{"id":52432,"date":"2019-07-17T09:44:46","date_gmt":"2019-07-17T12:44:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52432"},"modified":"2019-09-06T08:37:03","modified_gmt":"2019-09-06T11:37:03","slug":"balanco-buenos-muchachos-eddie-e-felix-robatto-brilham-no-12o-paraiso-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/17\/balanco-buenos-muchachos-eddie-e-felix-robatto-brilham-no-12o-paraiso-do-rock\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: Buenos Muchachos, Eddie e F\u00e9lix Robatto brilham no Para\u00edso do Rock 2019"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a medida do sucesso de um festival? Se o objetivo \u00e9 meramente comercial, h\u00e1 quem suponha que o sucesso est\u00e1 nos n\u00fameros, no balan\u00e7o financeiro positivo, na possibilidade de repetir o evento no ano seguinte. Por\u00e9m, mesmo um evento de entretenimento com proposta exclusiva de gerar lucro aos seus organizadores leva em considera\u00e7\u00e3o outros fatores para celebrar seu \u00eaxito. O que dizer, ent\u00e3o, de um festival sem fins lucrativos e com ambi\u00e7\u00f5es culturais e art\u00edsticas claras? A avalia\u00e7\u00e3o fica muito mais complexa, e por isso a 12a edi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/paraiso-do-rock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Para\u00edso do Rock<\/a>, ocorrida em 12 e 13 de julho de 2019, n\u00e3o encontra uma resposta f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos fatos, portanto: foi o festival com a curadoria mais ampla de sua hist\u00f3ria, tanto do ponto de vista est\u00e9tico quanto geogr\u00e1fico. Havia artistas de Montevid\u00e9u a Natal, da guitarrada amaz\u00f4nica ao bubblegum curitibano. Tamb\u00e9m foi a edi\u00e7\u00e3o com menor p\u00fablico: somadas, as duas noites n\u00e3o chegaram a atrair 500 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos fatores podem ter concorrido para a pequena plateia. Para\u00edso do Norte \u00e9 uma cidade com cerca de 13 mil habitantes numa regi\u00e3o predominantemente rural do Paran\u00e1. O Para\u00edso do Rock costumava ser o \u00fanico evento destinado ao estilo na regi\u00e3o, atraindo moradores de cidades vizinhas. Mas em 2019, Paranava\u00ed realizou uma festa gratuita para comemorar o Dia Mundial do Rock, o que j\u00e1 dividia o p\u00fablico interessado. Ainda mais graves foram as den\u00fancias de spam contra a publicidade online do festival, que acabaram prejudicando o principal canal de divulga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, querelas judiciais foram instauradas contra um dos organizadores, acusando-o de usar o festival para se promover politicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre esse \u00faltimo aspecto, \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo curiosa: o objetivo principal do Para\u00edso do Rock \u00e9 levantar recursos para o contraturno da escola p\u00fablica. Todo o lucro do festival \u00e9 revertido para esse objetivo. Al\u00e9m disso, o festival tem o compromisso confesso de promover a integra\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com a cultura de outras localidades do pa\u00eds. Poderia ser considerado eleitoreiro se \u201cjogasse para a galera\u201d, escalando um elenco sertanejo \u2013 o g\u00eanero de maior demanda na regi\u00e3o. Mas o festival aposta no novo, no inusitado, no culturalmente relevante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nesse aspecto, o Para\u00edso do Rock apresentou uma de suas melhores edi\u00e7\u00f5es, se n\u00e3o a melhor. Apesar da insipi\u00eancia das bandas de abertura de ambas as noites, o que se seguiu a elas foi uma combina\u00e7\u00e3o impressionante de propostas musicais, uma experi\u00eancia que foi al\u00e9m do mero entretenimento ou da curiosidade para se tornar um daqueles momentos em que voc\u00ea olha para a pr\u00f3pria vida e pensa: \u201cvaleu a pena ter estado aqui\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52434\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/02_Chinelada-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/02_Chinelada-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/02_Chinelada-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sexta, dia 12, esse clima de \u2018boa onda\u201d j\u00e1 havia se instalado com o punk bubblegum do Chinelada. Apesar de recente, a banda \u00e9 formada por macacos velhos do punk curitibano, tendo \u00e0 frente o vocalista Oneide Diedrich (Pelebr\u00f3i N\u00e3o Sei?, Diedrich &amp; Os Marlenes, Gripe Forte). Escritor, psic\u00f3logo e \u201cramonero\u201d de primeira hora, Oneide \u00e9 um frontman sem par: alterna dancinhas de tioz\u00e3o com postura estoica, brinca com os clich\u00eas de rock star (algumas de suas \u201cfalas\u201d com o p\u00fablico s\u00e3o scats incompreens\u00edveis) e entoa pequenas cr\u00f4nicas urbanas com a naturalidade de quem est\u00e1 pedindo um cafezinho na padaria. A banda providencia uma massa sonora simples e fluida, e ajuda a lembrar que punk e bubblegum s\u00e3o g\u00eaneros simples, sim, mas n\u00e3o indigentes. Ao menos, n\u00e3o nas m\u00e3os de quem sabe o que est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52433\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/01_Histeria-6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/01_Histeria-6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/01_Histeria-6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes deles, havia rolado o Histeria, banda de Para\u00edso do Norte formada apenas por mulheres. O festival sempre procura incluir bandas locais e tamb\u00e9m abrir espa\u00e7o para nomes menos experientes \u2013 \u201ccomo o cara vai pegar experi\u00eancia se ele n\u00e3o tocar?\u201d, me disse certa vez Beto Vizzotto para explicar essa postura. E foi por influ\u00eancia dele que a banda, inicialmente de covers, se arriscou em can\u00e7\u00f5es autorais. Foram justamente essas que aliviaram a apresenta\u00e7\u00e3o, porque a escolha \u00f3bvia e nada coerente de covers (Pitty, Blondie, Nirvana, Runaways, Cranberries\u2026) era apenas correta do ponto de vista instrumental. E se j\u00e1 faltava personalidade e bagagem \u00e0s releituras, o resultado ficava ainda pior com o ingl\u00eas sofr\u00edvel da vocalista Laura Berthi. Ainda assim, nas tr\u00eas faixas pr\u00f3prias, a banda mostrou um grunge pop bastante palat\u00e1vel. Que se arrisquem mais nos palcos e deixem esse lado se desenvolver.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52436\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/03_Eddie-13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/03_Eddie-13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/03_Eddie-13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comemorando 30 anos de carreira, personalidade e bagagem s\u00e3o artigos que os pernambucanos do Eddie t\u00eam de sobra, e o guitarrista Fabio Trummer n\u00e3o precisou de mais que poucos segundos para convocar o p\u00fablico para seu \u201coriginal Olinda style\u201d. Ele e o percussionista Alexandre Ur\u00eaa dividem os vocais e o comando do p\u00fablico com precis\u00e3o, sem jamais ofuscar a malemol\u00eancia da cozinha dos g\u00eameos Rob e Kiko Meira ou os detalhes e texturas de teclados e trompete de Andr\u00e9t Oliveira. O repert\u00f3rio passou por todos os sete \u00e1lbuns, trazendo a mistura de \u201cfrevo desacelerado\u201d, reggae, rock, psicodelia, ares caribenhos e romantismo pop que caracteriza o som da banda. Dava pra dan\u00e7ar (sozinho ou coladinho) ou s\u00f3 apreciar os detalhes. Bel\u00edssimo show.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52437\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/04_Camarones-6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/04_Camarones-6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/04_Camarones-6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que veio a seguir, por\u00e9m, n\u00e3o foi nada pl\u00e1cido. Um CTG S\u00e3o Jorge semiesvaziado viu a Camarones Orquestra Guitarr\u00edstica mandar seu habitual apavoro sonoro acelerado. Com os graves no talo e uma press\u00e3o absurda nos amplificadores, o quarteto potiguar mandou 14 can\u00e7\u00f5es em meia hora, arrombando o fiof\u00f3 de qualquer bundamolice na qual o rock tenha se metido. A baixista Ana Morena consegue a proeza de ser uma frontwoman em uma banda instrumental, ocupando o centro do palco com uma energia intensa \u2013 a guria faz headbanging at\u00e9 nos curtos intervalos entre uma faixa e outra. Em dado momento a guitarra de tr\u00eas cordas de Anderson Foca ficou s\u00f3 com duas, e mesmo assim \u2013 e mesmo com o guitarrista Don Carl\u00f3n, do Combover, substituindo Fausto Alencar (que n\u00e3o p\u00f4de viajar) \u2013 o quarteto manteve a velocidade e o volume elevados. Um show brutal e agressivo, no melhor sentido de ambas as palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite de s\u00e1bado foi at\u00edpica na hist\u00f3ria do festival, por muitas raz\u00f5es. A primeira, j\u00e1 se disse: o p\u00fablico pequeno, quando habitualmente a \u00faltima noite apresentava at\u00e9 quatro vezes mais pessoas que a primeira. A segunda era o clima agrad\u00e1vel, dispensando o uso de agasalhos (a regi\u00e3o tem um inverno rigoroso). E por fim, a escala\u00e7\u00e3o. Nesse aspecto, vamos por partes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52438\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/05_TrianguloDasBermusicas-3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/05_TrianguloDasBermusicas-3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/05_TrianguloDasBermusicas-3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra banda da regi\u00e3o abriu a noite. De Umuarama, o Tri\u00e2ngulo das Berm\u00fasicas \u00e9 um projeto paralelo de Duda Victor e Jos\u00e9 Duarte, ambos da excelente Terremotor. A ideia \u00e9 at\u00e9 simp\u00e1tica: beber no lado mais B-52s\/Gang 90 da new wave, subindo um pouco o volume das guitarras e trazendo um tanto de poesia. S\u00f3 que a pr\u00e1tica n\u00e3o corresponde \u00e0 teoria: o que sai \u00e9 uma esp\u00e9cie de rock universit\u00e1rio oitentista, com boas guitarras\u2026 e s\u00f3. O come\u00e7o at\u00e9 foi divertido, mas 40 minutos foi tempo demais. S\u00e3o quatro vocalistas (Victor, Duarte, Patr\u00edcia Sacramento e Ana Ribas), mas antes da metade do show os quatro j\u00e1 estavam com a voz em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. Ana Ribas, em especial, emitia uma gritaria que piorava os \u201ctextos marginais\u201d (a maioria pin\u00e7ada da fase de mitomania junkie\/alco\u00f3latra de autores paranaenses como M\u00e1rcio Am\u00e9rico e Mario Bortolotto). Por outro lado, tinha uma presen\u00e7a de palco cativante, enquanto Patr\u00edcia Sacramento, t\u00edmida, colocava melhor a voz nas poucas ocasi\u00f5es em que assumia o vocal principal. Tivesse tido a metade da dura\u00e7\u00e3o, teria sido mais curt\u00edvel. Mas a metade final realmente broxou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52439\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-32.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-32.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-32-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo bem, porque depois vieram os Buenos Muchachos. Uma das maiores bandas do Uruguai, traziam nas costas seus 28 anos de carreira e 1,7 mil quil\u00f4metros viajados de van para estar no festival. Vivendo o auge em seu pa\u00eds natal, vieram por acreditarem na premissa do festival, que j\u00e1 recebeu conterr\u00e2neos como Molina y Los C\u00f3smicos. Abdicaram do cach\u00ea e do conforto de viagem, e ainda trouxeram um repert\u00f3rio preparado especialmente para o show, privilegiando algumas das can\u00e7\u00f5es mais pesadas do seu repert\u00f3rio (e incluindo a vers\u00e3o que fizeram para \u201cInferno\u201d, da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, gravada para o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/07\/download-brasil-tambien-es-latino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brasil Tambi\u00e9n Es Latino<\/a>\u201d, do Scream &amp; Yell). Valeu a pena? Bem, como escreveu, <a href=\"https:\/\/farofafa.cartacapital.com.br\/2019\/07\/14\/a-freeway-que-leva-ao-paraiso\/?fbclid=IwAR3EaKHU7ZNSEpOABOeXAX-7vm604yWHlFS6-EUT5rlrpo2IMCCqfDIO6C4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em um excelente relato<\/a>, o veterano jornalista veterano Jotab\u00ea Medeiros:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFace \u00e0 extens\u00e3o de sua jornada, os Buenos Muchachos encontraram uma plateia pequena no Para\u00edso do Rock, festival que completou 12 anos de exist\u00eancia como um enclave numa regi\u00e3o dominada por g\u00eaneros de consumo ligeiro. Mas vai se tornar um daqueles shows lend\u00e1rios nos quais ningu\u00e9m nunca esteve, mas todos se lembrar\u00e3o eternamente, como algum concerto do Velvet Underground na Factory de Andy Warhol\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52442\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-26.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-26.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/06_BuenosMuchachos_-26-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 exagero. Ap\u00f3s o show, tinha gente se ajoelhando na frente do vocalista Pedro Dalton e agradecendo pela experi\u00eancia proporcionada. Superada a estranheza dos primeiros acordes, a banda conquistou o p\u00fablico com uma combina\u00e7\u00e3o de climas densos, digress\u00f5es, arrancadas guitarr\u00edsticas e sil\u00eancios. O som, impec\u00e1vel, destacava as texturas das tr\u00eas guitarras, mas o atrativo maior era a voz e a energia emanada por Dalton, que, como a banda toda, atravessa seu melhor momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pareceria anticlim\u00e1tico que depois disso viesse algo colorido e dan\u00e7ante, mas F\u00e9lix Robatto n\u00e3o \u00e9 um dos principais nomes da m\u00fasica paraense por causa de hype. Desde os tempos da banda La Pupu\u00f1a, passando por sua Lambateria (uma potente e disputada festa semanal em Bel\u00e9m, organizada por ele) at\u00e9 sua carreira solo, Robatto d\u00e1 seguidas mostras de estar no caminho de se tornar um \u201cmestre da guitarra\u201d, como os hist\u00f3ricos Mestres Vieira e Pinduca, entre outros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52440\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/07_FelixRobatto-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/07_FelixRobatto-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/07_FelixRobatto-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhado de um percussionista e um baterista e usando o virtuosismo a favor da dan\u00e7a, o barbud\u00e3o (\u201cesse \u00e9 o ZZTr\u00f3picos\u201d, brincou) s\u00f3 n\u00e3o transportou a Amaz\u00f4nia para o Paran\u00e1 porque o povo ali ainda \u00e9 um pouco duro de cintura. Mas n\u00e3o tinha ningu\u00e9m parado, nem mesmo quando ele mandou seu \u201cflash brega\u201d \u2013 trecho do show no qual mistura cl\u00e1ssicos de surf music e m\u00fasica rom\u00e2ntica em um pot-pourri brega-instrumental (de \u201cS\u00e1 Marina\u201d, de Wilson Simonal, a \u201cTheme for Young Lovers\u201d, de The Shadows, teve de tudo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim da festa foi com a Comunidade Nin-Jitsu, banda que fez sucesso nos Estados do Sul do pa\u00eds, e s\u00f3 por l\u00e1. Parada no tempo, a banda envelheceu mal: continua com o mesmo show de seis anos atr\u00e1s (quando os vi pela \u00faltima vez), mas a tosquice musical e as rimas de quinta s\u00e9rie (\u201cn\u00e3o aguento mais viver sem voc\u00ea \/para de tomar LSD\u201d) s\u00f3 apelavam a quem tinha mem\u00f3ria afetiva da banda. Por um lado, uma escala\u00e7\u00e3o coerente com a hist\u00f3ria do festival \u2013 que j\u00e1 incluiu Ultramen, Bid\u00ea ou Balde, Cachorro Grande e outros contempor\u00e2neos ga\u00fachos em edi\u00e7\u00f5es passadas. Por outro, um tremendo furo, j\u00e1 que bobagens como \u201cMerda de Bar\u201d e \u201cT\u00f4 Molhada\u201d soam ainda mais datadas e vulgares que h\u00e1 20 anos. Seja como for, tinha bastante gente pulando e pogando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso nos traz de volta \u00e0 quest\u00e3o que iniciou o texto. Qual \u00e9 a medida do sucesso para um festival? Apresentar aquilo que o p\u00fablico j\u00e1 conhece \u2013 como a Comunidade \u2013 pode garantir a agita\u00e7\u00e3o, mas esse mesmo p\u00fablico estava maravilhado com propostas musicais muito mais rics apresentadas antes \u2013 caso de Buenos Muchachos e F\u00e9lix Robatto. Os shows de Histeria e Tri\u00e2ngulo das Berm\u00fasicas foram fracos, mas colocaram as bandas, ambas iniciantes, em um palco profissional e diante de um p\u00fablico desconhecido que precisavam conquistar. Eddie e Camarones fizeram shows antol\u00f3gicos e trouxeram informa\u00e7\u00f5es musicais novas, mas foram curtidos por poucos. O que vale realmente a pena em meio a tudo isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil responder, j\u00e1 que s\u00e3o tempos economicamente c\u00e1usticos e a sa\u00fade financeira de qualquer evento est\u00e1 em risco antes mesmo de o projeto sair do papel. E que um evento beneficente d\u00ea preju\u00edzo \u00e9 ainda mais delicado. Por\u00e9m, existe um projeto cultural e art\u00edstico claro, e \u00e9 nisso que o Para\u00edso do Rock aposta. Talvez se o projeto, a exemplo do ga\u00facho M\u00fasica de Rua, convidasse a popula\u00e7\u00e3o de escolas p\u00fablicas, o objetivo cultural atingisse mais certeiramente seu alvo. Talvez a tarefa de educar o p\u00fablico para fugir da obviedade do consumo de massa seja um trabalho ainda mais dif\u00edcil do que se costuma crer. Ou talvez tenham sido apenas os percal\u00e7os pol\u00edticos que dificultaram a divulga\u00e7\u00e3o. Seja como for, a 12a edi\u00e7\u00e3o do Para\u00edso do Rock trouxe elementos mais que suficientes para afirmar que o festival acredita na cultura, na m\u00fasica, no rock\u2019n\u2019roll e na regi\u00e3o onde ele nasceu. N\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52441\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/08_ComunidadeNinJitsu_-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/08_ComunidadeNinJitsu_-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/08_ComunidadeNinJitsu_-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para\u00edso do Rock trouxe elementos mais que suficientes para afirmar que o festival acredita na cultura, na m\u00fasica, no rock\u2019n\u2019roll e na regi\u00e3o onde ele nasceu. 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