{"id":55070,"date":"2020-03-16T16:25:55","date_gmt":"2020-03-16T19:25:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=55070"},"modified":"2020-05-01T14:15:42","modified_gmt":"2020-05-01T17:15:42","slug":"entrevista-pupillo-frevo-pode-ser-ouvido-o-ano-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/03\/16\/entrevista-pupillo-frevo-pode-ser-ouvido-o-ano-todo\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Frevo pode ser ouvido o ano todo&#8221;, Pupillo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, o nome de Rom\u00e1rio Menezes de Oliveira Jr. n\u00e3o lhe seja t\u00e3o familiar, caro leitor. Mas Pupillo, como \u00e9 popularmente conhecido, j\u00e1 \u00e9 outra coisa. Naturalmente associado \u00e0 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/nacao-zumbi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/a>, grupo musical recifense que faz hist\u00f3ria na m\u00fasica popular brasileira ao unir diversos elementos culturais, Pupillo desenvolveu uma carreira paralela ao grupo que ganha cada vez mais notoriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vers\u00e1til e inquieto, o m\u00fasico tamb\u00e9m j\u00e1 fez parte de diversos projetos como o 3 na Massa, o Sonantes e o Los Sebozos Postizos, que surgiram como extens\u00e3o dos trabalhados da Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Mas ap\u00f3s 23 anos dedicados ao grupo (Pupillo assumiu a bateria em 1995 gravando na sequencia o segundo disco com Chico Science, \u201cAfrociberdelia\u201d, de 1996) e a fun\u00e7\u00e3o de baterista \/ percussionista, Pupillo optou por apostar suas fichas na produ\u00e7\u00e3o musical, fun\u00e7\u00e3o esta que, ali\u00e1s, desenvolve desde o in\u00edcio o final da d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sheik Tosado, Momboj\u00f3, Otto, Paulo Miklos, Erasmo Carlos e Gal Costa s\u00e3o alguns exemplos de artistas com quem Pupillo trabalhou sejam em est\u00fadio ou na produ\u00e7\u00e3o de shows. Seu trabalho mais recente \u00e9 o projeto Orquestra Frevo do Mundo, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2mNGKi9Q6wuE9JQji339RR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que acaba de lan\u00e7ar seu primeiro disco<\/a>. No \u00e1lbum, Pupillo conta com a participa\u00e7\u00e3o de artistas da nova e da velha guarda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/02\/entrevista-ceu-fala-de-apka-maternidade-parto-e-amor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">C\u00e9u<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/duda-beat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Duda Beat<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/arnaldo-antunes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Arnaldo Antunes<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/otto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Otto<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/caetano-veloso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Caetano Veloso<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/siba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Siba<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/22\/tulipa-ruiz-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tulipa Ruiz<\/a>, Alm\u00e9rio e Henrique Albino) que repaginam cl\u00e1ssicos do frevo ou criam vers\u00f5es para m\u00fasicas que, inicialmente, n\u00e3o tinham em seus arranjos elementos do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda que toca no disco conta com nomes como Guri Assis Brasil, Mauricio Fleury (Bixiga 70), Carlos Trilha, Roberto Barreto (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/baianasystem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BaianaSystem<\/a>), <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/04\/28\/scream-yell-discos-meno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Meno Del Picchia<\/a> e Pedro Baby, dentre outros. Por telefone, Pupillo conversou com o Scream &amp; Yell e falou sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com o frevo e como a hist\u00f3ria do g\u00eanero \u00e9 intr\u00ednseca a cidade de Pernambuco; a fun\u00e7\u00e3o do produtor e o seu modo operante; como a m\u00fasica tornou-se parte essencial de sua trajet\u00f3ria; o exerc\u00edcio da paternidade; o momento pol\u00edtico brasileiro atual; Duda Beat; Caetano Veloso, planos futuros e o Carnaval de BH.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Filha da Chiquita Bacana - Ce?u e Caetano Veloso\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL31htg-ZfkFjBgAyV5QbJRnzxAbH_c0Se\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dias atr\u00e1s estava pesquisando a hist\u00f3ria do frevo e me deparei com o canal do Youtube &#8220;Mexe com Tudo&#8221; que, entre outras coisas, fala sobre a cultura de Pernambuco. E nesta toada acabei por descobrir que o g\u00eanero traz em si uma trajet\u00f3ria pol\u00edtico \/ social riqu\u00edssima. Como nasceu a sua rela\u00e7\u00e3o com o frevo?<\/strong><br \/>\nEsta hist\u00f3ria pol\u00edtica est\u00e1 dentro do imagin\u00e1rio de todo pernambucano. \u00c9 um g\u00eanero criado l\u00e1, ent\u00e3o a gente (foli\u00f5es e filhos de foli\u00f5es) abra\u00e7ou o g\u00eanero por todo o Estado (e n\u00e3o s\u00f3 na parte litor\u00e2nea). Para al\u00e9m da quest\u00e3o pol\u00edtica h\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o religiosa. \u00c9 algo que faz parte do folclore pernambucano no sentido que o frevo faz parte de uma \u00e9poca em que voc\u00ea se joga nos prazeres da carne, como na \u00e9poca do carnaval, onde voc\u00ea peca \u00e0 vontade pra a partir da\u00ed entrar na quarentena (da Quaresma) e chegar at\u00e9 a P\u00e1scoa. Isto foi colocado socialmente para as pessoas, algo como um b\u00e1lsamo, algo como se as pessoas pudessem pecar \u00e0 vontade para quando chegasse na \u00e9poca da quarentena ela se arrependesse dos seus pecados e cuidasse do lado religioso. Tudo isso era parte da festa profana. Que \u00e0s vezes para mim soa como se fosse um \u00f3pio para o povo esquecer seus problemas sociais que sempre existiram na nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como estilo musical, o frevo me fez pensar, a partir da minha hist\u00f3ria com a Na\u00e7\u00e3o Zumbi, na quest\u00e3o de mexer com a cultura popular. E tamb\u00e9m de enxergar o compromisso de propor que o frevo tamb\u00e9m fa\u00e7a parte do calend\u00e1rio da nossa cultura como um estilo de m\u00fasica pop. Assim como o samba conquistou isso. O samba saiu de um lugar de folclore para um lugar de representatividade maior, como parte do nosso calend\u00e1rio o ano inteiro. Qualquer regi\u00e3o do Brasil voc\u00ea tem artistas que comp\u00f5em samba, que tocam e tem o samba com parte da rotina. Eu como pernambucano sempre achei que o frevo tamb\u00e9m poderia ser ouvido o ano inteiro. Desde que sofresse algum tipo de atualiza\u00e7\u00e3o, que pudesse dialogar com elementos da m\u00fasica pop. Ent\u00e3o esse disco mesmo que tenha sa\u00eddo numa semana pr\u00e9-carnavalesca, aproveitando o per\u00edodo de carnaval para divulga\u00e7\u00e3o, \u00e9 um disco que se prop\u00f5e que voc\u00ea o ou\u00e7a durante o ano inteiro. Por isso a escolha por artistas que n\u00e3o sejam parte desta cultura para poder emprestar as versatilidades para o estilo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2018 voc\u00ea anunciou sua sa\u00edda da Na\u00e7\u00e3o Zumbi para se dedicar exclusivamente ao exerc\u00edcio de produtor, fun\u00e7\u00e3o que voc\u00ea j\u00e1 realizava h\u00e1 bastante tempo. Como se deu esta transi\u00e7\u00e3o? E ainda: quais os maiores desafios ligados ao fato de voc\u00ea estar por tr\u00e1s da mesa de grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSendo bem sincero, a sa\u00edda da Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma liga\u00e7\u00e3o exata com o fato de eu querer me dedicar a produ\u00e7\u00e3o. Eu j\u00e1 me interessava por isso deste o \u201cAfrociberdelia\u201d (1996), onde a gente tinha uma turma ali com pouca experi\u00eancia de est\u00fadio, inclusive eu e at\u00e9 mesmo o produtor do disco (o Bid). Ent\u00e3o isto fez com que a gente fosse fu\u00e7ando as coisas do est\u00fadio, cuidando de cada parte da feitura do disco. Na verdade, (a sa\u00edda aconteceu porque) eu estava querendo cuidar de outras coisas, outras quest\u00f5es musicais que n\u00e3o fosse s\u00f3 a do produtor. Como m\u00fasico tamb\u00e9m era uma necessidade, sabe. Ent\u00e3o essa parte do produtor ela vem atrelada ao m\u00fasico. \u00c9 algo que eu presto aten\u00e7\u00e3o, desde sempre, desde quando comecei a entrar em est\u00fadio eu procuro prestar aten\u00e7\u00e3o no todo. Seja nas m\u00fasicas, nas letras, na voz que precisa ser clara e ouvida. Isto faz parte de um processo natural do trabalho coletivo. Ent\u00e3o o processo de um produtor parte deste princ\u00edpio de ser um ouvinte ass\u00edduo do que o artista pretende ou esta tentando buscar com a sua arte. A interfer\u00eancia do produtor deve ser \u00fanica e exclusivamente na tentativa de traduzir isso. Fazer com que isso tenha a cara do artista. E que se descubra muitas vezes coisas que s\u00e3o relacionadas aos desejos art\u00edsticos que ele ainda n\u00e3o tinha percebido. \u00c9 onde entra a contribui\u00e7\u00e3o do produtor: chegar com elementos que tenham ver com essa necessidade art\u00edstica, resultando na satisfa\u00e7\u00e3o de ouvir o disco do artista e ele ter a cara dele e n\u00e3o do produtor. Num exerc\u00edcio de cuidado e respeito com que o artista quer desenvolver e voc\u00ea buscar sa\u00eddas e sugest\u00f5es que acrescentem ao resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, voc\u00ea tinha dito tempos atr\u00e1s que a sua fun\u00e7\u00e3o enquanto produtor n\u00e3o era inserir parte da sua cara no registro, mas permitir que o artista trabalhe ou encontre a sua pr\u00f3pria roupagem, pr\u00e1tica esta que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum. Por que voc\u00ea escolheu este caminho?<\/strong><br \/>\nAcho que isso passa pelo respeito \u00e0 arte. N\u00e3o me tornei produtor para impor a algum artista exatamente o que penso. \u00c9 justamente uma forma de eu aprender mais, de eu trazer muito mais refer\u00eancias para mim como artista e como m\u00fasico que sou, descobrir estas nuances de cada artista dentro de um processo. Gosto de fazer pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o dos discos, fazer demos antes de entrar e gravar a ideia final. Isso parte de um processo de aprendizagem que resolvi desenvolver, que \u00e9 a cada trabalho tentar entender o que o artista est\u00e1 buscando e n\u00e3o impor minha vis\u00e3o sobre o que eu penso. Obviamente, a partir daquilo ali voc\u00ea tenta traduzir e, querendo ou n\u00e3o, voc\u00ea coloca um pouco da sua vis\u00e3o disso. Mas para mim o ponto principal \u00e9 n\u00e3o interferir a ponto de desviar a rota completamente de onde se quer buscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto eu estou falando de maneira geral. Obviamente tem situa\u00e7\u00f5es em que artistas ainda n\u00e3o sabem qual caminho tomar. Isto depende muito do projeto em que voc\u00ea est\u00e1 envolvido. J\u00e1 aconteceu de eu iniciar um projeto onde o artista n\u00e3o sabia nada do que ele queria e isto virou uma parceria onde eu propus caminhos que deram um norte para o artista. Mas normalmente quando voc\u00ea trabalha com um artista que sabe que tipo de resultado ele quer, mas n\u00e3o sabe como chegar l\u00e1, \u00e9 ai que entra o produtor. \u00c9 ele quem vai intermediar estes caminhos e possibilidades. Querendo ou n\u00e3o tenho um estilo meu de fazer, com prefer\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a timbres, tipos de arranjos e arregimenta\u00e7\u00f5es. Mas a partir do momento que voc\u00ea est\u00e1 trabalhando com um artista que tamb\u00e9m sugere e faz com que a gente se lance num desafio de ir atr\u00e1s de situa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, que sejam especialmente desenvolvidas para o artista, isto para mim d\u00e1 um sentido pro trabalho do produtor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seus trabalhos como produtor primam pela versatilidade, e isso chama aten\u00e7\u00e3o. Qual o crit\u00e9rio que voc\u00ea usa quando decide trabalhar com algum artista?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 a quest\u00e3o de eu ter o m\u00ednimo de capacidade de enxergar se vou conseguir ou n\u00e3o ajudar a desenvolver (o trabalho do artista). N\u00e3o \u00e9 apenas uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. Passa pela quest\u00e3o da autoan\u00e1lise, de se eu tenho condi\u00e7\u00f5es de ajudar o artista. Obviamente, pode acontecer situa\u00e7\u00f5es onde algum artista entre em contato e eu sinta que n\u00e3o vou conseguir ajudar porqu\u00ea o trabalho n\u00e3o tem a ver com o que penso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica. Independente do estilo. Isso para mim \u00e9 fundamental. Venho de um lugar que tem essa diversidade. Fui criado, como a maioria dos meus amigos, ouvindo todo tipo de som. O Nordeste sempre consumiu todo tipo de som. Seja com o grupo dos amigos que pensaram a cena de Recife nos anos 90, seja andando pelo centro da cidade e estar tocando forr\u00f3, m\u00fasica brega ou as guitarradas de Bel\u00e9m. Voc\u00ea \u00e9 criado naturalmente ouvindo e com o tempo voc\u00ea vai criando o seu gosto musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tive a sorte de andar com uma turma que j\u00e1 tinha essa cabe\u00e7a aberta. Que mandava cartas pra fanzines daqui de S\u00e3o Paulo e da\u00ed demorava um m\u00eas para receber alguma coisa ou algu\u00e9m que veio aqui para S\u00e3o Paulo que chegava com alguma fita cassete com sons alternativos, de cenas que a gente admirava \u00e0 dist\u00e2ncia, mas tinha pouco acesso. Isso tira da gente o preconceito natural de quando voc\u00ea \u00e9 mais novo e voc\u00ea precisa se afirmar e se posicionar dentro de um \u00fanico estilo. Nesse ponto tive muita sorte, no sentido de andar com pessoas e conviver num ambiente onde se ouvia de tudo. Inclusive o frevo dentro da casa dos meus av\u00f3s na \u00e9poca do carnaval onde meus tios faziam festas no interior. Eu estava sempre participando das festividades. E isto d\u00e1 uma vis\u00e3o mais ampla quando voc\u00ea tenta criar um entendimento sobre algum trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que a sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica tenha se dado de maneira precoce. Em que momento voc\u00ea percebeu que a rela\u00e7\u00e3o com este universo n\u00e3o seria mero entretenimento?<\/strong><br \/>\n\u00c9 como uma experi\u00eancia de vida. A partir do momento em que voc\u00ea est\u00e1 numa cidade como Recife, que \u00e9 enorme, mas que n\u00e3o tem acesso \u00e0s coisas, que \u00e9 uma cidade nada generosa com a juventude. A crise pol\u00edtica no Brasil, naquela \u00e9poca, quando chegava o d\u00e9ficit (como \u00e9 at\u00e9 hoje), n\u00f3s sofr\u00edamos muito mais. A gente sofre estes sintomas das crises pelas quais o Brasil costuma passar. Ent\u00e3o a gente sentia uma oscila\u00e7\u00e3o absurda de situa\u00e7\u00e3o financeira, de estrutura para voc\u00ea ter uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Ent\u00e3o quando entrei na adolesc\u00eancia, mesmo convivendo num ambiente muito musical, tinha todas aquelas incertezas e press\u00e3o da fam\u00edlia de, o quanto antes, buscar um caminho profissional. Ent\u00e3o encontro a m\u00fasica, conhe\u00e7o pessoas que j\u00e1 estavam come\u00e7ando a montar bandas e a tocar. Aquilo ali me bateu de forma instant\u00e2nea: sentar num instrumento e poder j\u00e1 tocar alguma coisa. Aquilo foi um encontro que realmente me encaminhou na vida nesse sentido porque eu nunca trabalhei com outra coisa. Sempre trabalhei com m\u00fasica e desde muito cedo. Aos poucos fui entrando no mercado de trabalho, toquei na noite algum tempo e viajei o estado de Pernambuco inteiro. Isto me deu uma experi\u00eancia incr\u00edvel por ser muito novo e poder tocar com pessoas experientes para fazer turn\u00ea de S\u00e3o Jo\u00e3o, por exemplo, ou fazer shows no carnaval. J\u00e1 toquei algumas vezes no Galo da Madrugada (tradicional bloco carnavalesco de Recife, considerado o maior do mundo). Isto lhe d\u00e1 uma experi\u00eancia incr\u00edvel. E foi a partir da\u00ed que vi que tinha achado o meu caminho. O que \u00e9 raro \u00e0s vezes. Voc\u00ea como jovem demora a escolher, eu tenho filhos e a gente percebe o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 na juventude tomar uma decis\u00e3o, se encaminhar. Ainda mais como numa cidade como Recife naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o a m\u00fasica realmente me convocou pra isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que bom que voc\u00ea continua!<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. \u00c0s vezes s\u00e3o coisas passageiras que voc\u00ea usa como uma muleta para se livrar de outras quest\u00f5es. Mas, no final, serviu para me fazer ser quem eu sou hoje na quest\u00e3o da experi\u00eancia de uma maneira geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/02\/entrevista-ceu-fala-de-apka-maternidade-parto-e-amor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Recentemente voc\u00ea foi pai novamente<\/a> e acredito que esta fase deva ter sido transformadora. Como tem sido esta experi\u00eancia? De algo alguma forma a presen\u00e7a do Antonino no seu cotidiano alterou o seu fazer musical e a sua vis\u00e3o de mundo?<\/strong><br \/>\nA paternidade \u00e9 um exerc\u00edcio. Como ser humano, voc\u00ea se debru\u00e7a sobre outra exist\u00eancia e voc\u00ea percebe que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais s\u00f3 voc\u00ea. Acho que dei sorte de ter sido pai muito cedo. Tenho uma filha de 24 anos e isso me equilibrou um pouco. Quando voc\u00ea \u00e9 muito novo voc\u00ea se arrisca muito, se joga de cabe\u00e7a na vida e a paternidade me centrou um pouco mais. Me fez tra\u00e7ar objetivos que talvez se ela n\u00e3o tivesse chegado naquele \u00e9poca eu n\u00e3o tivesse conseguido me organizar t\u00e3o bem. At\u00e9 as escolhas de ficar mais longe, abrir m\u00e3o de estar com ela para poder entrar em turn\u00ea. Era \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o do \u201cAfrociberdelia\u201d, ent\u00e3o voc\u00ea percebe que voc\u00ea vira automaticamente um modelo de pessoa para outra pessoa, que vai sofrer sua influ\u00eancia, ser parte do que voc\u00ea \u00e9. Parte do car\u00e1ter que vai se formar nestas crian\u00e7as vem da gente. Ent\u00e3o isso interfere muito no entorno, no que envolve a carreira profissional, a sua conduta como pessoa. A sua forma de pensar o mundo muda bastante quando voc\u00ea tem filhos. Por mais que eu tenha uma forma\u00e7\u00e3o naturalmente, vamos dizer, de esquerda, essa forma de pensar o mundo, de pensar a vida, se posicionar e tomar uma postura como pessoa mesmo, isto quando voc\u00ea \u00e9 pai tem uma dimens\u00e3o mais ampla, pelo menos para mim. Jogou uma responsabilidade muito maior para mim. Isto tamb\u00e9m ajuda nas tomadas de decis\u00f5es. Mesmo errando ou acertando s\u00e3o coisas que pensam muitos mais antes de se jogar em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; a gente acaba, querendo ou n\u00e3o, como voc\u00ea disse, se permitindo fazer coisas mais ousadas quando n\u00e3o se \u00e9 pai. E com a paternidade a gente fica naquele exerc\u00edcio da responsabilidade de criar uma crian\u00e7a&#8230;<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea tem de pensar duas vezes antes de mergulhar na ousadia, que muitas vezes se confunde com inconsequ\u00eancia, com a incapacidade de tomar decis\u00f5es mais coerentes. Depois que virei pai tentei equacionar isso. Porque existe um pensamento coletivo dentro do meu conceito de primordial de arte e tamb\u00e9m como pessoa. Na minha personalidade, sempre fui uma pessoa que gosta mais de ouvir do que de falar. Ent\u00e3o parece que a paternidade acentuou isso ainda mais, porque preciso (tomar certos cuidados), ainda mais hoje, que as coisas ficam registradas e os erros tamb\u00e9m fazem parte disso. (Os erros tamb\u00e9m) Ajudam a gente a melhorar ao longo o tempo. N\u00e3o h\u00e1 nada que me deixe insatisfeito com alguma \u00e9poca da vida, mas quando voc\u00ea tem a responsabilidade de criar, at\u00e9 nos erros voc\u00ea se busca como refer\u00eancia para que os filhos tamb\u00e9m n\u00e3o cometam. Ou que cometam os erros deles dentro de um conceito mais bem estruturado. A crian\u00e7a precisa de uma estrutura emocional. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o material. A estrutura emocional que, muitas vezes, a gente n\u00e3o teve devido a uma precocidade, de cair pro mundo, de se vislumbrar, no meu caso, com que estava acontecendo de mudan\u00e7as na \u00e1rea da cultura na minha cidade. Isto fez com que eu me arriscasse muito, ficando muito tempo na rua, vivendo situa\u00e7\u00f5es que hoje em dia voc\u00ea fala \u201cputz, eu n\u00e3o quero que meus filhos passem por isso\u201d. \u00c9 um eterno aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por mais que a m\u00fasica brasileira esteja vivendo um grande momento, \u00e9 percept\u00edvel no discurso governamental a ideia de que o que est\u00e1 sendo feito n\u00e3o presta, negando a arte a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Como voc\u00ea tem visto este cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nA gente vive claramente uma situa\u00e7\u00e3o nova num pensamento de ditadura. A gente n\u00e3o tem algo no n\u00edvel do AI-5, mas caminhamos para uma situa\u00e7\u00e3o para isso j\u00e1 que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 um lugar que sempre foi violado e de coloniza\u00e7\u00e3o. No caso do Brasil, sendo um pa\u00eds que nasceu e se \u201cdesenvolveu\u201d a base de fraudes e falcatruas, vira e mexe a gente vai viver esse tipo de situa\u00e7\u00e3o. E \u00e9 uma pena. A primeira parte da sociedade que sofre com isso \u00e9 a \u00e1rea da cultura. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o cultural como ponto de refer\u00eancia para uma na\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos uma cultural brasileira estabelecida e isso \u00e9 a nossa cara, mas \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio pensar a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do ser humano, de criar pessoas capazes de defenderem o seu ponto de vista, defenderem a democracia. Imagina a situa\u00e7\u00e3o do Nordeste dentro deste contexto? Voc\u00ea manter uma regi\u00e3o, sacrificar e culpa-la por uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica, por exemplo, como o que a gente vive em rela\u00e7\u00e3o a seca? Essa quest\u00e3o da cultura vai al\u00e9m apenas de voc\u00ea ter uma representatividade, como uma identidade de um pa\u00eds. Voc\u00ea tem ali n\u00facleos de v\u00e1rios segmentos, que est\u00e3o fazendo trabalhos important\u00edssimos de conscientiza\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tamb\u00e9m precisa dar o suporte intelectual ao contr\u00e1rio do que a classe pol\u00edtica de hoje pensa. A cultura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entretenimento. Nunca foi. A cultura no Brasil sempre foi calcada em quest\u00f5es pol\u00edticas ser\u00edssimas. Pernambuco tem um hist\u00f3rico muito forte ligado a isso, desde a \u00e9poca do descobrimento, seja na independ\u00eancia ou na escravid\u00e3o, quando Pernambuco, por exemplo, por mais contradit\u00f3rio que seja, foi contra a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o porque o pa\u00eds ainda n\u00e3o estava pronto para receber essas pessoas. Tanto que o que aconteceu foi isso: jogaram mais um milh\u00e3o e duzentos mil ex-escravos nas ruas e eles tiverem que voltar a trabalhar para os ex-senhores de escravo. O pa\u00eds n\u00e3o se preparou para encerrar este per\u00edodo de terror. O Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds a teoricamente acabar com a escravid\u00e3o. Voc\u00ea viver dentro de uma bolha onde s\u00f3 se pensa numa parcela menor da sociedade \u00e9 um tipo de pensamento que fere com tudo. \u00c9 um pa\u00eds gigantesco, rico, com capacidade enorme, absurda, para se desenvolver, virar realmente uma grande pot\u00eancia, mas sofre com estas quest\u00f5es de desigualdade social. Quem vai cuidar disso? A cultura num momento como esse \u00e9 fundamental. Para mim n\u00e3o \u00e9 uma surpresa que no momento como esse a cultura seja a primeira parcela da sociedade a ser atacada, mutilada onde deveria ter um suporte. A gente vive uma situa\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia. As pessoas precisando criar situa\u00e7\u00f5es para continuar sobrevivendo de arte. \u00c9 lament\u00e1vel. \u00c9 a prova maior do equ\u00edvoco que o pr\u00f3prio povo brasileiro cometeu ao colocar um cidad\u00e3o como este na presid\u00eancia. Claramente ele \u00e9 uma pessoa sem capacidade \u00e9tica, profissional ou moral para estar onde est\u00e1. Ent\u00e3o o que fazer agora? Eu tenho minha consci\u00eancia limpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao projeto Orquestra Frevo do Mundo, l\u00e1 voc\u00ea transita entre a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade, ao oscilar entre cl\u00e1ssicos do frevo com can\u00e7\u00f5es mais novas, que em ambos os casos ganharam novas roupagens. Como se deu o processo de (re)cria\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nEu queria no in\u00edcio prestar uma homenagem \u00e0 escola de metais de frevo de Pernambuco, na figura de maestro Duda, que \u00e9 uma pessoa que admiro muito e que fez parte dos arranjos. S\u00f3 que \u00e0 medida que fui ouvindo e pesquisando, comecei a pensar no per\u00edodo que passei em Salvador em alguns carnavais e a lembrar de muita coisa que acontecia ali em rela\u00e7\u00e3o ao Frevo. Ent\u00e3o a primeira coisa que eu queria fazer era pensar num repert\u00f3rio que n\u00e3o fosse exclusivamente pernambucano, mas que pudesse contar rapidamente um pouco desta parceria hist\u00f3rica entre Recife e Salvador, como na pol\u00edtica, j\u00e1 que s\u00e3o dois estados parceiros nesta quest\u00e3o. E devido ao fato de eu perceber que a Bahia teve um papel importante na retomada do frevo. Ent\u00e3o eu quis contar um pouco desta hist\u00f3ria a partir deste volume 1. Al\u00e9m disso, quis reverenciar o papel important\u00edssimo que o carnaval baiano teve no inicio dos anos 70 ao convidar Nelson Ferreira, em Recife, que estava no ostracismo. Ali houve uma retomada do g\u00eanero. Quando Caetano Veloso, Moraes Moreira ouviram, aconteceu ali uma repaginada. Depois entrou a guitarra baiana mais pra frente.<br \/>\nEnt\u00e3o eu queria neste disco reverenciar o frevo como um g\u00eanero que quebrou a barreira do regionalismo. Saiu da fronteira do estado do Pernambuco e foi para um lugar que tem a capacidade enorme de transformar a m\u00fasica e de alavanca-la. Querendo ou n\u00e3o, grande parte do repert\u00f3rio de frevo que as pessoas conhecem fora do Nordeste s\u00e3o os sucessos baianos eternizados por Caetano e Gal, por exemplo. Eu queria fazer um apanhado, mas n\u00e3o queria fazer um gloss\u00e1rio ou um registro hist\u00f3rico do g\u00eanero. A gente j\u00e1 tem isso nas cole\u00e7\u00f5es de disco de Capiba, de Claudionor Germano, do pr\u00f3prio Nelson Ferreira. O Spok Frevo Orquestra tamb\u00e9m deu essa contribui\u00e7\u00e3o importante quando junta o jazz com esse g\u00eanero. O que eu quis fazer foi juntar essas duas for\u00e7as. Tanto que na faixa com o Otto (\u201cCiranda de Maluco\u201d) eu juntei a guitarra baiana com os arranjos de metais do maestro Duda. Se n\u00e3o me engano essa \u00e9 a primeira m\u00fasica que une esses elementos. \u00c9 dif\u00edcil sintetizar tudo num \u00e1lbum. Teria que fazer uma pesquisa ampla e, teoricamente, teria que ser um disco duplo. Por\u00e9m, eu queria que fosse um \u00e1lbum leve no sentido de que n\u00e3o fosse apenas um material de pesquisa. Existe essa fun\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante, mas eu n\u00e3o queria dar essa conota\u00e7\u00e3o a este disco por conta da minha gera\u00e7\u00e3o e desde o primeiro disco do Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, que lida com maracatu, ciranda e o frevo, como no \u201cAfrociberdelia\u201d, que tem algumas m\u00fasicas que fazem este di\u00e1logo. Quis tentar dar um pouco desta minha vis\u00e3o sobre o que eu acho do frevo. E acho que realmente \u00e9 um estilo que pode ser ouvido o ano inteiro. Foi por isso que chamei artistas de outros universos para emprestarem seus talentos. At\u00e9 por serem artistas que tem essa capacidade de tr\u00e2nsito, que tem a cabe\u00e7a aberta, que claramente tem uma percep\u00e7\u00e3o da m\u00fasica muito mais ampla do que a \u00e1rea que eles atuam. Tem Arnaldo Antunes, o pr\u00f3prio Otto, tem a Duda Beat, que \u00e9 uma pernambucana, mas que est\u00e1 ocupando um espa\u00e7o incr\u00edvel na cena brasileira&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Duda, de fato, \u00e9 incr\u00edvel. J\u00e1 tive a oportunidade de v\u00ea-la por duas vezes em Belo Horizonte e ela \u00e9 de fato uma artista pronta.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Desde o in\u00edcio ela apontou para onde queria ir e est\u00e1 chegando com muita for\u00e7a. Foi muito bacana ter ela como representante desse momento atual. De artista que est\u00e1 despontando e ocupando este espa\u00e7o todo. Ao mesmo tempo voc\u00ea tem Caetano e um monte de gente j\u00e1 estabelecida dentro deste contexto que tamb\u00e9m dialoga. S\u00e3o duas pontas n\u00e9. Tem o Caetano, que \u00e9 o exemplo maior desta diversidade de pensamento, de como o Tropicalismo ajudou a formar o Brasil culturalmente. E tamb\u00e9m voc\u00ea tem outras gera\u00e7\u00f5es que s\u00e3o parte desta linha de pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caetano Veloso \u00e9 um dos seus \u00eddolos. Como \u00e9 ter uma figura ic\u00f4nica da m\u00fasica popular brasileira de maneira t\u00e3o pr\u00f3xima, j\u00e1 que recentemente ele comp\u00f4s uma can\u00e7\u00e3o para o novo disco da C\u00e9u (com quem Pupillo est\u00e1 casado desde 2012) e participa da releitura de &#8220;A filha de Chiquita Bacana&#8221;?<\/strong><br \/>\nA quest\u00e3o era essa: como me comportar diante de um \u00eddolo. A rela\u00e7\u00e3o com Caetano vem desde que me relaciono com a m\u00fasica atrav\u00e9s de tios universit\u00e1rios que apresentaram o som dele, Chico Buarque, desta turma toda. E ent\u00e3o com o Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi nos 90 as portas se abriram e a gente trouxe pra perto essas pessoas. Tudo o que foi acontecendo com a banda vem do espa\u00e7o que ocupamos dentro da m\u00fasica brasileira como uma novidade. Isso \u00e9 comum da parte de Caetano, Gal, Gil, Tom Z\u00e9 e tantos outros artistas que fizeram parte do Tropicalismo ao se aproximarem das novas gera\u00e7\u00f5es. Criou-se um la\u00e7o afetivo pessoal que existia com a obra, mas a partir do momento em que voc\u00ea consegue estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima tamb\u00e9m te d\u00e1 acesso a isso. E a\u00ed voc\u00ea acaba tendo acesso a oportunidades de fazer o que C\u00e9u fez ao pedir uma m\u00fasica para ele. Ela tinha acabado de dar a luz, comentou que o admirava e que naquele momento seria maravilhoso ter uma m\u00fasica dele. Isso \u00e9 um atestado que o seu trabalho est\u00e1 sendo, de alguma forma, reconhecido por essas pessoas. Isto deu pra gente esta capacidade de ir atr\u00e1s dessas pessoas. Isto j\u00e1 vem de outros projetos tamb\u00e9m ou shows que dirigi ao longo da carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>..acaba por ser um exerc\u00edcio de admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua.<\/strong><br \/>\nPara mim \u00e9 dif\u00edcil falar sobre o car\u00e1ter m\u00fatuo, eu na posi\u00e7\u00e3o de f\u00e3. Mas passa por isso tamb\u00e9m. Acho que o trabalho que a Na\u00e7\u00e3o Zumbi construiu \u00e9 muito s\u00f3lido. Mesmo sem o Chico. A gente conseguiu dar continuidade. Estes contatos se mantiveram e continuam. Isto se abriu a partir do momento em que comecei a trabalhar como produtor junto a Gal Costa, Erasmo, que s\u00e3o justamente artistas referenciais para as novas gera\u00e7\u00f5es. Viver parte disto \u00e9 uma loucura. Poder entrar no universo dessas pessoas, t\u00ea-las como refer\u00eancia. \u00c9 um desafio maior a partir do momento em que voc\u00ea come\u00e7a a produzi-los e precisa evitar o lugar comum do seu pr\u00f3prio universo. \u00c9 um processo muito enriquecedor e prazeroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando teremos o prazer de ouvir o segundo volume deste projeto? Apesar do conflito de agenda dos v\u00e1rios artistas envolvidos voc\u00ea pretende leva-lo para outras pra\u00e7as al\u00e9m de S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nLevou um tempinho para fazer esse, devido \u00e0 busca de apoio, mas vou tentar para o pr\u00f3ximo ano fazer o vol.2. Quero muito poder levar para outras cidades esse show. Eu j\u00e1 tinha feito esse show em BH, no in\u00edcio do carnaval da cidade h\u00e1 v\u00e1rios anos atr\u00e1s. Levei a orquestra pra l\u00e1 e fizemos esse show numa pra\u00e7a. J\u00e1 tinha feito, nessa \u00e9poca, em Recife e S\u00e3o Paulo. Foi muito legal. Tenho visto que o carnaval de BH tem crescido bastante, gostaria de chegar junto e participar futuramente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-55071\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Orquestra-Frevo-do-Mundo-Volume-1-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Orquestra-Frevo-do-Mundo-Volume-1-capa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Orquestra-Frevo-do-Mundo-Volume-1-capa-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Orquestra-Frevo-do-Mundo-Volume-1-capa-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0 A foto que abre o texto \u00e9 de F\u00e1bio Fraga \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por telefone, Pupillo falou sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com o frevo e como a hist\u00f3ria do g\u00eanero \u00e9 intr\u00ednseca a cidade de Pernambuco; a fun\u00e7\u00e3o do produtor e o seu modo operante; como a m\u00fasica tornou-se parte essencial de sua trajet\u00f3ria; o exerc\u00edcio da paternidade; o momento pol\u00edtico atual; Duda Beat; Caetano, planos futuros e o Carnaval de BH.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/03\/16\/entrevista-pupillo-frevo-pode-ser-ouvido-o-ano-todo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":55072,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4278,4277],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55070"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55993,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55070\/revisions\/55993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}