{"id":53250,"date":"2019-10-07T11:08:31","date_gmt":"2019-10-07T14:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53250"},"modified":"2019-11-11T02:11:31","modified_gmt":"2019-11-11T05:11:31","slug":"entrevista-manoel-magalhaes-e-a-felicidade-de-lancar-um-disco-imensamente-triste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/07\/entrevista-manoel-magalhaes-e-a-felicidade-de-lancar-um-disco-imensamente-triste\/","title":{"rendered":"Entrevista: Manoel Magalh\u00e3es e a felicidade de lan\u00e7ar um disco triste"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 2018, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0OZfJVWUQ2J7R4Q7s6Qbia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consertos em Geral<\/a>\u201d \u00e9 o belo disco de estreia do itaperunense Manoel Magalh\u00e3es, ap\u00f3s trabalhos com as bandas <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/4u78apIUnVdlTTPLwHEVFL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Polar<\/a> e <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/7n7lcKO8out5UWWm8aqhNP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Harmada<\/a>. Na \u00e9poca em que essa entrevista foi realizada, em janeiro de 2019, o disco j\u00e1 despontava na vota\u00e7\u00e3o de melhores do ano do Scream &amp; Yell (o que se confirmou, pois ele ficou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/21\/os-50-melhores-discos-de-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entre os 20 discos nacionais mais votados do ano<\/a>), e o acaso da primeira pergunta desta entrevista soa, quase nove meses depois, at\u00e9 interessante, pois essa entrevista demorou para sair&#8230; Decupar entrevista \u00e9 um processo dif\u00edcil, poderia alegar o jornalista, pois \u00e9 muito doloroso, mas n\u00e3o chega nem perto da dor de criar e desenvolver uma persona art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seu disco de estreia, Manoel Magalh\u00e3es enfrentou esse processo dif\u00edcil, doloroso, e acena, na conversa franca que voc\u00ea encontra abaixo (regada a cervejas e muitas risadas), que n\u00e3o quer estender por toda a sua vida, mas que ainda tem uns tr\u00eas discos pela frente antes de dizer \u201cdeu\u201d. Tudo isso porque, segundo ele, \u201ch\u00e1 uma necessidade art\u00edstica de procurar alguma coisa e de dizer determinadas coisas. Mas acho que isso se esgota. Para mim, esse \u00e9 o problema da liga\u00e7\u00e3o entre arte e entretenimento. Porque quando vira entretenimento, o cara fica com a obriga\u00e7\u00e3o de fazer, e esgota\u201d. E ele quer resolver suas quest\u00f5es com a m\u00fasica antes desse esgotamento que coloca muita carreira no piloto autom\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m desse tema, a conversa abaixo passeia por outros temas, como o segundo disco da Harmada (\u201cOlha isso, que milagre, quase 10 anos depois (risos)&#8230;\u201d), a heran\u00e7a maldita da gera\u00e7\u00e3o do rock nacional dos anos 80 que fez muita gente confundir o fazer com o \u201cfazer sucesso\u201d, o acaso que resultou na bonita capa do disco (e tamb\u00e9m em seu nome), o espa\u00e7o das can\u00e7\u00f5es de amor no mundo moderno, o sucesso de streaming da faixa vingativa \u201cAzar\u201d (em janeiro ela j\u00e1 estava com mais de 100 mil plays no Spotify), o perigo da nostalgia na m\u00fasica pop (\u201c\u00c9 o que as pessoas querem ver, e voc\u00ea vira escravo do que as pessoas querem ver\u201d) e a felicidade resultante de lan\u00e7ar um disco imensamente triste. Fala, Manoel!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manoel Magalh\u00e3es - Consertos em Geral (2018) (Full Album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pyQyiOyMo04?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Demorou para sair esse primeiro disco, hein?<\/strong><br \/>\nDemorou. Comecei a trabalhar nele em 2014&#8230; e \u00e9 (um processo) dif\u00edcil. D\u00e1 muito trabalho e eu demoro muito para fazer essas coisas. Estou tentando trabalhar mentalmente como n\u00e3o demorar tanto tempo (risos). Pois \u00e9 um processo muito doloroso. Primeiro voc\u00ea escuta a m\u00fasica, e gosta. Passa dois dias e voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o gosta tanto. Dai era uma vez a certeza se \u00e9 uma m\u00fasica que vale a pena&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A autocritica vem t\u00e3o r\u00e1pido assim?<\/strong><br \/>\nVem, vem. Dois dias e voc\u00ea j\u00e1 fala: \u201cHummm, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom isso n\u00e3o\u201d. Da\u00ed fico querendo mudar algo (na m\u00fasica) para ver se vou voltar a achar que era bom de novo. Demora muito tempo para eu achar que vai ser uma m\u00fasica que (vale a pena)&#8230; Mas ao mesmo tempo, tem uma coisa muito boa, que com o distanciamento do tempo, voc\u00ea come\u00e7a a pensar: \u201cP\u00f4, n\u00e3o era t\u00e3o ruim quanto eu estava achando&#8230;\u201d (risos). S\u00f3 que, por outro lado, sempre rola a ideia do \u201ctenho certeza de que posso fazer muito melhor\u201d. E \u00e9 um sentimento bom, o tempo \u00e9 bom para isso e por isso acho que demora. Para se ter uma certa certeza&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ou seja, esse grupo de can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum \u201cConsertos em Geral\u201d passou por um longo crivo&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, bastante. Ainda que seja um crivo absolutamente subjetivo, pois \u00e9 o que me deixa satisfeito com o que eu gosto em m\u00fasica. Voc\u00ea tamb\u00e9m, que \u00e9 apaixonado por m\u00fasica, tamb\u00e9m deve ter isso, essa sensa\u00e7\u00e3o de ouvir um disco quando voc\u00ea era moleque e, sei l\u00e1, faixa 3, e voc\u00ea louco por ela, ouvia e voltava e ouvia de novo. A minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que estou sempre procurando fazer essa faixa 3, um disco inteiro de faixa 3. E no \u201cConsertos em Geral\u201d, todas para mim s\u00e3o faixas 3. E \u00e9 estranho&#8230; Por exemplo, fui tocar dia desses, e algumas m\u00fasicas do disco s\u00e3o t\u00e3o faixa 3 que \u00e9 estranho refaze-las (ao vivo). \u00c9 uma coisa muito pessoal mesmo. E acho que \u00e9 isso: faixa 3 \u00e9 uma vis\u00e3o muito pessoal do que \u00e9 bom para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea gravou o disco?<\/strong><br \/>\nPrimeiro fiz todas as bases sozinho. Montei uma estrutura que consigo fazer em casa tranquilo. Mas a partir do momento em que gravei todas as bases, fiquei com medo dessa autocritica me paralisar, de talvez eu parar e nunca fazer. O que \u00e9 muito poss\u00edvel, com m\u00fasica, pois a autocritica te pega de uma maneira t\u00e3o pesada que voc\u00ea n\u00e3o anda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na minha percep\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes acho que \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas voc\u00ea, mas outros parceiros de gera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passam. Acredito que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/24\/tres-discos-zeca-baleiro-dario-julio-os-franciscanos-odair-jose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dary Jr.<\/a> passa por isso, acho que Beto Cupertino sofre disso, que s\u00e3o caras t\u00e3o geniais quanto voc\u00ea, e que tem uma musicalidade, mas tamb\u00e9m tem uma autocritica que os impedem de ficar lan\u00e7ando disco todo ano&#8230; embora voc\u00eas tr\u00eas pudessem lan\u00e7ar disco todo ano, mas demora para sair o primeiro disco, e voc\u00ea n\u00e3o sabe quando vai sair o segundo&#8230;<\/strong><br \/>\nPensando bem friamente, o ideal \u00e9 que n\u00e3o demorasse muito tempo para sair o segundo (disco). \u00c9 quase um processo de amadurecimento para confrontar isso de uma forma mais humana e pragm\u00e1tica. Mas ter demorado tamb\u00e9m foi bom, sabia. Porque, geralmente, todo ano tem aquele artista que surge (do nada), mas eu sempre gostei de artistas que demoraram para ser o que s\u00e3o, porque existe um processo que \u00e9 demorado. No meu caso, foi bom ter demorado porque acho que estou maduro para as duas coisas: ter feito um disco que me deixa feliz com ele e pensar como fazer um segundo melhor sem demorar esse tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a segunda parte do processo?<\/strong><br \/>\nDepois que fiz todas as bases, fiquei com medo, mesmo. E pensei: \u201cVou ter que chamar algu\u00e9m para dividir essa responsa aqui porque talvez eu n\u00e3o consiga ficar bem com isso sozinho\u201d. E foi ai que chamei o Clower Curtis, que \u00e9 o cara que produziu o EP da Polar (nota: primeira banda de Manoel, &#8220;uma das bandas mais interessantes do cen\u00e1rio carioca recente&#8221;, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/polar.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cravava o Scream &amp; Yell em 2005<\/a>), para tocar comigo e me ajudar a terminar o disco. Ele tem um est\u00fadio na Cinel\u00e2ndia, no Rio, e ao inv\u00e9s de ficar em casa, passei a ir l\u00e1 e come\u00e7amos a fazer o disco juntos. Come\u00e7amos a colorir as bases que eu havia feito em casa, colocar um viol\u00e3o aqui, uma guitarra l\u00e1, um teclado. O \u201cConsertos em Geral\u201d \u00e9 um disco de composi\u00e7\u00f5es minhas, mas, como banda, somos n\u00f3s dois. Foi muito bom. Me deu uma seguran\u00e7a al\u00e9m de uma sensa\u00e7\u00e3o de que fazer esse disco em duas pessoas, me permite pensar que o pr\u00f3ximo eu possa fazer sozinho. Porque tem coisas que s\u00f3 est\u00e3o na sua cabe\u00e7a, e voc\u00ea fica buscando aquele som, e quando voc\u00ea chegar nele ser\u00e1 o grande dia da sua vida. Quando se trabalha com outra pessoa, ela pode chegar com uma sugest\u00e3o que \u00e9 at\u00e9 melhor do que a sua, mas para ficar feliz e completo&#8230; acho que agora est\u00e1 rolando essa coragem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tem disco da Harmada no caminho, certo?<\/strong><br \/>\nTem, j\u00e1 est\u00e1 quase pronto. Olha isso, que milagre, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/05\/23\/entrevista-harmada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">quase 10 anos depoi<\/a>s (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea lida com a banda?<\/strong><br \/>\nDe uma forma muito tranquila. Porque a gente percebeu e decidiu que a banda n\u00e3o \u00e9 uma banda que ir\u00e1 nos dar dinheiro, n\u00e3o temos esse talento de vendedores, sabe. Nunca foi nosso foco. E a sensa\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 de que eu n\u00e3o quero ficar mexendo com m\u00fasica durante um longo per\u00edodo da minha vida. Acho que quando chegar nos 40 e alguma coisa, vou dizer \u201cvaleu\u201d&#8230; Eu me programo para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/pms_cnts\/rainermariarilke.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rainer Maria Rilke<\/a> fala um pouco sobre isso no \u201cCartas a Um Jovem Poeta\u201d, de como a arte (no caso, a poesia) pode consumir a pessoa. E ele instru\u00ed o aprendiz dele a largar tudo, numa coisa tipo \u201cse a poesia te consome tanto, abandona ela. Se for s\u00f3 algo passageiro, passar\u00e1. Mas se voc\u00ea \u2018precisar\u2019 escrever, voc\u00ea voltar\u00e1\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nO bom de largar tudo \u00e9 quando voc\u00ea fez tudo o que voc\u00ea achava que tinha que fazer. Eu quero largar com a tranquilidade de ter feito. O ruim, e vejo muito isso na minha gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 que acho que muitas pessoas est\u00e3o com a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o fizeram o que tinham que fazer. Porque \u00e9 duro&#8230; Nasci nos anos 80 onde tinha uma ind\u00fastria do disco, as bandas que a gente viu quando \u00e9ramos moleques s\u00e3o bandas que viviam de m\u00fasica e se tornaram artistas consagrados. Crescemos com esse padr\u00e3o de que se fizermos algo bom, teremos reconhecimento. O que \u00e9 um grande engano. E acho que isso deprimiu muita gente no final dos anos 90 e nos anos 2000, porque as pessoas achavam que s\u00f3 era fazer, com muito esfor\u00e7o, que o reconhecimento iria vir, e n\u00e3o \u00e9 assim. A gente sabe que n\u00e3o \u00e9 assim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica pop tem in\u00fameros exemplos disso e muitas vezes acho que \u00e9 inoc\u00eancia&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma absurda inoc\u00eancia, mas que foi alimentada na cabe\u00e7a das pessoas por muito tempo, uma ideia rom\u00e2ntica do que s\u00e3o as coisas, e que na verdade n\u00e3o s\u00e3o. N\u00e3o fica achando que voc\u00ea vai ser diva, porque nem todo mundo nasceu pra ser Caetano. As pessoas se frustram muito (com isso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas s\u00e9rio que, sei l\u00e1, aos 60 anos, voc\u00ea com viol\u00e3o, as m\u00fasicas vindo e&#8230; n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nS\u00e9rio, tenho certeza que n\u00e3o. H\u00e1 uma necessidade art\u00edstica de procurar alguma coisa e de dizer determinadas coisas. Mas acho que isso se esgota. Para mim, esse \u00e9 o problema da liga\u00e7\u00e3o entre arte e entretenimento. Porque quando vira entretenimento, o cara fica com a obriga\u00e7\u00e3o de fazer, e esgota. Os grandes artistas que a gente gosta, eles tem per\u00edodos de cria\u00e7\u00e3o maravilhosos, que geralmente s\u00e3o quando eles est\u00e3o colocando em pr\u00e1tica essa necessidade de expor, mas quando vira trabalho, quando tem que ter a turn\u00ea para ter dar dinheiro para manter determinado estilo de vida, a coisa toda se esgota. \u00c9 muito problem\u00e1tico. E me deprime muito ver gente de que gosto e que desandou por isso, porque virou obriga\u00e7\u00e3o de fazer. Estou fazendo muito esfor\u00e7o para fazer tudo o que tenho que fazer, porque d\u00f3i pra caramba, d\u00f3i muito. Fiquei uns seis meses sofrendo sem saber se esse disco ia sair. \u00c9 preciso que voc\u00ea confronte muito a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o do que \u00e9 a coisa. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea est\u00e1 aqu\u00e9m daquilo que voc\u00ea quer fazer, d\u00f3i muito. E acho que \u00e9 por isso que as pessoas desistem tanto. Porque \u00e9 doloroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No texto que o Bruno Capelas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/04\/04\/musica-consertos-em-geral-de-manoel-magalhaes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escreveu sobre o disco para o Scream &amp; Yell<\/a>, ele reflete um pouco sobre essa ideia do espa\u00e7o das can\u00e7\u00f5es de amor. E num dos seus shows que vi, voc\u00ea perguntava para o p\u00fablico: \u201cVoc\u00eas querem ouvir isso mesmo?\u201d (risos). Voc\u00ea acha que h\u00e1 espa\u00e7o para essas can\u00e7\u00f5es de amor densas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma pergunta muito dif\u00edcil. Porque tanta coisa influi nisso. Tivemos um per\u00edodo em que o Brasil era ultrarrom\u00e2ntico, as r\u00e1dios eram assim, os artistas populares eram assim, havia o Roberto Carlos e a gente tem essa tradi\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, houve uma mudan\u00e7a geracional que \u00e9 complexa. Hoje em dia, o conceito de amor \u00e9 dif\u00edcil. Eu mesmo nem sei o que representa o amor para essa gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pergunta muito dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m n\u00e3o posso me furtar a fazer essas can\u00e7\u00f5es. Acho, inclusive, que estou mais feliz fazendo isso. At\u00e9 porque houve algumas cr\u00edticas que fizeram ao disco de que gostei muito, avaliando que o disco era uma colet\u00e2nea de r\u00e1dio de can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas de amor. O Cleber, do Miojo Indie, <a href=\"http:\/\/miojoindie.com.br\/resenha-consertos-em-geral-manoel-magalhaes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">falou isso<\/a>, e a Julianna S\u00e1, que \u00e9 produtora e tinha um programa \u00f3timo de r\u00e1dio no Rio, o Radar, tamb\u00e9m fez um coment\u00e1rio que ia por esse lado. Eu fiquei feliz, pois \u00e9 isso mesmo. \u201cPara Gravar na Sua Secretaria Eletr\u00f4nica\u201d \u00e9 uma musica dessas, um balad\u00e3o pop de r\u00e1dio, aquela coisa meio Roberto Carlos para o cara ficar chorando sozinho, voc\u00ea vai no karaok\u00ea e t\u00e1 l\u00e1 ele cantando a m\u00fasica sozinho, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 essa&#8230; E eu n\u00e3o sei n\u00e3o ser assim, mas acho isso muito bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o fato do disco ter entrado na lista dos 25 mais votados do Scream mostra que h\u00e1 uma galera que ouviu (n\u00e3o sei se chorou) e reconhece a qualidade dele. E isso independente do alcance, porque o \u201cConsertos em Geral\u201d n\u00e3o fez o mesmo caminho do que o disco do Baco (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/21\/os-50-melhores-discos-de-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que foi eleito disco do ano<\/a>), o que deixa a quest\u00e3o: se todo mundo que ouviu o disco do Baco tivesse ouvido o seu (e todos os demais, igualitariamente), o resultado n\u00e3o poderia ser diferente? O disco do Baco foi o disco hypado do ano, o disco que chegou na galera&#8230;<\/strong><br \/>\nPara o tipo de artista que eu sou, chegar numa coisa dessas, e estou muito tranquilo com isso, \u00e9 preciso estar no radar durante um tempo, entende. Porque o Baco chegar e virar essa parada \u00e9 normal, pois \u00e9 o som do agora, \u00e9 o som que as pessoas querem, e, de repente, daqui a 10 anos ningu\u00e9m mais vai saber quem \u00e9 Baco. J\u00e1 vimos isso diversas vezes. J\u00e1 para o tipo de som que eu fa\u00e7o, para o que foco que ele tem, acho mais f\u00e1cil permanecer no radar passo por passo. \u00c9 preciso continuidade. Para que quando eu chegar no quarto disco, talvez&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53251\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adorei a capa do disco&#8230;<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 estava com o disco quase pronto, e n\u00e3o tinha nome. N\u00e3o sabia o que seria a capa tamb\u00e9m. Eu achava que como \u00e9 o meu primeiro disco solo, o primeiro passo nessa caminhada de me firmar, eu tinha que aparecer na capa. Porque rola um processo&#8230; de \u201cvamos ter coragem aos poucos\u201d. O Baco \u00e9 um artista, eu n\u00e3o me sinto um artista, e sim um compositor que canta (risos). Ent\u00e3o eu tinha que estar na capa para come\u00e7ar essa afirma\u00e7\u00e3o. E o grande respons\u00e1vel por essa capa <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yuridecastro_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e9 o Yuri de Castro<\/a>. Ele fotografou essa sapataria, e o letreiro \u00e9 \u201cSapataria Lisboa \/ Consertos em Geral\u201d. Na hora que vi a foto, pensei: essa \u00e9 a capa do disco. Tem um banquinho ali, que tamb\u00e9m est\u00e1 na capa do disco, e eu vi a imagem do Jo\u00e3o Gilberto sentado ali naquele banquinho fazendo as coisas dele. Ainda pensei: \u201cConsertos em Geral\u201d \u00e9 o nome, porque \u00e9 um disco sobre composi\u00e7\u00e3o, e como s\u00e3o can\u00e7\u00f5es de amor, na minha cabe\u00e7a era uma homenagem aos compositores. Porque a ideia \u00e9 de que a m\u00fasica vira uma ferramenta para consertar o que voc\u00ea est\u00e1 sentindo. \u00c9 um conserto afetivo. De alguma forma, a m\u00fasica te acerta tanto. Nem a psicanalise consegue isso dessa maneira. Gostei da met\u00e1fora dessa coisa de ter uma loja de consertos afetivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro dessa homenagem a compositores, quem s\u00e3o as suas influ\u00eancias?<\/strong><br \/>\nJards Macal\u00e9 \u00e9 um. Ele n\u00e3o \u00e9 muito popular, mas tem can\u00e7\u00f5es que me tocaram muito e, de alguma forma, orbitam o meu imagin\u00e1rio, como \u201cMovimento dos Barcos\u201d. <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/renato_teixeira.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renato Teixeira<\/a> \u00e9 outro. Pode ver que tem sanfona, tem viola caipira no disco. A \u201cDomicilio\u201d \u00e9 uma homenagem a ele. O Almir Sater tamb\u00e9m. E ele tem essa coisa da tradi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da m\u00fasica pop. Um disco dele que tem haver com o meu nesse sentido \u00e9 o \u201cSete Sinais\u201d (2007), eu fiquei ouvindo muito esse disco. \u00c9 o tipo de balada que eu gosto, n\u00e3o \u00e9 ultra regional, \u00e9 mais balada can\u00e7\u00e3o mesmo. Sou muito f\u00e3 do Almir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea estava fazendo o disco da Polar, l\u00e1 em 2005, voc\u00ea vislumbrava o \u201cConsertos em Geral\u201d dentro de voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o. A Polar \u00e9 de um tempo que, para quem vivia no Rio, todo mundo achava que seria a pr\u00f3xima parada. Ent\u00e3o teve o rock nacional nos anos 80, o manguebeat nos anos 90, e no Rio, real isso, todo mundo achava que iria ser a pr\u00f3xima bolacha do pacote. E isso aconteceu justamente no per\u00edodo da queda das gravadoras. At\u00e9 n\u00e3o duvido de que aquela gera\u00e7\u00e3o pudesse ter vingado, porque as gravadoras est\u00e3o no Rio, e voc\u00ea tinha, sei l\u00e1, 50 bandas muito boas circulando. A gente s\u00f3 pensava isso: \u201cVai acontecer alguma coisa\u201d. Por\u00e9m, n\u00e3o sei se chega a 10 que lan\u00e7aram um disco completo. E desses 10 deve ter uns cinco, no m\u00e1ximo, que continuaram, fizeram um segundo. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/01\/29\/disco-da-semana-24\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lasciva Lula<\/a> fez um disco&#8230; e acabou. Reverse tamb\u00e9m, mas assinou com grande gravadora e ela n\u00e3o fez nada. Havia muitas bandas boas naquela \u00e9poca, mas as pessoas amarram muito o fazer ao \u201cfazer sucesso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse, talvez, seja o lado ruim dos rock nacional dos anos 80, a heran\u00e7a maldita, essa coisa de fazer com que quem monte uma banda j\u00e1 sonhe em se tornar rock star.<\/strong><br \/>\nE viver de m\u00fasica \u00e9 algo muito suado. E \u00e9 a responsabilidade de fazer porque tem que fazer. Ter disco porque tem que ter turn\u00ea. E quando come\u00e7a a entrar dinheiro, tem um monte de gente na cola dele, trabalhando com ele, e ele n\u00e3o pode deixar esse pessoal na m\u00e3o. Dai voc\u00ea ouve os casos de cara de banda processando artista, e isso fica t\u00e3o distante do \u201cfazer m\u00fasica\u201d que se torna muito complicado. Artista virar empresa, em m\u00fasica, \u00e9 muito complicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso me lembra <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/05\/03\/loudquietloud-a-film-about-the-pixies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">do document\u00e1rio do Pixies<\/a>, o quanto \u00e9 constrangedor olhar aquelas quatro pessoas no camarim que n\u00e3o conseguem conversar entre si&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 muito triste. E eles se veem obrigados a continuar porque muita gente depende daquele dinheiro&#8230; \u00c9 tipo o Ira!, que \u00e9 Ira! sem ser Ira!, pois n\u00e3o \u00e9 mais a mesma banda, mudou. E ent\u00e3o voc\u00ea encontra um CD de melhores m\u00fasicas do Ira! <a href=\"https:\/\/http2.mlstatic.com\/cd-ira-os-maiores-sucessos-D_NQ_NP_649270-MLB30398106620_052019-F.webp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com cinco caras na capa<\/a> sendo que s\u00f3 dois deles tocam naquelas m\u00fasicas. Os outros tr\u00eas est\u00e3o simbolizando um som que eles nunca fizeram. E por mais que voc\u00ea coloque esses caras para reproduzir a m\u00fasica ao vivo, n\u00e3o \u00e9 a mesma m\u00fasica. Isso \u00e9 muito triste do showbusiness.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, e escrevi sobre isso na resenha do show do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/15\/ao-vivo-nick-cave-the-bad-seeds-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nick Cave em S\u00e3o Paulo<\/a>. Ele estava l\u00e1 mostrando o agora dele, as m\u00fasicas novas, o momento p\u00f3s-perda do filho. Ele \u00e9 uma rara exce\u00e7\u00e3o porque 90% da m\u00fasica pop lida com nostalgia. De Roger Waters a LCD e Los Hermanos, \u00e9 tudo uma celebra\u00e7\u00e3o do passado. Para cada <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/28\/show-courtney-barnett-no-brasil-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Courtney Barnett<\/a>, uma multid\u00e3o de bandas pagando tributo ao pr\u00f3prio passado.<\/strong><br \/>\nE \u00e9 o que as pessoas querem ver, e voc\u00ea vira escravo do que as pessoas querem ver. S\u00e3o raros os que conseguem fugir disso. Jack White \u00e9 um deles: \u201cVoc\u00eas pagaram para me ver, certo. Ent\u00e3o eu vou fazer o que eu quero\u201d. \u00c9 raro, \u00e9 muito raro. Nisso eu tiro o chap\u00e9u para o Caetano. Ele tem a coragem de continuar a fazer as coisas dele, o que j\u00e1 o torna mais corajoso do que o Chico e o Gil. O Chico, para mim, j\u00e1 poderia ter deixado de fazer discos e se concentrado na carreira de escritor, que \u00e9 o que ele realmente gosta, mas ficou ref\u00e9m do que ele movimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao \u201cConsertos em Geral\u201d, e esse papo de \u201cAzar\u201d ser a m\u00fasica mais tocada no disco em streaming?<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica est\u00e1 me impressionando! \u00c9 a can\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea esperava isso? Qual can\u00e7\u00e3o voc\u00ea apostava?<\/strong><br \/>\nEu apostava em \u201cFica\u201d, e por isso coloquei ela para abrir o disco. Mas acho que a ideia que eu tenho do que \u00e9 bom \u00e9 um pouco descolada da realidade do que as pessoas acham que \u00e9 bom (risos). Eu acreditava em \u201cFica\u201d, mas acho que \u201cAzar\u201d comunica mais, tem um conceito ali, do que est\u00e1 sendo dito, que as pessoas vestem mesmo&#8230; Essa m\u00fasica chegou em gente que nem sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 uma m\u00fasica sobre vingan\u00e7a que tem muita rela\u00e7\u00e3o com esses \u00faltimos anos, em que as pessoas se sentem liberadas para dizer o que realmente sentem&#8230;<\/strong><br \/>\nRola um certo rancor, n\u00e9. Essa coisa de aplicativo, de relacionamentos ef\u00eameros, gera um certo rancor, porque as pessoas sempre est\u00e3o com raiva das outras. Mas sempre digo: a gente sempre tem algu\u00e9m que a gente acha que trouxe azar total pra nossa vida, mas na verdade todo mundo leva azar para a vida de algu\u00e9m. Inclusive n\u00f3s. \u00c9 natural. A gente tende a culpar o outro e essa m\u00fasica fala sobre isso. Acho que \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 confort\u00e1vel falar que foi muito azar encontrar algu\u00e9m. Pretendo fazer um clipe legal pra ela&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegamos na parte \u201cfuturo\u201d da entrevista&#8230;<\/strong><br \/>\nSe a gente conseguir fazer esse clipe acredito que isso possa dar uma sobrevida para o disco, talvez leva-lo para gente que n\u00e3o o conhe\u00e7a ainda. Montei uma banda para toca-lo ao vivo, mas tamb\u00e9m quero criar tarimba para defend\u00ea-lo s\u00f3 no viol\u00e3o. Tocar voz e viol\u00e3o exp\u00f5e voc\u00ea demais. Tenho tentado focar nisso at\u00e9 para cada vez mais fazer um show melhor, ter dom\u00ednio, porque isso \u00e9 uma arte. E conseguir esse dom\u00ednio \u00e9 necess\u00e1rio. \u00c9 um amadurecimento. E tamb\u00e9m \u00e9 mais f\u00e1cil de viabilizar, pois levar banda completa \u00e9 sempre mais dif\u00edcil e eu quero circular. Mas ao mesmo tempo quero tocar as outras coisas, o disco da Harmada est\u00e1 quase pronto e quero lan\u00e7a-lo no segundo semestre. E o pr\u00f3prio \u201cConsertos\u201d abre a possibilidade de que a Harmada seja ouvida de novo. Ainda assim, n\u00e3o quero demorar muito para fazer o pr\u00f3ximo disco solo. Estou trabalhando nisso, nessa busca pela can\u00e7\u00e3o, em dar um passo \u00e0 frente. As coisas est\u00e3o caminhando e estou muito feliz porque existe certa dificuldade de passar determinado limite que acho que j\u00e1 dei uma cabe\u00e7adinha para fora. Ent\u00e3o agora \u00e9 se esfor\u00e7ar e ir al\u00e9m&#8230; mas estou muito contente porque as coisas est\u00e3o caminhando na velocidade que elas tem que caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 realmente muito contente em lan\u00e7ar um disco triste pra caralho? (risos)<\/strong><br \/>\n\u00c9 s\u00f3 o que eu sei fazer (risos). Eu nem sei como fazer m\u00fasica feliz. O Pedro Antunes comentou isso <a href=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/noticia\/rolling-stone-brasil-os-50-melhores-discos-nacionais-de-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na lista de 50 discos do ano da Rolling Stone<\/a>: &#8220;Esse \u00e9 um daqueles discos para abra\u00e7ar debaixo do chuveiro para disfar\u00e7ar as l\u00e1grimas&#8221;. E isso de alguma forma \u00e9 uma chave para entender tudo, a busca por encontrar esse tipo de pessoa que, em 2019, vai ouvir um disco triste e&#8230; se emocionar. Tem p\u00fablico para isso, mas para chegar nele, demora. Tem um amadurecimento mesmo. E tem que ter muita for\u00e7a para continuar fazendo e ir aguentando os solavancos. N\u00e3o \u00e9 de uma hora para outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que at\u00e9 o quarto disco chega nisso?<\/strong><br \/>\nAcho&#8230; e voltaremos a essa conversa. Quem sabe ser\u00e1 o grande dia, o \u00faltimo, a reden\u00e7\u00e3o. Acabou. Deve dar uma felicidade&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Conhe\u00e7a o cantor e compositor Manoel Magalh\u00e3es\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8TIw9flq0UY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manoel Magalh\u00e3es - &quot;Domic\u00edlio&quot; - Centro de Arte H\u00e9lio Oiticica\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KbOLzTGPRnI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manoel Magalh\u00e3es - &quot;Mentiras&quot; - Centro de Arte H\u00e9lio Oiticica\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wZnsXz_FY40?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53255\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/manoel3-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com seu disco de estreia, Manoel Magalh\u00e3es enfrentou esse processo dif\u00edcil, doloroso, de burilar uma persona art\u00edstica. Nessa conversa franca ele fala sobre isso, e tamb\u00e9m sobre o segundo disco da Harmada, a heran\u00e7a maldita da gera\u00e7\u00e3o do rock nacional dos anos 80 e muito mais!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/07\/entrevista-manoel-magalhaes-e-a-felicidade-de-lancar-um-disco-imensamente-triste\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":53252,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2704],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53250"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53250"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53250\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53640,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53250\/revisions\/53640"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}