{"id":54005,"date":"2019-12-17T00:46:02","date_gmt":"2019-12-17T03:46:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=54005"},"modified":"2020-03-08T12:10:10","modified_gmt":"2020-03-08T15:10:10","slug":"cinema-o-irlandes-mais-um-classico-de-scorsese-e-o-segundo-melhor-filme-do-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/17\/cinema-o-irlandes-mais-um-classico-de-scorsese-e-o-segundo-melhor-filme-do-ano\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;O Irland\u00eas&#8221;, mais um cl\u00e1ssico de Scorsese (e o segundo melhor filme do ano)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na era de ouro do cinema hollywoodiano, entre os anos 20 e 60, os papeis de mocinho e bandido eram extremamente bem definidos, sem nenhuma concess\u00e3o ao equivoco. N\u00e3o existia linha t\u00eanue, e sim um muro de concreto separando um do outro, e o p\u00fablico percebia com a maior facilidade que o mocinho era bom e o bandido era mal. Em seu exerc\u00edcio de estilo mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/22\/tres-filmes-el-camino-era-uma-vez-em-hollywood-a-musica-da-minha-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Era Uma Vez em&#8230; Hollywood<\/a>\u201d (2019), Quentin Tarantino versa sobre essa dualidade de maneira primorosa quando o personagem (divertido) de Al Pacino, o empres\u00e1rio Marvin Schwarzs, explica para o ator Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) que a carreira dele est\u00e1 afundando porque ele passou a fazer o papel de bandido nos filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cinema hollywoodiano \u201cera assim\u201d, mas dai veio a gera\u00e7\u00e3o sexo, drogas e rock\u2019n\u2019roll de novos diretores (Denis Hopper, Warren Beatty, Francis Coppola, George Lucas, Steven Spielberg, Martin Scorsese, Peter Bogdanovich, Robert Altman, William Friedkin, e mais alguns outros) e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/10\/a-era-mais-criativa-de-hollywood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">salvou o cinema na virada dos anos 60 para os 70<\/a>\u201d tendo como um dos motes tornar os anti-her\u00f3is mais&#8230; sedutores \u2013 sem eles, Coringa n\u00e3o seria t\u00e3o \u201camado\u201d quanto \u00e9 no cinema atual \u2013 tanto quanto mostrar a verdadeira realidade da Am\u00e9rica, algo que a grande maioria dos filmes sonhadores da era de ouro escondiam. Est\u00e1 tudo ali em \u201cSem Destino\u201d, \u201cTaxi Driver\u201d, \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d, \u201cChinatown\u201d e \u201cBonnie and Clyde\u201d, entre tantos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgido em meio a esse boom do cinema setentista (e por causa desse boom), o cineasta Martin Scorsese, com seu jeito vertiginoso de filmar, sempre mostrou um lado da m\u00e1fia (e n\u00e3o s\u00f3 dela, vide, por exemplo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/23\/cinema-o-lobo-de-wall-street\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o sensacional \u201cO Lobo de Wall Street\u201d<\/a>) que seduzia o espectador a tal ponto dele desejar fazer parte daquela turma no melhor estilo \u201co crime compensa\u201d, algo que, convenhamos, sempre soou question\u00e1vel e pouco condizente com a realidade. No absolutamente cl\u00e1ssico \u201cGoodfellas\u201d (\u201cBons Companheiros\u201d, de 1990), por exemplo, nem a decad\u00eancia de Henry Hill (Ray Liotta), que entra para o Programa de Prote\u00e7\u00e3o de Testemunhas e se torna um \u201cningu\u00e9m\u201d apaga o brilho e a sedu\u00e7\u00e3o de seus anos de gangsterstar na m\u00e1fia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto, \u201cO Irland\u00eas\u201d (\u201cThe Irishman\u201d, 2019), \u00e9 o filme definitivo de um estilo, pois Martin Scorsese precisou de 209 minutos, mas conseguiu contar uma hist\u00f3ria (baseada em fatos reais) com come\u00e7o, meio e fim, em que o espectador consegue quase tatear a maldade e o pouco caso do personagem principal, Frank Sheeran, interpretado por Robert De Niro, um assassino de aluguel que pintava paredes de casas de vermelho e, entre outros, matou um dos principais sindicalistas norte-americanos (seu amigo Jimmy Hoffa, vivido aqui por Al Pacino) num dos crimes mais famosos da Am\u00e9rica morrendo sem conceder \u00e0 fam\u00edlia a confirma\u00e7\u00e3o da morte (o corpo nunca foi encontrado e o crime nunca foi elucidado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado em \u201cI Heard You Paint Houses\u201d, de 2004, livro de mem\u00f3rias do investigador e advogado Charles Brandt, e com trilha sonora de Robbie Robertson (The Band), \u201cO Irland\u00eas\u201d extrapolou o or\u00e7amento (de 125 milh\u00f5es de d\u00f3lares pulou para 159 milh\u00f5es \u2013 e tem muita gente que consegue fazer um grande filme \u201cs\u00f3\u201d com esses US$ 34 milh\u00f5es extras \u2013 na conta oficial, mas corre por fora que o custo final foi de US$ 175 milh\u00f5es) e o tempo de dura\u00e7\u00e3o (\u00e9 o filme mais longo de toda carreira de Scorsese, e olha que h\u00e1 concorrentes de peso aqui como as 3 horas de \u201cO Lobo de Wall Street\u201d, as 2 horas e 50 minutos de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/oaviador.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Aviador<\/a>\u201d e as 2 horas e 48 minutos de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/macoito.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gangues de Nova York<\/a>\u201d), mas cumpre com louvor a tarefa de ser grande arte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-54007\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/oirlandes2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/oirlandes2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/oirlandes2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a primeira metade seja mais do mesmo, afinal, voc\u00ea j\u00e1 aquilo tudo em outros filmes de m\u00e1fia e de Scorsese, mas precisa ver tudo de novo para ter uma trama nas m\u00e3os (que \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o de Sheeran com o crime e o apadrinhamento por um grande chef\u00e3o da m\u00e1fia, Russell Bufalino, interpretado por Joe Pesci), o que torna \u201cO Irland\u00eas\u201d grandioso e t\u00e3o representante dos nossos tempos s\u00e3o duas cenas no final da proje\u00e7\u00e3o: na primeira, Sheeran tenta se aproximar das filhas, que se afastaram ap\u00f3s vivenciarem a vida do pai mafioso, e argumenta: \u201ceu s\u00f3 estava tentando proteger voc\u00eas, pois h\u00e1 muitas pessoas ruins por ai\u201d. Na mente de um homem que assassinou dezenas de pessoas com tiros na cabe\u00e7a, ele era bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso refor\u00e7ar isso, pois nesse momento conturbado da humanidade, em que pessoas s\u00e3o mortas diariamente seja por sua nacionalidade, cor, religi\u00e3o, classe social, op\u00e7\u00e3o sexual ou pol\u00edtica (ou mesmo por torcer por um time diferente), na mente do assassino sempre paira a ideia de que ele \u00e9 bom e est\u00e1 atendendo a um chamado (b\u00edblico, religioso, nacionalista, clubista) que o obriga a eliminar o que \u00e9 diferente, o que ele n\u00e3o entende. No caso de Sheeran, ele era apenas a ferramenta, o pau mandado, o assassino de aluguel que exercitava <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/hannah-arendt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a banalidade do mal<\/a> sem questionar e se arrepender: \u201cEu n\u00e3o conhecia as fam\u00edlias (das pessoas que assassinei)\u201d, ele se defende para n\u00e3o precisar se arrepender. E n\u00e3o se arrepende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra, j\u00e1 no final da vida, ap\u00f3s seu tutor, que est\u00e1 preso junto com ele (que, no melhor estilo Al Capone, n\u00e3o pegou uma pena por homic\u00eddio, mas por um crime \u201cmenor\u201d), ser levado para se confessar numa igreja na pris\u00e3o (\u201cSem rir, sem rir, voc\u00ea vai ver\u201d, diz rindo o personagem de Joe Pesci, como dizendo \u201cvou ali expurgar meus pecados e curtir a vida eterna numa boa\u201d), o pr\u00f3prio Frank encara um padre, que o convida a se arrepender dos pecados para adentrar o reino de Deus, uma fal\u00e1cia religiosa hip\u00f3crita, que at\u00e9 ele recusa \u2013 pois est\u00e1 mais interessado na companhia do padre para papear, pois seus dias finais s\u00e3o solit\u00e1rios e ele n\u00e3o se arrepende da vida que teve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u201cn\u00e3o arrependimento\u201d, inclusive, talvez seja, como observou a amiga Renata Arruda no Twitter, \u201c<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Tatinha\/status\/1206792078962909184\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a grande ponte entre os tempos de m\u00e1fia com o agora<\/a>\u201d. Se \u00e9 que o pintor de paredes Frank Sheeran pode ser encaixado na banalidade do mal, um t\u00edpico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/hannah-arendt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sem capacidade de separar o bem do mal<\/a>, matando pessoas de forma cruel apenas porque recebeu uma ordem superior, no agora das superpopulosas redes sociais, \u00e9 grande o n\u00famero de pessoas que n\u00e3o se arrepende de desejar a morte, amea\u00e7ar e \/ ou ca\u00e7oar da morte de outrem, compartilhando fake news e maldade <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\/status\/1206760676011716608\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">e defendendo ideias absurdas e distorcidas<\/a>\u00a0como se estivessem fazendo algo bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o duas cenas capitais que ficaram ausentes de outros filmes de Scorsese que mapeavam a vida de criminosos que foderam a vida de milhares de pessoas, e que eram (s\u00e3o) idolatrados por uma grande parcela do p\u00fablico. Frank Sheeran n\u00e3o ser\u00e1 idolatrado. Quando sua filha, caixa de um banco, o evita, e ele est\u00e1 j\u00e1 bem idoso, de muletas, fraco e fr\u00e1gil, as pessoas na fila n\u00e3o entendem o motivo, e exibem consterna\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, quem acompanhou a trajet\u00f3ria desse homem quieto e cruel por mais de 3 horas sabe que muito sangue passou por baixo dessa ponte (\u201cS\u00e3o \u00e1guas passadas\u201d, minimiza Frank em outro momento), e com ele a desgra\u00e7a de muitas fam\u00edlias. Definitivo, \u201cO Irland\u00eas\u201d \u00e9 mais um filme cl\u00e1ssico de Martin Scorsese \u2013 e, talvez, o segundo melhor filme do ano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Irland\u00eas | Trailer oficial | Netflix\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZxuTltUvvkI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Tr\u00eas Filmes: Scorsese 1977, 1981, 1993 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/20\/tres-filmes-scorsese-1977-1981-1993\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Sobre Scorsese e filmes que salvam almas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/11\/sobre-scorsese-e-filmes-que-salvam-vidas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cO Lobo de Wall Street\u201d tende a virar um \u00edcone na carreira de Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/23\/cinema-o-lobo-de-wall-street\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Martin Scorsese, eu e a morte, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/03\/20\/scorsese-eu-e-a-morte\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cShine a Light\u201d: belo registro de show dos Stones, document\u00e1rio fraco de Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/04\/06\/shine-a-light\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Bob Dylan, Martin Scorcese, \u201cGangues de Nova Iorque\u201d e a Hist\u00f3ria Universal (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/macoito.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cOs Inflitrados\u201d: Um cinema sem muita esperan\u00e7a, por Marcelo Miranda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/osinfiltrados.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cNo Direction Home\u201d: \u00e9 tudo raridade e uma aula de rock and roll (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/musicadois\/bobdylan_nodirection.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cO Aviador\u201d \u00e9 um filma\u00e7o, mas n\u00e3o \u00e9 o melhor de Martin Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/oaviador.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 A era mais criativa de Hollywood, por Gabriel Innocentini e Ismael Machado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/04\/06\/shine-a-light\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0 \u201cA Inven\u00e7\u00e3o de Hugo Cabret\u201d \u00e9 emocionante, tocante e uma defesa da s\u00e9tima arte (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/26\/cinema-a-invencao-de-hugo-cabret\/\">aqui)<\/a><\/p>\n<div data-wpusb-component=\"buttons-section\">\n<div id=\"wpusb-container-default\" class=\"wpusb wpusb-default  \" data-element-url=\"http%3A%2F%2Fscreamyell.com.br%2Fsite%2F2014%2F12%2F20%2Ftres-filmes-scorsese-1977-1981-1993%2F\" data-element-title=\"Tr%C3%AAs%20Filmes%3A%20Scorsese%201977%2C%201981%2C%201993\" data-attr-reference=\"27725\" data-attr-nonce=\"98e78ca6ee\" data-is-term=\"0\" data-wpusb-component=\"counter-social-share\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO Irland\u00eas\u201d \u00e9 o filme definitivo de um estilo, pois Martin Scorsese precisou de 209 minutos, mas conseguiu contar uma hist\u00f3ria (baseada em fatos reais) com come\u00e7o, meio e fim, em que o espectador consegue quase tatear a maldade e o pouco caso do personagem principal. \u00c9 mais um cl\u00e1ssico de Scorsese, e o segundo melhor filme do ano. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/17\/cinema-o-irlandes-mais-um-classico-de-scorsese-e-o-segundo-melhor-filme-do-ano\/\"> 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