{"id":52454,"date":"2019-07-22T00:02:30","date_gmt":"2019-07-22T03:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52454"},"modified":"2019-08-26T02:27:33","modified_gmt":"2019-08-26T05:27:33","slug":"entrevista-julia-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/22\/entrevista-julia-branco\/","title":{"rendered":"Entrevista: Julia Branco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantora, compositora e atriz, a mineira Julia Branco j\u00e1 cantou ao lado da banda Todos os Caetanos do Mundo, mas h\u00e1 cerca de um ano lan\u00e7ou em disco e \u00e1lbum-visual seu primeiro trabalho solo, o forte \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6HUpBHjzWgQiFzuqrVRn4V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Soltar os Cavalos<\/a>\u201d (Natura Musical). Em menos de 40 minutos, o \u00e1lbum de estreia navega por mares complexos, como, por exemplo, o que \u00e9 ser mulher em nosso tempo, o que \u00e9 ser livre, o que \u00e9 amadurecer, entre outros temas. Para tudo isso, Julia passeia entre a can\u00e7\u00e3o, a poesia e a teatralidade num disco bastante conceitual, mas mesmo assim de for\u00e7a pop ineg\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSoltar os Cavalos\u201d surgiu da decis\u00e3o de Julia de reunir seus escritos num processo de constru\u00e7\u00e3o que contou com o apoio de Chico Neves, produtor do disco (e de \u00e1lbuns como \u201cLado B Lado A\u201d, do Rappa, \u201cO Dia em que Faremos Contato\u201d, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/02\/entrevista-lenine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lenine<\/a>, \u201cMaquinarama\u201d, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/12\/download-tributo-ao-skank\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Skank<\/a>, \u201cHey Na Na\u201d, dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/24\/download-tributo-aos-paralamas-do-sucesso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Paralamas<\/a>, e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bloco do Eu Sozinho<\/a>\u201d, do Los Hermanos) e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/26\/scream-yell-recomenda-luiza-brina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiza Brina<\/a>, co-produtora. Esse processo buscava desvendar a por\u00e7\u00e3o compositora de J\u00falia e \u00e9 o que d\u00e1 o tom pessoal e revelador do disco, que ganha outros olhares em seu \u00e1lbum-visual, dirigido por cinco diferentes diretoras: Sara Lana em \u201cCoisas\u201d, Lu\u00edsa Horta em \u201cSou Forte\u201d e \u201cEstrela\u201d, Raquel Pinheiro em \u201c30 Anos\u201d, Samanta do Amaral em \u201cEu Sou Mulher\u201d e Julia Zakia em \u201cMeu Corpo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com participa\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/15\/entrevista-letrux\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Letrux<\/a>, Uyara Torrente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/12\/a-banda-mais-bonita-da-cidade-e-o-poder-da-cancao-pop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Banda Mais Bonita da Cidade<\/a>) e Paulo Santos (Uakti), \u201cSoltar os Cavalos\u201d completou um ano de lan\u00e7amento (incluindo lan\u00e7amento em vinil) com o frescor de can\u00e7\u00f5es que parecem latentes nesse 2019, ecoando em versos como \u201cQuero ser livre \/ Toda dor que atravessa n\u00e3o vai me fazer ficar triste \/ Eu sei que posso navegar\u201d. Ainda na estrada, Julia tamb\u00e9m lan\u00e7ou recentemente <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2R08idkOGlMmok4Clj5SXH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma vers\u00e3o ao vivo do disco<\/a>, no Est\u00fadio Showlivre, e tem planos de seguir explorando os meandros desse primeiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversamos com Julia antes do show de lan\u00e7amento do disco em S\u00e3o Paulo, no Ita\u00fa Cultural. De voz mansa e saboroso sotaque mineiro, a cantora falou sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o de \u201cSoltar os Cavalos\u201d e como o p\u00fablico responde a sua entrega nas can\u00e7\u00f5es. Confira o papo na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sou forte | Estrela | Julia Branco | v\u00eddeo-\u00e1lbum | v\u00eddeo 2\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P1fcjXMnWC0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o momento em que voc\u00ea percebeu que era necess\u00e1rio fazer um disco solo?<\/strong><br \/>\nEu havia feito um show em BH, num projeto do Sesc chamado \u201cSalve Compositores\u201d, que era um projeto em que voc\u00ea poderia gravar as suas m\u00fasicas e foi o momento em que olhei para as minhas composi\u00e7\u00f5es. Com isso fiquei com muita vontade de gravar um disco, e eu j\u00e1 sabia que, antes de tudo, eu queria gravar esse disco com o Chico Neves, que \u00e9 diretor musical. Mas fiquei assim, \u201cquero gravar o meu disco\u201d, mas n\u00e3o sabia tamb\u00e9m que ele seria de composi\u00e7\u00f5es s\u00f3 minhas. Eu sabia que queria fazer o disco com ele, para ele produzir e tal, e esse show me despertou o olhar para meu trabalho, mas mesmo assim eu cheguei a pedir m\u00fasicas pela internet para v\u00e1rias pessoas, pois eu ainda n\u00e3o tinha muita clareza do que faria. Foi dai que o Chico lan\u00e7ou essa provoca\u00e7\u00e3o: \u201cAcho importante que voc\u00ea grave as suas m\u00fasicas\u201d. E \u00e9 engra\u00e7ado que eu tinha feito esse show com as minhas can\u00e7\u00f5es, mas na hora de gravar eu n\u00e3o fiquei segura de que seria isso, eu estava muito aberta a tudo que poderia ser, quem sabe eu poderia gravar alguma coisa de algu\u00e9m, etc, mas ele falou \u201cn\u00e3o, acho que \u00e9 importante que voc\u00ea grave os seus textos, as suas can\u00e7\u00f5es\u201d e a partir da\u00ed come\u00e7ou. Ele me prop\u00f4s que eu fizesse um roteiro, como se fosse um roteiro de uma pe\u00e7a de teatro, por que eu tamb\u00e9m sou atriz. Ele falou \u201ctraz aqui os seus textos e o que n\u00e3o tiver m\u00fasica ainda, a gente vai descobrir aqui\u201d e foi muito isso: fiz um roteiro com come\u00e7o, meio e fim, com v\u00e1rios textos. Algumas coisas j\u00e1 estavam mais encaminhadas, outras mais cruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, antes do disco, voc\u00ea j\u00e1 compunha?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1. E \u00e9 engra\u00e7ado, por que eu sempre escrevi. Escrever \u00e9 uma coisa que eu fa\u00e7o nem sei desde quando, mas sempre escrevi. Eu j\u00e1 tive um blog e a\u00ed escrevia l\u00e1 muito livremente. Eu sou filha de dois escritores, ent\u00e3o para mim a literatura est\u00e1 num lugar muito inating\u00edvel, mas quando eu fiz faculdade de teatro, eu costumava encenar as minhas pe\u00e7as. Eu sempre escrevi muito texto curtinho, frases, sempre gostei muito de frases. \u00c9 at\u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o que eu tenho com a m\u00fasica, muito de \u201cleia na minha camisa\u201d, do tipo frases que voc\u00ea quer vestir, que voc\u00ea se identifica. Mesmo assim, eu n\u00e3o me assumia muito como compositora, era uma coisa que embora na banda que eu tive antes, que era Todos os Caetanos do Mundo, j\u00e1 tivesse ali duas composi\u00e7\u00f5es minhas junto com o Lu\u00eds, eu n\u00e3o me assumia muito como compositora. Pode ser por que n\u00e3o toco um instrumento \u2013 s\u00f3 agora que eu t\u00f4 aprendendo viol\u00e3o \u2013, ent\u00e3o eu senti que era uma coisa meio t\u00edmida, do tipo \u201ceu escrevo, mas n\u00e3o componho\u201d. E eu acho que nesse disco eu me assumi como compositora, \u00e9 s\u00f3 agora que consigo dizer que sou compositora, de ter a seguran\u00e7a para dizer isso. Era uma coisa quase como se eu sentisse que n\u00e3o era muito autorizado para mim; uma bobagem, na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse \u00e9 um trabalho que aborda universos bastante \u00edntimos. Nesse sentido, voc\u00ea teve algum frio na barriga de se mostrar dessa forma?<\/strong><br \/>\nSim, mas ao mesmo tempo foi muito natural a forma com que as coisas foram se dando. Foi um processo longo, de mais de um ano dentro do est\u00fadio, antes mesmo de come\u00e7ar a gravar, desde esse momento em que o Chico me pediu o roteiro. A gente teve muitas conversas profundas e \u00edntimas dentro do est\u00fadio, de desejos, ent\u00e3o quando eu vi eu j\u00e1 estava vasculhando as minhas gavetas e pegando ali coisas \u2013 claro que n\u00e3o tem nada muito antigo ali, eu digo que as letras e tudo, cada uma tem sua hist\u00f3ria, mas tem coisas de tr\u00eas anos pra c\u00e1, no m\u00e1ximo. Ent\u00e3o foi meio natural que eu fosse atr\u00e1s disso, at\u00e9 por conta do pr\u00f3prio teatro, pois tem uma coisa de se colocar a servi\u00e7o do trabalho, de algum jeito ter esse risco, esse desejo de arriscar, de entrar a fundo, de se aprofundar. Claro que existe ali os nossos receios, mas tamb\u00e9m foi muito natural como essa intimidade foi se dando no disco, teve a ver com o processo com o Chico, com a Luiza [Brina], de como a gente foi gastando o tempo, n\u00e3o teve nada com pressa, ent\u00e3o foi meio tateando um universo, ao mesmo tempo em que est\u00e1vamos muito abertos para as coisas que iam vindo, sem muito julgamento se era bom ou ruim, muito dispon\u00edvel para o novo. E foi especial, por que tamb\u00e9m tem a ver com o encontro com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse tempo do lan\u00e7amento at\u00e9 agora voc\u00ea tamb\u00e9m teve uma resposta das pessoas que foi muito pessoal, de como elas abra\u00e7aram o seu trabalho de uma forma que tamb\u00e9m chegava ao \u00edntimo delas.<\/strong><br \/>\nSim, isso tem sido incr\u00edvel! Tanto nos shows quanto na internet. No show, por exemplo, tem muitas mulheres que se emocionam muito. Acontece de chorar, de vir me abra\u00e7ar, de falar \u201cnossa, esse show mexe muito comigo\u201d, e de falar coisas muito \u00edntimas. Gosto dessa proximidade, acho que \u00e9 natural tamb\u00e9m pra mim. \u00c9 muito louco, por que a pessoa te escreve contando coisas realmente muito \u00edntimas, tipo \u201cnossa, eu estava em um momento super dif\u00edcil da minha vida, aconteceu isso e isso e isso e tal e eu ouvi a sua m\u00fasica e isso me deu for\u00e7a\u201d, ent\u00e3o \u00e9 engra\u00e7ado por que talvez o fato de ter nascido de uma intimidade faz com que as pessoas se abram das intimidades delas, elas sentem que elas podem confiar para contar aquela hist\u00f3ria, de ser t\u00e3o aberta assim. Tem um v\u00eddeo que eu lancei no Dia Internacional da Mulher que foi todo feito com v\u00e1rias mulheres que gravaram trechinhos cantando \u201cEu Sou Mulher\u201d, que \u00e9 uma das m\u00fasicas do disco, e foi impressionante como muitas mulheres se disponibilizaram a cantar, que \u00e9 uma coisa que tem uma vergonha e tudo, mas elas mandaram e se abriram pra isso. Acho que tem uma coisa no disco que \u00e9 forte que \u00e9 esse acolhimento da vulnerabilidade, ent\u00e3o h\u00e1 um acolhimento do erro e do que talvez voc\u00ea sinta que n\u00e3o est\u00e1 pronto. Tem um acolhimento do fracasso, que eu brinco que no texto de \u201cCoisas\u201d, das coisas que eu n\u00e3o consigo fazer, na pr\u00f3pria m\u00fasica \u201c30 anos\u201d, acho que isso aproxima, por que torna mais real, tem um discurso que se fortalece, tem uma coisa de se colocar em um lugar de for\u00e7a, mas ao mesmo tempo entendendo a sua humanidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eu sou mulher | Julia Branco (especial 8 de mar\u00e7o)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OCHVfJ0XPgk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, eu entendo que a for\u00e7a surge desses fracassos, desses n\u00e3o-lugaress, desses espa\u00e7os que voc\u00ea vai criando dentro do disco, tanto que o nome \u00e9 \u201cSoltar os Cavalos\u201d, que \u00e9 uma coisa muito forte.<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 forte e eu falo que \u00e9 soltar, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 como \u201csoltei os cavalos\u201d, na verdade, \u201csoltar os cavalos\u201d eu tenho que continuar soltando. A gente sempre tem esses lugares, e eu acho que isso pra mim tamb\u00e9m foi natural, por que \u00e9 como me sinto. N\u00e3o me sinto sem medo, me sinto cheia de quest\u00f5es, cheia de coisas, um ser humano tentando ser mais forte e acho que o disco assume esse processo. Ele n\u00e3o coloca num lugar de \u201csou forte e inabal\u00e1vel\u201d, mas sim \u201csou forte, sou do tamanho do medo\u201d, o medo est\u00e1 ali, ele est\u00e1 presente, n\u00e3o estou sem medo, mas vou mesmo assim. E acho que isso aproxima as pessoas, \u00e9 uma conversa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea falou que o disco tinha esse conceito de roteiro de teatro. E o teatro \u00e9 uma coisa que permeia todo o seu trabalho, ainda com a m\u00fasica, j\u00e1 que o show \u00e9 um espet\u00e1culo tamb\u00e9m mais pr\u00f3ximo da teatralidade. E dentro do disco a gente tem coisas que s\u00e3o muito teatrais, tem a leitura dos textos, uma cria\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios que s\u00e3o muito fortes. Como voc\u00ea v\u00ea a presen\u00e7a do teatro em seu trabalho?<\/strong><br \/>\nO teatro foi realmente uma busca que tive nesse trabalho, pois eu queria muito me reaproximar dele. Quando fui me encaminhando para a m\u00fasica, houve esses momentos em que pensei \u201cpoxa, eu imaginava que seria aquela pessoa que ia atuar em cinema, ter grupo de teatro\u201d e isso mudou, a vida mudou. E tudo certo, porque a m\u00fasica foi dando mais certo, foi sendo mais o sentido das coisas. Mas senti que era muito \u201cJulia atriz\u201d e \u201cJulia cantora\u201d e queria um pouco somar esses conhecimentos, ent\u00e3o teve uma preocupa\u00e7\u00e3o com isso, do processo de cria\u00e7\u00e3o, de trazer textos falados. Pensei no show muito brincando com esses elementos do pr\u00f3prio teatro, que tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa de que gosto, de pensar no roteiro, em pensar como ele come\u00e7a, como termina, pensar nas energias de cada momento, como \u00e9 essa dramaturgia que eu constru\u00ed. Ent\u00e3o eu falo que tem v\u00e1rias dramaturgias: tem a do pr\u00f3prio disco, a ordem que a gente pensou, tem a dramaturgia do show, do v\u00eddeo-\u00e1lbum, ent\u00e3o \u00e9 tudo muito pensando mesmo nessa hist\u00f3ria, nessas sensa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o necessariamente numa hist\u00f3ria narrativa, mas nessas sensa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o sendo contadas. E tamb\u00e9m por que eu estava com saudades de atuar, ent\u00e3o gosto de brincar com isso, foi uma coisa de \u201cpoxa, eu tamb\u00e9m sou isso\u201d, da mesma forma de assumir a compositora, eu tamb\u00e9m sou atriz, por que eu iria desligar um lado? Tenho que acolher esses lados todos que fazem parte de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse processo do disco, voc\u00ea se cercou muito de mulheres. Tem o Chico, mas de resto s\u00e3o mulheres, tanto no disco, quanto no visual, que \u00e9 um trabalho no qual voc\u00ea agrega v\u00e1rias artistas. Como foi esse trabalho com todas elas?<\/strong><br \/>\nFoi muito especial. Quando comecei o processo do disco j\u00e1 tinha essa vontade de trabalhar com mais mulheres, eu vinha de uma banda de homens e eu n\u00e3o trabalhava com tantas mulheres quanto hoje, o que j\u00e1 \u00e9 uma coisa que mudou na minha pr\u00f3pria equipe. Al\u00e9m da Luiza, eu fa\u00e7o quest\u00e3o de que seja uma equipe mais feminina. Hoje, por exemplo, a gente est\u00e1 fazendo o show com outra iluminadora que n\u00e3o \u00e9 a iluminadora que criou a luz, e eu quis que fosse uma mulher. O t\u00e9cnico de som \u00e9 o Evaldo, que \u00e9 \u00f3timo, mas sempre que eu posso eu tento buscar primeiro uma mulher, porque acho que tamb\u00e9m, nesses \u00faltimos 3, 4 anos \u2013 assim como v\u00e1rias mulheres \u2013 eu me sinto contaminada por tudo isso que est\u00e1 acontecendo. Acho que teve uma mudan\u00e7a de perspectiva, um fortalecimento mesmo do feminino e do feminismo. A gente est\u00e1 mais atenta as coisas, a gente est\u00e1 soltando mais a voz, soltando os cavalos. E o v\u00eddeo-\u00e1lbum aconteceu tamb\u00e9m nesse sentido. Quando comecei a gravar o disco, eu j\u00e1 tinha esse desejo, mas n\u00e3o sabia muito qual seria o assunto, o tema, mas quando olhei pra essas composi\u00e7\u00f5es \u00e9 que eu vi que elas tinham isso muito forte, de algum jeito respondendo a esse contexto e a esse mundo, num processo de intimidade e tal. Ent\u00e3o achei que esse v\u00eddeo-\u00e1lbum faria todo sentido se fosse composto por mulheres, por que eu queria muito ver como elas enxergariam essas m\u00fasicas, dar espa\u00e7o para a voz delas. E foi um processo muito incr\u00edvel, por que a Sara Lana fez a coordena\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo-\u00e1lbum, e ela teve a brilhante ideia de convidar quatro diretoras para os cinco v\u00eddeos no total. Cada uma dessas diretoras, al\u00e9m de dirigir um v\u00eddeo, assumiria outra fun\u00e7\u00e3o nesses trabalhos \u2013 de dire\u00e7\u00e3o de fotografia, dire\u00e7\u00e3o de arte \u2013 ent\u00e3o foi uma outra forma de trabalhar num processo de audiovisual, sem muita hierarquia, era uma coisa do tipo de passar a bola uma pra outra, hoje uma dirige, amanh\u00e3 \u00e9 outra, e todo mundo estava junto nesse v\u00eddeo-\u00e1lbum. Claro que n\u00e3o foi t\u00e3o simples, porque o processo coletivo tem outras coisas, mas foi muito rico. E pra mim est\u00e1 sendo muito incr\u00edvel, sinto que a gente est\u00e1 se abra\u00e7ando tamb\u00e9m, \u00e9 uma luta real por tornar esse mercado e esse mundo mais igual. E tamb\u00e9m acredito que fazendo isso eu talvez fortale\u00e7a para que mais mulheres ocupem lugares de lideran\u00e7a e de pensamento, tornando esse mercado mais igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora voc\u00ea segue em turn\u00ea do disco, mas voc\u00ea tem outros projetos rolando? Pois a banda Todos os Caetanos do Mundo est\u00e1 em hiato.<\/strong><br \/>\nA banda segue em hiato, \u00e9 dif\u00edcil falar se iremos voltar um dia, pode ser, nunca sei, mas n\u00e3o est\u00e1 nos planos. Cada um est\u00e1 tocando um pouco a sua vida e, pra mim, o meu trabalho solo tomou realmente o foco principal, ent\u00e3o estou completamente mergulhada nesse trabalho mesmo. As outras coisas que eu fa\u00e7o s\u00e3o realmente paralelas, como participar do projeto de algu\u00e9m, mas o foco principal tem sido na minha carreira. O momento de agora \u00e9 realmente de turn\u00ea, de fazer o m\u00e1ximo de shows, de conseguir circular pelos lugares que a gente quer muito transitar, porque a gente sente que o disco ainda est\u00e1 muito fresco, \u00e9 at\u00e9 doido porque ele saiu em agosto de 2018, mas j\u00e1 aconteceu muita coisa de l\u00e1 pra c\u00e1 e mesmo assim ele \u00e9 muito recente ainda, ent\u00e3o sinto que tem uma estrada grande para esse disco percorrer. Tenho desejo de fazer um segundo v\u00eddeo-\u00e1lbum, por que algumas m\u00fasicas ficaram de fora, mas ainda estou vendo como isso poder\u00e1 se dar. Mas tamb\u00e9m tenho vontade de explorar as m\u00fasicas de outras formas, talvez fazer um remix, enfim, outras coisas assim, mais ainda muito nesse trabalho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"30 anos | Julia Branco | v\u00eddeo-\u00e1lbum | v\u00eddeo 3\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bk9vI4nG99w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Coisas | Julia Branco | v\u00eddeo-\u00e1lbum | v\u00eddeo 1\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IYVgu72KeGk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meu corpo | Julia Branco | v\u00eddeo-\u00e1lbum | v\u00eddeo 4\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BpNKvOvUbw8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eu sou mulher | Julia Branco | v\u00eddeo \u00e1lbum | v\u00eddeo 5\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IhzfdF41EUU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cantora, compositora e atriz, a mineira Julia Branco j\u00e1 cantou ao lado da banda Todos os Caetanos do Mundo, mas h\u00e1 cerca de um ano lan\u00e7ou em disco e \u00e1lbum-visual seu primeiro trabalho solo, o forte \u201cSoltar os Cavalos\u201d. Conhe\u00e7a!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/22\/entrevista-julia-branco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":52731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3113],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52454"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52454"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52732,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52454\/revisions\/52732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}