{"id":52841,"date":"2019-09-04T00:10:31","date_gmt":"2019-09-04T03:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52841"},"modified":"2019-10-09T10:14:44","modified_gmt":"2019-10-09T13:14:44","slug":"tres-perguntas-bruno-e-lanca-sao-paulo-jazz-rebels","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/04\/tres-perguntas-bruno-e-lanca-sao-paulo-jazz-rebels\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Perguntas: Bruno E. lan\u00e7a \u201cS\u00e3o Paulo Jazz Rebels\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno E. n\u00e3o \u00e9 nenhum novato: nos anos 90 ele j\u00e1 trabalhava produzindo artistas de hip hop como Pavilh\u00e3o 9, Piveti e outros. A partir de 1998, envolveu-se no surgimento e desenvolvimento da gravadora Trama Virtual, ao lado de Jo\u00e3o Marcelo B\u00f4scoli, e com esse trabalho come\u00e7a a dar seus passos em sua carreira solo no universo do jazz, lan\u00e7ando, por exemplo, o elogiado disco \u201cLovely Arthur\u201d, em 2003. \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6z5kbrXdWqaeVpGHU7mJGV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00e3o Paulo Jazz Rebels<\/a>\u201d (2019), assinado ao lado do Coletivo Superjazz, \u00e9 seu mais novo disco, em uma empreitada na qual pela primeira vez Bruno mostra sua voz como cantor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figura presente na cena de Jazz da cidade de S\u00e3o Paulo, Bruno faz de seu disco um passeio por lugares fundamentais para esse universo, como o Jazz nos Fundos e o \u00d3 do Borogod\u00f3, em Pinheiros, ou mesmo lugares j\u00e1 inexistentes, como o antigo Club Sarajevo, que ficava na Rua Augusta. A rua, al\u00edas, d\u00e1 o nome de outra can\u00e7\u00e3o, assim como outros pontos da cidade, como o centro e a Avenida Paulista. A perspectiva urbana \u00e9 o ponto de partida para can\u00e7\u00f5es que exploram as potencialidades do jazz de forma classuda, pasando por possibilidades como o free jazz, o bebop e o nu jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com participa\u00e7\u00f5es especiais do mestre de samba paulistano Toinho Melodia e do vibrafonista Beto Montag, \u201cS\u00e3o Paulo Jazz Rebels\u201d foi gravado nos est\u00fadios da Belas Artes, em S\u00e3o Paulo, e conta com produ\u00e7\u00e3o assinada pelo pr\u00f3prio Bruno. Para explicar um pouco mais sobre o universo desse disco, o m\u00fasico respondeu as nossas tr\u00eas perguntas antes de sua apresenta\u00e7\u00e3o no CCSP &#8211; Centro Cultural S\u00e3o Paulo, no final de agosto. Confira o papo abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno E. &amp; Coletivo Superjazz - Backstage Jazz (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/709Y9Lu-2ZI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse disco, S\u00e3o Paulo \u00e9 quase como uma personagem central que guia as can\u00e7\u00f5es, tanto por locais ainda existentes quanto aqueles que nem existem mais. Como foi pra voc\u00ea construir esse universo sonoro atrav\u00e9s desses locais e qual a import\u00e2ncia deles para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade que tem uma atmosfera m\u00e1gica, ela tem um lance ao mesmo tempo feio e desorganizado, s\u00f3 que por outro lado tem um glamour. Um amigo meu falou que em S\u00e3o Paulo muitos lugares, como a Vila Buarque, por exemplo, parecem a Nova York antiga. Eu sou de Goi\u00e2nia, quando eu vim pra c\u00e1, logo que eu cheguei, eu fui morar l\u00e1 no Bixiga, isso me chocou assim de um jeito positivo: \u201cnossa, que legal, uma atmosfera m\u00e1gica de S\u00e3o Paulo\u201d, que \u00e9 essa coisa que \u00e9 meio desordenada, extremamente urbana, que n\u00e3o tem em lugar nenhum do Brasil. A quest\u00e3o da noite \u00e9 algo muito especial de S\u00e3o Paulo, acho que a cidade tem uma vida noturna que \u00e9 diferente do resto do pa\u00eds. Eu fui DJ durante muito tempo, toquei em muitos clubes, ent\u00e3o a cidade tem essa coisa cosmopolita, que lembra Londres tamb\u00e9m \u2013 eu morei em Londres um tempo. Esses lugares do disco t\u00eam uma hist\u00f3ria. O ruim \u00e9 que S\u00e3o Paulo tem algo \u2013 que \u00e9 do Brasil at\u00e9 \u2013 que \u00e9 voc\u00ea destruir os lugares, eles n\u00e3o ficam t\u00e3o tradicionais. N\u00e3o \u00e9 igual l\u00e1 em Londres, onde voc\u00ea tem casas que est\u00e3o h\u00e1 50, 60 anos abertas. Aqui tem essa coisa muito triste, que \u00e9 uma cultura de destruir para construir. Voc\u00ea destr\u00f3i uma casa legal, um predinho bacana, para construir um predi\u00e3o; totalmente sem crit\u00e9rio. De todo modo, a cidade tem algo muito m\u00e1gico pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do seu trabalho como DJ, por\u00e9m, al\u00e9m disso, voc\u00ea tamb\u00e9m trabalhou com v\u00e1rios outros g\u00eaneros musicais. E nesse disco, uma coisa nova \u00e9 voc\u00ea cantar. Como foi a decis\u00e3o de colocar a sua voz nesse \u00e1lbum e como isso gerou algum impacto?<\/strong><br \/>\nNa verdade, isso foi acontecendo aos poucos. N\u00e3o foi t\u00e3o planejado. A m\u00fasica \u201cBackstage Jazz\u201d, por exemplo, surgiu como uma m\u00fasica instrumental, que \u00e9 uma homenagem ao Jazz nos Fundos; a gente tocou ela pela primeira vez l\u00e1 no Jazz nos Fundos e ela n\u00e3o tinha voz. De repente come\u00e7ou a pintar uma melodia, eu comecei a arriscar, n\u00e3o foi algo que veio assim de pronto, eu arrisquei, mostrei pra minha atual mulher e ela adorou! Eu at\u00e9 me surpreendi, pois eu achei que n\u00e3o tivesse ficado bom. Eu nunca cantei, minha ex-mulher era uma excelente cantora, que \u00e9 a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/29\/entrevista-patricia-marx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Patr\u00edcia Marx<\/a>, ent\u00e3o eu nunca tive essa necessidade de cantar, pois tinha ela e eu sempre queria ficar no backstage. S\u00f3 que dessa vez, o \u201cBackstage Jazz\u201d me trouxe pra frente. Eu ainda n\u00e3o me considero um cantor, pois ainda n\u00e3o tenho t\u00e9cnica para isso. De todo modo, por exemplo, o Chet Baker criou uma ruptura na arte, pois ele n\u00e3o \u00e9 cantor, ela cantou por uma quest\u00e3o de necessidade: quebraram a boca dele e ele precisava cantar, pois ele n\u00e3o conseguia tocar o show inteiro. S\u00f3 que ele come\u00e7ou a cantar de um jeito extremamente original, e ele abriu a porta para muitas pessoas cantarem. Inclusive aqui no Brasil, o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Gilberto mudou o jeito de cantar por conta do Chet. E falei \u201cpoxa, j\u00e1 que ele conseguiu fazer isso, eu vou me dar o direito de experimentar\u201d, ent\u00e3o o exemplo veio do Jazz mesmo. E aqui no Brasil a gente tem uma tradi\u00e7\u00e3o de muitos cantores e muitas cantoras que n\u00e3o s\u00e3o aquelas virtuoses, mas mesmo assim possuem vozes bonitas, que \u00e9 aquela coisa que vem do cool jazz, ent\u00e3o eu ainda estou tentando achar um jeito. Ainda n\u00e3o cheguei no meu estilo, estou tentando arriscar, cada show \u00e9 uma descoberta. O primeiro show, no Jazz B, eu arrisquei um pouquinho da faixa \u201cBackstage Jazz\u201d, no segundo show eu j\u00e1 cantei cinco m\u00fasicas e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse novo disco \u00e9 assinado ao lado do Coletivo SuperJazz. Como funciona esse trabalho em grupo com eles?<\/strong><br \/>\nNa verdade, o que acontece \u00e9 o seguinte: o Dud\u00e3o, que \u00e9 meu grande amigo e parceiro, foi com quem eu comecei a festa Superjazz, no Sarajevo, l\u00e1 na rua Augusta. Depois disso, passou um tempo, teve um festival l\u00e1 no Bar Avenida, em Pinheiros, a gente ia tocar, fazer um live, a\u00ed eu falei: \u201cDeixa eu compor algumas m\u00fasicas\u201d. Eu chamei o Bocatto e o M\u00e1rcio Nery, fiz alguns temas, como \u201cS\u00e3o Paulo Jazz Rebels\u201d, para esse evento, e a partir da\u00ed deu muito certo. A gente foi tocar em outros lugares, como o Universo Paralelo, s\u00f3 que era eletr\u00f4nico com metaleira. S\u00f3 que depois eu comecei a tocar o baixo ac\u00fastico, que eu n\u00e3o sabia, comprei um baixo upright e comecei a brincar, a gente foi l\u00e1 pra Bahia e pensei: \u201cn\u00e3o, vou levar o upright\u201d, ainda bem que n\u00e3o quebrou no meio do caminho, e comecei a tocar pra valer. Depois eu comprei um ac\u00fastico e decidi tirar a parte eletr\u00f4nica: \u201cAgora vamos para o jazz mesmo\u201d. E o coletivo veio disso, de tocarmos juntos e tal. Chegou um momento em que falei pra eles: \u201cGalera, vamos lan\u00e7ar um disco e eu vou colocar o coletivo comigo\u201d. De todo modo, o Coletivo Superjazz n\u00e3o \u00e9 herm\u00e9tico, mudam as forma\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um giro. Nesse momento, eu resolvi chamar o coletivo porque come\u00e7ou-se esse trabalho com eles, mas agora eu estou seguindo minha carreira solo, e \u00e9 isso a partir de agora.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno E. &amp; Coletivo Superjazz, Toinho Melodia - O? do Borogodo?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q2LqMHlTsO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Clovis Prestes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Produtor e DJ tarimbado da noite paulistana, Bruno E. est\u00e1 lan\u00e7ando \u201cS\u00e3o Paulo Jazz Rebels\u201d (2019), que \u00e9 assinado ao lado do Coletivo Superjazz. 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