{"id":54982,"date":"2020-03-09T14:03:12","date_gmt":"2020-03-09T17:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=54982"},"modified":"2020-04-20T23:38:41","modified_gmt":"2020-04-21T02:38:41","slug":"de-portugal-filipe-sambado-aproximo-me-muito-mais-do-funk-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/03\/09\/de-portugal-filipe-sambado-aproximo-me-muito-mais-do-funk-carioca\/","title":{"rendered":"De Portugal, Filipe Sambado: &#8220;Aproximo-me muito mais do funk carioca&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Lisboa, mas tendo residido nas cidades portuguesas de Santo Andr\u00e9, Elvas e Lagos (onde come\u00e7ou a fazer m\u00fasica), Filipe Sambado desenvolveria um trabalho mais apurado quando regressou \u00e0 capital portuguesa. A participa\u00e7\u00e3o nas bandas Cochaise e Chibazqui, bem como algumas m\u00fasicas e tr\u00eas EPs solo (entre os quais \u201cIsto \u00c9 Coisa Para N\u00e3o Voltar a Acontecer\u201d, de 2012) seriam passos importantes na sua afirma\u00e7\u00e3o. Em 2016, ele editaria o primeiro \u00e1lbum (\u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2nWOAe4YoPicleM6lsFiTi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vida Salgada<\/a>\u201d), depois assinaria um contrato com o selo Valentim de Carvalho, por onde sairia o disco \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1U2p9IsowqdTskHfeZEWNQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Filipe Sambado &amp; Os Acompanhantes de Luxo<\/a>\u201d (2018), registo pop psicod\u00e9lico de travo popular que representaria o seu grande momento criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo trabalho (\u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3hWfHvg27j94t3gH5681Q1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revezo<\/a>\u201d, 2020), prop\u00f5e uma recria\u00e7\u00e3o do folk portugu\u00eas e uma explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da est\u00e9tica pop. Algo que Manuel Louren\u00e7o (co-produtor do disco) validou: \u201cNos tr\u00eas discos do Filipe existe uma ideia de ver at\u00e9 onde o pop e o lado visceral podem ir e, finalmente, encontrar essa linguagem nas nossas ra\u00edzes musicais\u201d. Uma das faixas peculiares do \u00e1lbum atende pelo nome de \u201cPa\u00e7oquinha Pra Novela\u201d, marcada pela indol\u00eancia e pela alus\u00e3o rom\u00e2ntica. \u201cEu comia muito esse snack com uma amiga enquanto assist\u00edamos a seriados e novelas. A piada era essa, comer a pa\u00e7oquinha para iniciar um romance noturno. O resto da can\u00e7\u00e3o descreve um desenlace amoroso e uma vontade de prolongar o dia para n\u00e3o ter de trabalhar na segunda-feira\u201d, conta Filipe Sambado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, o m\u00fasico lisboeta alcan\u00e7ou o terceiro lugar no Festival RTP da Can\u00e7\u00e3o 2020 com uma boa interpreta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica \u201cGerbera Amarela do Sul\u201d (que integra o disco \u201cRevezo\u201d), algo que pegou Filipe de surpresa. \u201cFiquei surpreendido e contente por ter chegado \u00e0 final, mas n\u00e3o tinha grandes espetativas\u201d, explica. Como membro da nova gera\u00e7\u00e3o que revitaliza a tradi\u00e7\u00e3o musical portuguesa, Sambado ainda assim n\u00e3o est\u00e1 seguro de ser esse o caminho ideal para a internacionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 agora \u00e9 que surgiram os primeiros incentivos para a exporta\u00e7\u00e3o, mas a nossa dimens\u00e3o \u00e9 pequena. O Brasil poderia ser uma hip\u00f3tese, mas \u00e9 dif\u00edcil entrar l\u00e1. O fado tem maior facilidade de penetra\u00e7\u00e3o e as restantes sonoridades n\u00e3o tanto\u201d, refere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o interrogo sobre os seus objetivos futuros, Filipe Sambado defende uma ideia de seguimento. \u201cGostaria de continuar fazendo m\u00fasica sem ter de arrumar outro trabalho. Vivo da m\u00fasica desde h\u00e1 um ano e se puder ganhar algo mais e ter filhos ser\u00e1 melhor (risos)\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Filipe Sambado conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Sambado - J\u00f3ia da Rotina\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iSLmp7itNSk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comparativamente ao \u00e1lbum anterior, \u201cFilipe Sambado &amp; Os Acompanhantes de Luxo\u201d (2018), o seu novo disco revela uma acalmia r\u00edtmica. O que o levou a substituir o pop psicod\u00e9lico por um folk moderno?<\/strong><br \/>\nDeveu-se \u00e0 minha necessidade de procurar novos est\u00edmulos e encontrar um som mais inclusivo. O Lo-fi que eu fazia permitia esconder alguns defeitos, mas afastava-me do contato imediato com as palavras. Para al\u00e9m disso, buscava uma inscri\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, n\u00e3o s\u00f3 temporal, que inclu\u00edsse a tradi\u00e7\u00e3o portuguesa e os autores portugueses ligados a essa corrente, para entender de que forma eu poderia adulter\u00e1-la gerando novas tradi\u00e7\u00f5es no meu registro. No fundo, aproveitava esse lado est\u00e9tico, rompia-o e modernizava-o \u00e0 minha maneira, como a gera\u00e7\u00e3o de 60 e 70 tinha feito ao folclore tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considero que a faixa \u201c\u00c9 t\u00e3o Bom\u201d representa o lado mais vibrante do \u00e1lbum. Partilha desta opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim! Existem dois extremos no disco. A faixa \u201cTusa Mole\u201d \u00e9 a mais despida e introduz o \u00e1lbum e \u201c\u00c9 T\u00e3o Bom\u201d \u00e9 o ponto mais pop do trabalho e tamb\u00e9m o seu lado oposto. Ela \u00e9 realmente a can\u00e7\u00e3o mais vibrante, faz sentido que esteja no repert\u00f3rio, mas se fosse o tema de apresenta\u00e7\u00e3o do disco seria mais chocante para as pessoas que ouviriam o resto do \u00e1lbum, porque a parte final n\u00e3o \u00e9 assim. Enquanto \u201cJ\u00f3ia da Rotina\u201d faz uma boa ponte entre os v\u00e1rios momentos do trabalho, cativa e unifica e foi escolhida como single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O clipe de \u201cJ\u00f3ia da Rotina\u201d apresenta-o de uma forma solta e irreverente. Considera-se um provocador?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! \u00c9 apenas uma forma de eu me sentir bem na minha pele. Quando estou confort\u00e1vel arrisco mais e n\u00e3o tenho nenhum intuito em provocar ningu\u00e9m. Acaba por ser um fator de normaliza\u00e7\u00e3o desses aspectos. Eu quero poder vestir-me assim sempre que me apetece e as pessoas sintam que o possa fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cRevezo\u201d voc\u00ea cantou dedicadamente as suas hist\u00f3rias pessoais. Prefere compor mais sobre a sua vida do que a dos outros?<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m canto hist\u00f3rias de pessoas que vibram em mim. Existe esse lado de observador narrativo. A maior parte das letras abordam experi\u00eancias minhas e as outras referem-se a assuntos meus por via de terceiros. O tema \u201cMais Uma\u201d, por exemplo, introduz aspetos que n\u00e3o s\u00e3o de todo pessoais, como \u00e9 o caso do tom de pele, que n\u00e3o \u00e9 o meu e evoca pessoas sem o mesmo tipo de oportunidades que eu tenho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu trabalho existe uma vontade permanente de reinven\u00e7\u00e3o e um respeito por correntes sonoras tradicionais. Sente-se mais pr\u00f3ximo de Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es ou de David Bowie?<\/strong><br \/>\nAtualmente, sinto-me mais pr\u00f3ximo de Zeca Afonso (risos). Mas, houve fases em que me encontrava ao redor do Bowie ou do Varia\u00e7\u00f5es. O \u00e1lbum \u201cVida Salgada\u201d era muito na onda do Bowie, mas a ideia do Varia\u00e7\u00f5es resultou de um press release para o selo Valentim de Carvalho. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/09\/contrafm-roque-da-casa-01-e-02\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eu gosto muito da m\u00fasica do Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es<\/a>, mas a sugest\u00e3o veio da parte de um amigo, Pedro Duarte, ao qual eu mostrei o disco e ele escreveu um primeiro press release e criou uma s\u00e9rie de est\u00e9ticas e rela\u00e7\u00f5es com esse lado. Tanto o Bowie como o Varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o refer\u00eancias minhas mas, no momento, sou muito mais ligado no Zeca Afonso. Ali\u00e1s, neste disco, o Zeca e o Fausto dominam as prefer\u00eancias e ainda estou descobrindo a m\u00fasica de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nAproveitem para escutar a minha discografia toda (risos). E v\u00e3o daqui uns abra\u00e7os para o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/29\/download-inverno-de-marcelo-perdido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Perdido<\/a> que \u00e9 meu amigo e do Manuel Louren\u00e7o (co-produtor do disco). Lembro que tenho uma grande admira\u00e7\u00e3o pelo Baden Powell, Vinicius, Jo\u00e3o Gilberto, Chico Buarque, Caetano Veloso, Secos &amp; Molhados, Ney Matogrosso, Legi\u00e3o Urbana, Mutantes\u2026 A lista \u00e9 grande. No caso da Legi\u00e3o, trata-se de um fen\u00f4meno mais contempor\u00e2neo, mas os outros s\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o que teve uma responsabilidade grande, lutou e se assemelha \u00e0 nossa. Infelizmente, o que est\u00e1 chegando agora do Brasil, em termos de qualidade e pertin\u00eancia, assenta em viver muito o anglosaxonismo (como n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos). Para mim, isso n\u00e3o tem interesse imediato, apenas como vibra\u00e7\u00e3o. Eu fico cativado por estar bem feito e ser interessante, mas n\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo do que estou fazendo. Se calhar, h\u00e1 dois anos, eu ficaria conquistado pela m\u00fasica do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/12\/entrevista-tim-bernardes-o-terno-entre-a-nostalgia-e-a-esperanca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tim Bernardes<\/a>, mas agora \u00e9 menos atrativa para mim. Por isso, aproximo-me muito mais do funk carioca, que est\u00e1 sendo feito agora nas favelas ou do funk queer. S\u00e3o correntes musicais que abordam problemas concretos, aproximam-se muito da palavra \u201cresist\u00eancia\u201d e revelam-se mais interessantes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Sambado - &quot;Gerbera amarela do sul&quot; | Grande Final | Festival da Can\u00e7\u00e3o 2020\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JllnM2EE6hU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Sambado - Alargar o Passo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k4r9guWXc5M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Sambado - Tabaco\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h8Jlz8TLK14?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O artista lisboeta est\u00e1 lan\u00e7ando seu terceiro disco, &#8220;Revezo&#8221; (2020), em que prop\u00f5e uma recria\u00e7\u00e3o do folk portugu\u00eas e uma explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da est\u00e9tica pop. Neste papo, ele ainda fala de Legi\u00e3o, Tim Bernardes e funk queer. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/03\/09\/de-portugal-filipe-sambado-aproximo-me-muito-mais-do-funk-carioca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":54983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1772,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54982"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54982"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54984,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54982\/revisions\/54984"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}