{"id":52568,"date":"2019-08-04T13:06:52","date_gmt":"2019-08-04T16:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52568"},"modified":"2020-10-20T14:10:30","modified_gmt":"2020-10-20T17:10:30","slug":"ao-vivo-stereolab-mostra-atualidade-e-potencia-de-suas-musicas-em-manchester","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/04\/ao-vivo-stereolab-mostra-atualidade-e-potencia-de-suas-musicas-em-manchester\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Stereolab mostra atualidade e pot\u00eancia de suas m\u00fasicas em Manchester"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.leandromelito.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Melito<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda franco-inglesa Stereolab encerrou o m\u00eas de julho com uma performance hipnotizante em Manchester. A apresenta\u00e7\u00e3o estava prevista para junho, mas foi remarcada por motivos de sa\u00fade e o grupo chegou \u00e0 cidade dez dias ap\u00f3s tocar <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uRhrsyzioYc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">no Pitchfork Festival<\/a>, em Chicago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta do Stereolab aos palcos na turn\u00ea que come\u00e7ou pela Europa e vai percorrer os Estados Unidos a partir de setembro est\u00e1 atrelada ao <a href=\"https:\/\/stereolab.co.uk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">relan\u00e7amento de sete discos<\/a> (acrescidos de faixas b\u00f4nus) de sua discografia anunciados para este ano. \u201cDoots and Loops\u201d (1997) e \u201cCobra and Phases Group Play Voltage in the Milky Night\u201d (1999) tem relan\u00e7amento remasterizado em vinil e CD anunciados para o dia 13 de setembro, junto com \u201cEmperor Tomato Ketchup\u201d (1996) Em maio foram relan\u00e7ados \u201cTransient Random-Noise Bursts With Announcements\u201d (1993) e \u201cMars Audiac Quintet\u201d (1994) e para novembro est\u00e3o previstos \u201cSound Dust\u201d (2001) e \u201cMargerine Eclipse\u201d (2004). O \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio da banda foi \u201cNot Music\u201d (2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Manchester, o Stereolab apresentou uma generosa sele\u00e7\u00e3o de sua discografia no Albert Hall, antigo sal\u00e3o central metodista constru\u00eddo em 1908 com capacidade para 2290 pessoas. \u201cUm lugar ridiculamente especial para estar\u201d, brincou Laetita Sadier.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da dupla fundadora Laetitia Sadier (vocal, guitarra e teclados) e Tim Gane (guitarras), tocaram no Albert Hall o baterista Andy Ramsay, o tecladista Joe Watson e o baixista Xavier Mun\u00f5z Guimera que acompanhou Sadier nos vocais em algumas m\u00fasicas, fazendo as vezes de Mary Hansen, que faleceu em 2002 num acidente de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52612\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Stereolab se apresentou com casa cheia depois de um dia chuvoso em Manchester e abriu a noite com \u201cCome Andy, Play in the Milky Night\u201d (1999) seguida de \u201cBrakhage\u201d, m\u00fasicas da fase em que a banda consolidou sua mistura musical do experimentalismo eletr\u00f4nico \u2013 com forte influ\u00eancia do krautrock \u2013 e m\u00fasica pop nos discos \u201cCobra And Phases Group Play Voltage in the Milky Night\u201d (1999) e \u201cDoots and Loops\u201d (1997), respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo, as m\u00fasicas ganham pot\u00eancia e mostram porque o Stereolab continua relevante em 2019 e sua m\u00fasica aponta caminhos para o futuro. Mesmo aquelas com roupagem mais pop cont\u00e9m um grau de experimentalismo que permite a banda tomar caminhos inusitados durante a sua execu\u00e7\u00e3o ao vivo e mant\u00e9m o expectador em estado de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Stereolab \u00e9 uma banda que as pessoas presentes no show participam de uma experi\u00eancia sonora e geralmente n\u00e3o est\u00e3o ali para cantarem juntas o refr\u00e3o de uma m\u00fasica. Mas cantam tamb\u00e9m, como no chamado: \u201cLa resistance!\u201d. Em \u201cFrench Disko\u201d, do \u00e1lbum \u201cTransient Random-Noise Bursts With Announcements\u201d (1993), o apelo dan\u00e7ante \u00e9 colocado a favor de uma letra forte que continua a fazer bastante sentido para o momento atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThough this world&#8217;s essentially an absurd place to be living in\/ It doesn&#8217;t call for total withdrawal\/I&#8217;ve been told it&#8217;s a fact of life\/Men have to kill one another\/ Well I say there are still things worth fighting for.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de romperem com o formato can\u00e7\u00e3o (versos, refr\u00e3o, versos) na maior parte de suas m\u00fasicas, as letras do Stereolab tem for\u00e7a em sua mensagem pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m ganham em significado po\u00e9tico na intensidade da repeti\u00e7\u00e3o, uma caracter\u00edstica do grupo que ganha relevo na execu\u00e7\u00e3o ao vivo e envolve o p\u00fablico na performance. A mesma frase repetida em loop diversas vezes ganha um significado sonoro e cria uma certa tens\u00e3o de expectativa, que pode levar a momentos de catarse como na execu\u00e7\u00e3o de \u201cMetronomic Underground\u201d (\u201cEmperor Tomato Ketchup\u201d, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repeti\u00e7\u00e3o do verso \u201ccrazy, sturdy, a torpedo\u201d como um mantra, somada \u00e0 marca\u00e7\u00e3o da bateria numa batida ritmada quase eletr\u00f4nica e os timbres espaciais do teclado formam um t\u00fanel musical que envolve o p\u00fablico e d\u00e1 espa\u00e7o para a improvisa\u00e7\u00e3o que cresce e explode ao final da m\u00fasica. A guitarra de Gane ganha peso e distor\u00e7\u00e3o, rasga acordes \u00e1speros num ritmo tamb\u00e9m quebrado e \u00e9 amaciada pelos timbres do teclado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52611\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/stereolab1-1-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cInfinite Girl\u201d novamente a repeti\u00e7\u00e3o dos versos \u201cScatter\/ Scatter brained by \/ The sins\u201d e \u201cA Knife\/ To cut the root\/ The root\/ Of ignorance\u201d com uma forma particular de acentuar as s\u00edlabas utilizada por Sadier. H\u00e1 ent\u00e3o uma nova pausa, mas essa n\u00e3o faz parte da performance: s\u00e3o para ajustes na amplifica\u00e7\u00e3o e na guitarra de Gane. O show retoma com \u201cAnamorphose\u201d e agora as repeti\u00e7\u00f5es s\u00e3o em franc\u00eas \u201cDe plus vrai que\/ De plus vrai que le\/ Plus vrai que le soufle\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a explos\u00e3o vem na m\u00fasica seguinte. \u201cVamos falar um pouco mais de capitalismo?\u201d, provoca Sadier antes de tocar os acordes do hit \u201cPing Pong\u201d (de \u201cMars Audiac Quintet\u201d, de 1994), que coloca o p\u00fablico em \u00eaxtase com um dos refr\u00f5es anticapitalistas mais bem ajambrados da m\u00fasica pop. \u201cBigger slump and bigger wars and a smaller recovery \/ Huger slump and greater wars and a shallower recovery\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A energia continua alta na execu\u00e7\u00e3o de \u201cPercolator\u201d e atinge um novo \u00e1pice ao final de \u201cLo Boob Oscillator\u201d, da segunda colet\u00e2nea de singles e raridades do grupo, \u201cRefried Ectoplasm\u201d (1995), anunciada como \u00faltima da noite. A banda estende a m\u00fasica por cerca de 10 minutos numa experimenta\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0s influ\u00eancias do NEU! com a batida repetitiva quase mec\u00e2nica da bateria abrindo caminho para as texturas do teclado e as distor\u00e7\u00f5es da guitarra que criam ambientes mais densos, um experimentalismo noise que deixa a plateia suspensa. O grupo sai ovacionado do palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na volta engatilham sequ\u00eancia arrematadora, emendando uma m\u00fasica na outra num f\u00f4lego de 20 minutos: \u201cRainbo Conversation\u201d (\u201cDoots and Loops\u201d), \u201cMilk Blue\u201d (\u201cCobra and Phases\u201d) e \u201cJohn Cage Bubblegum\u201d (2007), que de fato encerra o show. As luzes acendem, a banda se despede. Sadier fita a plateia durante um tempo, emocionada, depois que o restante da banda j\u00e1 deixou o palco. A turn\u00ea segue Europa afora depois estica para EUA, Canad\u00e1 e, em outubro, M\u00e9xico. Para o Brasil, que s\u00f3 viu <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MGXU8KrdtQE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o Stereolab ao vivo em <\/a><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MGXU8KrdtQE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">2000<\/a>, seria especial rever a banda quase 20 anos depois. Ser\u00e1 que algu\u00e9m produtor se anima?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.mixcloud.com\/radioraio\/bootlab-ou-stereolegs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Ou\u00e7a um podcast com algumas m\u00fasicas gravadas ao vivo neste show<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Stereolab - Metronomic Underground - Manchester 2019\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XID2uaDl3IM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.leandromelito.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Melito<\/a> \u00a0\u00e9 jornalista e colaborador com textos publicados na EBC, Valor, UOL e Vice, entre outros .\u00a0 A foto que abre o texto \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o do Facebook de Julian Markham. As fotos coloridas s\u00e3o de Jack Kirwin &#8211; JK Photography \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em Manchester, o Stereolab apresentou uma generosa sele\u00e7\u00e3o de sua discografia no Albert Hall, antigo sal\u00e3o central metodista constru\u00eddo em 1908 com capacidade para 2290 pessoas. \u201cUm lugar ridiculamente especial para estar\u201d, brincou Laetita Sadier.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/04\/ao-vivo-stereolab-mostra-atualidade-e-potencia-de-suas-musicas-em-manchester\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":52569,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3836],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52568"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52568"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52568\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57938,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52568\/revisions\/57938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}