{"id":53318,"date":"2019-10-12T17:29:22","date_gmt":"2019-10-12T20:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53318"},"modified":"2019-12-06T11:12:12","modified_gmt":"2019-12-06T14:12:12","slug":"com-grandes-shows-e-pessima-comida-cosquin-rock-uruguai-2019-se-mostra-cativante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/12\/com-grandes-shows-e-pessima-comida-cosquin-rock-uruguai-2019-se-mostra-cativante\/","title":{"rendered":"Cosqu\u00edn Rock Uruguai 2019 cativa com belos shows e p\u00e9ssima comida"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cosquinrockuy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cosquin Rock<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/cooltivartecom\/photos\/?tab=album&amp;album_id=2491397920907106\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cooltivarte<\/a> (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/cooltivartecom\/photos\/?tab=album&amp;album_id=2491397920907106\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">veja galeria<\/a>)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grandes festivais de m\u00fasica hoje s\u00e3o eventos recorrentes, que abundam no calend\u00e1rio de muitos pa\u00edses. Uma grande parcela do p\u00fablico que os frequenta sequer desconfia que houve um tempo em que eles eram eventos raros, revestidos de uma expectativa quase m\u00edtica \u2013 afinal, a escassez sempre nos d\u00e1 uma perspectiva diferente daquilo que vivenciamos. Com todo o marketing moderno, que propagandeia a \u201cexperi\u00eancia\u201d oferecida, fica dif\u00edcil (e algo rid\u00edculo) tentar impor um car\u00e1ter transcendental ou mesmo art\u00edstico a qualquer festival. Mas ainda \u00e9 poss\u00edvel encontrar espa\u00e7o para ser n\u00e3o apenas um consumidor, mas um indiv\u00edduo, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o favor\u00e1veis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53324\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As condi\u00e7\u00f5es, no caso deste relato, come\u00e7am com uma viagem de 2 mil quil\u00f4metros por terra, sozinho em um \u00f4nibus em um trecho e acompanhado de dois camaradas ao longo da maior parte. O sil\u00eancio, a desconex\u00e3o provocada pela aus\u00eancia da tecnologia m\u00f3vel, as leituras sem interrup\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, uma pausa no meio do caminho para rever pessoas queridas, a trilha sonora de primeira e algumas poucas conversas contribu\u00edram para recolocar o c\u00e9rebro e o esp\u00edrito em um ritmo mais humano e menos \u201cmaqu\u00ednico\u201d (como diria Gilberto Gil). Assim, quando chegamos a Montevid\u00e9u na noite do dia 2 de outubro, j\u00e1 n\u00e3o era um ansioso profissional do mundo p\u00f3s-emprego quem pisava na capital uruguaia, mas sim um indiv\u00edduo que h\u00e1 muito n\u00e3o dispunha de tanto tempo e foco para olhar para si e para o mundo ao redor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53323\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E depois de um dia revendo amigos e bebendo bem na capital, era hora de rumar para a vizinha Canelones, onde aconteceria a segunda edi\u00e7\u00e3o do Cosquin Rock Uruguai. E antes de tudo, \u00e9 preciso dizer que o Cosquin Rock \u00e9 um evento tal como aqueles descritos no primeiro par\u00e1grafo: uma franquia festivaleira nascida na Argentina, e que desde 2017 se espalhou para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m de Estados Unidos e Espanha. Cada pa\u00eds abrigou edi\u00e7\u00f5es de diferentes tamanhos, mas a proposta era a mesma: misturar artistas argentinos com os de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, unindo \u201ccomida, experi\u00eancia e m\u00fasica\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/25\/entrevista-jose-palazzo-do-cosquin-rock-um-dos-maiores-festivais-da-america-latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">conforme declarou ao Scream &amp; Yell o criador e dono da marca<\/a>, o argentino Jos\u00e9 Palazzo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53322\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin2-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed podemos filtrar um pouco o marketing, e j\u00e1 apontar que a \u201ccomida\u201d \u00e9 aquele engodo que estamos costumados a ver tamb\u00e9m por aqui. Nunca os termos \u201cgourmet\u201d e \u201ccomida autoral\u201d, ostensivamente presentes na divulga\u00e7\u00e3o, foram t\u00e3o maltratados quanto nos estandes do Parque Roosevelt. Sandu\u00edches tristes, massas sem sal e entupidas de tempero industrializado, cerveja de quinta categoria (a Pilsen, uma esp\u00e9cie de Brahma piorada). Tudo a pre\u00e7os bem elevados (o hamb\u00farguer, por exemplo, sa\u00eda por 260 pesos, o equivalente a cerca de 28 reais), como costuma ser nesse tipo de evento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53325\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tudo bem: dava para se alimentar muit\u00edssimo bem antes de percorrer os 16 quil\u00f4metros que separam Canelones de Montevid\u00e9u, at\u00e9 porque n\u00e3o hav\u00edamos nos deslocado por milhares de quil\u00f4metros para reclamar da comida de festival. O que fez com que esses tr\u00eas brasileiros pegassem a estrada foi a mesma coisa que originou a amizade entre eles: a m\u00fasica, especialmente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o rock latino-americano<\/a>. E essa, no saldo final, n\u00e3o entregou menos do que prometia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53326\" aria-describedby=\"caption-attachment-53326\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53326 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53326\" class=\"wp-caption-text\"><em>Freestyle Zoom Hip Hop<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das propostas do festival, essa integralmente cumprida, \u00e9 que ele aconte\u00e7a em meio \u00e0 natureza, e o Parque Roosevelt \u00e9 um belo e amplo bosque. O festival teve dois palcos montados em uma clareira em meio aos eucaliptos, com os estandes de comida e v\u00e1rias \u00e1reas de descanso entre eles. E adentramos o local na tarde do dia 5, um s\u00e1bado bastante frio, a tempo de ignorar o roquinho gen\u00e9rico do Pibes Pepa no palco principal (Norte) e testemunhar a Freestyle Zoom Hip Hop, uma batalha de MCs muito mais animada e interessante, no palco secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53327\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin7-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, o hip hop logo se revelaria um dos eixos do lineup. N\u00e3o s\u00f3 dava a t\u00f4nica de muitos nomes escalados, como tamb\u00e9m se revelava, muitas vezes, mais convocante que o som de guitarras. A prefer\u00eancia do p\u00fablico, majoritariamente bem jovem (era bastante raro ver algu\u00e9m aparentando mais de 30), deixava antever que os pr\u00f3ximos anos da m\u00fasica pop uruguaia provavelmente ser\u00e1 tomada pelas rimas e pelos beats.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53328\" aria-describedby=\"caption-attachment-53328\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53328 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin8-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53328\" class=\"wp-caption-text\"><em>Eli Almic<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E t\u00e3o logo terminou a batalha, a cantora Eli Almic subiu ao palco acompanhada do DJ RC e de uma banda que inclu\u00eda sax, guitarra, bateria, baixo e teclados. E isso fez toda a diferen\u00e7a: com arranjos que bebiam tanto no soul como no yacht rock oitentista, Almic e seus m\u00fasicos mostraram profundidade e peso que suas grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio sequer sugerem \u2013 m\u00e9rito principalmente do tecladista Sebasti\u00e1n Gagliardi, tamb\u00e9m arranjador. Cheia de marra e com carisma de veterana (mesmo n\u00e3o sendo), Almic deu cara de hit a can\u00e7\u00f5es como \u201cBrujas\u201d e \u201cAyuda\u201d. Suas letras deixam a desejar \u2013 muito slogan para pouca reflex\u00e3o \u2013 mas agradam ao p\u00fablico. E \u00e9 preciso mencionar que ela botou Bolsonaro no tel\u00e3o enquanto falava sobre feminic\u00eddios. Enfim, superficialidade l\u00edrica \u00e0 parte, um belo show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a partir da\u00ed, a coisa s\u00f3 melhoraria. Los Prolijos, no palco Sul, conseguiam a fa\u00e7anha de trazer ecos de swing e de stoner rock (!) ao seu power pop pampeano. Depois deles, Monica Navarro faria sua releitura eletrificada da can\u00e7\u00e3o tradicional uruguaia. Uma animad\u00edssima festa guitarreira, de ambos os lados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53329\" aria-describedby=\"caption-attachment-53329\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53329 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin9-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53329\" class=\"wp-caption-text\"><em>Buenos Muchachos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas entre esses dois bons shows haveria os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/02\/16\/conexao-latina-buenos-muchachos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Buenos Muchachos<\/a> no palco principal, e \u00e9 impressionante ver como uma banda densa e anticomercial pode apresentar can\u00e7\u00f5es como \u201cArco\u201d e \u201cTemperamento\u201d e v\u00ea-las recebidas como sucessos, cantados a pleno pulm\u00e3o \u2013 isso para n\u00e3o citar os hits por assim dizer, \u201cHe Never Wants to See You (Once Again)\u201d e \u201cAntenas Rubias\u201d, executados com vigor por uma banda afiad\u00edssima. Havia visto-os recentemente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/17\/balanco-buenos-muchachos-eddie-e-felix-robatto-brilham-no-12o-paraiso-do-rock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em uma impec\u00e1vel apresenta\u00e7\u00e3o no festival Para\u00edso do Rock<\/a>, mas v\u00ea-los num palco grande, jogando em casa, \u00e9 uma experi\u00eancia diferente, melhorada pelo som impec\u00e1vel, que garantia que todas as texturas do trio de guitarras se mantivessem apesar do amplo espa\u00e7o. Showza\u00e7o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53331\" aria-describedby=\"caption-attachment-53331\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53331 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53331\" class=\"wp-caption-text\"><em>Aterciopelados<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 era escuro (anoitece tarde na primavera austral), e o local estava bem mais cheio quando os Aterciopelados subiram ao palco. Contrariando as bravatas da vocalista <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/20\/entrevista-andrea-echeverri\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andrea Echeverria<\/a>, que diz que o presente \u00e9 o melhor momento da banda, preferiram jogar pra plateia e dispensaram material mais recente, concentrando o repert\u00f3rio nos hits da primeira etapa, como \u201cFlorecita Rockera\u201d, \u201cBolero Falaz\u201d, \u201cCosita Seria\u201d, \u201cEl Album\u201d e \u201cMaligno\u201d, entre outros. Comodismo? Pode ser. Mas para mim, que s\u00f3 aprecio essa fase dos colombianos e nunca os havia visto ao vivo, funcionou muito bem (e para o resto do p\u00fablico, mais ainda). Afinal, ningu\u00e9m \u00e9 resenhista 100% do tempo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53332\" aria-describedby=\"caption-attachment-53332\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53332 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin12-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53332\" class=\"wp-caption-text\"><em>No Te Va Gustar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os paraguaios Kchiporros tascavam um animado (ainda que por vezes excessivo) cruzamento de cumbia e ska no palco menor, eu pensava que, de minha parte, j\u00e1 estaria de excelente tamanho. Mas ainda haveria os Babas\u00f3nicos mais pra frente, ent\u00e3o nada de pegar o \u00f4nibus de volta. O duro \u00e9 que at\u00e9 chegar esse momento viria muito do que o rock uruguaio tem de pior. No palco Norte, No Te Va Gustar mostra que sua m\u00fasica \u00e9 como a cerveja que leva seu nome: despersonalizada e insossa. A popularidade da banda \u2013 uma das maiores do pa\u00eds, estourada na Argentina \u2013 sempre foi e sempre ser\u00e1 um mist\u00e9rio para mim. Um gen\u00e9rico de rock rom\u00e2ntico e populista, do tipo que faz voc\u00ea achar que o Capital Inicial talvez n\u00e3o seja t\u00e3o ruim assim (ali\u00e1s, adotaram a mesma \u201cpolitiza\u00e7\u00e3o\u201d de fachada da turma de Dinho Ouro Preto, ensaiando um arremedo de cr\u00edtica \u00e0 reforma administrativa uruguaia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas pior, muito pior, foi La Triple Nelson. Uma mistura de Roupa Nova com Malta (quem se lembra?), a banda \u00e9 uma montoeira de clich\u00eas de romantismo, rock de arena e sentimentalismo latino caricato. Mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, me recuperando em um dos sof\u00e1s da \u00e1rea de descanso, foi um dos piores shows da minha vida, e olha que vi muita porcaria nesses mais de 40 anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53333\" aria-describedby=\"caption-attachment-53333\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53333 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53333\" class=\"wp-caption-text\"><em>Babas\u00f3nicos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, como se em uma hist\u00f3ria crist\u00e3, o sacrif\u00edcio foi recompensado com benesses: os Babas\u00f3nicos mostraram, mais uma vez, que a posi\u00e7\u00e3o de entertainers n\u00e3o lhes cai bem. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/13\/discografia-comentada-babasonicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00e3o artistas mesmo, e quebraram todas as expectativas<\/a> ao trazer um show lento, com sil\u00eancios e discretos acenos psicod\u00e9licos. Quando um hit aparecia \u2013 e foram muitos \u2013 era para ser ressignificado e reapresentado. \u201cPijamas\u201d, por exemplo, perdeu a cara de jingle de telefonia celular para virar uma pe\u00e7a pop altamente lis\u00e9rgica, enquanto \u201cPutita\u201d teve toda sua melodia vocal refeita. Concess\u00f5es \u00e0 est\u00e9tica roqueira (que esses argentinos j\u00e1 usaram com maestria, ali\u00e1s) s\u00f3 em \u201cSin Mi Diablo\u201d e \u201cCretino\u201d. Mesmo os megahits \u201cCarismatico\u201d e \u201cYegua\u201d, emendados um no outro, ganharam nuances que mudavam seu sentido. Mas o grosso do show veio do excelente \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cDiscutible\u201d, lan\u00e7ado neste ano. E que uma can\u00e7\u00e3o t\u00e3o at\u00edpica como \u201cLa Pregunta\u201d seja um hit pedido a gritos pelo p\u00fablico s\u00f3 comprova que os Babas jogam no mainstream dentro de seus pr\u00f3prios termos. Com a banda na penumbra, o vocalista D\u00e1rgelos, vestido com cal\u00e7as de motoqueiro oitentista, bata branca e ostentando uma longa barba grisalha, tomava a frente como um profeta do apocalipse queer, recusando-se a jogar o jogo festivaleiro e, ao mesmo tempo, entregando um show t\u00e3o cerebral quanto envolvente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53334\" aria-describedby=\"caption-attachment-53334\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53334 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin14-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53334\" class=\"wp-caption-text\"><em>Buitres<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda deu tempo de ver algumas can\u00e7\u00f5es dos Buitres antes de pegar o \u00f4nibus. \u00danicos a entrar atrasados em um dia de pontualidade impec\u00e1vel, comemoraram seus 30 anos de carreira entregando seu rock rapidinho e agitadinho de costume. Sabe aquele punk rock mel\u00f3dico que voc\u00ea encontrava de baciada nos anos 1990? Ent\u00e3o, eles est\u00e3o nessa at\u00e9 hoje. Depois da sexta can\u00e7\u00e3o, a certeza de que ia ver mais do mesmo me fez tomar o rumo de casa \u2013 e perder o chilique do vocalista Gabriel Peluffo, que xingou a organiza\u00e7\u00e3o porque queriam que ele terminasse o show no hor\u00e1rio combinado. No dia seguinte, gravou um envergonhado pedido de desculpas, possivelmente depois de uma senhora dura da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53335\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin15-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O domingo come\u00e7ou com sol, com a lama da noite anterior j\u00e1 seca, e muito mais gente que o s\u00e1bado. O n\u00famero oficial divulgado pela organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 que 20 mil pessoas compareceram aos dois dias, embora nas internas alguns falassem em muitos mais. O espalhamento dos espectadores dificultava a arriscar um palpite, mas o fato \u00e9 que o \u00faltimo dia estava bastante tomado desde cedo, E os m\u00e9ritos, aparentemente, vinham do hip hop. No palco Sul, Buenos Modales, AFC e a argentina Sara Hebe j\u00e1 subiram contando com a ades\u00e3o de boa parte do p\u00fablico, e conquistaram os que ainda n\u00e3o os conheciam.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53337\" aria-describedby=\"caption-attachment-53337\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53337 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin17-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53337\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sara Hebe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Eli Almic, todos se valiam de bandas grandes, com pelo menos cinco integrantes, dando mais organicidade \u00e0s suas apresenta\u00e7\u00f5es. Hebe traz elementos de trap e puxa para uma sonoridade mais moderna, enquanto o AFC aposta no peso guitarreiro. J\u00e1 os Modales t\u00eam muito estilo, mas \u00e0s vezes \u00e9 s\u00f3 isso que eles t\u00eam. Ainda assim, a bordo de um hit ineg\u00e1vel (\u201cFlanders\u201d) e com uma massa que conhecia todas as quilom\u00e9tricas letras, mostraram que mereciam um lugar no palco principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por l\u00e1, quem movia mais gente no momento de nossa chegada era a murga roqueira Agarr\u00e1te Catalina, conhecida por suas apresenta\u00e7\u00f5es festivas e sua rela\u00e7\u00e3o com o partido esquerdista Frente Amplio. Simp\u00e1tico, mas o hip hop do palco Sul era bem melhor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53336\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin16-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom \u00e9 que eles foram sucedidos por Mimi Maura, uma das mais ricas propostas musicais dentro do reggae e do ska mundial. 20 anos de carreira, discos a rodo, uma voz inconfund\u00edvel e uma banda que inclui gente do porte de Sergio Rotman (guitarra e sax, e marido de Mimi), Fernando Ricciardi (bateria) e Hugo Lobo (trompete) \u2013 todos tamb\u00e9m dos Fabulosos Cadillacs \u2013 ela n\u00e3o conseguiu inicialmente roubar o p\u00fablico dos hip hoppers. Mas s\u00f3 inicialmente: \u201cJay Yo me Muero\u201d, \u201cQuemapuentes\u201d, \u201cSinner Man\u201d e outras p\u00e9rolas iam se sucedendo, ao ponto de que a organiza\u00e7\u00e3o deixou que estendessem o show. Da parte deste que vos escreve, a incredulidade de estar em um show que h\u00e1 mais de 15 anos queria ver era substitu\u00edda pela alegria de ver que excedia qualquer expectativa. Apesar do dia anterior ter trazido muitas \u00f3timas apresenta\u00e7\u00f5es, esse foi o momento no qual o racional perde protagonismo para o emocional e voc\u00ea deixa o movimento espont\u00e2neo do corpo falar por voc\u00ea. E \u00e9 a\u00ed, olhando para o casalzinho local fan\u00e1tico que dan\u00e7a e canta todas as m\u00fasicas ou para os novatos rec\u00e9m-convertidos que se entregam ao seu lado, \u00e9 nesse momento que voc\u00ea se lembra que, por mais que existam as selfies e a vida de segunda m\u00e3o das redes sociais, o marketing mentiroso, os pre\u00e7os abusivos, um festival ainda tem uma raz\u00e3o de ser que transcende as apar\u00eancias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53338\" aria-describedby=\"caption-attachment-53338\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53338 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin18.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin18.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin18-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53338\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cuatro Pesos de Propina<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E para a maior parte do p\u00fablico presente, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/16\/conexao-latina-cuatro-pesos-de-propina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cuatro Pesos de Propina<\/a> desempenhou papel semelhante. Entraram com moral de headliner, saudados por um p\u00fablico ansioso, e entregaram um show enguitarrado e fortemente ritm\u00edco \u2013 uma surpresa para quem esperava as nuances reggae e folk que tantas vezes apresentaram em palcos brasileiros. O show foi uma festa aut\u00eantica por parte de todos os envolvidos, que inclu\u00edam os muitos convidados que dividiram o palco com a banda: L\u00fa Ferreira e Agarr\u00e1te Catalina subiram para engrossar as vozes de \u201cMi Revoluci\u00f3n\u2019 (regravada em portugu\u00eas pela Francisco El Hombre), enquanto Sara Hebe veio quicando para a eletr\u00f4nica \u201cUmpa\u201d. Antes de executar \u201cEa Ea Apepe\u201d, o vocalista Gast\u00f3n Puentes lembrou que, enquanto o festival do ano passado rolava, \u201cest\u00e1vamos felizes aqui mas o mundo vivia um dia triste, com o resultado da elei\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d. Tamb\u00e9m arengou contra a reforma administrativa uruguaia, e pediu resist\u00eancia: a resposta foi uma como\u00e7\u00e3o intensa durante toda a can\u00e7\u00e3o, no qual at\u00e9 uma bandeira de \u201cLula livre\u201d tremulou no meio do p\u00fablico. Se o par\u00e2metro para medir o \u00eaxito de um show no festival \u00e9 o quanto a plateia participa, os \u201cCuatrope\u201d foram a segunda atra\u00e7\u00e3o mais bem-sucedida da noite.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53339\" aria-describedby=\"caption-attachment-53339\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53339 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin19.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin19.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin19-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53339\" class=\"wp-caption-text\"><em>Peyote Asesino<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do \u201cprimeiro lugar\u201d segundo esse crit\u00e9rio, Peyote Asesino entregou mais rap e hip hop, s\u00f3 que filtrado por aquele peso noventista, com direito a muita gritaria. Apesar da ineg\u00e1vel compet\u00eancia dos m\u00fasicos \u2013 entre eles os guitarristas Juan Campod\u00f3nico (tamb\u00e9m do Bajofondo e um dos principais produtores do Uruguai) e Fernando Santullo \u2013 era dif\u00edcil n\u00e3o v\u00ea-los como datados e absolutamente\u2026 comuns. N\u00e3o fosse o uso do idioma espanhol, podiam ser uma banda de qualquer parte do mundo. O p\u00fablico n\u00e3o se dispersou, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se comoveu. N\u00e3o \u00e9 porque o hip hop est\u00e1 na moda que qualquer coisa nessa linha cai no gosto geral.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53340\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin20.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin20.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin20-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por falar em prefer\u00eancias massivas, o tal do \u201crock barrial\u201d, tend\u00eancia fort\u00edssima no fim dos anos 90 e come\u00e7o dos 2000, parece estar mesmo rumando para o ostracismo. Se no primeiro ano do Cosquin charrua pululavam bandas do tipo, em 2019 s\u00f3 vieram os Ojos Locos (jogados em um hor\u00e1rio ingrato no come\u00e7o do domingo) e os Guasones, esses encerrando a programa\u00e7\u00e3o do palco sul. Sua releitura banal e vulgar do c\u00e2non dos Rolling Stones n\u00e3o agradou a quase ningu\u00e9m. Nem \u201cTan Distintos\u201d, outrora um hit infal\u00edvel, provocou muita rea\u00e7\u00e3o. Foi uma boa hora para encarar as (longas) filas de comida e buscar mais um dos hamburguinhos ruins.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53346\" aria-describedby=\"caption-attachment-53346\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53346 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin26.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin26.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin26-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53346\" class=\"wp-caption-text\"><em>Skay y Los Fakires<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">(In)devidamente alimentados, nos juntamos \u00e0 enorme aglomera\u00e7\u00e3o que saudou Skay y Los Fakires aos gritos. Bastou o primeiro tempo do riff de \u201cEl Ojo T\u00e9stigo\u201d para que o p\u00fablico explodisse e entrasse em um comportamento que, aqui nesses lados, s\u00f3 se v\u00ea em show do Iron Maiden. Cantar riffs e solos, pogar desabregadamente, entoar qualquer letra e quase ir \u00e0s l\u00e1grimas com os cavalos de batalha: \u00e9 isso que acontece em uma apresenta\u00e7\u00e3o da banda comandada por Skay Bellinson. Ex-integrante dos Los Redondos, um fen\u00f4meno quase religioso do rock argentino, o guitarrista tem um status de lenda viva, e o fato de que trouxe como convidado de luxo o guitarrista Richard Coleman (colaborador do Soda Stereo e do falecido Gustavo Cerati, e um dos maiores nomes do instrumento na Argentina) s\u00f3 aumentou o frenesi. Por mais que algu\u00e9m antipatizasse com sua banda (meu caso) ou com as letras de fantasia \u00e9pica, n\u00e3o dava para ser ranheta e n\u00e3o reconhecer estar diante de um fen\u00f4meno \u00fanico, que faz especial sentido ao vivo. E m\u00e9rito maior: a nostalgia n\u00e3o deu o tom, com arranjos renovados, vigorosos, e forte presen\u00e7a das can\u00e7\u00f5es mais recentes que gravou como solista. Brutal, como dizem os uruguaios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_53347\" aria-describedby=\"caption-attachment-53347\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-53347 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin28.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin28.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin28-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-53347\" class=\"wp-caption-text\"><em>La Vela Puerca<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite ia chegando ao fim, e no dia seguinte partir\u00edamos cedo pela estrada no caminho de volta. Por\u00e9m, ainda havia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/04\/conexao-latina-la-vela-puerca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">La Vela Puerca<\/a>, banda que era esperada com a maior quantidade de camisetas, bandeiras e \u201ccantos de torcida\u201d (a rela\u00e7\u00e3o entre rock e futebol \u00e9 pr\u00f3xima, qui\u00e7\u00e1 demasiadamente). \u00c1 banda, por\u00e9m, nos ajudou a sair em tempo de pegar os primeiros \u00f4nibus rumo a Montevid\u00e9u, pois seguiu a triste tend\u00eancia que vem exibindo nos \u00faltimos anos de soar cada vez mais chocha. Abriram com a \u00f3bvia \u201cSobre la Sien\u201d e depois tentaram empurrar as can\u00e7\u00f5es frouxas de \u201cDestilar\u201d (2018), \u00e1lbum que n\u00e3o conseguiram emplacar at\u00e9 agora. Nunca uma banda com tanta gente no palco soou t\u00e3o an\u00eamica. Talvez tivesse melhorado mais para o fim, quando seguramente recorreriam \u00e0s suas velhas (e \u00f3timas) can\u00e7\u00f5es\u2026 mas o setlist.fm me diz que nem isso fizeram. Pena. Outrora imperd\u00edveis, o La Vela tornou-se an\u00f3dino, e se assim seguir, logo virar\u00e1 dispens\u00e1vel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53342\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin22.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin22.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin22-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no caminho de volta, o sil\u00eancio da estrada ajuda a refletir algumas coisas. No Cosquin Rock argentino de 2018, encontrei um jornalista cordob\u00eas veterano que, no backstage, me provocava: \u201ccomo isso aqui pode ser rock, se n\u00e3o tem risco nenhum? Est\u00e1 tudo patrocinado, seguro, nada vai acontecer fora do script. E o rock precisa do risco\u201d. Verdade. Assim sendo, \u00e9 justo dizer que a edi\u00e7\u00e3o uruguaia de 2019 trouxe muito pouco risco \u2013 o que implicaria em muito pouco rock. Nesse sentido, os Babas\u00f3nicos \u2013 seguramente os mais \u201csuaves\u201d desses dois dias \u2013 foram mais roqueiros que todos, seguidos pelos Buenos Muchachos. Mas tamb\u00e9m seria tolice (e chatice) desprezar o poder de Skay y Los Fakires e Cuatro Pesos de Propina, renegar a alegria causada por Mimi Maura, ou a surpresa dos bons hip hoppers como Eli Almic e os MCs que batalharam. Seria est\u00fapido at\u00e9 mesmo negar a divers\u00e3o genu\u00edna provocada por Aterciopelados, Los Prolijos e Kchiporros, entre outros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53344\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin24.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin24.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin24-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que serve um festival? Se \u00e9 para apresentar m\u00fasica nova e confirmar (ou n\u00e3o) a consagrada, como prop\u00f4s Jos\u00e9 Palazzo, o objetivo foi cumprido com sucesso. Se \u00e9 pela \u201cexperi\u00eancia\u201d, essa \u00e9 individual, e nesse aspecto, posso garantir que os tr\u00eas que estavam naquele carro tiveram sua pr\u00f3pria viv\u00eancia, com repercuss\u00f5es diferentes para cada um, e \u00e9 certo que n\u00e3o fomos os casos isolados. Se \u00e9 pela \u201ccomida\u201d, como tamb\u00e9m disse o fundador, a\u00ed sim foi um fracasso miser\u00e1vel. Despido do discurso marqueteiro e da necessidade de viver para a aprova\u00e7\u00e3o em redes sociais, o Cosquin Rock Uruguai de 2019 mostrou-se um festival rico, cativante e com potencial para ser mais do que um evento comercial. Quem sabe em 2020, n\u00e3o estar\u00e3o outros malucos ali na estrada querendo conferir isso de perto?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53345\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin25.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin25.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cosquin25-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Segundo seu criador, Jos\u00e9 Palazzo, o Cosqu\u00edn Rock \u00e9 baseado no trip\u00e9 \u201ccomida, experi\u00eancia e m\u00fasica\u201d. A comida, deixou bastante a desejar, mas a m\u00fasica cumpriu sua tarefa com grandes shows de Buenos Muchachos, Babas\u00f3nicos, Skay y Los Fakires, Cuatro Pesos de Propina, Mimi Maura e Eli Almic.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/12\/com-grandes-shows-e-pessima-comida-cosquin-rock-uruguai-2019-se-mostra-cativante\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":53321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4070,2584,222,1513,4069,45,4073,4065,4063,4075,4068,81,4072,4066,4067,1922,4076,4074,4064,4071,4077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53318"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53318"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53383,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53318\/revisions\/53383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}