{"id":52756,"date":"2019-08-26T02:26:07","date_gmt":"2019-08-26T05:26:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52756"},"modified":"2019-09-25T03:03:47","modified_gmt":"2019-09-25T06:03:47","slug":"entrevista-bruno-capinan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/26\/entrevista-bruno-capinan\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bruno Capinan"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Capinan pode ser apresentado com muitos ep\u00edtetos: um baiano radicado no Canad\u00e1; um cantor negro e gay; um compositor com carreira longa, de olhar sens\u00edvel sobre o seu entorno; um artista inquieto e atento ao mundo. Todos essas refer\u00eancias podem ser encontradas dentro do quarto disco de Capinan, chamado \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/51s48buYLeVMTIvIbjfhb5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Real<\/a>\u201d (2019) e lan\u00e7ado recentemente. De poesia delicada e com produ\u00e7\u00e3o cuidadosa, esse novo \u00e1lbum \u00e9 um fotograma das rela\u00e7\u00f5es em nosso tempo, com direito a apps, sexo, solid\u00e3o, medo e uma entrega apaixonada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cReal\u201d foi produzido pelo pr\u00f3prio Bruno ao lado de Mark Lawson, engenheiro de som que j\u00e1 trabalhou com nomes como Arcade Fire, Peter Gabriel e Beirut. O trabalho foi gravado ao lado de m\u00fasicos brasileiros e canadenses, contando com o aux\u00edlio luxuoso de Bem Gil, que \u00e9 amigo de Capinan. Al\u00e9m disso, outros amigos ainda aparecem em diferentes momentos do disco, como Lan Lanh, M\u00e3eana, Rubel, Basia Bulat, Domenico Lacenllotti e Philippe Cohen Solal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capinan reside h\u00e1 17 anos em Toronto, no Canad\u00e1, por\u00e9m isso n\u00e3o diminui suas rela\u00e7\u00f5es com o Brasil. O emaranhado de complexidades dessas bandas mexem com o artista l\u00e1 no hemisf\u00e9rio norte e isso tudo foi transformado em can\u00e7\u00f5es no novo disco. Conversamos com Bruno atrav\u00e9s do WhastApp, em um papo sincero, onde o m\u00fasico falou sobre pol\u00edticas de incetivo, aplicativos de relacionamentos, m\u00fasica e amor. Confira abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Real Agora - Bruno Capinan (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d-RXsuLFFP8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mora h\u00e1 muitos anos no Canad\u00e1, por\u00e9m entre o &#8220;Divina Gra\u00e7a&#8221; (2016) e o &#8220;Real&#8221; (2019) voc\u00ea teve uma temporada em S\u00e3o Paulo. Como foi esse retorno, mesmo que breve, ao Brasil?<\/strong><br \/>\nQuando eu estava no Brasil fazendo o lan\u00e7amento de \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d, fui fazer o show no Ibirapuera com o japon\u00eas Jun Miyake, e meio que estabeleci que iria morar em S\u00e3o Paulo. Eu curti muito a vibe de S\u00e3o Paulo, e o melhor lugar no Brasil para investir na carreira continua sendo S\u00e3o Paulo. Esse retorno foi muito importante, at\u00e9 mesmo para presenciar o Brasil atual. E a\u00ed foram nascendo algumas can\u00e7\u00f5es, como \u201cDo Avesso\u201d, que tem parceria da M\u00e3eana, que eu escrevi em S\u00e3o Paulo, na casa que eu estava morando, na Vila Romana. De madrugada, eu peguei o viol\u00e3o, compus a can\u00e7\u00e3o inteira da maneira que ela ficou, inspirado por essa coisa dos p\u00e1ssaros na madrugada de S\u00e3o Paulo, de que os p\u00e1ssaros n\u00e3o dormem, eles ficam cantando, cantarolando ou gritando. E h\u00e1 a\u00ed tamb\u00e9m essa coisa de me for\u00e7ar a presenciar o Brasil de agora, de voltar para o Brasil embora as pessoas falem \u201cah, n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o legal, est\u00e1 muito complicado, est\u00e1 muito violento, tem muitos retrocessos\u201d, eu percebi que eu poderia ser uma voz de resist\u00eancia tamb\u00e9m por estar pr\u00f3ximo dos amigos e das pessoas que est\u00e3o sendo resist\u00eancia nesse momento no Brasil. Ent\u00e3o esse retorno tamb\u00e9m foi importante para eu conhecer novas pessoas, por estar me relacionando com outras pessoas, mas tamb\u00e9m foi diferente do \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d pelo aspecto pessoal, que no momento do \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d estava muito solto, eu estava me permitindo amar as pessoas, ver a vida de uma forma mais aberta, mais livre, e com o \u201cReal\u201d foi o oposto, eu comecei a ficar mais introspectivo, comecei a me fechar mais, embora eu estivesse mais exposto, eu comecei a entrar no meu casulo um pouquinho, at\u00e9 mesmo pra poder me ver como um outsider, viver como um estrangeiro no meu pr\u00f3prio pa\u00eds de origem, pra poder ter uma vis\u00e3o do nosso tempo. E como gay, como pessoa que usa Grindr, Scruff ou Hornet [risos], eu comecei a usar os aplicativos para fazer um estudo do nosso tempo, do nosso agora, por isso a can\u00e7\u00e3o \u201cReal Agora\u201d, que \u00e9 uma express\u00e3o que vem dos aplicativos. E pra eu ter uma vis\u00e3o mesmo das dores do nosso mundo, nesse momento. Ent\u00e3o, eu amarrei o disco muito em cima disso, muito em cima do meu retorno para o Brasil, para S\u00e3o Paulo. Eu encarei esse retorno como uma esp\u00e9cie de motor para minha inspira\u00e7\u00e3o, eu comecei a encarar como um pr\u00f3ximo cap\u00edtulo na minha escrita, na minha arte, na minha cria\u00e7\u00e3o. E na verdade eu passei seis meses em S\u00e3o Paulo, de 2017 para 2018, e agora estou entre Toronto e S\u00e3o Paulo, n\u00e3o tenho mais uma casa fixa em S\u00e3o Paulo, mas eu passei tr\u00eas meses j\u00e1 na cidade esse ano e retorno em setembro para ficar divulgando esse disco e vendo o que acontece. Os meus amigos dizem que est\u00e3o um pouco dif\u00edceis as coisas no Brasil, mais do que j\u00e1 estava, e eu estou indo pra botar as caras mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou dessa percep\u00e7\u00e3o de seus amigos de que o Brasil est\u00e1 complicado. Como voc\u00ea recebe todas essas informa\u00e7\u00f5es do que acontece por aqui a\u00ed em Toronto? H\u00e1 uma reverbera\u00e7\u00e3o a\u00ed do que estamos vivendo por aqui?<\/strong><br \/>\nSuper, h\u00e1 uma reverbera\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo no Brasil na m\u00eddia internacional, eu acho que eu tenho cr\u00edticas at\u00e9 a fazer sobre isso, eu acho que deveria ter mais, mas at\u00e9 mesmo comigo est\u00e1 tendo espa\u00e7o para falar sobre. Eu escrevi um artigo de uma p\u00e1gina no jornal The Globe Mail, do Canad\u00e1, que \u00e9 o maior jornal daqui, um dia antes das elei\u00e7\u00f5es no Brasil. E alguns outros jornalistas j\u00e1 entraram em contato comigo sobre o que est\u00e1 acontecendo no Brasil; tem uma revista chamada Now Magazine, daqui tamb\u00e9m, que \u00e9 a maior revista semanal de Toronto, e j\u00e1 rolaram duas mat\u00e9rias esse ano sobre a minha m\u00fasica sendo uma m\u00fasica de resist\u00eancia quanto ao que est\u00e1 acontecendo no Brasil. E, claro, tem os jornais americanos, o New York Times, o Whashington Post, a m\u00eddia internacional est\u00e1 super acompanhando o que est\u00e1 acontecendo, mas eu fico um pouco inseguro com a rela\u00e7\u00e3o ao foco, eu acho que agora o foco n\u00e3o precisa ser somente a persegui\u00e7\u00e3o desse governo contra os direitos humanos, a demoniza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos como uma agenda esquerdista e comunista, enfim, mas eu acho que temos que discutir muito o desmatamento da Amaz\u00f4nia, pois \u00e9 um assunto muito crucial, \u00e9 um t\u00f3pico muito importante para o mundo, n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil. Se a Amaz\u00f4nia continuar a ser desmatada no ritmo que o novo governo est\u00e1 propondo \u00e9 o fim de linha para a humanidade, porque \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo. Ent\u00e3o, eu tenho acompanhado tudo, eu leio tudo, tenho acompanhado o El Pa\u00eds, o Le Monde, o New York Times, o Intercept, tudo at\u00e9 m\u00eddia da chamada direita eu tenho acompanhado, eu ca\u00e7o tudo assim para ter certeza de que eu posso formar uma opini\u00e3o. E esse disco foi muito influenciado por tudo isso que tem acontecido. Para se ter uma ideia, eu gravei as vozes finais do disco no dia do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es. Eu fui votar de manh\u00e3 no consulado, aqui, e 11 da manh\u00e3 eu j\u00e1 estava no est\u00fadio gravando. Ent\u00e3o foi muito complicado esse processo. \u00c9 um disco de dores. Em \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d, eu, o Domenico [Lancelotti] e o Bem [Gil] j\u00e1 est\u00e1vamos conversando sobre pol\u00edtica, j\u00e1 era um debate, a pauta do impeachment j\u00e1 estava circulando, eu estava apreensivo com o futuro do Brasil. Na \u00e9poca, eu falei \u201co Brasil pode chegar a uma outra ditadura\u201d, por conta dos passos largos que est\u00e1vamos dando em dire\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando dessas quest\u00f5es pol\u00edticas, um dos pontos em que o atual governo tem batido de forma intensa s\u00e3o as leis de incentivo cultural, bem como um controle dessas obras produzidas, o que remete \u00e0 censura de um per\u00edodo ditatorial. O seu disco, por exemplo, foi constru\u00eddo atrav\u00e9s de incentivos do Canada Council for the Arts e do Toronto Arts Council. Qual a import\u00e2ncia, ao seu ver, desse tipo de incentivo para uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica mais livre?<\/strong><br \/>\nEssa pergunta \u00e9 muito importante de ser feita. \u00c9 uma quest\u00e3o muito importante de ser debatida por toda a sociedade. Quando voc\u00ea mexe com lei, para exterminar incentivo cultural, essa \u00e9 uma forma de controle tamb\u00e9m. A arte, na hist\u00f3ria da humanidade, serve n\u00e3o s\u00f3 como um meio de lazer, como tamb\u00e9m de questionar o status quo e de questionar a pol\u00edtica. Eu tive a oportunidade de ter o patroc\u00ednio da Toronto Arts Council pro \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d, no que foi um aux\u00edlio pequeno comparado com esse novo disco. Agora no \u201cReal\u201d tive o patroc\u00ednio do Canada Council e do Toronto Arts Council. O do Canada Council \u00e9 mais dif\u00edcil, pois estou concorrendo com o pa\u00eds inteiro, eu consegui o patroc\u00ednio maior dentro dele. E tudo, na verdade, atrav\u00e9s do meu trabalho, da minha hist\u00f3ria, das coisas que eu enviei para eles, das minhas can\u00e7\u00f5es; eles avaliam conforme a qualidade do material e n\u00e3o por ter algu\u00e9m de dentro. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m dentro desses conselhos. O Canada Council ainda \u00e9 um pouco mais complicado por que eles avaliam a possibilidade de dissemina\u00e7\u00e3o desse projeto e a colabora\u00e7\u00e3o desse projeto para a sociedade canadense e para o pa\u00eds como um todo. Ent\u00e3o, o Canad\u00e1 \u00e9 um pa\u00eds que preza muito pela diversidade, \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 muito al\u00e9m nesses temas que temos debatido h\u00e1 uns 10 anos, que \u00e9 a causa de inclus\u00e3o, at\u00e9 mesmo um debate dos LGBTQ, que \u00e9 uma quest\u00e3o muito crucial para o primeiro ministro Justin Trudeau, tanto que ele sempre est\u00e1 nas Paradas LGBTs. E essa quest\u00e3o do incentivo \u00e9 simples: se voc\u00ea n\u00e3o incentiva voc\u00ea est\u00e1 mandando uma mensagem muito clara de que o dom\u00ednio sobre a sociedade est\u00e1 em cheque, uma forma de voc\u00ea dominar uma sociedade \u00e9 dominar a cultura, \u00e9 voc\u00ea dizer para o artista o que ele deve ou n\u00e3o criar. E em 2017, eu acompanhei muito o que aconteceu com o Queermuseu, em Porto Alegre, acompanhei o que aconteceu com outras artistas, acompanhei a censura \u00e0 nudez. Por isso a capa do meu disco, por isso essa quest\u00e3o agora de o Facebook e o Instagram estarem proibindo que eu divulgue a minha capa; jornalistas brasileiros tamb\u00e9m com medo de divulgar a capa do meu disco, h\u00e1 um receio de divulgar. Ent\u00e3o, nesses tempos t\u00e3o sombrios eu decidi que essa seria a capa do meu disco. Claro que n\u00e3o tem nenhum conflito nela: \u00e9 uma foto bonita, uma foto sugestiva, e foram essas quest\u00f5es que me levaram a escolher essa capa. Claro que o que eu fa\u00e7o \u2013 a m\u00fasica, a arte, a poesia \u2013 influenciou esse trabalho, isso est\u00e1 em primeiro plano; mas \u00e9 claro que o artista ele \u00e9 influenciado pelo conv\u00edvio social e pelas quest\u00f5es de seu tempo, foi assim com os poetas, os escritores, os m\u00fasicos durante toda a hist\u00f3ria da humanidade, ent\u00e3o n\u00e3o seria diferente agora, comigo. Eu preciso encarar tudo que est\u00e1 acontecendo de frente e peitar com um pouco de sutileza tamb\u00e9m, a capa \u00e9 uma capa sutil. O \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d, para mim, era muito mais um confronto, tinha um menino com um baseado na boca, tinha toda a quest\u00e3o de a gente estar mostrando nossos corpos de uma maneira muito mais pol\u00edtica e o \u201cReal\u201d n\u00e3o, \u00e9 mais uma mensagem ali para a gente discutir essas quest\u00f5es de uma outra maneira, j\u00e1 vai muito mais al\u00e9m da quest\u00e3o LGBTQ, agora \u00e9 muito mais a quest\u00e3o de uma urg\u00eancia real para a sociedade como um todo e para a arte como um todo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52758\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Capa_Real_Oficial_por-Lucas-Murnaghan.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Capa_Real_Oficial_por-Lucas-Murnaghan.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Capa_Real_Oficial_por-Lucas-Murnaghan-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Capa_Real_Oficial_por-Lucas-Murnaghan-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando da capa, ela \u00e9 lind\u00edssima, assim como era a do &#8220;Divina Gra\u00e7a&#8221;. Voc\u00ea entende que, de algum modo, as duas capas provocam as pessoas pela simples exist\u00eancia do corpo negro vivo e ocupando espa\u00e7os?<\/strong><br \/>\nClaro, \u00e9 exatamente isso! \u00c9 o corpo negro, a exist\u00eancia negra e, principalmente, por ter sido colocado num lugar de exalta\u00e7\u00e3o, num lugar de eleg\u00e2ncia, no lugar que \u00e9 geralmente de gente branca. Ent\u00e3o, no \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d a gente colocou o cen\u00e1rio justamente na Confeitaria Colombo, um lugar de aristocracia. E o \u201cReal\u201d eu queria que fosse em uma piscina, eu queria no imagin\u00e1rio das pessoas, um lugar que \u00e9 um lugar de pessoas brancas: a piscina, o azul, a contempla\u00e7\u00e3o da imagem, \u00e9 um lugar muito espec\u00edfico no imagin\u00e1rio das pessoas de eleg\u00e2ncia branca, ao meu ver. Eu ouvi de uma amiga, em S\u00e3o Paulo, em 2017, de que a luta deveria continuar sendo de ocupar espa\u00e7os. No meu caso, eu nasci em Salvador, no bairro da Liberdade, que \u00e9 o bairro com a maior concentra\u00e7\u00e3o de negros na Am\u00e9rica Latina \u2013 talvez em toda a Am\u00e9rica, mas \u00e9 um bairro negro, em Salvador, que \u00e9 uma cidade negra, na Bahia, que \u00e9 o ber\u00e7o da \u00c1frica fora da \u00c1frica, ent\u00e3o pra mim o \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d foi um salto muito adiante nessas quest\u00f5es para eu me autoidentificar tamb\u00e9m. Em \u201cReal\u201d eu j\u00e1 parti desse esvaziamento de um disco pro outro, mas tamb\u00e9m de quest\u00f5es que eu queria falar no aspecto do que eu estava vivenciando no agora. N\u00e3o \u00e9 um disco de mem\u00f3rias afetivas, como talvez foi o \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d; n\u00e3o \u00e9 um disco voltando as minhas ra\u00edzes e regressando ao Brasil; n\u00e3o, \u00e9 um disco em que eu j\u00e1 estava com a carreira mais consolidada no Brasil, que eu j\u00e1 estava com meu nome certamente conhecido pelas pessoas e eu falei \u201cn\u00e3o, agora eu vou voltar as quest\u00f5es filos\u00f3ficas, desse momento, da minha gera\u00e7\u00e3o\u201d. E isso envolve tamb\u00e9m a quest\u00e3o de ocupar espa\u00e7os, como LGBTs, como negros, como mulheres, pessoas trans, \u00e9 muito importante que a gente continue vendo a nossa luta como uma luta por direitos humanos. E tamb\u00e9m como uma luta para ocupar espa\u00e7os, porque \u00e9 isso que vai mudar o sistema capitalista como um todo: \u00e9 minorias, que s\u00e3o maiorias, ocupando espa\u00e7os. A gente precisa muito, muito debater isso. E a quest\u00e3o do homem negro \u00e9 uma quest\u00e3o que, na verdade, ao meu ver, \u00e9 muito crucial para o Brasil. De ser o pa\u00eds que mais mata LGBT, mas que tamb\u00e9m mata jovens negros. Teve o caso dos 80 tiros, que a gente n\u00e3o viu as pessoas nas ruas revoltadas por um pai de fam\u00edlia ser executado pela pol\u00edcia militar com 80 tiros. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que ainda est\u00e1 muito, muito, muito nas nossas mentes, mas que n\u00e3o est\u00e1 sendo discutida e isso me leva a crer que o Brasil precisa imediatamente, se o Brasil quer se tornar um pa\u00eds s\u00e9rio, discutir a nossa hist\u00f3ria que n\u00e3o est\u00e1 no retrato, como falou a Mangueira no samba-enredo desse ano, que a levou a ganhar o Carnaval do Rio. Esse Brasil, da minha capa, \u00e9 o Brasil que precisa estar no retrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao mesmo tempo que voc\u00ea fala das quest\u00f5es do corpo negro e do corpo trans, me faz pensar em mais um cen\u00e1rio que \u00e9 o dos aplicativos que voc\u00ea citou, como o Grindr, o Hornet e o Scruff, no qual muitos preconceitos e esteri\u00f3tipos s\u00e3o perpetuados e refor\u00e7ados, com um corpo branco e malhado que \u00e9 tido como o padr\u00e3o. Esse cen\u00e1rio extremamente contempor\u00e2neo \u00e9 pano para muitas can\u00e7\u00f5es dentro do &#8220;Real&#8221;. Como voc\u00ea lida com esse universo dos aplicativos e das rela\u00e7\u00f5es dentro deles?<\/strong><br \/>\nSim, essa \u00e9 uma quest\u00e3o que j\u00e1 estava na minha cabe\u00e7a por muito tempo, esses padr\u00f5es e esteri\u00f3tipos de homem gay. E na nossa pr\u00f3pria comunidade LGBT os gays discriminarem pessoas trans ou algu\u00e9m afeminado, ou como a gente diz, poc. Essas s\u00e3o quest\u00f5es de muito tempo pra mim, desde 2004 ou 2003, quando eu estava em Montreal com um amigo, numa pizzaria, quando entrou um rapaz falando alto e, aos olhos do meu amigo, seria uma \u201cpoc descontrolada\u201d. Aquilo me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, meio que me alertou para esses preju\u00edzos que a gente vem causando a n\u00f3s mesmos, que \u00e9 compactuar com isso por muito tempo, que \u00e9 n\u00e3o se levantar contra esse tipo de coisas. Em 2017, em Toronto, na Parada LGBT, o grupo Black Lives Matter parou o circuito, do qual eles estavam fazendo parte, se sentaram na rua, numa intersec\u00e7\u00e3o e pararam a parada para demandar que os seus direitos, que as suas demandas fossem escutadas. Isso por que a Associa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela Parada de Toronto n\u00e3o dava mais espa\u00e7os para pessoas de cor, nem para pessoas de comunidades ind\u00edgenas do Canad\u00e1. Isso tudo se transformou numa como\u00e7\u00e3o, por que muita gente viu como se eles tivessem \u201csequestrado\u201d a Parada de Toronto ou que eles estavam sendo ego\u00edstas por demandar o que estavam demandando. Ao meu ver, aquele foi um momento de alegria \u2013 pelos menos pra mim &#8211; de que algu\u00e9m, que um grupo estava se rebelando, estava chamando aten\u00e7\u00e3o para algo que a gente ainda precisa chamar muito a aten\u00e7\u00e3o. O esteri\u00f3tipo que \u00e9 colocado praticamente na vitrine durantes as Paradas \u00e9 aquele homem branco musculoso, que \u00e9 um esteri\u00f3tipo que foi criado e alimentado pela nossa sociedade que \u00e9 predominantemente patriarcal e branca. Ent\u00e3o, na verdade, o gay branco do aplicativo quando fala que est\u00e1 procurando um homem musculoso, macho &#8211; uma express\u00e3o que \u00e9 muito usada no Brasil -, o macho musculoso: altura tal, tamanho do p\u00eanis tal, coisas muito espec\u00edficas; isso s\u00f3 est\u00e1 demonstrando o que \u00e9 a nossa sociedade, como um espelho dessa sociedade como um todo, que est\u00e1 enraizada em um patriarcado branco. Os problemas das sociedades modernas est\u00e3o muito, muito presos a isso. Ent\u00e3o, num momento que um grupo como o Black Live Matters toma uma atitude, eu sinto que ainda h\u00e1 esperan\u00e7a. Mas muitos amigos gays acharam que era rid\u00edculo, porque eles tamb\u00e9m estavam pedindo que a pol\u00edcia n\u00e3o estivesse na parada, porque a pol\u00edcia mata LGBTs, mata negros, a pol\u00edcia tem carta branca para usar e abusar de seu poder, muito mais no Brasil do que aqui at\u00e9. De todo modo, para mim foi um sopro de esperan\u00e7a. E at\u00e9 mesmo para eu come\u00e7ar a ver o que as pessoas a minha volta estavam pensando. Ent\u00e3o, quando eu me insiro nesse universo dos aplicativos, do Grindr, do Hornet, do Scruff ou outros, eu n\u00e3o tenho como, enquanto uma pessoa sens\u00edvel, n\u00e3o filtrar isso. Ent\u00e3o, nesse disco eu filtrei muitas coisas, eu filtrei as pessoas, a forma como a gente se comunica em grupos. No caso dos aplicativos, grupos de homens cis achando que a luta acabou, achando que a gente n\u00e3o precisa mais lutar por nada, porque a gente conseguiu nossos direitos. Mas pear\u00ea, quem conseguiu os direitos foram os homens gays brancos, que n\u00e3o querem saber as demandas das mulheres l\u00e9sbicas. E n\u00e3o querem absolutamente ter nada a ver com as pessoas trans. Tem muitas quest\u00f5es ainda a serem discutidas. De todo modo, essas foram quest\u00f5es que eu n\u00e3o me aprofundei tanto, eu tentei buscar isso por tentar me inserir. Como j\u00e1 disse, por ser sens\u00edvel eu filtrei muito dessas coisas e quis fazer um disco que refletisse esse momento. E quando eu falo tudo isso do homem macho no aplicativo buscando macho musculoso branco, que n\u00e3o quer asi\u00e1ticos, n\u00e3o quer negros, n\u00e3o quer pocs, n\u00e3o quer v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es, eu n\u00e3o estou falando que essas pessoas s\u00e3o inferiores a mim ou que eu sou superior. Eu estou querendo dizer que n\u00f3s estamos sempre buscando a aceita\u00e7\u00e3o, seja a aceita\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, aceita\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo. E eu realmente espero que a gente comece a refletir. A minha esperan\u00e7a, por fazer o que eu fa\u00e7o, fazer esse trabalho agora, \u00e9 que a gente comece a discutir op\u00e7\u00f5es, sa\u00eddas, muitas coisas, redefinir relacionamentos, redefinir a nossa comunidade por n\u00f3s mesmos e n\u00e3o deixar que essa sociedade patriarcal branca e cis venha impor como a gente deve nos enxergar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Nesse sentido de redefinir relacionamentos, seu disco \u00e9 muito sobre amor tamb\u00e9m, que \u00e9 um tema costumas para voc\u00ea. A maioria das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es suas e algumas s\u00e3o parcerias, como com o Ubunto, o Domenico Lancellotti e o Bem Gil. Como foi esse processo de composi\u00e7\u00e3o e de parcerias?<\/b><br \/>\nAs composi\u00e7\u00f5es partem de um processo muito natural pra mim, assim como as parcerias. Com o Bem e o Domenico acabou sendo porque a gente j\u00e1 tinha algumas can\u00e7\u00f5es desde o \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d. \u201cPessoa\u201d, que \u00e9 parceria com o Domenico nesse disco, eu tinha enviado algumas melodias, a\u00ed ele foi pra \u00cdndia e a gente j\u00e1 estava no est\u00fadio e eu queria muito uma letra dele para esse disco. Lembrei ele das melodias e ele da \u00cdndia falou \u201ceu te mando daqui a pouco uma letra\u201d, a\u00ed na manh\u00e3 seguinte j\u00e1 tinha letra, bel\u00edssima, maravilhosa como sempre do Domenico, e assim foi. E \u201cLove\u2019s Will\u201d foi direto direto no est\u00fadio: eu j\u00e1 estava querendo gravar algo com essa levada meio folk, meio Bahia, meio Gilberto Gil, meio Devendra, a\u00ed o Bem estava tocando um neg\u00f3cio e eu perguntei \u201co que \u00e9 isso a\u00ed?\u201d, a\u00ed ele falou \u201cs\u00f3 um lance que estou tocando\u201d, a\u00ed eu fui pra sala que ele estava gravando, e falei \u201cvai tocando a\u00ed, continua\u201d, a\u00ed eu escrevi a letra assim, no est\u00fadio, de maneira bem simples, bem fluida. Talvez eu j\u00e1 estivesse procurando algo assim, e \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que fala sobre amor, mas n\u00e3o \u00e9 a lei de Deus, mas a lei do amor, por isso \u201cLove\u2019s Will\u201d, por que dialoga sobre esse universo de tudo que a gente j\u00e1 conseguiu at\u00e9 aqui e que n\u00e3o vamos voltar atr\u00e1s. Com o Ubunto tem duas can\u00e7\u00f5es: tem \u201cTropa\u201d e \u201cReal Agora\u201d. Ele me enviou algumas bases, eu acho que ainda em 2017. A gente estava na turn\u00ea do \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d, ele estava fazendo baixo, ele foi me mostrando algumas coisas e a\u00ed eu fui sacando que aquilo ali fazia parte do di\u00e1logo desse disco que eu queria fazer. E tem mais uma outra que \u00e9 \u201cMomento\u201d, com o Philippe Cohen Solal, m\u00fasico franc\u00eas do Gotan Project, e amigo tamb\u00e9m, que me enviou v\u00e1rias melodias e uma delas era a melodia de \u201cMomento\u201d. Eu achei dific\u00edlima, achei que seria imposs\u00edvel de escrever alguma coisa a primeira vez, e era um desafio, mas essa era a can\u00e7\u00e3o que deu meio que um norte para o disco, pois \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o mais pop, mais fora da minha casinha, do que sou acostumado a compor e a\u00ed a partir dela eu fui pensando nas outras, talvez ela seja \u2013 junto com \u201cReal Agora\u201d \u2013 o eixo do disco. E todas as parcerias e os feats, os m\u00fasicos, a participa\u00e7\u00e3o de M\u00e3eana, Lan Lanh, Rubel, Basia [Bulat], est\u00e3o no disco por amor \u2013 claro, s\u00e3o profissionais que foram remunerados e etc e tal \u2013, mas est\u00e3o no disco por serem pessoas sens\u00edveis e que eu tenho uma aproxima\u00e7\u00e3o, que eu sou muito amigo. \u00c9 o caso da M\u00e3eana, que n\u00f3s somos praticamente irm\u00e3os. A gente fala que somos irm\u00e3os separados na maternidade. A Lan Lanh tamb\u00e9m \u00e9 muito amiga e eu queria muito fazer alguma coisa com ela e essa can\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria a can\u00e7\u00e3o que \u00e9 sem ela. O mesmo para a can\u00e7\u00e3o com o Rubel, que n\u00e3o seria o que \u00e9 sem ele. E o disco n\u00e3o seria o que \u00e9 sem o Bem, o Jo\u00e3o Le\u00e3o, o Thomas Harres, sem os m\u00fasicos de corda, o Mark [Lawson] produzindo comigo e mixando, por ser uma pessoa t\u00e3o foda e ao mesmo tempo t\u00e3o delicada, t\u00e3o carinhoso comigo, de ter me aceitado do jeito que eu sou, por pontuar as minhas excentricidades e fazer enxergar que as coisas que eu acho que me d\u00e3o medo, inseguran\u00e7a, s\u00e3o na verdade a riqueza por tr\u00e1s do que eu fa\u00e7o. Ent\u00e3o, nesse momento em que a gente est\u00e1 atravessando um caminho no mundo, o amor \u00e9 ainda, talvez, a arma mais poderosa contra tudo isso. Se a gente esquecer que a gente \u00e9 capaz de amar e de amar novamente, a gente vai estar perdido. Realmente agora, por mais clich\u00ea que seja, a gente percebe o qu\u00e3o importante \u00e9 o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem a participa\u00e7\u00e3o do Bem Gil, mas tamb\u00e9m conta com diferentes m\u00fasicos, tanto brasileiros quanto canadenses. Al\u00e9m disso, ele foi gravado especialmente em Toronto, mas tamb\u00e9m em cidades como Montreal, Rio de Janeiro e Lisboa. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o e esses encontros com todos esses parceiros que participam do disco de forma t\u00e3o afetiva?<\/strong><br \/>\nO processo de grava\u00e7\u00e3o foi muito mais seguro que o de \u201cDivina Gra\u00e7a\u201d. A gente gravou no mesmo est\u00fadio, no Union Sound Company, ent\u00e3o eu j\u00e1 tinha uma rela\u00e7\u00e3o com o t\u00e9cnico de som, que \u00e9 o Ian Gomes, com o Bem. Ent\u00e3o ir pro est\u00fadio com o Bem foi muito bacana, por que a gente pode se divertir, olhar um pro outro e s\u00f3 tocar, saber quais caminhos s\u00f3 no olhar. A gente gravou algumas faixas ao vivo, com todo mundo junto, que \u00e9 o caso da faixa \u201cO Pajem\u201d, que fecha o disco, que \u00e9 um poema do M\u00e1rio de S\u00e1 Carneiro, que eu musiquei. A gente gravou s\u00f3 um take e eu deixei como a gente gravou. Eu estava tocando uma percuss\u00e3o de corpo, ent\u00e3o meu microfone de voz era pra essa percuss\u00e3o, que servia como guia para o Thomas que estava tocando bateria e MPC ao mesmo tempo. Ter esses m\u00fasicos do meu lado foi muito importante! O Jo\u00e3o j\u00e1 havia trabalhado com o Thomas na turn\u00ea \u201cTropix\u201d, da C\u00e9u, ent\u00e3o j\u00e1 eram amigos. O Thomas tinha vindo pra Toronto para visitar o Jo\u00e3o, que tinha acabado de mudar pra cidade, ele conheceu a esposa dele no show da C\u00e9u, acho que em 2017 ou 2016, aqui em Toronto. O Thomas veio pra Toronto para o casamento do Jo\u00e3o, que foi na mesma \u00e9poca em que est\u00e1vamos gravando o disco, ent\u00e3o fomos todos para o casamento do Jo\u00e3o. Ent\u00e3o, foi mesmo um grupo de pessoas em que cada um tinha uma conex\u00e3o com o outro. O Thomas estava tocando com o Bem tamb\u00e9m na turn\u00ea do \u201cRefavela 40\u201d, um show em homenagem ao \u201cRefavela\u201d do Gil. Os meninos ficaram aqui em casa, o Thomas e o Bem, a gente ia pro est\u00fadio juntos, comia juntos, saia juntos. O arranjador eu trabalho com ele h\u00e1 muito tempo, o Graham Campbel e queria ele num dos meus discos e finalmente encontrei a oportunidade de ter ele, que eu queria que fosse um disco com cordas. Os m\u00fasicos de cordas eu queria que fossem todas mulheres, mas acabou que no final foram tr\u00eas mulheres e um homem, mas \u00e9 super diverso: tem uma mexicana, outra \u00e9 de descend\u00eancia ind\u00edgena daqui, uma negra, e um dos violinistas \u00e9 iraniano. Eu tamb\u00e9m queria trabalhar com isso em mente: trazer pra perto essa diversidade, essa ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que eu estava falando antes. Pra mim era importante estar com essas pessoas perto, por serem absolutamente incr\u00edveis, m\u00fasicos incr\u00edveis. Ter hist\u00f3rias internas e ter motivos para os quais eu estava fazendo essas escolhas, estar com essas pessoas, ter um entendimento mais profundo da can\u00e7\u00e3o. Essas coisas valem muito e eu penso muito sobre elas. O mais importante de tudo \u00e9 a delicadeza e a sensibilidade de cada m\u00fasico, ent\u00e3o ter m\u00fasicos brasileiros, canadenses, ter o Mark, que trabalha com o Arcade Fire, que \u00e9 um cara muito, muito sens\u00edvel, talvez o mais sens\u00edvel de todos, ent\u00e3o pra mim foi muito gratificante. Todas essas hist\u00f3rias me fazem sentir seguro quanto a esse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 apresentou o &#8220;Real&#8221; a\u00ed em Toronto, por\u00e9m h\u00e1 planos de traz\u00ea-lo para o Brasil logo, logo?<\/strong><br \/>\nA gente fez o show de lan\u00e7amento aqui em Toronto no Harbourfront Center, num festival chamado Brave, foi bem legal, teve coisas incr\u00edveis, nomes como Buika, Kelis, foi bem bacana. E a gente est\u00e1 nesse trabalho de levar o show para o Brasil. As coisas est\u00e3o meio devagar com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil nesse momento, achamos que \u00e9 por conta de tudo que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds, mas a gente tem planos sim de fazer Salvador, Porto Alegre, BH, Rio e S\u00e3o Paulo. Esses s\u00e3o os planos de in\u00edcio e come\u00e7ar em setembro ou outubro, a\u00ed no ano que vem fazer Europa e Estados Unidos, esses s\u00e3o os planos em que a gente est\u00e1 trabalhando. Espero estar no Brasil entre setembro e outubro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno Capinan - T\u00e3o Perto (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JWRrhT8EdtA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Equ\u00edvoco\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aWZu88nbFks?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno Capinan - Vicente (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oUVUHwG0uUE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno Capinan - O Porto Prazer (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6icGmtN1afc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno Capinan - Um Segundo\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/208581889?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"747\" height=\"420\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. 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Todos essas refer\u00eancias podem ser encontradas dentro do quarto disco de Capinan, chamado \u201cReal\u201d (2019\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/26\/entrevista-bruno-capinan\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":52757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1388],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52756"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52756"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52759,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52756\/revisions\/52759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}