{"id":54635,"date":"2020-01-23T01:35:08","date_gmt":"2020-01-23T04:35:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=54635"},"modified":"2020-02-29T01:03:06","modified_gmt":"2020-02-29T04:03:06","slug":"ao-vivo-lana-del-rey-e-norman-rockwell-o-que-esperar-para-o-lolla-brasil-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/23\/ao-vivo-lana-del-rey-e-norman-rockwell-o-que-esperar-para-o-lolla-brasil-2020\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Lana Del Rey e Norman Rockwell &#8211; O que esperar para o Lolla Brasil 2020"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/annalisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Anna Beatriz Lisb\u00f4a<\/a><br \/>\nFotos: Lana Del Rey Global (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LanaDelReyGlobal\/posts\/712280972608055\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">veja galeria<\/a>)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem escuta o canto l\u00e2nguido de Lana Del Rey entoando as baladas narc\u00f3ticas que a colocaram no mapa \u00e9 capaz de se surpreender com o sutil furac\u00e3o de sensualidade que toma conta do palco em suas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jones Beach Theater, arena na regi\u00e3o metropolitana de Nova York, estava lotado (com seus 15 mil lugares) no dia 21 de setembro de 2019, data da inaugura\u00e7\u00e3o da turn\u00ea do disco \u201cNorman Fucking Rockwell!\u201d, que ela trar\u00e1 este ano ao Brasil na nona edi\u00e7\u00e3o do Lollapalooza (3 a 5 de abril).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela noite, Lana fez o megaevento parecer um show intimista. O palco foi adornado com palmeiras e \u00e1rvores com frutas reais, al\u00e9m de um piano e um balan\u00e7o, como um jardim do \u00c9den californiano. A cantora movia-se \u00e0 vontade pelo cen\u00e1rio: ela transformou o piano em plataforma para si e suas duas backing vocals, sentou-se nas escadas de acesso para cantar junto ao p\u00fablico e desceu algumas vezes \u00e0s grades para tirar fotos e cumprimentar os f\u00e3s.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-54637\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"870\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana1-259x300.jpg 259w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a performance de \u201cChange\u201d, ela caminhou at\u00e9 uma das \u00e1rvores, colheu um p\u00eassego, deu-lhe uma mordida e atirou a fruta ao p\u00fablico em um movimento teatral. A audi\u00eancia delirou. E delirava cada vez que ela dava uma baforada em seu cigarro eletr\u00f4nico, floreava versos de can\u00e7\u00f5es conhecidas com notas mais altas ou trocava a palavra \u2018kiss\u2019 por \u2018fuck\u2019 no refr\u00e3o de \u201cBorn to Die\u201d. A m\u00edstica incandescente da cantora nova-iorquina de 34 anos \u00e9 dif\u00edcil de resistir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que a evolu\u00e7\u00e3o da persona Lana Del Rey ao longo de uma d\u00e9cada de carreira <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/12\/a-dialetica-grant-delrey\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o ocorreu sem percal\u00e7os<\/a>. As primeiras apari\u00e7\u00f5es da artista previamente conhecida como Lizzy Grant causaram estranhamento: a rigidez de uma imagem constru\u00edda para evocar a frieza reticente de uma femme fatale da era do Instagram contrastava com a natureza abertamente melodram\u00e1tica de seus dois primeiros hits, \u201cVideo Games\u201d e \u201cBlue Jeans\u201d. O efeito foi desconcertante e a internet, confrontada com esse inclassific\u00e1vel mixtape de refer\u00eancias audiovisuais, n\u00e3o tardou em destilar misoginia, questionando a autenticidade e a raz\u00e3o de ser da artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNorman Fucking Rockwell!\u201d \u00e9 o quinto disco de sua carreira e concorre a dois Grammys, incluindo \u00e1lbum do ano. Nesse trabalho, as s\u00ednteses visuais e frases de efeito instigantes que marcam seu estilo de compor continuam afiadas e ganham amplitude nesse novo repert\u00f3rio, mais reflexivo e observacional. O t\u00edtulo n\u00e3o poderia ser mais oportuno ao referenciar, com ironia cortante, o artista c\u00e9lebre por retratar o dia a dia do sonho americano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lana Del Rey Performs \u201cShades of Cool\u201d at Jones Beach\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8A5UOpNcX8k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que a Lana Del Rey que subiu no palco do Jones Beach Theater pouco lembrava o glamour montado da rainha do sadcore hollywoodiano que consolidou um fandom apaixonado com hinos t\u00e3o dan\u00e7antes como sombrios, e que rendeu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/balancao-planeta-terra-2013\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma missa pop no Planeta Terra 2013<\/a>, em S\u00e3o Paulo. Usando um vestido branco longo de renda, com babados e detalhes de conchas, ela projetava naturalidade e delicadeza. Os dias de sofrimento indie parecem ter ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria, Lana Del Rey prop\u00f5e uma sonoridade fortemente imag\u00e9tica. A dimens\u00e3o cinematogr\u00e1fica de sua m\u00fasica passa pelo fetichismo da trag\u00e9dia e do glamour de Hollywood, mas vai al\u00e9m: interessa-lhe especialmente essa peculiar mitologia norte-americana em que narrativas hist\u00f3ricas e midi\u00e1ticas se confundem e se complementam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso ela recorre com frequ\u00eancia a efeitos de sobreposi\u00e7\u00e3o de imagem em seus videoclipes, e montagens de fluxo de consci\u00eancia, misturando refer\u00eancias cinematogr\u00e1ficas, publicit\u00e1rias e documentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alternando o grandiloquente e o mundano, seu repert\u00f3rio cl\u00e1ssico consiste em uma sedutora \u00e9pica de excessos, consumo, sexo, drogas e beleza. Suas can\u00e7\u00f5es habitam o limiar entre a voca\u00e7\u00e3o solar intensa da Calif\u00f3rnia e a fantasia noir das ruas mal iluminadas de Los Angeles.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-54638\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"939\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lana2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na novo disco, Lana mant\u00e9m seu di\u00e1logo com diferentes camadas de imagem que comp\u00f5em a iconografia californiana e seu pr\u00f3prio imagin\u00e1rio pessoal, exibindo maturidade como compositora. Acompanhada pelo piano de Jack Antonoff, produtor e compositor, Lana despe-se de maneirismos do pop e do hip-hop e explora novas dimens\u00f5es vocais e po\u00e9ticas em baladas evocativas. A melancolia continua sendo um tema importante, mas, em \u201cNorman\u201d, ela transborda com uma leveza que deixa espa\u00e7o para eventuais sorrisos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em hits anteriores como \u201cSummertime Sadness\u201d, a melancolia vem da efemeridade do prazer proporcionado por uma noite de balada de ver\u00e3o e da imin\u00eancia da despedida. Em \u201cNorman\u201d, can\u00e7\u00f5es como \u201cCalifornia\u201d e \u201cThe Greatest\u201d projetam cen\u00e1rios similares, por\u00e9m submersos na nostalgia de um passado recente: as coisas continuam em seus lugares, mas irreversivelmente transformadas. O movimento introspectivo sugerido por Lana, no entanto, n\u00e3o a desconecta do caos do mundo. \u201cNorman\u201d est\u00e1 impregnado de inc\u00eandios, cat\u00e1strofe e queda de \u00eddolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de certo pessimismo pelo presente, ela evoca o esp\u00edrito de gera\u00e7\u00f5es anteriores e presta homenagem aos seus her\u00f3is. A op\u00e7\u00e3o pelo cover de \u2018Doin\u2019 Time\u201d, gravada originalmente pelo Sublime, \u00e9 significativa nesse sentido, referenciando a cena do ska punk californiano dos anos 90. Curiosamente, \u00e9 a can\u00e7\u00e3o mais radiof\u00f4nica do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O visual da cantora espelha sua evolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: se no passado, sua persona emulava Lolitas e pin-ups, hoje as escolhas de cabelo e maquiagem evocam o final dos anos 60 e a cena folk. Musicalmente, seu principal interesse parece ser aprofundar os la\u00e7os com grandes compositores da m\u00fasica norte-americana. A estrat\u00e9gia \u00e9 ousada, considerando a faixa et\u00e1ria de seus f\u00e3s \u2013 alguns jovens demais para terem can\u00e7\u00f5es de Joni Mitchell entre as mais tocadas no Spotify.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lana Del Rey &amp; Adam Cohen - Chelsea Hotel No 2 (Live at Jones Beach Theater)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Y7lqe0scsw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste show de abertura da nova turn\u00ea, ela explicou que escolheu o Jones Beach Theater como ponto de partida por ter sido o local onde viu Bob Dylan pela primeira vez (nos shows seguintes, ela iria tocar \u201cDon&#8217;t Think Twice, It&#8217;s All Right\u201d em tr\u00eas noites diferentes). Na mesma noite em Nova York, ela cantou seu cover para \u201cChelsea Hotel #2\u201d (que ela gravou no \u00e1lbum &#8220;Honeymoon&#8221;) com Adam Cohen, filho de Leonard Cohen, e convidou Sean Lennon para cantar a faixa \u201cTomorrow Never Came\u201d, que compuseram juntos para o \u00e1lbum \u201cLust For Life\u201d. O momento pareceu transportar o show para um festival de folk music nos anos 60. Em outras apresenta\u00e7\u00f5es da turn\u00ea pelos Estados Unidos, ela incorporou um competente cover de \u201cFor Free\u201d, de Joni Mitchell, ao repert\u00f3rio, que seguiria no set por todo outubro e novembro (somando 20 execu\u00e7\u00f5es!).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lana Del Rey &amp; Sean Lennon - Tomorrow Never Came (Live at Jones Beach Theater 9\/21\/19)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rjon5f9kThQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impressiona a destreza da cantora ao navegar por suas refer\u00eancias ao mesmo tempo em que forja um estilo singular. O di\u00e1logo com esse passado imag\u00e9tico da m\u00fasica e do cinema \u00e9 frut\u00edfero, pois nunca se confina em mera explora\u00e7\u00e3o da nostalgia \u2013 estrat\u00e9gia global hoje na ind\u00fastria do entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo contr\u00e1rio, a pot\u00eancia de \u201cNorman\u201d est\u00e1 justamente numa articula\u00e7\u00e3o po\u00e9tica que se permite momentos de beleza e anseio, sem entregar-se ao escapismo f\u00e1cil do saudosismo. Confrontando as inquieta\u00e7\u00f5es do presente com consci\u00eancia e suavidade, trata-se de um disco que sintetiza a estranha atmosfera desse final de d\u00e9cada, com potencial de reverberar por gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-54640\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/loana.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/loana.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/loana-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/loana-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Anna Beatriz Lisb\u00f4a (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/annalisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@annalisboa<\/a>) \u00e9 jornalista cultural e cr\u00edtica de cinema de Bras\u00edlia, atualmente morando em Belo Horizonte. Mestre em Estudos de Cinema e Audiovisual Contempor\u00e2neos pela Universitat Pompeu Fabra (Barcelona, Espanha).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem escuta o canto l\u00e2nguido de Lana Del Rey entoando as baladas narc\u00f3ticas que a colocaram no mapa \u00e9 capaz de se surpreender com o sutil furac\u00e3o de sensualidade que toma conta do palco em suas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/23\/ao-vivo-lana-del-rey-e-norman-rockwell-o-que-esperar-para-o-lolla-brasil-2020\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":84,"featured_media":54639,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1013],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54635"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/84"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54635"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54642,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54635\/revisions\/54642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}