{"id":51931,"date":"2019-06-10T01:36:08","date_gmt":"2019-06-10T04:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51931"},"modified":"2019-07-10T01:07:21","modified_gmt":"2019-07-10T04:07:21","slug":"ao-vivo-em-sp-para-jorge-drexler-a-terra-e-redonda-e-ensino-e-importante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/10\/ao-vivo-em-sp-para-jorge-drexler-a-terra-e-redonda-e-ensino-e-importante\/","title":{"rendered":"Ao vivo em SP: Para Jorge Drexler, a terra \u00e9 redonda e ensino \u00e9 importante"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><br \/>\nFotos\u00a0<strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/fernandoyokotafotografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se entender um fen\u00f4meno ou caracter\u00edstica da natureza, t\u00e3o importante quanto analis\u00e1-lo \u00e9 compreender seu oposto. Talvez seja por isso \u2013 e por ter uma carreira de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas aos sons \u2013 que o uruguaio Jorge Drexler tenha se detido a analisar o sil\u00eancio. Na \u00faltima semana, em S\u00e3o Paulo, ele executou por duas noites o experimento de gerar impacto para 1,4 mil pessoas n\u00e3o s\u00f3 com m\u00fasica, mas tamb\u00e9m com aquilo que a nega. N\u00e3o \u00e0 toa, Silente \u00e9 o nome da turn\u00ea com que viaja pelo Brasil, com passagens tamb\u00e9m por Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Pelotas \u2013 nesta \u00faltima, viveu uma experi\u00eancia 100% local ao at\u00e9 tomar um achaque da pol\u00edcia em um bar, ap\u00f3s fazer seu show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite da quinta-feira, 6, o uruguaio chegou a campo com a vantagem do empate. Tamb\u00e9m, pudera: mesmo tendo visitado S\u00e3o Paulo no ano passado, Drexler viu os ingressos esgotarem semanas antes do show \u2013 at\u00e9 por conta disso, a cidade ganhou uma segunda data na turn\u00ea. A noite g\u00e9lida da capital paulista n\u00e3o afastou os presentes no Teatro Bradesco, na Pompeia. Sem se importar com o resultado, o cantor passou longe de fazer um show na retranca. Pelo contr\u00e1rio. Com ares de torcida organizada, a plateia (com visual \u201ctilel\u00ea encapotado\u201d) lhe deixou muito \u00e0 vontade para executar aquilo que mais se espera de um grande artista: surpreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 algo que j\u00e1 fica claro logo no in\u00edcio, quando ele leva \u201cTransporte\u201d apenas com um chocalho e \u00e9 seguido pela plateia em amplo coro. Ou, logo adiante, quando despe o arranjo sensual de \u201cDeseo\u201d e coloca a can\u00e7\u00e3o em tons minimalistas. Outro exemplo, mais ao final do show, acontece ao negar o aspecto mais pop daquele que \u00e9, provavelmente, seu maior hit no Brasil, gra\u00e7as a Paulinho Moska: \u201cLa Edad del Cielo\u201d (regravada tamb\u00e9m por Vivian Benford no \u00e1lbum &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Somos Todos Latinos<\/a>&#8220;, lan\u00e7ado pelo Selo Scream &amp; Yell).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez da roupagem folk com barulhinhos (\u00e0 la \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/04\/the-bends-o-melhor-do-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Bends<\/a>\u201d?) da grava\u00e7\u00e3o original, a m\u00fasica \u00e9 executada por Drexler apenas com guitarra e um curioso vocoder. A princ\u00edpio, tudo soa anacr\u00f4nico, mas depois se converte em belo espet\u00e1culo \u2013 especialmente porque, no palco, h\u00e1 apenas uma l\u00e2mpada, que se acende s\u00f3 com a voz do uruguaio. Luzes, inclusive, s\u00e3o parte importante da experi\u00eancia sensorial que Drexler prop\u00f5e aos presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante todo o show, ele permanece no palco sob apenas um holofote ou \u00e0 meia luz, com ajuda de rebatedores movimentados por sua equipe de \u201croadies invis\u00edveis\u201d (um trio que veste roupa toda preta, em um fundo todo escuro, e s\u00f3 se revela no final do show). \u00c9 um efeito c\u00eanico interessante, mas que em alguns momentos prejudicou a visibilidade do p\u00fablico, especialmente para quem estava nas cadeiras mais distantes do teatro na Pompeia. Em espa\u00e7os menores, \u00e9 algo que deve funcionar com precis\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51934\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070174.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070174.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070174-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do show, Drexler se movimenta bastante entre \u201cambientes\u201d \u2013 no in\u00edcio, toca de p\u00e9, privilegiando as can\u00e7\u00f5es do disco \u201cEco\u201d. Das sete primeiras m\u00fasicas do espet\u00e1culo, cinco v\u00eam do \u00e1lbum lan\u00e7ado em 2004, um de seus trabalhos mais acess\u00edveis, justamente por equilibrar o pop, o experimentalismo e o lado mais tradicional\/milongueiro. Em um segundo momento, entra no que chama de \u201csala de estar\u201d \u2013 um espa\u00e7o menos iluminado, com dois banquinhos. Um \u00e9 para ele pr\u00f3prio e outro para um p\u00eandulo de Newton \u2013 aquele instrumento com v\u00e1rias bolinhas suspensas por um fio, t\u00e3o popular nas aulas de f\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente a\u00ed que Drexler se revela um f\u00e3 do m\u00e9todo cient\u00edfico: primeiro, por puro empirismo, ao usar o p\u00eandulo de Newton como percuss\u00e3o e marca\u00e7\u00e3o de tempo em \u201cAbracadabras\u201d. Tal como um professor de cursinho hipster, ele revisa com gra\u00e7a o conceito de conserva\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia do movimento, tecendo loas a Galileu Galilei e afirmando que a terra \u00e9 redonda \u2013 no que \u00e9 aplaudid\u00edssimo, claro. (Um dia, espera-se, a gente vai rir disso tudo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, o uruguaio troca de ci\u00eancia exata e executa \u201cTodo se Transforma\u201d, lembrando Lavoisier e sendo seguido por um belo coral, formado majoritariamente por vozes femininas. Ali na sala de estar, como se estivesse em um apartamento de Copacabana, h\u00e1 espa\u00e7o ainda para uma vers\u00e3o milongueira de uma m\u00fasica que mudou os rumos da can\u00e7\u00e3o brasileira: \u201cChega de Saudade\u201d. A releitura soa mais como bonita homenagem \u00e0quele que \u00e9, como diria Caetano Veloso, melhor que o sil\u00eancio \u2013 Jo\u00e3o Gilberto, claro. Caetano, ali\u00e1s, aparece em outro momento do show, em algo que poderia ser caricato n\u00e3o fosse Drexler um homem de inten\u00e7\u00f5es muito honestas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em bom portugu\u00eas, ele canta \u201cSampa\u201d, em uma interpreta\u00e7\u00e3o que ressalta as grandes frases do baiano de Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o \u2013 seja \u201ca grana que constr\u00f3i e destr\u00f3i coisas belas\u201d ou \u201co Narciso que acha feio tudo que n\u00e3o \u00e9 espelho\u201d. Mais que isso: ainda tira onda e troca \u201cnovos baianos\u201d por \u201cmontevideanos\u201d, uma vez que, sim, S\u00e3o Paulo \u00e9 para todos. (Fica ainda a nota: foi um raro desvio no repert\u00f3rio fixo da turn\u00ea, segundo consulta desta reportagem ao Setlist.fm). Outra cita\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica brasileira aparece em \u201cDisneyl\u00e2ndia\u201d, uma letra de Arnaldo Antunes que segue muito mais expressiva na boca do uruguaio do que em meio \u00e0 distor\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o original (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/precisamos-de-um-titanomaquia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ah, Tit\u00e3s dos anos 90\u2026<\/a>).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51932\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070057.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070057.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070057-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das aulas de ci\u00eancias, Drexler tem ainda dois grandes momentos de contador de hist\u00f3rias no palco. No primeiro, conta como fez sua primeira can\u00e7\u00e3o, \u201cLa Aparecida\u201d, sob a supervis\u00e3o de seu professor \u2013 um homem severo e \u00e9brio, que tinha na parede de sua sala um retrato de Vladimir Ilyich Ulyanov. \u201c\u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que vai fazer bastante sucesso na Argentina\u201d, teria dito o mestre ao ouvir a m\u00fasica. N\u00e3o era um elogio, mas para Drexler foi \u2013 afinal, a obra poderia facilmente estar em um disco de Luis Alberto Spinetta, citado pelo uruguaio em S\u00e3o Paulo. (\u201cSe voc\u00ea o conhece, provavelmente \u00e9 argentino\u201d, brincou ele. N\u00e3o deveria ser assim).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, fez um longo discurso sobre educa\u00e7\u00e3o, antes de apresentar \u201cA La Sombra del Ceibal\u201d, m\u00fasica que fez para um plano educacional no Uruguai, que distribuiu um computador a cada crian\u00e7a matriculada na escola p\u00fablica do pa\u00eds \u2013 mais sobre isso no document\u00e1rio \u201c<a href=\"http:\/\/www.futuraplay.org\/video\/na-sombra-do-ceibo-os-dez-anos-do-plano-ceibal\/434941\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na Sombra do Ceibo<\/a>\u201d. Ao reafirmar a import\u00e2ncia do ensino, Drexler \u00e9 aplaudid\u00edssimo. A plateia irrompe em gritos atuais da esquerda \u2013 \u201cLula Livre\u201d, \u201cFora Bolsonaro\u201d, \u201cEle n\u00e3o!\u201d. Ao que o uruguaio, elegant\u00edssimo, responde: \u201choje n\u00e3o vamos falar dele, n\u00e3o vamos gritar fora ningu\u00e9m\u201d. O recado j\u00e1 havia sido dado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma grande noite \u2013 mas ainda faltava algo para a consagra\u00e7\u00e3o. Primeiro, no bis \u201censaiado\u201d, Drexler deixa a plateia de boca aberta ao demonstrar com categoria o que queria dizer com a busca pelo sil\u00eancio. Na can\u00e7\u00e3o de mesmo nome, toda vez que ele parou de tocar e cantar, o impacto foi enorme. At\u00e9 que n\u00e3o houve mais nada e ele disse boa noite \u2013 mas o p\u00fablico n\u00e3o aceitou e o trouxe de volta, em um raro bis \u201cde verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ovacionado, Drexler tocou \u201cTelefonia\u201d, agradeceu a todas as formas de comunica\u00e7\u00e3o (at\u00e9 \u00e0s silenciosas) e ajoelhou, sem acreditar na recep\u00e7\u00e3o que teve em S\u00e3o Paulo. Era merecido \u2013 e cient\u00edfico. Afinal, se do som, pode sair o sil\u00eancio, em uma noite fria, o melhor a se fazer \u00e9 buscar (e encontrar) o calor. Quem saiu do Teatro Bradesco naquela quinta-feira pode at\u00e9 ter ficado com as m\u00e3os frias, mas o cora\u00e7\u00e3o estava quente.<\/p>\n<p>\u00a0 <img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51933\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070163.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070163.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019-06-07-Jorge-Drexler-2048-P6070163-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista do caderno Link, de O Estado de S\u00e3o Paulo. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<br \/>\n\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:\u00a0<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se do som, pode sair o sil\u00eancio, em uma noite fria, o melhor a se fazer \u00e9 buscar (e encontrar) o calor. 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