{"id":53106,"date":"2019-09-24T01:08:51","date_gmt":"2019-09-24T04:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53106"},"modified":"2019-10-30T08:35:54","modified_gmt":"2019-10-30T11:35:54","slug":"tres-perguntas-the-josephines-apresenta-hope-or-broken-wings-seu-segundo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/24\/tres-perguntas-the-josephines-apresenta-hope-or-broken-wings-seu-segundo-disco\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Josephines apresenta &#8220;Hope or Broken Wings&#8221;, seu segundo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro anos atr\u00e1s, o quinteto ga\u00facho Josephines debutava <a href=\"https:\/\/josephines.bandcamp.com\/album\/josephines\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com um bonito disco cheio autointitulado<\/a> \u2013 antes, o \u00fanico registro do grupo era uma vers\u00e3o de \u201cWar on War\u201d, do Wilco, presente no \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/www.rockinpress.com.br\/wilco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A box full of versions<\/a>\u201d (2012), tributo ao disco \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d. Esse disco tributo, inclusive, foi organizado por Luiz Spinelli, guitarrista e principal compositor da Josephines, e trazia, al\u00e9m da pr\u00f3pria banda, nomes como Lestics, Harmada, The Sorry Shop, Foppa e Giancarlo Rufatto, entre outros (<a href=\"https:\/\/www.rockinpress.com.br\/wilco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">baixe aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, a Josephines retorna com &#8220;<a href=\"https:\/\/josephines.bandcamp.com\/album\/hope-or-broken-wings\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hope or Broken Wings<\/a>&#8221; (2019), seu segundo trabalho, um disco que come\u00e7ou a ser burilado em 2016, e, por isso, sofreu influ\u00eancia direta desse per\u00edodo conturbado que a democracia e os direitos humanos est\u00e3o passando na dilacerada Ilha de Vera Cruz. \u201cO peso simb\u00f3lico que traz um lado meio dist\u00f3pico nele veio aos poucos, conforme a gente se afundava cada vez mais nesse pesadelo que \u00e9 o Brasil de 2019\u201d, conta Luiz Spinelli em entrevista por e-mail.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Spinelli reflete tamb\u00e9m sobre a trajet\u00f3ria da Josephines at\u00e9 aqui (al\u00e9m dele, a banda conta com Murilo Sedrez na voz, Alex Quadros no baixo, Andr\u00e9 Rodrigues na bateria e R\u00e9gis Garcia nas teclas, percuss\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o), fala sobre influ\u00eancias e, ainda, da import\u00e2ncia de r\u00e1dios, selos e m\u00eddia independente. Apesar do lado meio dist\u00f3pico do novo disco, Spinelli avisa: \u201cN\u00e3o \u00e9 um disco panflet\u00e1rio (&#8230;), mas reflete a nossa tentativa de resistir. E tem esperan\u00e7a no nome, porque \u00e9 o que a gente precisa para seguir em frente\u201d. Confira o papo e <a href=\"https:\/\/josephines.bandcamp.com\/album\/hope-or-broken-wings\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ou\u00e7a o disco<\/a>!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Do You?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lNpKep1z8P3ClYqOPBcJhRoToFqL6eoC0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tr\u00eas anos separam &#8220;Hope or Broken Wings&#8221; de &#8220;Josephines&#8221;, o disco de estreia de voc\u00eas. Como voc\u00ea sente esse segundo disco em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro? \u00c9 uma sequencia, uma evolu\u00e7\u00e3o ou a ideia \u00e9 tatear as mesmas refer\u00eancias?<\/strong><br \/>\nEu vejo as bandas novas e a maioria delas parece que j\u00e1 surge bem resolvida no primeiro disco, com som pronto e foco bem claro, e a gente n\u00e3o \u00e9 assim. N\u00f3s come\u00e7amos a Josephines com a ideia de ser uma banda de Post-Punk, daquelas que todo mundo se veste de preto, mas por ter liberdade art\u00edstica e vontade de experimentar em est\u00fadio, no primeiro disco acabaram aparecendo outras influ\u00eancias n\u00e3o planejadas, como grunge e space rock, e a gente percebeu que na verdade o que nos influenciava era a psicodelia atrav\u00e9s do filtro dos anos 80, de bandas como Echo and the Bunnymen e The Jesus and Mary Chain, e que a gente poderia experimentar outros filtros, de anos 90, R&amp;B, Soul, alt-country, etc. Ent\u00e3o na hora de gravar o \u201cHope or Broken Wings\u201d a gente j\u00e1 tinha um pouco mais de maturidade sobre o que fazer, de continuar a explorar possibilidades nas can\u00e7\u00f5es, ainda que elas fossem bem diferentes entre si no disco, mas com um fio condutor que busca uma unidade e come\u00e7a a formar uma identidade. E isso \u00e9 um processo que a gente ainda est\u00e1 descobrindo. Ainda tem bastante das refer\u00eancias iniciais, de Velvet Underground, Dylan, Bowie, Post-Punk e Screaming Trees no nosso som, mas tamb\u00e9m j\u00e1 estamos andando por caminhos diferentes, experimentando com o filtro psicod\u00e9lico sonoridades como o Soul da Stax, post-rock e Trip-Hop. Yo La Tengo, Centro-Matic e Pink Mountaintops fizeram percursos parecidos e levaram um bom tempo pra se encontrar, a gente vai seguir procurando e j\u00e1 com curiosidade para um terceiro \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco est\u00e1 saindo com o apoio dos selos Lovely Noise e Crooked Tree Records e a Josephines tem lugar cativo na programa\u00e7\u00e3o de r\u00e1dios independentes, como a Vinil FM. Como voc\u00ea v\u00ea sente a import\u00e2ncia dessa rede de apoio e divulga\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSelos, r\u00e1dios e m\u00eddia independentes s\u00e3o essenciais pras bandas pequenas. N\u00e3o sei se tem muita gente interessada no que a gente faz, me parece que a rela\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es mais novas com a m\u00fasica \u00e9 diferente, mais de playlist do que de disco, mas dentro do que \u00e9 poss\u00edvel, sem grana e o suporte de grandes ve\u00edculos, ainda assim a gente consegue \u2013 com essa rede de apoio e amigos \u2013 disponibilizar a nossa m\u00fasica pra boa parte do que seria o nosso p\u00fablico alvo. E no outro lado, como consumidor de m\u00fasica em um n\u00edvel que talvez n\u00e3o seja exatamente saud\u00e1vel, eu acho isso a coisa mais legal da internet. De ter acesso a coisas diferentes que n\u00e3o se preocupam com sucesso comercial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No e-mail que chegou apresentando o disco, voc\u00ea escreve: &#8220;E \u00e9 a nossa vingan\u00e7a contra o Brasil de 2019, porque canalhas odeiam arte.&#8221;. Como esse per\u00edodo de trevas influenciou o disco? Ou \u00e9 apenas um propulsor para se fazer arte que n\u00e3o precisa diretamente estar conectada com os fatos tristes que vivemos?<\/strong><br \/>\nA gente sempre foi antifascista na banda. Alguns com hist\u00f3rico de tocar em grupos punk, outros por envolvimento com literatura e a academia, ou simplesmente porque somos seres humanos minimamente decentes, mas na Josephines isso entrava na tem\u00e1tica das letras mais metaforicamente, tratando de microrrela\u00e7\u00f5es humanas ou como manifesta\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias. S\u00f3 que tudo isso foi ressignificado, em forma e conte\u00fado, porque interfere diretamente nas nossas vidas. O disco come\u00e7ou a ser feito em 2016, mas o peso simb\u00f3lico que traz um lado meio dist\u00f3pico nele veio aos poucos, conforme a gente se afundava cada vez mais nesse pesadelo que \u00e9 o Brasil de 2019. N\u00e3o \u00e9 um disco panflet\u00e1rio, com palavras de ordem, mas como toda arte reflete o seu tempo e tamb\u00e9m reflete a nossa tentativa de resistir, como a gente faz no dia a dia, cada um na sua profiss\u00e3o. E tem esperan\u00e7a no nome, porque \u00e9 o que a gente precisa para seguir em frente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53108\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/josephines-preto-e-branco.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/josephines-preto-e-branco.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/josephines-preto-e-branco-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/josephines-preto-e-branco-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Hope or Broken Wings&#8221; \u00e9 o segundo disco da Josephines e est\u00e1 saindo com o apoio dos selos Lovely Noise e Crooked Tree Records. \u00c9 rock psicod\u00e9lico cheio de influ\u00eancias de um monte de coisas que a gente gosta, de The Jesus and Mary Chain e Mark Lanegan at\u00e9 Ottis Redding e Bowie. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/24\/tres-perguntas-the-josephines-apresenta-hope-or-broken-wings-seu-segundo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":53107,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4031],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53106"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53364,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53106\/revisions\/53364"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}