{"id":52640,"date":"2019-08-08T10:28:10","date_gmt":"2019-08-08T13:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52640"},"modified":"2019-09-17T01:18:54","modified_gmt":"2019-09-17T04:18:54","slug":"entrevista-bernardo-bauer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/08\/entrevista-bernardo-bauer\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bernardo Bauer"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Belo Horizonte, Bernardo Bauer \u00e9 um multifacetado m\u00fasico que al\u00e9m seguir em formato solo encontra tempo para dividir as suas aten\u00e7\u00f5es com a Pequeno C\u00e9u e a Moons, coletivo indie\/folk liderado por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/19\/entrevista-andre-travassos-moons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Travassos<\/a>. Sua estreia foi a partir do EP \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3wQTIOJA36wlf0kG2JWL1y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pelomenosum<\/a>\u201d onde Bauer j\u00e1 deixou claro as predile\u00e7\u00f5es sonoras que apostam num formato mais simples, minimalista e solit\u00e1rio em ode a contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 2019, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0q4F3cFvOaA0Qpyvz2ltnA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00e1ssaro\u2013C\u00e3o<\/a>\u201d \u00e9 um \u00e1lbum conceitual onde o cantautor segue mantendo suas ra\u00edzes, mas traz como novidade ao seu fazer musical uma s\u00e9rie de colaboradores, que acabaram por influenciar diretamente o resultado final \u2013 entre eles, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/22\/faixa-a-faixa-estacao-cidade-baixa-nobat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luan Nobat<\/a>, Mariana Cavanellas e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/18\/tres-cds-mordomo-sara-nobat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sara N\u00e3o tem Nome<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, Bauer fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cP\u00e1ssaro\u2013C\u00e3o\u201d, o conceito por tr\u00e1s do disco, as diferen\u00e7as entre este trabalho e o anterior, as participa\u00e7\u00f5es especiais, influ\u00eancias, o trabalho com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/02\/download-o-novo-disco-de-leonardo-marques\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Marques<\/a> (produtor do disco), a parceria com o selo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/09\/13\/entrevista-barral-lima-under-discos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Under Discos<\/a>, o destrate ambiental de Brumadinho, o fato da m\u00fasica ser rem\u00e9dio para os tempos que vivemos e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bernardo Bauer part. Sara N\u00e3o Tem Nome - Coragem (Videoclipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VAJGIS1YISQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o deste novo trabalho?<\/strong><br \/>\nFoi super espont\u00e2neo, j\u00e1 havia algumas m\u00fasicas pipocando na minha cabe\u00e7a desde o lan\u00e7amento do &#8216;pelomenosum&#8217; (2017), e eu queria muito dar esse passo \u00e0 frente, criar um disco mais coletivo, que envolvesse outras pessoas no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;P\u00e1ssaro-C\u00e3o&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum conceitual que acaba por fazer ode aos nossos tempos. O cotidiano \u00e9 de fato a for\u00e7a motriz do seu trabalho?<\/strong><br \/>\nPode-se dizer que sim. O cotidiano \u00e9 o substrato principal das poesias que o disco carrega. Quando eu pego o instrumento pra compor uma can\u00e7\u00e3o eu sempre procuro falar das coisas que mais me tocam naquele momento exato. Ent\u00e3o \u00e9 natural que elas tratem do dia-a-dia. Eu n\u00e3o costumo muito criar personagens e imaginar hist\u00f3rias descoladas da minha realidade pra compor. Me sinto mais \u00e0 vontade falando do que eu vivo de fato, ent\u00e3o acho que esse &#8216;esp\u00edrito do tempo&#8217; acabou se tornando pe\u00e7a central do disco, porque a minha gera\u00e7\u00e3o, que nasceu no fim dos anos 80, viu, em pouco tempo, a realidade ser completamente desfigurada e uma nova ideia de vida foi projetada nessas telas que hoje regem a nossa vida. Isso me afeta demais e \u00e9 raro eu passar um dia sem pensar nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dois anos separam este novo trabalho de &#8220;pelomenosum&#8221;. Quais as diferen\u00e7as mais substanciais existem entre ambos?<\/strong><br \/>\nO &#8216;pelomenosum&#8217; foi um mergulho interno, foi todo gravado num s\u00edtio em Santana do Riacho, onde eu fiquei completamente sozinho por 20 dias. Foi um passo importante pra eu desabafar o que me afligia na \u00e9poca e me posicionar como um artista s\u00f3. J\u00e1 o \u201cP\u00e1ssaro-C\u00e3o\u201d representou essa abordagem mais coletiva. Quis trazer os m\u00fasicos que tocam comigo nas outras bandas que participo pra criar uma est\u00e9tica um pouco menos \u00edntima, j\u00e1 que no disco anterior eu n\u00e3o s\u00f3 gravei sozinho como fazia os shows dessa forma tamb\u00e9m. Trouxe gente pra dividir os vocais de algumas m\u00fasicas e acho que isso fez uma diferen\u00e7a enorme no resultado final. O trabalho se tornou um pouco mais &#8216;pop&#8217;, mas bem menos previs\u00edvel, eu acho. Agora, nesses primeiros shows do \u201cP\u00e1ssaro-C\u00e3o\u201d, j\u00e1 sinto aquele calor da banda e tenho a certeza de que era nessa dire\u00e7\u00e3o que eu queria caminhar. N\u00e3o queria me tornar aquele m\u00fasico solit\u00e1rio que divide o palco s\u00f3 com seus pedais de loop para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luan Nobat e Sara N\u00e3o tem Nome s\u00e3o alguns dos convidados especiais que comparecem neste seu segundo trabalho. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o e quais as contribui\u00e7\u00f5es eles trouxeram para o seu trabalho?<\/strong><br \/>\nPoxa, o Nobat \u00e9 um grande amigo que eu fiz num projeto que a gente teve junto, uma banda de um show s\u00f3, que uniu m\u00fasicas minhas, dele e da Mariana Cavanellas (que tamb\u00e9m participou do \u201cP\u00e1ssaro-C\u00e3o\u201d). Naquele processo, em 2018, eu tinha acabado de criar uma m\u00fasica e quis muito cantar com eles. A gente acabou fazendo um arranjo de vozes que se tornou essencial na m\u00fasica (\u201cMem\u00f3rias \u2013 Uma Cidade Esburacada\u201d). A\u00ed na hora de gravar tive que chamar os dois pra cantar comigo, foi super legal trazer esse clima pro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sara foi uma outra hist\u00f3ria, eu j\u00e1 era f\u00e3 dela e quando criei a m\u00fasica &#8220;Coragem&#8221; achei que conversava com as coisas dela. Porque ela tem esse lance de falar coisas super pesadas de uma forma leve, uma ironia do pr\u00f3prio personagem que ela \u00e9 e eu acho muito foda. E a m\u00fasica tem essa onda, de cantar com a maior leveza do mundo o medo dos coment\u00e1rios da internet, dos juros do cheque especial&#8230; A\u00ed, por acaso, a conheci no inicinho desse ano, na casa de uma amiga. A gente passou a noite criando outras m\u00fasicas e foi super divertido, chamei ela pra participar do disco e depois disso a gente j\u00e1 fez v\u00e1rias coisas juntos \u2013 e eu espero fazer mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao ouvir o disco percebe-se ecos de artistas como o Fleet Foxes, o Bon Iver e o Clube da Esquina. Seu fazer musical se aproxima deles? Quais s\u00e3o as suas refer\u00eancias?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei dizer como \u00e9 o fazer musical desses \u00eddolos que voc\u00ea citou, mas sei dizer que todos os tr\u00eas me tocam muito e eu ou\u00e7o muito. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o influenciar no que eu crio, porque pra mim, quando eu fa\u00e7o algo que soa como Fleet Foxes, significa que eu estou fazendo algo que me toca. O mesmo eu diria sobre o Clube da Esquina, Bon Iver e tantos outros artistas. Eu tamb\u00e9m gosto muito de m\u00fasica caipira (Renato Teixeira, Almir Sater, Pena Branca e Xavantinho) e tamb\u00e9m ou\u00e7o muito hip-hop. Ent\u00e3o a sonoridade do disco acaba importando partes da est\u00e9tica de cada um desses artistas. N\u00e3o acredito em originalidade absoluta, n\u00e3o me vejo como um artista totalmente original, mas eu tento fazer dessa mistura uma coisa nova. Mas eu diria que as principais influ\u00eancias do disco s\u00e3o dos pr\u00f3prios m\u00fasicos que tocaram nele. O Guto (baterista do disco), o Henrique Cunha (guitarrista) ou o Felipe D&#8217;Angelo (tecladista) influenciam muito mais a mim como m\u00fasico do que qualquer banda gringa que eu tenha ouvido muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao mesmo tempo em que desenvolve uma carreira solo voc\u00ea divide aten\u00e7\u00f5es com o pessoal do Moons e do Pequeno C\u00e9u. De alguma forma, o fato colaborar com outros artistas interfere no seu trabalho?<\/strong><br \/>\nVixe, acho que respondi essa pergunta na anterior. Eu acho que as maiores influ\u00eancias musicais v\u00eam dos m\u00fasicos que costumam tocar com a gente. O Pequeno C\u00e9u foi uma grande escola pra mim, a gente experimentava demais e nunca teve muito apego em repetir uma f\u00f3rmula. \u00c9 natural, quando a gente tem uma banda e toca junto sempre, que voc\u00ea pegue uns trejeitos de um e de outro de tempos em tempos, que perceba uma harmonia diferente e ela reapare\u00e7a na sua mem\u00f3ria anos depois. Mas j\u00e1 tem um tempo que o Pequeno C\u00e9u n\u00e3o toca, atualmente tenho tocado bem mais com o Moons, que \u00e9 uma banda super ativa e caprichosa nos detalhes e timbres. A gente se encontra toda semana, religiosamente, pra ensaiar. Faz turn\u00ea, grava discos e toma cerveja juntos, n\u00e3o tem como n\u00e3o assumir que eles influenciam e interferem no meu trabalho. A diferen\u00e7a \u00e9 que no trabalho solo eu tento usar a m\u00fasica pra amplificar meus desabafos, minha poesia. Eu sempre escrevi e sonhei em ter uma galera como essa do meu lado pra poder cantar, ent\u00e3o, nesse sentido, eu s\u00f3 tenho a agradecer a companhia de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Marques foi o produtor do disco. Como foi esta parceria?<\/strong><br \/>\nO Leo \u00e9 um gigante. Ele tinha que ser conhecido no mundo inteiro (risos). Super caprichoso, tira um som que eu n\u00e3o vejo ningu\u00e9m no Brasil tirando. Tem essa onda vintage, de garimpar equipamentos, nada no est\u00fadio dele \u00e9 o mais caro ou o mais \u00f3bvio, e isso \u00e9 legal demais. Al\u00e9m disso, \u00e9 um grande amigo, um produtor que deixa a gente trabalhar numa boa, \u00e9 muito raro ele chegar e dizer &#8220;tive uma ideia pra essa parte aqui, e se voc\u00ea fizesse isso ao inv\u00e9s daquilo&#8221;. Ele fica l\u00e1 na dele, tranquilamente, ouve com cuidado, e normalmente os pitacos s\u00e3o no sentido de secar o excesso de informa\u00e7\u00e3o. Ele gosta dessa onda minimalista, dos espa\u00e7os pras coisas acontecerem, e isso ajuda a conter a ansiedade que muitas vezes toma conta do ambiente de grava\u00e7\u00e3o. Eu sou f\u00e3 dele e fico feliz em fazer mais um trabalho junto com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;P\u00e1ssaro-C\u00e3o&#8221; foi lan\u00e7ado pelo selo Under Discos. Como se deu a parceria e qual a import\u00e2ncia de ter o seu trabalho vinculado ao selo?<\/strong><br \/>\nA parceria surgiu a convite do pr\u00f3prio Nobat, que \u00e9 hoje o A&amp;R do selo. \u00c9 bom ter parceiros, \u00e9 importante nos percebermos como parte de um movimento, e depois de muito murro em ponta de faca eu percebi que andar sozinho n\u00e3o me faz t\u00e3o bem assim. O selo me ajuda a alcan\u00e7ar mais gente e a pensar em a\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am sentido pra minha carreira. A parceria est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando e eu espero que aconte\u00e7am muitas coisas ainda, mas \u00e9 legal que o Nobat e o Barral est\u00e3o sempre frequentando as feiras de m\u00fasica, entendendo o que as pessoas est\u00e3o fazendo em outros lugares e pensando em estrat\u00e9gias pra levar o nosso trabalho adiante. Acho que faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 de Brumadinho, cidade que recentemente foi devastada pela lama devido as a\u00e7\u00f5es criminosas da Vale. Como cidad\u00e3o local qual foi o impacto que voc\u00ea sentiu? Isto de certa forma acabou por refletir no disco?<\/strong><br \/>\nNa verdade eu moro no limite do munic\u00edpio, o centro de Belo Horizonte \u00e9 mais perto da minha casa do que o centro de Brumadinho, ent\u00e3o minha vida inteira eu vivi mais perto da metr\u00f3pole, \u00e9 bom pontuar isso pra n\u00e3o parecer oportunista dizer que sou brumadinhense uma hora dessas. Mas a barragem que estourou \u00e9 perto de onde eu moro, e quando aconteceu a trag\u00e9dia criminosa eu estava trabalhando no Inhotim, pegando a estrada (que foi tomada pela lama) diariamente. O trem foi feio, cara. \u00c9 ainda mais absurdo porque a mesma empresa tinha acabado de matar o Rio Doce dois anos antes. E em Brumadinho n\u00e3o s\u00f3 matou o Rio Paraopeba (que nasce perto de onde eu moro e eu frequentei a vida inteira) como matou centenas de funcion\u00e1rios da pr\u00f3pria empresa. O sentimento na cidade era de tristeza profunda, mas tamb\u00e9m de muito \u00f3dio. \u00c9 foda, porque \u00e9 um inimigo sem face, n\u00e3o tem onde descontar e eu n\u00e3o vejo a l\u00f3gica da minera\u00e7\u00e3o mudando nesse estado chamado Minas Gerais t\u00e3o cedo. A gente se sente completamente impotente num momento desses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao disco, eu acho que n\u00e3o influenciou tanto porque ele j\u00e1 estava pronto naquele fat\u00eddico 25 de janeiro de 2019. Mas eu posso dizer que j\u00e1 fiz v\u00e1rias m\u00fasicas pra essa minera\u00e7\u00e3o do c\u00f3rrego do feij\u00e3o. \u00c9 que perto da minha casa tem um mirante de onde d\u00e1 pra ver a minera\u00e7\u00e3o comendo as montanhas, e eu moro aqui h\u00e1 25 anos, a paisagem mudou muito, e eu escrevi a m\u00fasica &#8220;Nem Com Querosene Essa alma Acende&#8221;, que \u00e9 a segunda faixa do &#8220;pelomenosum&#8221;, em &#8220;homenagem&#8221; a essa a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. Na \u00e9poca, o que me chamava aten\u00e7\u00e3o eram as queimadas, sempre frequentes no inverno daqui \u2013 e \u00e9 outro fruto ingrato da a\u00e7\u00e3o das mineradoras \u2013, mas depois desse crime eu mudei a letra da m\u00fasica e agora ao inv\u00e9s de dizer &#8220;cerrado no inverno \u00e9 bomba-rel\u00f3gio&#8221; eu digo &#8220;barragem de min\u00e9rio \u00e9 bomba-rel\u00f3gio&#8221;. \u00c9 uma forma pequena que encontrei de deixar essa mem\u00f3ria viva, de levantar essa bandeira e de fazer algo mais que entretenimento da minha m\u00fasica. Eu acredito muito na arte como uma formal de registro hist\u00f3rico e quero regravar essa m\u00fasica com a nova letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua m\u00fasica soa, para mim, como ant\u00eddoto aos tempos tempestuosos em que vivemos ao apostar em m\u00e9tricas silenciosos e introspectivos. A interioridade e autoconhecimento s\u00e3o capazes de reverter o caos em que estamos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que vamos reverter o caos t\u00e3o cedo. Mas acho importante reconhecermos ele, aprofundar e cutucar a ferida. \u00c9 claro que a gente usa a arte pra projetar possibilidades tamb\u00e9m, mesmo que sejam apenas imagin\u00e1rias ou distantes. Mas como eu disse antes, acho que o poder de registrar a hist\u00f3ria em forma de m\u00fasica ou poesia \u00e9 algo importante, mesmo que de forma m\u00ednima. No Brasil a gente tem essa coisa de esquecer o passado e por isso repeti-lo em loop eterno. Eu acho que vai precisar de uma crise socioambiental ainda mais devastadora pro ser humano se perceber perec\u00edvel como \u00e9. Espero que um dia o ciclo se quebre, enquanto isso, nos ferramos aqui, mas como dizia o av\u00f4 da minha companheira, &#8220;s\u00f3 n\u00e3o seja um FDP&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bernardo Bauer - P\u00e1ssaro-C\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLOgLMy_yvlghTDrDtrjlKziOziwkf9Cdj\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0 A foto que abre o texto \u00e9 de Julia Baumfeld\u00a0 \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Natural de Belo Horizonte, Bernardo Bauer \u00e9 um multifacetado m\u00fasico que al\u00e9m seguir em formato solo encontra tempo para dividir as suas aten\u00e7\u00f5es com a Pequeno C\u00e9u e a Moons e agora lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum solo cheio. Conhe\u00e7a!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/08\/entrevista-bernardo-bauer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":52641,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3681,995,3020,1538,985,3223],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52640"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52640"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52640\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52645,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52640\/revisions\/52645"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}