fica atr\u00e1s: depois de dois EPs, dois discos e alguns singles, o projeto \u201cFrequ\u00eancia Rara\u201d \u2013 DVD e \u00e1lbum de est\u00fadio \u2013 mostra que o m\u00fasico est\u00e1 mais \u00e0 vontade com sua arte e consigo mesmo do que nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artista paulista tem 32 anos, mas j\u00e1 tem uma vasta experi\u00eancia com a m\u00fasica. Ele, que vive m\u00fasica desde que nasceu (filho de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/08\/entrevista-tete-espindola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/a> e parente de Geraldo Esp\u00edndola, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/28\/musica-corte-a-banda-que-une-alzira-e-a-musicos-do-bixiga-70-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alzira E<\/a> e Iara Renn\u00f3), fez parte do coletivo 5 a Seco em 2009 e j\u00e1 fez uma turn\u00ea com Chico C\u00e9sar entre 2011 e 2012. J\u00e1 participou de tributos a Skank (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/12\/download-tributo-ao-skank\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui no Scream &amp; Yell interpretando &#8220;Saideira&#8221;<\/a>), Djavan, Marina Lima e Milton Nascimento (com quem gravou um de seus maiores hits, \u201cMaior\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/10\/download-tributo-a-milton-nascimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">e tamb\u00e9m &#8220;Paisagem na Janela&#8221;<\/a>), e tamb\u00e9m j\u00e1 foi interpretado por outros nomes consagrados, como Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Z\u00e9lia Duncan e Gal Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, ap\u00f3s tr\u00eas anos sem lan\u00e7amentos, Dani volta \u00e0 ativa com \u201cFrequ\u00eancia Rara\u201d, projeto iniciado em 2018, quando come\u00e7ou a experimentar m\u00fasicas novas nos seus shows. A novidade desse projeto \u00e9 que o DVD ao vivo saiu primeiro que o \u00e1lbum de est\u00fadio, que est\u00e1 previsto para o segundo semestre deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFrequ\u00eancia Rara ao Vivo\u201d traz uma permiss\u00e3o de intimidade entre artista e p\u00fablico. Uma das indica\u00e7\u00f5es \u00e9 a forma como o DVD come\u00e7a: com um \u00e1udio enviado por Dani pra algu\u00e9m, n\u00e3o identificado, que fez parte desse projeto, falando sobre o quanto estava emocionado com a finaliza\u00e7\u00e3o do trabalho. Com dire\u00e7\u00e3o de Rafael Kent e produ\u00e7\u00e3o geral de Daniel Lima, o registro do show, realizado no Teatro Tuca em maio de 2019, alterna entre imagens coloridas e preto-e-branco, e mostra com bastante frequ\u00eancia as rea\u00e7\u00f5es da plateia, constantemente envolvida por Dani e sua \u00f3tima banda, formada por Thiago \u201cBig\u201d Rabello na bateria e Z\u00e9 Godoy nos teclados e sintetizadores (que tamb\u00e9m foi o diretor musical da apresenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No setlist predominam as m\u00fasicas in\u00e9ditas, como \u201cTemor Estranho\u201d, com participa\u00e7\u00e3o especial de Fabio Brazza, \u201cSer Amado\u201d, com Mariana Nolasco, \u201cO que Voc\u00ea Criou\u201d (alguns dos singles j\u00e1 lan\u00e7ados), \u201cRancor\u201d e \u201cEsperando Voc\u00ea Chegar\u201d, entre outras, mas tamb\u00e9m sem esquecer de sucessos do disco \u201cDil\u00favio\u201d (2015), como \u201cSeu Gosto\u201d, \u201cS\u00f3 Sorriso\u201d, \u201cLinha T\u00eanue\u201d e a arrepiante vers\u00e3o de \u201cBem Mais\u201d, com Maria Gad\u00fa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse show, \u00e9 not\u00f3rio que Dani est\u00e1 em uma nova fase. Os timbres est\u00e3o mais suaves, as m\u00fasicas j\u00e1 n\u00e3o falam s\u00f3 de amor \u2013 e se falam, \u00e9 de maneira mais universal \u2013 e o artista, que j\u00e1 se arriscava em harmonias e melodias complexas, se arrisca ainda mais nas modula\u00e7\u00f5es de voz, nos solos de guitarra ousados e nas improvisa\u00e7\u00f5es interativas e divertidas, como se o palco fosse sua casa e, talvez por isso, executando tudo de maneira impec\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista via WhatsApp, Dani Black falou sobre o que o levou a lan\u00e7ar o show primeiro que o disco e as diferen\u00e7as entre os dois trabalhos, sobre a s\u00e9rie de v\u00eddeos publicada no Instagram chamada \u201cIntimidade\u201d, sobre o isolamento social na pandemia de Coronav\u00edrus e sobre as experi\u00eancias vividas ao longo de mais de 10 anos carreira. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dani Black - Temor Estranho feat. Fabio Brazza (Frequ\u00eancia Rara Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ieOR9QP3c9A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que lan\u00e7ar primeiro o DVD e depois o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nFoi uma decis\u00e3o muito org\u00e2nica. Desde o in\u00edcio do projeto, a gente tinha isso definido, que a gente ia entregar esses dois universos no mesmo \u201cFrequ\u00eancia Rara\u201d, no mesmo projeto. Esse, que \u00e9 uma imers\u00e3o, um lugar muito carinhoso e gostoso de vestir as m\u00fasicas e encontrar as texturas e as sonoridades que abra\u00e7am as poesias, as letras, as melodias e fazendo coisas pras pessoas viajarem mesmo, e esse outro universo que \u00e9 mais o que t\u00e1 rolando, o lance com o p\u00fablico ali na hora, e onde acontecem coisas e m\u00e1gicas que s\u00f3 o momento proporciona, de estar ali na hora aberto pro que vai rolar. Foi muito org\u00e2nico. Na hora que a gente viu essas duas coisas se arquitetando, se estruturando na nossa frente, nascendo, a gente sentiu. Foi muito na sensa\u00e7\u00e3o de entregar primeiro essa celebra\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, esse novo momento. \u201cVamos come\u00e7ar assim, entregando esse encontro.\u201d Esse encontro \u00e9 muito feliz, muito celebrativo, cheio de for\u00e7a. E a gente sentiu no cora\u00e7\u00e3o que era uma porta de entrada maravilhosa pra gente come\u00e7ar o \u201cFrequ\u00eancia Rara\u201d. Pra come\u00e7ar com ele e ele ir se encaminhando pro resto dele mesmo \u2013 a gente come\u00e7ou com singles \u2013 , e depois pra esse material mais imersivo, de voc\u00ea realmente fechar os olhos ali e curtir uma obra de est\u00fadio que foi feita em cada detalhe e tudo o mais. Acho que foi isso, n\u00e3o tem uma explica\u00e7\u00e3o t\u00e3o intelectual. Foi uma coisa que a gente sentiu e fez. E estou muito feliz da gente ter feito isso, acho que foi muito legal come\u00e7ar dando essa energia ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre as participa\u00e7\u00f5es especiais. Como foi feita a escolha desses artistas?<\/strong><br \/>\nFoi feita de um jeito muito inspirado. S\u00e3o tr\u00eas artistas que admiro muito, sou apaixonado por eles, e sinto que cada m\u00fasica foi pedindo a presen\u00e7a deles. No \u201cTemor Estranho\u201d, tinha um espa\u00e7o ali, enquanto a gente ensaiava, que tinha que acontecer um neg\u00f3cio, tinha que vir um texto, uma parada que fechasse a tampa da m\u00fasica, da mensagem, e veio o (Fabio) Brazza na cabe\u00e7a com toda a habilidade que ele tem com as palavras, com a presen\u00e7a forte que ele tem. Foi muito natural. A mesma coisa com a Mari (Nolasco). Quando a gente come\u00e7ou a tocar a m\u00fasica, ela ficava vindo na minha cabe\u00e7a, de um jeito muito natural. Eu ficava tocando e ficava ouvindo que ela era um dueto. \u201cEssa m\u00fasica \u00e9 um dueto, e \u00e9 a Mari que tem que cantar.\u201d E a\u00ed voc\u00ea sente essa alegria de estar sentindo que voc\u00ea t\u00e1 tocando a m\u00fasica e que ela vai ficar mais completa com a presen\u00e7a daquela pessoa. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito gostosa. E \u00e9 batata, porque na hora que voc\u00ea chama, voc\u00ea v\u00ea que ressoa pro outro. Pra todas as participa\u00e7\u00f5es foi assim. Na hora que voc\u00ea chama a pessoa, \u201cQue da hora, quero contribuir com isso sim, sinto que tenho que dar aqui tamb\u00e9m\u201d. Ent\u00e3o \u00e9 muito lindo. A (Maria) Gad\u00fa \u00e9 o caso de ser uma parceria de muitos anos, n\u00e9. Eu e a Gad\u00fa somos amigos h\u00e1 muito tempo. Ent\u00e3o sinto que com ela teve essa hist\u00f3ria de \u201cpuxa, ela precisa estar\u201d, sabe. \u00c9 uma parceira importante que quero que esteja nesse registro. Primeiro show meu que eu gravo e eu queria que ela participasse. E \u00e9 foda porque o lugar que ela entra \u00e9 um momento de muito carinho, muita intimidade, que s\u00f3 seria poss\u00edvel mesmo com algu\u00e9m com quem a gente tem essa cumplicidade. Ent\u00e3o, as tr\u00eas participa\u00e7\u00f5es foram chamadas num lugar muito carinhoso e muito essencial pras m\u00fasicas, \u00e9 assim que eu diria. Foram participa\u00e7\u00f5es que as pr\u00f3prias m\u00fasicas pediam por elas. E elas chegaram pra completar essa entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais v\u00e3o ser as principais diferen\u00e7as entre a apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo e o disco de est\u00fadio? O que voc\u00ea acha que costuma ter num tipo de formato que n\u00e3o tem no outro, e vice-versa?<\/strong><br \/>\nAs duas apresenta\u00e7\u00f5es t\u00eam uma base de repert\u00f3rio que s\u00e3o as mesmas can\u00e7\u00f5es, s\u00f3 que elas mudam bastante, porque s\u00e3o abordagens, como eu falei, de est\u00fadio, onde voc\u00ea se entrega pra construir as texturas, as cores, os arranjos, pra convidar a pessoa que t\u00e1 ouvindo pra uma viagem mesmo; e a parte ao vivo, que \u00e9 mais org\u00e2nica, mais o que est\u00e1 acontecendo ali naquele momento e surpresas que s\u00f3 aquele momento tem, e calcada numa sonoridade de trio, n\u00e9. Ent\u00e3o tem essa coisa do live de voc\u00ea ter os arranjos baseados na instrumenta\u00e7\u00e3o de banda e tocando junto. Ent\u00e3o assim, elas mudam as est\u00e9ticas, mas a base \u00e9 a mesma. Tem mais diferen\u00e7as, que s\u00e3o: tem m\u00fasicas que s\u00f3 tem no \u00e1lbum de est\u00fadio e m\u00fasicas que s\u00f3 tem na apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo. Quando fui construindo os dois momentos, tiveram m\u00fasicas que o ao vivo pediu e que foram feitas especialmente pra ele, e coisas que foram feitas especialmente pro \u00e1lbum de est\u00fadio. Ainda tem o lance do ao vivo registrar algumas can\u00e7\u00f5es de discos anteriores, que as pessoas amam, que eu amo, e que, nessa comemora\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, sempre celebrando a gente junto, eu senti que seria muito gostoso de colocar tamb\u00e9m pra gente cantar. Essas s\u00e3o as diferen\u00e7as. O que tem num tipo de formato e no outro \u00e9 isso: o disco de est\u00fadio traz uma experi\u00eancia \u2013 essa \u00e9 a palavra \u2013, uma experi\u00eancia sonora onde voc\u00ea se entrega e aquilo leva voc\u00ea numa viagem, e o ao vivo te leva pro calor do encontro, pra essa espontaneidade deliciosa do ao vivo e esse calor mesmo entre p\u00fablico e banda. O neg\u00f3cio est\u00e1 acontecendo ali na hora e isso fica impresso, e \u00e9 uma coisa que \u00e9 muito forte dentro do que eu amo fazer, dentro do meu trabalho. Eu sou um bicho do palco mesmo, que ama isso. A coisa que mais amo na vida \u00e9 estar no palco tocando pras pessoas, trocando com elas, e nesse dar e receber que gera um fluxo maravilhoso que a gente experimenta uma coisa todos juntos ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que \u201cFrequ\u00eancia Rara\u201d tem de diferente dos seus trabalhos anteriores?<\/strong><br \/>\nAcho que ele representa um novo momento. Ele vem expressando todas as mudan\u00e7as que eu fiz em mim ao longo desse tempo. Ent\u00e3o olhei pra muitas coisas nesse tempo, mudaram muitas coisas. Olhei muito pra dentro, e sinto que estou tendo mais intimidade comigo mesmo. Ent\u00e3o sinto que s\u00e3o trabalhos que trazem um olhar apurado e carinhoso com isso, como a gente olhar pras coisas que a gente sente, olhar pra dentro. Ele tem um endere\u00e7o que chama pra um lugar profundo. Mas, ao mesmo tempo, com leveza \u2013 talvez seja essa a frequ\u00eancia rara que esse trabalho traz. Ele faz um convite profundo, mas faz isso com a leveza de quem est\u00e1 em contato com o quanto \u00e9 gostoso e libertador voc\u00ea se conhecer melhor. Ent\u00e3o acho que \u00e9 um trabalho que representa muito esse momento em que me encontro. \u00c9 uma conex\u00e3o forte com esse compromisso leve de se aprofundar em mim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, voc\u00ea publicou uma s\u00e9rie de v\u00eddeos no IGTV chamada \u201cIntimidade\u201d, em que, em uma noite, voc\u00ea foi falando o que sentia e tudo saiu em forma de m\u00fasica \u2013 em 23 m\u00fasicas, pra ser mais exata. De onde voc\u00ea acha que vem essa sua rela\u00e7\u00e3o intensa com a composi\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica sempre se expressou, pra mim, como um reflexo da minha pr\u00f3pria sinceridade com o que eu sentia. Sempre a composi\u00e7\u00e3o fluiu de um lugar onde eu estava sendo muito transparente comigo mesmo, com aquilo que estava no meu cora\u00e7\u00e3o, e por isso sempre saiu, n\u00e3o importava o que era, n\u00e3o importava se eu achava isso bonito ou feio, o que eu achava sobre isso. O mais importante era a sinceridade. E esse v\u00ednculo com a sinceridade foi ficando mais profundo, mais profundo, e vai ficando cada vez mais. O \u201cIntimidade\u201d representa muito isso. Se voc\u00ea v\u00ea do come\u00e7o ao fim, voc\u00ea percebe que tem um fluxo. S\u00e3o m\u00fasicas que eu compus na frente da c\u00e2mera ao longo de uma noite. E isso s\u00f3 pode acontecer porque eu estava livre pra falar o que viesse no meu cora\u00e7\u00e3o, pra me abrir, me mostrar, me deixar vulner\u00e1vel dentro daquele momento pro que viesse, o que era importante vir e n\u00e3o aquilo que eu gostaria, escolhesse vir. S\u00f3 que \u00e9 engra\u00e7ado, porque quando voc\u00ea faz isso, vem tudo aquilo que voc\u00ea realmente quer expressar e voc\u00ea fica muito feliz, muito em paz com tudo o que est\u00e1 vindo, porque \u00e9 tudo muito verdadeiro, muito sincero. Voc\u00ea est\u00e1 realmente compartilhando voc\u00ea mesmo com as pessoas. Acho que \u00e9 isso: composi\u00e7\u00e3o sempre foi pra mim compartilhar eu mesmo, o que eu posso dar de mais \u00edntimo pras pessoas. E o \u201cIntimidade\u201d \u00e9 uma s\u00e9rie que deixa isso muito transparente, de onde que vem essa alegria e abund\u00e2ncia que eu sinto quando eu componho. Fica mais claro ainda se voc\u00ea v\u00ea o endere\u00e7o de onde isso nasce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em intimidade: Voc\u00ea fala muito, tanto nas m\u00fasicas quanto nas suas falas, sobre amor. Estamos num per\u00edodo dif\u00edcil, isolados socialmente devido ao Coronav\u00edrus, e percebendo o quanto o afeto faz falta. Voc\u00ea acha que, depois disso, \u00e9 poss\u00edvel rolar alguma transforma\u00e7\u00e3o no modo em que tratamos e amamos uns aos outros?<\/strong><br \/>\nOlha, acho que n\u00e3o tem como a gente passar por essa experi\u00eancia sem ser impulsionado pra um outro patamar de relacionamento. Tudo que aparece na vida, no mundo, no final das contas est\u00e1 trazendo alguma informa\u00e7\u00e3o e quando a gente entra na situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 rolando, a gente come\u00e7a a entrar em contato com essas informa\u00e7\u00f5es. E eu sinto que \u2013 posso falar da minha experi\u00eancia \u2013 o fato de eu estar vivenciando esse momento, j\u00e1 t\u00e1 me deixando mais claro o quanto os relacionamentos s\u00e3o importantes na minha vida, o quanto as pessoas s\u00e3o importantes na minha vida, o quanto todo mundo est\u00e1 junto mesmo, e as quest\u00f5es do mundo s\u00e3o uma quest\u00e3o de todas as pessoas. Quanto mais a gente entender isso, mais a gente vai ver as transforma\u00e7\u00f5es que a gente quer ver no mundo. Sinto que n\u00e3o tem ponta solta, sabe. A situa\u00e7\u00e3o que a gente est\u00e1 vivendo \u00e9 uma grande professora nesse momento pra que a gente compreenda quais s\u00e3o as mudan\u00e7as que t\u00eam que ser feitas, como faz\u00ea-las, assumir a responsabilidade por elas e fazer essa mudan\u00e7a na nossa pr\u00f3pria vida, pra v\u00ea-la florescer no mundo todo. \u00c9 um momento que traz a gente pra olhar muito pra gente, pra dentro, e inevitavelmente a gente vai entrar em contato com coisas que estavam l\u00e1 o tempo todo, mas a gente talvez n\u00e3o estivesse prestando muita aten\u00e7\u00e3o. E agora que elas se mostram, \u00e9 um presente, porque a gente pode identific\u00e1-las e mud\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a falar de m\u00fasica. Voc\u00ea comp\u00f5e tanto que tamb\u00e9m j\u00e1 comp\u00f4s para outros artistas, como Maria Gad\u00fa, Duda Brack, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Tiago Iorc e Gal Costa. Como se sente em rela\u00e7\u00e3o a isso? Ali\u00e1s, rola algum ci\u00fame das suas m\u00fasicas gravadas por outros cantores?<\/strong><br \/>\nSobre rolar ci\u00fame: n\u00e3o. S\u00f3 rola muita gratid\u00e3o por isso. Rola uma alegria enorme. Se tem uma coisa que gosto nessa vida \u00e9 de ver as minhas m\u00fasicas na voz de outras pessoas. Isso pra mim representa o quanto a m\u00fasica \u00e9 uma parada poderosa e uma parada que n\u00e3o tem limites. Quando voc\u00ea faz a m\u00fasica e solta ela no mundo, fica muito claro pra voc\u00ea que essa m\u00fasica \u00e9 de todos, ela n\u00e3o \u00e9 sua. Ela \u00e9 de todas as pessoas que a quiserem. Quando algu\u00e9m pega pra chamar de sua a m\u00fasica, no sentido de cant\u00e1-la, interpret\u00e1-la, a\u00ed isso fica escancarado, porque a m\u00fasica vira da pessoa. Ela pega aquelas palavras e faz dela, porque \u00e9 dela mesmo. Ent\u00e3o, ser gravado por esses artistas fant\u00e1sticos me ensina isso, o quanto a m\u00fasica n\u00e3o tem limites e o quanto as m\u00fasicas sempre encontram as vozes que querem cant\u00e1-las. Nesse momento, a m\u00fasica vira da pessoa que t\u00e1 cantando, e esse movimento \u00e9 lindo demais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 um int\u00e9rprete muito respeitado, pois se apropria muito das can\u00e7\u00f5es e as transforma de maneira aut\u00eantica. Ao longo da carreira, foi convidado para interpretar artistas de renome, como Angela Ro Ro, Marina Lima, Skank, Chico Buarque, Milton Nascimento e Djavan. Pra voc\u00ea, qual \u00e9 a import\u00e2ncia de uma boa interpreta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu amo interpretar m\u00fasica dos outros. E \u00e9 pela mesma raz\u00e3o. Eu sinto que quando eu pego uma m\u00fasica pra cantar, ela \u00e9 minha. E eu posso fazer daquelas palavras minhas palavras, como se eu as tivesse composto. O lugar onde componho as minhas can\u00e7\u00f5es e o lugar onde interpreto as can\u00e7\u00f5es dos outros \u00e9 realmente muito pr\u00f3ximo, muito parecido. Diria at\u00e9 que \u00e9 o mesmo. \u00c9 o lugar onde eu fico dispon\u00edvel pra ser um canal daquela mensagem que est\u00e1 sendo dita, daquela musicalidade que est\u00e1 sendo expressada, sabe. Sinto uma coisa muito parecida. Acho que \u00e9 por isso que gosto tanto de fazer isso e que as pessoas se conectam com as minhas interpreta\u00e7\u00f5es, porque elas t\u00eam um amor muito grande pelas mensagens que t\u00e3o sendo cantadas. Elas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o comigo num lugar de \u201ceu as fa\u00e7o minhas\u201d mesmo. E fico muito agradecido por quem as comp\u00f4s. \u00c9 como se eu me unisse \u00e0 pessoa que comp\u00f4s e falasse: \u201cLegal. Vou dizer isso que voc\u00ea disse, compondo essa m\u00fasica, junto com voc\u00ea.\u201d E sinto que tenho que olhar com muito carinho pro texto at\u00e9 que eu consiga deix\u00e1-la ali, numa clareza. At\u00e9 que eu consiga o deixar com clareza pra ser entregue pras pessoas. Isso me d\u00e1 muito prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista, voc\u00ea falou que todo mundo tem a capacidade de criar, que basta a pessoa ter disponibilidade para perceber e exercitar esse lado criativo. Pra voc\u00ea, qual o poder que a arte tem?<\/strong><br \/>\nSim, todo mundo tem essa capacidade de criar. \u00c9 uma coisa natural de qualquer ser. A gente tem isso dentro da gente, esse poder de cria\u00e7\u00e3o, de poder criar. Porque criar nada mais \u00e9 do que expressar aquilo que est\u00e1 no seu cora\u00e7\u00e3o, aquilo que voc\u00ea sente, aquilo que voc\u00ea pensa, aquilo que voc\u00ea quer dizer. Todo mundo tem muito a dizer. A experi\u00eancia de todas as pessoas \u00e9 muito rica, e cada pessoa tem uma experi\u00eancia muito \u00fanica pra ensinar. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem algo a dizer, voc\u00ea tem cria\u00e7\u00e3o dentro. Se voc\u00ea deixar, isso vai se estender pro lado de fora e alcan\u00e7ar as pessoas que est\u00e3o esperando por essa express\u00e3o que voc\u00ea tem pra entregar. \u00c9 muito nesse lugar. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea me pergunta \u201cqual o poder que a arte tem?\u201d, o poder da arte \u00e9 justamente esse: ela ensina ao pr\u00f3prio emissor, que est\u00e1 ali criando, o valor que a transpar\u00eancia tem, o valor de tudo que ele tem a dizer, como isso \u00e9 importante pras outras pessoas, como tudo que ele viveu tem a sua import\u00e2ncia porque pode ser compartilhado com os outros, e pra quem t\u00e1 recebendo \u00e9 sempre uma lembran\u00e7a da nossa igualdade, que todo mundo est\u00e1 sentindo coisas e todo mundo t\u00e1 vivenciando hist\u00f3rias diferentes, mas est\u00e1 sentindo as mesmas coisas, tem uma empatia; a pessoa que est\u00e1 recebendo pode ser inspirada nesse endere\u00e7o que ela acessa atrav\u00e9s do que ela est\u00e1 recebendo na m\u00fasica, que \u00e9 um lugar onde ela tamb\u00e9m se permite sentir o que ela est\u00e1 sentindo, e tamb\u00e9m passar pra frente. Vira uma corrente de compartilhamento sincero, e \u00e9 assim que a gente vai aprendendo com o outro e vai crescendo como coletivo. Ent\u00e3o, o poder da arte, no fim das contas, \u00e9 integrar todo mundo e trazer consci\u00eancia sobre n\u00f3s mesmos, sobre como estamos vendo, pra onde queremos ir e como faremos isso. Ela traz as respostas nas pr\u00f3prias perguntas que s\u00e3o cantadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No extinto Programa do J\u00f4, voc\u00ea contou a hist\u00f3ria de um assalto em que voc\u00ea disse que dentro do seu celular estava o seu sonho \u2013 no caso, as m\u00fasicas e ideias para o seu primeiro disco \u2013 , e, no final, at\u00e9 conseguiu reverter a situa\u00e7\u00e3o. E hoje, qual seria o seu sonho?<\/strong><br \/>\nEssa foi uma situa\u00e7\u00e3o muito marcante na minha vida, essa conversa com esse menino que veio, a prop\u00f3sito, me assaltar e na verdade n\u00e3o era nada disso. A gente estava ali se encontrando pra trocar essa ideia, acho que pra ele tamb\u00e9m foi marcante. Hoje, sinto que o meu sonho \u00e9 estar sendo, na pr\u00e1tica, esse fluxo que a gente tanto tem falado cada vez mais. Quer dizer, atrav\u00e9s dos meus shows, das coisas que gravo, das coisas que posto, dos encontros que tenho, estar cada vez mais dispon\u00edvel pro relacionamento com as pessoas e fazendo diferen\u00e7a na vida delas. E sinto que s\u00f3 posso fazer diferen\u00e7a na vida de algu\u00e9m se entregar tudo o que tenho, se eu mostrar pras pessoas as coisas que sinto. N\u00e3o importa se s\u00e3o coisas deliciosas, coisas dif\u00edceis. Sinto que, pra que eu possa contribuir, o lugar que eu j\u00e1 contribuo e que quero contribuir ainda mais, tem esse endere\u00e7o de entregar tudo o que eu tenho naquele momento. Ent\u00e3o o meu sonho \u00e9 estar vivenciando isso na pr\u00e1tica em todas as coisas que fa\u00e7o. Sinto que vem da\u00ed toda a prosperidade que todo mundo, no fim, deseja, e eu tamb\u00e9m, essa prosperidade de estar fazendo exatamente aquilo que veio fazer, exercendo a sua utilidade num n\u00edvel muito grande, num lugar onde as pessoas podem contar com voc\u00ea. Porque voc\u00ea est\u00e1 ali fazendo o que tem que fazer, e voc\u00ea se sente quite com a vida por isso, e a\u00ed faz mais ainda. Acho que consigo falar de um sonho meu nesse registro, mais do que uma coisa que eu gostaria, um ponto que eu gostaria de chegar. Acho que tem mais a ver com o que eu gostaria de sentir que estou fazendo, e o que eu gostaria de sentir que estou fazendo \u00e9 isso. Perceber que j\u00e1 fa\u00e7o isso quando fa\u00e7o um show, quando entrego tudo o que tenho, quando fa\u00e7o um disco, como esse que a gente vai lan\u00e7ar ou esse show gravado, o trabalho novo\u2026 eles me enchem de alegria porque eles representam esse lugar onde j\u00e1 entrego tudo, sabe. Dou o melhor que tenho, e atrav\u00e9s das m\u00fasicas, entrego aquilo que realmente est\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 bonito voc\u00ea me perguntar sobre o meu sonho e eu perceber que j\u00e1 fa\u00e7o muito isso que estou fazendo, e que os lugares onde eu ainda n\u00e3o fa\u00e7o, o meu sonho \u00e9 que eu fa\u00e7a, que eu integre tudo isso e v\u00e1 pra novos patamares cada vez maiores dessa entrega sincera que \u00e9 estar aqui vivo, junto com as pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dani Black - Feitos de Luz (Frequ\u00eancia Rara Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2BLFKulalCc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dani Black - Ser Amado feat. Mariana Nolasco (Frequ\u00eancia Rara Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6PQDEUyEViw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dani Black - O Que Voc\u00ea Criou (Frequ\u00eancia Rara Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hgb1jNA1MaA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a>\u00a0(@<a href=\"https:\/\/twitter.com\/anandazambi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anandazambi<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nonada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nonada \u2013 jornalismo travessia<\/a>. Nas horas vagas, tamb\u00e9m brinca de fazer m\u00fasica.\u201d A foto que abre o texto \u00e9 de Marcos Hermes \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dani Black fala sobre o que o levou a lan\u00e7ar o show primeiro que o disco e as diferen\u00e7as entre os dois trabalhos, sobre a s\u00e9rie de v\u00eddeos publicada no Instagram chamada \u201cIntimidade\u201d, sobre isolamento social e as experi\u00eancias vividas ao longo de mais de 10 anos carreira.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/30\/entrevista-a-frequencia-rara-de-dani-black\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":68,"featured_media":55973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[910],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55972"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55972"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55979,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55972\/revisions\/55979"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}