{"id":53037,"date":"2019-09-20T00:03:12","date_gmt":"2019-09-20T03:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53037"},"modified":"2019-10-25T00:24:15","modified_gmt":"2019-10-25T03:24:15","slug":"entrevista-teago-oliveira-fala-sobre-boa-sorte-seu-primeiro-disco-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/20\/entrevista-teago-oliveira-fala-sobre-boa-sorte-seu-primeiro-disco-solo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Teago Oliveira fala da estreia solo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago Oliveira \u00e9 conhecido por ser a voz da Maglore, banda baiana que atualmente est\u00e1 rodando Brasil numa turn\u00ea que celebra os 10 anos de atividade e de bons servi\u00e7os prestados \u00e0 m\u00fasica brasileira. Por\u00e9m, desde 2014 Teago tem projetado se lan\u00e7ar em formato solo (mantendo a banda em atividade, importante frisar). E agora, passados cinco anos, eis que temos, finalmente, o aguardado rebento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido por Leonardo Marques e o pr\u00f3prio m\u00fasico no est\u00fadio Ilha do Corvo, em Belo Horizonte, o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/teagooliveira.lnk.to\/BoaSortePR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Boa Sorte<\/a>\u201d (2019) traz Teago passeando por uma sonoridade pr\u00f3xima as matrizes da MPB e apostando em letras esperan\u00e7osas que funcionam como contraste a dura realidade em que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Teago fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o deste debute solo, a parceria com a Natura Musical e as leis de incentivo \u00e0 cultura, o conte\u00fado otimista das letras, o fato de ver\/ouvir sua voz ecoar no repert\u00f3rio de outros artistas, preconceito aos nordestinos, a atemporalidade das composi\u00e7\u00f5es da Maglore, o trabalho junto \u00e0 Leonardo Marques, a parceria com H\u00e9lio Flanders (Vanguart), planos futuros e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teago Oliveira - Bora (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OVKcGv2EEqo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/18\/entrevista-maglore-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em entrevista aqui para o Scream &amp; Yell<\/a> na \u00e9poca do &#8220;Todas as Bandeiras&#8221; voc\u00ea j\u00e1 comentava sobre o processo de prepara\u00e7\u00e3o do seu primeiro disco solo que, na \u00e9poca, seguiria uma ambi\u00eancia pr\u00f3xima ao que o Tim Bernardes fez com &#8220;Recome\u00e7ar&#8221;. Voc\u00ea sinalizou que talvez seguisse outros caminhos. Afinal o resultado final de &#8220;Boa Sorte&#8221; difere da proje\u00e7\u00e3o daquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nAcho que eu nem me dei conta disso. Acabei fazendo o que tinha que fazer sem desviar de nada que eu queria. Muitas coisas hoje possuem conex\u00f5es de alguma forma, pela quantidade de refer\u00eancias que t\u00e3o no ar. Bicho, a coisa mais inusitada foi que antes da primeira ida pra BH pra gravar o disco, uma das m\u00fasicas que eu achava que ia ser single era &#8220;Supersti\u00e7\u00e3o&#8221;, eu tinha combinado com o Leonardo Marques que esse seria um disco cheio de congas, ent\u00e3o eu iria lan\u00e7ar o primeiro single com uma foto das congas. O est\u00fadio dele \u00e9 bem vintage e bonito, estava tudo certo pra quando eu voltasse pro est\u00fadio, em abril, fazer essa foto aqui:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53038 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/teago_supersti\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"231\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente o Tame Impala lan\u00e7ou um single de &#8220;Patience&#8221; com uma foto quase igual a essa (e fizeram antes de eu retornar a BH). Obviamente eu fui chorar as pitangas pro Leo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-53040 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/teagoimpala.jpg\" alt=\"\" width=\"171\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/teagoimpala.jpg 171w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/teagoimpala-169x300.jpg 169w\" sizes=\"(max-width: 171px) 100vw, 171px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu decidi fazer a foto depois mesmo assim. Mas no final do disco, &#8220;Supersti\u00e7\u00e3o&#8221; acabou n\u00e3o saindo de single. Eu acho que v\u00e1rios m\u00fasicos e diretores de filme devem passar por essa sensa\u00e7\u00e3o bizarra de ter uma ideia e dias depois verem algu\u00e9m executar (risos). No caso do Tim, acho que temos coisas em comum (fato de ser cancioneiro pop), mas tamb\u00e9m muitas diferen\u00e7as, e como tinha falado isso pra voc\u00ea h\u00e1 muito tempo, acabei n\u00e3o me apegando. Fiz do jeito que queria mesmo. At\u00e9 mixei o disco com o Gui Jesus, que \u00e9 o camarada do Terno, que sempre fez o som e mixou alguns dos discos. No final fiquei bem feliz com a onda toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi viabilizado via parceria com o Natura Musical. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o do selo? Em tempos onde o discurso contr\u00e1rio \u00e0s leis de incentivo tem crescido como \u00e9 de ter o seu nome vinculado a uma marca?<\/strong><br \/>\nO disco saiu via Natura Musical por meio de sele\u00e7\u00e3o via edital. No meu caso, fui selecionado pela curadoria da Natura pra artistas da Bahia. Ah, cara, eu acho uma imundice que as ideologias fundamentalistas de direita tenham chegado na cabe\u00e7a das pessoas com tanta for\u00e7a assim. Elas reproduzem um monte de babaquice, se contradizem. Olavo de Carvalho estava outro dia dizendo que quem d\u00e1 dinheiro \u00e9 a empresa, por meio de isen\u00e7\u00e3o fiscal, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o dinheiro do povo que est\u00e1 indo pra artista. Eu ri muito, porque se tratava de um filme sobre Bolsonaro, ent\u00e3o nesse caso, ele acabou defendendo. A seletividade dos argumentos das pessoas \u00e9 realmente muito constrangedora. Eu n\u00e3o tenho nenhum problema em ter meu nome vinculado a uma marca. Ali\u00e1s, tenho o maior orgulho do disco ter sa\u00eddo pela Natura e pela Deck. O Natura Musical revela artistas anualmente no Brasil inteiro, fomenta cultura, isso gera aquecimento na economia, renda, emprego, al\u00e9m de muitos outros benef\u00edcios. No meu edital mais de 40 pessoas trabalharam indiretamente. Ou mais. Ainda n\u00e3o fiz o balan\u00e7o. Mas atrav\u00e9s dessa oportunidade, produzi um disco, vou realizar dois shows, e produzi dois videoclipes. Essa coisa de criticar leis de incentivo \u00e9 mais uma das maluquices desses tempos e de pessoas ignorantes que n\u00e3o sabem como as coisas funcionam. As pessoas querem matar uma mosca com uma bala de canh\u00e3o. Tive toda liberdade e suporte pra fazer o disco do jeito que eu queria. Agrade\u00e7o profundamente pela oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste trabalho, de certa forma, voc\u00ea opta por uma aproxima\u00e7\u00e3o sonora das matrizes da MPB. Como foi a experi\u00eancia de seguir este caminho e de que maneira este repert\u00f3rio se distancia das produ\u00e7\u00f5es do Maglore?<\/strong><br \/>\nEsse disco \u00e9 onde estou mais solit\u00e1rio com as can\u00e7\u00f5es. A Maglore tem um processo muito coletivo e as m\u00fasicas tem uma vida e um corpo que n\u00e3o resultam apenas de mim, mas sim de um criador coletivo. \u00c9 uma vontade coletiva de se comunicar. Meu disco foi muito bem aproveitado no sentido oposto. Eu tomei o controle de algumas decis\u00f5es, de arranjos, de est\u00e9tica, e junto com L\u00e9o fui criando esse universo mais pr\u00f3prio. N\u00e3o que seja ruim criar com a banda, eu adoro que seja tudo coletivo porque eu amo ter banda, mas eu tinha a necessidade art\u00edstica de fazer algo direcionado mais pra mim. E acabou rolando. Isso tamb\u00e9m me jogou mais pras minhas ra\u00edzes, e acho que isso faz todo sentido sendo um disco de estreia. A Maglore tem um n\u00facleo &#8220;rock&#8221; (duas guitarras, baixo e bateria) e no meu disco eu n\u00e3o tinha uma banda. Chamei alguns m\u00fasicos incr\u00edveis pra executar alguns instrumentos que eu n\u00e3o tinha habilidade, mas que tinha criado os arranjos. Felipe Continentino tocou bateria em algumas faixas, Helton Lima tamb\u00e9m (apenas em \u201cCora\u00e7\u00f5es em F\u00faria\u201d) e Thiago Melo e Rodrigo Garcia executavam o que eu cantava de violino e violoncelo, na boca, mesmo. Foi como se eu fosse montando um quebra cabe\u00e7a enquanto me dividia com L\u00e9o pra gravar as percuss\u00f5es. Acabei gravando os baixos, viol\u00f5es, guitarras do disco tamb\u00e9m. Isso me deixou mais perto de uma MPB naturalmente, porque eu n\u00e3o me via com a guitarra dentro de uma banda e sabia que n\u00e3o queria repetir aquilo num disco solo, principalmente porque constru\u00ed uma linguagem de guitarra pra Maglore, junto com Lelo Brand\u00e3o, que me \u00e9 muito satisfat\u00f3ria e me diverte bastante, ali \u00e9 o meu momento pra me aproximar das minhas refer\u00eancias mais rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se em &#8220;Todas as Bandeiras&#8221; voc\u00ea apostava numa vis\u00e3o de mundo temer\u00e1ria quanto a realidade, em &#8220;Boa Sorte&#8221; \u00e9 poss\u00edvel perceber um ponto de vista mais otimista quanto aos nossos tempos. Mesmo ante a tantos retrocessos \u00e9 poss\u00edvel manter viva a esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nEu sempre fui pessimista. Uso isso como estrat\u00e9gia pra n\u00e3o gerar expectativas e muitas vezes isso me cai bem, me mantem no ch\u00e3o. Nesse disco eu resolvi ter um discurso contr\u00e1rio. O \u201cTodas as Bandeiras\u201d \u00e9 um disco do\u00eddo pra caramba, eu estava do\u00eddo, os caras da banda tamb\u00e9m, de certa forma. Ent\u00e3o a gente transformou isso em disco e apesar dele ser esperan\u00e7oso ele tamb\u00e9m \u00e9 bem ca\u00f3tico e fatalista. No meu disco eu escolhi olhar pro outro lado. Porque quanto mais apertada a coisa fica, mais a gente precisa de v\u00e1lvula de escape pra enfrentar as coisas. N\u00e3o \u00e9 fugir da realidade. N\u00e3o \u00e9 isso que o disco prop\u00f5e. \u00c9 manter o sonho vivo. \u00c9 por isso que o disco se chama &#8220;Boa Sorte&#8221;, tamb\u00e9m. Al\u00e9m de toda luta real, \u00e9 o que precisamos no momento. Agir, mas tamb\u00e9m sonhar, porque agir somente nesse mundo do jeito que est\u00e1, cansa. \u00c9 preciso acreditar nas coisas, nas pessoas, no amor. Eu nunca na minha vida achei que eu usaria essas palavras: &#8220;Acreditar no amor&#8221;, mas \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo. A gente vive num momento t\u00e3o grotesco que se a gente desacreditar a gente azeda pra sempre. A\u00ed \u00e9 uma chance a mais pra voc\u00ea virar tudo aquilo que voc\u00ea temia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem se firmado cada vez mais como compositor, tendo a sua voz ecoada (e recriada) por artistas variados como Pitty, Erasmo Carlos e Gal Costa. Como tem sido esta experi\u00eancia? Consideraria um dia agir como produtor\/compositor de outro artista?<\/strong><br \/>\nUm dos meus grandes objetivos \u00e9 produzir artistas tamb\u00e9m. Quero e sinto necessidade art\u00edstica de fazer isso. Eu enxergo o produtor como um professor, e dizem que \u00e9 dando aula que se aprende tamb\u00e9m. Pois bem, t\u00f4 a\u00ed pra jogo, pra produzir coisas e pra aprender. Esse meu disco me trouxe mais essa possibilidade de estar ao lado de Leo sozinho no est\u00fadio, e Leo \u00e9 um cara que apesar da personalidade musical muito forte, te deixa livre, ent\u00e3o eu tamb\u00e9m produzi esse disco, de certa forma. E foi um aprendizado gigantesco. Ter minhas m\u00fasicas na m\u00e3o de Erasmo e de Gal e Pitty pra mim soa como uma grande conquista que jamais imaginei. Jamais imaginei Pitty lotando a Audio e &#8220;Motor&#8221; ter um coro de 3 mil pessoas. Nessas horas a m\u00fasica n\u00e3o tem dono, voc\u00ea s\u00f3 se orgulha de fazer e jogar no mundo. Ao mesmo tempo, \u00e9 incr\u00edvel ver como Priscila \u00e9 dona da porra toda quando t\u00e1 no palco. Uma energia absurda. Sempre fico chocado quando vejo ao vivo. Gal Costa \u00e9 minha inspira\u00e7\u00e3o no canto, na interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma das minhas artistas favoritas da vida, eu ouvi tanto Gal que acho que furei discos literalmente (na vitrola \u00e9 mais comum). Eu chorei real quando Helinho, que tinha ido ao show dela, me mandou um v\u00eddeo (pois eu n\u00e3o sabia) de Gal cantando &#8220;Motor&#8221;. Eu estava prestes a entrar no palco do Festival BR135, em S\u00e3o Lu\u00eds. Lembro de cada segundo daquela noite. Erasmo \u00e9 minha inspira\u00e7\u00e3o no universo da can\u00e7\u00e3o. Hoje eu sou cancioneiro porque Erasmo existiu e influenciou um monte de artistas no Brasil. Pra mim, foi uma responsabilidade incr\u00edvel ver um cara como ele colocar minha m\u00fasica como single do um disco que ele fez parcerias com Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhoto, Emicida, Nando Reis, Marcelo Camelo. Nando Reis, bicho. Nando Reis \u00e9 um mago das can\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis. Quem \u00e9 que n\u00e3o sente aquela nostalgia com &#8220;Resposta&#8221;, do Skank? Pra mim foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do ano passado o Brasil viu ressurgir, de forma execr\u00e1vel, o discurso de \u00f3dio direcionado ao Nordeste. Por outro lado, no disco temos faixas como &#8220;Longe da Bahia&#8221;, que \u00e9 um poema de amor ao seu Estado e toda sua diversidade. Voc\u00ea j\u00e1 sofreu algum insulto devido as suas origens? Prestar uma homenagem a sua origem pode ser lido como um ato de recrimina\u00e7\u00e3o a quem insiste neste discurso?<\/strong><br \/>\nEu acho que o discurso de \u00f3dio se d\u00e1 em todas as coisas que n\u00e3o se encaixam em padr\u00f5es aceitos. Nordestinos sempre foram &#8220;esquecidos&#8221; e &#8220;discriminados&#8221; pelas elites e por parte da sociedade por v\u00e1rias raz\u00f5es, pela pobreza e falta de desenvolvimento do lugar, pelo sotaque e o jeito simples de viver, que aos olhos de uns \u00e9 fora dos padr\u00f5es da &#8220;alta civilidade&#8221;. Acontece que de um tempo pra c\u00e1 isso se intensificou tanto que hoje nosso processo \u00e9 de muita luta pra tentar dialogar com pessoas e fazerem elas mudarem o pensamento agressivo, pois muitas vezes o pensamento agressivo vira discurso de \u00f3dio, e discurso de \u00f3dio \u00e9 um emaranhado de fios soltos que, a qualquer curto, gera viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica. Nosso tempo \u00e9 urgente e acho que nesse meu disco eu fiz quest\u00e3o de trazer uma leveza sem desprezar as reflex\u00f5es que esse tempo nos imp\u00f5e, at\u00e9 como responsabilidade como indiv\u00edduo e por ter uma certa chegada no ouvido das pessoas. J\u00e1 sofri MUITO preconceito por ser nordestino, principalmente pelo meu sotaque e por ter nascido no Nordeste, mas isso nunca me afetou dentro do contexto social que vivo porque sou um homem branco, s\u00f3 isso j\u00e1 te coloca numa posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio enorme e pra mim seria uma desonestidade intelectual muito grande usar os preconceitos que sofri pra tentar gerar &#8220;frissom&#8221;. Para cada paulista ot\u00e1rio que me discriminou, 10 me deram a m\u00e3o. Essa \u00e9 a verdade. \u00c9 por isso que eu acredito sim nas pessoas. S\u00e3o Paulo me deu uma chance de melhorar de vida e tamb\u00e9m de ser uma pessoa melhor. E eu agrade\u00e7o isso, paradoxalmente morando na cidade que vivi preconceito. Acho que temos que exaltar o que h\u00e1 de melhor nas coisas, e \u00e9 por isso que temos que batalhar tanto por esse di\u00e1logo, que at\u00e9 eu muitas vezes peco muito em perder a cabe\u00e7a nessas discuss\u00f5es, mas o caminho, por enquanto, \u00e9 lutar pra que esse pensamento tacanho n\u00e3o engula a maioria das pessoas. Eu sei que n\u00e3o vai. Pra cada passo de retrocesso, o futuro traz dois de avan\u00e7o. Eu fiz \u201cLonge da Bahia\u201d porque sempre tenho a maior nostalgia e remorso de ter sa\u00eddo de l\u00e1 h\u00e1 oito anos e n\u00e3o ver as transforma\u00e7\u00f5es reais da cidade. Visito Salvador com muita frequ\u00eancia, mas n\u00e3o vivo mais a cidade, e isso me d\u00e1 saudade, me deixa agoniado, e acabei fazendo essa m\u00fasica que \u00e9 pra lembrar que eu sou de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estive dias atr\u00e1s numa apresenta\u00e7\u00e3o do Maglore em BH, desta tour com metais que celebra os 10 anos de estrada. N\u00e3o sei se voc\u00ea v\u00ea desta maneira, mas parece que as can\u00e7\u00f5es da banda (de ontem e de hoje) soam um tanto quanto atuais para os nossos tempos de retrocesso. Olhando para tr\u00e1s, voc\u00ea acreditava que o repert\u00f3rio da banda seria, de certa forma, atemporal?<\/strong><br \/>\nNunca imaginei que as letras da Maglore fossem ser atemporais, porque sou apegado demais no mundo de hoje, nas coisas que vivemos. Nunca tive a pretens\u00e3o de fazer algo assim, prefiro ir devagarinho. Sou muito fixo na ideia de se observar e enxergar os erros e tentar n\u00e3o repeti-los e isso tamb\u00e9m se d\u00e1 na m\u00fasica, apesar deu fazer a m\u00fasica de forma mais natural poss\u00edvel, quando acho que estou me repetindo dou uma refletida e penso se estou sendo sincero comigo mesmo ou fazendo m\u00fasica apenas pra lan\u00e7ar algo. Esse \u00e9 o meu norte pras coisas em que trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Marques atua, novamente, como produtor do disco, parceria esta firmada desde o &#8220;III&#8221; do Maglore. Quais contribui\u00e7\u00f5es ele traz para a sua sonoridade e para o resulto final do disco?<\/strong><br \/>\nLeonardo Marques \u00e9 um grande amigo, foi ele que aplicou em mim um mundo de refer\u00eancias novas quando nos conhecemos em 2010. Leo tem um senso est\u00e9tico muito charmoso enquanto produtor e m\u00fasico e eu adoro essa vis\u00e3o de m\u00fasica que ele tem. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel pelo disco ter essa coisa lo-fi bem definida (\u00e0s vezes brinco com ele que ele pesa a m\u00e3o nas coisas antigas, mas eu acabo adorando). Usamos microfones de fita antigos em quase todos os instrumentos e na voz, e fomos driblando as dificuldades e os ru\u00eddos, porque o som dos mics \u00e9 lindo, fica tudo mais macio e do jeito que a gente curte. Ele foi o respons\u00e1vel por essa amarra est\u00e9tica do disco. Fiquei bem satisfeito com a sonoridade. Pra terminar, levei o disco pra Gui Jesus (SELO RISCO) mixar e masterizar, que acabou evidenciando e respeitando esses toques mais org\u00e2nicos do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acabo de ler o bel\u00edssimo release feito pelo H\u00e9lio Flanders para &#8220;Boa Sorte&#8221; e isto me fez lembrar de um sonho que tive no qual voc\u00ea e ele sa\u00edram em tour conjunta, com s\u00f3 voc\u00eas dois no palco, o tempo todo. O repert\u00f3rio girava em torno de covers (que voc\u00eas alternavam a cada noite), can\u00e7\u00f5es do Maglore e do Vanguart e dos trabalhos solos de cada um. Se um dia isso sair do papel quero uma nota de rodap\u00e9 em algum lugar (risos). Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio acabou virando um amigo de verdade, n\u00e3o s\u00f3 um colega da m\u00fasica. A gente se v\u00ea com frequ\u00eancia e troca muita ideia sobre m\u00fasica e sobre a vida um do outro, d\u00e1 conselhos, quebra uns galhos um do outro. Seria surreal sair em turn\u00ea conjunta com ele. Adoraria fazer isso na Europa tamb\u00e9m, j\u00e1 que ele tem ido bastante. J\u00e1 tocamos juntos com a Maglore e Vanguart e seria legal demais fazer isso tamb\u00e9m em formato solo. T\u00e1 a\u00ed uma \u00f3tima coisa a se pensar. Eu amo Helinho. \u00c9 um cara fant\u00e1stico que me ajudou muito nos momentos mais dif\u00edceis da banda. Segurou a peteca, tocou junto, e hoje quando quer aparece nos shows pra dar uma canja, tocar teclado, gaita, viol\u00e3o, e abrilhantar nossas apresenta\u00e7\u00f5es com aquela voz linda que ele tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os planos futuros? Voc\u00ea pretende conciliar a carreira solo e as apresenta\u00e7\u00f5es da Maglore?<\/strong><br \/>\nPretendo conciliar sim, j\u00e1 que o volume de shows inicialmente n\u00e3o \u00e9 tanto quanto o da Maglore. N\u00e3o sei ainda se vou fazer uma turn\u00ea extensa desse projeto solo. T\u00f4 naquelas de dar um passo de cada vez, mas minha vontade real era lan\u00e7ar um disco, trabalhar essas m\u00fasicas novas e explorar essa sonoridade nova pra mim. Acredito que n\u00e3o afete em nada a agenda da banda, que ano que vem j\u00e1 come\u00e7a a produzir m\u00fasicas novas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teago Oliveira - Cora\u00e7\u00f5es em F\u00faria (Meu Querido Belchior)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lB2SHGlqqik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0 A foto que abre o texto \u00e9 de Azevedo Lobo \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ele \u00e9 conhecido por ser a voz da Maglore, banda baiana que atualmente est\u00e1 rodando Brasil numa turn\u00ea que celebra os 10 anos de atividade. Por\u00e9m, desde 2014 Teago tem projetado se lan\u00e7ar em formato solo, desejo que finalmente \u00e9 concretizado agora com &#8220;Boa Sorte&#8221;&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/20\/entrevista-teago-oliveira-fala-sobre-boa-sorte-seu-primeiro-disco-solo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":53039,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[188,4007],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53037"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53037"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53360,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53037\/revisions\/53360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}