{"id":5517,"date":"2010-07-22T19:51:41","date_gmt":"2010-07-22T22:51:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5517"},"modified":"2016-09-04T14:17:12","modified_gmt":"2016-09-04T17:17:12","slug":"entrevista-fe-lemos-capital-inicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/22\/entrevista-fe-lemos-capital-inicial\/","title":{"rendered":"Entrevista: F\u00ea Lemos, Capital Inicial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5518\" title=\"capital_inicial\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/capital_inicial.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poucos dias de gravar \u201cDas Kapital\u201d, 12\u00ba disco de est\u00fadio do Capital Inicial, o vocalista Dinho Ouro Preto caiu do palco durante um show, bateu a cabe\u00e7a e acabou internado. Al\u00e9m do trauma craniano em si, deparou-se com complica\u00e7\u00f5es, como uma infec\u00e7\u00e3o e uma resistente pedra no rim. Longe dos companheiros F\u00ea Lemos (bateria), Fl\u00e1vio Lemos (baixo) e Yves Passarell (guitarra), teve que se contentar em acompanhar as grava\u00e7\u00f5es via internet. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o impediu que a banda brasiliense, do alto de seus respeit\u00e1veis 28 anos de carreira, lan\u00e7asse um bom disco de in\u00e9ditas, permitindo-se ousar ao apostar numa interessante varia\u00e7\u00e3o sonora em suas 11 faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDas Kapital\u201d \u00e9 um disco de rock curto e grosso. Destoa enormemente do rock que apresenta a nova gera\u00e7\u00e3o. Isso se deve tamb\u00e9m \u00e0 troca de produtor, entrando David Corcos no lugar de Marcelo Sussekind. Mas mais ainda \u00e0 vontade dos veteranos m\u00fasicos de se reinventar. Sobre esse trabalho, o batera F\u00ea deu a seguinte entrevista ao caderno PLUG, parceiro do Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje o p\u00fablico do Capital Inicial re\u00fane quem acompanha a banda desde os anos 80 e os filhos dessas pessoas. Voc\u00eas pensam nisso quando v\u00e3o compor para um trabalho novo, como este \u201cDas Kapital\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, \u00e9 natural. A gente n\u00e3o planeja compor pra determinada faixa et\u00e1ria ou pra um grupo em particular. As m\u00fasicas refletem o estado de esp\u00edrito de cada compositor, as influ\u00eancias que ele est\u00e1 tendo naquele momento. Houve uma \u00e9poca em que tentamos soar diferentes, no final dos anos 80, com as batidas eletr\u00f4nicas, e n\u00e3o fomos bem sucedidos. Aprendemos a duras penas a trabalhar com o que nos d\u00e1 prazer. No come\u00e7o dos anos 90, houve uma onda dos bateristas tocarem com dois bumbos. Estudei durante um ano pra tocar com dois pedais, e o som virou uma ma\u00e7aroca. Aquele n\u00e3o era eu. Tenho que tocar da minha maneira da melhor forma poss\u00edvel. Enfim, quando a gente comp\u00f5e, procura ser fiel ao nosso som. N\u00e3o d\u00e1 para querer tocar como uma banda nova, nem ficar congelado no tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas pensam no fato de que h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es ouvindo a banda? Isso pesa?<\/strong><br \/>\nSempre pensamos nisso. Quando o Dinho voltou para a banda, em 1998, vimos uma galera nova no show. Eram jovens que n\u00e3o conheciam o Capital da d\u00e9cada de 80. A\u00ed veio o \u201cAc\u00fastico\u201d, pra mostrar pra essa gera\u00e7\u00e3o um pouco da nossa hist\u00f3ria. O disco teve um alcance incr\u00edvel. E desde ent\u00e3o temos renovado o nosso p\u00fablico, porque sempre procuramos renovar nosso material, e n\u00e3o ficar gravando covers. Agora, o fato de sermos relevantes para os adolescentes nos enche de orgulho, porque eles s\u00e3o muito exigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDas Kapital\u201d traz uma boa variedade sonora. \u00c9 essa busca por novos sons que faz o Capital ainda ter f\u00f4lego, ao contr\u00e1rio de tantas outras bandas que estouraram nos anos 80?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. H\u00e1 a\u00ed dois ingredientes. Um \u00e9 a qualidade musical, que vem com a gente desde moleques. Outro \u00e9 que sempre procuramos fazer nossa m\u00fasica, nunca fomos uma banda de covers. E sempre tentando fazer algo que nos surpreendesse, sem repetir f\u00f3rmulas. Talvez transpa-re\u00e7a nas m\u00fasicas a busca por manter essa chama da originalidade acesa e fa\u00e7a com que soem especiais. Neste disco, procuramos a todo custo evitar m\u00fasicas das quais n\u00e3o estiv\u00e9ssemos seguros. Aceitamos a sugest\u00e3o do produtor, de fechar em 11 m\u00fasicas, e n\u00e3o 14, como era o padr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem m\u00fasicas curtas, todas com cerca de tr\u00eas minutos. A ideia era essa ou foi por acaso?<\/strong><br \/>\nA ideia era essa. Vivemos uma \u00e9poca que de certa forma \u00e9 um retorno aos anos 50 e 60, quando as bandas soltavam tr\u00eas ou quatro singles por ano. Depois \u00e9 que os reuniam num LP. Agora tamb\u00e9m se trabalha com m\u00fasicas individuais. N\u00e3o h\u00e1 mais aquele h\u00e1bito de se ouvir um disco inteiro. Isso acabou depois do MP3. Ent\u00e3o pensamos em fazer um disco mais curto, com 11 m\u00fasicas campe\u00e3s.<br \/>\n<strong><br \/>\nNos anos 80, havia uma grande varia\u00e7\u00e3o na sonoridade das bandas de rock brasileiras. Nos primeiros acordes, j\u00e1 era poss\u00edvel saber quem estava tocando, diferentemente das bandas de hoje. O Capital aproveita essa experi\u00eancia de tantos anos para se diferenciar?<\/strong><br \/>\nA gera\u00e7\u00e3o de 80 viveu um momento especial, tanto na vida do Brasil quanto da cultura pop. No final dos anos 70, houve o punk rock, a reinven\u00e7\u00e3o do rock. Nos anos 80, veio tudo isso e o fim da ditadura, a luta dos nossos pais. As bandas que possu\u00edam uma verve pol\u00edtica tinham o que falar. E as influ\u00eancias musicais nessa \u00e9poca eram fartas. O Bar\u00e3o era uma pegada mais Rolling Stones, o rock de Bras\u00edlia era mais influenciado pela new wave, o rock punk paulista, o rock ga\u00facho com seu sotaque. Talvez hoje a sonoridade que influencia as bandas mais novas seja mais parecida e isso fa\u00e7a com que soem parecidas. Mas acho que isso n\u00e3o \u00e9 problema algum. Esta-mos vendo o nascimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o e os bons artistas v\u00e3o sobreviver e desenvolver seus pr\u00f3prios estilos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Dinho teve v\u00e1rios problemas de sa\u00fade em virtude do acidente que sofreu durante um show. Isso complicou muito a grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nEsse foi o disco para o qual a gente mais ensaiou. V\u00ednhamos de tr\u00eas meses de ensaio di\u00e1rios, seis horas por dia. Quando o Dinho sofreu o acidente, faltavam quatro dias para entrarmos no est\u00fadio para gravar. Resolvemos gravar a base, j\u00e1 tendo uma ideia de como quer\u00edamos que o disco soasse. Um dos m\u00fasicos fez a voz guia e o Dinho foi acompanhando do hospital, pelo Skype. Claro que faltou a empol-ga\u00e7\u00e3o dele no est\u00fadio, mas at\u00e9 por causa disso demos o nosso m\u00e1ximo. Tamb\u00e9m ach\u00e1vamos que nos ver trabalhando serviria de est\u00edmulo pra ele. Seria muito pior esperar por ele, porque ter\u00edamos perdido todo o trabalho de ensaio e ele poderia ficar deprimido. Quando o Dinho saiu, foi s\u00f3 encontrar a melhor forma pra cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele at\u00e9 ousou sair um tanto de seu estilo em algumas m\u00fasicas\u2026<\/strong><br \/>\nVerdade. Ao cantar, ele traz um pouco da ang\u00fastia e do sofrimento que passou. Ele teve tempo pra refletir sobre as letras tamb\u00e9m e algumas delas trazem as marcas desse trauma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas reformularam todo o visual dos elementos cenogr\u00e1ficos da nova turn\u00ea. Quais s\u00e3o as novidades?<\/strong><br \/>\nResolvemos fazer um show mais apoiado em tecnologia, com luzes de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Nosso cen\u00e1rio era mais baseado em elementos dos anos 70, pain\u00e9is, panos, bonecos infl\u00e1veis, rampas, passarelas, estruturas met\u00e1licas pesadas. Diminu\u00edmos o hardware e incrementamos o software. Se desligamos as luzes, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nada no palco. A luz cria o cen\u00e1rio. Outra mudan\u00e7a \u00e9 que resolvemos abrir a turn\u00ea nas capitais, pra onde antigamente \u00edamos no final. O objetivo foi usar o efeito multiplicador dos shows nas capitais, que \u00e9 inigual\u00e1vel.<br \/>\n<strong><br \/>\nO interior de S\u00e3o Paulo est\u00e1 na rota da nova turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nCom certeza. O interior de S\u00e3o Paulo \u00e9 nossa melhor pra\u00e7a, \u00e9 onde fazemos 60% dos shows. E o show que montamos nas capitais vai para o interior. Vamos levar o circo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Paulino \u00e9 jornalista e editor do caderno <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/\" target=\"_blank\">Plug<\/a>, do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadelimeira.com.br\/\" target=\"_blank\">Gazeta de Limeira<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5365 aligncenter\" title=\"capital_kaptial\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/capital_kaptial.jpg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/capital_kaptial.jpg 392w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/capital_kaptial-300x267.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cDas Kapital\u201d, Capital Inicial (Sony Music)<br \/>\n<\/strong> <strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A queda do palco sofrida por Dinho em outubro de 2009 quase colocou fim ao grupo, mas o vocalista se recuperou, a banda voltou ao est\u00fadio e saiu de l\u00e1 com seu 12\u00ba \u00e1lbum. N\u00e3o espere mudan\u00e7as, no entanto. \u201cDas Kapital\u201d \u00e9 aquilo que o Capital vem fazendo desde que Yves Passarell assumiu as palhetas no \u00f3timo \u201cRosas e Vinho Tinto\u201d (2002): um pop rock de guitarras nervosinhas, a voz de Dinho l\u00e1 em cima na mixagem, e as boas letras de Alvin L. tentando situar a banda entre os coroas que compraram o disco proibido para menores de 18 anos em 1987, os jovens que descobriram a banda no \u201cAc\u00fastico MTV\u201d (2000) e a gera\u00e7\u00e3o Fresno\/NX Zero, que viu nos tiozinhos uma extens\u00e3o de suas bandas amadas. \u201cRessurrei\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cDepois da Meia Noite\u201d (duas can\u00e7\u00f5es de pegada Killers) e \u201cMelhor\u201d (puro Ramones) s\u00e3o can\u00e7\u00f5es grudentas de qualidade, mas o grande acerto \u00e9 \u201cVamos Comemorar\u201d, inspirada parceria de Dinho com Pit Passarell (por sua vez, \u201cA Menina Que N\u00e3o Tem Nada\u201d \u00e9 a bobagem do disco). Eles seguem firmes rumo aos 30 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista 2008: F\u00ea Lemos fala do MTV Especial Aborto El\u00e9trico, por Marcos Paulino (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/capitalinicial_aborto.htm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada do Capital Inicial, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/capitaldiscografia.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cGigante\u201d mostra que o Capital Inicial vive sua melhor fase (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/capitalinicial_gigante.htm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cMultishow ao Vivo\u201d mostra que o Capital \u00e9 a maior banda do pa\u00eds (<a href=\"..\/2008\/09\/24\/500-toques-marcelo-camelo-capital-inicial-e-leo-jaime\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Costa \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href=\"..\/..\/blog\/\" target=\"_self\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A poucos dias de gravar Das Kapital, 12\u00ba disco de est\u00fadio do Capital Inicial, o vocalista Dinho Ouro Preto caiu do palco&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/22\/entrevista-fe-lemos-capital-inicial\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1060],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5517"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5517"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39892,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5517\/revisions\/39892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}