{"id":51881,"date":"2019-06-05T01:59:12","date_gmt":"2019-06-05T04:59:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51881"},"modified":"2019-07-03T00:23:54","modified_gmt":"2019-07-03T03:23:54","slug":"entrevista-dead-fish-fala-sobre-ponto-cego-nazis-e-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/05\/entrevista-dead-fish-fala-sobre-ponto-cego-nazis-e-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Dead Fish lan\u00e7a &#8220;Ponto Cego&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dead Fish \u00e9 um dos maiores patrim\u00f4nios do hardcore brasileiro. Com 28 anos de carreira, a banda capixaba segue viva, tendo como marca de sua longa carreira a entrega, de corpo e alma, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/15\/um-domingo-de-dia-dos-pais-hardcore-em-belo-horizonte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em apresenta\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas Brasil \u00e0 fora<\/a> e a produ\u00e7\u00e3o de discos relevantes que, geralmente, trazem \u00e0 tona retratos pol\u00edticos\/sociais do pa\u00eds que afrontam o status quo. E o disco mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/deadfish.lnk.to\/PontoCegoAlbumPR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ponto Cego<\/a>\u201d (2019, Deck Disc), \u00e9 a prova disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado no final de maio, o oitavo (e urgente) \u00e1lbum do grupo mant\u00e9m a sonoridade cl\u00e1ssica da banda, mas traz em suas letras uma an\u00e1lise pontual do momento nefasto e de retrocesso que o Brasil vive atualmente. E ainda crava que n\u00e3o h\u00e1 outro caminho a n\u00e3o ser o enfrentamento ante as ideias de extrema direita que imperam em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da primeira vez que conversou com o Scream &amp; Yell, em 2011, ap\u00f3s um show no Praia T\u00eanis Clube, de Vit\u00f3ria, sua terra natal, Rodrigo Lima louvou a vida na estrada como continua louvando em 2019, e j\u00e1 defendia naqueles dias algo que hoje virou pauta nacional: &#8220;Achar que o mundo est\u00e1 maravilhoso porque agora podemos comprar carros em 72 presta\u00e7\u00f5es \u00e9 muito perigoso. Eu s\u00f3 estarei satisfeito quando a gente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/02\/dead-fish-em-vitoria-um-estranho-amor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tiver educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade gratuita e de qualidade para todos<\/a>. Isso ainda est\u00e1 longe de acontecer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta vez, o vocalista fala sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/deadfish.lnk.to\/PontoCegoAlbumPR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ponto Cego<\/a>\u201d, a parceria com o escritor \u00c1lvaro Dutra, a invas\u00e3o do discurso direitista na cena hardcore, a produ\u00e7\u00e3o de Rafael Ramos, a volta para a gravadora Deck Disk, a parceria com Bill Stevenson (Black Flag), que foi respons\u00e1vel pela mixagem do disco, o prazer de estar no palco, o discurso de \u00f3dio direcionado a banda em redes sociais, a cena atual e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dead Fish - Sangue Nas Ma?os  (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tf9kjBGo4Tw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Ponto Cego&#8221; soa como um disco cl\u00e1ssico do Dead Fish, mas com letras ainda mais pungentes que convidam o ouvinte ao enfrentamento ante a opress\u00e3o di\u00e1ria em que vivemos. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s produzimos muitas coisas (sonoramente falando) entre 2016 e 2017. Acho que passamos um ano e tanto com o instrumental sendo lapidado, mas foi s\u00f3 no ano passado que pegamos firme e resolvemos gravar com a Deck, decidindo que o \u00e1lbum teria um tema. Resolvi que pra escrever essas m\u00fasicas precisava estar com o meu parceiro \u00c1lvaro Dutra produzindo letras, melodias e trocando ideias, muitas ideias. Chegamos num consenso ainda no meio do ano passado e partimos pra cima de junta-lo e fazer ficar com a cara que est\u00e1 agora. Fizemos muitas demos na casa do Ric Mastria e o processo ficou assim: nos junt\u00e1vamos os tr\u00eas, pass\u00e1vamos o instrumental quando achamos que estava ok, eu partia pras melodias, passava pro Alvaro, e ele estruturava coisas dividindo comigo. Quando uma letra estava fechada, eu ia pro Ric, passava com ele, faz\u00edamos uma demo no computador dele e lev\u00e1vamos pra casa pra ouvir. Isso foi repetido muitas e muitas vezes, refr\u00e3os foram mudados, melodias alteradas, palavras substitu\u00eddas por sin\u00f4nimos ou simplesmente deletadas e an\u00e1lises foram feitas pra ver se a letra estava ficando coerente com o conceito &#8220;Ponto Cego&#8221;. No in\u00edcio eu queria que todas as letras fossem textos sem sujeito ou com sujeito oculto, pra dar uma cara mais de &#8220;veja ai se voc\u00ea veste essa carapu\u00e7a&#8221;, mas isso ultrapassou a nossa capacidade de escrever sem ser na primeira ou terceira pessoas, ent\u00e3o do meio pro fim deixamos a coisa mais solta e os sujeitos apareceram. Depois de tudo isso foi levar pro est\u00fadio para que o Rafael Ramos fizesse o trampo de timbres e montasse a m\u00e1gica toda que, acredito, que o \u00e1lbum t\u00eam e ainda terminar uma \u00faltima letra \u2013 que foi &#8220;O Outro do Outro&#8221;. Ter trampado com o Rafael Ramos foi essencial pra dar consist\u00eancia ao \u00e1lbum, e por fim o Stevenson, que era um cara que quer\u00edamos trabalhar desde que sa\u00edmos do est\u00fadio com o \u00e1lbum anterior. Chegamos a conversar com ele no Brasil quando o Descendents esteve no pa\u00eds e ele foi super atencioso. Passou o tempo e a gente lan\u00e7ou pro Rafael no fim da grava\u00e7\u00e3o que ia ser maneiro ele mixar e masterizar, n\u00e3o sem uma breve resist\u00eancia do Marc\u00e3o e do Ric, que n\u00e3o queriam um \u00e1lbum de hardcore mel\u00f3dico padronizado ao estilo americano, mas o Bill n\u00e3o trampa s\u00f3 com bandas assim, e ele se provou um g\u00eanio generoso em fazer um \u00e1lbum ao nosso gosto e com a m\u00e3o mais sensacional que j\u00e1 trampou conosco numa mix e master. Foi isto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou que o \u00c1lvaro Dutra novamente colaborou no processo de composi\u00e7\u00e3o das faixas. De modo geral, quais as contribui\u00e7\u00f5es ele trouxe para a composi\u00e7\u00e3o das letras?<\/strong><br \/>\nEle veio pra dar uma cara mais aberta ao disco, veio pra tornar o disco classudo e n\u00e3o um \u00e1lbum cheio de palavr\u00f5es como eu acho que sairia o \u00e1lbum se s\u00f3 eu escrevesse. Ele ajudou a lapidar ideias, trouxe uma grande parte da profundidade do conceito e ainda ajudou nas melodias junto com o Ric, que me fizeram cantar diferente do que cantei por 27 anos. Fora que ainda foi ao Rio e ficou no est\u00fadio conosco, foi a praia comigo, tomou a\u00e7a\u00ed e me mostrou um monte de banda e autores que n\u00e3o conhecia. Foi perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras de modo geral deste disco soam tamb\u00e9m como uma reposta ao discurso de extrema direita que come\u00e7a a ganhar corpo, invadindo espa\u00e7os que antes n\u00e3o ocupavam como a pr\u00f3pria cena hardcore. Por que isto tem acontecido?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o come\u00e7a a ganhar corpo, a direita neofascista est\u00e1 no poder, ela foi eleita num pleito dist\u00f3pico, cheio de mentiras e fatos fabricados. Os nazis no geral (como chamo 80% da direita brazuca por motivos \u00f3bvios) viram uma possiblidade de retomar o poder pela forma mais escusa e desonesta que j\u00e1 presenciamos na hist\u00f3ria desse pa\u00eds, e ainda com um vernizinho hip\u00f3crita de democr\u00e1tico como tentam vender at\u00e9 hoje. Eles fizeram isso usando as institui\u00e7\u00f5es, as elites, e os conglomerados familiares de m\u00eddia. O Brasil sempre foi um pa\u00eds desigual e manipuladamente conservador, e nessa onda toda o rock, como dizem muitos dos meus amigos punks do abc, sempre foi um fen\u00f4meno de classe m\u00e9dia no Brasil e a classe m\u00e9dia, al\u00e9m de fiadora de v\u00e1rios golpes na nossa hist\u00f3ria, \u00e9 preconceituosa, s\u00f3 n\u00e3o sab\u00edamos que era tanto. Dentro das vertentes do rock, acho pessoalmente que o punk e o hardcore foram os que menos sa\u00edram cagados de discurso burro, elitista equivocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Alyand (ex-baixista do grupo) participou do processo de composi\u00e7\u00e3o de algumas faixas, mas acabou por abandonar a banda por problemas de sa\u00fade. Como foi ter o Ric Mastria (guitarrista do Dead Fish) preenchendo esta lacuna?<\/strong><br \/>\nO Ric j\u00e1 tinha feito isso no \u201cVit\u00f3ria\u201d (2015), o Aly n\u00e3o gravou o pen\u00faltimo \u00e1lbum tamb\u00e9m, ent\u00e3o eu acho que ficou at\u00e9 mais bem resolvido a parte dos graves nesse por que o Ric pode trabalhar eles com tempo, apesar de ser um trampo pesado, gravar dois instrumentos e ainda ficar na pr\u00e9produ\u00e7\u00e3o em casa e no est\u00fadio. O Alyand contribuiu com alguns sons at\u00e9 bem pouco antes de sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a sa\u00edda do Alyand voc\u00eas pensam em colocar algum substituto como integrante oficial ou seguir\u00e3o com m\u00fasicos convidados?<\/strong><br \/>\nTemos o Igor Tsurumaki segurando as cordas nas nossas apresenta\u00e7\u00f5es, estamos amando estar com ele, mas eu pessoalmente n\u00e3o o colocaria como fixo. Ele tem um trampo, tem f\u00e9rias, deve at\u00e9 pagar a previd\u00eancia e n\u00e3o queremos foder a vida de mais um estando nessa banda. Por hora o Neg\u00e3o segue sendo nosso \u00faltimo baixista oficial.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51885\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Dead-Fish-Ponto-Cego-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Dead-Fish-Ponto-Cego-capa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Dead-Fish-Ponto-Cego-capa-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Dead-Fish-Ponto-Cego-capa-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi produzido novamente pelo Rafael Ramos, parceria essa que foi iniciada no &#8220;Zero e Um&#8221; (2004). Quais as contribui\u00e7\u00f5es que ele trouxe para o Dead Fish desta vez?<\/strong><br \/>\nEle tem uma forma e trabalhar que me agrada. \u00c0s vezes ele grita demais (risos), mas \u00e9 parte do trampo. Ele mergulha no processo de forma inacredit\u00e1vel, vive a coisa de forma t\u00e3o intensa que n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ele fez e faz discos t\u00e3o emblem\u00e1ticos, ele \u00e9 realmente um produtor. Opina, briga, d\u00e1 conselhos, come em cima da mesa de som sem parar de trampar e por a\u00ed vai. Ter gravado com ele nesse momento agora com quase 40 anos foi tamb\u00e9m especial por que falamos de filhos, das nossas realidades, do passado quando eles nos gravou com vinte e poucos. Foi perfeito estar l\u00e1 no Rio trancado com o cara no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Ponto Cego&#8221; tamb\u00e9m celebra o retorno da banda para a gravadora Deck Disc. Mesmo com a bem-sucedida campanha de crowdfunding que gerou o &#8220;Vit\u00f3ria&#8221; (2015), por que voc\u00eas optaram por retomar esta parceria?<\/strong><br \/>\nPorque os caras queriam ter essa experi\u00eancia de gravadora, de estar trancado num est\u00fadio e focado s\u00f3 na m\u00fasica. O Ricardo e o Marc\u00e3o nunca tinham vivido isto. Eu pessoalmente fui contra de primeira, porque contrato com gravadora \u00e9 sempre uma merda, e esse n\u00e3o seria diferente, fora que minha obra fica com eles, isso n\u00e3o me agradava, mas os argumentos de todos os lados foram bons, o contrato nem foi a coisa mais horrorosa do mundo pra quem n\u00e3o tinha um puto pra gravar e ainda com a quantidade de garantias que tivemos na Deck. No fim, depois de uma puta press\u00e3o de todo mundo, como sempre cedi, mas n\u00e3o me arrependo porque esse \u00e1lbum n\u00e3o seria como \u00e9 se fiz\u00e9ssemos independente. Enfim, perdi, mas foi uma derrota bonita, brigada, cheia de conversar sinceras e radicais, foi \u00f3timo e estamos todos felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando da produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Ponto Cego&#8221;, o disco foi mixado pelo lend\u00e1rio Bill Stevenson (Black Flag, All, Descendents). Como se deu esta aproxima\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO Dead Fish j\u00e1 havia feito uma tour com o ALL, que \u00e9 outra banda dele, no come\u00e7o dos anos 2000. J\u00e1 \u00e9ramos conhecidos do mano e dos caras da banda, acho que s\u00f3 n\u00e3o conhecemos o Milo pessoalmente. Sempre sonhamos em ter a m\u00e3o do cara fazendo algo nosso desde que gravamos com o Fernando Sanches no Rocha, ele gosta muito do Mr. Stevenson e nos mostrou muita coisa muito boa que ele se envolveu no projeto, fora as coisas que ele produz com a pr\u00f3pria banda, o Descendents, o Rise Against e o Hot Water Music, que s\u00e3o os trampos mais conhecidos. Em 2017, via Fernando Sanches, conseguimos falar com ele no camarim de um show do Descendents no Brasil e ele foi mega atencioso. Quer\u00edamos ir gravar em Denver, ele nos passou os valores, que a d\u00f3lar a R$ 2.50 era muito justo. Ele nos receberia, nos hospedaria, trabalhar\u00edamos por 10 dias e voltar\u00edamos. Isso n\u00e3o deu certo por conta dos golpes que vivemos todos os dias no Brasil. Por mais de um ano desencanamos do Bill e do Blasting Room, a\u00ed no meio da grava\u00e7\u00e3o o Andr\u00e9 Pastura (nosso empres\u00e1rio) falou com o Rafael, que falou com o Jo\u00e3o Augusto, que \u00e9 o Dart vader da porra toda na Dekcdisc, e ele se interessou. Rolou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A trajet\u00f3ria do Dead Fish se aproxima das tr\u00eas d\u00e9cadas de bons servi\u00e7os prestados. Qual \u00e9 for\u00e7a que move a banda para ter uma carreira t\u00e3o longeva?<\/strong><br \/>\nEu sinceramente n\u00e3o sei. S\u00e3o muitas hist\u00f3rias, alguma idade adquirida e um futuro sem aposentadoria vis\u00edvel. S\u00f3 acho que todo mundo que j\u00e1 passou pela banda pode atestar em dizer que estar no palco com o DF \u00e9 algo muito especial. Existe uma energia que vicia a gente, que faz a gente passar 20 horas se fodendo pra ter um enorme prazer por uma. Talvez seja isso&#8230; ainda amo estar no palco, conhecer gente nova, ir a cidades que nunca fui, falar o que eu quiser sobre o que eu quiser e ainda receber por isso. Vendo nesse \u00e2ngulo \u00e9 melhor que qualquer emprego de 9 \u00e0s 19h com um chefe idiota. Sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda tem uma base s\u00f3lida de f\u00e3s, mas \u00e9 comum ver nas redes sociais um discurso de \u00f3dio direcionado a voc\u00eas, em muito devido a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica adotada. Em tempos de dicotomia pol\u00edtica, como voc\u00eas lidam com esta resposta negativa do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nQuando existe um discurso de \u00f3dio direcionado a algu\u00e9m hoje, \u00e9 algo bastante revelador. Quero estar ao lado das pessoas que sofrem com o discurso de \u00f3dio da direita tosca brazuca, porque essas pessoas est\u00e3o lutando pela mesma coisa que n\u00f3s lutamos desde 91. Por igualdade pra todos, pelo fim do racismo, por uma democracia abrangente e n\u00e3o essa fake que estamos vivendo. Essa galera que patrocina rob\u00f4s pra espalhar fake news, que aplaudem o assassinato da Marielle, por exemplo, n\u00e3o nos interessa. Se eles quiserem mudar totalmente, ok, mas enquanto estiverem com essa forma de pensar, temos diferen\u00e7as irreconcili\u00e1veis e quero essa gente longe, pois s\u00e3o t\u00f3xicas, equivocadas. E mais, n\u00f3s temos absoluta certeza que estamos totalmente do lado certo da hist\u00f3ria, porque temos pessoas muito boas, sem \u00f3dio, questionadoras, inteligentes e greg\u00e1rias por perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena punk\/hardcore j\u00e1 vivera tempos \u00e1ureos em meados dos anos 90\/2000 e hoje enfrenta um cen\u00e1rio carente de espa\u00e7os e de exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Alheios a isso, voc\u00eas t\u00eam uma agenda cheia de apresenta\u00e7\u00f5es e um p\u00fablico fidelizado. Para quem viveu intensamente esta \u00e9poca como voc\u00ea v\u00ea os tempos atuais?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o outros tempos e outros formatos de tudo. Os garotos s\u00e3o mais livres pra produzirem sua m\u00fasica, ao mesmo tempo n\u00e3o se exp\u00f5em tanto fora de casa e fazem menos pra que apresenta\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am. O rock tamb\u00e9m perdeu muita relev\u00e2ncia por talvez ter envelhecido mal, isso \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o. Eu pessoalmente acho que chegamos at\u00e9 aqui por que gostamos do que fazemos, ningu\u00e9m nunca contava l\u00e1 atr\u00e1s de viver de m\u00fasica e somos gratos pela moral dos \u00faltimos 28 anos que temos com o p\u00fablico. Aprendemos errando pra cassete, entendendo o nosso tamanho e jogando o jogo ano ap\u00f3s ano. Acredite, ainda \u00e9 divertido estar no palco, se n\u00e3o fosse n\u00e3o estar\u00edamos mais aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda \u00e9 um dos maiores exemplos do cen\u00e1rio nacional de que \u00e9 poss\u00edvel se estabelecer com artista independente. Prova disso \u00e9 o fato de que o DF j\u00e1 se apresentou por todo o Brasil, toca em festivais importantes e lan\u00e7am discos elogiados. H\u00e1 algo que voc\u00eas ainda n\u00e3o realizaram e pretendem alcan\u00e7ar?<\/strong><br \/>\nMuitas coisas. Esse disco com conceito \u00e9 algo que sempre quis fazer. Eu ainda quero andar por muitos lugares no Brasil, quero fazer algo pela Am\u00e9rica do Sul que seja relevante pra gente, quero tocar de novo na Europa, quem sabe \u00c1sia, eu ainda quero estar na estrada, meus amigos pessoais hoje s\u00e3o todos gente da estrada. Tenho o melhor trampo do mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dead Fish - A Inevita?vel Mudanc?a\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLxktlgWwbTyt9VeEnvXj8MGlelo-9Qs_U\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Marcelo Marafante \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lan\u00e7ado no final de maio, &#8220;Ponto Cego&#8221;, o oitavo (e urgente) \u00e1lbum do grupo mant\u00e9m a sonoridade cl\u00e1ssica da banda, mas traz em suas letras uma an\u00e1lise pontual do momento nefasto e de retrocesso que o Brasil vive atualmente.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/05\/entrevista-dead-fish-fala-sobre-ponto-cego-nazis-e-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":51882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3810],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51881"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51881"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52194,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51881\/revisions\/52194"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}