{"id":55392,"date":"2020-04-13T00:58:25","date_gmt":"2020-04-13T03:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=55392"},"modified":"2020-05-15T01:15:25","modified_gmt":"2020-05-15T04:15:25","slug":"entrevista-tony-belloto-fala-do-titas-trio-acustico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/13\/entrevista-tony-belloto-fala-do-titas-trio-acustico\/","title":{"rendered":"Entrevista: Tony Belloto fala do &#8220;Tit\u00e3s Trio Ac\u00fastico&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com quase 40 anos de estrada, os Tit\u00e3s s\u00e3o um dos maiores patrim\u00f4nios do rock brasileiro. Com carreira iniciada em 1982, o grupo paulista que j\u00e1 teve uma forma\u00e7\u00e3o de oito integrantes em seu per\u00edodo de maior sucesso (com nomes festejados no cen\u00e1rio nacional como Arnaldo Antunes, Nando Reis, Paulo Miklos e Charles Gavin) hoje responde por um \u201ctrio de ferro\u201d formado por S\u00e9rgio Britto, Branco Mello e Tony Belloto, que seguem mantendo vivo o legado da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre erros e acertos, o Tit\u00e3s produziu 15 \u00e1lbuns de est\u00fadio construindo uma discografia repleta de cl\u00e1ssicos do rock nacional \u2013 do primeiro, \u201c\u201dTit\u00e3s\u201d, de 1984, com sucessos como \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d, \u201cMarvin\u201d, \u201cGo Back\u201d e \u201cToda Cor\u201d at\u00e9 o mais recente, a \u00f3pera rock \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/04\/tres-discos-lobao-humberto-gessinger-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Doze Flores Amarelas<\/a>\u201d, de 2018. Desde 2019 o grupo vem se apresentando pelo Brasil com a turn\u00ea \u201cTit\u00e3s Trio Ac\u00fastico\u201d, onde revisitam seu repert\u00f3rio em formato desplugado. A experi\u00eancia destes shows resultou numa s\u00e9rie de tr\u00eas EPs com regrava\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o lan\u00e7adas no decorrer do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro volume, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/033LJiP5DSpOdKMPyhaw6x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com oito faixas<\/a>, j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nos portais de streaming e traz como destaque uma vers\u00e3o para \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d, cl\u00e1ssico do primeiro disco de est\u00fadio do grupo, que al\u00e9m da nova roupagem ganhou um novo v\u00eddeo clipe que traz participa\u00e7\u00f5es mais que especiais, como a do Paralamas, Rita Lee, Andreas Kisser (que recentemente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/03\/19\/entrevista-andreas-kisser-sepultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tamb\u00e9m conversou com o Scream &amp; Yell<\/a>), Cyz Mendes, que deu voz para uma, das tr\u00eas \u201cMarias\u201d retratadas na hist\u00f3ria de \u201cDoze Flores Amarelas\u201d, Alice Fromer, Elza Soares, o rapper Edi Rock, Fabio Assun\u00e7\u00e3o, Fernanda Montenegro, Casagrande e Roberto de Carvalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por telefone, Tony Belloto conversou com o Scream &amp; Yell e falou sobre a motiva\u00e7\u00e3o de seguir em frente, a nova turn\u00ea, a import\u00e2ncia de \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d para a trajet\u00f3ria dos Tit\u00e3s, o legado do grupo para as gera\u00e7\u00f5es de ontem e de hoje, diversidade sonora, a arte e temporalidade, a onipresente linha pol\u00edtica das letras, a import\u00e2ncia de se posicionar nos dias atuais, as dificuldades de ser artista em tempos de coronav\u00edrus e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - Son\u00edfera Ilha [Trio Ac\u00fastico] (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kByFropulROccSmCaSzH6CTXVpzjC4EeE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A trajet\u00f3ria dos Tit\u00e3s ruma para 40 anos de bons servi\u00e7os prestados \u00e0 m\u00fasica. Num exerc\u00edcio de reflex\u00e3o cab\u00edvel para este per\u00edodo, qual \u00e9 a principal motiva\u00e7\u00e3o da banda seguir em frente?<\/strong><br \/>A principal motiva\u00e7\u00e3o para seguir em frente \u00e9 justamente manter esta engrenagem viva e atuante. Acho que os Tit\u00e3s, mais do que as individualidades que formam a banda, \u00e9 uma entidade coletiva que inspira essa compuls\u00e3o de continuar criando, se desafiando, tentado se superar a cada trabalho. \u00c9 uma motiva\u00e7\u00e3o constante. Nada mais pode ser motivador do que isto: manter este grande monumento brilhante l\u00e1 em cima da montanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea &#8220;Trio Ac\u00fastico&#8221; foi iniciada no ano passado e tem colhido elogios do p\u00fablico e da cr\u00edtica. Esta \u00e9, se n\u00e3o me engano, a terceira vez que a banda explora este formato. Quais s\u00e3o os maiores desafios desta transposi\u00e7\u00e3o? E ainda: como se deu a sele\u00e7\u00e3o deste repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>Acho que a gente se move muito pela motiva\u00e7\u00e3o de fazer coisas novas. A premissa b\u00e1sica do \u201cTit\u00e3s Trio Ac\u00fastico\u201d, l\u00e1 no inicio, era de alguma forma celebrar os 20 e poucos anos do &#8220;Ac\u00fastico MTV&#8221; (1997), que foi um disco muito importante da nossa carreira. A partir da\u00ed a gente come\u00e7ou trabalhar com a ideia de fazer uma coisa nova. A gente fez o \u201cAc\u00fastico MTV\u201d (1997), fez o \u201cVolume 2\u201d (1998), que j\u00e1 n\u00e3o era tanto nesse formato ac\u00fastico, mas que ainda trazia um pouco daqueles elementos. Ent\u00e3o o grande desafio foi fazer alguma coisa nova dentro dessa premissa de celebrar uma coisa antiga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma que a gente encontrou foi uma forma dupla. A primeira quest\u00e3o musical foi refazer ou remeter aqueles arranjos e aquela atmosfera do \u201cAc\u00fastico MTV\u2019, com uma forma\u00e7\u00e3o muito menor e mais essencial. Basicamente a gente toca em trio grande parte do repert\u00f3rio deste projeto, algumas individualmente e outras com a presen\u00e7a do M\u00e1rio Fabre e do Beto Lee. Quando a banda est\u00e1 completa nesta turn\u00ea s\u00e3o cinco pessoas tocando, diferente daquele outro projeto da MTV que tinha uma orquestra inteira. Ent\u00e3o a ideia foi fazer um projeto essencial, minimalista mesmo, onde a gente consegue recriar alguns daqueles arranjos e aquela atmosfera com m\u00ednimo de elementos musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra sacaca desse projeto, que n\u00e3o est\u00e1 presente nos EPs que a gente est\u00e1 lan\u00e7ando, mas que est\u00e1 muito presente nos shows, \u00e9 a ideia de falar durante as apresenta\u00e7\u00f5es, algo que n\u00f3s nunca t\u00ednhamos feito durante estes 40 anos de carreira. Contar para as pessoas hist\u00f3rias da carreira, como algumas can\u00e7\u00f5es foram compostas. Essa foi novidade que nos motivou a fazer este projeto ac\u00fastico, com a carga de inova\u00e7\u00e3o que ele tem e que pra gente foi fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que a escolha deste formato deve ter feito com que voc\u00eas se aproximassem ainda mais, mesmo ap\u00f3s a sa\u00edda e a perda de integrantes ao longo dos anos. Procede?<\/strong><br \/>Desde a sa\u00edda do Paulo (Miklos) que eu, o Brito e Branco estamos muito pr\u00f3ximos. At\u00e9 mesmo alguns f\u00e3s apelidaram a gente de \u201ctrio de ferro\u201d e acabou pegando. Restou a n\u00f3s essa incumb\u00eancia heroica de preservar a banda e toda a sua exuber\u00e2ncia. Por isso n\u00e3o diria que foi este trabalho que nos aproximou mais, pois acho que desde que ficamos os tr\u00eas, essa aproxima\u00e7\u00e3o se intensificou com a no\u00e7\u00e3o que a banda somos n\u00f3s. Isto a gente demonstrou com bastante for\u00e7a no \u201cDoze Flores Amarelas\u201d, uma \u00f3pera rock que foi nosso trabalho anterior, inclusive no seu vigor criativo, com 25 m\u00fasicas in\u00e9ditas. Ali a gente pode comprovar, at\u00e9 pra n\u00f3s mesmos, que a gente \u00e9 uma banda muito produtiva e relevante. Esta quest\u00e3o \u00e9 muito importante pra gente. A gente nunca vai encarar a banda como algo burocr\u00e1tico, como um emprego. A banda realmente tem que ter uma qu\u00edmica, como existia no in\u00edcio, em 1982, com muitos outros integrantes. Ent\u00e3o a gente t\u00e1 muito unido e essa ideia do trio evidencia isso de forma bastante forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A releitura de &#8220;Son\u00edfera Ilha&#8221; foi escolhida como single para um s\u00e9rie de tr\u00eas EPs em alus\u00e3o a este novo projeto. Por que voc\u00eas escolheram esta faixa? Qual o significado dela para a banda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d \u00e9 uma m\u00fasica ic\u00f4nica na nossa carreira em todos os sentidos. Ela \u00e9 nosso primeiro sucesso, primeiro hit de r\u00e1dio. As emo\u00e7\u00f5es que ela provocou na gente s\u00e3o indescrit\u00edveis. Nunca me esque\u00e7o da primeira vez que eu ouvi a m\u00fasica no r\u00e1dio. Eu estava com o Marcelo Fromer, a gente tinha acabado de comer num bar que a gente frequentava ali na Rua Augusta, em S\u00e3o Paulo, e de repente a gente escuta a m\u00fasica tocando. \u00c9 daquelas emo\u00e7\u00f5es que a gente guarda pro resto da vida. Al\u00e9m disso, foi a m\u00fasica que nos fez conhecidos no Brasil. Apesar da gente realmente ter encontrado uma identidade mais definitiva a partir do \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/09\/25\/o-terceiro-disco-dos-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cabe\u00e7a Dinossauro<\/a>\u201d (1986) e que pessoas tenham, desde ent\u00e3o, percebido a gente como uma banda de contesta\u00e7\u00e3o, de um rock mais cru e agressivo, \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d nunca deixou de fazer parte do que s\u00e3o os Tit\u00e3s. Ela \u00e9 uma m\u00fasica anterior ao \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d, anterior as m\u00fasicas combativas, de questionamento pol\u00edtico \/ social. E, no entanto, \u00e9 uma m\u00fasica bastante enigm\u00e1tica, muito tocada e conhecida. \u00c9 uma m\u00fasica que toca no carnaval! Todo ano a gente sempre vive autorizando a grava\u00e7\u00e3o dessa m\u00fasica por artistas das mais diferentes esp\u00e9cies. Ent\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica fundamental pra gente. Acho que todo mundo a conhece. Ela est\u00e1 no DNA das pessoas aqui no Brasil e isso deixa a gente muito feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No clipe h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da mais variada gama de artistas do cen\u00e1rio nacional indo de Edi Rock (Racionais) \u00e0 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/04\/entrevista-erika-martins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c9rika Martis<\/a> (Autoramas), passando por Elza Soares, Rita Lee e Os Paralamas. Esta diversidade mostra como a banda estabeleceu uma boa rela\u00e7\u00e3o com artistas de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e, de certa forma, mostra que o legado que a banda deixou transcendeu g\u00eaneros musicais como aquele tributo de 2017 (&#8220;<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2016\/08\/02\/ouca-o-tributo-aos-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Pulso Ainda Pulsa<\/a>&#8220;) comprova. Como voc\u00eas lidam com esta responsabilidade?<\/strong><br \/>Nem \u00e9 uma responsabilidade, mas sim uma gl\u00f3ria. O fato da gente ver que a nossa m\u00fasica realmente transcendeu g\u00eaneros, idades&#8230;. \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que gente fez antes mesmo de formar a banda. \u00c9 uma m\u00fasica que est\u00e1 completando 40 anos. Quando a gente a toca nos shows vemos jovens e crian\u00e7as cantando a m\u00fasica. Gente que nem tinha nascido e estava longe de nascer quando ela foi composta ou mesmo lan\u00e7ada e fez sucesso. Ent\u00e3o n\u00e3o pode haver satisfa\u00e7\u00e3o maior. Essa \u00e9 grande recompensa que a gente tem na carreira. O clipe representa bem isso. Essa foi um pouco a ideia do Ot\u00e1vio Juliano (diretor do clipe) quando ele pensou em chamar essas pessoas, artistas e conhecidos, gente que fazia parte da nossa hist\u00f3ria, mas de diferentes matizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o voc\u00ea conseguir juntar a Fernanda Montenegro e o Edi Rock (Racionais) cantando uma mesma m\u00fasica \u00e9 algo que tem muitos significados culturais, est\u00e9ticos, sociais, filos\u00f3ficos, enfim&#8230; acho que a gente proporciona isso e, de certa forma, sempre buscou isso. Essa intera\u00e7\u00e3o. Quando a gente era conhecido como uma banda punk, n\u00f3s fizemos sempre quest\u00e3o de estar no que era considerado brega. Particip\u00e1vamos sempre nos programas de audit\u00f3rio. Temos m\u00fasicas regravadas por bandas punks e grupos de pagode. Essa \u00e9 uma heran\u00e7a tropicalista que a gente tem e est\u00e1 bem representada nesse clipe. Acho que n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que isso acontece. \u00c9 a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto. Ali ele est\u00e1 expresso de uma maneira bem simples e did\u00e1tica: nosso primeiro hit, 40 anos depois, num formato ac\u00fastico, entoado por todas essas pessoas que formam um panorama da cultura brasileira atual, em que a gente se insere, amalgamando tudo isso, o que \u00e9 muito legal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - Son\u00edfera Ilha [Making-Of]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bfl2ssxOORA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A diversidade \u00e9 uma marca da banda, pois voc\u00eas se aventuraram em diversas searas musicais. H\u00e1 algum terreno que a banda ainda queria explorar?<\/strong><br \/>A gente n\u00e3o pensa nessas coisas com tanta anteced\u00eancia. Quando a gente faz um projeto, se envolve demasiadamente nele. No nosso projeto anterior, que foi uma \u00f3pera rock, por exemplo, aconteceu a mesma coisa. A gente vinha de um disco muito bem sucedido em termos de receptividade de p\u00fablico e cr\u00edtica (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/15\/nheengatu-o-novo-disco-do-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nheengatu<\/a>\u201d, de 2014), que era um disco pesado com elementos brasileiros, que comentava muito da situa\u00e7\u00e3o do Brasil naquele momento. Nele a gente conseguiu fazer coisas incr\u00edveis e in\u00e9ditas no cancioneiro brasileiro, como uma m\u00fasica falando sobre pedofilia. Quando na MPB se teve not\u00edcia de algu\u00e9m falando disso? De falar de misoginia, de homofobia&#8230; \u201cNheengatu\u201d foi um disco muito legal e muito importante nesse sentido. Quando acabou a turn\u00ea e a grava\u00e7\u00e3o do DVD com o show, nos reunimos para ver qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo projeto. E come\u00e7amos a pensar: o que a gente vai fazer? Como a gente vai se surpreender agora? Como a gente vai se motivar, depois de tantos anos de carreira? N\u00e3o basta voc\u00ea falar: vamos entrar em est\u00fadio para gravar umas can\u00e7\u00f5es. \u201cEu fiz umas musicais legais aqui, deixa eu ver as suas a\u00ed&#8230;\u201d, s\u00f3 isso n\u00e3o d\u00e1 mais, n\u00e3o motiva mais. A gente tem que ter um projeto que nos mova. No caso do \u201cDoze Flores Amarelas\u201d foi assim. Fizemos a primeira \u00f3pera rock brasileira, a primeira que uma banda de rock de destaque como a nossa fez. E foi muito legal. Acabou que a gente nem conseguiu viajar pelo Brasil inteiro com ela como gostaria, ainda \u00e9 um projeto que perdura. Mas a\u00ed veio essa ideia do ac\u00fastico, com muitas novidades e desafios. Qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo projeto eu n\u00e3o sei, mas com certeza ele ser\u00e1 surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando desta diversidade, discos tidos como ousados em suas respectivas \u00e9pocas (como &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/precisamos-de-um-titanomaquia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Titanomaquia<\/a>&#8220;, de 1993) acabaram por serem incompreendidos, mas hoje acabam por ganhar reavalia\u00e7\u00f5es por parte do p\u00fablico e da cr\u00edtica. Como voc\u00eas observam esta mudan\u00e7a de paradigma? Acreditam que este movimento ir\u00e1 acontecer com outros \u00e1lbuns?<\/strong><br \/>\u00c9 normal de acontecer isso de um disco n\u00e3o ser muito bem compreendido na \u00e9poca em que ele foi lan\u00e7ado, principalmente pela cr\u00edtica. A gente, de certa maneira, supervaloriza um pouco cr\u00edtica. Ela nada mais \u00e9 que, vamos dizer, uma opini\u00e3o um pouco mais atenta, mas imediata. \u00c0s vezes voc\u00ea est\u00e1 contando com o humor do cr\u00edtico que te ouviu no dia anterior e j\u00e1 faz ali o seu parecer, o seu diagn\u00f3stico, \u00e0s vezes a percep\u00e7\u00e3o leva um tempo maior. Isso aconteceu, principalmente, foi nem com o \u201cTitanomaquia\u201d, mas com o \u201cTudo Ao Mesmo Tempo Agora\u201d (1991). Ele foi muito criticado porque era um disco de palavr\u00f5es, obsceno, com sonoridade confusa \/ ca\u00f3tica, mas \u00e9 um disco muito interessante. Ele foi reavaliado depois e \u00e9 um dos discos originais do rock brasileiro, sem d\u00favida. Acho que \u00e9 o tempo que avalia as obras. J\u00e1 ouvi falar sobre isso na literatura, por exemplo, onde voc\u00ea tem grandes cl\u00e1ssicos que na \u00e9poca n\u00e3o encontram um editor que se despusesse a edita-la, ou que foi editada, criticada e passou despercebida. E ent\u00e3o anos depois, d\u00e9cadas, ou eventualmente um s\u00e9culo depois (risos) a obra \u00e9 redescoberta e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio \u201cAc\u00fastico MTV\u201d foi um sucesso estrondoso de venda, mas a cr\u00edtica estranhou, criticou a gente como se a gente tivesse meio que se vendendo ao dinheiro e todo esse tipo de bobagem que rola. E \u00e9 normal que role. Mas acho que a avalia\u00e7\u00e3o mesmo \u00e9 o tempo que faz. Quando voc\u00ea analisa nossa obra inteira, s\u00e3o todos discos muito relevantes e s\u00f3lidos. N\u00e3o tem nada que voc\u00ea olhe e diga que \u201c\u00e9 uma obra do acaso\u201d ou \u00e9 \u201coportunista\u201d. De forma nenhuma. A gente \u00e9 muito s\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o a isso, pois sempre trabalhamos de forma motivada e acreditando naquilo que a gente est\u00e1 fazendo. Estes s\u00e3o fatores que garantem uma boa avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num contexto, quando voc\u00ea pega nossa obra como um todo, realmente ela \u00e9 muito forte. Mas pode ser que aconte\u00e7a uma reavalia\u00e7\u00e3o posterior, como a nossa pr\u00f3pria \u00f3pera rock, por exemplo, pois ela sofre um pouco disso. Ela foi lan\u00e7ada ano retrasado, mas com muita pouca aten\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico estava \u00e1vido por conhec\u00ea-la, mas a gente s\u00f3 conseguiu encena-la em S\u00e3o Paulo e Curitiba. Nem no Rio a gente conseguiu. O mercado n\u00e3o estava prop\u00edcio, pois al\u00e9m da crise era uma produ\u00e7\u00e3o cara. A cr\u00edtica tamb\u00e9m n\u00e3o falou muito, mas reconheceu a relev\u00e2ncia criativa e a ousadia da obra, por\u00e9m para mim \u201cDoze Flores Amarelas\u201d \u00e9 uma obra que ainda h\u00e1 de ser reavaliada com a import\u00e2ncia que merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica brasileira vive um dos seus melhores momentos com uma gama variada de novos artistas, mas uma parcela do p\u00fablico segue presa ao passado, n\u00e3o dando a devida aten\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 produzido hoje e\/ou sepultando g\u00eanero X ou Y. Como voc\u00eas veem este momento onde parte do p\u00fablico parece n\u00e3o estar atento ao que acontece hoje?<\/strong><br \/>Este aspecto fragment\u00e1rio da m\u00fasica est\u00e1, sem d\u00favida, muito presente hoje. Ele reflete o aspecto fragment\u00e1rio de como a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 veiculada. A gente pegou esta transi\u00e7\u00e3o da fase do vinil, quando a gente come\u00e7ou na d\u00e9cada de 80. A gente gravava um disco, o chamado \u00e1lbum, e tudo era concentrado nele. Ele ficava sendo trabalhado por cerca de um ou mais ano pela gravadora, a imprensa se concentrava naquilo. Hoje em dia os trabalhos s\u00e3o muito mais r\u00e1pidos e o conceito do \u00e1lbum est\u00e1 desaparecendo. O que a gente v\u00ea rolar s\u00e3o as m\u00fasicas avulsas. Trabalha-se muito no conceito de que se coloca uma m\u00fasica na internet e a aten\u00e7\u00e3o \/ concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 naquela m\u00fasica e n\u00e3o num conjunto de m\u00fasicas que formavam o \u00e1lbum, como antigamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos voltando \u00e0 era dos singles que, praticamente, foi uma fase anterior a dos \u00e1lbuns. Nos anos 50 era assim, iam se lan\u00e7ando os singles e ao fim do ano se juntavam todos eles num disco s\u00f3 e se montava um \u00e1lbum meio que intuitivamente. Depois o \u00e1lbum ganhou import\u00e2ncia art\u00edstica \/ cultural com os Beatles e tudo mais, criando um conceito. Mas isso mudou muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concordo que a m\u00fasica brasileira \u00e9 muito rica, original, tem muita gente produzindo, mas tudo fica muito fragmentado, porque n\u00e3o existe, como antigamente, uma grande m\u00eddia \u00fanica, um mainstream, onde se voc\u00ea n\u00e3o tocasse em determinadas r\u00e1dios, fizesse determinados programas de televis\u00e3o, ningu\u00e9m ia saber do seu trabalho. Se voc\u00ea fizesse voc\u00ea ficava nacionalmente conhecido. Hoje em dia n\u00e3o \u00e9 assim. Tem coisas que furam \u00e0s vezes esse bloqueio, as pessoas conhecem, mas tem coisas muito interessantes que s\u00e3o consumidas por um grupo menor pessoas, que n\u00e3o chegam a ficar conhecidas pelo grande p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que as coisas andam assim hoje em dia. A gente tem que se adaptar a essas mudan\u00e7as do mercado e da veicula\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, pois s\u00e3o mudan\u00e7as constantes, desde quando o neg\u00f3cio da m\u00fasica existe. O vinil, por exemplo, morreu (e renasceu). O CD nasceu, como uma grande revolu\u00e7\u00e3o e acabou por morrer de forma profunda, tal como a fita k7 ou algo assim. Quem se lembra dela hoje em dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o que importa \u00e9 a m\u00fasica que segue sendo feita e a gente vai encontrando. Ou na internet ou in loco. Eu lembro que um tempo atr\u00e1s n\u00f3s tocamos num festival de rock no Mato Grosso (ou Rond\u00f4nia, n\u00e3o me lembro&#8230;) e vimos muitas bandas locais fazendo coisas legais que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos acesso. A for\u00e7a est\u00e1 no que est\u00e1 sendo feito ali no subterr\u00e2neo e de vez em quando algo rompe e acaba transformando e levando o rock pra frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria do Tit\u00e3s acaba por ser especular ao Brasil em v\u00e1rios sentidos, pois a banda sempre manteve acesa um lado pol\u00edtico \/ social nas letras. Por que voc\u00eas decidiram e persistiram seguir por este caminho?<\/strong><br \/>Um das coisas que sempre motivou nossas composi\u00e7\u00f5es foi este aspecto de cronistas do nosso tempo. Talvez o \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d seja o disco mais ic\u00f4nico da banda nesse sentido. \u00c9 um disco muito interessante porque n\u00e3o \u00e9 panflet\u00e1rio. Ele n\u00e3o diz que as pessoas devam fazer isto ou aquilo. As can\u00e7\u00f5es se colocam como gritos individuais. O eu-l\u00edrico dos narradores das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre pessoas que est\u00e3o vivendo as situa\u00e7\u00f5es. Nossas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o fazem julgamentos das coisas. Elas fazem \u201catestamentos\u201d de uma tomada de consci\u00eancia do estado das coisas. Isso nos motiva muito: o que est\u00e1 acontecendo e como a gente reage a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 um pa\u00eds maravilhoso, a gente viaja o pa\u00eds inteiro e v\u00ea o potencial que esse pa\u00eds tem, mas o Brasil sempre foi v\u00edtima de velhas pol\u00edticas, doutrina\u00e7\u00f5es religiosas, do reacionarismo e do conservadorismo. Acho que a gente sempre combateu isso a nossa maneira, colocando a nossa vis\u00e3o de mundo nas nossas can\u00e7\u00f5es, a nossa posi\u00e7\u00e3o pela democracia, pela liberdade, pelas liberdades individuais, o direito do cidad\u00e3o fazer o que ele bem entender. Essa \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o constante. \u00c9 um dos fatores que nos mant\u00e9m vivos, que coloca a gente em frente e nos inspira fazer can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nosso pa\u00eds vive um dos per\u00edodos mais nefastos, vide aos in\u00fameros retrocessos que visualizamos diariamente. Em tempos como este a arte torna-se imperativa?<\/strong><br \/>A arte \u00e9 essa coisa maravilhosa que n\u00e3o tem uma fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Pra que serve a arte? Pra nada! E isso \u00e9 a beleza da arte. Voc\u00ea n\u00e3o faz nada com ela. N\u00e3o h\u00e1 nada de pr\u00e1tico, edificante, objetivo que possa fazer com ela. Mas ela ajuda as pessoas de forma diferente. Ela pode servir como um alento, como muita gente me disse quando saiu o clipe do \u201cSon\u00edfera Ilha\u201d h\u00e1 algumas semanas atr\u00e1s, comentando essa situa\u00e7\u00e3o de isolamento, vivendo essa ang\u00fastia de tempos de epidemia. \u00c0s vezes a m\u00fasica pode servir como uma liberta\u00e7\u00e3o, uma catarse. As pessoas gritam at\u00e9 hoje \u201cpol\u00edcia para quem precisa\u201d nos shows e voc\u00ea v\u00ea que \u00e9 um grito de botar para fora uma revolta, uma cr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que situa\u00e7\u00f5es como esta em que vivemos s\u00e3o terr\u00edveis, e digo n\u00e3o s\u00f3 esta situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da epidemia, mas tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o atual de retrocesso do pa\u00eds, de um vi\u00e9s autorit\u00e1rio governamental, que sente uma sedu\u00e7\u00e3o pelo caminho antidemocr\u00e1tico. A m\u00fasica \u00e9 muito importante e nessas horas o rock mostra tamb\u00e9m sua import\u00e2ncia. Ele bota as pessoas para gritar, pra falar o que ela est\u00e1 querendo. Ela d\u00e1, \u00e0s vezes, uma forma ao protesto que a pessoa tem dentro de si e n\u00e3o consegue concretizar em termos de palavras. Ent\u00e3o \u00e9 hora mesmo de botar pra fora. \u00c9 hora destes roqueiros, que est\u00e3o meio despercebidos no Brasil, se manifestarem. \u00c9 hora da gente mostrar que a arte \u00e9 capaz de transformar. Mas sempre desta maneira um pouco subjetiva, que \u00e9 a grande beleza da arte, esta forma transcendente. Nunca a servi\u00e7o de uma pol\u00edtica ou de uma doutrina, mas sempre em favor da liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que em tempos de coronav\u00edrus \u00e9 dif\u00edcil pensar em planos futuros, mas este per\u00edodo tem sido de grande reflex\u00e3o em v\u00e1rias esferas da sociedade. Como voc\u00eas tem visto este momento? E ainda: a classe art\u00edstica, nesse sentido, tem sofrido arduamente devido a impossibilidade de realizar apresenta\u00e7\u00f5es que, geralmente, \u00e9 a principal fonte de renda para a maioria. Qual seria a alternativa para esse per\u00edodo? O que o Tit\u00e3s tem feito?<\/strong><br \/>Realmente \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar o que vai acontecer daqui para frente. Essa epidemia atinge nosso setor da m\u00fasica ao vivo de forma terr\u00edvel. Mesmo que a situa\u00e7\u00e3o de isolamento se abrande, a gente n\u00e3o sabe quando ser\u00e1 poss\u00edvel reunir multid\u00f5es para se assistir a um show. Se voc\u00ea n\u00e3o sabe quando voc\u00ea poder\u00e1 sair de casa, ent\u00e3o imagina quando voc\u00ea poder\u00e1 sair para ir a um show? Voc\u00ea fala na pergunta sobre este per\u00edodo ser de grande reflex\u00e3o, mas antes de tudo \u00e9 uma afli\u00e7\u00e3o terr\u00edvel. Os Tit\u00e3s estavam com datas marcadas para o ano todo, mas todos os shows est\u00e3o sendo adiados para agosto, setembro, e n\u00f3s n\u00e3o temos nenhuma certeza se poderemos faz\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um per\u00edodo, de fato, de reflex\u00e3o, pro qual eu n\u00e3o tenho resposta nenhuma ainda. No nosso caso, eu, Brito, Branco, Beto e o M\u00e1rio estamos todos isolados, mas nos falamos. Estamos muito aflitos, com saudades uns dos outros, de estar tocando, de fazer o que a gente gosta de fazer, mas no momento n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer. Temos que aguardar e ver como tudo vai evoluir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de tudo, existem muito aspectos positivos desta situa\u00e7\u00e3o agora. Essa reflex\u00e3o que somos obrigados a fazer, este questionamento. Com certeza a sociedade sair\u00e1 transformada nesta crise. E os indiv\u00edduos tamb\u00e9m. Neste per\u00edodo a gente est\u00e1 aproveitando para terminar, individualmente, algumas can\u00e7\u00f5es. Espero que a gente possa logo estar de volta aos shows, que \u00e9 o que a gente gosta de fazer, e tenho confian\u00e7a que isto ir\u00e1 acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tenho religi\u00e3o, n\u00e3o acredito em Deus, mas acredito piamente no ser humano, na ci\u00eancia e solidariedade que tem se mostrado muito importante nesse momento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - Porque Eu Sei Que \u00c9 Amor [Ac\u00fastico]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XTYVpIhBj1s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - Me Estuprem (Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NLNowpad7hs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - Fardado (Clipe Oficial) [\u00c1lbum Nheengatu]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vt62Nc1hr2Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com quase 40 anos de estrada, os Tit\u00e3s s\u00e3o um dos maiores patrim\u00f4nios do rock brasileiro. 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