{"id":52378,"date":"2019-07-10T02:07:52","date_gmt":"2019-07-10T05:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52378"},"modified":"2019-08-21T00:04:04","modified_gmt":"2019-08-21T03:04:04","slug":"entrevista-thiago-pethit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/10\/entrevista-thiago-pethit\/","title":{"rendered":"Entrevista: Thiago Pethit"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinco anos separam \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5ATg9GTiStPN3EfGW557Ju\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rock\u2019n\u2019Roll Sugar Darling<\/a>\u201d (2014) e \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6m59zsGioop1nr3cfKew7C\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mal dos Tr\u00f3picos (Queda e Ascens\u00e3o de Orfeu da Consola\u00e7\u00e3o)<\/a>\u201d (2019), respectivamente o terceiro e o quarto disco de Thiago Pethit. Nesse intervalo de tempo, Pethit fez coisas comezinhas, como cuidar de sua casa, fazer o supermercado e tirar can\u00e7\u00f5es no viol\u00e3o. Nessa esp\u00e9cie de distanciamento auto-imposto do cen\u00e1rio musical, o cantor e compositor criou aquele que talvez seja seu disco mais corajoso e ousado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMal dos Tr\u00f3picos\u201d \u00e9 grandioso, com produ\u00e7\u00e3o ampla do carioca Diogo Strausz (respons\u00e1vel por \u201cRainha dos Raios\u201d, de Alice Caymmi). Arranjos de cordas, samples e batidas eletr\u00f4nicas criam um universo on\u00edrico para que o mito de Orfeu se despedace pelos cen\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, indo do centro da cidade para a Consola\u00e7\u00e3o, passando por paisagens ic\u00f4nicas e outras undergrounds. A po\u00e9tica do artista parece muito bem resolvida em sua forma de costurar arqu\u00e9tipos gregos com banalidades cotidianas, em can\u00e7\u00f5es que versam sobre o amor, a solid\u00e3o e a paranoia de nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais de um ano sem subir aos palcos, Thiago far\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/programacao\/s\/buSc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o show de lan\u00e7amento do disco no Sesc Pinheiros<\/a> e est\u00e1 nervoso em encarar o p\u00fablico com um trabalho t\u00e3o pessoal \u2013 Pethit pode ser seu pr\u00f3prio Orfeu, j\u00e1 que cada pequeno poema que constr\u00f3i o disco \u00e9 muito mais sobre as singularidades e universalidades do m\u00fasico do que qualquer outra coisa. Mais consciente de si e reticente com o buraco em que nos metemos enquanto pa\u00eds, Pethit parece apontar caminhos para uma busca por liberdade em meio ao caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thiago nos recebeu num final de tarde \/ in\u00edcio de noite em seu apartamento na Santa Cec\u00edlia para um longo papo onde falamos da constru\u00e7\u00e3o de \u201cMal dos Tr\u00f3picos\u201d, a produ\u00e7\u00e3o musical independente brasileira, a sexualidade, a liberdade e a vida em tempos de \u00f3dio. Confira a conversa na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Thiago Pethit - Orfeu (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h0E4nC_UgWI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por qual motivo voc\u00ea ficou tanto tempo sem gravar? O que voc\u00ea fez durante esse tempo?<\/strong><br \/>\nBom, durante esse tempo eu n\u00e3o fiz nada de muito especial, foi muito longe de ser um ano sab\u00e1tico ou algo assim, essa coisa burguesa, ex\u00f3tica, de \u201cvou me descobrir\u201d. Na verdade foi um per\u00edodo em que eu levei a vida mais simples poss\u00edvel, porque eu fiz coisas que eu n\u00e3o conseguia fazer enquanto eu estava lan\u00e7ando disco ou fazendo turn\u00ea: tive uma casa, eu sempre morei meio em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito casa, algo como um quarto alugado em algum lugar, da\u00ed voltava para a casa dos meus pais, depois ia pra casa do namorado. Nesses 10 anos, foi a primeira vez que eu tive um espa\u00e7o que eu falei \u201cessa \u00e9 a minha casa\u201d, ent\u00e3o foi um ano em que meu maior prazer era ir fazer supermercado, n\u00e3o foi nada especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas qual foi o momento que voc\u00ea decidiu \u201cagora \u00e9 a hora de voltar\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi quase involunt\u00e1rio. A \u00faltima vez que eu tinha feito m\u00fasica antes de voltar a fazer agora, tinha sido pro \u201cRock\u2019n\u2019Roll\u201d, que era o disco anterior, ent\u00e3o as m\u00fasicas foram feitas em 2014. Depois fiquei sem compor por entrar em turn\u00ea. Em algum momento rolou uma estafa assim do rol\u00ea m\u00fasica, por que \u00e9 estafante, \u00e9 um neg\u00f3cio que \u00e9 muito prec\u00e1rio, pois a gente n\u00e3o est\u00e1 falando em um n\u00edvel Anitta, Pabllo. Quando d\u00e1 certo e tem bastante show \u00e9 o caos, porque \u00e9 um rol\u00ea muito amador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o tem a mesma estrutura que essas grandes artistas.<\/strong><br \/>\nExato. Isso de viajar as 6 da manh\u00e3 todo dia, n\u00e3o interessa que horas voc\u00ea tocou, voc\u00ea fica em um hotel poss\u00edvel para o or\u00e7amento, \u00e9 sempre ca\u00f3tico. E de algum jeito sinto que passei alguns limites meus, do Thiago pessoa, sem me dar conta, ao longo desses anos. Ent\u00e3o essa pausa teve a ver com isso, teve a ver com associar o fazer m\u00fasica ou o prazer de fazer m\u00fasica com essa estrutura toda, com o ato de sobreviver de m\u00fasica. Esses dois anos em que eu fiquei aqui nesse apartamento, por exemplo, foram anos que eu demorei pra voltar a ter desejo de compor. E eu queria fazer um monte de coisas que n\u00e3o tinham a ver com m\u00fasica, eu sentia muita necessidade de escrever, ent\u00e3o escrevia umas bobagens, cr\u00f4nicas, sei l\u00e1, tive uns mini-di\u00e1rios. Em algum momento isso foi virando poesia e pensei, \u201cpoxa, eu n\u00e3o sou poeta\u201d e ent\u00e3o deu vontade de pegar o viol\u00e3o e \u201ccomo seria isso que eu escrevi se isso fosse m\u00fasica?\u201d. Quando vi estava fodido: eu queria fazer m\u00fasica de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou dessa precariedade de produzir m\u00fasica no Brasil. E a gente sabe que para muitos artistas \u00e9 uma quest\u00e3o at\u00e9 mesmo de \u201ccomo vou pagar as contas no final do m\u00eas?\u201d. Como \u00e9 isso pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\n\u00c9 complicado, de fato. Na verdade, acho que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 complicado, d\u00e1 pra dizer sabendo que piorou muito, tipo est\u00e1 muito mais complicado do que quando comecei. E \u00e9 muito angustiante. O mercado independente ou o mercado \u2013 que nome poderia ter isso? Porque independente pode significar muitas coisas hoje. O mercado que n\u00e3o \u00e9 o mercado mainstream, ele \u00e9 muito pequeno e muito restrito e nele circula muito pouco dinheiro, ent\u00e3o o que sinto \u00e9 que passei alguns limites meus ao longo desses anos. E tem muito a ver com isso de me ver fazendo coisas para ganhar dinheiro que, putz, n\u00e3o era nada disso que eu queria pra mim, n\u00e3o era nada disso que eu queria construir, n\u00e3o queria ser esse personagem, mas voc\u00ea vai topando. Tem gente que topa fazer com que a m\u00fasica fique mais tosca porque desse jeito acham que vai facilitar alguma coisa, vai vender mais. E tem gente que, como eu, fez op\u00e7\u00f5es de \u201cbom, vou vender, fazer coisas com marcas no Instagram\u201d. Mas voc\u00ea vai passando muitos limites porque as contas chegam e voc\u00ea tem que dar um jeito de pagar. E eu sinto que, de tempos pra c\u00e1, eu tenho conversado mais com as pessoas e encontrando mais as pessoas da m\u00fasica e sinto que isso virou uma quest\u00e3o ainda mais complicada nesse momento em que n\u00e3o tem investimento para a cultura, que as coisas est\u00e3o todas um pouco inf\u00e9rteis. E pra mim tamb\u00e9m \u00e9 complicado. H\u00e1 10 anos vivo de m\u00fasica e das suas adjac\u00eancias, vivo como essa persona que trabalha na minha carreira, e ao longo desses anos tive a sorte de n\u00e3o precisar recorrer a nenhum outro tipo de profiss\u00e3o, mas acho que \u00e0s vezes a gente tem que repensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora \u00e9 um retorno seu aos palcos, pois j\u00e1 faz um ano que voc\u00ea n\u00e3o se apresenta. Voc\u00ea est\u00e1 ansioso?<\/strong><br \/>\nT\u00f4 muito nervoso. \u00c9 engra\u00e7ado, porque sempre tive uma rela\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel com o palco do que com gravar disco, por exemplo. Sempre senti que no palco era mais f\u00e1cil. Estar no palco era onde eu me sentia \u00e0 vontade, onde tudo acontecia meio naturalmente. E \u00e9 engra\u00e7ado, porque dessa vez, n\u00e3o sei se fiquei Jeca Tatu demais, acostumado demais com a minha casa, mas t\u00f4 nervoso com essa ideia de voltar pro palco. Acho que tamb\u00e9m tem a ver com o disco, de algum jeito foi um disco muito diferente. A constru\u00e7\u00e3o dele foi muito diferente da constru\u00e7\u00e3o dos meus outros dois anteriores. Acho at\u00e9 que ele tem algum parentesco <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6OndpnamHigOTIcRWxQ7k0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com o meu primeiro disco<\/a>, de algum jeito, entre aspas, mas acho que eles s\u00e3o discos meio parentes na forma como criei os dois ou o que eu buscava com m\u00fasica, acho que tem a ver. Os dois discos do meio do caminho \u2013 o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0SWRZ8mCl6RB837vk7JcZu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estrela Decadente<\/a>\u201d e o \u201cRock\u2019n\u2019Rol\u201d \u2013 foram discos que, por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, existiam com uma persona muito mais forte na frente deles, ent\u00e3o mesmo nas letras e na minha voz, era uma voz de palco, como se eu tivesse cantando em cima do palco, como se fosse uma performance. Sinto que meu primeiro disco e esse novo n\u00e3o tem isso, acho que s\u00e3o discos em que eu considero que essa \u00e9 a minha voz. Estou cantando como \u00e9 natural pra mim, sem nenhum personagem na frente. E acho que isso tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa que me deixa nervoso para voltar para o palco, acho que foi um disco meio \u00edntimo demais, talvez o mais \u00edntimo e com essa sensa\u00e7\u00e3o de \u201cmeu deus, como coloca isso no frente de todo mundo?\u201d. \u00c9 estranho. Para mim \u00e9 estranho, realmente \u00e9 uma novidade sentir esse tipo de nervosismo com o palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque o \u201cRock\u2019n\u2019Roll\u201d tinha uma coisa que ele era mais pop arte, tinha uma plasticidade que era bem diferente desse, um universo muito distante.<\/strong><br \/>\nMuito. E o \u201cRock\u2019n\u2019Roll\u201d tinha uma coisa que era dele, era uma musicalidade que funcionava muito independente do seu estado de esp\u00edrito. Ah, rock, batid\u00e3o, \u00e9 pra dan\u00e7ar, \u00e9 pra sentir no corpo, e esse disco n\u00e3o, ele \u00e9 mais herm\u00e9tico, ele \u00e9 mais subjetivo, tem mais a ver com entrar nas letras, com sentir os arranjos, tem uma outra rela\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a produ\u00e7\u00e3o desse disco, que \u00e9 um trabalho conjunto com o Diogo Strausz?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o conhecia o Diogo. Conheci ele num show da Alice [Caymmi] aqui em S\u00e3o Paulo, do segundo disco dela [\u201cRainha dos Raios\u201d], mas foi uma situa\u00e7\u00e3o pouco prop\u00edcia para a gente se conhecer, era um show, ele era uma das estrelas, a gente meio que falou \u201coi\u201d, conversou de um jeito muito raso, mas eu achei ele um menino muito curioso, sobretudo por que ele era muito novo e estranho ele ser carioca [risos]. Ele tem uma zero vibe carioca, a princ\u00edpio \u2013 depois que voc\u00ea o conhece bem voc\u00ea v\u00ea que ele \u00e9 bem carioca. Mas ele tem aquela coisa que parece um garoto paulista e eu achei o disco da Alice muito interessante e tinha uma caracter\u00edstica que \u00e9 uma coisa que eu sempre busquei nos meus discos e tive dificuldade de encontrar, que era uma sonoridade mais escura, o disco dela tinha isso e eu fiquei com isso na cabe\u00e7a, fiquei pensando o quanto isso era uma constru\u00e7\u00e3o dela ou podia ser uma constru\u00e7\u00e3o dele, o quanto era do encontro dos dois e tudo mais. Depois, no come\u00e7o de 2018, eu j\u00e1 estava com as m\u00fasicas semi prontas, j\u00e1 tinha muitas ideias do que queria. Quando voc\u00ea trabalha nesse meio independente e n\u00e3o s\u00e3o discos com patroc\u00ednio e tudo mais, voc\u00ea depende muito do tempo das pessoas, e tudo tem que ser feito um pouco as pressas, porque o tempo de est\u00fadio custa muito caro, ent\u00e3o a gente n\u00e3o demora muito. Os outros produtores dos meus discos eu escolhi por intui\u00e7\u00e3o e acho que acertei, mas foi assim, n\u00e3o conhecia o Kassin, por exemplo, a primeira vez que trabalhei com ele, escrevi j\u00e1 propondo \u201cvamos trabalhar\u201d, conhecia os trabalhos dele, mas n\u00e3o ele. E com o Diogo eu resolvi fazer de outro jeito, acho que por um lado eu sentia que eram ideias que poderiam dar muito errado, a principio parecia que eu estava querendo trabalhar com elementos como mitologia grega, trip-hop, MPB, e podia dar muito errado, ent\u00e3o eu quis ter muita certeza de que a gente estava falando a mesma l\u00ednga. Ent\u00e3o encontrei com ele muitas vezes, acho que umas cinco vezes, a gente tomou uns cinco caf\u00e9s. No primeiro caf\u00e9, eu falei: \u201cOlha, penso em fazer um disco\u201d, mas n\u00e3o falei sobre o disco. A gente teve cinco caf\u00e9s meio que se conhecendo, conversando e falando da vida, e falando porque a gente fazia m\u00fasica, como eu trabalhava, como ele trabalhava. At\u00e9 que nos \u00faltimos encontros eu falei assim: \u201cTenho uma ideia que \u00e9 assim, assim, assado\u201d, expliquei para ele o que eu tinha em mente e senti que ele sacou total, j\u00e1 de cara, tanto que quando a gente come\u00e7ou a trabalhar foi o disco mais f\u00e1cil que j\u00e1 fiz, no sentido de ter um bom interlocutor, porque sinto que a gente estava falando a mesma l\u00edngua o tempo inteiro, foi um disco que tive muito pouco atrito de ideias. E foi muito legal, sinto que pro Diogo tamb\u00e9m foi uma coisa boa, pois tinham muitas oportunidades para ele dentro do disco, acho que ele tomou isso pra ele. Acho que tem isso tamb\u00e9m, o fato de ele ser um produtor novo e que tem uma hist\u00f3ria pra construir, em que n\u00e3o est\u00e1 tudo feito, por isso a pessoa toma na m\u00e3o de um jeito diferente, e sinto que ele realmente pegou o projeto pra ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele cria um universo muito forte dentro do disco, tanto que algumas das cr\u00edticas que li e ouvi falavam que \u00e0s vezes a produ\u00e7\u00e3o do Diogo chegava a ser maior que as suas m\u00fasicas e isso considerando que as pessoas deduziam que determinadas coisas eram dele e outras eram suas. Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nAcho essa a melhor pergunta, como se as pessoas deduzissem que uma coisa \u00e9 de um e de outro. Essa \u00e9 a parte que acho mais engra\u00e7ada, porque isso me parece uma l\u00f3gica muito antiga, n\u00e3o sei se as pessoas fazem mais trabalhos assim \u2013 deve ter quem fa\u00e7a. Essa ideia de que existe produtor e existe o artista e o artista \u00e9 meio um fantoche que fica a disposi\u00e7\u00e3o das ideias de um produtor. Acho um conceito muito antigo, pelo menos pra mim \u00e9 inconceb\u00edvel que um disco meu pudesse ser feito desse jeito. O Diogo s\u00f3 poderia chegar onde chegou por que essas ideias foram dadas. Quem contrata sou eu, eu contrato o produtor, ent\u00e3o eu o contrato para chegar em algum lugar. Mas o que voc\u00ea acha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado, por que todas as vezes que eu vi essa cr\u00edtica, a \u00fanica coisa que eu realmente n\u00e3o entendia \u00e9 por que as pessoas viam isso. \u00c0s vezes elas diziam \u201cah, por que a Alice conseguiu dominar o Diogo e o Thiago foi engolido pelo Diogo\u201d e eu n\u00e3o consigo fazer essa correla\u00e7\u00e3o por serem dois universos muito diferentes desses dois discos, e por eu entender o trabalho do Diogo \u2013 eu vejo marcas muito fortes dele no disco, mas vejo marcas muito fortes do Thiago -, eu vejo que a jun\u00e7\u00e3o dos dois existe, eu n\u00e3o consigo enxergar isso separado, por que sen\u00e3o seria um disco s\u00f3 do Diogo e n\u00e3o um disco seu. Eu sempre tento entender que existe a m\u00e3o de um produtor que cria coisas conjuntamente, mas eu n\u00e3o consigo identificar o que \u00e9 oficialmente de um ou de outro, pois isso \u00e9 muito complexo.<\/strong><br \/>\nPara dizer o que eu acho, de como eu vejo o disco. Eu acho que \u00e9 o meu melhor disco em termos de composi\u00e7\u00e3o, por exemplo. Acho que \u00e9 o primeiro disco em que eu me sinto compositor, pelo processo com que eu trabalhei as letras, pela preocupa\u00e7\u00e3o que eu tive para com as letras. Para mim foi um disco que partiu, como eu contei, desse princ\u00edpio de coisas escritas e que se tornam m\u00fasicas e que n\u00e3o s\u00e3o sobre causar um efeito musical, s\u00e3o sobre contar algo. Fazia muito tempo que eu n\u00e3o fazia um disco com can\u00e7\u00f5es, um disco s\u00f3 de can\u00e7\u00f5es. Os meus outros discos tinham, sei l\u00e1, \u201cRomeo\u201d era uma can\u00e7\u00e3o no meio de um monte de m\u00fasicas de efeito. E eu por um lado sentia que esse disco s\u00f3 podia ter uma grandiosidade orquestral, sinf\u00f4nica e sonora porque era um disco de can\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o eu tinha uma certeza de que essas m\u00fasicas funcionariam independente dessas produ\u00e7\u00f5es. Por exemplo, se eu toco elas no voz e viol\u00e3o, eu sinto que essas m\u00fasicas existem, n\u00e3o \u00e9 que elas precisem de algum efeito para funcionar como m\u00fasica, ent\u00e3o isso me deu uma certa certeza de que esse era um disco que poderia ter a exuber\u00e2ncia para al\u00e9m das can\u00e7\u00f5es. \u201cNossa, que massa, j\u00e1 fiz um monte de can\u00e7\u00f5es, o que mais eu posso fazer\u201d, era um pouco isso, como n\u00e3o deixar que fosse apenas um disco de can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o me sinto engolido pelo Diogo, pelo contr\u00e1rio, acho que a gente se engoliu os dois, pra mim \u00e9 mais sobre antropofagia. At\u00e9 por que foi um disco de muitas decis\u00f5es certeiras em conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem muitos instrumentos, muitos samples, muitas coisas, como voc\u00eas chegaram a tudo isso? Muitas coisas foram gravadas ou coletadas?<\/strong><br \/>\nTudo isso. Muita coisa sampleada de pesquisa, muita coisa regravada em cima de sample ou gravada em cima de ideias que a gente gostaria de samplear, mas que ficamos com medo. Putz, tem tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem um trecho que \u00e9 do \u201cFa-Tal\u201d, da Gal Costa?<\/strong><br \/>\nJamais direi! Jamais responderei essa pergunta! [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o disco: como voc\u00ea chegou nessa quest\u00e3o da mitologia grega, era algo que j\u00e1 era do seu interesse? Em que momento voc\u00ea mergulhou nisso \u2013 se \u00e9 que existe um momento espec\u00edfico?<\/strong><br \/>\nAcho que existe, na verdade. Coisas que eu estou come\u00e7ando a falar em entrevistas, mas que s\u00e3o coisas que nunca falei. Eu tenho uma irm\u00e3 mais nova que nasceu com uma s\u00edndrome gen\u00e9tica, quando eu tinha 4 anos de idade. E \u00e9 uma s\u00edndrome super desconhecida, que dava m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o f\u00edsica e outras surpresas que a gente foi descobrindo ao longo da vida. Mas uma coisa que era muito presente na minha inf\u00e2ncia e na pr\u00e9-adolesc\u00eancia era a imin\u00eancia da morte, era como se a morte pudesse estar muito presente o tempo inteiro, a qualquer momento algo poderia acontecer, algo fatal. E eram coisas que acho que eu era pequeno demais para entender de fato, mas estava no ar, estava na minha casa, nos meus pais, no meu ambiente. E \u00e9 engra\u00e7ado, porque um pouquinho depois do nascimento dela, quando eu tinha uns 5, 6 anos, eu comecei a me interessar muito por hist\u00f3rias que minha m\u00e3e contava. Minha m\u00e3e \u00e9 psic\u00f3loga, ent\u00e3o ela tinha uma coisa de usar muito mitologia como exemplo de arqu\u00e9tipos. E ela me contava muito as hist\u00f3rias dos mitos, me contava hist\u00f3rias dos orix\u00e1s e misturava meio que tudo e eu fui me interessando por essas hist\u00f3rias. E foi quando comecei a ler livros infantis e depois na adolesc\u00eancia lendo coisas mais densas sobre isso, e eu estou contando tudo isso, porque acho que de algum jeito eu usei esses arqu\u00e9tipos ao longo da vida, e me interessei por eles, como uma forma de tentar compreender aquilo que eu n\u00e3o compreendia, tentar traduzir de algum jeito um monte de sentimentos gigantes, como a morte, por exemplo. E \u00e9 engra\u00e7ado que isso foi assim ao longo de minha vida toda, tanto que demorei muitos anos pra me dar conta de que me relaciono com essas ideias. E \u00e9 engra\u00e7ado que fa\u00e7o isso o tempo todo, mesmo meus outros discos, que n\u00e3o eram sobre mitologia grega, acabavam tendo um arqu\u00e9tipo de alguma coisa, ent\u00e3o acho que criativamente eu sempre vou em busca de um arqu\u00e9tipo de alguma coisa, que certamente \u00e9 algo que se relaciona comigo de algum jeito, se relaciona com a sociedade em algum momento. E quando eu fiz essas m\u00fasicas, chegando agora em 2018, a primeira m\u00fasica que eu escrevi foi \u201cRio\u201d e na sequ\u00eancia escrevi \u201cOrfeu\u201d, e eu me dei conta que as duas tinham uma semelhan\u00e7a: uma era sobre desastres sobrenaturais, que meio que manipulo pelas minhas l\u00e1grimas; a outra claramente fala sobre um mito grego, aben\u00e7oado. E naquele momento n\u00e3o fez nenhum sentido pra mim, tanto que fez zero sentido compor essas m\u00fasicas, pois as fiz e falei \u201cnossa, n\u00e3o sei por que estou fazendo isso, n\u00e3o tem nada a ver comigo, jamais cantarei essas m\u00fasicas, acho que \u00e9 um exerc\u00edcio\u201d e depois de muito tempo, quando mais m\u00fasicas foram surgindo, eu comecei a entender que eu estava falando sobre alguma coisa e acho que o sentido final s\u00f3 foi realmente estar claro pra mim quando o disco estava sendo gravado. E cada vez mais eu sinto que vai se ressignificando o porqu\u00ea desse disco, sem me dar conta eu estava falando de um mito que tem muito a ver com o agora, com o Brasil, com um governo que quer matar as nossas subjetividades, que quer matar os nossos prazeres, as nossas pequenas conquistas. A gente est\u00e1 vivendo um momento onde parece que tudo \u00e9 para ter medo, tudo \u00e9 paranoico. A gente perde o prazer em um monte de coisas, o quanto h\u00e1 toda essa pol\u00edtica do medo e de ser uma minoria e ser atacado o tempo inteiro e algu\u00e9m pode ficar louco com voc\u00ea na rua porque voc\u00ea est\u00e1 usando rosa, sei l\u00e1. \u00c9 muito tirar as nossas pequenas coisas da vida. E voc\u00ea come\u00e7a a pensar durante esse tempo de governo o quanto as pessoas est\u00e3o se fodendo, enquanto pra mim est\u00e1 tudo bem, mas tem muita gente se fodendo muito, talvez eu me foda muito daqui a pouco e voc\u00ea perde o tes\u00e3o em um monte de coisas e isso \u00e9 Eur\u00eddice, \u00e9 a alma, anima. Ent\u00e3o, sem querer, era um mito que estava falando justamente disso, da anima e de ter isso sequestrado e como lidar com isso. E acho que \u00e9 uma coisa que est\u00e1 a\u00ed, no ar, \u00e9 um jeito de ler esse momento. E \u00e9 isso que eu quis dizer: eu fa\u00e7o muito isso, procuro muito em arqu\u00e9tipos uma tentativa de entender o que est\u00e1 acontecendo no mundo, com as pessoas, na sociedade e \u00e9 muito inconsciente, eu ca\u00ed nesse mito desse jeito, foi bem acidental de algum modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inicialmente, quando ouvi o disco pelas primeiras vezes, a ideia de \u201cOrfeu da Consola\u00e7\u00e3o\u201d ainda era dif\u00edcil para mim, pois eu tinha muito forte a ideia do \u201cOrfeu da Concei\u00e7\u00e3o\u201d, de Vinicius, e isso ficava se contrapondo. E acredito que foi com o tempo do disco que eu fui entendendo o que era esse Orfeu da Consola\u00e7\u00e3o, que eu entendo ele mais naquela fase em que Orfeu est\u00e1 completamente perdido, sem saber para onde ir. E eu acho que o disco me pediu esse tempo, tanto que quando essa pauta chegou ao Scream &amp; Yell, n\u00f3s conversamos e eu falei que acreditava n\u00e3o ser aquele o momento de fazermos essa entrevista, pois eu ainda n\u00e3o sabia o que perguntar, porque o disco ainda estava me dizendo coisas e ele segue assim, voc\u00ea entende isso?<\/strong><br \/>\nEntendo, acho que ele tem essa qualidade, n\u00e3o no sentido de elogio, mas faz parte da personalidade desse disco. Ele \u00e9 um disco que \u00e9 necess\u00e1rio decantar. Acho que n\u00e3o \u00e0 toa as cr\u00edticas quanto a produ\u00e7\u00e3o do Diogo tem a ver com isso, porque \u00e9 t\u00e3o exuberante, tem tantas coisas acontecendo que voc\u00ea se perde um pouco. E enquanto voc\u00ea vai deixando decantar o disco vai ganhando outras camadas e isso faz parte. E \u00e9 engra\u00e7ado por que a hist\u00f3ria do \u201cOrfeu da Concei\u00e7\u00e3o\u201d, eu n\u00e3o me lembrava que a pe\u00e7a tinha esse nome, eu s\u00f3 me lembrava de \u201cOrfeu Negro\u201d e quando eu fui decidir o nome do disco, eu n\u00e3o queria que tivesse Orfeu no nome, eu tinha pensado em \u201cMal dos Tr\u00f3picos\u201d e falei \u201cah, tem a m\u00fasica Orfeu, ela j\u00e1 da conta de dizer\u201d, s\u00f3 que toda vez que eu ia tentar explicar o disco para algu\u00e9m, como designer ou algu\u00e9m que eu precisava trocar coisas, eu precisava contar o mito de Orfeu para chegar em algum lugar, e a\u00ed eu pensei \u201cser\u00e1 que n\u00e3o seria melhor colocar o Orfeu, o nome dele\u201d, e a primeira ideia que tive foi colocar \u201cQueda e Ascens\u00e3o de Orfeu da Rep\u00fablica\u201d, por causa da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica e porque um dos poetas que eu me inspirei muito e sampleei ideias \u00e9 o Roberto Piva, que era conhecido como o \u201cOrfeu da Rep\u00fablica\u201d e eu quis fazer essa rela\u00e7\u00e3o. Mas o \u201cda Rep\u00fablica\u201d para quem n\u00e3o \u00e9 de S\u00e3o Paulo, mesmo pra quem \u00e9, nesse momento, o disco tendo algum fator pol\u00edtico, parece que eu estou falando do Presidente da Rep\u00fablica. Tirei essa ideia da frente e comecei a pesquisar deriva\u00e7\u00f5es do mito no Brasil, por que eu precisava aproveitar que era um mito que tem muitas deriva\u00e7\u00f5es. E encontrei o \u201cOrfeu da Consola\u00e7\u00e3o\u201d e pensei \u201c\u00e9 verdade, \u00e9 esse o nome\u201d, e eu moro aqui, \u00e9 meio Consola\u00e7\u00e3o, tem a ver com os lugares que eu estou falando e achei uma feliz coincid\u00eancia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52380\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/thiago-pethit-por-rafael-barion_9_editado-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1113\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/thiago-pethit-por-rafael-barion_9_editado-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/thiago-pethit-por-rafael-barion_9_editado-1-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os lugares da cidade de S\u00e3o Paulo, ali\u00e1s, aparecem muito no disco: o Copan, o L\u2019Amour, o centro, a Consola\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 o t\u00edtulo. Como a cidade, de alguma forma, te inspira ou te assusta nisso tudo?<\/strong><br \/>\nEssas m\u00fasicas, embora tenham o personagem na frente \u2013 esse Orfeu \u2013, s\u00e3o muito pessoais. E elas s\u00e3o de algum jeito hist\u00f3rias vividas: o beijo no Copan aconteceu, digamos assim; o estra\u00e7alhamento no L\u2019Amour \u00e9 uma fantasia muito poss\u00edvel; s\u00e3o lugares que de fato eu frequento e onde eu vivo coisas. Nesses \u00faltimos dois anos, s\u00e3o os lugares onde as coisas est\u00e3o acontecendo na minha vida. De fato, foi muito um jeito de relacionar esses arqu\u00e9tipos com a minha vida real mesmo. O L\u2019Amour nada mais \u00e9 que um Hades, um puteiro, um lugar onde as Bacantes estra\u00e7alham o Orfeu. E acho engra\u00e7ado que tem v\u00e1rias pequenas coisas, deriva\u00e7\u00f5es sobre o mito na cultura que me interessam, me fascina um pouco. O beijo no Copan aconteceu, por\u00e9m um tempo depois eu descobri que o cen\u00e1rio da pe\u00e7a da primeira montagem de \u201cOrfeu da Concei\u00e7\u00e3o\u201d foi feito pelo Niemeyer e eu falei \u201cnossa, que louco, Niemeyer est\u00e1 relacionado, de algum jeito, a essa ideia\u201d e era uma coisa que eu n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o sobre. \u00c8 o tipo de coisa que me arrepia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu fico pensando naquele lugar chamado Orfeu que \u00e9 pertinho do Copan.<\/strong><br \/>\nSabe que uma das coisas que eu n\u00e3o queria que o disco se chamasse Orfeu porque tinha a m\u00fasica do Copan e eu falei \u201cputz, tem esse restaurante Orfeu, que saco\u201d, eles abriram um pouquinho depois que eu tinha composto essa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as pessoas que frequentam os outros lugares citados no disco claramente tamb\u00e9m frequentam o Orfeu, o restaurante.<\/strong><br \/>\nSim! [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 curioso que as imagens de S\u00e3o Paulo surgem no clipe de \u201cOrfeu\u201d, que reconstr\u00f3i alguns mitos de outras formas, como por exemplo Of\u00e9lia. E nesse v\u00eddeo voc\u00ea re\u00fane um grupo diverso de pessoas, como Urias, Gilda Nomacce, Ivana Wonder, como voc\u00ea chegou a todas essas pessoas?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o amigas e s\u00e3o pessoas que fizeram parte da minha vida nesses \u00faltimos anos, de algum jeito. O Vitor \u2013 a Ivana Wonder \u2013 \u00e9 um grande amigo, eu era muito f\u00e3 e morria de medo dele \u2013 morria de medo mesmo, ele tem dois metros de altura, ele parece um russo com as roupas mais ex\u00f3ticas. Ele fazia academia na minha rua e vinha com a roupa mais maravilhosa do mundo, tipo de porn star dos anos 70; ele causa uma impress\u00e3o. E eu fui assistir ele numa noite no L\u2019Amour e meio que tomei coragem, falamos rapidinho, ele mandou uma mensagem pra mim durante a semana e eu falei \u201cah, eu queria te conhecer mais\u201d, e ele falou \u201cvoc\u00ea \u00e9 meu \u00eddolo de adolesc\u00eancia\u201d, eu j\u00e1 sou outra gera\u00e7\u00e3o real! E ficamos muito amigos, ele acompanhou todo o processo do disco, todas as primeiras m\u00fasicas que eu compus, ele foi uma das primeiras pessoas a ouvir. Depois tem a Gilda Nomacce que \u00e9 uma atriz de teatro que eu conhe\u00e7o da \u00e9poca que eu fiz teatro e que participou do meu clipe de \u201cMoon\u201d. A Urias \u00e9 uma pessoa recente na minha vida, que eu tamb\u00e9m conheci dessa ambi\u00eancia centro de S\u00e3o Paulo. Tem a Luiza&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Luiza de Alexandre \u00e9 backing vocal da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/28\/entrevista-duda-beat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Duda Beat<\/a>.<\/strong><br \/>\n\u00c9, e eu nem sabia disso, na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ela \u00e9 modelo, mas junto com a irm\u00e3 Camila, ela s\u00e3o as backings da Duda, as duas causam um impacto muito forte no palco.<\/strong><br \/>\nEla \u00e9 maravilhosa! Carism\u00e1tica. Enfim, acho que s\u00e3o pessoas que est\u00e3o aqui, no meu campo. E era pra ter mais gente, na verdade, que tamb\u00e9m representassem pra mim coisas desse momento da minha vida e para esse discurso do disco, mas, enfim, \u00e9 projeto independente, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de pessoas, quem aparece no outro clipe, de \u201cMe Destr\u00f3i\u201d, \u00e9 a Liana Padilha, que tamb\u00e9m est\u00e1 no disco de outras formas e voc\u00ea tamb\u00e9m estava no \u00faltimo disco do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/22\/entrevista-noporn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">NoPorn<\/a>.<\/strong><br \/>\nBom, a Liana foi a minha primeira musa quando eu era muito garoto e ia nas boates gays e ela estava l\u00e1 sendo maravilhosa. E eu tinha uma ideia completamente diferente do que ela \u00e9, eu projetava nela algo que n\u00e3o tem nada a ver com ela, mas achava que ela era muito louca. E ela \u00e9 muito forte, ela tem uma coisa que \u00e9 muito misteriosa. E depois, passaram-se muitos anos, eu fui fazer um show do \u201cEstrela Decadente\u201d no Rio de Janeiro, e ela estava no p\u00fablico \u2013 a gente n\u00e3o se conhecia pessoalmente. Ela veio falar comigo depois do show e eu assim meio embasbacado, meio que \u201cmeu deus, \u00e9 a Liana\u201d, e a gente come\u00e7ou nessa hist\u00f3ria de eu ir fazer show no Rio e ela sempre ia assistir. Ela foi uma vez com a Letrux, elas iam meio juntas. E a gente foi ficando muito amigo, a gente foi trocando muitas coisas e sempre rolou um desejo de fazer coisas juntos. Quando teve o disco do NoPorn, ela me chamou pra cantar uma m\u00fasica [\u201cLeite\u201d] que era do ex-marido dela e a\u00ed a gente se aproximou real, porque a\u00ed a gente come\u00e7ou a se encontrar muito, ela come\u00e7ou a vir bastante pra S\u00e3o Paulo e eu fiquei com esse desejo de um dia escrever algo com ela. S\u00f3 que eu n\u00e3o sabia muito como, pois a Liana tem uma po\u00e9tica muito dela, que n\u00e3o \u00e9 necessariamente parecido com o jeito que eu escrevo, ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia muito de que forma a gente ia conseguir trabalhar junto. Mas quando eu comecei a m\u00fasica que ela escreveu comigo, eu j\u00e1 tinha claro que era pra ela, porque era isso, era a m\u00fasica que mais tinha liberdade po\u00e9tica e fict\u00edcia, porque era menos pessoal, era uma m\u00fasica sobre o estra\u00e7alhamento de Orfeu, ent\u00e3o era uma descri\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica, S\u00e3o Paulo na noite, isso aqui \u00e9 pra Liana. Eu mostrei pra ela o que eu tinha, ela me soltou um quinquilh\u00e3o de frases maravilhosas e eu anotei todas e falei \u201colha, eu n\u00e3o vou usar todas, mas vou guardar umas para o futuro\u201d. E foi um pouco assim que surgiu essa ideia. E depois, no clipe, a ideia foi dos meninos, dos diretores [Filipe Matzembacher e Marcio Reolon].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que eles usam a m\u00fasica que voc\u00eas fizeram juntos [\u201cLeite\u201d, NoPorn] no filme deles, \u201cTinta Bruta\u201d, de 2018.<\/strong><br \/>\nExato, eles s\u00e3o muito amigos da Liana, j\u00e1 acho que desde o \u201cBeira-Mar\u201d [2015], que \u00e9 o primeiro filme deles e que tamb\u00e9m tocava NoPorn. Eles ficaram amigos nessa \u00e9poca e quando a gente foi fazer esse clipe de \u201cMe Destr\u00f3i\u201d, eles tiveram essa ideia \u2013 que j\u00e1 estava um pouco na minha cabe\u00e7a desde o Orfeu, \u201cpoxa, por que eu n\u00e3o chamo pessoas que fazem parte do mesmo rol\u00ea que eu\u201d \u2013 e eles tinham pensado em chamar a Liana, e t\u00ednhamos pensado na Maria Beraldo, pra fazer uma das meninas do casal de l\u00e9sbicas. A Maria n\u00e3o podia, porque ela estava em uma pe\u00e7a aqui em S\u00e3o Paulo, mas a Liana super topou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse clipe foi gravado em Porto Alegre, isso?<\/strong><br \/>\nIsso, em Porto Alegre, foi no Carnaval. E foi demais, foi um dos trabalhos que eu mais tenho orgulho de ter feito, porque sou muito f\u00e3 dos diretores, muito f\u00e3 mesmo, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 pessoas que admiro. Assisti ao \u201cTinta Bruta\u201d e foi um filme que ficou decantando na minha cabe\u00e7a muito tempo, e acho eles muito artistas, nem sei dizer \u2013 olhei pra cara deles e falei ARTISTAS! [risos] Quando voc\u00ea faz clipe e trabalha com pessoas do audiovisual, muita gente passa pela publicidade, muita gente tem muitos costumes de publicidade, um olhar de publicidade, e eles s\u00e3o muito de cinema, isso \u00e9 muito legal. As inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito \u201cvamos fazer um tro\u00e7o foda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos releases de divulga\u00e7\u00e3o do clipe, eles falavam sempre das cores do Caravaggio e da coisa noir do Hitchcock, e \u00e9 curioso que para mim, o que mais surge no clipe \u00e9 algo do Mapplethorpe, a hora que a Liana fotografa os meninos, as poses que eles fazem, as roupas que eles usam, isso foi algo que me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. E fiquei pensando se ele era uma refer\u00eancia para voc\u00ea.<\/strong><br \/>\n\u00c9 sim, para todos n\u00f3s. Por que eu at\u00e9 cheguei a contar essa hist\u00f3ria para eles: \u201cmeu Orfeu n\u00e3o \u00e9 um anjinho, n\u00e3o \u00e9 um Orfeu delicado, ele \u00e9 um Orfeu se o Mapplethorpe fosse fotografar o Orfeu, \u00e9 um Orfeu de cueca de couro, de jockstrap no L\u2019Amour\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso me lembra tamb\u00e9m dos filmes do Derek Jarman, voc\u00ea j\u00e1 assistiu? Ele tem uma cinebiografia do Caravaggio.<\/strong><br \/>\nExato, mas eu n\u00e3o vi. Eles me falaram sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele tem esse que \u00e9 sobre a vida de \u201cCaravaggio\u201d (1986), que tem a Tilda Swinton, e tem um outro chamado \u201cSebastiane\u201d (1976), que \u00e9 sobre S\u00e3o Sebasti\u00e3o, mas \u00e9 quase todo por uma \u00f3tica mais homoer\u00f3tica. E eu acredito que o Caravaggio que eles citam como refer\u00eancia do clipe se conecta com esse Caravaggio do Derek.<\/strong><br \/>\nEles amam o Derek. \u00c9 que a gente falou muito disso, eu fiquei de assistir os filmes, mas n\u00e3o assisti. Mas sim, acho que tem tudo a ver, s\u00e3o arqu\u00e9tipos da mesma coisa. E esse clipe, na verdade, surgiu de um desejo, pois acho que a minha carreira teve dois pontos fortes de reconhecimento de p\u00fablico, que estavam muito relacionados a \u201cMoon\u201d e \u201cRomeo\u201d, que foram dois clipes em que eu tentava falar, de algum jeito, sobre sexualidade, sobre sexo, afetividade, naqueles momentos, naquelas \u00e9pocas. E eu queria muito conseguir falar disso agora, de algum jeito, porque pra mim era muito claro que n\u00e3o poderia mais ser daquele jeito, n\u00e3o era mais sobre os mesmos assuntos. E eu tinha essa sensa\u00e7\u00e3o muito de que eu precisava fazer um clipe onde o erotismo tivesse outro olhar: ele sempre esteve associado pra mim a uma ideia de liberta\u00e7\u00e3o, de contra-cultura, e eu sinto que de tempos pra c\u00e1 tem um outro vi\u00e9s, tem outras coisas envolvidas. Como \u00e9 falar de sexo num momento t\u00e3o paranoico? Que \u00e9 t\u00e3o paranoico ser gay, LGBT, trans, como \u00e9 isso? Como \u00e9 viver isso agora? Voc\u00ea pode ver que eu moro com uma janela gigante sem cortina, com um monte de vizinhos, e na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es isso foi muito forte pra mim, eu nunca tinha pensado em comprar uma cortina, por que cortina \u00e9 caro, \u00e9 uma janela muito grande, n\u00e3o vou gastar dinheiro com isso, n\u00e3o precisa de cortina, e foi a primeira vez que eu pensei \u201cputz, eu devia ter uma cortina, devia me proteger, n\u00e3o sei se eu quero que meus vizinhos saibam o que eu fa\u00e7o ou que vida eu levo\u201d, isso quer dizer muitas coisas. Como \u00e9 viver sexualmente agora? Quando eu comecei a descobrir a minha sexualidade, com 19, 20 anos, era muito diferente a rela\u00e7\u00e3o que se tinha com ser gay na rua, sofrer bullying, muito diferente de tudo que aconteceu depois. Os \u00faltimos anos foram anos aonde eu j\u00e1 sentia que as pessoas estavam com muito mais facilidade de lidar com as suas sexualidades, bom, come\u00e7ou toda a discuss\u00e3o de g\u00eanero. Embora sempre tenha sido perigoso para quem \u00e9 trans, para quem \u00e9 negro, para as meninas l\u00e9sbicas, n\u00e3o \u00e9 que deixou de ser perigoso, mas as pessoas ficaram mais afrontosas e se deram mais liberdade de se mostrar.E eu sinto que a gente est\u00e1 entrando numa fase onde d\u00e1 uma pouco de medo de novo, eu me vejo voltando para essa \u00e9poca em que eu tinha 19 anos e \u201ceita, caralho, posso ir com essa roupa at\u00e9 a esquina?\u201d, \u201cposso ir com o figurino de show at\u00e9 o estacionamento?\u201d, \u201cpego um uber com o figurino de show?\u201d, \u201cque figurino vai ser esse?\u201d, coisas assim que passam. \u00d3bvio que eu estou muito protegido de uma s\u00e9rie de coisas: branco, na Santa Cec\u00edlia, est\u00e1 tudo certo; mas s\u00e3o coisas que come\u00e7am a passar pela cabe\u00e7a e era um pouco a minha ideia de poder falar sobre sexo nesse momento, desse jeito hitchcockiano, paranoico. Meio Eros \u2013 T\u00e2natos, uma pulsa\u00e7\u00e3o meio sombria sobre a sexualidade. Coisas do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00fanica faixa que n\u00e3o \u00e9 sua no disco \u00e9 \u201cNature Boy\u201d, como voc\u00ea chegou nesse cover espec\u00edfico?<\/strong><br \/>\nAh, essa m\u00fasica tem uma hist\u00f3ria super legal, porque tem a ver com aquilo que falei de que eu adoro: uma m\u00e1gica no cotidiano. Em 2016, fiquei doente, me deu um piripaque f\u00edsico, uma caralhada de shows que eu estava fazendo, numa semana eram 10 shows em cidades diferentes, todos acordando as 6 da manh\u00e3, indo tocar \u00e0s 3 em cada cidade. Eu cheguei em S\u00e3o Paulo tipo morto e precisei tirar um tempo de repouso, o m\u00e9dico me proibiu de tudo. E foi um momento aonde eu j\u00e1 estava de fato cansado desse rol\u00ea todo, estava muito legal, era muito divertido fazer os shows e tudo mais, mas eu sentia falta de uma coisa espec\u00edfica, que era \u201ccaralho, eu nunca mais me ouvi cantando\u201d, por que as turn\u00eas do outro disco eram t\u00e3o sobre a performance que n\u00e3o interessava muito se eu estava cantando, era mais sobre gritar \u201c\u00c3\u00c3\u00c3\u00c3\u201d [gesticula de forma forte] e a galera grita \u201c\u00c3\u00c3\u00c3\u00c3\u201d, era isso, n\u00e3o tinha um prazer de cantar. E foi uma fase que eu peguei o viol\u00e3o e comecei a tirar m\u00fasicas que n\u00e3o eram minhas e que eu tinha vontade de cantar ou que eram bons exerc\u00edcios de canto. E a primeira m\u00fasica que eu peguei para tirar no viol\u00e3o foi essa: \u201cNature Boy\u201d. E eu peguei o celular e gravei um videozinho para postar no Snapchat, e eu comecei a fazer isso uma vez por semana e o nome dessa sess\u00e3ozinho no Snapchat era \u201cOrfeu Session\u201d, por que era isso: voz e viol\u00e3o, o poeta, o canto, a lira, era um pouco essa pira. E isso ficou esquecido no tempo, a\u00ed depois, quando eu j\u00e1 tinha a ideia do disco, essa m\u00fasica ficou martelando na minha cabe\u00e7a, \u201cpoxa, eu devia talvez gravar essa m\u00fasica, essa m\u00fasica tem a ver\u201d. Enquanto eu estava gravando eu estava lendo um livro de um cara ingl\u00eas que se chama Stephen Spender, que \u00e9 um di\u00e1rio semi-fict\u00edcio, semi-real de 1930. Ele era um jovem de 20 anos, ingl\u00eas, que foi passar f\u00e9rias na Alemanha do Weimar, e descobriu a sexualidade, o mundo, transava com homem, com mulher, com tudo, era aquela decad\u00eancia moral maravilhosa da Rep\u00fablica de Weimar. Ele passou essas f\u00e9rias no interior, ent\u00e3o era tudo muito na natureza, e depois ele volta pra Inglaterra. Muito tempo depois ele decide voltar para a Alemanha para reencontrar os amigos, e quando ele chega l\u00e1, a juventude hitlerista j\u00e1 est\u00e1 meio que se apossando das coisas, muitos amigos dele j\u00e1 tinham debandado da Alemanha e o que estavam l\u00e1 estavam com medo do que iria acontecer. Bom, o fato \u00e9 que essa juventude da qual ele fala, essa juventude que vivia na natureza, tinha uma ideia filos\u00f3fica que tinha sido criada no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, que se chama Lebensreform, que era \u201creforma de vida\u201d, uma coisa muito pr\u00e9-pr\u00e9-hippie, que era uma ideia de se voltar para a natureza, para os mitos pag\u00f5es, para o corpo, do sexo, era bem hippie. Essa foi uma filosofia, de algum jeito, sequestrada pela juventude hitlerista e que deu nunca coisa muito errada, era uma ode ao prot\u00f3tipo grego de beleza e a\u00ed, todas as ideias revolucion\u00e1rias daquilo, como tudo na sociedade, foram roubadas e usadas de uma forma violenta, contra esses criadores, inclusive. E essas pessoas todas fugiram da Europa, entre eles, um judeu que foi pra Calif\u00f3rnia e abriu um restaurante vegetariano, j\u00e1 no come\u00e7o dos anos 40. Ele vivia nessa filosofia proto-hippie, e ele contratou um garoto americano para ser pianista desse restaurante dele, e esse pianista \u00e9 o compositor de \u201cNature Boy\u201d e esse grupo que frequentava esse restaurante, eles eram conhecidos como os \u201cNature Boys\u201d, ent\u00e3o essa m\u00fasica era uma homenagem a esse cara. E eu achei essa uma coincid\u00eancia meio maravilhosa, de estar gravando o disco e de um jeito tem a ver com esse livro, sobre um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre muita liberdade para pouca liberdade, n\u00e3o sei, me pareceu uma coincid\u00eancia m\u00e1gica e especial, e eu decidi gravar essa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea chegou a ver o show da Adriana Calcanhotto, o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/09\/10\/ao-vivo-a-mulher-do-pau-brasil-adriana-calcanhotto-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Mulher do Pau-Brasil<\/a>\u201d? Ela canta essa m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o vi, mas fiquei sabendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de cantar essa m\u00fasica, ela conta uma hist\u00f3ria, de que estava numa pesquisa sobre Vinicius de Moraes, pois se n\u00e3o me engano era uma estudo dela. E nessa hist\u00f3ria ela conta que \u201cNature Boy\u201d era uma das cinco faixas que o Vinicius mais amava.<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 tem uma vers\u00e3o dele dessa m\u00fasica com o Toquinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ele gostava tanto que sempre dava um jeito de cantar essa m\u00fasica em todo lugar e era por isso que ela decidiu incluir no repert\u00f3rio. E a\u00ed temos o Vinicius de novo, pois era uma das m\u00fasicas da vida dele.<\/strong><br \/>\nQue \u00f3timo, n\u00e3o sabia disso!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Thiago Pethit - Me Destr\u00f3i (Official Music Video)[+18]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/An-2-Ae11yI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz<\/a>. As duas fotos que ilustram o texto s\u00e3o de Rafael Barion \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cinco anos separam \u201cRock\u2019n\u2019Roll Sugar Darling\u201d (2014) e \u201cMal dos Tr\u00f3picos (Queda e Ascens\u00e3o de Orfeu da Consola\u00e7\u00e3o)\u201d (2019), respectivamente o terceiro e o quarto disco de Thiago Pethit. Nessa esp\u00e9cie de distanciamento auto-imposto do cen\u00e1rio musical, ele criou aquele que talvez seja seu disco mais corajoso e ousado.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/10\/entrevista-thiago-pethit\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":52379,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3713],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52378"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52378"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52383,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52378\/revisions\/52383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}