{"id":52000,"date":"2019-06-16T01:00:45","date_gmt":"2019-06-16T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=52000"},"modified":"2019-07-17T09:50:07","modified_gmt":"2019-07-17T12:50:07","slug":"ao-vivo-living-colour-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/16\/ao-vivo-living-colour-em-sp\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Living Colour em SP"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/fernandoyokotafotografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVivid\u201d (1988) \u00e9 o \u00e1lbum que definiu o som do Living Colour. Ou melhor: definiu como sempre n\u00f3s nos lembraremos da banda (pelo menos, \u201cn\u00f3s\u201d que temos idade para lembrar-se de quando a banda surgiu). Por mais que seu sucessor (\u201cTime&#8217;s Up\u201d, de 1990) tenha os hits mais emblem\u00e1ticos (\u201cType\u201d, \u201cElvis Is Dead\u201d e \u201cLove Rears Its Ugly Head\u201d, al\u00e9m de \u201cPride\u201d e \u201cSolace of You\u201d), foi \u201cVivid\u201d quem nos mostrou de uma forma pra l\u00e1 de convincente o quanto aqueles quatro caras eram bons (e bote \u00eanfase nesse \u201cbons\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, para muita gente, o Living Colour que existe na mem\u00f3ria \u00e9 esse mesmo dos dois primeiros \u00e1lbuns, e s\u00f3. \u00c9 uma galera que come\u00e7ou a perder o interesse na banda quando eles lan\u00e7aram o confuso \u201cStain\u201d (1993), e que, dos discos que vieram depois (\u201cCollideoscope\u201d, de 2003; \u201cThe Chair on The Doorway\u201d, de 2009; e \u201cShade\u201d, 2017), no m\u00e1ximo se lembram dos covers entre o interessante e o esquisito que colocaram no tracking list e n\u00e3o saberiam citar de mem\u00f3ria, quanto mais identificar, qualquer uma das faixas autorais que pintou por ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 surpresa nenhuma que no show que a banda fez no Tropical Butant\u00e3, em S\u00e3o Paulo, no dia 14 de junho, a plateia fosse composta majoritariamente por pessoas que aparentavam ter mais de 40 anos (este rep\u00f3rter incluso). Apesar de um \u201chiato\u201d entre 1995 e 2000, o Living Colour est\u00e1 a\u00ed at\u00e9 hoje, mas n\u00e3o parece ter angariado muitos f\u00e3s jovens por aqui.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52004\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140274.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140274.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140274-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que isso, o show era parte da turn\u00ea comemorativa de 30 anos (agora 31) de \u201cVivid\u201d. E como a banda j\u00e1 havia tocado no Brasil no ano passado, dava para entender porque a casa estava com um bom n\u00famero de pessoas, mas ainda com espa\u00e7o mais que suficiente para se transitar sem atropelos ou conseguir achar um lugar para ver o palco sem ter a vis\u00e3o prejudicada pelos celulares daquela gente impotente de alma que s\u00f3 consegue viver a partir do registro de seus aparelhinhos (minoria entre os espectadores da noite, diga-se).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja: em um lugar confort\u00e1vel, com boa estrutura e um p\u00fablico que estava ali para de fato ver a banda, n\u00e3o tinha como a festa ser ruim. E n\u00e3o foi: deu para dan\u00e7ar, bater cabe\u00e7a ou simplesmente ficar parado apreciando o que Corey Glover (voz), Vernon Reid (guitarra), Will Calhoun (bateria) e Doug Wimbish (baixo) sabem fazer de melhor. Mas show sempre ajuda a pensar um pouquinho sobre o que as pessoas que est\u00e3o no palco representam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVivid\u201d foi tocado na \u00edntegra, com as faixas na mesma ordem do disco, e a dura\u00e7\u00e3o estendida por conta dos longos solos a que todos os quatro t\u00eam direito \u2013 incluindo Corey Glover, que for\u00e7a a barra do oversinging na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cOpen Letter (To a Landlord\u201d), numa performance que faz mais jus a um candidato do The Voice do que ao grande cantor que ele \u00e9. Al\u00e9m do \u00e1lbum homenageado, tr\u00eas outras faixas antes e tr\u00eas depois. Essas 17 faixas, mais o longu\u00edssimo (e chat\u00edssimo) solo de bateria e percuss\u00e3o eletr\u00f4nica de Will Calhoun ap\u00f3s \u201cWhich Way to America?\u201d, renderam mais de duas horas de show, de modo que muita gente foi saindo antes do final, para n\u00e3o perder o metr\u00f4 (que, para piorar, funcionava parcialmente devido \u00e0 greve contra a reforma da previd\u00eancia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desses \u201cextras\u201d, o fim teve os tr\u00eas maiores hits de \u201cTime&#8217;s Up\u201d: \u201cLove Rears&#8230;\u201d, \u201cElvis Is Dead\u201d e \u201cType\u201d. Mas o come\u00e7o foi mais interessante: a pesadona vers\u00e3o de \u201cPreachin&#8217; Blues\u201d (Robert Johnson) abriu a noite, sucedida por \u201cWho Shot Ya?\u201d, (outro cover, esse de The Notorious B.I.G.) e pela autoral \u201cF.O.X\u201d. \u201cWho Shot Ya?\u201d foi dedicada por Vernon Reid \u201c\u00e0 ativista Marielle Franco\u201d, para del\u00edrio da maior parte do p\u00fablico \u2013 havia uma meia d\u00fazia de vozes solit\u00e1rias berrando contra com todos os palavr\u00f5es poss\u00edveis, e deve ter muita gente que gastou uns segundos pensando porque esse tipo de gente vai ao show de uma banda formada por negros queers. Deve ser o mesmo tipo de cidad\u00e3o que reclamou do show do Roger Waters ser \u201cpol\u00edtico\u201d. Mas enfim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52002\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140150.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"487\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140150.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140150-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, \u201cCult of Personality\u201d introduziu o \u00e1lbum homenageado, e j\u00e1 deixa evidente o quanto ser\u00e1 refrescante ouvir as can\u00e7\u00f5es de \u201cVivid\u201d sem a sonoridade datada que a produ\u00e7\u00e3o de Ed Stasium conferiu ao \u00e1lbum. S\u00f3 \u201cMemories Can&#8217;t Wait\u201d, a famosa vers\u00e3o do Talking Heads, desacelera al\u00e9m da conta e soa inferior \u00e0 grava\u00e7\u00e3o de 1988. Mas fora isso e os j\u00e1 citados exageros em \u201cOpen Letter\u201d, tudo o mais funciona melhor que h\u00e1 31 anos \u2013 \u201cBroken Heats\u201d, em especial, perde a grandiloqu\u00eancia e ganha em sutileza, enquanto o groove de \u201cMiddle Man\u201d e \u201cFunny Vibe\u201d fica ainda mais solto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show \u00e9 um apelo \u00e0 nostalgia? Claro que sim! Como \u00e9 o caso de toda e qualquer \u201cturn\u00ea comemorativa\u201d do que quer que seja. E por que parece funcionar melhor que tantos outros ca\u00e7a-n\u00edqueis que passam pelos palcos? Porque existem coisas na arte que n\u00e3o s\u00e3o mensur\u00e1veis, e \u201centrega\u201d \u00e9 uma delas. Por mais que saiba estar jogando para \u201canimar a geral\u201d, o Living Colour nunca soa burocr\u00e1tico ou apenas \u201cprofissional\u201d. Mesmo com as repeti\u00e7\u00f5es e os eventuais exageros, no palco o Living Colour nunca deixou de fazer jus \u00e0 fama conquistada por aqui com aquele show em 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda n\u00e3o tem entregado nada de novo, e quando tenta, mais erra que acerta. Mas quando olha para si mesmo como a grande banda de hard rock que \u00e9 \u2013 uma banda, ali\u00e1s, que foi nutrida com muito jazz, soul e funk antes de optar subir o volume de seus instrumentos \u2013 o Living Colour supera de longe qualquer um de seus contempor\u00e2neos que se arrastam mundo afora ganhando a vida \u00e0s custas de shows protocolares e truques f\u00e1ceis. O Living Colour parece ter sacada que s\u00f3 \u00e9 bom em um tipo de coisa, e decidiu faz\u00ea-la muito bem feita. J\u00e1 est\u00e1 de \u00f3timo tamanho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52005\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140100.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140100.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140100-300x211.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-14-living-colour-2048-P6140100-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<br \/>\n\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>&nbsp;\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:&nbsp;<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Living Colour n\u00e3o tem entregado nada de novo, e quando tenta, mais erra que acerta. Mas quando olha para si mesmo como a grande banda de hard rock que \u00e9, supera de longe qualquer um de seus contempor\u00e2neos que se arrastam mundo afora ganhando a vida \u00e0s custas de shows protocolares e truques f\u00e1ceis.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/16\/ao-vivo-living-colour-em-sp\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":52003,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3835],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52000"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52000"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52010,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52000\/revisions\/52010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}