{"id":53547,"date":"2019-10-30T00:05:57","date_gmt":"2019-10-30T03:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53547"},"modified":"2019-12-20T21:49:25","modified_gmt":"2019-12-21T00:49:25","slug":"publico-geral-se-sobrepoe-aos-camisas-pretas-na-21a-edicao-do-otimo-porao-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/30\/publico-geral-se-sobrepoe-aos-camisas-pretas-na-21a-edicao-do-otimo-porao-do-rock\/","title":{"rendered":"Por\u00e3o do Rock 2019: Uma maratona intensa de shows e reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos: Coletivo NERVO<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos festivais dedicados ao g\u00eanero no Brasil, o Por\u00e3o do Rock est\u00e1 entre os maiores e mais tradicionais. Com estrutura de palco, som e ilumina\u00e7\u00e3o muito acima da m\u00e9dia em eventos do tipo, e com line ups extensos que n\u00e3o raro somam mais de 12 horas di\u00e1rias de shows, o evento deixa claro que n\u00e3o tem ambi\u00e7\u00f5es modestas e que aposta alto em um g\u00eanero que, h\u00e1 muitos anos, deixou de ser mainstream no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de 2019 \u2013 vig\u00e9sima-primeira de sua exist\u00eancia \u2013 ocorreu ao longo de dois dias na Arena Lounge do Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia, que tiveram seu in\u00edcio no entardecer do dia 25 de outubro e terminaram quase ao amanhecer do dia 27. Os planos iniciais previam tr\u00eas palcos, mas diversas circunst\u00e2ncias impediram que um deles \u2013 que seria dedicado a nomes de protagonismo feminino \u2013 chegasse a se concretizar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53549\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134100_697.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134100_697.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134100_697-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um jogo de futebol agendado de \u00faltima hora mudou a data original, causando preju\u00edzos financeiros \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, que se viu for\u00e7ada a reestruturar toda a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do festival. Alguns nomes foram cancelados devido \u00e0 indisponibilidade de reagendamento. Ainda assim, 25 bandas brasileiras e uma dos EUA compuseram o line up de 2019. Um ingresso de pista sa\u00eda por R$ 45, e o passaporte para os dois dias, R$ 80. Isso \u00e9 parte da pol\u00edtica de cobrar valores acess\u00edveis dentro da realidade do mercado, que tamb\u00e9m se estende para a alimenta\u00e7\u00e3o no festival.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53548\" aria-describedby=\"caption-attachment-53548\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53548 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/moretoos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/moretoos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/moretoos-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53548\" class=\"wp-caption-text\"><em>Moretools<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sexta-feira foi toda dedicada ao som pesado, com metal e hardcore dominando a escala\u00e7\u00e3o. E se \u00e9 verdade a brincadeira que o metal nunca morre, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel brincar que, para algumas bandas, os clich\u00eas do g\u00eanero s\u00e3o t\u00e3o evidentes que seu som parece embalsamado. \u00c9 o caso do thrash metal do Moretools, por onde comecei minha maratona festivaleira. Embora os integrantes n\u00e3o sejam velhuscos, a m\u00fasica parecia ter sido inspirada pelas resenhas \u201c\u00e9picas\u201d da finada revista Rock Brigade. Pose, mau humor e barulheira, sem nenhuma inventividade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53552\" aria-describedby=\"caption-attachment-53552\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53552 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rdp.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rdp.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rdp-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53552\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ratos de Por\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 os Ratos de Por\u00e3o, que vieram na sequ\u00eancia apresentando o show comemorativo do \u00e1lbum \u201cBrasil\u201d (1989), representam a primeir\u00edssima leva da porradaria brasileira. Por\u00e9m, o \u00e1lbum cl\u00e1ssico continua soando inventivo, fresco (ui!) e terrivelmente atual. Um dos discos mais violentos e agressivos do rock brasileiro foi tocado com precis\u00e3o e f\u00faria em formato power trio, j\u00e1 que Jo\u00e3o Gordo est\u00e1 ainda se recuperando de problemas pulmonares que lhe custaram tr\u00eas interna\u00e7\u00f5es hospitalares em menos de tr\u00eas meses. O carisma e a garganta de Gordo foram uma aus\u00eancia not\u00e1vel, mas o guitarrista J\u00e3o, macaco velho que \u00e9, assumiu a responsabilidade de forma honrada \u2013 e xingou o governo federal, o \u201cpaisinho falido filho da puta\u201d e a apatia do p\u00fablico (\u201cisso aqui t\u00e1 menos animado que igreja de crente, porra\u201d), cuja grande maioria parecia desconhecer petardos como \u201cAids Pop Repress\u00e3o\u201d, \u201cAmaz\u00f4nia Nunca Mais\u201d e \u201cFarsa Nacionalista\u201d (dos versos \u201cA p\u00e1tria armada nas m\u00e3os dessa cambada \/ De extrema direita, T.F.P. \/ Ficar\u00e1 manipulada por burgueses moralistas \/ E n\u00e3o h\u00e1 lugar para voc\u00ea\u201d), t\u00e3o ou mais vigentes que h\u00e1 30 anos. Rea\u00e7\u00f5es molengas \u00e0 parte, foi um showza\u00e7o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53550\" aria-describedby=\"caption-attachment-53550\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53550 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/edu.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/edu.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/edu-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53550\" class=\"wp-caption-text\"><em>Edu Falaschi<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se o p\u00fablico foi morno com o Ratos, n\u00e3o foi por quest\u00e3o geracional, j\u00e1 que o veterano Edu Falaschi provou, mesmo que em hor\u00e1rio adiantado, ser uma das maiores atra\u00e7\u00f5es da noite em termos de popularidade. Suas influ\u00eancias \u2013 o metal mel\u00f3dico e a new wave of British heavy metal \u2013 s\u00e3o duas das vertentes mais fortes no alicerce do metal nacional, e a apresenta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 parte da turn\u00ea \u2018Temple of Shadows In Concert\u201d, assumiu essa base com gosto. Falaschi estava solto e \u00e0 vontade, e os m\u00fasicos que o acompanham (eles pr\u00f3prios n\u00e3o se referem a si como \u201cbanda\u201d, no sentido mais coletivo do termo) n\u00e3o s\u00e3o meras escadas, tendo chance de mostrar sua compet\u00eancia \u2013 o baixista Rafael Dafras e o guitarrista Roberto Barros em especial. O som, por\u00e9m, estava p\u00e9ssimo: o t\u00e9cnico da banda assumiu a mesa de som e, incompreensivelmente, criou uma quizumba na qual os agudos por vezes soterravam todo o resto, inclusive o quarteto de cordas, meio que tornando propaganda falsa o \u201cin concert\u201d. Mesmo criticando bastante o som, f\u00e3s e n\u00e3o-f\u00e3s aprovaram com entusiasmo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53551\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134226_264.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134226_264.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191026_134226_264-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Galinha Preta j\u00e1 fez shows melhores, e talvez tivesse funcionado melhor na sequ\u00eancia do Ratos. A fuleiragem assumida da banda brasiliense costuma render apresenta\u00e7\u00f5es divertidas, mas, dessa vez, soou um tanto fuleira demais, desencontrando-se nas piadinhas e na brevidade de suas can\u00e7\u00f5es. Foi uma boa hora para aproveitar a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o do festival, que oferecia op\u00e7\u00f5es dignas de lanches e por\u00e7\u00f5es a pre\u00e7os entre R$ 15 e R$ 20, quase todos suficientes para saciar qualquer um que n\u00e3o estivesse terrivelmente laricado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53553\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191027_040450_280.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191027_040450_280.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20191027_040450_280-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, nesse aspecto de infraestrutura, o festival teve muitos acertos: havia diversos postos de venda de bebidas, al\u00e9m de vendedores ambulantes credenciados, o que fazia com que n\u00e3o houvesse grandes filas nem nos momentos de maior procura. Havia banheiros em quantidade suficiente. os seguran\u00e7as sabiam a diferen\u00e7a entre uma roda de pogo e uma briga (acredite, essa \u201cconfus\u00e3o\u201d ainda acontece) e socorristas davam conta dos atendimentos necess\u00e1rios por conta de intoxica\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica (a produ\u00e7\u00e3o informou 13 atendimentos nos dois dias, mas foi poss\u00edvel testemunhar uma quantidade significativa de ocorr\u00eancias, especialmente no s\u00e1bado). Acesso para cadeirantes (e, de fato, havia muitos) e card\u00e1pios em braile s\u00e3o outras iniciativas que merecem destaque no Por\u00e3o. J\u00e1 os brinquedos radicais originalmente previstos (bungee jump e mini ramp) n\u00e3o foram oferecidos devido \u00e0 amea\u00e7a de tempestade de raios (uma ocorr\u00eancia bastante frequente no Distrito Federal, diga-se).<\/p>\n<figure id=\"attachment_53554\" aria-describedby=\"caption-attachment-53554\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53554 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/escape.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/escape.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/escape-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53554\" class=\"wp-caption-text\"><em>Escape de Fate<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando \u00e0 arena, duas conclus\u00f5es se formaram rapidamente na minha cabe\u00e7a: a primeira foi que o Escape the Fate, dos EUA, goza de enorme popularidade entre a parcela mais adolescente do p\u00fablico, que pulou e se esgoelou como em nenhum dos shows anteriores, provando que sua escala\u00e7\u00e3o foi um gola\u00e7o do ponto de vista comercial. A outra conclus\u00e3o \u00e9 que eu deveria ter ficado mais tempo na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o: o rock da banda, nascido nos esquec\u00edveis mares do screamo e do p\u00f3s-hardcore, \u00e9 t\u00e3o gen\u00e9rico que parece ter sido montado por marqueteiros, n\u00e3o pelos m\u00fasicos. Inspirado pelo Jorge Lu\u00eds Borges, que preconizava que zombar \u00e9 f\u00e1cil, e prefer\u00edvel \u00e9 tentar entender, atravessei o show inteiro com disposi\u00e7\u00e3o. Mas a \u00fanica coisa que n\u00e3o entendi foi se o visual do guitarrista Kevin \u201cThrasher\u201d Gruft era uma homenagem ao Flamengo ou um cosplay do Pica-Pau. De resto, ficou clara a hip\u00f3tese marqueteira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53555\" aria-describedby=\"caption-attachment-53555\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53555 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/raimundos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/raimundos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/raimundos-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53555\" class=\"wp-caption-text\"><em>Raimundos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a noite foi logo recuperada pelos Raimundos. Pode-se argumentar (com justi\u00e7a) que as letras envelheceram muito mal, com um sexismo t\u00e3o latente que incomoda at\u00e9 quem abomina o politicamente correto. \u00c9 poss\u00edvel ainda dizer que a banda vive do passado, j\u00e1 que esse s\u00e9culo s\u00f3 viu dois lan\u00e7amentos de in\u00e9ditas. Mas n\u00e3o d\u00e1 para menosprezar a for\u00e7a de alguns dos melhores riffs e melodias que j\u00e1 foram feitas na porradaria nacional. Por conta da turn\u00ea comemorativa dos 25 anos do hom\u00f4nimo \u00e1lbum de estreia, o baterista original Fred Castro se somou a Dig\u00e3o, Canisso e Marquim, tocando sozinho nas faixas do disco de 1994 e dobrando a bateria com Caio nas demais (OK, \u201cSelim\u201d ainda contou com a fofa \u2013 e eficiente \u2013 participa\u00e7\u00e3o da garotinha Alice, filha de uma amiga da banda, nas baquetas). Imensas rodas de pogo se abriram, e foi o \u00fanico show da noite a unir todas as gera\u00e7\u00f5es na hora de cantar junto. Verdade seja dita: no palco, a banda hoje soa muito mais espont\u00e2nea e afiada do que nos \u00faltimos anos com Rodolfo Abrantes (a turn\u00ea do \u201cMTV ao Vivo\u201d, de 2000, \u00faltimo a contar com o vocalista, teve shows p\u00e9ssimos). E entre os Raimundos repetindo a si mesmos com qualidade e vontade, e Rodolfo gravando v\u00eddeo pedindo apoio a Bolsonaro e chamando-o de \u201cpaiz\u00e3o\u201d, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil saber quem envelheceu mais dignamente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53557\" aria-describedby=\"caption-attachment-53557\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53557 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/donacislene.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/donacislene.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/donacislene-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53557\" class=\"wp-caption-text\"><em>Dona Cislene<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relatos dariam conta de um festival que seguiu animado madrugada adentro, com o roquinho moleque dos candangos do Dona Cislene e o hardcore capixaba do Dead Fish (\u00fanica banda a, junto com os Ratos, abordar diretamente quest\u00f5es pol\u00edticas), mas o cansa\u00e7o era grande, o ouvido zunia e a aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 entrava em \u201cmodo de descompress\u00e3o\u201d. Caberia aos paulistas do Project 46 fechar a noite, mas n\u00e3o me pergunte a respeito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53558\" aria-describedby=\"caption-attachment-53558\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53558 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/deadfish-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/deadfish-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/deadfish-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53558\" class=\"wp-caption-text\"><em>Dead Fish<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se na sexta seis mil pessoas passaram pela Arena Lounge, esse n\u00famero aumentaria significativamente no dia seguinte. Dez mil pessoas cruzaram os port\u00f5es de entrada, confirmando uma caracter\u00edstica comum aos s\u00e1bados do festival: a rotatividade de p\u00fablico. Muitos iam, assistiam a quatro ou cinco shows de seu interesse, e sa\u00edam enquanto novos espectadores entravam.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53560\" aria-describedby=\"caption-attachment-53560\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53560 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/surfsessions.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/surfsessions.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/surfsessions-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53560\" class=\"wp-caption-text\"><em>Surf Sessions<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, entrei no terceiro show da noite: os locais Mariana Camelo e Jambalaia j\u00e1 haviam tocado, e peguei a Surf Sessions fazendo aquele pop praiano t\u00edpico de cidade que n\u00e3o tem praia. Sabe quando cr\u00edticos de m\u00fasica escrevem que tal banda \u00e9 \u201caut\u00eantica\u201d? Pois \u00e9. Pena que esse conceito n\u00e3o queira dizer muita coisa na pr\u00e1tica, j\u00e1 que a banda acredita numa sonoridade \u00e0 Maskavo \/ Natiruts. Bem-intencionado, bem tocado e&#8230; sem muito mais que isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53568\" aria-describedby=\"caption-attachment-53568\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53568 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cantocego.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cantocego.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cantocego-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53568\" class=\"wp-caption-text\"><em>Canto Cego<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o Canto Cego foi uma bela surpresa: seus registros em disco n\u00e3o traduzem o poder da banda ao vivo, com riffs truculentos (no bom sentido) e uma excelente trama percussiva na qual os detalhes afrobrasileiros trazidos pelo percussionista Mar\u00e9 se somam \u00e0s descidas de m\u00e3o metalizadas da baterista Ruth Rosa. Existe uma crueza ali que tempera a receita de samba, hard rock e can\u00e7\u00e3o brasileira, que a produ\u00e7\u00e3o excessiva dos discos acaba limando. Outro atrativo ineg\u00e1vel \u00e9 a performance t\u00e3o carism\u00e1tica quanto poderosa da vocalista Roberta Dittz, cuja presen\u00e7a supera as falhas no seu canto (j\u00e1 estava ofegante na metade da apresenta\u00e7\u00e3o, e em muitas can\u00e7\u00f5es a sua voz n\u00e3o dava conta de fazer frente ao instrumental). Afinal de contas, rock n\u00e3o tem a ver com precis\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53559\" aria-describedby=\"caption-attachment-53559\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53559 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rincon.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rincon.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rincon-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53559\" class=\"wp-caption-text\"><em>Rincon Sapi\u00eancia<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, os recifenses Academia da Berlinda vieram com muitos riffs \u2013 mas inspirados por cumbia, m\u00fasica paraense e brega. \u201cA gente introjetou na nossa forma\u00e7\u00e3o essa m\u00fasica dos inferninhos das imedia\u00e7\u00f5es do Centro Hist\u00f3rico de Recife\u201d, me contou ap\u00f3s o show o vocalista e percussionista Alexandre Ur\u00eaa. O resultado \u00e9 uma esp\u00e9cie de m\u00fasica pernambucana contempor\u00e2nea, roqueira\u00e7a na atitude e bastante plural na musicalidade. Tinha at\u00e9 headbanger dan\u00e7ando com sorris\u00e3o no rosto, provando que \u00e9 dif\u00edcil resistir ao chamego da banda. Rinc\u00f3n Sapi\u00eancia sucedeu, mas o som alto demais ofuscava seu maior atrativo, que \u00e9 sua poesia sagaz e certeira. Seu carisma deu conta de contornar o problema junto aos muitos f\u00e3s presentes, mas para quem n\u00e3o conhecia o trabalho do homem, a aprecia\u00e7\u00e3o soou monoc\u00f3rdica e ficou prejudicada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53561\" aria-describedby=\"caption-attachment-53561\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53561 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/trampa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/trampa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/trampa-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53561\" class=\"wp-caption-text\"><em>Trampa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, o brasilense Trampa fez bonito com seu p\u00f3s-grunge repleto de cita\u00e7\u00f5es MPB\u00edsticas (incluindo uma vers\u00e3o pesad\u00edssima de \u201cHaiti\u201d, de Gil e Caetano, no encerramento da apresenta\u00e7\u00e3o). Tamb\u00e9m arengou muito contra o ocupante do cargo de Presidente e sua prole. O vocalista Andr\u00e9 Noblat (sim, filho do jornalista Ricardo Noblat, caso voc\u00ea esteja se perguntando) mostrou seguran\u00e7a de veterano como frontman, inclusive fazendo com que o p\u00fablico abrisse uma \u201cclareira\u201d na qual ele entrou, e depois convocou os dois \u201clados\u201d para correr em dire\u00e7\u00e3o dele em um pogo ensandecido. Acrescentou, ainda, que era bonito demais estar tocando em um festival \u201ccom rap, com samba, porque o rock \u00e9 pra abrir a cabe\u00e7a\u201d, e disse que o melhor nisso tudo era saber que estavam \u201ctodos unidos em um s\u00f3 coro, que \u00e9: \u2018Bolsonaro, vai tomar no olho do seu cu\u2019\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53562\" aria-describedby=\"caption-attachment-53562\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53562 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/supercombo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/supercombo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/supercombo-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53562\" class=\"wp-caption-text\"><em>Supercombo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Supercombo veio depois, e o melhor que pode ser dito sobre seu show \u00e9 que n\u00e3o soa t\u00e3o intrag\u00e1vel quanto seus discos, fica apenas um sonzinho sem gra\u00e7a e f\u00e1cil de ser ignorado. A banda parece um template de banda de rock para teens, criado por um algoritmo e chancelado por um designer\/publicit\u00e1rio\/influencer. \u00c9 a tal \u201cbanda numa propaganda de refrigerantes\u201d, conforme cantada por Humberto Gessinger, s\u00f3 que em vers\u00e3o 2019. Tem quem goste, claro, mas nada que o fim da adolesc\u00eancia n\u00e3o resolva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou n\u00e3o: afinal, o Rumbora entrou em cena para agradar aqueles que eram jovens quando a banda lan\u00e7ou seu primeiro disco, h\u00e1 vinte anos. E infelizmente para Alf S\u00e1 (voz, guitarra e tamb\u00e9m diretor t\u00e9cnico do Por\u00e3o do Rock) e Beto Loureiro (baixo), \u00fanicos remanescentes da forma\u00e7\u00e3o original, esses n\u00e3o eram muito numerosos ali no Man\u00e9 Garrincha, e o p\u00fablico n\u00e3o se entusiasmou. \u201cNos shows que temos feito desde a volta em que somos s\u00f3 n\u00f3s tocando, a experi\u00eancia tem sido muito emocional\u201d, disse Loureiro. \u201cMas no festival \u00e9 natural que seja diferente\u201d. Os riffs continuam soando bem, mas as letras, inegavelmente, ficaram datadas. \u201cO Mapa da Mina\u201d e \u201cSka\u00f4\u201d receberam um pouco mais de participa\u00e7\u00e3o, mas a verdade \u00e9 que foi uma festa para poucos interessados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53565\" aria-describedby=\"caption-attachment-53565\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53565 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/marcelofalcao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/marcelofalcao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/marcelofalcao-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53565\" class=\"wp-caption-text\"><em>Marcelo Falc\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Marcelo Falc\u00e3o, hein? Continua igualzinho, mesmo em carreira solo. Isso significa aquele desfile de obviedades que sua antiga banda se especializou em fazer a partir do momento que expulsaram o falecido Marcelo Yuka, al\u00e9m das desafina\u00e7\u00f5es de costume. Falc\u00e3o herdou a popularidade d\u2019O Rappa, e disputava, em p\u00e9 de igualdade, o status de maior atra\u00e7\u00e3o da noite com Criolo. Agradou a esse contingente dando exatamente o que se espera dele, mas sua \u201catitude\u201d \u00e9 t\u00e3o fake e plastificada que s\u00f3 sendo muito ing\u00eanuo para cair nela.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53563\" aria-describedby=\"caption-attachment-53563\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53563 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irish.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irish.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irish-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53563\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jimmy &amp; Rats<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro que aposta na obviedade \u00e9 Jimmy London. O ex-Matanza, sempre simpatic\u00e3o, veio com sua nova encarna\u00e7\u00e3o, Jimmy &amp; Rats, na qual explora as \u201cra\u00edzes irlandesas\u201d. Que ra\u00edzes, maluco? \u00c9 mais f\u00e1cil falar que bebe nas \u00e1guas do Irish punk, com um tantinho de bluegrass aqui e ali. Pra quem gosta do que convencionou se chamar \u201csom de pirata\u201d, funcionou, mesmo com o grave t\u00e3o alto que soterrava os detalhes de acorde\u00e3o e flauta de Fernando Gajo. Pra quem sabe que mesmo o rock despretensioso pode entregar mais, foi hora de buscar outra cerveja.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53564\" aria-describedby=\"caption-attachment-53564\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53564 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53564\" class=\"wp-caption-text\"><em>Joe Silhueta<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma decis\u00e3o ousada da organiza\u00e7\u00e3o, Joe Silhueta ocupou uma posi\u00e7\u00e3o de destaque no line up, entre Jimmy e Criolo. Trata-se de uma das bandas mais celebradas da safra recente do DF, e sua popularidade cresce na mesma propor\u00e7\u00e3o que seu som e seu show v\u00e3o se refinando. A apresenta\u00e7\u00e3o no Por\u00e3o foi bastante teatral, o que teve seu lado bom: antes o lado mais perform\u00e1tico cabia quase integralmente \u00e0 vocalista Gaivota Naves, e agora, com todos os m\u00fasicos embarcando na mesma linha, o resultado final fica mais equilibrado. A banda \u00e9 excelente, mas ao vivo fica claro o quanto ela finca os p\u00e9s no passado (\u201ccara, isso \u00e9 \u00f3timo, mas eu n\u00e3o estou nos anos 70\u201d, entreouvi na plateia). Os f\u00e3s ocuparam a frente, um bom tanto observou com curiosidade (e desses, um bom tanto aplaudiu) e um n\u00famero igual se dispersou. Fique registrado, por\u00e9m, que \u00e9 um show que vale muito assistir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53566\" aria-describedby=\"caption-attachment-53566\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53566 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/joesilhueta2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53566\" class=\"wp-caption-text\"><em>Joe Silhueta<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo hor\u00e1rio do meu voo de retorno, n\u00e3o pude presenciar a apresenta\u00e7\u00e3o do Criolo, que certamente trazia a maior concentra\u00e7\u00e3o de p\u00fablico de todo o evento. Quem presenciou, atestou a qualidade. Mas h\u00e1 males que v\u00eam para bem: a partida no meio da madrugada me privou de ver os clich\u00eas do Machete Bomb, que tocaria na sequ\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53567\" aria-describedby=\"caption-attachment-53567\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53567 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/criolo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/criolo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/criolo-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53567\" class=\"wp-caption-text\"><em>Criolo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/03\/entrevista-gustavo-sa-fala-sobre-os-21-anos-do-porao-do-rock-curadoria-e-mais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell,<\/a> o organizador do Por\u00e3o, Gustavo S\u00e1, reconheceu que \u201co festival n\u00e3o pode fechar os olhos para as coisas que est\u00e3o acontecendo\u201d [musicalmente], mas tamb\u00e9m reafirmou sua op\u00e7\u00e3o por manter uma curadoria com predomin\u00e2ncia da linguagem mais guitarreira e pesada do rock\u2019n\u2019roll. Nessa dif\u00edcil miss\u00e3o de conciliar renova\u00e7\u00e3o com manuten\u00e7\u00e3o do status conquistado, e de ser relevante sem se lan\u00e7ar no abismo comercial, a edi\u00e7\u00e3o 2.1 teve sucesso \u2013 como tamb\u00e9m teve sucesso na condi\u00e7\u00e3o de entretenimento, oferecendo um evento de grande porte com boa estrutura e a valores acess\u00edveis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53572\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel refletir bastante depois dessa maratona t\u00e3o intensa quanto fugaz. Se \u00e9 verdade que os \u201ccamisetas pretas\u201d s\u00e3o um p\u00fablico fiel, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, ao menos nessa edi\u00e7\u00e3o, mostraram-se menos numerosos que o p\u00fablico \u201cgeral\u201d, que deu as caras no s\u00e1bado. E mesmo que s\u00e1bado tenha trazido algumas apresenta\u00e7\u00f5es chochas (mas inegavelmente de apelo popular, \u00e9 importante frisar), foi um dia que mostrou um dialogo bem mais interessante entre as \u201ctribos\u201d (para usar um termo ultrapassado) e sonoridades presentes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53570\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a partir da\u00ed, \u00e9 interessante, e at\u00e9 prazeroso, especular se \u2013 digamos \u2013 Canto Cego ou Joe Silhueta n\u00e3o poderiam surpreender na noite do som pesado, da mesma maneira que o Trampa surpreendeu no dia mais \u201cpop\u201d. Tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o a maior presen\u00e7a de fam\u00edlia, inclusive de crian\u00e7as, no s\u00e1bado. E se isso n\u00e3o \u00e9 forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico \u2013 e de cultura \u2013 n\u00e3o sei o que \u00e9.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53571\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o n\u00e3o se trata de alienar um p\u00fablico ou outro, mas justamente de aproximar, sem perder a identidade roqueira. Essa \u00e9 uma jornada que o Por\u00e3o vem empreendendo em cada edi\u00e7\u00e3o, e que pode ser ainda mais movimentada em edi\u00e7\u00f5es futuras. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a tarefa a qual o festival se prop\u00f5e. Mas o rock n\u00e3o nasceu para seguir o caminho mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53569\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/porao-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/03\/balanco-porao-do-rock-2014-brasilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O saldo final do Por\u00e3o do Rock 2014 foi bastante positivo, mas\u2026<\/a><br \/>\n\u2013 Por\u00e3o do Rock 2015: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/08\/balanco-porao-do-rock-2015-brasilia\/\">Espera-se muito mais de um festival com a trajet\u00f3ria do Por\u00e3o<\/a>\u201d<br \/>\n\u2013 Por\u00e3o do Rock 2016: &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/03\/balanco-porao-do-rock-2016-brasilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em sua 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o, o Por\u00e3o do Rock deu passos interessantes<\/a>&#8220;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nessa dif\u00edcil miss\u00e3o de conciliar renova\u00e7\u00e3o com manuten\u00e7\u00e3o do status conquistado, e de ser relevante sem se lan\u00e7ar no abismo comercial, a edi\u00e7\u00e3o 2.1 teve sucesso.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/30\/publico-geral-se-sobrepoe-aos-camisas-pretas-na-21a-edicao-do-otimo-porao-do-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":53574,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3125,1018,3810,1478,3611,4114,4116,794,2376,4113,453,1865,2017,819,4115,3498],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53547"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53547"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53547\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53580,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53547\/revisions\/53580"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53574"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}