{"id":52314,"date":"2002-04-15T23:10:30","date_gmt":"2002-04-16T02:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52314"},"modified":"2019-07-08T00:15:38","modified_gmt":"2019-07-08T03:15:38","slug":"dois-discos-madonna-e-source-tags-codes-do-trail-of-dead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/15\/dois-discos-madonna-e-source-tags-codes-do-trail-of-dead\/","title":{"rendered":"Dois discos: \u201cMadonna\u201d e \u201cSource Tags &#038; Codes&#8221;, do Trail of Dead"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Leandro Miguel de Souza<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca tinha ouvido uma m\u00fasica deles, mas j\u00e1 conhecia a fama do Trail of Dead h\u00e1 um bom tempo. Al\u00e9m da m\u00fasica, a banda \u00e9 not\u00f3ria por seus shows incendi\u00e1rios e pela entrega de seus integrantes durante as apresenta\u00e7\u00f5es. Gritam, se escabelam, trocam de instrumento, quebram os mesmos e ainda encontram tempo pra tocar can\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas. De vez em quando, lia coment\u00e1rios elogiosos sobre o grupo e redespertava o meu interesse pelo quarteto. Mas esse interesse sempre acabava sendo jogado no por\u00e3o do meu c\u00e9rebro com o pipocar de algum lan\u00e7amento nas lojas. Com o lan\u00e7amento dos dois \u00faltimos discos do grupo aqui em terras canarinhas, me senti obrigado a conhecer o trabalho do ToD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em Austin, Texas, por Conrad Keely, Jason Reece, Kevin Allen e Neil Busch, o ToD \u00e9 a banda mais empolgante da atualidade. Furioso como poucos, o som dos texanos transpira eletricidade, uma brutalidade assustadora e sedutora. Encontram-se tra\u00e7os da f\u00faria garageira dos Stooges (esses caras est\u00e3o em todas), disson\u00e2ncias e experimenta\u00e7\u00f5es sonicyouthianas, as avalanches de feedback \u00e0 la Husker D\u00fc, a calma inc\u00f4moda implodida abruptamente em uma torrente de barulho e raiva, ao estilo Pixies, uma bateria que mais parece uma metralhadora; todas as boas influ\u00eancias est\u00e3o l\u00e1 e s\u00e3o facilmente identific\u00e1veis no som do quarteto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o bastasse o som esmagador, a banda ainda prima pelas letras, com motivos hist\u00f3ricos, cita\u00e7\u00f5es pop (&#8220;Mark David Chapman&#8221;, do segundo disco), e quando falam de sentimentos, falam com honestidade, passando longe da vala comum do emocore (estilo em que muitos cr\u00edticos, equivocadamente, enquadram a banda) e fazendo a sua m\u00fasica soar mais que uma traquinagem juvenil, como a segunda banda mais empolgante da atualidade, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/22\/guia-facilitado-para-entender-os-white-stripes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">os White Stripes<\/a>. Juntando todos esses elementos e mais um cheiro de esp\u00edrito jovem (todos os integrantes s\u00e3o de vinte e poucos anos), temos uma grande banda de rock. Possivelmente a melhor banda de rock surgida nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52316 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadmadonna.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadmadonna.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadmadonna-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadmadonna-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Madonna&#8221; (Merge Records\/Trama, 1999)<\/strong><br \/>\n<strong>por Leandro Miguel de Souza<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na independente Merge Records, o quarteto lan\u00e7ou dois discos: o primeiro, ep\u00f4nimo, e &#8220;Madonna&#8221;, que foi lan\u00e7ado por aqui esse ano. Sem o refinamento mel\u00f3dico do sucessor &#8220;Source Tags &amp; Codes&#8221;, o disco mostra sua for\u00e7a esbanjando energia crua. A bateria tribal e impiedosa, as guitarras ensurdecedoras e um delicioso senso de rebeldia (se \u00e9 com ou sem causa, isso n\u00e3o importa) regem as can\u00e7\u00f5es do disco, bom do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o bolo sonoro pronto, a banda se preocupou tamb\u00e9m com o recheio: as letras e os vocais. Conrad Keely, Jason Reece e Neil Busch n\u00e3o apenas cantam, eles demonstram a paix\u00e3o pelo que fazem atrav\u00e9s do microfone. N\u00e3o basta s\u00f3 cantar, tem que participar. Revolta, ironia, cafajestismo (essa palavra existe?), tudo \u00e9 transmitido pelos vocais, naturalmente acompanhados (leia-se soterrados) por paredes de microfonia e uma guitarreira implac\u00e1vel. As letras, com grandes sacadas (&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada mais para dizer, ent\u00e3o nada foi dito&#8221;, em &#8220;Mistakes &amp; Regrets&#8221;), apostam na ironia (&#8220;Totally Natural&#8221;), abrem o cora\u00e7\u00e3o para mostrar os medos e frustra\u00e7\u00f5es da alma (&#8220;Blight Takes All&#8221;, &#8220;Aged Dolls&#8221;), e reservam espa\u00e7o para verdadeiras p\u00e9rolas como &#8220;Flood of Red&#8221; e &#8220;Clair de Lune&#8221; (&#8220;Para que servem as promessas, se ningu\u00e9m as honra?&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse disco, a banda j\u00e1 demonstra sinais da sua evolu\u00e7\u00e3o, que seria consolidada no terceiro \u00e1lbum. Faixas como &#8220;Mark David Chapman&#8221; (para aqueles que estiveram morando na lua nos \u00faltimos 25 anos, o assassino de John Lennon), &#8220;Aged Dolls&#8221;, com um imponente arranjo de cordas e &#8220;Clair de Lune&#8221;, uma esp\u00e9cie de valsa rock n\u2019roll, atestam que a banda investiu em novos (e bons) caminhos para complementar sua m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"And You Will Know Us By The Trail Of Dead - Mistakes &amp; Regrets (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C_nuZ-9dIFw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas os pontos altos do disco s\u00e3o mesmo as can\u00e7\u00f5es que escancaram a f\u00faria em estado bruto do grupo. Can\u00e7\u00f5es como &#8220;Totally Natural&#8221;, &#8220;Blight Takes All&#8221; e &#8220;Mistakes &amp; Regrets&#8221; (no melhor estilo Sonic Youth, que nem mais o pr\u00f3prio Sonic Youth consegue fazer) s\u00e3o daquelas que te pegam pelo cabelo, batem sua cabe\u00e7a contra a parede at\u00e9 dar tilt e o deixam estourado num canto pedindo mais (tinha uma banda que dizia mais ou menos isso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o perigo reside no final do disco. Exatamente na faixa 12. DOZE. &#8220;A Perfect Teenhead&#8221; \u00e9 um chamado \u00e0 guerra para quem n\u00e3o entender a ironia da letra. Impregnada de \u00f3dio (Yeah) ,esse assalto sonoro, de longe a melhor faixa do disco, \u00e9 o hino perfeito para os Eric Harris e Dylan Klebolds ao redor do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 viol\u00eancia. Os roqueiros brutos tamb\u00e9m amam. A banda tamb\u00e9m manda algumas letras e melodias mais ensolaradas, em meio ao temporal de medo, raiva e BARULHO. A can\u00e7\u00e3o que fecha o disco, &#8220;Sign Your Children&#8221;, de letra esperan\u00e7osa e versos espertos (&#8220;Quando os seus deuses virarem pedra, jogue-os todos fora&#8221;), possui uma melodia doce e um refr\u00e3o petrificante, fazendo a doce brisa da tranq\u00fcilidade voltar a reinar depois da destrui\u00e7\u00e3o, deixando tudo em seu devido lugar (tinha outra banda que dizia isso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Madonna&#8221;, como &#8220;disco do meio&#8221; da carreira da banda, serve como vitrine da evolu\u00e7\u00e3o do ToD ao longo do tempo, da tosqueira psicod\u00e9lica do primeiro \u00e1lbum \u00e0 grandiosidade do terceiro. Um disca\u00e7o de rock direto, com uma pedrada atr\u00e1s da outra. Muito bom.<\/p>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52317 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadsources.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadsources.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/trailofdeadsources-300x296.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Source Tags &amp; Codes&#8221; (Interscope\/Universal\/FNM, 2002)<\/strong><br \/>\n<strong>por Leandro Miguel de Souza<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00fasica \u00e9 emo\u00e7\u00e3o. Sempre foi. Desde a m\u00fasica cl\u00e1ssica, com o suspense da 5\u00aa sinfonia de Beethoven, a tranq\u00fcilidade das quatro esta\u00e7\u00f5es de Vivaldi, entre outros, a m\u00fasica significava sentimento traduzido em som. No rock n\u00e3o \u00e9 diferente. Os assustadores riffs de Tony Iommi, a tristeza abissal do Joy Division, a irrever\u00eancia inconformista dos Sex Pistols, o descontrole emocional dos Pixies, a boiolagem heterossexual do Travis e Coldplay, provam que o rock foi e ainda \u00e9 ve\u00edculo para as mais variadas emo\u00e7\u00f5es. Tanto quanto ele tem o poder de transmitir sentimentos, o rock possui o poder de provoc\u00e1-los. Como a surpresa ao ouvir algo inesperado, rep\u00fadio ao escutar algo ruim, ou simplesmente uma vontade incontrol\u00e1vel de sair pogando por a\u00ed .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1s vezes, mais do que provocar emo\u00e7\u00f5es, determinadas m\u00fasicas ou discos criam um la\u00e7o emocional, uma esp\u00e9cie de conex\u00e3o celular com o ouvinte. Uma coisa muito mais f\u00e1cil de descrever atrav\u00e9s de sensa\u00e7\u00f5es do que de palavras. Algo explic\u00e1vel nas cordas da guitarra de Neil Young, nos vocais &#8220;foda-se-j\u00e1-que-vamos-todos-pro-inferno-mesmo&#8221; de Iggy Pop, em &#8220;Perfect Day&#8221;, de Lou Reed. Algo que a pessoa gosta e quer ouvir para o resto de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que eu falei tudo isso? O que esse lance da emo\u00e7\u00e3o tem a ver com o novo disco do And You Will Know Us By The Trail of Dead?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resposta: Tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Source Tags and Codes&#8221; \u00e9 emo\u00e7\u00e3o em estado bruto, um disco selvagem e terno ao mesmo tempo que, num momento, te faz querer sair quebrando toda a casa, e em outro, abre um sorriso largo no rosto. Quebrando a casa sem perder a ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os caub\u00f3is escaparam da maldi\u00e7\u00e3o de outras bandas que migraram de gravadoras independentes para as majors (Guided By Voices, Reverend Horton Heat). Ao assinar com a Interscope, n\u00e3o se contentaram em apenas manter o padr\u00e3o de qualidade dos outros \u00e1lbuns. Apenas lan\u00e7aram o melhor disco de sua carreira e O MELHOR DISCO DO ANO at\u00e9 agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco abre com &#8220;Invocation&#8221;, uma esp\u00e9cie de aceno ao passado, uma confus\u00e3o de ru\u00eddos, com enxertos de sons estranhos e a vinheta que os apresenta, colada em cima de uma base de piano. N\u00e3o chega a ser uma can\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma vinheta armando o clima para a segunda faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um belo dedilhado inicia &#8220;It Was There That I Saw You&#8221;, e prepara o ouvinte para uma enchente de guitarras afogando os apaixonados versos de Conrad Keely (&#8220;Deixe-me segur\u00e1-la em meus bra\u00e7os e me aquecer no calor do seu olhar&#8221;). \u00c9 bom saber que o amor ainda bate forte no cora\u00e7\u00e3o do presente, mas combalido rock. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum. Um pouco diferente da faixa anterior, que come\u00e7a lenta para subitamente explodir em energia, &#8220;Another Morning Stoner&#8221; tamb\u00e9m come\u00e7a com um belo dedilhado, mas prefere aumentar sua intensidade aos poucos, culminando com Keely aos berros: &#8220;O que \u00e9 perd\u00e3o? \u00c9 s\u00f3 um sonho. O que \u00e9 Perd\u00e3o? \u00c9 tudo&#8221;. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum .<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Another Morning Stoner\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kNf54L5uFZI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neil Busch assume os vocais na quarta faixa, &#8220;Baudelaire&#8221;. Um rock sem firulas, com uma bateria tribal, o baixo cuspindo trovoadas e um riff t\u00e3o vibrante quanto sombrio. Foda, sem coment\u00e1rios. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum. Essa \u00e9 a parte de quebrar a casa. Jason Reece entra rasgando com &#8220;Homage&#8221;. A banda n\u00e3o d\u00e1 arrego e vem distribuindo pata\u00e7os, incitando a destrui\u00e7\u00e3o. Reece grita como que se estivesse em luta desesperada com seus dem\u00f4nios interiores (&#8220;Minha vida \u00e9 assombrada pela jovem maldade&#8221;) e termina enlouquecido (&#8220;Voc\u00ea acredita no que eu digo? Voc\u00ea acredita? Voc\u00ea acredita?&#8221;) para despencar em um po\u00e7o de est\u00e1tica. Um perigo para os ouvidos. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do estupro sonoro, o acalanto. &#8220;How Near, How Far&#8221;, com uma guitarra celestial e com uma linha de baixo vigorosa, chamando a bateria para o combate \u00e9 daquelas can\u00e7\u00f5es que elevam a alma, que nos faz colocar a can\u00e7\u00e3o no repeat umas 50 vezes de t\u00e3o linda. A letra \u00e9 po\u00e9tica e tocante, evocando a paix\u00e3o de um pintor por sua musa. Keely reassume os vocais e nos presenteia com a melhor melodia do disco. Como se n\u00e3o bastasse, um arranjo de cordas entra em campo para o arremate. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco. Depois de lavar a alma, o clima sombrio retorna e avisa que aquilo n\u00e3o passou de uma felicidade passageira. &#8220;Life Is Elsewhere&#8221; (que pessimista) avisa que a guerra vai come\u00e7ar e que n\u00e3o adianta fugir. Ouve-se uma tempestade ao fundo e sons de espadas se degladiando. Ent\u00e3o uma voz declama algumas palavras em japon\u00eas (n\u00e3o sei o que significam, mas n\u00e3o deve ser boa coisa) e prepara o terreno para a densa e triste &#8220;Heart In The Hand of The Matter&#8221;, de Reece. Com um belo arranjo, guitarras mais limpas e um piano musculoso, a banda nos convida a cavalgar o apocalipse, j\u00e1 que nossos pecados est\u00e3o sendo pagos aqui na Terra. A melhor letra do disco, falando do ego\u00edsmo, da raiva e de outros sentimentos que est\u00e3o desfigurando o ser humano, fazendo-o perder sua alma e um refr\u00e3o que deixa o cora\u00e7\u00e3o com o peso de uma bigorna: &#8220;Eu sou amaldi\u00e7oado, eu n\u00e3o posso vencer com meu cora\u00e7\u00e3o nas minhas m\u00e3os&#8221;. Aqui a batalha \u00e9 interior. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As guitarras voltam poderosas na nona faixa, &#8220;Monsoon&#8221; e anunciam o in\u00edcio da batalha. Busch volta para o microfone e dispara versos raivosos (&#8220;Esse mundo \u00e9 um esgoto onde Deus gosta de mijar&#8221;) para descrever uma sangrenta batalha sob uma tempestade impiedosa. A m\u00fasica acompanha o clima de viol\u00eancia, mas diferente do descontrole de &#8220;Homage&#8221;, a banda demonstra eleg\u00e2ncia (ser\u00e1 que isso \u00e9 poss\u00edvel), com as guitarras investindo no peso em vez do barulho. A bateria-metralhadora aparece com tudo na can\u00e7\u00e3o, como se estivesse regendo a selvageria. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reece mais uma vez entra rasgando. &#8220;Days of Being Wild&#8221;, com sua bateria marcial e guitarras estra\u00e7alhadoras diz que \u00e9 hora de quebrar a casa de novo. A m\u00fasica acalma e o vocalista afirma que, mesmo com toda a sua f\u00faria, tamb\u00e9m \u00e9 humano (&#8220;Posso ficar em seus bra\u00e7os?&#8221;). Termina com um verso inesquec\u00edvel: &#8220;and the next song takes over\u201d&#8221;(e a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o tomar\u00e1 conta). Sem mais coment\u00e1rios. Ah, mais uma coisa. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"...And You Will Know Us By The Trail Of Dead - Relative Ways\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OkW9w4LQZuo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Relative Ways&#8221; j\u00e1 havia sido lan\u00e7ado anteriormente em single, mas felizmente figura no disco. Possui um \u00f3timo riff de guitarra e uma grande performance vocal de Conrad Keely. A letra \u00e9 primorosa, fala que mesmo sabendo que a vida est\u00e1 uma droga, a gente consegue se virar (&#8220;tudo certo, tudo bem, tudo est\u00e1 vindo em caminhos relativos&#8221;). \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o se emocionar com Keely ao final da can\u00e7\u00e3o, gritando desesperadamente (&#8220;Tudo bem. Eu sou um santo. Eu perd\u00f4o seus erros&#8221;). Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais um interl\u00fadio musical, &#8220;After the Laughter&#8221;. Um piano toca o riff de &#8220;Relative Ways&#8221;. Ent\u00e3o, um coral entra provocando arrepios e transmutando a can\u00e7\u00e3o para outra, abrindo a porteira para a faixa seguinte. Uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco.<br \/>\nCome\u00e7a ent\u00e3o a faixa-t\u00edtulo, que fecha o disco. Keely vem contido, acompanhado de uma guitarrinha marota, no melhor estilo Neil Young, um piano matador e um batalh\u00e3o de cordas, que contribui para o clima grandioso da can\u00e7\u00e3o. A letra \u00e9 algo al\u00e9m de fenomenal, simples e tocante como poucas, que orgulharia o mestre Young. J\u00e1 dominado pela can\u00e7\u00e3o, exatamente no terceiro minuto da can\u00e7\u00e3o vem o golpe mortal: aquela melodia no final de &#8220;After the Laughter&#8221; volta para trazer l\u00e1grimas aos olhos. Coisa de louco. Quando se acha que a m\u00fasica n\u00e3o poderia ficar melhor, Keely volta para cravar a can\u00e7\u00e3o (e o disco) fundo no cora\u00e7\u00e3o do ouvinte: &#8220;Eu n\u00e3o sei o que neste mundo est\u00e1 tentando me salvar, mas eu sinto sua m\u00e3o a me guiar&#8221;. A melhor can\u00e7\u00e3o do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posso estar sendo precipitado, mas vai ser dif\u00edcil surgir um disco melhor que este esse ano (tamb\u00e9m, se surgir, melhor para n\u00f3s). Num mundo musical em que as inova\u00e7\u00f5es caminham na dire\u00e7\u00e3o da esquisitice completa, \u00e9 bom saber que mais do mesmo ainda \u00e9 muito bom, se n\u00e3o o melhor. Nada \u00e9 mais poderoso que a simplicidade unida a paix\u00e3o. Se n\u00e3o gostar, n\u00e3o sei, da\u00ed o problema \u00e9 seu. Deixo para voc\u00ea a pergunta de Neil Young no seu novo disco: &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/05\/22\/tres-discos-neil-young-super-furry-animals-e-mudhoney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Are You Passionate?<\/a>&#8221; (Voc\u00ea \u00e9 passional?). Quanto aos rapazes do Trail of Dead, eles comprovaram sua maturidade e seu talento, num disco consciente de sua grandeza, mas honesto, emocionado, e emocionante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"...And You Will Know Us by the Trail of Dead - invocation\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL14B21AFF2321D8EE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Leandro Miguel de Souza, 18 anos, jornalista, odeia adjetivos (HEHE) e aproveita para mandar um recado para a Trama: CAD\u00ca O PRIMEIRO DISCO DO TRAIL OF DEAD??<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Formada em Austin, Texas, por Conrad Keely, Jason Reece, Kevin Allen e Neil Busch, o ToD \u00e9 a banda mais empolgante da atualidade. Furioso como poucos, o som dos texanos transpira eletricidade, uma brutalidade assustadora e sedutora.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/15\/dois-discos-madonna-e-source-tags-codes-do-trail-of-dead\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":52315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[296],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52314"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52340,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52314\/revisions\/52340"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}