{"id":52513,"date":"2019-07-26T07:47:03","date_gmt":"2019-07-26T10:47:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52513"},"modified":"2019-08-30T13:54:04","modified_gmt":"2019-08-30T16:54:04","slug":"entrevista-supervao-lanca-faz-party-um-disco-sobre-coragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/26\/entrevista-supervao-lanca-faz-party-um-disco-sobre-coragem\/","title":{"rendered":"Entrevista: Superv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Superv\u00e3o finalmente lan\u00e7ou um disco. Depois dos EPs \u201cLua Degrad\u00ea\u201d (2016) e \u201cTMJNT\u201d (2017), o trio, formado por Leonardo Serafini, M\u00e1rio Arruda e Ricardo Giacomoni, gravou um \u00e1lbum que talvez seja o trabalho mais desconstru\u00eddo do grupo, o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3bKRHMJu5lReWMw2Zu6DeK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Faz Party<\/a>\u201d (2019). Viabilizado pelo edital da Natura Musical junto \u00e0 Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul e em parceria com os selos HoneyBomb e Lezma Records, a banda ga\u00facha mistura nesse disco os mais diversos sons e sentimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desconstru\u00e7\u00e3o e a recomposi\u00e7\u00e3o de musicalidades e sentidos sempre fez parte do produto final e das inten\u00e7\u00f5es do grupo, que existe desde 2015. Em seus dois primeiros trabalhos, era n\u00edtido o flerte com o retr\u00f4, o psicod\u00e9lico, o eletr\u00f4nico, o p\u00f3s-punk e o vaporwave (psicodelia contempor\u00e2nea oriunda da art media), tanto nas faixas quanto na est\u00e9tica das capas e dos clipes. E o que antes aparecia em menor grau, est\u00e1 bem mais evidente no disco novo: a influ\u00eancia da m\u00fasica brasileira. Pra quem j\u00e1 falou em entrevistas anteriores que o som que fazia era considerada uma \u201cneu tropic\u00e1lia\u201d, \u201cFaz Party\u201d \u00e9 um espet\u00e1culo de grandes refer\u00eancias \u00e0 cultura nacional. Em faixas como \u201cToneladas\u201d, \u201cAsabelha e capoeira\u201d, \u201cO L\u00edrio Verde e Branco e a Druza de Ametista\u201d e \u201cV\u00ea Se Chega Na Terra Sem Nome\u201d, o trio admite se inspirar tamb\u00e9m em BaianaSystem, Baden Powell e Vin\u00edcius de Moraes, Jorge Ben e Caetano Veloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas faixas do disco foram lan\u00e7adas antecipadamente (o \u00e1lbum chega ao streaming nesta sexta, dia 26 de julho): \u201cSol do Samba\u201d e \u201cSocial Animal\u201d. Se formos delimit\u00e1-las a r\u00f3tulos musicais, a primeira se aproximaria de um tecno que retrata uma cura pela festa e pelo ato de dan\u00e7ar; j\u00e1 a segunda, de um dreampop que questiona o modo de vida que levamos p\u00f3s-internet (a quest\u00e3o do p\u00f3s-humanismo tamb\u00e9m \u00e9 um tema recorrente no trabalho da banda), distantes uns dos outros. \u201cSocial Animal\u201d, ali\u00e1s, j\u00e1 ganhou um clipe, estrelado por Shico Menegat (Tinta Bruta) e dirigido por Theo Tajes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show de lan\u00e7amento ser\u00e1 no dia 3 de agosto no Agulha, em Porto Alegre, e dia 10 eles far\u00e3o uma apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, no CCSP. Num bate-papo com o trio, conversamos sobre a atual dificuldade de se encaixar em r\u00f3tulos e g\u00eaneros musicais e sobre a necessidade dos artistas (principalmente os independentes) se articularem tamb\u00e9m no processo de produ\u00e7\u00e3o da banda, al\u00e9m de falar sobre os dois singles e sobre a expectativa do t\u00e3o esperado \u00e1lbum. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - Social Animal\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OaPTv0trlaE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 falaram que o som que voc\u00eas fazem \u00e9 tipo uma \u201cneu tropic\u00e1lia\u201d. O que \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Esse lance da neu tropic\u00e1lia era meio que pra tentar pensar um pouco sobre essa caracter\u00edstica da m\u00fasica brasileira contempor\u00e2nea e de ficar misturando elementos de diferentes g\u00eaneros. Acho que na \u00e9poca a gente ficou falando disso mais, talvez, como um g\u00eanero provis\u00f3rio, s\u00f3 pra tentar dar alguma pista, alguma indica\u00e7\u00e3o do que a gente estava fazendo. Mas hoje em dia a gente n\u00e3o sabe se \u00e9 o melhor termo. A gente meio que deu uma parada de falar desse termo, mas, de qualquer forma, eu acho que em um determinado momento ele foi bem \u00fatil pra significar isso. Mas se a gente for observar agora, no Brasil, isso tem acontecido em muitas partes do pa\u00eds, e tamb\u00e9m outros movimentos mais antigos tamb\u00e9m misturavam. Ent\u00e3o a gente meio que deu um tempo desse termo, mas a gente gosta dele, n\u00e3o estamos negando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Na verdade, foi um termo bem primal, uma grande brincadeira, e acho que ele serviu pra uma busca nossa, uma refer\u00eancia nossa mesmo. N\u00e3o que era algo que existia, mas algo a vir a ser, era algo que a gente buscava construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Acho que demos um nome pra uma coisa que n\u00e3o se sabe ainda o que \u00e9. E, a partir disso, segura em algo, em algum lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez muita gente tenha perguntado pra voc\u00eas o estilo de m\u00fasica que voc\u00eas fazem e voc\u00eas falaram isso.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Foi meio que indo assim, mesmo. Porque primeiro parecia bem uma mistureba. A gente at\u00e9 falou de \u201cesquizopop\u201d, alguma coisa desse tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: E por mais que seja um retorno pra elementos mais brasileiros, na \u00e9poca que foi colocado o termo n\u00e3o tinha tanto isso no som. E o que o L\u00e9o falou de vir a ser, agora acho que est\u00e1 mais presente a sonoridade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Acho bem dif\u00edcil se encaixar em r\u00f3tulos musicais e g\u00eaneros, ent\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil pra n\u00f3s inventar qualquer coisa assim do que se rotular a algo que j\u00e1 exista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Mas fico esperando que algum jornalista d\u00ea um nome. A Tropic\u00e1lia n\u00e3o foi Tropic\u00e1lia no in\u00edcio. Ent\u00e3o o jornalismo cultural foi bastante importante tamb\u00e9m nesses nomes. Da\u00ed se for ver, no mundo todo tamb\u00e9m. Agora a gente flerta com o emo tamb\u00e9m \u2013 o emo agora \u00e9 novo \u2013, p\u00f3s-punk, m\u00fasica eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vejo que no som que voc\u00eas fazem, voc\u00eas incluem outros tipos de conhecimento, como semi\u00f3tica, filosofia, cinema, entre outros. Queria saber como eles se complementam com a m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nRicardo: \u00c9 um pouco indissoci\u00e1vel a vida do que se faz, n\u00e9. Acho que os encontros que se t\u00eam na vida, de ideias, de coisas que voc\u00ea pensa, de uma maneira comp\u00f5em tamb\u00e9m. N\u00e3o s\u00e3o coisas separadas. Cada um aqui, por exemplo, faz uma coisa da vida que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00fasica, mas tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasica. Ent\u00e3o acho que isso, de uma maneira ou de outra, \u00e9 poroso, coexiste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9, arte e vida. A aproxima\u00e7\u00e3o de arte e vida \u00e9 inevit\u00e1vel, eu acho. Eu, por exemplo, trabalho com pesquisa, ent\u00e3o muitas coisas que pesquiso acabam entrando. \u00c0s vezes nem \u00e9 consciente. Estou ali, naquele momento, e ent\u00e3o fa\u00e7o algo. E tamb\u00e9m pela fase que a gente est\u00e1 da vida, todo mundo trabalha, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que a gente est\u00e1 s\u00f3 de brincadeira na vida. Tem que conseguir sua grana, ent\u00e3o isso tamb\u00e9m do trabalho foi entrando nas letras e tal. Uma vez a gente tinha uma vibe mais existencialista. Acho que agora virou mais concreto, mais cotidiano, por causa disso, sabe. Bom, tem que trampar, velho, n\u00e3o adianta. \u00c9 um perrengue? \u00c9, mas \u00e9 isso. Ent\u00e3o acho que isso que tu falou \u00e9 bem isso, dessa jun\u00e7\u00e3o de arte e vida mesmo. E a gente tenta encarar a coisa da forma mais honesta poss\u00edvel que a gente pode. Porque<br \/>\nacho que fica o resultado, pelo menos pra mim, menos metido a besta e um pouco mais identific\u00e1vel. Todo mundo passa perrengue, n\u00e9. Agora com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s filosofias<br \/>\nn\u00e3o sei como as pessoas v\u00eaem. Tipo, ficar falando de p\u00f3s-humanismo&#8230; As pessoas devem achar que \u00e9 uma viagem&#8230; Mas as pessoas gostam de viagem (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e9 uma coisa consciente, ent\u00e3o.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: \u00c9 um pouco consciente e um pouco n\u00e3o. Porque qual \u00e9 a filosofia de vida que se tem? Acho que ela vai se constituindo na viv\u00eancia, na experi\u00eancia. E \u00e9 inevit\u00e1vel. \u00c0s vezes, a coisa n\u00e3o aparece t\u00e3o de cara, mas ela aparece estruturando. Por exemplo, misturar g\u00eaneros \u00e9 tamb\u00e9m parte desse tipo de filosofia. Qual \u00e9 a filosofia de fundo? N\u00e3o existe pureza total no mundo, em nada, absolutamente nada. As filosofias que buscaram pureza chegaram numa radicalidade de exterm\u00ednio, em determinado momento. Ent\u00e3o, a gente dialoga mesmo assim com a ideia de mistura, mesmo. Filosofia da mistura, do encontro, do acontecimento, a ponto de se encontrarem umas coisas nada a ver umas com as outras, e desse encontro daqui a pouco vai surgir uma coisa nova. Ent\u00e3o, acho que essa \u00e9 a filosofia de fundo. \u00c0s vezes ela aparece na forma \u2013 por exemplo, quando mistura g\u00eaneros \u2013 ou no conte\u00fado, de falar de coisas que n\u00e3o se conectam uma com a outra. Por exemplo, falar de animal e disco voador ao mesmo tempo. O que tem a ver? Ou falar de capoeira no sentido de cultura e capoeira no sentido de \u00e1rvore, e da\u00ed misturar com abelhas ou com uma luta social. O que tem a ver uma coisa com a outra? Num determinado momento esse sentido emerge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 s\u00e3o relativamente conhecidos aqui em Porto Alegre, e n\u00e3o s\u00f3 pela banda, mas tamb\u00e9m pelos eventos que produzem. Eu queria que voc\u00eas falassem um pouco sobre essa necessidade de abrir esses espa\u00e7os de fomento.<\/strong><br \/>\nLeonardo: No momento atual, j\u00e1 faz alguns anos, realmente n\u00e3o existe mais tu ter uma banda e ser convidado pra tocar, ter portas se abrindo, lugares onde existe uma cena. Ent\u00e3o, acho que surgiu muito dessa vontade de querer se expressar e mostrar o lance da arte, mesmo. Ent\u00e3o hoje em dia n\u00e3o tem mais m\u00fasico que n\u00e3o produz. Tem que ser tamb\u00e9m um produtor. A ideia de criar eventos e festas tem muito desse vi\u00e9s de necessidade, sen\u00e3o tu n\u00e3o vai sair de casa, n\u00e3o vai se expressar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas acham que isso \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o da cidade de Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul, ou isso se estende a qualquer lugar, de forma geral?<\/strong><br \/>\nLeonardo: Acho que isso deve ser mundial j\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Pra ser independente, acho que tem que ser assim, produzir um espa\u00e7o local, fazer agenciamento de rede. Acho que \u00e9 isso, porque uma coisa \u00e9 o contexto. Mas acho que a ideia de fazer evento \u2013 agora a gente n\u00e3o faz mais tanto \u2013 \u00e9 de produzir encontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma filosofia do que se pensa sobre arte e m\u00fasica. Por exemplo, por que se faz m\u00fasica? Ou por que se faz arte? Cada m\u00fasico e cada artista pode ter seu ideal, mas eu, particularmente, acho que a gente concorda com isso, porque o fim de tudo, de tocar e tal, \u00e9 fazer as pessoas se encontrarem. Produzir um acontecimento em que elas se encontrem. Por isso que a gente vem fazendo evento h\u00e1 muito tempo. Da\u00ed tentava fazer artistas diferentes se encontrarem, tentava fazer bandas e p\u00fablicos, e ent\u00e3o quanto mais a gente chamava artistas diferentes, mais diferentes p\u00fablicos iam se encontrando com pessoas que n\u00e3o se encontrariam em outra ocasi\u00e3o. Esse \u00e9 o objetivo: produzir esses momentos de celebra\u00e7\u00e3o que extrapolam o algoritmo, que \u00e9 basicamente uma imagem dos c\u00f3digos diferentes sociais. \u00c0s vezes uma pessoa vive uma dada realidade, outra vive outra, e quando elas se encontram, algo acontece. Ela pode ver uma coisa diferente, sentir uma coisa diferente em determinado momento, pode causar um desequil\u00edbrio que depois ela passe a entender de outra forma. Acho que \u00e9 tipo isso. Por isso que a gente faz evento h\u00e1 muito tempo e, pra mim, tocar \u00e9 isso: quanto mais gente vai num determinado evento, mais eu fico feliz, por diversos motivos. Claro, se voc\u00ea quer viver de m\u00fasica, isso importa tamb\u00e9m, mas num sentido social e cultural, isso importa muito, no sentido de que as pessoas v\u00e3o l\u00e1 ao evento. A experi\u00eancia est\u00e9tica pra pessoa \u00e9 muito foda, ainda mais se \u00e9 uma experi\u00eancia com outras pessoas que ela n\u00e3o veria no cotidiano dela \u2013 no trabalho, na escola, na universidade, no bairro dela. Esse \u00e9 um m\u00e9todo de acreditar no mundo e que ele possa ir melhorando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando agora das m\u00fasicas que voc\u00eas lan\u00e7aram, \u201cSol do Samba\u201d e \u201cSocial Animal\u201d. Eu vejo que s\u00e3o m\u00fasicas que falam, no geral, de desopilar em meio ao caos. Por que essa const\u00e2ncia do caos? Voc\u00eas acham que o mundo t\u00e1 assim, um caos?<\/strong><br \/>\nRicardo: N\u00e3o acho que esteja em caos, eu acho que \u00e9 um pouco sobre a tem\u00e1tica do disco de que, bom, tem perrengue, tem coisas que n\u00e3o d\u00e3o certo, mas tem que fazer de algum jeito que seja suport\u00e1vel e massa e que n\u00e3o seja o caos completo. N\u00e3o sei se \u00e9 diante do caos, mas \u00e9 fazer de uma forma que n\u00e3o seja o caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Esse lance do caos faz sentido, n\u00e3o sei se no mundo todo, mas no Brasil a gente sabe que \u00e9 um momento bem ruim, que as artes est\u00e3o sob press\u00e3o, ent\u00e3o a gente entende que, n\u00e3o \u00e9 que esse caos seja errado, mas que tamb\u00e9m faz parte perder, e que tamb\u00e9m perdendo d\u00e1 pra festejar de alguma forma. Acho que tem bastante disso. E que todos os momentos v\u00e3o passar. Tudo passa, de certa forma, ent\u00e3o a gente tem que aprender a perder e aprender a festejar mesmo estando ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: N\u00e3o \u00e9 ignorar o caos. \u00c9 diante de perder ainda festejar. N\u00e3o \u00e9 um desopilar de n\u00e3o estar acontecendo nada. N\u00e3o, est\u00e1 acontecendo e \u00e9 por isso que a resposta \u00e9 tamb\u00e9m essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Uma coisa que a gente pensava bastante quando estava sentindo a vibe pra fazer o disco: a gente fez algumas m\u00fasicas e pensamos: \u201cu\u00e9, mas que m\u00fasica feliz com letra triste\u201d, ou o contr\u00e1rio, \u201cque m\u00fasica tensa com letra feliz\u201d. Da\u00ed a gente percebeu que tinha alguma coisa acontecendo e queria ver qual \u00e9 que era. Da\u00ed o \u201cHarry\u201d (Ricardo) come\u00e7ou a falar bastante daquela m\u00fasica, \u201cTristeza P\u00e9 no Ch\u00e3o\u201d, da Clara Nunes, e do trecho \u201ceu molhei o pano da cu\u00edca com as minhas l\u00e1grimas\u201d. A cu\u00edca \u00e9 um instrumento de samba. Voc\u00ea nunca v\u00ea uma pessoa tocando cu\u00edca estando triste. Depois disso, eu me liguei naquela letra do Caetano e do Gil, \u201cDesde Que o Samba \u00e9 Samba\u201d, do trecho \u201cO samba \u00e9 pai do prazer\/ O samba \u00e9 filho da dor\u201d. Vin\u00edcius tamb\u00e9m tem uma, \u201cSamba da B\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d (\u201cPra fazer um samba com beleza \/ \u00e9 preciso um bocado de tristeza\u201d). Ent\u00e3o, entre o caos e a alegria, n\u00e3o \u00e9 que a alegria substitui o caos, mas, por exemplo, at\u00e9 o projeto que a gente escreveu pra Natura (Musical), chamava-se \u201cCoexistente\u201d. As coisas coexistem, n\u00e3o significa que uma coisa tenha que se sobrepor a outra. A alegria existe, mas n\u00e3o \u00e9 que ela substitui a tristeza. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui o caos. Tanto que nas m\u00fasicas elas podem ter essa mensagem, mas elas t\u00eam momentos de caos completo. \u201cSocial Animal\u201d tem um monte de camadas, n\u00e3o se sabe muito bem o que t\u00e1 acontecendo. No show mesmo, a gente fica fazendo mil camadas \u2013 a gente j\u00e1 a experimentou nos shows \u2013 , e com \u201cSol do Samba\u201d acontece a mesma coisa: ela tem um momento em que fica uma bagun\u00e7a e depois se arruma. Tem um momento de felicidade, mas tamb\u00e9m tem um momento de tens\u00e3o, de quase reclama\u00e7\u00e3o \u2013 o reclamar tamb\u00e9m tem o seu lugar, \u00e9 importante reivindicar, mas tamb\u00e9m qual \u00e9 o efeito de s\u00f3 reivindicar, assim como o de s\u00f3 fazer festa? Ent\u00e3o como \u00e9 que se acha um jeito dessas coisas serem potencializadas umas \u00e0s outras? Como elas podem coexistir e se potencializar pra produzir algo? Acho que esse \u00e9 o teto geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o pode-se dizer que o \u201cFaz Party\u201d \u00e9 um disco mais adulto, maduro?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Eu acho que sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Mas acho que tamb\u00e9m sem perder a quest\u00e3o l\u00fadica. O adulto n\u00e3o substitui o fato de brincar, em certo sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Como \u00e9 que se pode ser crian\u00e7a \u00e0s vezes e adulto \u00e0s vezes? \u00c9 tipo isso tamb\u00e9m. Momentos de muita criancice, infantilidade, e de seriedade, de ser s\u00e1bio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Porque brincar n\u00e3o \u00e9 o oposto de s\u00e9rio. \u00c9 o oposto de realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que o p\u00fablico pode esperar do \u201cFaz Party\u201d?<\/strong><br \/>\nLeonardo: Falando at\u00e9 da quest\u00e3o do adulto, acho que o disco n\u00e3o \u00e9 tanto porque ele tem bastante energia, uma energia meio jovial, as m\u00fasicas s\u00e3o r\u00e1pidas. D\u00e1 pra esperar bastante disso nos shows, pelo menos \u00e9 o que a gente est\u00e1 se propondo nesses primeiros testes. A gente est\u00e1 tentando se entregar ao m\u00e1ximo \u2013 acho que n\u00e3o \u00e9 uma coisa que os adultos fazem, eles se preservam bastante. Nesse sentido de show, a gente t\u00e1 bem crian\u00e7a, de fazer uma grande festa no coletivo, com a galera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Pode esperar, de repente, sentir um pouco de coragem. Se eu fosse pensar em uma coisa, seria ouvir e sentir um pouco de coragem. Se sentir confiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Fazer o que deve ser feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: O que as pessoas v\u00e3o querer e sentir eu n\u00e3o sei, mas o que eu gostaria \u00e9 que a pessoa ouvisse e se sentisse confiante pra sair de casa todo dia e fazer o que tem que fazer, falar o que tem que falar, viver. No momento em que conseguir alguma coisa que queria, comemorar mesmo. E se der uma coisa errada, bom, pode ficar triste tamb\u00e9m. Confian\u00e7a na vida, no que for dela. Conseguir fazer, n\u00e3o ficar paralisado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: A gente vai se machucar, mas vai sorrir tamb\u00e9m. Vai errar o solo, mas vai estar tudo certo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - Sol do Samba\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lnMf370YrNg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - Tempo Barravento\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CPYKsUhtNWk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SUPERV\u00c3O - Cadilac Olodum\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o7kqxpQq8fg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a>\u00a0(@<a href=\"https:\/\/twitter.com\/anandazambi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anandazambi<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nonada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nonada \u2013 jornalismo travessia<\/a>. Nas horas vagas, tamb\u00e9m brinca de fazer m\u00fasica\u201d. A foto que abre o texto \u00e9 de Kim Costa Nunes \/ Panam Filmes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Superv\u00e3o finalmente lan\u00e7ou um disco. Depois dos EPs \u201cLua Degrad\u00ea\u201d (2016) e \u201cTMJNT\u201d (2017), o trio, formado por Leonardo Serafini, M\u00e1rio Arruda e Ricardo Giacomoni, gravou um \u00e1lbum que talvez seja o trabalho mais desconstru\u00eddo do grupo. Conhe\u00e7a &#8220;Faz Party&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/26\/entrevista-supervao-lanca-faz-party-um-disco-sobre-coragem\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":68,"featured_media":52515,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1436],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52513"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52733,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52513\/revisions\/52733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}