{"id":5341,"date":"2010-07-01T23:35:23","date_gmt":"2010-07-02T02:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5341"},"modified":"2023-03-29T00:03:19","modified_gmt":"2023-03-29T03:03:19","slug":"a-impossibilidade-do-amor-em-3-cenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/01\/a-impossibilidade-do-amor-em-3-cenas\/","title":{"rendered":"A impossibilidade do amor em 3 cenas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5349 aligncenter\" title=\"honore\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/honore.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/honore.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/honore-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/morenoosorio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moreno Os\u00f3rio<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;Eu n\u00e3o imaginava  que a vida de casada fosse t\u00e3o complicada.<br \/>\nQuando voc\u00ea \u00e9  solteira, \u00e9 respons\u00e1vel apenas por si mesma.<br \/>\nQuando se casa&#8230;  estar bem sozinha n\u00e3o \u00e9 o bastante&#8221;.<\/em><br \/>\nDi\u00e1logo do filme &#8220;In the Mood for Love&#8221;, de Wong Kar-Wai<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><strong>Christophe Honor\u00e9: A impossibilidade do amor em tr\u00eas cenas<\/strong><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Em coluna publicada no final do m\u00eas de maio na Folha de  S\u00e3o Paulo (dispon\u00edvel tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/contardocalligaris.blogspot.com\/2010\/05\/coragem-do-amor-que-dura.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>),  Contardo Caligaris, falando de amor, lamentou a valoriza\u00e7\u00e3o, em nossa cultura,  da idealiza\u00e7\u00e3o da ruptura, da aventura, e o fato de que s\u00f3 a hora do  \u201capaixonamento\u201d importa. Caligaris citou um fil\u00f3sofo franc\u00eas chamado Alain  Badiou, que define o amor mais como um percurso do que como um acontecimento. Em  \u00faltima inst\u00e2ncia, ele cr\u00ea na obstina\u00e7\u00e3o como o fator determinante para o triunfo  do amor. A grande quest\u00e3o \u00e9 que, apesar de todos o desejarem, ningu\u00e9m parece  querer fazer esse esfor\u00e7o por ele. Uma contradi\u00e7\u00e3o que o polon\u00eas Zygmunt Bauman  tentou explicar em Amor L\u00edquido e que est\u00e1 toda hora dando tapas de luva na  nossa cara. Para desespero de todos. Mas tamb\u00e9m para a felicidade da arte. Neste  caso, especificamente do cinema.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Christophe Honor\u00e9, um dos poucos que conseguiram utilizar  o legado da Nouvelle Vague para fazer um cinema moderno, estampa essa condi\u00e7\u00e3o  em pelo menos tr\u00eas de seus filmes. E o faz com uma leveza que contrasta com a  peso de tal condi\u00e7\u00e3o. Em &#8220;A Bela Junie&#8221; (&#8220;La Belle Personne&#8221;), &#8220;Em Paris&#8221; (&#8220;Dans Paris&#8221;)  e &#8220;As Can\u00e7\u00f5es de Amor&#8221; (&#8220;Les Chansons D\u2019Amour&#8221;), a eterna d\u00favida da humanidade em  rela\u00e7\u00e3o ao amor aparece como fio condutor dos roteiros. Dirigindo elencos que  emanam sensualidade (fora o fato de os filmes serem falados na l\u00edngua dos  amantes, o que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um deleite), o franc\u00eas de 40 anos converte dor e  ang\u00fastia em beleza. Transforma em arte o que \u00e9 pr\u00f3prio da vida, e, assim,  atribui mais sentido ao existir \u2013 ainda que n\u00e3o sejam fornecidas respostas, e  sim refor\u00e7adas as d\u00favidas.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Em tr\u00eas cenas dos filmes citados, a dicotomia buscar  versus manter d\u00e1 ao amor uma condi\u00e7\u00e3o de eterna impossibilidade em fun\u00e7\u00e3o do seu  constante fracasso. Cada uma delas mostra fases distintas do amar, mas todas  retratam a mesma coisa \u2013 a derrota do amor diante das circunst\u00e2ncias da vida.  Medo, quebra e desesperan\u00e7a. Mas que tamb\u00e9m poderiam ser chamadas de antes,  durante e depois do amor.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A Bela Junie&#8221; e o medo de amar<\/strong><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Em um dos \u00faltimos di\u00e1logos de A Bela Junie, Junie (L\u00e9a  Seydoux) fala para Nemours (Louis Garrel):<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"margin-left: 35.4pt; text-align: justify;\"><em>&#8220;Eu pensei que houvesse uma  coisa que voc\u00ea gostasse em mim. Minha franqueza. Imaginar que voc\u00ea pode n\u00e3o mais  me amar \u00e9 muito pior para mim do que aquilo que voc\u00ea chama de regras que fiz  para mim mesmo. Eu sei que somos duas pessoas. Ent\u00e3o, como qualquer um, n\u00f3s  pod\u00edamos estar juntos. Mas por quanto tempo? Se n\u00f3s somos duas pessoas normais,  por quanto tempo nosso amor vai durar? Amor eterno n\u00e3o existe, nem mesmo nos  livros. Ent\u00e3o amar significa por um tempo determinado. Seria um milagre para  n\u00f3s. N\u00e3o somos diferentes das outras pessoas&#8221;.<\/em><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OYjn93VxAN0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5346 aligncenter\" title=\"trescenas_um\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_um.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento, Nemours interfere:<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><em>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode resistir  sozinha ao seu amor<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Junie resiste ao seu amor. E sofre por isso. Sofre por ter  medo de se entregar ao desconhecido, ao que pode faz\u00ea-la sair do eixo,  desconcert\u00e1-la. Est\u00e1 estampado no seu rosto de beleza serena, na sua pele  branca, nos seus olhos distantes, nos seus longos cabelos negros. Ela carrega  consigo esse fardo. Uma condi\u00e7\u00e3o que parece ser eterna. Isso a torna distinta.  Desejada por ser inacess\u00edvel, por parecer estar acima do amor.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Ao dispensar Otto \u2013 que se mata ap\u00f3s o rompimento \u2013, Junie  diz que vai embora porque n\u00e3o quer se apaixonar por uma pessoa que sabe estar  apaixonada por ela (Nemours, ainda que n\u00e3o revele a Otto quem \u00e9). Junie \u00e9  franca, racional. Sabe da possibilidade de o romance com Nemours acabar em  desilus\u00e3o e, ao contr\u00e1rio das outras pessoas que se envolveram com o belo  professor, prefere nem come\u00e7ar o caso. Mas a dor da paix\u00e3o aparece e a faz  sofrer antes mesmo ter experimentado o que tanto deseja.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Bauman, se por acaso topasse com Junie em um mundo onde os  fil\u00f3sofos encontram personagens de cinema nas ruas de Paris, talvez dissesse a  ela que qualquer sabedoria em rela\u00e7\u00e3o ao amor s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ap\u00f3s viv\u00ea-lo. Diria,  arrisco dizer, para Junie ouvir Nemours, e n\u00e3o resistir ao seu amor. Para o  s\u00e1bio velhinho polon\u00eas que curte um cachimbo, a bela francesa \u00e9 uma tola que  pouco ou nada sabe sobre o assunto. Entre uma tragada e outra, ele talvez at\u00e9  lesse para ela o trecho abaixo, que est\u00e1 em Amor L\u00edquido.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"margin-left: 35.4pt; text-align: justify;\"><em>&#8220;Enquanto vive, o amor paira  \u00e0 beira do malogro. Dissolve seu passado \u00e0 medida que prossegue. N\u00e3o deixa  trincheiras onde possa buscar abrigo em caso de emerg\u00eancia. E n\u00e3o sabe o que  est\u00e1 pela frente e o que o futuro pode trazer. Nunca ter\u00e1 confian\u00e7a o suficiente  para dispersar as nuvens e abafar a ansiedade. O amor \u00e9 uma hipoteca baseada num  futuro incerto e inescrut\u00e1vel&#8221;.<\/em><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">O rosto p\u00e1lido de Junie denota o temor em rela\u00e7\u00e3o a esse  futuro incerto. \u00c9 o semblante que Christophe Honor\u00e9 d\u00e1 \u00e0 impossibilidade do  amor. A personagem de L\u00e9a Seydoux \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o daquilo que sentimos quando  pensamos na finitude do que gostar\u00edamos que fosse eterno. \u00c9 o fantasma que  assombra a vida de todos os amantes. Olhar pra ela \u00e9 ter a certeza de que tudo  ir\u00e1 acabar &#8211; mesmo sem ter come\u00e7ado. Que a separa\u00e7\u00e3o e a desilus\u00e3o um dia vir\u00e3o.  Que o abandono e a solid\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis. Olhar para Junie \u00e9 olhar para o  futuro. Sua beleza representa a morte da esperan\u00e7a. A morte prematura do amor.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Em Paris&#8221; e a quebra<\/strong><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">No filme &#8220;Em Paris&#8221;, Paul (Romain Duris) sofre com fim do  seu relacionamento com Anna (Joana Preiss). Cansado de n\u00e3o encontrar  alternativas para sair da fossa, ele pega o telefone para tentar por um fim \u00e0  sua ang\u00fastia. O resultado \u00e9 a bela cena abaixo. A m\u00fasica \u00e9 &#8220;Avant La Haine&#8221; (&#8220;Antes  do \u00d3dio&#8221;), escrita por Alex Beaupain \u2013 que assina as trilhas musicais de v\u00e1rios  filmes de Honor\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=nCKihhKniyE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5347 aligncenter\" title=\"trescenas_dois\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_dois.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_dois.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_dois-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\">A letra mostra um momento de d\u00favida. Como superar o fim  quando ainda apostamos no amor? Como saber quando o amor, na realidade, deixou  de existir? Que aquilo que sentimos n\u00e3o \u00e9 mais amor, e sim a falta, a dor da  aus\u00eancia, a lacuna deixada pelo pr\u00f3prio amor? Paul e Anna cantam essas  incertezas. Ele reconhece o seu estado agonizante e tem uma \u201cideia  terr\u00edvel\u201d: terminar qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o que ainda exista com Anna \u201cantes do  \u00f3dio\u201d. Antes que sua condi\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel comece a determinar seus sentimentos  por quem at\u00e9 ent\u00e3o era devoto. Ele n\u00e3o quer odi\u00e1-la, por isso aposta na  separa\u00e7\u00e3o. Anna diz que n\u00e3o \u2013 ainda que tamb\u00e9m n\u00e3o tenha certeza do sim. Diz que  um beijo faria tudo isso passar.<\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\">No belo dueto, Honor\u00e9 nos mostra novamente a  impossibilidade do amor, mas agora no momento da quebra, da ruptura. O  sentimento deixa de existir e pega Paul e Anna despreparados. Querem ficar  afastados antes do \u00f3dio, mas querem permanecer juntos porque ainda acreditam no  poder do toque. Eles querem continuar se amando. Mas isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais  poss\u00edvel.<\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\">Honor\u00e9 transforma em poesia o exato momento (que parece  infinito) em que nada resolve. Ela diz que prefere \u201cas tempestades do  inevit\u00e1vel\u201d a ter de perder definitivamente aquele amor. Mas sabe que, naquele  momento, n\u00e3o podem e nem conseguiriam estar juntos. Ainda que talvez seja, no  fundo, o que eles querem. Sentem falta um do outro, da companhia, do carinho.  Resta apenas uma ang\u00fastia sem fim.<\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\"><strong>A desesperan\u00e7a em &#8220;As Can\u00e7\u00f5es de Amor&#8221;<\/strong><\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\">No primeiro ter\u00e7o do musical &#8220;As Can\u00e7\u00f5es de Amor&#8221; (&#8220;Les  Chansons D\u2019Amour&#8221;), Julie (Ludivine Sagnier), Isma\u00ebl (Louis Garrel) e Alice  (Clotilde Hesme) vivem um tri\u00e2ngulo amoroso inst\u00e1vel. As incertezas a respeito  de uma rela\u00e7\u00e3o que causa estranhamento em quem est\u00e1 de fora os fazem levantar  d\u00favidas sobre a possibilidade de se levar aquilo adiante. Desconfort\u00e1veis,  expressam \u2013 na maioria das vezes de forma leve e divertida, como em &#8220;Je n\u2019aime  que toi&#8221; (assista <\/a><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PoTcfsk09Ak\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) \u2013 a insatisfa\u00e7\u00e3o  diante da falta de certezas sobre algo que n\u00e3o \u00e9 visto como normal. At\u00e9 que  Julie morre, e a d\u00favida d\u00e1 lugar \u00e0 desesperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade do  amor.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Sem o equil\u00edbrio representado por Julie, as outras duas  pontas do tri\u00e2ngulo buscam maneiras de seguir em frente. Alice se envolve em uma  rela\u00e7\u00e3o heterossexual que logo se mostra um equ\u00edvoco. J\u00e1 Isma\u00ebl se v\u00ea em uma  situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o improv\u00e1vel. Seduzido por Erwann (Gr\u00e9goire Leprince-Ringuet),  n\u00e3o sabe se sua d\u00favida em ceder ou n\u00e3o \u00e0quela aventura homossexual \u00e9 resultado  da sua vontade ou da confus\u00e3o que virou sua vida sem Julie. Apaixonado, Erwann  trata de questionar o porqu\u00ea da resist\u00eancia de Isma\u00ebl cantando em dueto com o  personagem de Louis Garrel. A m\u00fasica \u00e9 &#8220;As-tu d\u00e9j\u00e0 aim\u00e9?&#8221;, mais uma vez de  Alex Beaupain, que assina a trilha do musical.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><a onclick=\"onClickUnsafeLink(event);\" href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=h_d3fqMH58s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5348 aligncenter\" title=\"trescenas_tres\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_tres.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_tres.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/trescenas_tres-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/> <\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Erwann pergunta a Isma\u00ebl se ele j\u00e1 amou pela \u201cbeleza do  gesto\u201d. O personagem de Garrel diz que sim, mas que n\u00e3o foi nada f\u00e1cil, que  muitas vezes n\u00e3o foi bem tratado. Erwann insiste e diz que quando ousamos amar  somos simplesmente invadidos pelo perfume dos males do amor. Isma\u00ebl retruca  dizendo que os amores passageiros e sua car\u00edcias ef\u00eameras esgotam nossos  esfor\u00e7os. Ent\u00e3o Erwann se rende ao desiludido Isma\u00ebl, e termina  responsabilizando o amor por toda a nossa desgra\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Se antes da morte de Julie os personagens se questionavam  sobre se o que sentiam era realmente amor, com a perda, a d\u00favida d\u00e1 lugar ao  desencanto. \u00c0 tristeza de ter consci\u00eancia tarde demais. \u00c0 desesperan\u00e7a de que um  amor como aquele pode nunca mais se repetir. No momento em que n\u00e3o estava claro  o flerte de Erwann, Isma\u00ebl canta uma serena melancolia diante do que parecia  imut\u00e1vel \u2013 a impossibilidade do amor.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Mas no final, Isma\u00ebl acaba se rendendo a Erwann e a uma  rela\u00e7\u00e3o totalmente diferente de tudo o que havia vivido. Uma esperan\u00e7a para o  amor?<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Moreno Os\u00f3rio \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/www.7errantes.com\/velhaamiga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Velha Amiga &#8211; European Tour<\/a><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; &#8220;Em Paris&#8221;, uma tradu\u00e7\u00e3o perfeita de melancolia, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/04\/11\/em-paris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Moreno Os\u00f3rio\nApesar de todos o desejarem o amor, ningu\u00e9m parece fazer esfor\u00e7o por ele. 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