{"id":51853,"date":"2019-06-03T09:40:39","date_gmt":"2019-06-03T12:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51853"},"modified":"2019-07-01T01:37:45","modified_gmt":"2019-07-01T04:37:45","slug":"faixa-a-faixa-o-terceiro-da-jorge-cabeleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/03\/faixa-a-faixa-o-terceiro-da-jorge-cabeleira\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: O terceiro disco da Jorge Cabeleira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>introdu\u00e7\u00e3o por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rock nacional anos 90 nasceu amparado numa prolifera\u00e7\u00e3o de pequenos selos ligados a grandes gravadoras que pariram 90% da m\u00fasica que importava naquela d\u00e9cada. Do Banguela Records, ligado a Warner, sa\u00edram Raimundos, Mundo Livre S\/A, Maskavo Roots, Little Quail and ad Birds e Graforreia Xilarm\u00f4nica. Do Chaos, subselo da Sony Music (derivado da filial americana que havia lan\u00e7ado bandas como Soul Asylum e Ned\u2019s Atomic Dustbin), vieram Skank, Gabriel O Pensador e Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Dentro do Chaos havia ainda um outro subselo (uma coisa meio \u201cinception\u201d), o SuperDemo (do festival de Elza Cohen) que lan\u00e7ou os discos de estreia de Planet Hemp e da banda recifense Jorge Cabeleira e o Dia Em Que Seremos Todos In\u00fateis, que retorna <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3XUY2SfczqEKnTSdJAhg3y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com seu terceiro \u00e1lbum de in\u00e9ditas<\/a> ap\u00f3s 18 anos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 1995, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0kv3RivVbuUTXjtIEj4t9w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o disco de estreia da Jorge Cabeleira<\/a> \u00e9 uma pequena obra prima de rock rural daqueles anos doidos. No Folhateen, caderno \u201cjovem\u201d da Folha de S\u00e3o Paulo, o jornalista Andr\u00e9 Forastieri tentava resumir o som: \u201cJorge Cabeleira \u00e9 rock nordestino, no sentido que Alceu Valen\u00e7a \u00e9 rock nordestino. Ensolarado, animado, progressivo, mas roqueiro\u201d. A cacetada \u201c12 Badaladas\u201d, pancada que abre o disco, \u00e9 um bom cart\u00e3o de visitas, mas o disco ainda trazia uma doce faixa de levada ac\u00fastica que explodia em guitarradas (\u201cNervoso na Beira do Mar\u201d), al\u00e9m de covers poderosas para can\u00e7\u00f5es de Alceu (\u201cSol e Chuva\u201d), Z\u00e9 Ramalho (\u201cOs Segredo de Sum\u00e9\u201d, do m\u00edtico disco \u201cPaebir\u00fa\u201d) al\u00e9m de um pot pourri que juntava dois forr\u00f3s arretados \u2013 \u201cO Cheiro da Carolina\u201d e \u201cO Xote das Meninas\u201d \u2013 em vers\u00e3o hardcore (e que foi o hit do disco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demorou seis anos para a banda lan\u00e7ar o segundo \u00e1lbum, o excelente \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=B3HkCqkQt4o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alugam-se Asas Para o Carnaval<\/a>\u201d (2001), e logo depois o grupo entrou em recesso, retornando \u00e0s v\u00e9speras de festejar 20 anos de banda com a colet\u00e2nea \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4PZeSB90Dw8jgN6pP4XJY0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Trazendo Luzes Eternas<\/a>\u201d (2014) e circular por festivais, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/15\/balanco-festival-dosol-2014-natal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como no Do Sol 2014<\/a>, em Natal, mostrando que ainda tinha muita lenha para queimar. 18 anos depois do segundo disco, a Jorge Cabeleira lan\u00e7a \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3XUY2SfczqEKnTSdJAhg3y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">III<\/a>\u201d (2019), que foi antecipado por uma vers\u00e3o de \u201cTalism\u00e3\u201d, de Geraldo Azevedo e Alceu Valen\u00e7a, que ganhou a participa\u00e7\u00e3o especial do conterr\u00e2neo Tagore. O disco \u00e9 composto por oito can\u00e7\u00f5es e tem um pouco mais de 30 minutos. O que segundo Dirceu Melo, vocalista e guitarrista da banda, n\u00e3o foi algo proposital. \u201cPensamos: \u2018Bom, j\u00e1 passamos de um ano de trabalho, vamos fechar, n\u00e9?\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de feitura das m\u00fasicas e grava\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2017 e seguiu at\u00e9 o final de 2018. \u201cNossa \u00fanica condi\u00e7\u00e3o quando decidimos fazer o disco foi de que ele teria de ser um disco foda\u201d, comenta o vocalista. \u201cPara isso n\u00e3o trabalhamos com nenhum tipo de press\u00e3o ou prazo, al\u00e9m do tempo necess\u00e1rio para que ating\u00edssemos um resultado que a gente pudesse nos orgulhar depois, assim como temos esse orgulho dos dois anteriores\u201d, explica Dirceu, que ao lado de Rodrigo Coelho (baixo) e Pedro Mesel (percuss\u00e3o e vocal) forma o n\u00facleo da forma\u00e7\u00e3o original que fundou a banda em 1994 \u2013 completam a banda Everton Belisca (bateria) e Ricardo Le\u00e3o (guitarra). Abaixo, Dirceu Melo e Rodrigo Coelho comentam faixa a faixa <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3XUY2SfczqEKnTSdJAhg3y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o novo disco<\/a>!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51854\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jorgecabeleira3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jorgecabeleira3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jorgecabeleira3-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jorgecabeleira3-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Jorge Cabeleira III<\/strong><br \/>\n<strong>Faixa a faixa com Dirceu Melo e Rodrigo Coelho<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caminho Imagin\u00e1rio \u2013<\/strong> Escolhemos essa para abrir o disco justamente porque mostramos muito de nossa identidade nessa m\u00fasica. Um riff de guitarra pesado na abertura, bem anos 70. \u00c9poca pr\u00e9-heavy metal inspirado em bandas como Led Zepellin e Deep Purple, seguindo para um groove de bateria e divis\u00e3o r\u00edtmica do bai\u00e3o, passando por escalas \u00e1rabes e alguns acordes, com notas abertas que permeiam toda a figura harm\u00f4nica, tudo emoldurando uma letra bastante psicod\u00e9lica, tratando-se do \u201cCaminho Imagin\u00e1rio\u201d que a mente faz quando se permite viajar \u201cem torno da fogueira\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Homem no Canto do Bar \u2013<\/strong>\u00a0Essa foi a primeira m\u00fasica que escrevi quando decidi voltar a compor para a Jorge Cabeleira, a primeira que mostrei pra Coelho e Mesel na nossa primeira reuni\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o. Ela j\u00e1 nasceu bem formatada, numa levada bluseira para a primeira parte com direito a afina\u00e7\u00e3o aberta e slide de guitarra. Evoluindo para outras partes mais hard-rock mel\u00f3dico e funkeado que me lembra um pouco o Red Hot Chilli Peppers. Finalizando com uma parte instrumental viajandona com acordes progressivos onde tamb\u00e9m inserimos uma escaleta para completar a harmonia junto das guitarras e do baixo line 6 de Coelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doce Sombra \u2013<\/strong> Essa \u00e9 uma das m\u00fasicas que foram formatadas com uma estrutura b\u00e1sica que saiu de jams no est\u00fadio. Uma m\u00fasica mais leve com uma letra e atmosfera melanc\u00f3licas, que mostram bastante de nossa admira\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia pelo Radiohead, para mim, uma das minhas preferidas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Cabeleira &amp; Tagore -  Talism\u00e3\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PnJKokldOlw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talism\u00e3 \u2013<\/strong> Foi a m\u00fasica de \u201cesquenta\u201d para o disco. Lan\u00e7ada no final do ano passado. Uma releitura rock do cl\u00e1ssico dos anos 70 do primeiro disco da carreira de Alceu Valen\u00e7a e Geraldo Azevedo, o \u201cQuadraf\u00f4nico\u201d. A ideia de fazer uma releitura para ela nasceu de canjas com Tagore quando toc\u00e1vamos ela no viol\u00e3o em duas vozes simult\u00e2neas e ficou t\u00e3o bacana que decidimos fazer uma vers\u00e3o para ela. Na vers\u00e3o usamos refer\u00eancias psicod\u00e9licas como Neil Young e Tame Impala para chegarmos na pegada que desej\u00e1vamos para a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ar\u00e1bica \u2013<\/strong> Essa m\u00fasica foi toda estruturada por Coelho em cima de uma escala harm\u00f4nica \u00e1rabe, como o pr\u00f3prio nome da m\u00fasica j\u00e1 diz. A divis\u00e3o r\u00edtmica dela segue muito do trabalho de produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica eletr\u00f4nica que Coelho faz em seus projetos como o Grassmass. Com a adi\u00e7\u00e3o de instrumentos como a viola \u201cDobro\u201d em afina\u00e7\u00e3o nordestina e a \u201cBaglama\u201d, instrumento de cordas turco. Conseguimos chegar a uma sonoridade bem diferente de tudo que a banda j\u00e1 tinha feito antes. Montada essa estrutura da m\u00fasica, foi s\u00f3 deixar a imagina\u00e7\u00e3o correr solta para a letra, que \u00e9 compacta, se encaixando cada palavra na m\u00fasica com uma preocupa\u00e7\u00e3o mais r\u00edtmica de como a palavra soa do que propriamente do que a palavra diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brilho \u2013<\/strong>\u00a0Essa m\u00fasica foi toda composta em uma jam que fizemos e gravamos a quase 3 anos, escrevendo uma letra inspirada em c\u00e2nticos do \u201cSanto Daime\u201d e colocando na m\u00fasica na hora mesmo que est\u00e1vamos fazendo, nem t\u00ednhamos a inten\u00e7\u00e3o de gravar outro disco nem nada, mas a m\u00fasica ficou t\u00e3o bacana que ficou na manga para uma oportunidade e ela apareceu pro disco. Tem uma pegada bem Ledzepelliana na sua origem, a\u00ed em est\u00fadio resolvemos fazer uma parte B para ela em Dub, outro estilo que curtimos muito tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mamaterial \u2013<\/strong> Perto de metade do disco foi criada em jams de est\u00fadio, e levadas depois pra UIVO (produtora de Coelho em S\u00e3o Paulo) pra editar e montar um esqueleto, que foi coberto nas viagens subsequentes a Recife. \u201cMamaterial\u201d saiu de um riff meio stoner, e foi a \u00faltima a entrar no \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sete Quedas \u2013 <\/strong>Tamb\u00e9m surgiu de uma ideia durante as jams do come\u00e7o do \u00e1lbum, destinadas a criar mais m\u00fasicas e completar o repert\u00f3rio. \u00c9 um tema em 7\/8 que reflete bem esse estilo meio m\u00e2ntrico\/modal das composi\u00e7\u00f5es de Coelho. Montamos os arranjos em volta, e ficou t\u00e3o bom que decidimos que essa deveria ser s\u00f3 instrumental, na tradi\u00e7\u00e3o do que fizemos no disco passado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Cabeleira - Lyric v\u00eddeo de CAMINHO IMAGIN\u00c1RIO - Disco III - 2019\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IuXgFtBHERA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"18 anos ap\u00f3s seu segundo \u00e1lbum de in\u00e9ditas, a Jorge Cabeleira e o Dia Em Que Seremos Todos In\u00fateis apresenta &#8220;III&#8221;, seu terceiro disco. 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