{"id":52017,"date":"2019-06-17T01:18:30","date_gmt":"2019-06-17T04:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52017"},"modified":"2023-12-01T13:40:52","modified_gmt":"2023-12-01T16:40:52","slug":"balancao-primavera-porto-2019-bonito-confortavel-e-quase-perfeitinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/17\/balancao-primavera-porto-2019-bonito-confortavel-e-quase-perfeitinho\/","title":{"rendered":"Primavera Porto 2019: Bonito, confort\u00e1vel e quase perfeitinho"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/thiago.pereira.56808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thiago Pereira<\/a><br \/>\nFotos por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/nosprimaverasound\/photos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hugo Lima<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de um enorme letreiro lembrar, logo no primeiro palco, que o evento foi criado em Barcelona, o Primavera Sound \u00e9 a cara do Porto. Ou melhor: a vers\u00e3o local re\u00fane muitos dos m\u00e9ritos que a cidade possu\u00ed. Com um cartaz literalmente (f\u00edsico e midi\u00e1tico) <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/tag\/primavera2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">menor que seu irm\u00e3o catal\u00e3o<\/a> \u2013 particularmente gostaria que nomes como Suede, Primal Scream e Kurt Vile passassem por aqui tamb\u00e9m \u2013 e compactado em tr\u00eas noites, o festival arrebata de maneiras parecidas como a cidade que o sediou entre os dias 6 e 8 de junho. Ocupando charmosamente uma parte do gigantesco e lindo Parque da Cidade, reprisa fielmente uma das qualidades maiores do Porto: \u00e9 um evento <em>handy<\/em>, na m\u00e3o, ou seja, f\u00e1cil de ir (muitas op\u00e7\u00f5es de transporte), de voltar (com \u00f4nibus rodando especialmente para o festival pela madrugada) e, principalmente, de se deslocar l\u00e1 dentro. E, rememorando Bruno Capelas, que esteve aqui pelo Scream &amp; Yell em 2013, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/optimus-primavera-sound-2013-porto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e9 um festival pequeno, mas com alto n\u00edvel de apresenta\u00e7\u00f5es<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52019\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus palcos n\u00e3o t\u00eam aquela dist\u00e2ncia quase intermunicipal que tem se tornado padr\u00e3o nos grandes festivais, aquela mania de grandeza que pode encher os olhos da malta mais jovem, mas que entristece um mi\u00fado como eu, quase quarentinha nas pernas e costas. A edi\u00e7\u00e3o do NOS Primavera Sound Porto segue a via contr\u00e1ria com uma extens\u00e3o democraticamente confort\u00e1vel para todos, onde era poss\u00edvel circular por toda sua extens\u00e3o sem f\u00f4lego de maratonista ou sem desejar ajuda hospitalar \u2013 e ainda, ao contr\u00e1rio de sua cidade-sede, sem ribanceiras elevadas. O acesso aos palcos e aos itens b\u00e1sicos de sobreviv\u00eancia humana (banheiro, comida, cerveja) \u00e9 simples. Parece pouco e incomodamente extra-musical, mas \u00e9 o tipo de coisa que define muito da experi\u00eancia de estar no evento e compensa a falta de atra\u00e7\u00f5es mais chamativas na escala\u00e7\u00e3o musical. Mas muitas vezes \u00e9 na aus\u00eancia dos tais \u2018grandes nomes\u2019 que moram as melhores surpresas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52020\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Dia 01 (06\/06)<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro dia foi sintom\u00e1tico e explicitaria a din\u00e2mica do evento: em espa\u00e7os e vontades ainda maiores um show como o do Stereolab correria s\u00e9rios riscos de se perder no \u00e9ter, passar despercebido, com suas nuances jazzy e eletr\u00f4nicas e experimentais. No Porto, se acomodou muito bem, colocando uma turma bem mais velha para dan\u00e7ar e cantar seus pequenos hits como \u201cFrench Disko\u201d e \u201cLo Boop Oscillator\u201d. A mesma l\u00f3gica serve ao Built To Spill, na verdade Dave Marsch e seus brothers do Brasil, j\u00e1 que a banda que o acompanhava era composta de m\u00fasicos daqui, incluindo o her\u00f3i indie carioca L\u00ea Almeida. Em outros contextos, encarar o palco principal com vers\u00f5es mais lentas, baixas e bem menos empolgantes de hinos indies como \u201cCenter of The Universe\u201d, \u201cYou Were Right\u201d e \u201cThe Plan\u201d poderia ser uma bola fora. Mas sendo no come\u00e7o do evento (quando ainda estamos sob o impacto da chegada), com a luz do c\u00e9u de fim de tarde querendo aparecer, o ambiente tamb\u00e9m \u2018melhora\u2019 os \u00f3timos riffs da Stratocaster de Marsch. Festival tamb\u00e9m \u00e9 clima, atmosfera, etc.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52024\" aria-describedby=\"caption-attachment-52024\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52024 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto7-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52024\" class=\"wp-caption-text\"><em>Built To Spill<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jarvis Cocker, um daqueles camaradas capazes de roubar a cena at\u00e9 em fila de banco ou trocando o pneu do carro (como no imperd\u00edvel document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%C2%BA-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pulp: A Film About Life, Death and Supermarkets<\/a>\u201d), n\u00e3o precisa de nada disso \u2013 precisa de um ou dois par\u00e1grafos s\u00f3 dele, dono do melhor show deste primeiro dia, de longe. <em>Natural born entreteiner<\/em>, o brit\u00e2nico esteve para o Primavera Porto como os ingleses que estiveram nos bares da cidade para assistir \u00e0 Liga das Na\u00e7\u00f5es na \u00faltima semana (e voltaram eliminados da vizinha Guimar\u00e3es pelos holandeses): n\u00e3o importa o jogo (ou o repert\u00f3rio), o importante \u00e9 estar ali e celebrar a simples exist\u00eancia daquilo (seja o futebol ou a m\u00fasica pop). Se no dia anterior os portugueses celebraram muito timidamente os impressionantes gols de Cristiano Ronaldo que os levaram para a final, os ingleses, movidos \u00e0 teralitros de cervejas, cantavam, berravam, beijavam-se, tiravam a camisa. Um bando de loucos que deliciosamente \u2018oprimiam\u2019 os locais, fazendo uma algazarra completa onde passavam por aqui.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52022\" aria-describedby=\"caption-attachment-52022\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52022 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52022\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jarvis Cocker<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jarvis, com sua eleg\u00e2ncia d\u00e2ndi, e aditivado pelos chocolates (!) que tirava do bolso e mandava pra plateia, fez no palco algo semelhante um dia depois: passou quase todo o show em cima de uma das caixas de som, como que pra deixar bem claro quem \u2018mandava\u2019 ali e fez intera\u00e7\u00f5es impag\u00e1veis com a plateia. Recadinhos maliciosos (\u201cMas voc\u00eas est\u00e3o t\u00e3o quietos\u201d), m\u00edmicas coletivas e, principalmente, aqueles prel\u00fadios sensacionais entre as can\u00e7\u00f5es. Se Jarvis foi o comentarista social mais afiado como ent\u00e3o jovem britpopper, hoje narra maravilhosamente os dilemas e dramas da vida adulta, como o comich\u00e3o por farrear depois dos quarenta (\u201cHouse Music\u201d), as chatea\u00e7\u00f5es da vida \u00e0 dois (\u201cFurther Complications\u201d) e a grande e definitiva mensagem sobre os dias que correm (\u201cCunts Are Running The World\u201d). Vale lembrar que quando o Pulp decidiu voltar aos palcos em 2011, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/tag\/primavera2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o primeiro show escolhido a dedo foi no Primavera Barcelona<\/a> (que tinha visto o \u00faltimo concerto da banda, em 2002), com direito a \u201cCommon People\u201d <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2016\/03\/23\/cinco-momentos-inesqueciveis-de-shows\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dedicada aos \u201cIndignados\u201d<\/a>, grupo de manifestantes que havia apanhado da pol\u00edcia catal\u00e3 naquele dia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52023\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por vezes o tom do brit\u00e2nico soa sombrio como um Leonard Cohen, quando adicionada sua voz \u00e0 harpa, sax, globo de discoteca e, principalmente, \u00e0 sua personalidade impag\u00e1vel, lembramos que, na verdade, a performance sacana e \u00e1cida de Jarvis \u00e9 herdeira direta de outro cantautor, Serge Gainsbourg. Deixando bem claro que ele era o dono de Porto naquela noite, trouxe e mandou a chuva local embora na dura\u00e7\u00e3o de apenas uma can\u00e7\u00e3o, \u201cHis N\u00b4Hers\u201d, concess\u00e3o deliciosa ao repert\u00f3rio do Pulp. Foi o suficiente para nos molhar todos (n\u00e3o estamos falando de garoas e sim de ataques aqu\u00e1ticos raivosos) e (quase) n\u00e3o nos importarmos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Solange (Primavera Sound Porto, 6 Junho 2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z5AbQm8-JcE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fechamento de uma simp\u00e1tica mas morna noite de estreia, a headliner Solange\u00a0prometia levar o Primavera para outras dimens\u00f5es, ocupando o palco principal com todo o aparato pop habitual: backing vocals, multin\u00edveis, dan\u00e7arinos, banda completa, al\u00e9m de um belo de um disco\/declara\u00e7\u00e3o lan\u00e7ado neste ano \u201cA Seat At The Table\u201d. A julgar tanto pelo conte\u00fado lan\u00e7ado, quanto pela transposi\u00e7\u00e3o dele nas primeiras m\u00fasicas do show (a chuva, o frio e a idade proibiram o alongar das pernas e das horas), ela pode se sentar confortavelmente junto \u00e0 poderosa irm\u00e3, mas numa parte mais \u00e0 esquerda e aventureira da mesa r&amp;b, o que torna as coisas ainda mais interessantes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52026\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto8-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Dia 02 (07\/06)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de Solange ser a cabe\u00e7a de cartaz mais destacada, como divulgado pelo pr\u00f3prio festival (o que d\u00e1 alguma medida para a moral da mo\u00e7a) \u00e9 a partir da sexta-feira, segundo dia, que o Primavera Sound ganhou uma dimens\u00e3o especial, reunindo n\u00e3o apenas mais p\u00fablico, mas tamb\u00e9m aqueles que se mostrariam ser alguns dos melhores shows de todo o evento. Como o humor da pr\u00f3pria cidade do Porto, a aus\u00eancia de chuva e a volta do sol aperfei\u00e7oaram todo o contexto, deixando o festival mais vibrante, caloroso e bonito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52029\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nata do segundo dia de Primavera esteve entre dois extremos radicais, duas vis\u00f5es sobre \u2018fazer m\u00fasica\u2019 que n\u00e3o poderiam estar em polos mais opostos, mas que emocionam de maneiras parecidas e enaltecem a experi\u00eancia do \u201cao vivo\u201d, da performance, em v\u00e1rios \u00e2mbitos: Shellac, mais cedo, em um palco menor enlouquecendo os convertidos transfigurando o insulto, a viol\u00eancia, o \u00f3dio, em arte. E James Blake, fechando o palco principal para uma multid\u00e3o hipnotizada pela delicadeza de seus arranjos, pela fragilidade de suas can\u00e7\u00f5es e pela leveza de sua voz. Em comum, ambos os shows mostram que a regrinha de menos \u00e9 mais (tr\u00eas pessoas no palco, sem maiores papagaiadas) muitas vezes \u00e9 imbat\u00edvel. Fora isso, dif\u00edcil pensar em viver dois extremos s\u00f4nicos t\u00e3o grandes, mas igualmente redentores, em um intervalo de poucas horas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52028\" aria-describedby=\"caption-attachment-52028\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52028 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto10-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52028\" class=\"wp-caption-text\"><em>Shellac<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de escudado por um baterista e um baixista absolutamente geniais, Shellac \u00e9 o show de Mr. Steve Albini, uma constela\u00e7\u00e3o particular que, desde os tempos de Big Black, que orbita em torno da inadequa\u00e7\u00e3o, do \u00f3dio, da frustra\u00e7\u00e3o e da impossibilidade de superar tudo isso. Tem um volume e uma viol\u00eancia que, por exemplo, o impactante post hardcore dos bascos Lisab\u00f6, que com suas duas baterias, dois baixos e duas guitarras fez barulho e chamou a aten\u00e7\u00e3o no Palco Seat logo no come\u00e7o do dia, apenas sonha em chegar (e a culpa n\u00e3o \u00e9 deles, insisto, j\u00e1 que trata-se de uma bela banda).<\/p>\n<figure id=\"attachment_52030\" aria-describedby=\"caption-attachment-52030\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-52030\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto12-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52030\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lisab\u00f6<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo tendo moldado algumas das paisagens mais importantes e definidoras do rock contempor\u00e2neo (Pixies, Nirvana) que inclusive o credenciaram para assinar trabalhos de retorno com cl\u00e1ssicos imortais (Page &amp; Plant, The Stooges) com seu trabalho como produtor, como m\u00fasico Albini ainda parece gloriosamente repetindo e tentando atualizar o hino que criou ainda na d\u00e9cada de 1980, \u201cKerosene\u201d, uma das can\u00e7\u00f5es mais&#8230; inflam\u00e1veis de todos os tempos. A diferen\u00e7a \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do hino que versava sobre jovens entediados que precisam botar fogo em cidade provinciana para dar algum sentido para a vida, o guitarrista (e que guitarrista!) hoje conhece o mundo e parece conseguir algum prazer s\u00e1dico nisso. Portugal sabe bem: Albini bate ponto quase todos os anos no Primavera (\u00e9 sempre a primeira atra\u00e7\u00e3o a ser anunciada) e devolve carinhosamente seu afeto pelos lusitanos, quando exprime o desejo de trepar com \u201ctodas as pessoas dessa plateia\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52027\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto9-300x185.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se sua cosmologia anterior tinha a ver com \u201csongs about fucking\u201d, \u201crapeman\u201d e outros signos que hoje poderiam ser percebidos como obra de um celibat\u00e1rio involunt\u00e1rio (mas com toda a ironia, verniz criador e principalmente performance contida nisso, essencial para separa-lo desses punheteiros de merda que se escondem na internet), Albini parece ter conseguido canalizar sua frustra\u00e7\u00e3o, sua lux\u00faria doentia, para sua cria\u00e7\u00e3o. Assim, o Shellac n\u00e3o \u00e9 propriamente um show: \u00e9 mais um happening, palco para um orador do caos tecer, sob uma blitz de riffs e timbres espetaculares de guitarra muito, muito pesados e intensos, suas considera\u00e7\u00f5es sobre o estado do mundo atual: um longo e ruidos\u00edssimo (j\u00e1 falei das guitarras?) discurso sobre como seu \u201cgrande plano de domina\u00e7\u00e3o\u201d da m\u00fasica e da vida deu errado, mas com tons de stand up comedy (Ed Sheeran, afinal, n\u00e3o passa de um porco nojento por n\u00e3o lavar seus len\u00e7\u00f3is, como ele declama com obsess\u00e3o) que revelam muito de sua genialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 blues do macho branco castrado sim, mas convincentemente angustiante \u2013 \u00e0 cita\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cTransmission\u201d, do Joy Division n\u00e3o vem \u00e0 toa \u2013 sacana, inteligente e hipn\u00f3tico. Ver Shellac ao vivo nos faz dispensar qualquer outra chancela referente \u00e0 \u2018m\u00fasica pesada\u2019: \u00e9 a literal arte do barulho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52031\" aria-describedby=\"caption-attachment-52031\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52031 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52031\" class=\"wp-caption-text\"><em>James Blake<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada mais oposto que James Blake, na outra ponta do evento e, especialmente, do prop\u00f3sito art\u00edstico: se o veterano Albini se interessa pela carne, o talentoso jovem busca o esp\u00edrito. Mas a procura de ambos \u00e9 igualmente inesquec\u00edvel. O brit\u00e2nico faz m\u00fasica pop celestial, heaven up here, promove o sil\u00eancio, as pausas, a falta de ru\u00eddo como parceiros ideais para suas espetaculares can\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes acontece: v\u00e1rios dos aspectos (aquelas express\u00f5es pavorosas tipo downtempo, jazzy, cool) que muitas vezes comp\u00f5em o modelo para algumas detest\u00e1veis propostas sonoras, s\u00e3o sublimados em m\u00fasica incr\u00edvel. Para seguir a toada, Blake \u00e9 herdeiro do melhor trip hop, n\u00e3o do lounge. Sua m\u00fasica climatiza ambientes redentores, n\u00e3o coworkings ou \u2018ag\u00eancias criativas descoladas\u2019.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52032\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto14-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, gemas como \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/14\/musica-assume-form-james-blake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Assume Form<\/a>\u201d (que abriu a apresenta\u00e7\u00e3o), \u201cThe Limit To Your Love\u201d e \u201cTimeless\u201d comoveram uma multid\u00e3o de portugueses j\u00e1 tarde da noite para o palco principal; sua m\u00fasica veste bem parte do ethos local. Assim como um dos maiores orgulhos lusos, o Madredeus, Blake organiza um pop que desejaria ser ouvido nas muitas igrejas espalhadas pelo Porto. E assim ele conseguiu transformar o Parque da Cidade em seu p\u00falpito particular, um reino da delicadeza, preenchendo todo aquele ambiente com sua marcante voz e seus esparsos arranjos de teclado, synths e bateria, guiando tranquilamente o que seria uma hora de muitos sil\u00eancios, fuma\u00e7a, alguns choros (presente!) por ali. \u201cCan&#8217;t believe the way we flow\u201d, sumariza uma das can\u00e7\u00f5es l\u00e1 pelo meio da apresenta\u00e7\u00e3o. Melhor defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52033\" aria-describedby=\"caption-attachment-52033\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-52033\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto15-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52033\" class=\"wp-caption-text\"><em>Courtney Barnett<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como entre o inferno e o c\u00e9u h\u00e1 a vida mais \u201ccotidiana\u201d, Courtney Barnett \u00e9 um dos exemplos de como a m\u00fasica simplificada, despretensiosa, pode ser sensacional. De novo, \u00e9 a l\u00f3gica do menos \u00e9 mais, de can\u00e7\u00f5es deliciosamente f\u00e1ceis como \u201cCity Looks Pretty\u201d e \u201cFaceless Nameless\u201d. A mo\u00e7a tem v\u00e1rias credenciais indie? Tem sim. Mas c\u00e1 pra n\u00f3s, sem os tiques e recalques t\u00edpicos, ou seja, \u00e9 apenas pop por vezes embrulhado em barulho, por vezes n\u00e3o, mas sempre muito bom de ouvir. O bloco que juntou em \u201cEverybody Here Hates You\u201d, ironicamente tocada depois de uma sauda\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica ao sol que se punha no parque e seus deliciosos hits (\u201cElevation\u201d, \u201cDepreston\u201d e \u201cPedestrian At Best\u201d, que fechou o show, foi dos momentos mais deliciosos de todo o Primavera). E quando reparamos, acabou o show, sorrisos na cara (nas nossas e na dela) e a sensa\u00e7\u00e3o de que a vida fica um pouquinho mais leve com a exist\u00eancia de uma artista como ela.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52034\" aria-describedby=\"caption-attachment-52034\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52034 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto16-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52034\" class=\"wp-caption-text\"><em>Liz Phair<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, podemos pensar em Liz Phair, que se apresentou pouco depois, como uma pr\u00e9- Barnett. Guardadas as devidas dimens\u00f5es, tratam-se de duas mulheres portanto guitarras barulhentas, amplificando discursos femininos e que se estabeleceram\/estabelecem como pepitas indie de suas gera\u00e7\u00f5es, gravando discos que marcaram \u00e9pocas distintas. Mas&#8230; tirando uma certa nostalgia dos anos 1990, especialmente no que se refere \u00e0 timbragem das tr\u00eas guitarras que estavam no palco e no template power pop distorcido que embala o repert\u00f3rio de Liz, trata-se de um show pouco memor\u00e1vel, que nos faz lembrar menos da cantora abusada que chamou a aten\u00e7\u00e3o com \u201cExile On Guyville\u201d e um pouco mais da musa alternativa que tentou uma virada pop desastrada em determinado momento da carreira para cair no esquecimento. \u00c9 um comeback que n\u00e3o convence muito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52035\" aria-describedby=\"caption-attachment-52035\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52035 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto17-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52035\" class=\"wp-caption-text\"><em>Interpol<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem convence, especialmente o p\u00fablico portugu\u00eas, \u00e9 o Interpol. Os lusos parecem se reconhecer nos climas mais desolados e sombrios do grupo, acompanhando com alguma empolga\u00e7\u00e3o o show. Em uma apresenta\u00e7\u00e3o bastante correta (jogando seus hits pra galera sem nenhuma parcim\u00f4nia), os nova-iorquinos se mostraram afiados. N\u00e3o \u00e9 nada, n\u00e3o \u00e9 nada, daqui h\u00e1 pouco completam-se 20 anos de \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/interpol.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Turn On The Bright Lights<\/a>\u201d, disco de estreia e ainda o momento maior do grupo (\u201cPDA\u201d, \u201cObstacle 1\u201d, executadas, nos lembram disso) e os caras ainda est\u00e3o a\u00ed, firm\u00f5es naquela eleg\u00e2ncia toda, com direito \u00e0 m\u00fasica lan\u00e7ada em 2019 (\u201cFine Mess\u201d, com aplausos que comprovaram a devo\u00e7\u00e3o local pelo grupo) e seguindo o jogo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52036\" aria-describedby=\"caption-attachment-52036\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-52036 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto18.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto18.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto18-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52036\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jorge Benjor<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Dia 03 (08\/06)<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00daltimo dia de festival, dia de atra\u00e7\u00f5es brasileiras, e, particularmente, de algumas das atra\u00e7\u00f5es que nutria muita vontade de assistir. Infelizmente n\u00e3o cheguei a tempo de ver O Terno e felizmente, j\u00e1 assisti a Jorge Benjor em 1994, 2000 e alguma coisa e boas. Ou seja, j\u00e1 vi essa vers\u00e3o pouco inspirada do g\u00eanio Ben ao vivo suficientemente. Ao longe, dava pra escutar o cl\u00e1ssico \u201cteteteret\u00ea\u201d ad infinitum e imaginar quantas garotas da plateia ele chamaria para subir ao palco, etc, etc, etc.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52037\" aria-describedby=\"caption-attachment-52037\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-52037\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto19.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto19.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto19-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52037\" class=\"wp-caption-text\"><em>Big Thief<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu encerramento come\u00e7ou mesmo com o Big Thief. Donos de um dos discos mais intoxicantes de 2019 (\u201cUFOF\u201d) o grupo \u00e9 exemplar daquilo que \u00e9 chamado de Americana, um composto contempor\u00e2neo de folk, country, rock, que, sutilmente amalgamados, garantem sedu\u00e7\u00e3o certa para ouvinte. Claro que tamb\u00e9m serve de muleta para coisas bastante gen\u00e9ricas, o que n\u00e3o \u00e9 o caso do Big Thief. Ao vivo, n\u00e3o proporciona a mesma experi\u00eancia do disco, como esperado (\u00e9 um repert\u00f3rio delicado o suficiente para se perder em grandes arenas) mas convence. A voz de Adrienne Lenker, se em disco remete \u00e0 rel\u00edquias como Joni Mitchell ou Judee Sill, ao vivo, emoldurada por guitarras e viol\u00f5es, soa deliciosamente pop (at\u00e9 Cranberries me veio \u00e1 mente), \u00e0 frente, pique de show. Destaque tamb\u00e9m para o visual \u201cdesleixado\u201d da turma, roupas rasgadas, dentes quebrados, talvez culpa do \u201cfim da turn\u00ea\u201d, como anunciaram no palco. Estranhamente, o foco do repert\u00f3rio n\u00e3o esteve no novo e elogiad\u00edssimo \u00e1lbum, fazendo um passeio pela curta carreira da banda. Talvez isso tenha diminu\u00eddo um pouco o saldo final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Guided By Voices - You Own The Night (Live @ NOS PRIMAVERA SOUND 2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YaIf4RgVJkg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, Robert Pollard comandou um show de nada menos que 36 (TRINTA E SEIS) m\u00fasicas \u00e0 frente do Guided By Voices. Tomando u\u00edsque do gargalo, o vov\u00f4 do indie desempenhou, digamos assim: cantando maravilhosamente bem, girando microfone \u00e0 la Roger Daltrey, comandando uma banda barulhenta e afiada, levou um pequeno mas fidel\u00edssimo p\u00fablico \u00e0 um passeio inesquec\u00edvel pela longa trajet\u00f3ria do grupo. Aquele tipo de apresenta\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea encontra um ou dois f\u00e3s na grade cantando absolutamente tudo, da m\u00fasica mais obscura do \u00e1lbum lan\u00e7ado recentemente (o GBV \u00e9 o tipo de grupo que est\u00e1 com uma discografia labir\u00edntica, zilh\u00f5es de trabalhos) e perde a cabe\u00e7a em hinos como \u201cMotor Away\u201d ou \u201cGame Of Pricks\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52038\" aria-describedby=\"caption-attachment-52038\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-52038\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto20.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto20.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto20-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52038\" class=\"wp-caption-text\"><em>Amyl and The Sniffers<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma volta r\u00e1pida em palcos menores revelava que 1) A est\u00e9tica punk rock n\u00e3o vai morrer nunca (n\u00e3o que deveria, claro) e ainda comove muita gente, com o barulhento show de Amyl and The Sniffers, com a vocalista tocando fogo em uma plateia cheia de rodas de pogo (com direito \u00e0 descer do palco e se juntar \u00e0 malta) e 2) Existe uma artista gigantesca na rota ib\u00e9rica, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/13\/musica-el-mal-querer-rosalia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">chamada Rosalia<\/a>, que ainda n\u00e3o bateu no Brasil e que impressiona por sua popularidade, pela for\u00e7a \u2018diva pop\u2019 que possu\u00ed (compar\u00e1vel, no Primavera Sound, apenas \u00e0 Solange) e pela mescla de cumb\u00eda, reggaeton e ritmos latinos ao template global de can\u00e7\u00f5es pop. Bonito de ver de longe a multid\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_52039\" aria-describedby=\"caption-attachment-52039\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-52039\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto21.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto21.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto21-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-52039\" class=\"wp-caption-text\"><em>Rosalia<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um daqueles \u2018presentes\u2019 que grandes festivais d\u00e3o discretamente no cartaz de suas programa\u00e7\u00f5es, estava o Low. Ainda menos conhecido no Brasil que deveria, \u00e9 o tipo de banda\/show que ENLOUQUECERIA certos nichos por a\u00ed, e com toda raz\u00e3o. Trata-se de uma experi\u00eancia que o te\u00f3rico alem\u00e3o Hans Gumbrecht chamaria de produ\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a: sensorialidade pura, anterior ao campo ou \u00e0s l\u00f3gicas do entendimento, do significado. \u00c9 um som que emana e afeta, as raias do f\u00edsico: os quase dez minutos de feedback, caos s\u00f4nico de \u201cFly\u201d poderiam\/deveriam ser previamente informados \u00e0 audi\u00eancia: este escriba aqui ficou minutos com a vis\u00e3o emba\u00e7ada, a cabe\u00e7a doendo, os sentidos desorientados. Gostas de del\u00edrios p\u00f3s roqueiros, baby?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Low (Primavera Sound Porto, 8 Junho 2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EHZ9BYEVjEM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre isso, coisas simplesmente maravilhosas (\u201cQuorum\u201d, \u201cLazy\u201d, \u201cDou You Know How To Waltz\u201d, o show inteiro caralho), executadas em um palco que escondia completamente os rostos e fei\u00e7\u00f5es do trio norte-americano e nos deixava ref\u00e9ns do som e das luzes, um joguinho esperto pra cacete e condizente com a proposta do grupo. O casal Alan Sparhawk e Mimi Parker (a melhor herdeira de Moe Tucker, do Velvet Underground, de todos os tempos) criaram h\u00e1 d\u00e9cadas um universo absolutamente particular, tem a certeza que habitam no melhor lugar do mundo e nos convencem com perfei\u00e7\u00e3o de que dever\u00edamos concordar com isso. Chega a ser perverso, e , hipnotizados, concordamos. No final de todo esse caos, uma descida mais suave com \u201cDisrray\u201d, o vocalista\/guitarrista revela que sabe mesmo das coisas: \u201cN\u00e3o posso esperar para ver Erykah Badu. Boa noite e obrigado\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Erykah Badu (Primavera Sound Porto, 8 Junho 2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aRrG13evSuw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele, assim como a multid\u00e3o no palco principal, teve que esperar um pouco mais que o combinado, A \u00faltima grande atra\u00e7\u00e3o do Primavera Festival com seu atraso de quase uma hora, conseguiu um feito que eu pensava ser imposs\u00edvel: arrancar (poucas) vaias (muito t\u00edmidas) da plateia portuguesa. Dava pra entender: j\u00e1 na madrugada, Porto apresentava aos desavisados um de seus moradores mais indesejados: o vento frio, combina\u00e7\u00e3o de floresta e maresia. Haja tinto para dar conta. Era poss\u00edvel ver gente indo embora e outros pensando no assunto mas&#8230; n\u00e3o d\u00e1 pra gostar de m\u00fasica e desperdi\u00e7ar a chance de assisti-la. Porque, em um mundo mais equilibrado e preocupado com urgentes corre\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, Erykah Badu seria t\u00e3o universalmente celebrada quanto, sei l\u00e1, Bjork.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52042\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto25.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto25.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto25-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Badu \u00e9 g\u00eania. Ponto. Ela, junto com D&#8217;Angelo, s\u00e3o o fino do que o r&amp;b contempor\u00e2neo pode apresentar. N\u00e3o existem pares. Tem muita gente incr\u00edvel nessa fila, de Frank Ocean \u00e0 pr\u00f3pria Solange, mas diva, diva meeeesmo, \u00e9 Miss Badu. \u00c9 daquele tipo de artista que, no decorrer da carreira, arrancou as tripas de um determinado g\u00eanero (a soul music) e foi apresentando diferentes e sofisticad\u00edssimas formas de cozinha-lo. Afinal, logo no disco de estreia ela mostrou conhecer muito bem a receita e apresentou um cl\u00e1ssico. A partir da\u00ed, se moldou menos \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o de Aretha e mais \u00e0 virtuosidade de Nina Simone, por assim dizer; acrescentou doses generos\u00edssimas de p-funk ao seu caldeir\u00e3o (especialmente nos magistrais \u201cNew Amerikah\u201d), onde, para al\u00e9m do balan\u00e7o, incorpora aquela elabora\u00e7\u00e3o sonora a l\u00e0 Sly Stone ou Parliament que faz aquela coceirinha na cabe\u00e7a enquanto os quadris n\u00e3o param de suar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52040\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto23.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto23.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto23-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha grande quest\u00e3o era saber se tudo isso se traduzia em um bom show, saber as sutilezas de seu som iriam ser bem traduzidas naquele contexto. N\u00e3o precisou de muito tempo: vestida com algo repleto de folhas e o que pareciam ser galhos que poderiam ter sa\u00eddos dali do Parque mesmo, falando de mostrar frequ\u00eancias, vibra\u00e7\u00f5es para o \u201cp\u00fablico jovem, nascidos quando nasceu o meu filho\u201d Badu comandou um serm\u00e3o soul\/xam\u00e2nico espetacular. J\u00e1 de sa\u00edda, com \u201cHello\u201d, saudando a plateia e se desculpando pelo atraso, abriu alas para o labirinto sonoro de sua banda (como conseguem executar tudo aquilo meu Senhor?) e principalmente pela for\u00e7a de sua voz e de sua performance, absolutamente hipnotizante. Com isso, bastou nos fazer coro alguns de seus classud\u00e9rrimos hits (\u201cOn and On\u201d, \u201cOther Side Of The Game\u201d), nos emocionar com a declara\u00e7\u00e3o \u201cLove Of My Life\u201d, dan\u00e7ar com \u201cWindow Seat\u201d e sintetizou boa parte de seus feiti\u00e7os com uma \u00e9pica \u201cOut Of My Mind, Just In Time\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52041\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto24.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto24.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto24-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um fim impec\u00e1vel para um festival que \u00e9 cara do Porto: n\u00e3o possui nem de longe o cartaz de outros eventos (como sua matriz) ou lugares (a pr\u00f3pria Barcelona at\u00e9), mas que se mostra, al\u00e9m de bonito \u00e0 be\u00e7a, confort\u00e1vel, na medida, quase perfeitinho. Al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel, da beleza natural, pelo menos quatro shows daqueles que v\u00e3o ficar na cabe\u00e7a por muito, muito tempo. N\u00e3o precisa de muito mais, precisa?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52043\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto26.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto26.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/primaveraporto26-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/thiago.pereira.56808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thiago Pereira<\/a>\u00a0 \u00e9 jornalista, professor, pesquisador e divulgador volunt\u00e1rio da campanha &#8220;Eu Avisei&#8221;, em curso no Brasil at\u00e9 2022. Cruzeiro acima de tudo: deboche acima de todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de um enorme letreiro lembrar, logo no primeiro palco, que o evento foi criado em Barcelona, o Primavera Sound \u00e9 a cara do Porto. N\u00e3o possui nem de longe o cartaz de outros eventos (como sua matriz) ou lugares (a pr\u00f3pria Barcelona at\u00e9), mas que se mostra, al\u00e9m de bonito \u00e0 be\u00e7a, confort\u00e1vel, na medida, quase perfeitinho.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/17\/balancao-primavera-porto-2019-bonito-confortavel-e-quase-perfeitinho\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":72,"featured_media":52018,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3845,3844,3839,2789,3847,3846,3226,3504,3841,3838,3843,2915,93,3840,3392,3842,3837,3836],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52017"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/72"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52017"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52058,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52017\/revisions\/52058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}