{"id":53916,"date":"2019-12-04T01:03:40","date_gmt":"2019-12-04T04:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53916"},"modified":"2020-01-19T23:39:38","modified_gmt":"2020-01-20T02:39:38","slug":"entrevista-erika-martins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/04\/entrevista-erika-martins\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00c9rika Martins"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPoder fazer isso me sustentando h\u00e1 20 anos, tendo meu patrim\u00f4nio, vivendo no pa\u00eds que a gente vive, com a cultura sendo colocada no final da fila, \u00e9 um mega privil\u00e9gio\u201d. No caso, \u201cisso\u201d \u00e9 a carreira de \u00c9rika Martins, que come\u00e7a publicamente na banda Pen\u00e9lope (1995 &#8211; 2004), passa por seu trabalho solo, muitas participa\u00e7\u00f5es em grava\u00e7\u00f5es alheias (algumas delas presentes no \u00e1lbum &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/19\/erika-martins-andreia-dias-e-julieta-venegas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Curriculum<\/a>&#8220;) e, desde 2015, pelos Autoramas. \u201cIsso\u201d envolve ainda atividades fora do trabalho autoral, como um karaok\u00ea para eventos corporativos e um bate-papo sobre a presen\u00e7a feminina no rock brasileiro, conduzido a duo com a DJ e instrumentista Fernanda Offner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante as quase duas horas de entrevista, esses 20 anos foram repassados, alguns trechos de forma bem sutil e outros de maneira mais aprofundada. O papo rolou no apartamento que divide com o marido e parceiro musical Gabriel Thomaz em Jundia\u00ed (cerca de 50km da capital paulista), e o ambiente era quase um espelho das palavras da moradora. Havia discos, cartazes de shows e memorabilia de viagens, mas com um senso de cuidado que \u00e9 pr\u00f3prio de quem n\u00e3o \u00e9 colecionador por impulso acumulador, e sim por amor ao que o objeto colecionado proporciona. O p\u00e3o de queijo e o mate gelado, salvador em uma noite especialmente suarenta, n\u00e3o eram apenas gentilezas para com um desconhecido: era parte de um comportamento que se observa nos shows e estaria na conversa: a vontade de fazer com que as pessoas se sintam melhores do que estavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vivo, seja com os Autoramas ou com a banda que a acompanha na carreira solo, \u00e9 comum ver \u00c9rika descer do palco e se misturar ao p\u00fablico, cumprimentando as pessoas, dan\u00e7ando com elas, levando crian\u00e7as ao palco e dando especial aten\u00e7\u00e3o a idosos. Escrito assim, pode soar demagogia, mas basta presenciar isso ao vivo para entender que \u00e9 algo que acontece naturalmente, como parte de sua experi\u00eancia musical. At\u00e9 por essa caracter\u00edstica, n\u00e3o surpreende que um de seus \u00faltimos singles, a veloz \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4K00knZkT4jYS2A8vwaCAE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tudo Menos M\u00fasica<\/a>\u201d, comente esses tempos em que a atividade nas redes sociais suplanta a pr\u00f3pria arte na rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. \u00c9 um cen\u00e1rio que n\u00e3o lhe agrada, e o peso bruto do riff (conduzido pelas guitarras de Gabriel Thomaz e pelo baixo da j\u00e1 citada Fernanda Offner) traduz esse desconforto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTudo Menos M\u00fasica\u201d \u00e9 o segundo single de est\u00fadio de 2019. Antes, veio \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2GxnZ8wTbgV5vT4otEkxOr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Verdade Liberta<\/a>\u201d, composi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita presenteada pelo tit\u00e3 S\u00e9rgio Britto. Ambas foram gravadas em Jundia\u00ed (\u201cIsso \u00e9 importante para n\u00f3s, queremos que o pessoal veja que tem coisa sendo fieta aqui\u201d, diz) e t\u00eam nas guitarras altas o motor que faz a engrenagem mel\u00f3dica girar. \u00c9 uma vers\u00e3o mais direta (e um tantinho mais suja) da sonoridade que fez a carreira dessa paulistana criada em Salvador (BA). Os singles entraram na conversa, mas o pretexto que levou \u00e0 entrevista era uma outra atividade recente no qual \u00c9rika e a baixista de sua banda est\u00e3o envolvidas, ent\u00e3o foi por a\u00ed que abriram-se os trabalhos. Falamos de tudo, principalmente m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c9RIKA MARTINS - A Verdade Liberta\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jv0AcZ2VOIc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e a Fernanda Offner t\u00eam esse bate-papo musical na qual voc\u00eas falam sobre a hist\u00f3ria das mulheres no rock brasileiro. De onde veio a inspira\u00e7\u00e3o para criar esse formato?<\/strong><br \/>\nDurante muito tempo eu fiquei pensando, tentando entender porque em 20 anos de carreira, desde a primeira vez que dei uma entrevista at\u00e9 a \u00faltima, sempre tem algu\u00e9m que faz esse tipo de pergunta, \u201ccomo \u00e9 ser mulher e fazer rock no Brasi?\u201d. A\u00ed fico indignada, fui aprimorando a resposta durante 20 anos (risos), pesquisando mais, e me deu um estalo quando li o livro do Paulo Cesar de Ara\u00fajo, \u201cEu N\u00e3o Sou Cachorro, N\u00e3o\u201d. Ele fala que a hist\u00f3ria [da m\u00fasica] foi contada pela elite, e que os artistas ditos cafonas foram menosprezados, como se n\u00e3o fossem respons\u00e1veis pela revolu\u00e7\u00e3o que rolou, pelas mudan\u00e7as sociais. Adoro a hist\u00f3ria da p\u00edlula com o Odair Jos\u00e9 (nota: \u201cUma Vida S\u00f3 (Pare de Tomar a P\u00edlula)\u201d can\u00e7\u00e3o de 1973), que foi uma das raz\u00f5es para legalizarem a p\u00edlula anticoncepcional no Brasil., S\u00f3 que, quando a galera vai falar sobre a \u00e9poca, dizem que quem mudou a hist\u00f3ria foi Chico, Gil, Caetano. Beleza, eles fizeram o deles. Mas tem todos esses artistas considerados bregas\u2026 Comecei a pensar sobre isso, ent\u00e3o ficou claro que a hist\u00f3ria do rock estava sendo sempre contada por homens, por jornalistas masculinos, que talvez at\u00e9 sem pensar levem pro lado deles, n\u00e3o pensem no feminino. Ent\u00e3o pensei que precis\u00e1vamos falar sobre isso, porque a galera come\u00e7a a repetir [essa narrativa] sem conhecer, e ela acaba virando a verdade. Me incomodava especialmente jornalistas mulheres me perguntarem isso, me incomodava ver que elas n\u00e3o pesquisavam a respeito. Pesquisei, compilei, fui da Nora Ney em 1955, que gravou o primeiro rock do Brasil, fui lendo Marcelo Fr\u00f3es, os livros da Jovem Guarda, tive muito papo de bastidores conversando com Wanderl\u00e9a, Lilian, o pessoal dos anos 80, como a Virginie (Metr\u00f4)&#8230; E montei o bate-papo de uma forma bem did\u00e1tica. Quando mudei para a Jundia\u00ed, conheci a Fernanda, e um dia, batendo papo, ela me disse que isso rolava com ela. Ela \u00e9 artista tamb\u00e9m (nota: al\u00e9m de tocar na banda de \u00c9rika, Fernanda \u00e9 baixista da veterana banda Burt Reynolds), e disse que nunca chegam para ela e perguntam: \u201cque equipamento voc\u00ea t\u00e1 usando? Que pedal \u00e9 esse que voc\u00ea usa no baixo? Pros meninos eles perguntam isso, e para mim \u00e9: o que voc\u00ea usa de maquiagem? O que tem na bolsa?\u201d (ri) Me perguntam isso tamb\u00e9m, e nada contra, adoro tudo isso, mas por que esse diferencial? No meio do bate-papo, vou ilustrando com minha hist\u00f3ria, e vamos tamb\u00e9m tocando umas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 desde o Pen\u00e9lope fica claro que voc\u00ea cresceu ouvindo muita m\u00fasica pop brasileira. Seus anos de forma\u00e7\u00e3o foram aqueles em que a r\u00e1dio era o maior canal para ouvir m\u00fasica, tinha ainda uns programas de TV aberta com repercuss\u00e3o. Nesse per\u00edodo, as artistas mulheres chamavam mais sua aten\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea pensava se elas tinham menos espa\u00e7o que os homens?<\/strong><br \/>\nSempre achei isso muito louco, porque nunca foi novidade mulher fazendo rock no Brasil. Isso para mim sempre foi super claro. Tenho uma irm\u00e3 sete anos mais velha, e as coisas chegavam at\u00e9 mim por ela. Lembro nitidamente de quando eu tinha 3 anos de idade em Serra Negra (SP), onde eu morava, de eu ficar escutando o professor de viol\u00e3o dela passar as m\u00fasicas da Jovem Guarda que eram de mulheres, e eu ficava tentando alcan\u00e7ar os agudos, cantar junto. Isso com 3 ou 4 anos de idade! Mas nunca fiz distin\u00e7\u00e3o entre os artistas homens ou mulheres. A gente cresceu com Ney Matogrosso na TV, cara! Pra mim era normal o artista ser meio homem, meio mulher, ter tudo isso. Nunca pensei se tinha que ser do jeito X ou Y por ser homem ou mulher. Quando a Pen\u00e9lope surgiu, era a \u00e9poca do grunge, e tinha aquela coisa de que mulher fazendo rock tinha que ser masculinizada, tipo L7. Nada contra, mas eu queria ser feminina e fazer rock. \u00c9 um puta preconceito ter que se travestir de homem para fazer rock \u2019n\u2019 nroll. Voc\u00ea pode ser mais masculina, mais feminina, mas nada disso tem que ser uma obrigatoriedade. A cena dos anos 80 era riqu\u00edssima de mulheres! Minha irm\u00e3 ouvia tudo isso: tinha a Nau com a Vange Leonel, Sempre Livre, Kid Abelha, Mercen\u00e1rias\u2026 Minha irm\u00e3 escutava tudo isso, bem como Paralamas, Tit\u00e3s, Ira!&#8230; Pra mim sempre foi equilibrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A new gringa dos anos 80 tamb\u00e9m tinha uma forte presen\u00e7a feminina. Os B-52\u2019s tinham n\u00e3o uma, mas duas frontwomen, tinha as Go-Go\u2019s, Blondie, a Tina Weymouth no Taliking Heads\u2026<\/strong><br \/>\nSuper! E tamb\u00e9m a Joan Jett\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa \u00e9, talvez, uma das refer\u00eancias mais fortes no seu trabalho, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim, sempre foi. Inclusive o que me juntou musicalmente com o Gabriel foi a new wave e a Jovem Guarda. Tanto que quando entrei pro Autoramas foi super natural. As influ\u00eancias mais fortes da banda s\u00e3o as que eu j\u00e1 tinha na Pen\u00e9lope.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Autoramas - M\u00fasica de Amor | No Ar | Antena 3\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vJWnObLaewE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pen\u00e9lope e Autoramas s\u00e3o duas bandas onde a linguagem do pop de guitarras impera. Hoje, a m\u00fasica pop mainstream n\u00e3o usa muito essa linguagem. Voc\u00ea acha que \u00e9 um estilo que n\u00e3o consegue se comunicar mais com o grande p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho. O que acho \u00e9 que \u00e9 um ciclo. Um papo chato pra caramba que tem rolado \u00e9 \u201cmas o rock ainda existe?\u201d Que pregui\u00e7a! Pra mim, \u00e9 natural que o rock seja c\u00edclico. A gente est\u00e1 vivendo uma fase em que o agroneg\u00f3cio est\u00e1 dominando, e a grana deles \u00e9 pesada, domina mesmo. E o estilo mais pop n\u00e3o t\u00e1 passando pelo rock mesmo. O rock est\u00e1 mais underground, o que \u00e9 natural. Nos anos 60, o rock foi bem forte no Brasil, mas nos 70 a coisa puxava mais para a brasilidade. Nos anos 80 voltou com for\u00e7a total, os 90 come\u00e7aram com ax\u00e9, sertanejo e pagode. O rock n\u00e3o existia no mainstream nessa \u00e9poca! Mas cada cidade, mesmo as menorzinhas, tinha sua cena. Salvador tinha o \u00dateros em F\u00faria que conseguia botar mil pessoas num show, tinha o Deadbillies, a pr\u00f3pria Pen\u00e9lope\u2026 N\u00e3o tem a obrigatoriedade de estar o tempo todo em evid\u00eancia. O que estamos vivendo agora com sertanejo \u00e9 a pior fase, ok, porque \u00e9 um dinheiro muito pesado. Eu, da minha parte, estou tentando boicotar tudo que tenha agrot\u00f3xico, porque se mais de n\u00f3s fizermos isso, vai inclusive faltar a grana para financiar o sertanejo (risos). Vai chegar na m\u00fasica (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando na sua proposta musical, que \u00e9 pop, vale perguntar: quem \u00e9 seu p\u00fablico hoje?<\/strong><br \/>\nAcho que a maior parte \u00e9 a galera que foi migrando: era p\u00fablico da Pen\u00e9lope, que foi migrando pra minha carreira solo. Mas eu comecei a notar agora que est\u00e1 chegando uma galera nova muito legal. N\u00e3o sei por onde [est\u00e3o chegando]&#8230; Vou ser bem sincera: eu sou muito ruim nessa parte de internet. Nossa gera\u00e7\u00e3o sofreu muito com isso, porque a gente ficou numa entressafra. A galera que cresceu nisso foi maravilhoso, porque foi natural, mas a gente teve que aprender a lidar com isso no meio do caminho. Eu gravava fita demo da Pen\u00e9lope em casa, rodava fanzine impresso, ent\u00e3o para mim \u00e9 muito diferente lidar com isso, estou aprendendo ainda. Meu single \u201cTudo Menos M\u00fasica\u201d fala um pouco sobre isso, porque tenho notado que muita gente chega pela imagem. Escuto e leio coisas como \u201camo seu estilo\u201d, \u201camo sua maquiagem\u201d, \u201cfico seguindo voc\u00ea no Instagram e agora t\u00f4 no show\u201d. Legal que chegou por a\u00ed, mas me incomoda quando a galera fica s\u00f3 na superf\u00edcie. Quando s\u00f3 d\u00e1 like nas fotos e n\u00e3o vai ouvir o som. A can\u00e7\u00e3o trata exatamente sobre isso, sobre a m\u00fasica ser hoje o \u00faltimo da fila. E n\u00e3o era pra ser, era pra ser o primeiro. O art\u00edstico tinha que ser o mais importante de tudo, mas o que a galera vai \u00e9 pela imagem legal, com mil filtros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A aten\u00e7\u00e3o e o comprometimento tamb\u00e9m diminu\u00edram. Estamos em uma nova era dos singles. Beleza, os singles est\u00e3o na origem da m\u00fasica pop, mas a cultura do \u00e1lbum perdeu muita import\u00e2ncia. Imagino que seja algo do qual voc\u00ea sinta falta.<\/strong><br \/>\nO disco conta uma hist\u00f3ria. Desde o primeiro \u00e1lbum que pensei na minha vida, o \u201cMi Casa, Su Casa\u201d (disco de estreia da Penelope), tinha isso: era um di\u00e1rio, todas as m\u00fasicas era um momento que eu tinha vivido. No meu \u00faltimo disco solo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/14\/tres-perguntas-erika-martins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o \u201cModinhas\u201d<\/a>, o que eu reparei foi que a galera queria ouvir s\u00f3 o single, ou algumas m\u00fasicas mesmo, e ficou subaproveitado. Talvez se eu tivesse lan\u00e7ado v\u00e1rios singles a galera teria prestado mais aten\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o me incomoda\u2026 muito. Porque depois a gente vai formatar no disco, e quem \u00e9 da \u00e9poca, gosta, vai ter o disco ali.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Penelope - Namorinho De Port\u00e3o (Videoclip)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P4xk111Wej0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre se relacionou muito com seus contempor\u00e2neos, desde a \u00e9poca da Pen\u00e9lope, mas tamb\u00e9m se relaciona com a linha evolutiva da MPB. Pelo seu trabalho, d\u00e1 para conhecer muito da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira, porque vai ter ali desde a Wanderl\u00e9a at\u00e9 o Ronei Jorge, passando pelo S\u00e9rgio Britto, pelos Raimundos\u2026<\/strong><br \/>\nSensacional que voc\u00ea tenha essa vis\u00e3o, porque isso tem a ver com o respeito com quem veio antes. Me incomoda muito o quanto a galera no Brasil \u00e9 preconceituosa com o pessoal mais velho. Quando a gente vai fazer show na gringa, \u00e9 a coisa mais linda ver um senhorzinho super rock \u2019n\u2019 roll chegando l\u00e1 com a esposa, e a galera de 15 anos coexistindo ali no show. A gente escuta a galera da nossa gera\u00e7\u00e3o falar isso: \u201ct\u00f4 velho pra ir em show\u201d, \u201ct\u00f4 velho pra night\u201d. \u00c9 um preconceito doido, que j\u00e1 t\u00e1 embutido. Meu pai e minha m\u00e3e sempre me mostraram que tem que ter respeito por todo mundo, especialmente por quem veio antes. Que n\u00e3o \u00e9 para ter esse preconceito. Eu vou fazer m\u00fasica, mas quero ter uma cultura musical. Quero conhecer as coisas, saber do que estou falando. Toda a influ\u00eancia da minha irm\u00e3 mais velha \u2013 que eu tive essa sorte de ter uma irm\u00e3 rock \u2019n\u2019 roll que foi me mostrando as coisas \u2013 foi algo que sempre valorizei. Eu tento falar muito sobre isso. Se voc\u00ea t\u00e1 chegando agora, aprenda! Ou\u00e7a quem veio antes. A MTV tinha antes altos programas educativos, hoje a gente tem tudo na internet, mas agora o cara prefere ficar s\u00f3 no raso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falta um respeito pela m\u00fasica, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTotal. A gente conviveu muito com o Jerry Adriani, e mesmo com a agenda lotada, mesmo com toda a hist\u00f3ria, ele \u00e9 tratado pela galera jovem como um cara cafona. O Lafayette mesmo. Teve uma capa d\u2019O Globo com um especial sobre os 40 anos da Jovem Guarda e falavam de Roberto, Erasmo, Wanderl\u00e9a, Renato e Seus Blue Caps e s\u00f3. P\u00f4, o \u00f3rg\u00e3o dele definiu o som da Jovem Guarda! A\u00ed a gente fez o projeto do Lafayette e Os Tremend\u00f5es, todos os dias lotados, bombou, a m\u00e3e levava a filha, a bisav\u00f3 junto com um cara que era p\u00fablico da gente. A gente armou. E quando rolou a mat\u00e9ria dos 50 anos da Jovem Guarda, o Lafayette estava l\u00e1. A galera vai esquecendo, os jornalistas v\u00e3o colocando de lado. Mas tamb\u00e9m \u00e0s vezes o cara \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 continuidade. (enf\u00e1tica) Tem que ter uma manha para dar continuidade! Voc\u00ea ter longevidade numa carreira\u2026 Falo aqui com meus 20 anos, sei o quanto \u00e9 dif\u00edcil. Tem quem \u00e9 radical, fica preso h\u00e1 um tempo e acaba esquecido. O Lafayette estava tocando numa churrascaria em Nova Igua\u00e7u. Fui com o Gabriel assistir e sa\u00ed deprimid\u00edssima! Roadie maltratando ele&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de toda essa galera, com quem faltou gravar? Pensando nos seus desejos mais \u00edntimos e primitivos (risos), com que personagem important\u00edssimo da hist\u00f3ria faltou colaborar?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 me perguntaram isso, e eu fiquei horas pensando, ent\u00e3o agora sei a resposta (risos). Rita Lee, n\u00e9? Gal Costa tamb\u00e9m. J\u00e1 gravei \u201cNamorinho de Port\u00e3o\u201d, fiz entrevista com ela, mas gravar com ela, nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando o lance dos Tremend\u00f5es para te perguntar uma coisa: eu particularmente fico irritado quando vejo jornalista perguntando a m\u00fasico sobre projetos paralelos, porque a gente mesmo n\u00e3o escreve para um lugar s\u00f3. Mas voc\u00ea tem sua carreira, e tem o Autoramas \u2013 que \u00e9 uma banda que exige muito comprometimento, tem turn\u00eas longas \u2013 os Tremend\u00f5es, e os projetos como esse do bate-papo, o karaok\u00ea que voc\u00ea faz em eventos corporativos. O que voc\u00ea prioriza? Como \u00e9 a hierarquia dos seus projetos?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, sou super mega aberta, sempre fui hiperativa, amo fazer milh\u00f5es de coisas, desde crian\u00e7a. Um tempo atr\u00e1s fui jurada musical num programa do Gugu, adorei, queria ser de novo, mas nesse ano coincidiu com os ensaios e o show com os Tit\u00e3s no Rock In Rio. Tudo vai trazer uma coisa legal para o meu trabalho. O Autoramas\u2026 foi um susto, nunca imaginei que o Gabriel fosse me chamar. Mas depois veio claro na minha cabe\u00e7a: \u201cmas por que n\u00e3o?\u201d. Eu j\u00e1 compunha com o Gabriel, conhecia a banda melhor que muita gente, tinha visto v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es. N\u00e3o saindo do rock, eu topo qualquer coisa. Mas realmente tenho que priorizar os Autoramas, que \u00e9 onde rola mais show, as turn\u00eas mais longas. N\u00e3o deixo de fazer nada, mas tenho que priorizar. Eu tamb\u00e9m estava um pouco cansada de gerir sozinha minha carreira solo, porque isso \u00e9 um mega trabalho. Quando acabou a Pen\u00e9lope, tudo que eu queria era decidir tudo sozinha, porque l\u00e1 tudo era muito democr\u00e1tico. Mas acabei ficando cansada disso tamb\u00e9m, porque eu cuidava do meu escrit\u00f3rio, me empresariava\u2026 Ainda fa\u00e7o todas as coisas, mas como os Autoramas s\u00e3o a prioridade, fica mais f\u00e1cil equilibrar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c9rika Martins &quot;Lento&quot; - Participa\u00e7\u00e3o Especial: Julieta Venegas\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JQHYaQ_hE_M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea gravou com a Julieta Venegas, os Autoramas dialogam muito com bandas latinas \u2013 e at\u00e9 tem uma colet\u00e2nea da banda para o mercado argentino. Como que esse cen\u00e1rio latino chegou para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTinha Aterciopelados e umas coisas que eu conhecia, mas aprofundar-me mesmo foi a partir da Julieta. Quem fez a ponte foi o Tom Capone. Ele foi para um pr\u00eamio nos EUA \u2013 um Grammy, sei l\u00e1 \u2013 conheceu a Julieta e voltou falando que tinha conhecido uma mulher igual a mim, inclusive fisicamente (ri). Ele me mostrou \u201cLento\u201d e eu pirei. Poxa, podia ser minha irm\u00e3 mexicana! (risos) Quando ela veio para o Brasil, a gente ia gravar com o Tom, mas foi no per\u00edodo em que ele acabou falecendo. Mas um tempo depois ela foi pro Rio e finalizamos a grava\u00e7\u00e3o com o [tamb\u00e9m falecido Carlos Eduardo] Miranda e a Constan\u00e7a [Scofeld, vi\u00fava de Capone e ex-Pen\u00e9lope].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Tom foi um cara important\u00edssimo na sua carreira, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nMuito! Toda a manha que eu tenho de est\u00fadio, de grava\u00e7\u00e3o, aprendi com ele. Hoje eu me sinto segura para produzir um artista. Na primeira vez que entrei em um est\u00fadio para gravar, j\u00e1 foi para ser produzida por ele. Cara, foi muita manha, j\u00e1 ter esse contato de mundo, de como funcionavam as coisas. E ele foi um produtor que me entendeu muito bem, nunca tentou for\u00e7ar uma banda. Sacava que meu lance era essa coisa indie, guitar band\u2026 E a Pen\u00e9lope era uma coisa louca para seu tempo. Quem ficou em \u201cNamorinho de Port\u00e3o\u201d e \u201cHoliday\u201d n\u00e3o se deu conta que tinha muito mais coisas, tinha letras de metaf\u00edsica\u2026 E o Tom sempre entendeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que quando acabou o Pen\u00e9lope, queria ter mais controle e menos democracia (risos). Como \u00e9 que estar no Autoramas, que tem uma identidade t\u00e3o definida?<\/strong><br \/>\nSa\u00ed pro outro lado (risos). Eu e o Gabriel somos duas personalidades fortes. O Gabriel \u00e9 mais nervoso, eu sou mais tranquila. A gente tem as ideias muito definidas do que quer, mas a forma de agir \u00e9 bem diferente. No come\u00e7o, tinha uns quebra-paus monstruosos, os meninos da banda ficavam olhando para o alto, sa\u00edam do ensaio e a gente ficava se matando. A gente estava tendo uma conviv\u00eancia intensa que nunca tinha tido no nosso casamento: antes os dois viajavam muito, mas um para cada lado. Pod\u00edamos nos encontrar na estrada, mas era muito menos tempo. Agora, \u00e9 direto, e ainda trabalhando, o que \u00e9 muito mais dif\u00edcil. S\u00f3 que a gente j\u00e1 achou nossa din\u00e2mica, e est\u00e1 muito tranquilo. Como o Gabriel j\u00e1 tem essa m\u00e3o do que \u00e9 o Autoramas, a personalidade da banda j\u00e1 \u00e9 bem definida, a ponto de ser um quinto elemento no som, e desde o in\u00edcio respeitei isso, n\u00e3o tem ego, n\u00e3o tem nada, fico super atr\u00e1s mesmo. T\u00f4 nem a\u00ed com o protagonismo, quero tocar, quero cantar, viajar! \u00c9 uma parada que me diverte tanto quanto meu show solo. E pra mim tem uma coisa de levar alegria para as pessoas, de ver o pessoal sair mais leve do show, que \u00e9 algo que faz com que minha vida seja melhor tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mulheres no Rock in Roll com \u00c9rika Martins e Fernanda Offner\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a7wayrY_leI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Autoramas - Full show  (AudioArena Originals)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tEnrmUcWX3A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c9rika Martins - A mais pedida (com grupo Pen\u00e9lope no Rock in Rio 3)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bndw2xl7Df4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Penelope - Ciranda Da Bailarina (Videoclip)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RB26pb7kQ6U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c9rika Martins - Sacarina (Oi Novo Som)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/691eufdL_lI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante quase duas horas de entrevista, \u00c9rika Martins repassa 20 anos de carreira, alguns trechos de forma bem sutil e outros de maneira mais aprofundada. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/04\/entrevista-erika-martins\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":53917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2351,4158],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53916"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53918,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53916\/revisions\/53918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}