{"id":53010,"date":"2019-09-18T20:00:04","date_gmt":"2019-09-18T23:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=53010"},"modified":"2020-03-28T17:03:58","modified_gmt":"2020-03-28T20:03:58","slug":"entrevista-momo-fala-sobre-seu-6o-disco-i-was-told-to-be-quiet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/18\/entrevista-momo-fala-sobre-seu-6o-disco-i-was-told-to-be-quiet\/","title":{"rendered":"Entrevista: Momo fala sobre seu 6\u00ba disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momo, o nome art\u00edstico de Marcelo Frota, cantor e compositor mineiro, que reside em Lisboa, est\u00e1 com disco novo nas ruas. \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3ZE9zlNhh2uLQAGnaqmkdJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">I Was Told To Be Quiet<\/a>\u201d foi gravado em Los Angeles durante uma estadia relativamente curta, mas trabalhosa, com o produtor americano Tom Biller e alguns m\u00fasicos de est\u00fadio. Num caf\u00e9 acolhedor, situado na freguesia lisboeta de Santa Catarina, o m\u00fasico brasileiro destacou o papel da sua maturidade e da abrang\u00eancia do novo \u00e1lbum. \u201c\u00c9 um trabalho de quem tem 40 anos e est\u00e1 no seu sexto disco solo. Este disco tem v\u00e1rias coisas, ele \u00e9 o Brasil, Lisboa, os Estados Unidos e a minha inf\u00e2ncia. Sinto que criei algo aglutinador e completo\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cI Was Told To Be Quiet\u201d s\u00e3o abordados o samba, a bossa nova e o tropicalismo, com laivos de romantismo e psicodelia, numa toada geral agridoce e envolvente, destacando-se faixas como \u201cFor I Am Just A Reckless Child\u201d, \u201cMarigold\u201d, \u201cVida\u201d ou \u201cHigher Ground\u201d. Simultaneamente, \u00e9 percet\u00edvel que os efeitos sonoros e a eletr\u00f4nica amenizaram as inquieta\u00e7\u00f5es e clarificaram os sentimentos do autor. \u201cConcordo contigo. A eletr\u00f4nica, por vezes, retira um pouco da caracter\u00edstica humana, do visceral e da dramaticidade. \u00c9 mais crua, industrial e isso gera um contraponto e um balan\u00e7o bom\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente \u00e0 influ\u00eancia na sua m\u00fasica do local onde vive atualmente, Momo aponta o disco anterior (\u201cVo\u00e1\u201d, de 2017) como o momento de maior impacto lisboeta na sua obra. \u201cNo \u2018Vo\u00e1\u2019 a absor\u00e7\u00e3o de Lisboa foi mais evidente e esse entendimento inclu\u00eda o Caman\u00e9, que trouxe o fado. Agora a cidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 novidade para mim e isso \u00e9 bom, j\u00e1 que o olhar poder\u00e1 se deslocar para outros sentidos\u201d, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de participar no m\u00eas de setembro de festivais portugueses como o Manta (Guimar\u00e3es), F (Faro) e Inspiral (A\u00e7ores), o cantor mineiro far\u00e1 um tour pela It\u00e1lia em novembro (composto por shows, programas de r\u00e1dio e atividades promocionais), regressando a Lisboa para uma apresenta\u00e7\u00e3o no Teatro Bocage a 29 de Novembro, por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do disco em Portugal. Em dezembro ser\u00e1 a vez de desembarcar na Fran\u00e7a, mas ainda com datas por confirmar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao finalizar a nossa conversa, Momo exibe o seu lado emotivo, quando revela que se comove com a edi\u00e7\u00e3o do programa televisivo Carpool (dedicado a Paul McCartney) ou no momento em que recorda a sua adolesc\u00eancia, antes de se deitar, ao som de \u201cVento no Litoral\u201d, do Legi\u00e3o Urbana. Sobre um objetivo futuro por alcan\u00e7ar, prefere real\u00e7ar o trajeto seguido e a honestidade art\u00edstica. \u201cEstou muito feliz com o que eu fa\u00e7o e produzi anteriormente e sinto uma plenitude por via deste \u00e1lbum. Pretendo continuar fazendo os meus discos com o cora\u00e7\u00e3o e a mesma entrega de sempre\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Momo conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MOMO. - Diz a Verdade\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X9ZLzfztObo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu novo disco resultou de uma parceria com o produtor americano Tom Biller. Como decorreu o trabalho em Los Angeles?<\/strong><br \/>A colabora\u00e7\u00e3o durou um m\u00eas e poucos dias, mas, na verdade, eu j\u00e1 tinha vontade de trabalhar com o Tom h\u00e1 cerca de 10 anos atr\u00e1s. Quando comecei a gravar o meu terceiro disco (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/29\/musica-serenade-of-a-sailor-momo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Serenade of a Sailor<\/a>\u201d, de 2011), um \u00e1lbum que tinha can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas e, tendo regressado de uma tour nos Estados Unidos, fiquei com vontade de gravar com ele. Na \u00e9poca, escutei o disco \u201cFriendly Fire\u201d, de Sean Lennon, que o Tom Biller produziu e tentamos fazer um \u00e1lbum, mas as agendas n\u00e3o bateram. Desde ent\u00e3o fomos nos comunicando at\u00e9 ao momento presente, ele fez um remix de uma faixa minha e trocamos material. Em 2018, enviando emails, combinamos de fazer o disco. Eu n\u00e3o o conhecia pessoalmente, mas ele surpreendeu-me positivamente. O conv\u00edvio foi excelente e existia uma alquimia muito boa. Basicamente, este trabalho \u00e9 composto por mim, pelo Tom e por alguns m\u00fasicos que foram chegando ao est\u00fadio, mas foram dias muito intensos com pouco tempo para descansar. S\u00f3 folgamos um dia durante esse per\u00edodo, porque o Biller foi assistir a um show do Willie Nelson (risos). Habitualmente come\u00e7\u00e1vamos a trabalhar de manh\u00e3 e na madrugada par\u00e1vamos para comer alguma coisa. Globalmente, foi um processo de muita imers\u00e3o naquele trabalho, mas aquilo que pressupus sobre o Tom Biller s\u00f3 se confirmou quando eu cheguei a Los Angeles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve algum momento em que alguns parceiros de composi\u00e7\u00e3o para este disco (como Wado, Thiago Camelo ou Ana Lomelino) o tivessem surpreendido com as suas ideias?<\/strong><br \/>At\u00e9 ao momento, s\u00f3 mostrei o \u00e1lbum para o Thiago e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/22\/wado-lanca-vazio-tropical-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wado<\/a>, mas eles ainda n\u00e3o me deram nenhum feedback. No caso da Ana Lomelino, escrevemos a m\u00fasica em portugu\u00eas e a minha mulher, que \u00e9 francesa, adaptou o tema para franc\u00eas. Por isso, terei de mandar a vers\u00e3o franc\u00f3fona para a Ana, porque ela n\u00e3o a tem. Eu componho com voz e viol\u00e3o, por isso \u00e9 essa grava\u00e7\u00e3o, muitas vezes caseira, que eu mando para os meus parceiros. \u00c9 uma esp\u00e9cie de demo t\u00e3o simples que quase n\u00e3o d\u00e1 para pensar nos arranjos, mas quando o disco est\u00e1 pronto e todos escutam os resultados s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cMarigold\u201d voc\u00ea canta o amor de uma forma melanc\u00f3lica e sedutora, enquanto na faixa \u201cVida\u201d abra\u00e7a o tropicalismo mais exuberante. Qual destas facetas o atrai mais?<\/strong><br \/>Atraem-me as duas facetas. \u201cMarigold\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o trovadoresca e tem um poema existencial, um pouco \u00e0 semelhan\u00e7a do universo folk americano e brit\u00e2nico que me agrada. Esse tema foi retirado de uma m\u00fasica de Bill Fay. Ele \u00e9 um compositor ingl\u00eas que fez dois discos, parou de produzir e voltou h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. \u00c9 uma esp\u00e9cie de m\u00fasico maldito, tal como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/19\/tres-perguntas-arthur-nogueira-fala-sobre-nick-drake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nick Drake<\/a>, e depois de algum tempo a sua obra foi recuperada. Na \u201cMarigold\u201d fiz uma alus\u00e3o a uma can\u00e7\u00e3o dele (\u201cDon\u00b4t Let My Marigolds Die\u201d). Como voc\u00ea disse bem, \u201cVida\u201d \u00e9 uma faixa psicod\u00e9lica, s\u00e3o os Mutantes, a tropic\u00e1lia, o fuzz na guitarra, no baixo e que entram no refr\u00e3o. Ao longo da minha carreira flertei com esses elementos em termos sonoros: a psicodelia, as ambi\u00eancias e o fuzz. O meu novo disco abra\u00e7a mais atmosferas, componentes e tem uma paleta de cores mais alargada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cI Was Told To Be Quiet\u201d \u00e9 tamb\u00e9m apresentado como \u201cUma resposta sens\u00edvel ao mundo atribulado que vivemos\u201d. Nesse sentido, como avalia o momento atual do Brasil?<\/strong><br \/>Eu n\u00e3o avalio apenas o Brasil, mas sim o momento atribulado do mundo. Basta voc\u00ea abrir as p\u00e1ginas dos jornais para captar esse ru\u00eddo. \u00c9 algo comum a muitos pa\u00edses e eu estou atento a isso. O meu disco \u00e9 um convite, como se fosse um manifesto, para a contempla\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio, que \u00e9 bastante necess\u00e1rio agora. Atualmente, estamos de pernas para o ar devido a esse caos e \u00e0 gritaria e \u00e9 no sil\u00eancio que encontramos um ref\u00fagio. Por isso, silenciar \u00e9 falar, como acontece na religi\u00e3o budista. Nesse sentido, o \u00e1lbum prop\u00f5e a quietude para que possamos nos apropriar das coisas e depois tomar uma decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea integrou o projeto musical luso-brasileiro O Clube (2013) e fez parcerias com Rita Redshoes e Caman\u00e9, entre outros. Existem mais m\u00fasicos portugueses com quem gostasse de trabalhar?<\/strong><br \/>As minhas parcerias musicais derivam mais da amizade. Geralmente, elas iniciam-se dessa forma. Foi assim que aconteceu com a Rita Redshoes e o Caman\u00e9. Para pensar em algu\u00e9m pr\u00f3ximo de mim, com quem eu gostaria de trabalhar, ocorre-me a cantora Mit\u00f3 Mendes, porque j\u00e1 cantamos juntos, somos amigos e estou sempre pensando em convid\u00e1-la para algum projeto musical. \u00c9 com ela que eu tenho vontade de fazer qualquer coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>Eu convido os leitores do Scream &amp; Yell para escutarem o novo \u00e1lbum e ouvirem a minha obra anterior. S\u00e3o seis discos e parece que j\u00e1 sou um veterano (risos). Existem coisas bonitas e pertinentes em todos eles. O meu primeiro trabalho, \u201cA Est\u00e9tica do Rabisco\u201d (2006) \u00e9 um desses exemplos. As coisas est\u00e3o demasiado aceleradas hoje em dia, porque existem bastantes discos e informa\u00e7\u00e3o. Durante anos eu olhava para as capas ou lia a ficha t\u00e9cnica dos vinis e isso perdeu-se. \u00c9 bom serenar um pouquinho e ler aquele livro na nossa cabeceira que n\u00e3o ligamos muito ou o escrito de algum autor interessante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MOMO. - For I Am Just a Reckless Child\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dEZwz3rLLPc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MOMO. - Higher Ground (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/80F1FWSYfy4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MOMO. - Uu\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/THejTEYiJM8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a> (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Pedro Ibo Eus\u00e9bio \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu convido os leitores do Scream &#038; Yell para escutarem o novo \u00e1lbum e ouvirem a minha obra anterior. S\u00e3o seis discos e parece que j\u00e1 sou um veterano (risos). Existem coisas bonitas e pertinentes em todos eles&#8221;, diz Momo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/18\/entrevista-momo-fala-sobre-seu-6o-disco-i-was-told-to-be-quiet\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":53011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1785,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53010"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53010"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53010\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53274,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53010\/revisions\/53274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}