{"id":5558,"date":"2010-08-11T02:00:25","date_gmt":"2010-08-11T05:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5558"},"modified":"2010-08-21T09:14:48","modified_gmt":"2010-08-21T12:14:48","slug":"blues-robert-crumb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/11\/blues-robert-crumb\/","title":{"rendered":"Blues, Robert Crumb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5559\" title=\"blues_crumb\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/blues_crumb.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Blues&#8221;, de Robert Crumb (Conrad Editora)<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nTexto publicado no Scream &amp; Yell em 24\/02\/2005<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Robert Crumb \u00e9 uma lenda. Uma lenda magrela, franzina e t\u00edmida, daquelas que esconde atr\u00e1s de seu sorriso uma intelig\u00eancia voraz e uma vis\u00e3o inconformada das coisas que o cercam. Em Blues (Conrad), Crumb constr\u00f3i uma ode aos primeiros anos do estilo, enquanto massacra a m\u00fasica popular moderna, que na verdade \u00e9 qualquer coisa criada dos anos 70 para c\u00e1. &#8220;Eu me interesso por \u00e9pocas anteriores, mas os anos 1920 e 1930 s\u00e3o pr\u00f3ximos o suficiente para me despertar um envolvimento pessoal&#8221;, diz o desenhista no posf\u00e1cio, para depois completar: &#8220;A m\u00fasica moderna sempre me pareceu apocal\u00edptica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Blues re\u00fane, pela primeira vez, as HQs &#8220;musicais&#8221; de Crumb e as capas de discos, filipetas, an\u00fancios e cartazes que o quadrinista fez nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. As HQs j\u00e1 haviam sido reunidas em Crumb Draws the Blues (in\u00e9dita no Pa\u00eds), enquanto as capas de discos foram compiladas na Fran\u00e7a e na Holanda, mas nunca publicadas em um mesmo livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o do desenhista com a m\u00fasica \u00e9 o mote de Blues, que conta com dezenas de hist\u00f3rias deliciosamente nost\u00e1lgicas, honrando o velho bord\u00e3o &#8220;como era boa aquela \u00e9poca&#8221; enquanto sacaneiam os tempos modernos em um livro que \u00e9 um retrato impressionante a respeito dos bluesmen norte-americanos. &#8220;Eu adoro m\u00fasica. No entanto, n\u00e3o sou um grande m\u00fasico. No m\u00e1ximo, arranho um banjo ou um viol\u00e3o. Para mim, a m\u00fasica \u00e9 o maior dos prazeres, com o sexo. Mais do que arte, admito&#8221;, garante Crumb. E essa rela\u00e7\u00e3o apaixonada \u00e9 exibida ao extremo em Blues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenhada em 1984, Patton conta a hist\u00f3ria do blueseiro que trocou a alma pelo sucesso com o demo em uma encruzilhada, bateu e apanhou de muitas mulheres, entornava \u00e1lcool como respirava e gravou alguns dos maiores blues de todos os tempos, para morrer totalmente desconhecido. &#8220;A m\u00fasica que Patton tocava e cantava n\u00e3o pode ser descrita de maneira alguma. Ela precisa ser ouvida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Velhas Can\u00e7\u00f5es S\u00e3o As Melhores \u00e9 um dos trechos mais hilariantes do livro, e lembra muito o estilo MAD de ver as coisas. Crumb traduz para os quadrinhos, literalmente, quatro can\u00e7\u00f5es e o resultado \u00e9 uma acachapante sacanagem com as m\u00fasicas, mas a grande carta de inten\u00e7\u00f5es do livro \u00e9 a hist\u00f3ria Onde Foi Parar Toda Aquela M\u00fasica Magn\u00edfica de Nossos Av\u00f3s (1985), que detona Bruce Springsteen e at\u00e9 cita o Menudo! Para Crumb, o problema \u00e9 que a m\u00fasica el\u00e9trica \u00e9 tocada alta demais, sem contar que desde Robert Plant, passando por Bon Jovi, Guns e chegando no Darkness, gritar e cultivar uma cabeleira decente ficou muito mais importante do que tocar uma simples can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da cr\u00edtica voraz de Crumb, em hist\u00f3rias recheadas de cinismo e diretas no queixo da juventude consumista, Blues traz as ilustra\u00e7\u00f5es coloridas do quadrinista para capas de discos, revistas e at\u00e9 filipetas de sebo e selos de vinis. Robert Johnson \u00e9 retratado com suprema maestria para a capa da revista 78 Quarterly (1988) enquanto o violinista Louie Bluie ganhou uma sensacional capa de disco: de um lado, uma bela negra seminua e do outro, ele, o dem\u00f4nio. Entre os dois, o blueseiro. No entanto, nenhuma capa de disco de Crumb ficou mais famosa que a para o \u00e1lbum Cheap Thrills, da banda Big Brother &amp; The Holding Company, que contava com os vocais da ent\u00e3o desconhecida Janis Joplin, amiga de Crumb. Cl\u00e1ssica \u00e9 pouco para a capa do disco. A pr\u00f3pria capa do livro foi retirada tamb\u00e9m de uma capa de disco, a colet\u00e2nea Harm\u00f4nica Blues, com can\u00e7\u00f5es dos anos 20 e 30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma edi\u00e7\u00e3o caprichada da Conrad &#8211; que j\u00e1 lan\u00e7ou no Brasil o \u00e1lbuns com hist\u00f3rias de Fritz The Cat, Mister Natural, a compila\u00e7\u00e3o de trechos da revista Zap Comix, e Am\u00e9rica &#8211; Blues tamb\u00e9m conta com a presen\u00e7a de Mr Natural e o famoso &#8220;Keep on Truckin&#8221;, al\u00e9m de fotos do pr\u00f3prio Crumb em atividade com sua banda (sim, ele montou uma banda!!!), que, segundo um dos cartazes presentes no livro, \u00e9 &#8220;a banda perfeita para todas as ocasi\u00f5es: festas, casamentos, quadrilhas, festivais e pequenos clubes&#8221;. Em um cartaz anunciando um disco do R. Crumb &amp; The Cheap Suit Serenaders, o desenhista (e tocador de banjo) avisa: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o usamos glitter, nem penduricalhos, pulseiras ou colares brilhantes nessa banda de homens. Apenas tocamos a melhor m\u00fasica que podemos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Blues \u00e9, mais do que qualquer outra coisa, uma rever\u00eancia ao passado, e como observou Rosane Pavam no \u00f3timo pref\u00e1cio do livro, &#8220;o passado \u00e9 uma ilus\u00e3o &#8211; e como ilus\u00e3o precisa ser restabelecido, ou ser um homem n\u00e3o far\u00e1 senso&#8221;. Por baixo da veia sat\u00edrica com que Crumb detona os dias atuais e se declara apaixonado pelo passado tamb\u00e9m h\u00e1 muita nostalgia. A cr\u00edtica, no entanto, serve para chacoalhar o leitor e mostrar que as coisas que existem hoje em dia brotaram no passado e foram sendo afetadas pela cultura de massa at\u00e9 tomarem a forma que tomaram. E v\u00e3o continuar mudando. No fundo, bem l\u00e1 no fundinho, m\u00fasica boa \u00e9 m\u00fasica antiga. Se tirarmos as hist\u00f3rias inventadas, as roupas, o glamour, a moda e o marketing, pouco sobra de tudo que ouvimos atualmente da &#8220;melhor banda de todos os tempos da \u00faltima semana&#8221;. \u00c9 ali, no som do viol\u00e3o cru e da voz rascante que est\u00e1 a reden\u00e7\u00e3o. Nos velhos discos de vinil (discos de vinil? Meu Deus, o que \u00e9 isso?) de 78 RPM. Am\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Levando Robert Crumb para comprar vinis em S\u00e3o Paulo, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/08\/11\/comprando-vinis-com-robert-crumb\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/blues-009.jpg\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5561 aligncenter\" title=\"crumb_blues\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/crumb_blues.jpg\" alt=\"\" \/><\/a>Clique para ver a p\u00e1gina em maior defini\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/blues-009.jpg\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nRobert Crumb \u00e9 uma lenda. 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