{"id":53212,"date":"2019-10-03T08:27:43","date_gmt":"2019-10-03T11:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53212"},"modified":"2019-11-19T13:13:38","modified_gmt":"2019-11-19T16:13:38","slug":"entrevista-gustavo-sa-fala-sobre-os-21-anos-do-porao-do-rock-curadoria-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/03\/entrevista-gustavo-sa-fala-sobre-os-21-anos-do-porao-do-rock-curadoria-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gustavo S\u00e1 fala do Por\u00e3o do Rock 2.1, curadoria e mercado"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o por Marcelo Costa<br \/>\nEntrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzir um festival n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Imagine ent\u00e3o produzir 21 edi\u00e7\u00f5es do mesmo festival, lutando ano a ano para manter a chama acesa enquanto tenta entender o quiproqu\u00f3 danado que \u00e9 reunir um grupo grande de artistas debaixo de um mesmo guarda-chuva sem soar datado, novidadeiro, hipster e um tanto de outros adjetivos que n\u00e3o reconhecem o esfor\u00e7o de curadoria e produ\u00e7\u00e3o para colocar um festival em p\u00e9. Gustavo S\u00e1 est\u00e1 nessa desde 1998, quando organizou o primeiro <a href=\"http:\/\/www.poraodorock.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Por\u00e3o do Rock<\/a>, em Bras\u00edlia, um dos festivais independentes mais famosos e antigos do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Por\u00e3o do Rock at\u00e9 j\u00e1 virou livro: \u201cJ\u00e1 teve um, dois e tr\u00eas dias, gratuito e pago. At\u00e9 a 20\u00aa edi\u00e7\u00e3o, apresentaram-se 458 artistas diferentes \u2013 sendo 237 do Distrito Federal, 186 de outros 17 Estados e 35 atra\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 para um p\u00fablico total de mais de 1,1 milh\u00e3o de pessoas\u201d, resumia o release que apresentava o livro &#8220;Hist\u00f3rias do Por\u00e3o: Os 20 anos do festival Por\u00e3o do Rock&#8221;, de Pedro de Luna, lan\u00e7ado em 2018. Isso, por\u00e9m, j\u00e1 \u00e9 passado \u2013 a dor e a del\u00edcia do curador de festival \u00e9 que assim que uma edi\u00e7\u00e3o termina, outra come\u00e7a no segundo seguinte. A roda precisa girar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell j\u00e1 esteve no Por\u00e3o do Rock algumas vezes: \u201cPapo reto: das \u00faltimas tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do Por\u00e3o do Rock em que o Scream &amp; Yell esteve presente, esta edi\u00e7\u00e3o de 2016 foi, disparada, a melhor. Sem concorr\u00eancia. Nem que juntasse as edi\u00e7\u00f5es de 2014 e 2015. A estrutura de palcos permaneceu a mesma, mas o que fez a diferen\u00e7a foi um line-up muito mais caprichado (com jovens promessas agarrando a oportunidade com vontade e medalh\u00f5es surpreendendo\u201d, comentava este que vos escreve <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/03\/balanco-porao-do-rock-2016-brasilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ap\u00f3s um dia intenso de grandes shows (e algumas mudan\u00e7as)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para 2019, o Por\u00e3o precisou mudar de data, mas permanece na agenda: <a href=\"http:\/\/www.poraodorock.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nos dias 25 e 26 de outubro<\/a>, muita m\u00fasica vai rolar no Espa\u00e7o (coberto) Arena Loungek, do Est\u00e1dio Nacional Man\u00e9 Garrincha, na Capital Federal. Em um papo honest\u00edssimo com Leonardo Vinhas, o produtor Gustavo S\u00e1 fala dos desafios de fazer o festival, como funciona o esquema de curadoria e tanto a op\u00e7\u00e3o em reservar uma das datas para os \u201ccamisas pretas\u201d quanto a de cravar Criolo como headliner no segundo dia. Papo bom e boas novas: \u201cAcho que ainda tenho muita lenha pra queimar\u201d, avisa Gustavo. Ent\u00e3o, longa vida ao Por\u00e3o!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53214\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/poraogustavo1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/poraogustavo1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/poraogustavo1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Indo para 21 anos de atividade, voc\u00ea colocaria o Por\u00e3o do Rock como o mais antigo festival dedicado ao estilo no Brasil?<\/strong><br \/>\nNa verdade, n\u00e3o. O Abril Pro Rock e Goi\u00e2nia Noise s\u00e3o mais antigos. E esses s\u00e3o rock mesmo, ainda mais que o Por\u00e3o. A gente na verdade\u2026 T\u00e1 tendo uma grande movimenta\u00e7\u00e3o em torno dos festivais no Brasil, e eles est\u00e3o cada vez mais plurais. O Por\u00e3o sempre flertou com essa pluralidade, mas manteve a ess\u00eancia de ser rock. Ao contr\u00e1rio, por exemplo, do Bananada, que tem rock eventualmente, mas n\u00e3o \u00e9 essencialmente um festival de rock, de jeito nenhum. O COMA, que \u00e9 um festival legal pra cacete aqui do DF, \u00e9 mais recente e j\u00e1 nasceu sem ser rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo bem que a pergunta \u00e9 meio que discutir o sexo dos anjos, mas qual \u00e9 a tua defini\u00e7\u00e3o de rock?<\/strong><br \/>\nSe voc\u00ea analisar\u2026 O Por\u00e3o e o Abril Pro Rock e o Goi\u00e2nia abrem espa\u00e7o para bandas de metal. H\u00e1 uns anos \u2013 4 ou 5, n\u00e3o lembro de cabe\u00e7a \u2013 passamos a dedicar um palco exclusivamente para o som pesado. Esse ano a gente t\u00e1 fazendo um dia inteiro pesado, coisa que tinha feito anos atr\u00e1s e voltamos agora. No primeiro dia, que \u00e9 sexta, a banda mais leve \u00e9 Raimundos. Tem Ratos, Project 46, Dead Fish, algumas bandas locais, Escape the Fate\u2026 \u00c9 uma noite dedicada exclusivamente a isso. Na outra noite, a gente flerta com uma coisa diferente, tem outras coisas, tipo o Rincon Sapi\u00eancia. Ficamos abertos a coisas que se misturem, mas que tenham uma pegada pr\u00f3xima do rock, como Supercombo, Rumbora, o pr\u00f3prio Marcelo Falc\u00e3o. Ele era d\u2019O Rappa, que era bem roqueiro, e solo ele est\u00e1 com um som mais aberto, mas que ainda tem porrada, tem guitarra, \u00e9 rock. O meu lineup \u00e9 de 80 por cento de bandas que est\u00e3o ligadas ao rock. Mas veja que em outros anos eu trouxe o Hamilton de Hollanda, a Elza Soares. Acho que rock, por mais que seja batida a defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 atitude. Tem muita banda que toca rock e n\u00e3o \u00e9 rock e vice-versa. O show da Elza foi rock pra caralho. O Criolo, que est\u00e1 de headliner nesse ano, n\u00e3o \u00e9 roqueiro, mas \u00e9 rock na atitude, saca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa abertura a outros estilos \u00e9 uma necessidade de mercado ou uma op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica sua?<\/strong><br \/>\nUm pouco dos dois. A gente n\u00e3o pode fechar os olhos para as coisas que est\u00e3o acontecendo. O Criolo t\u00e1 num puta momento da carreira, tem uma atitude forte e fala coisas que a molecada tem que ouvir. E o rock e o hip hop est\u00e3o juntos h\u00e1 muito tempo, se voc\u00ea for ver eles est\u00e3o ali, lado a lado, a caminhada deles \u00e9 pr\u00f3xima. O Por\u00e3o rapidamente se tornou gigante. Hoje t\u00e1 menor, por v\u00e1rios motivos. Nos primeiros anos, a gente era o Carnaval dos malucos: rolava uma vez por ano, concentrava todo o desejo do roqueiro e at\u00e9 das bandas, eramos o evento do ano no Distrito Federal. Era muito grande. Mas hoje em dia, com o advento da internet e toda essa movimenta\u00e7\u00e3o do mainstream que ruiu, das gravadoras que quebraram, da venda de m\u00fasicas pela internet que voltou a dar lucro pras gravadoras, apareceu uma linha de corte entre as bandas do mainstream nacional. S\u00f3 tem banda velha no mainstream. E n\u00f3s, como um festival de p\u00fablico grande, temos que ter headliners. N\u00f3s estamos nos vendo em dificuldade de ter esses headliners sem nos tornarmos um evento repetitivo. Voc\u00ea conta nos dedos de duas m\u00e3os os headliners de fato, que trazem 5 mil pessoas, 10 mil, para v\u00ea-las \u2013 isso para manter a identidade do evento. Ent\u00e3o o Por\u00e3o hoje est\u00e1 na encruzilhada de pegar artistas novos ou artistas gringos. Vamos pegar o Criolo como exemplo de novo. N\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que o p\u00fablico do festival vai gostar dele, ele \u00e9 um cara foda, em termos de atitude e de som. Por isso eu tento procurar n\u00e3o ser repetitivo diante da escassez e tamb\u00e9m enxergar o que est\u00e1 acontecendo no mercado e que fa\u00e7am sentido estar no lineup.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse papo da renova\u00e7\u00e3o das bandas sempre vem \u00e0 tona, mas n\u00e3o existe tamb\u00e9m uma dificuldade de renovar o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nA molecada n\u00e3o quer pagar pra ver mais nada! Isso \u00e9 um problema muito s\u00e9rio. Os eventos gratuitos \u2013 que s\u00e3o importantes para democratizar o acesso \u00e0 cultura para quem n\u00e3o tem grana \u2013 agem contra o pr\u00f3prio mercado, porque com eles voc\u00ea n\u00e3o forma plateia. E a molecada t\u00e1 com pregui\u00e7a de pesquisar coisas. Quando eu era moleque, eu ia atr\u00e1s da NME, Melody Maker, viajava pra comprar discos. Hoje, voc\u00ea \u00e9 massacrado por informa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o quer ir atr\u00e1s de comprar nada, pesquisar nada. E tudo fica muito fugaz: o que t\u00e1 bombando hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais nada amanh\u00e3, n\u00e3o gera um v\u00ednculo. Eu imagino at\u00e9 que o p\u00fablico que vai estar interessado no Criolo \u00e9 a galera mais velha (ri). Mas o p\u00fablico do metal, do extremo, essa molecada \u00e9 fiel. Porque \u00e9 meio que um estilo de vida, n\u00e9? O moleque anda e age como metaleiro, s\u00f3 ouve metal, e tem um v\u00ednculo maior. \u00c9 uma molecada que se interessa mais, pesquisa mais e paga. Mas hoje tudo \u00e9 tudo e nada \u00e9 nada, n\u00e9? Voc\u00ea vai em alguns festivais que t\u00eam tudo de tudo, e nem consegue definir se \u00e9 de rock, de pop. N\u00e3o acho isso errado, \u00e9 a identidade deles. S\u00f3 que \u00e9 estranho para quem mais \u00e9 velho, como n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Paulo Andr\u00e9 (Abril Pro Rock) tamb\u00e9m diz que hoje, o festival sobrevive principalmente por causa dos \u201ccamisas pretas\u201d.<\/strong><br \/>\nE esse p\u00fablico de fato \u00e9 fiel. N\u00f3s, que somos festivais essencialmente rock \u2013 eu, Paulo Andr\u00e9 e os Leos (Razuk e Bigode) do Noise \u2013 n\u00f3s n\u00e3o combinamos, mas acabamos agindo da mesma forma: nos tornamos um pouco mais rock ainda. Nos posicionamos dessa forma. J\u00e1 que muitos festivais n\u00e3o s\u00e3o rock, fizemos isso para fazer a diferen\u00e7a, assumimos mesmo. O COMA \u00e9 um puta festival legal, mas j\u00e1 \u00e9 multifacetado. Na janela de eventos aqui de Bras\u00edlia que \u00e9 o per\u00edodo da seca (habitualmente entre maio e setembro), fica tudo relativamente pr\u00f3ximo, um evento muito perto do outro. Eu e o pessoal do COMA sentamos pra tomar um caf\u00e9 e falar sobre lineup, para n\u00e3o chocar artistas de um evento com outro, e fazer com que os festivais somem, e n\u00e3o se dividam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, a curadoria do festival \u00e9 sempre sua?<\/strong><br \/>\nNunca \u00e9 sempre s\u00f3 minha, n\u00e9? Tem a galera da ONG que trabalha comigo (nota: a ONG Por\u00e3o do Rock, dedicada a a\u00e7\u00f5es sociais e culturais), estamos sempre ouvindo coisas. Tem os grupos [de WhatsApp e redes sociais] de festivais, tem os festivais dos outros produtores [pelo Brasil]. Eu sou o que bota no papel, mas a curadoria \u00e9 viva e tem a contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias pessoas. O Alf (S\u00e1, artista solo e tamb\u00e9m do Rumbora), que \u00e9 meu irm\u00e3o, t\u00e1 me dando toques legais, tem o pessoal da Casa da Val (nota: espa\u00e7o de cultura e sustentabilidade do DF) que s\u00e3o meus colaboradores, tamb\u00e9m. Vamos todos trocando ideia, vendo qual show foi irado, e sempre atento a quem est\u00e1 circulando. Porque festival tamb\u00e9m \u00e9 engra\u00e7ado\u2026 O cara nos procura e fala: \u201colha, a banda tal t\u00e1 voltando, e quer voltar no Por\u00e3o\u201d. A gente n\u00e3o \u00e9 ressuscitador de banda, n\u00e3o! (risos) \u201cAh, \u00e9 que essa banda tem 40 anos\u2026\u201d, o cara diz. Mas se com 40 anos na estrada n\u00e3o despontou, vai ser agora? Funciona pra um revival quando voc\u00ea tem um festival bombado, mas se voc\u00ea vai depender dessa banda pra por p\u00fablico ali\u2026 t\u00e1 ferrado. A gente quer as coisas novas, que est\u00e3o rolando, e deixar os headliners para ser o povo com mais estrada. A n\u00e3o ser os hypes, claro. A gente colocou, por exemplo, o BaianaSystem, mas n\u00e3o s\u00f3 porque eram ser hype. Teve gente nos criticando, disseram que era ax\u00e9. E \u00e9 ax\u00e9 o cacete, \u00e9 um show energ\u00e9tico, divertido pra caraio. E eu nunca imaginei que a Elza ia fazer o Por\u00e3o bombar. O pensamento foi trazer uma coisa boa e diferente. A gente tem esse espa\u00e7o pra coisas assim, sempre vai ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o imagino que as redes sociais n\u00e3o sejam tanto seu term\u00f4metro&#8230;<\/strong><br \/>\nVou ser sincero: n\u00e3o me baseio por elas, n\u00e3o. Acho que s\u00e3o muito mentirosas \u2013 assim, s\u00e3o exageradas. Ali um vai na onda do outro, n\u00e3o \u00e9 uma leitura precisa pra voc\u00ea se basear como produtor. Me baseio mais no nosso feeling mesmo. Tenho um filho de 17 anos que me mostra umas coisas, ou\u00e7o os feedbacks de quem vai, temos outros canais para receber essa informa\u00e7\u00e3o\u2026 Agora, obviamente, quando divulgamos o lineup, observamos a rea\u00e7\u00e3o da galera para ver como \u00e9, funciona como um term\u00f4metro. Porra! A gente faz um post pra lan\u00e7ar o festival, e no corpo do texto a gente bota o dia, o pre\u00e7o, a hora, o local. E a primeira coisa que o filho da puta pergunta \u00e9. Quando vai ser? Quanto custa o ingresso? Ningu\u00e9m mais quer ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei como \u00e9. Eu mesmo me pergunto quase sempre pra quem eu escrevo as mat\u00e9rias enormes que saem aqui no Scream &amp; Yell.<\/strong><br \/>\n\u00c9 pra velho, pode ter certeza. Pra gente da nossa idade. Nego de hoje em dia quer ver: voc\u00ea p\u00f5e o texto e tem 50 visualiza\u00e7\u00f5es, e se p\u00f5e um v\u00eddeo, tem 500 ou muito mais. Quanto mais moleque, mais visual. Meu moleque de 7 anos, a vida dele \u00e9 o Youtube. Aprende tudo pelos tutoriais e tal. N\u00e3o l\u00ea nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falemos um pouco da cena de Bras\u00edlia. H\u00e1 algumas bandas bem boas de palco a\u00ed, como Joe Silhueta e Os Gatunos, mas os shows n\u00e3o chamam muita gente. Bras\u00edlia, que sempre foi uma lan\u00e7adora de bandas, parece estar meio ensimesmada. \u00c9 isso mesmo?<\/strong><br \/>\nVou te dizer que o sertanejo tem uma parcela de contribui\u00e7\u00e3o bem grande pra isso, porque a invas\u00e3o do sertanejo aqui no DF n\u00e3o \u00e9 brincadeira, n\u00e3o. E isso \u00e9 geral, em todas as faixas do p\u00fablico, do pe\u00e3o ao playboy de Ferrari. E a\u00ed tem um movimento muito louco: da mesma forma que a m\u00fasica eletr\u00f4nica combinou v\u00e1rios estilos numa coisa s\u00f3 pra ser pop e conseguirem embalar pra vender mundialmente \u2013 EDM ou sei l\u00e1 o nome que \u00e9 \u2013 fizeram a mesma coisa com forr\u00f3, sertanejo e ax\u00e9. Se voc\u00ea olhar esteticamente, o Luan Santana, Safad\u00e3o, essas duplas sertanejas e as bandas baianas, t\u00e1 uma coisa s\u00f3. Bras\u00edlia sempre teve uma veia muito forte do ax\u00e9, que eu odeio, acho um coc\u00f4. Milhares de amigos e amigas minhas iam, tinha a Micarecandanga que era gigante\u2026 Isso influenciou muito. A\u00ed voc\u00ea soma ao sertanejo universit\u00e1rio, esse forr\u00f3\u2026 ficou um pouco \u201cterra arrasada\u201d. Mas Bras\u00edlia tamb\u00e9m tem uma coisa que\u2026 Cara, o brasiliense paga pau pra coisa de fora, at\u00e9 porque tem muita gente de fora. Bras\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um lugar como outros, muitas pessoas que vivem na cidade n\u00e3o t\u00eam ra\u00edzes aqui. O fato de Bras\u00edlia tamb\u00e9m estar um pouco longe tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda muito. As bandas tiveram que voltar a fazer algo que tinha parado por um tempo, que era morar em SP. O Rio de Janeiro acabou, n\u00e9? Fiz dois eventos l\u00e1 e nada, deu pra ver bem como est\u00e1. \u00c9 uma loucura: uma bate\u00e7\u00e3o de carteira, tudo tem jeitinho, \u00e9 surreal. A\u00ed voc\u00ea entende porque o Rio t\u00e1 como t\u00e1. Praticamente n\u00e3o tem mais nada l\u00e1 no cen\u00e1rio roqueiro. E S\u00e3o Paulo ficou meio que exclusivo para essa movimenta\u00e7\u00e3o. A\u00ed, cara, o que acontece em Bras\u00edlia? A gente t\u00e1 do lado da Meca do sertanejo. E existe uma coisa muito s\u00e9ria, que \u00e9 a quantidade de m\u00fasicos contratados pelo sertanejo, ax\u00e9, e tals, que veio do rock \u00e9 assustadora. Pra sobreviver, ele tem que tocar com esse tipo de artista. Mas tem coisas recentes \u00f3timas, como a Joe Silhueta, que voc\u00ea falou, e que \u00e9 perform\u00e1tica, bem interessante; os Gatunos, que s\u00e3o uma festa. E tem outras coisas legais. S\u00f3 que Bras\u00edlia sempre gostou muito da m\u00fasica pesada, e a gente tem sempre \u00f3timas bandas porrada. Vejo isso pelas seletivas. As pesadas, fica at\u00e9 complicado escolher quem vai ganhar, entre hardcore, metal, crossover. \u00c9 at\u00e9 um dos motivos porque o estilo tem esse espa\u00e7o todo no festival. O som pesado normalmente n\u00e3o aparece muito no circuito. \u00c9 o Por\u00e3o, Goi\u00e2nia Noise e Abril Pro Rock. O mesmo acontece com rockabilly, surf e tals. Tem bandas bem legais desse estilo por aqui, mas todas que conhe\u00e7o j\u00e1 tocaram no Por\u00e3o do Rock. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea eles tocando muito nos outros festivais, n\u00e3o. Fora do universo porrada, psycho e surf music \u00e9 segmentado. \u00c9 lifestyle tamb\u00e9m. A galera sai, ouve, curte bastante isso, se veste, tem os carros, as motos. \u00c9 quase seita! (risos) Tem todo um cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante desse cen\u00e1rio e das dificuldades que o Por\u00e3o enfrenta, o que te faz prosseguir? O que voc\u00ea almeja com o festival al\u00e9m de, \u00e9 claro, ganhar a vida?<\/strong><br \/>\nEu fa\u00e7o outras coisas profissionalmente, outros eventos. O Por\u00e3o surgiu como uma miss\u00e3o nossa de construir uma plataforma para uma cena que n\u00e3o tinha palco. No final dos anos 1990, tinha uma porrada de banda e n\u00e3o tinha onde tocar. A miss\u00e3o do Por\u00e3o era mostrar as bandas de Bras\u00edlia. Mais do que nunca, essa miss\u00e3o se reafirma. \u00c9 mostrar pras pessoas que [aqui] \u00e9 legal. Continuar levantando a bandeira do neg\u00f3cio. E o neg\u00f3cio da m\u00fasica \u00e9 sazonal: de uma hora pra outra, o rock explode no mundo todo e a galera toda acorda roqueira (risos). \u00c9 muito louco, mas \u00e9 assim que \u00e9. Uma hora vai estar em voga de novo. Mas a gente continua fazendo nosso trabalho: com correria, com dificuldade, a crise fodeu todo mundo, mas \u00e9 o que nos d\u00e1 tes\u00e3o e nos move e vou fazer at\u00e9 quando eu aguentar. Acho que ainda tenho muita lenha pra queimar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lineup 16 de Agosto\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UJIKiFGJScY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LineUp 17 de Agosto\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fzCcwGFAsJU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em um papo honest\u00edssimo com o Scream &#038; Yell, o produtor Gustavo S\u00e1 fala dos desafios de fazer o festival, como funciona o esquema de curadoria e tanto a op\u00e7\u00e3o em reservar uma das datas para os \u201ccamisas pretas\u201d quanto a de cravar Criolo como headliner no segundo dia.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/03\/entrevista-gustavo-sa-fala-sobre-os-21-anos-do-porao-do-rock-curadoria-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":53213,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[113],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53212"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53212"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53229,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53212\/revisions\/53229"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}