{"id":53726,"date":"2019-11-18T02:02:41","date_gmt":"2019-11-18T05:02:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53726"},"modified":"2020-03-05T22:51:25","modified_gmt":"2020-03-06T01:51:25","slug":"na-virada-sustentavel-rap-baiano-ofusca-nomes-badalados-nacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/18\/na-virada-sustentavel-rap-baiano-ofusca-nomes-badalados-nacionais\/","title":{"rendered":"Virada Sustent\u00e1vel Salvador 2019: Rap baiano ofusca os badalados Edgar e Djonga"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/onelsonoliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nelson Oliveira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala de rap feito em Salvador, pode vir \u00e0 cabe\u00e7a dos brasileiros atentos ao g\u00eanero o nome de Baco Exu do Blues, que despontou a partir da faixa &#8220;Sulic\u00eddio&#8221;, gravada com o recifense Diomedes Chinaski e lan\u00e7ada no \u00e1lbum &#8220;Bacanal&#8221;, em 2016. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/18\/em-semana-fervilhante-radioca-e-virada-sustentavel-deram-inicio-a-programacao-de-verao-de-salvador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Radioca desse ano n\u00e3o teve rappers baianos<\/a>, mas eles brilharam na semana passada em shows da Virada Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Salvador, o festival de sustentabilidade aconteceu pelo terceiro ano e marcou uma crescente. Em 2016, teve programa\u00e7\u00e3o bem reduzida, com destaque para espet\u00e1culos de Margareth Menezes (BA) e da orquestra Neojib\u00e1 (BA); n\u00e3o ocorreu em 2017; e, em 2018, teve formato mais interessante, com atra\u00e7\u00f5es como T\u00e1ssia Reis (SP), Larissa Luz (BA), OQuadro (BA) e \u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1 (BA). Na \u00faltima semana, a Virada Sustent\u00e1vel realizou mais de 300 atividades socioculturais e ambientais em 50 espa\u00e7os espalhados pela cidade, sempre com entrada gratuita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quesito m\u00fasica, os eventos relacionados ao rap e \u00e0 cultura hip-hop eram abundantes e chamavam mais a aten\u00e7\u00e3o. Entre eles, a apresenta\u00e7\u00e3o de Djonga (MG) se sobressa\u00eda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais \u2013 ao menos no papel. Na pr\u00e1tica, o discurso foi outro. Os artistas locais do g\u00eanero roubaram a cena e mostraram que a Bahia tem uma produ\u00e7\u00e3o riqu\u00edssima e com p\u00fablico fiel. E que quer o &#8220;gourmetizado&#8221; Baco muito longe dali.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53727\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0088.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0088.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0088-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, enquanto Tulipa Ruiz e Jo\u00e3o Donato encerravam a noite de Radioca, o Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, a menos de 2 km da Ch\u00e1cara Baluarte, recebia a f\u00faria do Rap Nova Era, com participa\u00e7\u00e3o de Vandal, DaGanja e Galf AC \u2013 em suma, a nata do coletivo Ugangue. E muito, mas muito bate-cabe\u00e7a, rodinhas, moshs, cerveja e \u00e1gua voando para todos os lados, pra\u00e7a lotada (cerca de 1500 presentes) e tudo o que uma verdadeira celebra\u00e7\u00e3o do gangsta prometia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado por Dj Kb\u00e7a, Moreno e Ravi, o Nova Era lan\u00e7ava seu terceiro trabalho, &#8220;Renova\u00e7\u00e3o&#8221;, que sucedeu a mixtape &#8220;N\u00e3o Tente Contar Com a Sorte&#8221; (2011) e o disco &#8220;Brutality&#8221; (2015). Oriundo da comunidade anteriormente conhecida como Cidade de Pl\u00e1stico (ou CDP), rebatizada como Guerreira Zeferina ap\u00f3s obras da prefeitura, o trio canta a realidade do Sub\u00farbio Ferrovi\u00e1rio de Salvador em faixas como &#8220;Sem Refr\u00e3o&#8221; e &#8220;Vai Cair&#8221;, que provocou catarses no show, com oposi\u00e7\u00e3o entre as figuras de Lula e Bolsonaro \u2013 o primeiro, exaltado; o segundo, xingado pelos MCs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vandal entrou em cena para cantar em &#8220;Vida Longa&#8221;, track de que participa em &#8220;Renova\u00e7\u00e3o&#8221; e praticamente tomou o show para si. Se algu\u00e9m que acompanhava a carreira do rapper deixou Salvador entre 2011 e 2012 e voltou agora para a Bahia nem poderia imaginar que ele \u00e9 aquela mesma pessoa. Ou seja, o cara que pulava de palco em palco para soltar os mesmos versos (&#8220;Vandal \u00e9 foda ou n\u00e3o \u00e9? \u00c9 sim ou n\u00e3o \u00e9? \u00c9 de verdade ou n\u00e3o \u00e9? \u00c9 sim ou n\u00e3o \u00e9?&#8221;) e sempre colava nos shows do BaianaSystem para fazer um feat durante o medley de &#8220;Terapia&#8221; e &#8220;Jah Jah Revolta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De verdade, Vandal sempre foi mesmo. Agora, o sucesso tamb\u00e9m \u00e9 real: o tempo passa e \u00e9 a galera do rap soteropolitano que fica emocionada com a crescente na carreira do rapper que cresceu na Cidade Nova. Desde que lan\u00e7ou a mixtape &#8220;TIPOLAZVEGAZH&#8221;, no finalzinho de 2015, \u00e9 sucesso atr\u00e1s de sucesso e idolatria na quebrada \u2013 durante o show, a galera colava na beira do palco para cumpriment\u00e1-lo e trocar uma ideia r\u00e1pida durante os intervalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faixas como &#8220;Novah Salvadorh&#8221; est\u00e3o na boca e nos quadris dos amantes do estilo na capital. &#8220;Balah Ih Fogoh&#8221;, ent\u00e3o, \u00e9 um hino cantado a plenos pulm\u00f5es. E assim foi na Pedro Arcanjo, num esquema sem qualquer divis\u00e3o real entre palanque e ch\u00e3o: muita gente guardou mochilas no palco e volta e meia os MCs recebiam pertences ca\u00eddos em meio ao p\u00fablico e os devolviam aos donos. Para completar, alguns f\u00e3s com defici\u00eancia f\u00edsica compareceram ao Pelourinho (que n\u00e3o \u00e9 o local mais acess\u00edvel para cadeirantes) e assistiram ao showza\u00e7o lado a lado com seus \u00eddolos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53728\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0392.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0392.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/608A0392-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s essa abertura cat\u00e1rtica do fim de semana do rap no Centro Hist\u00f3rico, o domingo tinha como destaque o j\u00e1 citado Djonga, no Largo do Pelourinho, e tamb\u00e9m o show do nov\u00edssimo Edgar (SP), num palco montado no Largo Quincas Berro D&#8217;\u00c1gua. A abertura para o paulista ficou a cargo de Underismo (BA), coletivo com oito jovens integrantes de Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Vandal, eles roubaram a cena. As emo\u00e7\u00f5es do p\u00fablico variavam entre a idolatria e uma enorme proximidade com os quatro MCs. Como se fossem amigos que curtissem muito a farra e o flow que a turma estava levando ali em cima \u2013 e \u00e0s vezes embaixo. Incrementando as rodinhas e o bate-cabe\u00e7a, um cara chamou a aten\u00e7\u00e3o do grupo quando encontrou espa\u00e7o para dar saltos mortais durante o pogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ritmo, depois de levar a plateia \u00e0 loucura com &#8220;Sodikeke&#8221; e, principalmente, o single &#8220;Pretx Chave&#8221;, sobrou pouco para Edgar. A psicodelia e as mensagens prof\u00e9ticas de &#8220;Ultrassom&#8221; (2018) exigem certa dedica\u00e7\u00e3o para serem compreendidas e geram reflex\u00f5es que o p\u00fablico n\u00e3o estava interessado em ter naquele fim de domingo. Para os presentes, a noite era de v\u00edsceras, cora\u00e7\u00e3o acelerado e de sangue quente, n\u00e3o de elocubra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contexto j\u00e1 era negativo e, para piorar a situa\u00e7\u00e3o do artista, seu conceito de show em nada colaborava. Edgar entra num palco pouqu\u00edssimo iluminado (salvo as proje\u00e7\u00f5es), coberto por um disfarce e uma m\u00e1scara feitos de trapos e materiais recicl\u00e1veis. Al\u00e9m disso, seu flow e timbre de voz pouqu\u00edssimo comerciais dentro do rap n\u00e3o empolgaram os f\u00e3s do Underismo. A primeira impress\u00e3o com o paulista \u00e9, l\u00f3gica e desejadamente, de estranhamento. Contudo, muitos n\u00e3o toparam pagar para ver e se dirigiram para a concentra\u00e7\u00e3o do show de Djonga. Quem ficou viu uma performance interessante em &#8220;Felizes Eram os Golfinhos&#8221;, &#8220;Liquida&#8221; e &#8220;Go Pro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Largo do Pelourinho, a espera para a entrada de Djonga era grande. A organiza\u00e7\u00e3o do festival esperou outros eventos terminarem para liberarem a entrada do mineiro no grande palco montado no topo da ladeira. At\u00e9 isso acontecer, um dj set voltado para o rap baiano entrou em a\u00e7\u00e3o \u2013 e Vandal novamente se destacou na sele\u00e7\u00e3o das faixas e na boca do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de 21h30, com 40 minutos de atraso, Djonga entrou em cena com &#8220;Hat-Trick&#8221; e o p\u00fablico de Salvador abriu alas para o rei. O show de &#8220;Ladr\u00e3o&#8221; estava bom, apesar de alguns problemas no som, e o rapper de Belo Horizonte dava o seu melhor. Contudo, era muito dif\u00edcil apreciar o que ocorria no largo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de outros eventos da Virada Sustent\u00e1vel, a Defesa Civil n\u00e3o apareceu para controlar a lota\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Com uma concentra\u00e7\u00e3o acima do aceit\u00e1vel no topo da pra\u00e7a, s\u00f3 quem estava em locais espec\u00edficos do largo pode curtir o aguardado headliner. Para piorar, o empurra-empurra favoreceu furtos e algumas confus\u00f5es, o que passou longe de acontecer nos outros eventos do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da falha log\u00edstica da produ\u00e7\u00e3o do evento, que n\u00e3o contou com a popularidade de Djonga, a Virada Sustent\u00e1vel terminou com a ratifica\u00e7\u00e3o do rap como um dos grandes fen\u00f4menos musicais de massa em Salvador, lado a lado com o pagode. Muitos identificam o pagod\u00e3o como express\u00e3o do hip hop baiano e os artistas da periferia local sabem bem disso, por curtirem Igor Kann\u00e1rio ou Fantasm\u00e3o e tamb\u00e9m por acrescentarem elementos do ritmo em suas tracks. Um joga o outro para cima e Salcity ferve.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53729\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/virada2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/virada2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/virada2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/onelsonoliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nelson Oliveira<\/a> \u00e9 graduado pela Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, atua como jornalista e fot\u00f3grafo, sobretudo nas \u00e1reas de esporte, cultura e comportamento. \u00c9 diretor e editor-chefe da Calciop\u00e9dia, site especializado em futebol italiano. Foi correspondente de Esportes para o Terra em Salvador e j\u00e1 frilou para Trivela e VICE. O cr\u00e9dito das fotos coloridas s\u00e3o Virada Sustent\u00e1vel \/ Divulga\u00e7\u00e3o. As fotos P&amp;B s\u00e3o de Nelson Oliveira<\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Virada Sustent\u00e1vel terminou com a ratifica\u00e7\u00e3o do rap como um dos grandes fen\u00f4menos musicais de massa em Salvador, lado a lado com o pagode\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/18\/na-virada-sustentavel-rap-baiano-ofusca-nomes-badalados-nacionais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":79,"featured_media":53730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4249],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53726"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53726"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53735,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53726\/revisions\/53735"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}