{"id":5450,"date":"2010-07-16T02:07:22","date_gmt":"2010-07-16T05:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5450"},"modified":"2024-05-21T01:07:49","modified_gmt":"2024-05-21T04:07:49","slug":"entrevista-steve-albini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/16\/entrevista-steve-albini\/","title":{"rendered":"Entrevista: Steve Albini num longo papo sobre m\u00fasica, jornalismo e bandas com quem ele trabalhou (muitas)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/elson\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elson Barbosa<br \/>\n<\/a>fotos: <a href=\"http:\/\/flickr.com\/vidaextinta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joaquim Prado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez que ouvi falar de Steve Albini foi em abril de 1992, na terceira reportagem de Andr\u00e9 Barcinski sobre a cena underground americana publicada em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es da revista Bizz. Essa s\u00e9rie viraria o imperd\u00edvel livro \u201cBarulho!\u201d, editado alguns meses mais tarde. A parte de Albini, no entanto, ficou s\u00f3 na revista, uma p\u00e1gina inteira em que o ent\u00e3o desconhecido produtor mostrava a acidez de suas opini\u00f5es chamando o Pixies de &#8220;med\u00edocre&#8221; e um Nirvana iniciante pr\u00e9-caos de &#8220;lixo da pior esp\u00e9cie&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Steve Albini produziu a estr\u00e9ia do Pixies (\u2018Surfer Rosa\u201d) e iria trabalhar com o Nirvana alguns anos depois (nas conturbadas grava\u00e7\u00f5es de \u201cIn Utero\u201d). Naquela reportagem da Bizz, Andr\u00e9 Barcinski apresentava Steve Albini assim ap\u00f3s um almo\u00e7o com o produtor em Chicago: \u201cCara de CDF: magro, \u00f3culos grossos. Poderia ser um f\u00edsico nuclear ou um intelectual. Na verdade, ele \u00e9 um intelectual, mas um pensador do submundo, do esporro. Sempre primou pelo experimentalismo anticonvencional\u201d. 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta para 2010. A primeira coisa que se pensa quando se entra na sala principal do Electrical \u00c1udio, est\u00fadio do produtor em Chicago, \u00e9: essa \u00e9 a casa do Steve Albini. Um sof\u00e1 enorme e desarrumado ocupa o espa\u00e7o em frente a uma TV com uma estante repleta de centenas de DVDs e VHS (onde \u00e9 poss\u00edvel perceber um exemplar de &#8220;City of Men &#8211; From the Makers of City of God&#8221;, de uma tal de Globo Films).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Restos de comida delivery, copos sujos e gatos \u2013 tr\u00eas ao todo \u2013 s\u00e3o vistos pelos cantos. Uma enorme mesa de bilhar, outra de p\u00f4quer, um computador e diversos equipamentos de \u00e1udio completam a mob\u00edlia. A banda brasileira Labirinto est\u00e1 mixando e masterizando \u201cAnatema\u201d, seu novo \u00e1lbum, no Electrical \u00c1udio, com o produtor Greg Norman, o que permitiu acompanhar o cotidiano de Steve Albini, um dos maiores engenheiros de som do planeta, por uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dias s\u00e3o agitados \u2013 diversos m\u00fasicos e funcion\u00e1rios do est\u00fadio andam pela sala com fitas e CDs em m\u00e3os. As noites s\u00e3o mais tranq\u00fcilas. \u00c9 quando o anfitri\u00e3o aproveita para assistir a programas de p\u00f4quer e seriados gravados pelo TiVo com os p\u00e9s em cima da mesa de centro. Steve Albini mora aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem da Bizz, de 1992, passava uma imagem de um homem \u00e1cido e mal-humorado (e n\u00e3o s\u00f3 ela: diversas outras entrevistas ao longo dos anos corroboraram isso), mas n\u00e3o foi esse Albini que conversou comigo. Durante quase uma hora, ele foi atencioso e bem humorado, respondendo pacientemente a qualquer pergunta. E ele tem tanta hist\u00f3ria que valia um livro. Alguns poss\u00edveis cap\u00edtulos podem ser lidos abaixo. Ou ouvidos no formato de podcast no site Sinewave, <a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2010\/07\/sinewave-podcast-20-steve-albini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SHELLAC Live Full Concert 4K @ Chabada Angers France June 4th 2019\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mkrwrXs2snY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea esteve no Brasil em 2008 para uma pequena turn\u00ea com o Shellac. Como foi?<\/strong><\/span><br \/>\nFoi fant\u00e1stico. As pessoas foram muito legais conosco. Pa\u00edses na Am\u00e9rica do Sul t\u00eam uma reputa\u00e7\u00e3o, em termos de neg\u00f3cios e detalhes, de n\u00e3o serem muito seguros, das coisas mudarem a cada dia. Voc\u00ea pode organizar um show e ter certos par\u00e2metros, tipo como &#8220;o show ser\u00e1 nesse lugar nessa data para tantas pessoas pelo pre\u00e7o tal&#8221;, e a impress\u00e3o geral \u00e9 que essas coisas mudam o tempo inteiro na Am\u00e9rica do Sul. Nunca \u00e9 realmente certo. Mas n\u00e3o tivemos essa experi\u00eancia no Brasil. Tudo foi muito est\u00e1vel e bem organizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Teve um show que voc\u00eas fizeram em um lugar bem pequeno chamado Votorantim, perto de Sorocaba. Um show gratuito no meio de uma pra\u00e7a.<\/strong><\/span><br \/>\nAh sim. Foi bem legal. N\u00f3s gostamos de tocar em lugares inusitados, mas, mais importante, a banda para n\u00f3s \u00e9 uma forma de fazer coisas que nos divertem. Foi uma oportunidade de ir at\u00e9 a Am\u00e9rica do Sul. N\u00f3s provavelmente n\u00e3o ir\u00edamos por nossa conta, individualmente. Muitas bandas tentam maximizar o retorno financeiro, como s\u00f3 tocar nas grandes cidades e fazer os grandes shows, mas n\u00f3s n\u00e3o nos preocupamos muito com isso. Para n\u00f3s a banda \u00e9 uma experi\u00eancia de vida, e n\u00f3s queremos uma boa experi\u00eancia de vida. Ajuda se fizermos algum dinheiro, mas isso n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00c9 por isso que voc\u00eas gravam t\u00e3o raramente com o Shellac? O \u00faltimo \u00e1lbum \u00e9 de 2007.<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00f3s gravamos quando temos algo para gravar. E n\u00f3s trabalhamos bem lentamente para criar novo material. Muitas bandas t\u00eam uma agenda regular onde eles ensaiam duas vezes por semana ou algo assim, mas nosso ensaio \u00e9 baseado na disponibilidade do nosso tempo. Por exemplo, n\u00f3s vamos ensaiar nesse fim-de-semana, durante uns dois ou tr\u00eas dias de uma vez, e para n\u00f3s isso \u00e9 uma oportunidade bem rara. Talvez n\u00f3s n\u00e3o toquemos juntos de novo por mais um ou dois meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00eas acabaram de tocar no Primavera Sound, na Espanha, certo?<\/strong><\/span><br \/>\nSim. Acho que aquela foi a \u00faltima vez que tocamos juntos. N\u00e3o fizemos mais nada desde ent\u00e3o, e j\u00e1 faz uns dois meses. Talvez tenha mais um ou dois meses at\u00e9 que nos encontremos de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eu vi voc\u00eas ao vivo no ATP New York 2008. Foi um grande show.<\/strong><\/span><br \/>\nObrigado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Shellac - Watch Song\/Spoke (Live @ ATP 2008)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cveiVqw5LEc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Uma coisa que achei sensacional foram as sess\u00f5es de p\u00f4quer que voc\u00ea organizou l\u00e1.<\/strong><\/span><br \/>\nSim, esse \u00e9 um lance legal. O lugar do festival tem um sal\u00e3o de jogos que existe desde que constru\u00edram o pr\u00e9dio, sei l\u00e1 cinq\u00fcenta anos atr\u00e1s, e eles deixam dispon\u00edveis para n\u00f3s. Por que n\u00e3o? &#8220;Vamos l\u00e1 jogar p\u00f4quer, vai ser engra\u00e7ado&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>E qual \u00e9 a sua conex\u00e3o com o pessoal do ATP? Voc\u00ea \u00e9 algum tipo de conselheiro?<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00e3o exatamente. Sou amigo h\u00e1 bastante tempo do Barry e da Debbie, as pessoas que organizam o ATP, e temos uma antiga associa\u00e7\u00e3o com o festival. Tocamos no segundo ano, e depois fomos curadores de outra edi\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tocamos basicamente todas as vezes que eles nos convidam. O ATP \u00e9 de fato not\u00e1vel. Eles mudaram a maneira como os festivais funcionam, no mundo inteiro. Antes do ATP os festivais eram desses eventos deplor\u00e1veis s\u00f3 voltados para o lucro, e todas as bandas associadas que tocavam o faziam por alguma raz\u00e3o estranha voltada para o lucro. Ningu\u00e9m realmente achava que os festivais tinham alguma personalidade. Era somente um caminho para fazer dinheiro f\u00e1cil durante uma turn\u00ea. Ou bandas menores que n\u00e3o eram muito conhecidas usavam os festivais como uma forma de gerar algum interesse na banda, e eles ainda eram obrigados a pagar para tocar em alguns desses festivais. A coisa toda era institucionalizada e bastante desagrad\u00e1vel. O ATP de fato mudou tudo. Ter uma banda escolhendo outras bandas, como curadores endossando as outras bandas, e tendo o dinheiro distribu\u00eddo de uma maneira igualit\u00e1ria entre as bandas, e tendo as bandas e os patrocinadores convivendo juntos de uma maneira mais social&#8230; \u00e9 totalmente \u00fanico. Isso realmente mudou a maneira como os festivais s\u00e3o organizados. Como o ATP teve sucesso fazendo isso, todos os outros festivais tiveram que melhorar e providenciar uma maior variedade de artistas. Tiveram que tratar melhor as bandas, serem mais igualit\u00e1rios na maneira como as bandas e os patrocinadores s\u00e3o tratados. Eles realmente for\u00e7aram outras pessoas a competirem com eles. Tenho muito respeito por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Notei que a vibe era bem diferente de outros festivais que fui.<\/strong><\/span><br \/>\nSim, \u00e9 como sair com seus amigos. Isso que \u00e9 legal no ATP. N\u00e3o \u00e9 como gastar dinheiro para ver algum tipo de circo. \u00c9 como sair de f\u00e9rias com seus amigos. E \u00e9 essa atmosfera a raz\u00e3o do ATP dar t\u00e3o certo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81524\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"946\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini2-238x300.jpg 238w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea mencionou algo sobre bandas pagarem para tocar em festivais. N\u00f3s temos uma grande discuss\u00e3o no Brasil, de bandas que bancam para tocar em festivais, enquanto outras acham isso errado.<\/strong><\/span><br \/>\nIsso \u00e9 ut\u00f3pico. Um festival deve ser organizado de uma forma que bandas que as pessoas gostariam de ver s\u00e3o apresentadas para as pessoas que gostariam de ver as bandas. Se algu\u00e9m est\u00e1 pagando para tocar significa que existe um crit\u00e9rio diferente envolvido, e instantaneamente me faz suspeitar do festival. Me faz achar que h\u00e1 algo fundamentalmente errado. N\u00e3o necessariamente acho que as bandas que est\u00e3o pagando para tocar est\u00e3o fazendo algo errado, s\u00f3 est\u00e3o fazendo algo tolo. Mas n\u00e3o coloco alguma considera\u00e7\u00e3o moral ou \u00e9tica nisso. Acho que elas est\u00e3o fazendo algo tolo porque elas est\u00e3o pagando por algo que elas deveriam estar recebendo. E elas tamb\u00e9m est\u00e3o se apresentando para um p\u00fablico que n\u00e3o gosta delas o suficiente para pagar. Ent\u00e3o elas est\u00e3o fazendo um show que talvez n\u00e3o valha a pena fazer, gastando dinheiro pelo privil\u00e9gio de fazer um show que n\u00e3o vale \u00e0 pena. \u00c9 tolo, mas n\u00e3o necessariamente algo eticamente ou moralmente errado. Quem promove, o pessoal que est\u00e1 aceitando esse dinheiro, estes sim est\u00e3o fazendo algo eticamente errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Na verdade existem festivais que ganham dinheiro do governo e, em alguns casos, n\u00e3o repassam o dinheiro para as bandas. Eles dizem n\u00e3o ter dinheiro suficiente. O argumento \u00e9 de que: &#8220;\u00e9 bom para a sua banda tocar no meu festival, mas infelizmente eu n\u00e3o tenho dinheiro para pag\u00e1-lo&#8221;.<\/span><\/strong><br \/>\nSe voc\u00ea recebe dinheiro de algu\u00e9m de fora do festival, e ainda assim perde dinheiro, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 realmente ruim em organizar um festival e n\u00e3o deveria mais trabalhar com isso. Para fazer lucro com um show na verdade \u00e9 bem simples. Voc\u00ea organiza o show, estima o seu p\u00fablico, e ent\u00e3o organiza o show para que o p\u00fablico pague por isso. E se voc\u00ea fizer de alguma outra forma, ent\u00e3o voc\u00ea provavelmente est\u00e1 sendo irrespons\u00e1vel. N\u00e3o posso respeitar algu\u00e9m que organiza um festival dessa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O que voc\u00ea acha de jornalismo musical? Eu estava lendo o f\u00f3rum do Electrical Audio e vi um post seu com opini\u00f5es bem fortes sobre o tema.<\/strong><\/span><br \/>\nBem, o problema com jornalismo musical \u00e9 que ele \u00e9 publicado em um jornal como se fosse jornalismo de verdade, mas no qual os padr\u00f5es profissionais do jornalismo n\u00e3o se aplicam. Em um artigo normal, se um rep\u00f3rter publica algo fundamentalmente incorreto, como o nome do prefeito ou de um esportista famoso, ele \u00e9 demitido. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel no jornalismo convencional encontrar fatos simples apresentados de maneira errada. No jornalismo musical, ningu\u00e9m se importa. Voc\u00ea pode publicar um monte de coisas erradas e s\u00f3 rola um: &#8220;ok, n\u00e3o tem problema, n\u00e3o importa&#8221;. N\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio. Jornalismo musical n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio como jornalismo nem pelas pessoas que o praticam, nem pelas publica\u00e7\u00f5es que o usam. Ent\u00e3o, um monte de informa\u00e7\u00e3o errada \u00e9 publicada e acaba virando registro hist\u00f3rico. Se algu\u00e9m escreve algo incorreto em um jornal ou em um website e depois dez outros jornais ou websites fazem refer\u00eancia a essa informa\u00e7\u00e3o errada, isso se transforma em algo inconcreto, e dali para frente vira hist\u00f3ria. E eu acho isso terr\u00edvel, porque existe jornalismo de verdade que poderia ser feito. Tem um monte de assuntos que tem a ver com m\u00fasica. Por exemplo, o que voc\u00ea descreveu, de bandas pagarem para tocar em festivais, ou festivais aceitando dinheiro do governo e sendo t\u00e3o ineficientes que n\u00e3o podem pagar as bandas, isso s\u00e3o pautas para jornalismo de verdade. Algu\u00e9m deveria escrever sobre isso. O p\u00fablico de m\u00fasica se interessaria por isso. Poderia ser jornalismo de verdade. Mas ningu\u00e9m est\u00e1 escrevendo esses artigos. Ao inv\u00e9s disso eles est\u00e3o escrevendo coisas como o que essa pessoa est\u00e1 vestindo, ou que tipo de maquiagem esse outro est\u00e1 usando, quem est\u00e1 namorando com quem ou quem usa drogas, essas coisas. Isso \u00e9 merda, pura merda. E mesmo nessa \u00e1rea limitada de merda, jornalistas musicais podem publicar erros fundamentais que ningu\u00e9m se importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Eu tenho amigos jornalistas e o que eles dizem de publicar artigos est\u00fapidos, como o que as pessoas vestem, acabam tendo mais leituras. Eles acompanham os links nos sites e portais e esses artigos s\u00e3o sempre os mais lidos. As pessoas realmente querem saber o que os outros est\u00e3o vestindo.<\/span><\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe nenhuma lei que diz que jornalismo deve ser feito para as pessoas mais est\u00fapidas do mundo. Se o seu jornalismo \u00e9 feito para atrair o m\u00e1ximo de pessoas de algum tipo para lerem o que voc\u00ea escreve, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para fazer algo espec\u00edfico em m\u00fasica. Porque se voc\u00ea escrever sobre outra coisa, ent\u00e3o mais pessoas v\u00e3o ler. Se voc\u00ea escrever sobre a Copa do Mundo, mais pessoas v\u00e3o ler do que sobre m\u00fasica, ent\u00e3o por que voc\u00ea est\u00e1 escrevendo sobre m\u00fasica? Se voc\u00ea decidiu que quer escrever sobre m\u00fasica, essa \u00e9 uma decis\u00e3o sua n\u00e3o baseada no que \u00e9 mais popular. Ent\u00e3o voc\u00ea tem uma obriga\u00e7\u00e3o de levar isso a s\u00e9rio, porque voc\u00ea escolheu escrever sobre m\u00fasica. O argumento de que isso \u00e9 mais popular, \u201c\u00e9 isso que as pessoas gostam\u201d, n\u00e3o significa nada para mim. Porque o que \u00e9 popular, o que as pessoas gostam, \u00e9 de McDonald&#8217;s, Coca-Cola. Isso \u00e9 popular. Mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente a melhor coisa para comer ou beber. E se voc\u00ea escrever sobre comida, talvez voc\u00ea deva escrever sobre as melhores comidas que as pessoas podem comer ou beber, ou dizer que tipo de problema elas teriam se elas s\u00f3 comessem McDonald&#8217;s e tomassem Coca-Cola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Vou listar nomes de algumas bandas com quem voc\u00ea trabalhou, e gostaria que voc\u00ea dissesse algumas palavras de como foi trabalhar com elas.<\/strong><\/span><br \/>\nClaro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Come\u00e7ando com o Mono. O que voc\u00ea lembra deles?<\/strong><\/span><br \/>\nMono \u00e9 uma banda muito especial. Taka, o principal compositor, tem uma vis\u00e3o bem pura de como a sua m\u00fasica deve soar. Ele tem uma id\u00e9ia completa do som na sua cabe\u00e7a. A realiza\u00e7\u00e3o disso acaba sendo quase uma formalidade, porque ele j\u00e1 tem a m\u00fasica pronta. A banda \u00e9 extremamente bem ensaiada, e m\u00fasicos muito, muito bons. Ent\u00e3o gravar as sess\u00f5es do Mono \u00e9 na verdade muito f\u00e1cil. Eles s\u00e3o excelentes m\u00fasicos, tocam bem, eles entendem bem a m\u00fasica, e Taka tem uma ideia muito clara de como a m\u00fasica deve soar. Eu tenho muito respeito por essa banda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81521\" aria-describedby=\"caption-attachment-81521\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81521\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/mono1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/mono1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/mono1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81521\" class=\"wp-caption-text\"><em>Steve Albini com a Mono em 2018<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eu vi umas fotos no Myspace deles gravando aqui, todas aquelas sess\u00f5es de cordas, bem bonito.<\/strong><\/span><br \/>\nA mulher que fez os arranjos \u00e9 de Chicago, seu nome \u00e9 Susan Vells. Ela \u00e9 uma excelente violinista, e ela e Taka t\u00eam um bom relacionamento. Ele p\u00f4de explicar coisas para ela sobre orquestra\u00e7\u00e3o das cordas, e ela p\u00f4de fazer de uma forma bastante natural e f\u00e1cil. O relacionamento deles \u00e9 uma parte importante do porqu\u00ea os discos soam t\u00e3o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Slint.<\/strong><\/span><br \/>\nEles eram uma banda incomum. Na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o eles eram bem novos, mas eram amigos desde crian\u00e7a, e tinham o seu pr\u00f3prio vocabul\u00e1rio, sua pr\u00f3pria linguagem. Sabe, grupos de amigos pr\u00f3ximos desenvolvem essa forma interna de comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 realmente \u00fanica para esse grupo de amigos, e a banda \u00e9 bem isso. Acho que eles melhoraram com o tempo. Vi os caras ao vivo v\u00e1rias vezes, e eles eram fant\u00e1sticos. E vi os shows da volta, e achei que a maneira como a banda recriou o som dos discos foi muito boa. Mas foi uma experi\u00eancia diferente v\u00ea-los ao vivo quando eles eram uma banda ativa. Porque era algo menor e mais pr\u00f3ximo, mais informal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mogwai.<\/strong><\/span><br \/>\nCaras muito engra\u00e7ados. O bom humor dentro da banda era bem alto. Eles tamb\u00e9m t\u00eam uma id\u00e9ia bem clara de como a m\u00fasica deve soar. Eu s\u00f3 trabalhei em uma ou duas coisas com eles, mas gostei da companhia. J\u00e1 encontrei com eles v\u00e1rias vezes em festivais. E eles nos ajudaram pessoalmente no passado, quando fizemos um show em Edimburgo, na Esc\u00f3cia, e n\u00e3o levamos equipamento, e eles nos emprestaram todo o equipamento deles. S\u00e3o caras muito legais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"My Father My King\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TbGyPYNZ8y8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Lembro que voc\u00eas gravaram s\u00f3 uma m\u00fasica, &#8220;My Father My King&#8221;. Existem outras?<\/strong><\/span><br \/>\nAcho que naquela sess\u00e3o eles gravaram uma ou duas coisas, mas n\u00e3o lembro exatamente. N\u00e3o sei se alguma outra coisa foi usada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Godspeed You! Black Emperor.<\/strong><\/span><br \/>\nHavia um monte deles. Tinha uns nove ou dez da banda. N\u00f3s n\u00e3o terminamos o disco, s\u00f3 gravamos aqui e eles mesmos mixaram no Canad\u00e1. Deu muito trabalho. Lembro de dias longos em que a banda fazia um take, e cada um fazia algo adicional. Quando eu fechava com um cara, ele sa\u00eda para comer ou dormir e outro cara vinha, e quando eu fechava com ele, outro cara aparecia. Ent\u00e3o tinha um ciclo de pessoas aparecendo no est\u00fadio, saindo e entrando. E eu basicamente n\u00e3o fiz nada al\u00e9m de sentar na t\u00e9cnica, dormir, acordar e voltar a trabalhar. Ent\u00e3o teve muito trabalho. Mas eu acho sensacional o fato de como uma banda pode ter tanta gente e conseguir chegar a algum resultado. Chegar a um consenso ou acordo com tantas pessoas envolvidas \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil, ent\u00e3o tenho muito respeito por eles. Desde que trabalhei naquele disco, Morrow, o baixista, abriu uma casa de shows em Montreal, o La Sala Rossa, onde o Shellac tocou, e foi uma \u00f3tima experi\u00eancia. Um cara muito legal e uma \u00f3tima casa de shows.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Yanqui U.X.O.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kLUmGIwUKbSh7-SRwF7f4qKVbMx62wXDY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eles est\u00e3o voltando, voc\u00ea viu?<\/strong><\/span><br \/>\nSim, eles est\u00e3o fazendo um All Tomorrow&#8217;s Parties. E o line-up parece \u00f3timo, bem interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea sabe se eles t\u00eam planos de gravar algum material novo?<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00e3o ouvi falar nada, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Om.<\/strong><\/span><br \/>\nOm \u00e9 uma banda bastante contemplativa. Eles pensam no que fazem de uma forma bastante s\u00e9ria. Mesmo se for algo bastante simples, eles querem que seja tudo perfeito e bem espec\u00edfico. E \u00e0s vezes \u00e9 ilus\u00f3rio ter algo realmente simples. O seu primeiro instinto \u00e9 que se \u00e9 simples ent\u00e3o deve ser f\u00e1cil fazer. Mas sendo simples, as menores imperfei\u00e7\u00f5es se tornam aparentes, e se essas imperfei\u00e7\u00f5es incomodam isso pode se tornar um grande problema. Eles levam a m\u00fasica muito a s\u00e9rio e acho que \u00e9 ilusoriamente simples. Parece muito simples e minimalista, mas na verdade existe muito esfor\u00e7o para chegar nessa simplicidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Further Complications (2020 Remaster)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kZHkE2Ma7rEPycAwsPJF0gwmEsC1DRfy4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eu fiz um <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/26\/melhores-de-2009-elson-barbosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">top 5 de melhores discos de 2009<\/a> para um website [Scream &amp; Yell], e notei que nesse top 5, tr\u00eas deles foram gravado por voc\u00ea \u2013 \u201cGod Is Good\u201d, do Om, \u201cHymn To The Immortal Wind\u201d, do Mono, e o terceiro foi \u201cFurther Complications\u201d, do Jarvis Cocker.<\/strong><\/span><br \/>\nUm disco diferente dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sim. Como foi trabalhar com ele?<\/strong><\/span><br \/>\nJarvis \u00e9 um cara muito engra\u00e7ado. Muito esperto e genu\u00edno. Tenho muito respeito por ele. Tenho que admitir: eu n\u00e3o tinha nenhuma familiaridade com a sua banda, o Pulp. Acho que ouvi algo deles talvez uns vinte anos atr\u00e1s. Mas n\u00e3o conhecia nada da sua m\u00fasica. Ent\u00e3o quando ele veio gravar foi como conhecer algu\u00e9m sem nenhuma expectativa. E a gente se deu muito bem, tanto que o considero um amigo. A banda era muito calibrada, excelentes m\u00fasicos. E ele tinha um \u00f3timo relacionamento dentro da banda, dando muito espa\u00e7o para que todos se expressassem. Ele nunca criticou algo, &#8220;n\u00e3o fa\u00e7a isso, voc\u00ea tem que fazer dessa forma&#8221;. Ele era mais gentil e indulgente, e acho que trabalhava muito bem com a banda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81546\" aria-describedby=\"caption-attachment-81546\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81546\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81546\" class=\"wp-caption-text\"><em>Steve Albini com Elson Barbosa em 2010<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">The Jesus Lizard.<\/span><\/strong><br \/>\nEu trabalhei com eles h\u00e1 muito tempo (entre 1989 e 1994, quando a banda lan\u00e7ava discos pelo selo Touch and Go). Eles voltaram recentemente para uma turn\u00ea, e fiquei totalmente satisfeito com a reuni\u00e3o. Percebi que eles ainda eram dignos de confian\u00e7a. V\u00ea-los em 2009 era praticamente o mesmo que v\u00ea-los em 1994 ou 1995, basicamente a mesma experi\u00eancia. Com a exce\u00e7\u00e3o de que o p\u00fablico n\u00e3o estava surpreso. Nos primeiros anos, eles \u00e0s vezes abriam para alguma outra banda \u2013 o Sonic Youth, por exemplo \u2013 e encontravam um p\u00fablico inesperado. E esse p\u00fablico algumas vezes era inicialmente insultado, e logo depois eventualmente convencido. Vi isso acontecendo noite ap\u00f3s noite nos anos 90. E depois eles se tornaram algo como uma banda her\u00f3ica, com seu pr\u00f3prio p\u00fablico. Foi legal v\u00ea-los voltando e tocando para um p\u00fablico 100% compreensivo e a favor da banda. E acho que fizeram um grande trabalho na reuni\u00e3o. A escolha das m\u00fasicas, a execu\u00e7\u00e3o, tudo foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Fugazi.<\/strong><\/span><br \/>\nFugazi era uma grande banda. E eram tamb\u00e9m pessoas tremendas, muito generosas com as bandas com quem eles tocavam. N\u00f3s fizemos alguns shows juntos pelos EUA, Austr\u00e1lia e Inglaterra e eles eram sempre generosos, super divertidos e legais para andar junto. Eles tinham uma reputa\u00e7\u00e3o de serem s\u00e9rios e frios, mas em um n\u00edvel pessoal eles n\u00e3o s\u00e3o assim. Na verdade s\u00e3o muito divertidos e calorosos. Me diverti muito tocando junto com eles. Pessoas muito legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O disco acabou n\u00e3o saindo?<\/strong><\/span><br \/>\nEu fiz uma sess\u00e3o com eles&#8230; eles estavam trabalhando em m\u00fasicas que acabaram virando o \u201cIn On The Kill Taker\u201d. Eles tinham acabado de compor algumas faixas do disco e gravaram tudo imediatamente. Depois de alguns meses eles fizeram algumas mudan\u00e7as nas m\u00fasicas, tomaram algumas decis\u00f5es de como elas deveriam ser gravadas, e ent\u00e3o regravaram o \u00e1lbum. Eu fiquei bem contente com o \u00e1lbum regravado, n\u00e3o tenho nenhuma reserva deles n\u00e3o terem usado as sess\u00f5es que fizemos. Eles melhoraram o material e melhoraram a pr\u00f3pria banda durante esse per\u00edodo de alguns meses, ent\u00e3o achei legal. Foi uma grande experi\u00eancia. Eles aprenderam algo com isso, e tamb\u00e9m se tornaram mais auto-suficientes. Acho que foi uma grande coisa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pixies - Bone Machine (Surfer Rosa full album playlist)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X4bYyoeS7Eg?list=PL2Kt87NbIXSX2-eD_LBXN5j_9cXeZEwpx\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Pixies.<\/strong><\/span><br \/>\nDevo admitir que nunca fui um grande f\u00e3 dos Pixies. E quando ou\u00e7o a m\u00fasica deles hoje, continuo n\u00e3o achando grande coisa. Acho que eles s\u00e3o uma boa banda, n\u00e3o tem nada de errado com eles. S\u00e3o genu\u00ednos, bons m\u00fasicos e etc. Mas a m\u00fasica deles n\u00e3o me diz nada. Sou meio surdo para isso. Mas eu tive uma boa experi\u00eancia trabalhando com eles (no \u201cSurfer Rosa\u201d), estou feliz que eles se tornaram um sucesso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81528\" aria-describedby=\"caption-attachment-81528\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81528\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/kimdeal1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/kimdeal1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/kimdeal1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81528\" class=\"wp-caption-text\"><em>Steve Albini e Kim Deal no SXSW 2007<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estava lendo aquele livreto do ATP Nightmare Before Christmas e tinha uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada sobre a Kim Deal ter botado fogo em um roup\u00e3o que voc\u00ea deu a ela.<\/strong><br \/>\nEla estava passando por um per\u00edodo no qual bebia e se drogava muito. Ela estava meio que dando uma festa para ela mesma, e acabou botando fogo no chal\u00e9 (risos). Eu n\u00e3o sei os detalhes, mas foi s\u00f3 um epis\u00f3dio e acho que n\u00e3o deu em nada. Ela certamente n\u00e3o se comporta dessa forma hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mas ent\u00e3o foi uma hist\u00f3ria s\u00e9ria? Lendo pareceu uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada.<\/strong><\/span><br \/>\nFoi engra\u00e7ado! Digo, ela botou fogo no apartamento. Foi engra\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ela mencionou que ela botou fogo no roup\u00e3o que voc\u00ea deu a ela.<\/strong><\/span><br \/>\nSim. Eu n\u00e3o lembro mesmo dos detalhes. Mas enfim&#8230; Pixies era uma boa banda. Fico contente que as pessoas gostem deles. Uma das coisas legais de ter feito esse disco com eles \u00e9 que desenvolvi uma rela\u00e7\u00e3o com a Kim (Deal), e desde ent\u00e3o trabalhei em v\u00e1rios discos do Breeders (entre eles \u201cPod\u201d, \u201cTitle TK\u201d e &#8220;Mountain Battles&#8221;). Acho esses discos incr\u00edveis. S\u00e3o discos muito estranhos, e s\u00e3o produtos do processo de racioc\u00ednio dela, que \u00e9 \u00fanico. Ela realmente pensa como ningu\u00e9m mais que eu conhe\u00e7o na m\u00fasica. Acho que existe um paralelo entre ela e o Slint. O som espec\u00edfico da m\u00fasica deles \u00e9 familiar, mas a organiza\u00e7\u00e3o, a apresenta\u00e7\u00e3o, os detalhes, as pequenas diferen\u00e7as entre eles e as bandas que soam como eles, fazem a m\u00fasica do Breeders e da Kim \u00fanica, assim como a do Slint. N\u00e3o acho que existe necessariamente uma correla\u00e7\u00e3o do fato de que Britt (Walford), do Slint, tocou num breve per\u00edodo com o Breeders. Digo que a percep\u00e7\u00e3o musical e a execu\u00e7\u00e3o da Kim \u00e9 \u00fanica, e o mesmo acontece com o Slint.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Walking Into Clarksdale\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_meQrgIpBO8mni1IvOdjCmKTdpcIPczPfQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Jimmy Page &amp; Robert Plant.<\/strong><\/span><br \/>\nTrabalhar em um disco com esses dois caras foi uma experi\u00eancia sensacional. Porque eles s\u00e3o superstars famosos, e sair com superstars famosos por quatro ou cinco meses \u00e9 algo louco. Porque voc\u00ea ouve grandes hist\u00f3rias todos os dias, e poder ver como esse mundo \u00e9 \u2013 mesmo por um curto per\u00edodo \u2013 \u00e9 muito legal. Por uma perspectiva de f\u00e3 mesmo. Eu fiquei bastante feliz com o disco que eles gravaram (\u201cWalking into Clarksdale\u201d, de 1998). Acho que \u00e9 um bom disco e tem qualidade. Fiquei contente de v\u00ea-los trabalhando juntos em algo, porque teve um per\u00edodo em que Robert Plant foi meio que um funcion\u00e1rio do Jimmy Page. O Led Zeppelin dava essa impress\u00e3o. E quando o Led Zeppelin terminou, Jimmy Page se tornou meio recluso e trabalhou pouco com m\u00fasica, enquanto Robert Plant se tornou um vocalista solo de sucesso. Ent\u00e3o ver que eles conseguiram botar essa hist\u00f3ria de lado para trabalhar novamente juntos foi uma coisa muito legal. Para eles e para o legado de sua m\u00fasica. O disco que eles fizeram ser\u00e1 inevitavelmente comparado com os discos do Led Zeppelin, e quase todos os discos diminuem comparados aos discos do Led Zeppelin. Inevitavelmente existir\u00e1 alguma cr\u00edtica comparativa, ent\u00e3o n\u00e3o deveria ser surpresa que as pessoas n\u00e3o achem o disco do Page-Plant melhor que os discos do Led Zeppelin. Mas eu ainda acho que \u00e9 um grande disco. Fiquei contente com ele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Heart Shaped Box (Original Steve Albini 1993 Mix)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F9pwGlgQz2E?list=PLWbSyJV5fIuMZxzG50GWFzNtnFZ3PPQgL\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>E o \u00faltimo deles, Nirvana. Talvez seja um dos mais pol\u00eamicos que voc\u00ea gravou.<\/strong><\/span><br \/>\nQuando eu trabalhei com eles, eles eram uma banda totalmente normal. Caras da minha idade, mesmo grupo, f\u00e3s do Killdozer \u2013 e eu era um f\u00e3 do Killdozer. N\u00e3o tinha mesmo uma diferen\u00e7a muito grande entre n\u00f3s. Mas eles tinham ficado super famosos por mais ou menos um ano, e suas vidas mudaram completamente. Acho que eles ainda estavam se acostumando com o quanto eles estavam famosos, e ainda se sentiam desconfort\u00e1veis com isso. Acho que consegui me comunicar com eles no estilo deles, da maneira como eles viviam dois ou tr\u00eas anos antes, quando eles eram somente uma banda qualquer. Acho que eles gostaram de eu n\u00e3o trat\u00e1-los como uma pessoa da ind\u00fastria da m\u00fasica os tratava. Eu os estava tratando como um cara de uma banda os trataria. Eu n\u00e3o era um grande f\u00e3 do Nirvana quando come\u00e7amos o disco, mas com o tempo comecei a ser mais complacente com a m\u00fasica deles. Acho que eles eram totalmente honestos e genu\u00ednos, e os respeito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81526\" aria-describedby=\"caption-attachment-81526\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81526\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/stevealbini3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81526\" class=\"wp-caption-text\"><em>Steve Albini com o Nirvana em 1993<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Tem algum disco que voc\u00ea gostaria de ter gravado? Que voc\u00ea ouve e pensa &#8220;eu gostaria de ter feito isso&#8221;?<\/strong><\/span><br \/>\nBem, tem discos que foram importantes para mim, e seria legal ter estado envolvido para ver como foram feitos. Como os primeiros do Ramones. S\u00e3o grandes discos, e eu teria adorado estar l\u00e1 enquanto tudo aquilo estava acontecendo. N\u00e3o muito pelos discos em si, mas mais por fazer parte daquele mundo, quando os Ramones eram uma banda iniciante, e eram a primeira e \u00fanica banda daquele jeito. Teria sido bem legal ver isso. Eu ou\u00e7o muitos discos de classic rock, e acho que deve ter sido uma grande experi\u00eancia estar por ali enquanto estavam trabalhando neles. Como os discos do AC\/DC, Alice Cooper, ZZ Top, Neil Young &amp; Crazy Horse, qualquer um desses discos cl\u00e1ssicos. Voc\u00ea consegue imaginar a banda tocando algumas dessas m\u00fasicas e vindo para a t\u00e9cnica para ouvir a grava\u00e7\u00e3o e todo mundo achando muito bom. Al\u00e9m de tudo voc\u00ea est\u00e1 pr\u00f3ximo do Neil Young, voc\u00ea est\u00e1 sentado pr\u00f3ximo do Neil Young, isso seria muito legal. Mas eu n\u00e3o fantasio muito sobre isso. N\u00e3o penso muito em coisas desse tipo. Estou bastante contente com as bandas com quem trabalho. Sou bastante complacente com as bandas que vem aqui e fico feliz que eles querem que eu trabalhe nos discos deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea recusa bandas? &#8220;Eu n\u00e3o gosto da sua banda, eu n\u00e3o deveria fazer o seu disco&#8221;?<\/strong><\/span><br \/>\nBasicamente n\u00e3o. Acho que j\u00e1 recusei uns dois discos na minha vida, mas isso aconteceu h\u00e1 muito tempo. Hoje eu acho que n\u00e3o recusaria ningu\u00e9m (risos). Acho que meu trabalho \u00e9 mais ou menos como um barbeiro, ou algo parecido. Se voc\u00ea entra em uma barbearia, &#8220;eu gostaria que voc\u00ea cortasse o meu cabelo&#8221;, e o barbeiro dissesse: &#8220;n\u00e3o, eu n\u00e3o gosto do formato da sua cabe\u00e7a&#8221;, isso seria um insulto. Acho que n\u00e3o seria uma boa conduta profissional do barbeiro. Eu sinto da mesma maneira sendo um engenheiro de grava\u00e7\u00e3o. Se algu\u00e9m quer vir aqui e gravar a sua m\u00fasica e quer que eu o ajude, eu devo faz\u00ea-lo. \u00c9 simples assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Esses dois discos que voc\u00ea recusou foram por raz\u00f5es art\u00edsticas ou de neg\u00f3cios?<\/strong><\/span><br \/>\nPrincipalmente por quest\u00f5es malucas de neg\u00f3cios. E como eu disse, faz muito tempo e n\u00e3o me sinto confort\u00e1vel falando disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea conhece algo sobre m\u00fasica brasileira?<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00e3o tenho muita familiaridade com m\u00fasica brasileira, para ser honesto. Minha namorada \u00e9 uma grande f\u00e3 do CSS, e \u00e9 s\u00f3 o que eu conhe\u00e7o. Alguma outra coisa sobre m\u00fasica brasileira contempor\u00e2nea&#8230; Tom Cary gravou aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Quem?<\/strong><\/span><br \/>\nUma banda chamada Tom Cary.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Do Brasil? N\u00e3o conhe\u00e7o essa.<\/strong><\/span><br \/>\nAcho que s\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Teve uma banda do Brasil chamada Debate.<\/strong><\/span><br \/>\nTeve o Debate. Mas tenho que checar para ver se n\u00e3o estou confundindo. [Verifica no Myspace]. Desculpe, \u00e9 da Espanha. Confundi-os com alguma banda da Am\u00e9rica do Sul. N\u00e3o tenho familiaridade com m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Uma \u00faltima pergunta &#8211; voc\u00ea mencionou que vai ensaiar com o Shellac. V\u00e3o gravar material novo?<\/strong><\/span><br \/>\nEventualmente, sim. N\u00f3s temos algumas m\u00fasicas que n\u00e3o foram gravadas que queremos gravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Legal, obrigado pela conversa, foi muito legal.<\/strong><\/span><br \/>\nSem problema. Como eu digo &#8220;goodbye&#8221; em portugu\u00eas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>&#8220;Tchau&#8221;, &#8220;obrigado&#8221;.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Masterclass with Steve Albini\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sKEzHie9tAI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Black - August 9th 1987 - Seattle, WA (Full Show)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ubqWbfg2elQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Do It Together: Steve Albini\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wIIGjsnQPgs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Black live at CBGB, NYC - July 13, 1986\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/etRUQS0UmJs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Shellac  live in Princeton, NJ on May 6, 2000 (DISCREET Full Send w\/ NightShot)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e-7b_gmnA98?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Elson Barbosa toca baixo no <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/herodlayne\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Herod Layne<\/a> e \u00e9 um dos capos do selo virtual <a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinewave<\/a>. Essa entrevista foi publicada originalmente no formato podcast no site da Sinewave. Ou\u00e7a <a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2010\/07\/sinewave-podcast-20-steve-albini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Elson Barbosa\nA primeira coisa que se pensa quando se entra na sala principal do Electrical \u00c1udio \u00e9: essa \u00e9 a casa do produtor Steve Albini. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/16\/entrevista-steve-albini\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":94,"featured_media":81519,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7200],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5450"}],"version-history":[{"count":46,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81572,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5450\/revisions\/81572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}