{"id":52537,"date":"2019-07-31T13:47:39","date_gmt":"2019-07-31T16:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52537"},"modified":"2019-08-30T13:48:00","modified_gmt":"2019-08-30T16:48:00","slug":"entrevista-china-apresenta-seu-manual-de-sobrevivencia-para-dias-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/31\/entrevista-china-apresenta-seu-manual-de-sobrevivencia-para-dias-mortos\/","title":{"rendered":"Entrevista: China"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto da efervescente cena pernambucana dos anos 90, o Sheik Tosado fez barulho dos bons ao unir punk, hardcore com elementos regionais que marcaram o seu \u00e1lbum de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3V1bv6TYQ5pgQQgXUiycjO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Som de Car\u00e1ter Urbano e de Sal\u00e3o<\/a>\u201d (Trama), de 1999. Mas de forma repentina o grupo encerrou as atividades e esta foi a deixa para que o vocalista China seguisse seus pr\u00f3prios caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1 ele tem se firmado n\u00e3o s\u00f3 na ala musical, tendo <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/5ohiZZQ8HgK9L0mhpncl6p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cinco discos solo<\/a> e diversas parcerias com outros artistas (incluindo o Del Rey, grupo que China mant\u00e9m paralelamente com membros do Momboj\u00f3 recriando can\u00e7\u00f5es do Rei Roberto Carlos), como tamb\u00e9m tem mostrado a sua versatilidade na TV, com trabalhos realizados na MTV e, atualmente, na cobertura de festivais musicais pelo Multishow.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rompendo um hiato de cinco anos, per\u00edodo em que se dedicou a \u201crever rumos\u201d, China retorna ao universo pop como &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7Ej8TEm52Pz5LEUOq5HZEu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Manual de Sobreviv\u00eancia para Dias Mortos<\/a>&#8221; (2019), seu quinto disco solo. Neste novo \u00e1lbum, o m\u00fasico faz uma ode raivosa a esses tempos marcados por in\u00fameros retrocessos, protagonizados pelos tidos \u201ccidad\u00e3os de bem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida por e-mail, China fala sobre o porqu\u00ea da demora de retorno aos palcos, o processo de composi\u00e7\u00e3o do novo disco, as participa\u00e7\u00f5es especiais, a necessidade de adotar o discurso pol\u00edtico em tempos tempestuosos, o trabalho com o produtor Yuri Queiroga, a ado\u00e7\u00e3o de uma sonoridade mais pesada, refer\u00eancias liter\u00e1rias, motiva\u00e7\u00f5es para seguir em frente e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manual de Sobreviv\u00eancia para Dias Mortos \u2022 CHINA - \u00e1lbum completo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLckJV7RN5cck0PCTuEoWixsMxDQHHdhGa\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cinco anos separam &#8220;Telem\u00e1tica&#8221; (2014), seu quarto \u00e1lbum, deste novo trabalho. O que aconteceu neste meio tempo?<\/strong><br \/>\nNesse meio tempo eu parei pra rever os rumos da minha carreira solo. Dei um tempo dos shows, pois comecei a sentir que, artisticamente, n\u00e3o estava entregando o melhor espet\u00e1culo para quem ia me assistir, e isso \u00e9 muito importante para mim, respeitar a minha arte, respeitar as pessoas que gostam da minha arte, ent\u00e3o dei um tempo para fazer essa autocr\u00edtica sobre a minha carreira e para onde eu gostaria de lev\u00e1-la. Fui pro est\u00fadio me aprimorar como produtor e m\u00fasico, e assim nasceu o \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/chinainaina\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00f3cio criativo<\/a>\u201d (no Youtube), um projeto em que pegava uma m\u00fasica do cancioneiro brasileiro e fazia uma vers\u00e3o completamente diferente tocando todos os instrumentos. Foi bem legal esse processo, pois evolui como produtor, como m\u00fasico, e atrav\u00e9s desses estudos comecei a pensar em um disco autoral de novo. Nesses 5 anos trabalhando tamb\u00e9m nas coisas de TV ingressei no time de apresentadores do Multishow cobrindo os festivais de m\u00fasica pelo pa\u00eds, o que tamb\u00e9m me deu a oportunidade de assistir shows incr\u00edveis e me reciclar como artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Manual de Sobreviv\u00eancia para Dias Mortos&#8221; \u00e9 uma ode raivosa aos nossos tempos. Como se deu o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nYuri Queiroga, produtor do disco, me instigou a fazer um novo trabalho em que as can\u00e7\u00f5es tratassem de um mesmo tema. Na \u00e9poca estava pirando na teoria da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de Charles Darwin, e a palavra sobreviv\u00eancia saltou nos meus olhos. A partir dela vieram os questionamentos do que \u00e9 sobreviver nos dias de hoje com esse quadro pol\u00edtico\/social que estamos vivendo. Eu e Yuri entramos no est\u00fadio e come\u00e7amos a compor tudo do zero, a partir de beats e riffs de guitarra. Compondo as can\u00e7\u00f5es percebi que o discurso do disco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu, mas tamb\u00e9m do meu vizinho, do balconista do mercado, dos meus amigos e de muitas pessoas que est\u00e3o indignadas com esses absurdos que a gente l\u00ea todos os dias nos jornais. A arte virou persona non grata para uma parcela de pessoas que n\u00e3o faz ideia do quanto a arte e a cultura s\u00e3o transformadoras para as nossas vidas, al\u00e9m dos benef\u00edcios econ\u00f4micos que geram para o pa\u00eds. As armas que tenho para lutar contra esse pensamento med\u00edocre s\u00e3o as minhas can\u00e7\u00f5es, um microfone, um palco&#8230; nesse momento, como artista, n\u00e3o posso recuar, n\u00e3o posso deixar que gente assim destrua nossa cultura, ent\u00e3o esse disco \u00e9 a forma que escolhi para lutar contra isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco \u00e9 recheado de diversificadas participa\u00e7\u00f5es especiais. Como se deu a sele\u00e7\u00e3o de quem poderia contribuir e quais as contribui\u00e7\u00f5es eles trouxeram para o resultado final?<\/strong><br \/>\nSou privilegiado de ter muitos amigos de diversos segmentos musicais, nos damos muito bem e cada um trouxe um pouco da sua verdade para o disco. Bell Pu\u00e3 com seu poema cortante em \u201cMoinhos de Tempo\u201d, as vozes poderosas de Nat\u00e1lia Matos e Uyara Torrente (A Banda Mais Bonita da Cidade) em \u201cMarea\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cP\u00f3 de Estrela\u201d, deram a densidade que essas m\u00fasicas precisavam, e as guitarras de Neilton (Devotos) e Andreas Kisser (Sepultura) trazem peso ao discurso do disco. Todos os convidados foram escolhidos na certeza de que deixariam o disco mais rico e plural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vivemos tempos tenebrosos e muito se discute qual \u00e9 o papel da arte em momentos como este. Voc\u00ea tem um posicionamento claro quando a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de discurso pol\u00edtico de afrontamento e faz da m\u00fasica o seu instrumento. Voc\u00ea acredita que, na atual conjectura, se faz necess\u00e1rio um engajamento ainda maior da classe art\u00edstica?<\/strong><br \/>\nComo te disse acima, a arte e a cultura s\u00e3o as armas que escolhi pra lutar contra esses absurdos que vemos todos os dias no Brasil. Vejo a classe art\u00edstica muito engajada nesse momento, pois o sentimento de indigna\u00e7\u00e3o e desejo de mudan\u00e7a \u00e9 comum a todos. Lancei meu disco no mesmo dia que o Dead Fish lan\u00e7ou o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/05\/entrevista-dead-fish-fala-sobre-ponto-cego-nazis-e-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ponto Cego<\/a>\u201d, novo trabalho dos caras, e o discurso dos \u00e1lbuns \u00e9 bem parecido, Pitty em seu novo disco tamb\u00e9m traz esses temas em algumas can\u00e7\u00f5es, Emicida vem lan\u00e7ando faixas com esse teor, ou seja, os artistas est\u00e3o super engajados nessa luta, cada um no seu estilo musical, mas com discursos que se complementam. Apesar de todas as persegui\u00e7\u00f5es, \u00e9 um momento bem especial para a cultura brasileira e nosso papel como artista \u00e9 denunciar atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es esse per\u00edodo sombrio do nosso pa\u00eds e lutar por mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na faixa &#8220;Fascismo Tupinamb\u00e1&#8221; voc\u00ea faz uma cr\u00edtica direta ao intitulado &#8220;cidad\u00e3o de bem&#8221;, que representa a parcela da popula\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por este cen\u00e1rio ca\u00f3tico que o Brasil vive. Voc\u00ea acredita que a ado\u00e7\u00e3o de um discurso mais claro, pungente, sem rodeios \u00e9 a melhor maneira causar a reflex\u00e3o daqueles que n\u00e3o compreendem o mal que fizeram e ainda o fazem?<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica nasceu enquanto lia a declara\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Fiquei pensando na falta que faz a interpreta\u00e7\u00e3o de texto para algumas pessoas, n\u00e9? (risos). T\u00e1 tudo t\u00e3o claro ali, mas o cidad\u00e3o de bem distorce essa informa\u00e7\u00e3o e cria outro conceito na sua cabe\u00e7a. Acho que a can\u00e7\u00e3o pode ser rebuscada e cheia de palavras dif\u00edceis, mas tamb\u00e9m pode ser direta, sem rodeios, para o f\u00e1cil entendimento, e \u201cFascismo Tupinamb\u00e1\u201d foi escrita dessa forma. Algumas pessoas me criticaram na internet por causa dessa faixa, pessoas que vestiram a carapu\u00e7a do discurso, e eu n\u00e3o sei se rio dessa situa\u00e7\u00e3o ou fico triste, pois o cidad\u00e3o de bem que me critica est\u00e1 exatamente defendendo o fascismo. O t\u00edtulo dessa can\u00e7\u00e3o vem de \u201cMem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u201d, de Graciliano Ramos, um livro escrito d\u00e9cadas atr\u00e1s que fala da pris\u00e3o do autor e do fascismo brasileiro. Ou seja, o cidad\u00e3o de bem n\u00e3o aprendeu nada com a hist\u00f3ria e repete seus erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco, de fato, funciona como um manual de sobreviv\u00eancia para estes tempos, pois sugere v\u00e1rios caminhos a seguir. Mas voc\u00ea acredita que a popula\u00e7\u00e3o em geral ir\u00e1 fazer parte do coro da mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nQuando era jovem tinha aquela esperan\u00e7a de mudar o mundo, mas depois de adulto percebi que se eu conseguir mudar quem est\u00e1 em minha volta j\u00e1 estou fazendo bastante coisa. S\u00e3o pequenas, mas certeiras a\u00e7\u00f5es, como uma guerra de guerrilha mesmo, e assim vamos repassando as informa\u00e7\u00f5es, desmentindo not\u00edcias falsas, e espalhando conhecimento para as pessoas. N\u00e3o posso cobrar do cara que trabalha 8, 12 horas por dia que ele leia, pesquise e tenha uma opini\u00e3o cr\u00edtica sobre as not\u00edcias que chegam, mas enquanto estou conversando com ele posso mostrar diversas mat\u00e9rias de jornais que desmontam aquele discurso programado e sem base alguma dos grupos de Whatsapp. Assim vamos apontando outros caminhos, mostrando que n\u00e3o existe apenas uma verdade absoluta, e fazendo esse cara criar um senso cr\u00edtico. Precisamos de gente que pensa e questiona, n\u00e3o de um gado que anda cego para o abate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Yuri Queiroga, que integra dezenas de projetos como m\u00fasico e produtor, foi o respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do disco. Como se a aproxima\u00e7\u00e3o e quais as contribui\u00e7\u00f5es ele trouxe para este trabalho?<\/strong><br \/>\nTrabalho com Yuri h\u00e1 pelo menos 15 anos, somos muito amigos e ele \u00e9 um cara que me conhece como ningu\u00e9m. Sabe dos meus anseios profissionais e pessoais e soube me instigar no lugar certo para fazer esse trabalho. Ele deu a ideia das m\u00fasicas partirem de um riff de guitarra que se repete e da\u00ed eu ia construindo as melodias na voz. Foi dele tamb\u00e9m a sacada de ter apenas um tema que se desdobra no disco inteiro, ent\u00e3o escolhi esse tema e fomos compondo uma m\u00fasica atr\u00e1s da outra. Posso dizer que al\u00e9m de m\u00fasico, instrumentista e produtor, Yuri trabalhou como uma esp\u00e9cie de psic\u00f3logo plantando sementinhas na minha cabe\u00e7a (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As guitarras acabam por ocupar um papel central no disco. Voc\u00ea acredita que peso mel\u00f3dico impresso em diversas faixas, como em &#8220;Frevo e F\u00faria&#8221; ajuda a transmitir a mensagem raivosa contida na m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nEm outros discos da minha carreira solo passeei pela m\u00fasica pop para me provar como compositor, para ter certeza de que tamb\u00e9m conseguia ir por outro caminho, mas minha ess\u00eancia sempre foi o punk, guitarras pesadas. O Sheik Tosado, minha antiga banda, tinha esse discurso social preenchido pelos riffs de guitarra, ent\u00e3o foi um reencontro natural para mim. O disco n\u00e3o tem bateria, e sim uma percuss\u00e3o forte, pungente e contei com Lucas dos Prazeres, um percussionista pernambucano incr\u00edvel, para chegar nesse som. Tudo nesse disco tinha que ser pesado, denso, e essa sincope de guitarras distorcidas e percuss\u00e3o deram a cama perfeita para o que eu queria falar nas letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li numa entrevista que voc\u00ea apostou neste trabalho em trazer \u00e0 tona diversas refer\u00eancias liter\u00e1rias. Quais foram? E ainda: um pa\u00eds em que as pessoas leem cada vez menos e isto traz impactos cada vez maiores, qual a import\u00e2ncia que a leitura trouxe para a sua forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNesse disco tive muito mais refer\u00eancias liter\u00e1rias do que musicais. J\u00e1 citei Darwin e Graciliano, n\u00e9? Mas tamb\u00e9m li bastante a poetiza americana Elizabeth Bishop, reli \u201cGrande Sert\u00e3o Veredas\u201d, de Guimar\u00e3es Rosa, o \u201cBrasil: Uma Biografia\u201d, de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, livro incr\u00edvel e necess\u00e1rio para entendermos nossa hist\u00f3ria, al\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Philip K. Dick e Isaac Asimov. Eu fui um leitor tardio. Quando crian\u00e7a n\u00e3o ligava muito para a leitura, mas quando comecei a compor, l\u00e1 pros 16, 17 anos, percebi que os livros e jornais eram essenciais para ampliar meu conhecimento e me dar base para meu trabalho, afinal de contas, n\u00e3o da para escrever sobre o que n\u00e3o conhecemos. A partir da\u00ed os livros viraram meus companheiros e gosto muito de me manter informado. Leio de tudo. A informa\u00e7\u00e3o deixa a gente inteligente, com senso cr\u00edtico mais apurado, e me d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de expandir meu vocabul\u00e1rio, minha arte e minhas experi\u00eancias de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em tempos a arte, ainda mais quando associada ao discurso pol\u00edtico de oposi\u00e7\u00e3o, segue sendo depreciada por parte da sociedade o que te motiva seguir em frente?<\/strong><br \/>\nA arte me abriu os olhos pro mundo, me deu uma profiss\u00e3o e sabedoria. Atrav\u00e9s da arte tomei gosto pela leitura, me aprofundei nos assuntos e desenvolvi meu senso cr\u00edtico, meu livre pensar. Quando era adolescente ouvindo a Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Chico Science cantava &#8220;a cidade n\u00e3o para a cidade s\u00f3 cresce o de cima sobe e o de baixo desce&#8221;, ou as letras de Yuka no Rappa &#8220;paz sem voz n\u00e3o \u00e9 paz \u00e9 medo&#8221;, eu escutava essas coisas e botava a cabe\u00e7a pra pensar, sabe? Atrav\u00e9s do discurso desses caras fui forjando a minha identidade, abrindo a cabe\u00e7a para os problemas sociais do pa\u00eds. N\u00e3o foram os livros de hist\u00f3ria que me ensinaram o quanto nosso pa\u00eds \u00e9 desigual, foi a m\u00fasica, a arte. E como compositor quero passar o que eu aprendi para outras pessoas. Se as m\u00fasicas que eu canto v\u00e3o atingir um grande p\u00fablico, n\u00e3o sei, n\u00e3o sou eu quem determina isso, mas se meu discurso acabar sendo transformador para outra pessoa, j\u00e1 me sinto muito feliz e honrado por ter repassado conhecimento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"China  e Uyara Torrente - P\u00f3 de Estrela\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AxOd5tOvw6M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"China - S\u00f3 Serve Pra Dan\u00e7ar\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QIvJICRaals?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"China - Frevo Morgado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ouSBzGoab0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0 A foto que abre o texto \u00e9 de Pamela Gachido \/ Divulga\u00e7\u00e3o. Os v\u00eddeos s\u00e3o de Fatuca Ferreira. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/fatucaferreira\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja mais aqui<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rompendo um hiato de cinco anos, per\u00edodo em que se dedicou a \u201crever rumos\u201d, China retorna ao universo pop como &#8220;Manual de Sobreviv\u00eancia para Dias Mortos&#8221; (2019), seu quinto disco solo. Neste novo \u00e1lbum, o m\u00fasico faz uma ode raivosa a esses tempos marcados por in\u00fameros retrocessos, protagonizados pelos tidos \u201ccidad\u00e3os de bem\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/31\/entrevista-china-apresenta-seu-manual-de-sobrevivencia-para-dias-mortos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":52538,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2067],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52537"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52537"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52775,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52537\/revisions\/52775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}