{"id":54523,"date":"2020-01-08T23:52:44","date_gmt":"2020-01-09T02:52:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=54523"},"modified":"2020-02-18T12:24:53","modified_gmt":"2020-02-18T15:24:53","slug":"entrevista-iggor-cavalera-fala-do-horrible-noise-do-petbrick","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/08\/entrevista-iggor-cavalera-fala-do-horrible-noise-do-petbrick\/","title":{"rendered":"Entrevista: Iggor Cavalera fala do \u201chorrible noise\u201d do Petbrick"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Petbrick, duo formado por Iggor Cavalera e Wayne Adams, \u00e9 literalmente um projeto do barulho. Os pr\u00f3prios m\u00fasicos, em redes de compartilhamento de \u00e1udio, afirmam criar \u201chorrible noise\u201d (barulho horr\u00edvel). Este que vos escreve discorda, pois pensa que \u00e9 um aglomerado de ru\u00eddos lindo e instigante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se ouve no primeiro \u00e1lbum completo do grupo, intitulado <a href=\"https:\/\/petbrick.bandcamp.com\/album\/i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cI\u201d<\/a> (2019), \u00e9 uma musicalidade extrema, um industrial capaz de sacudir pistas ou de colocar o povo de preto para banguear. Mas o som da dupla vai al\u00e9m de r\u00f3tulos, criando climas hipnotizantes e outros perturbadores ao aglutinar elementos do noise, repetitividade, batidas nervosas, experimentalismo \u00e0 la kraut rock, urg\u00eancia hardcore e peso met\u00e1lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Iggor (ex-Sepultura \/ Cavalera Conspiracy \/ Mixhell \/ Soulwax) se encarrega de esmurrar o kit de bateria, Wayne (Big Lad \/ Death Pedals \/ Johnny Broke) cuida das traquitanas eletr\u00f4nicas que sustentam a balb\u00fardia musicada. N\u00e3o \u00e9 um trampo simples de se digerir, pois carrega uma liberdade criativa que traz diversidade \u00e0 obra. E, como sabemos, hoje em dia, o que n\u00e3o se enquadra em padr\u00f5es incomoda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o bastasse a ousadia musical \u2014 sim, h\u00e1 certa valentia em querer se afastar da pecha de ex-integrante da maior banda de metal do Brasil e uma das maiores do mundo para procurar novas aventuras com sons que costumam se propagar melhor pelo submundo \u2014, o debut do Petbrick ainda inclui um elenco ecl\u00e9tico e de gabarito entre convidados especiais. Dylan Walker (Full of Hell), Dwid Hellion (Integrity), Mutado Pintado (Warmduscher e Paranoid London) e Laima Leyton (esposa de Iggor) colaboram com a balb\u00fardia ritmada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, o mais novo dos Cavalera a fazer sucesso tocando revela como a iniciativa tomou corpo, aborda o processo de composi\u00e7\u00e3o, explica a escolha dos convidados e compartilha algumas vis\u00f5es de mundo. That\u2019s noise for music\u2019s sake (parafraseando a maravilhosa colet\u00e2nea do Napalm Death).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PETBRICK \u2013 Horse (Live at Bear Bites Horse)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zZfwHkdj8nc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vertentes menos ortodoxas da m\u00fasica parecem estar ganhando espa\u00e7o. \u00c9 o caso do noise, parte fundamental nas composi\u00e7\u00f5es do Petbrick \u2014 embora a banda, em uma defini\u00e7\u00e3o simplista, tenha mais a ver com o industrial. Porque acredita que esses sons, considerados por alguns como barulho, est\u00e3o tendo mais aceita\u00e7\u00e3o atualmente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, mas acho interessante as pessoas estarem curtindo algumas coisas mais barulhentas hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, apesar de, como j\u00e1 mencionado, a banda ir pelo caminho do industrial, o termo barulho, ou noise, \u00e9 visto com frequ\u00eancia na descri\u00e7\u00e3o do trabalho de voc\u00eas. Na real, a express\u00e3o usada pelo Petbrick \u00e9 horrible noise (barulho horr\u00edvel). Ela aparece, inclusive, em material pr\u00f3prio, como redes sociais e plataformas digitais de m\u00fasica. \u00c9 intencional? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nAcreditamos que &#8220;noise&#8221; seria um termo para determinar algo extremo, no nosso caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre foi ecl\u00e9tico, com atua\u00e7\u00f5es que v\u00e3o do metal groovado, pelo qual o Sepultura ficou conhecido, ao eletr\u00f4nico do Mixhell. Por que fazer algo mais experimental como o Petbrick agora?<\/strong><br \/>\nSempre procurei fazer projetos com pessoas interessantes e com a mente aberta. Isso vem de anos atr\u00e1s, e quero continuar nessa linha por muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha do nome Petbrick tem alguma simbologia especial?<\/strong><br \/>\nNa verdade, t\u00ednhamos uma lista de nomes (todos com a inten\u00e7\u00e3o de soar n\u00e3o metal\/hard core etc&#8230;). Petbrick foi o que ficou, mas tamb\u00e9m tinha <a href=\"https:\/\/petbrick.bandcamp.com\/track\/crack-baby\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Crackbaby<\/a>, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que trabalhar com m\u00fasica mais barulhenta, uma forma que ainda gera estranheza, \u00e9 ir contra a mar\u00e9 do show business? Por que e qual a raz\u00e3o disso?<\/strong><br \/>\nApenas trabalho com m\u00fasica que amo, sem pensar no lado show business bullshit<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode-se dizer que \u00e9 uma forma de contesta\u00e7\u00e3o? Voc\u00eas t\u00eam at\u00e9 o slogan &#8220;noise against nazi scum&#8221; em alguns materiais, o que \u00e9 claramente um posicionamento antifascista. Acha importante deixar claro de que lado se est\u00e1 no mundo de hoje?<\/strong><br \/>\nSim, nunca foi hora de ficar em cima do muro. Principalmente nos dias de hoje, com essa onda de Bolsonazis e Trump right wing boomers. (Nota: o clipe de \u2018Coming\u2019, abaixo, tem inspira\u00e7\u00e3o em posturas autorit\u00e1rias. <a href=\"http:\/\/roadie-metal.com\/petbrick-projeto-de-igor-cavalera-estreia-novo-video-confira-coming\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Saiba mais<\/a>).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PETBRICK \u2013 Coming (feat Laima Leyton)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bffv0PS88cs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O conceito de m\u00fasica extrema parece ter se ampliado. At\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, esse era um r\u00f3tulo que costumava estar atrelado, na maioria das vezes, a bandas de metal e\/ou hardcore, bem como a seus respectivos subg\u00eaneros. Percebe que recentemente o p\u00fablico aceita essa defini\u00e7\u00e3o de \u201cextremo\u201d como algo n\u00e3o s\u00f3 relacionado ao peso do som?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho! Bandas como Throbbing Gristle e Einst\u00fcrzende Neubauten faziam isso sem nenhuma conex\u00e3o com metal ou hardcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma s\u00e9rie de participa\u00e7\u00f5es no \u00e1lbum do Petbrick, como Dylan Walker (Full of Hell), sua esposa Laima e o Dwid (Integrity). A escolha dessa galera foi mais sonora, tipo gente que curte uma doideira sonora, ou por afinidade pessoal?<\/strong><br \/>\nTodos os escolhidos para participar do nosso disco s\u00e3o pessoas que amamos muito. Sou amigo do Dwid (Integrity) h\u00e1 muitos anos e o Dylan \u00e9 um dos caras mais legais da cena americana hoje em dia. J\u00e1 o Mutado Pintado \u00e9 um supertalento do Warmduscher e Paranoid London. E a Laima \u00e9 minha musa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algu\u00e9m que gostaria de ter como participa\u00e7\u00e3o no registro ficou de fora? E algum futuro colaborador para pr\u00f3ximos lan\u00e7amentos em mente?<\/strong><br \/>\nNo futuro, gostaria de trabalhar com o Aphex Twin, o John Carpenter e o Hermeto Pascoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o de grava\u00e7\u00e3o do disco? Voc\u00ea e o Wayne se juntavam e ficavam experimentando?<\/strong><br \/>\nSimplesmente vamos para o est\u00fadio, tomamos um balde de caf\u00e9 e o Petbrick nasce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, que toca um instrumento percussivo, quais foram as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as de compor para o Petbrick em compara\u00e7\u00e3o ao que faz com uma banda mais tradicional (bateria, baixo, guitarra e voz)?<\/strong><br \/>\nTrato todos os instrumentos no mundo como percuss\u00e3o. N\u00e3o acredito em um jeito convencional de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O som do Petbrick, como j\u00e1 mencionado, transita pelo industrial com refer\u00eancias noise. Mas tem algo ali de m\u00fasica eletr\u00f4nica, de kraut rock e at\u00e9 de rap. Quais aspectos desses estilos chamam sua aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu curto bastante m\u00fasica variada. Atualmente tenho ouvido bastante coisas, desde Nihiloxica, da Uganda, at\u00e9 Shit and Shine, do Texas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que esse tipo de som mais tribal e at\u00e9 mais repetitivo te cativa? O metal n\u00e3o tem muito disso, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nAcredito que \u00e9 mais como um mantra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que acha do revival do post-punk e do showgaze, que t\u00eam algumas caracter\u00edsticas que podem ser ouvidas no som do Petbrick (como a repetitividade e passagens contemplativas, por exemplo)?<\/strong><br \/>\nCurto algumas coisas, principalmente da cena de no wave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e1 sendo trabalhar a divulga\u00e7\u00e3o, e mesmo a aceita\u00e7\u00e3o, da banda? Pode-se dizer que \u00e9 menos complicado divulgar uma banda nos moldes tradicionais do que uma iniciativa experimental como \u00e9 o Petbrick? Chegou a rolar receio de gravadora ou algo do tipo?<\/strong><br \/>\nTrabalhamos com uma das gravadoras mais interessantes da Europa, a Rocket Recordings (adoro tudo que eles lan\u00e7am). Temos uma rela\u00e7\u00e3o muito cool.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma cena, ainda n\u00e3o t\u00e3o grande, mas fiel, de apreciadores de m\u00fasica livre e suas deriva\u00e7\u00f5es. E quero considerar que o industrial do Petbrick se encaixa a\u00ed. Essa galera acaba formando uma rede de contatos. Voc\u00eas t\u00eam usado isso para divulgar o trampo, espalhar a palavra e, literalmente, fazer um barulho?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica \u00e9 livre, eu n\u00e3o procuro espalhar nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fins de compara\u00e7\u00e3o, seria acertado dizer que o Petbrick se alinha com nomes como Youth Code e alguns dos projetos do Justin Broadrick (tipo o Zonal)?<\/strong><br \/>\nSou muito amigo do Justin. Acho que seria interessante dividir o palco com o Zonal ou o Youth Code.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, rolou uma colabora\u00e7\u00e3o entre o Petbrick e o Deaf Kids. Como surgiu a parceria e o que esperar dessa jun\u00e7\u00e3o? H\u00e1 previs\u00e3o desse material sair?<\/strong><br \/>\nEstamos mixando o &#8220;Deafbrick&#8221;, que vai sair no ver\u00e3o via Neurot (selo do pessoal do Neurosis) e Rocket Recordings. V\u00e3o ser todas m\u00fasicas novas, compostas pelas duas bandas, e um cover surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Petbrick deve ser seu principal projeto daqui para frente? Em quais outros est\u00e1 envolvido no momento?<\/strong><br \/>\nMeu ano est\u00e1 bem complicado. Come\u00e7o com o Petbrick, depois tem Soulwax (tour e disco novo), mais algumas giras com o \u201cBeneath\/Arise\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/02\/entrevista-max-cavalera-fala-sobre-o-album-arise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">junto ao irm\u00e3o Max, tocando parte de dois dos discos mais cl\u00e1ssicos do Sepultura<\/a>), Mixhell&#8230; e mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superbooth 19 | Mixhell | Live Performance\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ArKJoc_Kq6I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soulwax Live @ Festival La Route du Rock 2017\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QhqtSGvJ8oc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"IMPATV 222 - PETBRICK - WOODLAND GATHERING 2019 FULL SET\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7l5GwD-5ORM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Petbrick, duo formado por Iggor Cavalera e Wayne Adams, \u00e9 literalmente um projeto do barulho. 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