{"id":5585,"date":"2010-08-12T18:19:24","date_gmt":"2010-08-12T21:19:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5585"},"modified":"2023-03-29T00:07:08","modified_gmt":"2023-03-29T03:07:08","slug":"cd-depois-do-fim-bacamarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/12\/cd-depois-do-fim-bacamarte\/","title":{"rendered":"CD: Depois do Fim, Bacamarte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5586\" title=\"bacamarte\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/bacamarte.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Rodrigo Fernandes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem querer mexer com esse neg\u00f3cio das coisas serem cl\u00e1ssicas ou n\u00e3o, sobreviverem ao tempo ou n\u00e3o, se envelhecem mal ou n\u00e3o, h\u00e1 obras que s\u00e3o muito perfeitas em si mesmas. \u00c9 aquele livro que da primeira \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina n\u00e3o te deixa em paz ou aquele filme onde tudo converge para a maravilha do p\u00edncaro da extremidade m\u00e1xima. S\u00e3o as obras de arte mais raras e valiosas, sendo uma coisa, obviamente, filha e irm\u00e3 da outra. \u201cDepois do Fim\u201d \u00e9 uma dessas saborosas jujubas do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capitaneado pelo carioca Mario Neto, violonista de m\u00e3o cheia, mais Sergio Villarim (teclados), Delto Simas (baixo), Marco Ver\u00edssimo (bateria), Marcus Moura (flautas e acordeom), Mr. Paul (percuss\u00e3o) e Jane Duboc \u2013 linda e em comecinho de carreira \u2013 nos vocais, o Bacamarte, banda de nome no m\u00ednimo esdr\u00faxulo, gravou seu primeiro e derradeiro disquinho em 1983. Desde ent\u00e3o \u201cDepois do Fim\u201d \u00e9 uma das paradas mais s\u00e9rias j\u00e1 feitas por essas bandas Tupinamb\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom informar aos incautos que por essas \u00e9pocas o tal Rock Brasil n\u00e3o passava de uma n\u00e9voinha long\u00ednqua, um fedorzinho distante, distante, desses que a gente nem sente direito e o rock progressivo \u2013 pomposo, habilidoso e virtuoso \u2013 ainda deslumbrava a mo\u00e7ada. Foi nesse esp\u00edrito a\u00ed que surgiu o disco.<br \/>\n\u201cUFO\u201d \u00e9 uma faixa instrumental que se presta muito bem a cart\u00e3o de visitas. Onde todo mundo parece solar ao mesmo tempo. Um neg\u00f3cio meio inclassific\u00e1vel com um violento di\u00e1logo entre viol\u00e3o, flauta e baixo sobre uma cama onde os outros instrumentos n\u00e3o s\u00e3o meros coadjuvantes. N\u00e3o, n\u00e3o, s\u00e3o n\u00e3o. \u201cSmog Alado\u201d (afinal, o que diabos \u00e9 um Smog?) prossegue nessa levada de alta voltagem, um hard-rock-progressivo de primeira com a voz sopran\u00f4nica de Jane Duboc marcando um contraponto bem bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed o clim\u00e3o j\u00e1 estava dado. Para quem n\u00e3o lembra ou n\u00e3o teve a necess\u00e1ria viv\u00eancia no meio musical, antigamente esse neg\u00f3cio de \u00e1lbum conceitual era muito comum. A m\u00fasica se aproximava demasiadamente da literatura e muitos discos de alto sucesso contavam historinhas instigantes. \u201cDepois do Fim\u201d, \u00f3bvio, \u00f3bvio n\u00e3o poderia ser mais \u00f3bvio, fala do fim do mundo. \u201cMiragem\u201d, tem\u00e3o com altas comichonas de guitarra empolga e serve para baixar a bola para \u201cP\u00e1ssaro de Luz\u201d, can\u00e7\u00e3o onde Duboc e banda alcan\u00e7am altas alturas de lirismo sem cair na breguice generalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As curtas \u201cCa\u00f1o\u201d e \u201cControv\u00e9rsia\u201d s\u00e3o dois \u00f3timos momentos instrumentais e provam, A mais B, que o disco mereceu estar entre os cem melhores \u00e1lbuns de todos os tempos segundo a revista holandesa Exposure. Mas o \u00e1lbum se completa mesmo \u00e9 com a sinuosa \u201c\u00daltimo Entardecer\u201d, que come\u00e7a com uma levada candent\u00edssima ao piano, e que se torna tensa com andamentos e riffs pesados (sem nunca perder a bacanez) da eleg\u00edaca \u201cDepois do Fim\u201d, onde a humanidade j\u00e1 foi para as cucuias, e s\u00f3 resta mesmo come\u00e7ar tudo de novo, est\u00e1 tudo l\u00e1, sonoramente falando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do disco veio o anticl\u00edmax da banda que \u2013 oh, vaidade, v\u00edcio dos v\u00edcios \u2013 se desmanchou feito uma nh\u00e1 benta ao sol. Em 99, Mario Neto, solo, mas ainda ostentando o nome de Bacamarte lan\u00e7a \u201cSete Cidades\u201d, uma tentativa frustrad\u00e9zima de retomar o trabalho anterior. Fujam, trata-se de um engodo, n\u00e3o d\u00e1 nem para comparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que interessa \u00e9 que \u201cDepois do Fim\u201d sobreviveu \u00e0 pr\u00f3pria lenda rococ\u00f3-pop. Rar\u00edssimo em vinil e em CD, o disco virou um min\u00e9rio valioso contrabandeado livremente para fora do pa\u00eds. Os gringos chegavam, compravam tudo que encontravam a pre\u00e7o de banana estragada e despachavam para as estranjas, onde o disco alcan\u00e7ava at\u00e9 200 d\u00f3lares. Finalmente, algu\u00e9m de bom senso da Som Livre resolveu reeditar o \u00e1lbum num caprichoso formato digipack e com uma remasteriza\u00e7\u00e3o decente. O \u00e1lbum, perfeitinho do inicio ao fim, tr\u00e1s trinta e oito minutos que qualquer banda minimamente s\u00e9ria devia invejar. \u00c9 para ouvir sem medo de desperdi\u00e7ar a vida. Esse \u00e9 o grande elogio pra uma obra de arte, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lTG25LdQAMY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lTG25LdQAMY\"><\/embed><\/object> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Fernandes assina o blog <a href=\"http:\/\/www.aovinagrete.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ao Vinagrete<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Rodrigo Fernandes\nSem querer mexer com esse neg\u00f3cio das coisas serem cl\u00e1ssicas ou n\u00e3o, h\u00e1 obras que s\u00e3o muito perfeitas em si mesmas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/12\/cd-depois-do-fim-bacamarte\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5585"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5585"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34004,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5585\/revisions\/34004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}