{"id":51840,"date":"2019-05-31T11:03:08","date_gmt":"2019-05-31T14:03:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51840"},"modified":"2019-07-02T00:08:33","modified_gmt":"2019-07-02T03:08:33","slug":"alessandra-leao-comenta-faixa-a-faixa-seu-novo-disco-macumbas-e-catimbos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/31\/alessandra-leao-comenta-faixa-a-faixa-seu-novo-disco-macumbas-e-catimbos\/","title":{"rendered":"Alessandra Le\u00e3o comenta faixa a faixa seu novo disco, &#8220;Macumbas e Catimb\u00f3s&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>introdu\u00e7\u00e3o por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantora, percussionista e compositora pernambucana radicada em S\u00e3o Paulo, Alessandra Le\u00e3o mergulha na religiosidade em seu novo disco, \u201c<a href=\"https:\/\/www.alessandraleao.com.br\/discografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Macumbas e Catimb\u00f3s<\/a>\u201d (2019), um disco que nasceu de uma sess\u00e3o de improviso de m\u00fasica e artes visuais a partir das macumbas e catimb\u00f3s em 2017, virou show (\u201cPedi autoriza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o aos meus guias, pedi amparo aos meus pais de santo, Luiz Soliano e Marilda Soliano e ao povo do Quiguiri\u00e7\u00e1\u201d, ela conta) e, agora, ganha formato de disco em 15 can\u00e7\u00f5es percussivas, fortes e acompanhadas por um livro assinado por Ju\u00e7ara Mar\u00e7al (<a href=\"https:\/\/issuu.com\/alessandra_leao\/docs\/macumbasecatimbos_issu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">leia aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisei de 40 anos para faz\u00ea-lo\u201d, conta Alessandra <a href=\"https:\/\/www.alessandraleao.com.br\/firmei-meu-ponto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">no bel\u00edssimo texto sobre o disco<\/a> em seu site oficial, em que ela relembra sua trajet\u00f3ria religiosa, nascida \u201cnuma fam\u00edlia cat\u00f3lica como religi\u00e3o, Kardecista por filosofia e pr\u00e1tica\u201d, passando pela fase ateia de duvidar e negar tudo at\u00e9 adentrar a \u201cZona da Mata Norte de Pernambuco e l\u00e1 o Cavalo Marinho, Maracatu de Baque Solto, Coco, Ciranda\u201d e mergulhar em sua primeira \u201csambada de maracatu\u201d, que ap\u00f3s um triste epis\u00f3dio que permitiu a ela entender \u201co sagrado da m\u00fasica e da arte diante da vida e da morte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alessandra despontou com o grupo Comadre Fulozinha, ao lado das parceiras Isaar e Karina Buhr. Estreou solo com \u201cBrinquedo de Tambor\u201d (2006) e seguiu com \u201cFolia de Santo\u201d (2008), \u201cDois Cord\u00f5es\u201d (2009) e a trilha sonora \u201cGuerreiras\u201d (2010) at\u00e9 mergulhar na trilogia de EPs \u201cPedra de Sal\u201d (2014), \u201cA\u00e7o\u201d (2015) e \u201cL\u00edngua\u201d (2016) \u2013 os tr\u00eas EPs <a href=\"https:\/\/www.alessandraleao.com.br\/discografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edveis para download gratuito e audi\u00e7\u00e3o no site da artista<\/a>. Para ela, \u201cMacumbas e Catimb\u00f3s\u201d (2019) \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o, uma oferenda. \u201c\u00c9 um presente que ofere\u00e7o aos Orix\u00e1s, aos guias e entidades que trabalham, dan\u00e7am, cantam, receitam, orientam e curam. Este disco \u00e9 presente \u00e0s for\u00e7as que me guiam\u201d, ela avisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, Alessandra Le\u00e3o comenta faixa a faixa este emocionante \u201cMacumbas e Catimb\u00f3s\u201d, gravado na companhia de Abuhl Jr. e Maur\u00edcio Bad\u00e9. Quem assina a capa \u00e9 Juliana Godoy, que tamb\u00e9m ficou respons\u00e1vel pela cenografia, al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o de arte junto com Marcelo Gandhi e a pr\u00f3pria Alessandra. A fotografia \u00e9 de Bia Varella. A finaliza\u00e7\u00e3o de V\u00e2nia Medeiros e Gabriel Quint\u00e3o. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51841 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/macumbasecatimbos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/macumbasecatimbos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/macumbasecatimbos-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/macumbasecatimbos-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>MACUMBAS E CATIMB\u00d3S<\/strong><br \/>\n<strong>faixa a faixa por Alessandra Le\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de comentar faixa a faixa, sempre acho importante esclarecer que esse repert\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 uma gira, nem um xir\u00ea. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o e uma oferenda! Da sequencia que se faz tradicionalmente nos rituais, s\u00f3 mantive a abertura para quem se deve cantar primeiro, Exu e Ogum, e o fechamento tamb\u00e9m cantando pra quem se deve, Oxal\u00e1 e para o tambor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando como ponto de partida a raiz profunda da m\u00fasica da Jurema ou Catimb\u00f3 e do Candombl\u00e9 Nag\u00f4, do Nordeste \u2013 sobretudo de Pernambuco \u2013 e da m\u00fasica da Umbanda, do Sudeste \u2013 mais especificamente de S\u00e3o Paulo; processando com as nossas \u2013 minha, de Maur\u00edcio Bad\u00e9, Abuhl Junior e Ca\u00ea Rolfsen \u2013 experi\u00eancias como m\u00fasicos profissionais; partimos dessa encruzilhada de possibilidades para pensar em cada camada e timbre. Do repert\u00f3rio aos arranjos, da maneira de gravar, de processar eletronicamente, de mixar e de masterizar esse disco, para que ele tivesse a for\u00e7a e o impacto que esse tipo de m\u00fasica, que essas energias e que esses tambores tem ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de um universo t\u00e3o imenso de entidades e Orix\u00e1s, a escolha de para quem cantaria nesse disco se deu seguindo a intui\u00e7\u00e3o, ouvindo o que foi soprado aos nossos ouvidos. A cada passo, um pedido, uma autoriza\u00e7\u00e3o pra avan\u00e7ar ou uma orienta\u00e7\u00e3o para repensar, assim foi feito esse &#8220;Macumbas e Catimb\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alessandra Le\u00e3o - Macumbas e Catimb\u00f3s\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL8EaHn_WNh-2Wmq0w9YDee3cb0S94iTnS\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Exu chega \/ Exu guerreiro \/ Sete Encruzilhadas (Alessandra Le\u00e3o \/ Trad. Umbanda)<\/strong><br \/>\nExu \u00e9 o sentinela, o movimento, o mensageiro, guardi\u00e3o dos caminhos.<br \/>\nA primeira m\u00fasica que abre o disco \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o minha para os caminhos que Exu abre n\u00e3o apenas \u00e0 frente, mas pra dentro de n\u00f3s. O segundo ponto \u00e9 uma sauda\u00e7\u00e3o e um convite pra que ele venha trabalhar. O terceiro, pro seu Sete Encruzilhadas, me foi cantado pelo meu pai no santo Luiz Quiguiri\u00e7\u00e1, numa conversa por telefone, no dia seguinte ao segundo turno da elei\u00e7\u00e3o de 2018. Havia mandado uma mensagem chorando e ele me respondeu cantando esse ponto, pra lembrar que levantaremos quantas vezes for preciso. \u00c9 a grava\u00e7\u00e3o que ele me enviou naquele dia que ouvimos no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Ogum est\u00e1 de ronda (Alessandra Le\u00e3o)<\/strong><br \/>\nOgum \u00e9 o dono dos tambores. \u00c9 a ele que pedimos e agradecemos ao tocar. Fiz essa m\u00fasica rezando pro meu irm\u00e3o Daniel, que tamb\u00e9m \u00e9 percussionista e filho de Ogum, assim como eu. Durante a produ\u00e7\u00e3o do disco, recebi de presente um \u00e1udio dele cantando com seus alunos em Fortaleza. Acordei ouvindo ele cantar t\u00e3o lindo v\u00e1rios pontos e na tarde do mesmo dia, trabalhando com Ca\u00ea Rolfsen (que assina a produ\u00e7\u00e3o musical comigo), chegamos nessa m\u00fasica. Havia um trecho instrumental que t\u00ednhamos gravado para pensar em alguma voz depois. Tentamos algumas coisas e nada ficava muito bom, at\u00e9 que Ca\u00ea disse: \u201cTemos um \u00e1udio do irm\u00e3o, ser\u00e1 que n\u00e3o tem nada para essa m\u00fasica que fala do irm\u00e3o?\u201d. Achamos um ponto que ele cantava para Ogum e para nossa emo\u00e7\u00e3o, era exatamente do tamanho do trecho que havia na m\u00fasica e praticamente no mesmo tom e andamento. Nao mexemos em nada da grava\u00e7\u00e3o dele, s\u00f3 sobrepomos e estava pronto. Era mesmo para ele estar conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Awa aabo \/ Vou levar flores \/ Pontos para Iemanj\u00e1 (Tradicional Candombl\u00e9 e Umbanda)<\/strong><br \/>\nIemanj\u00e1 \u00e9 a m\u00e3e, a rainha dos mares, dos oceanos, dona das \u00e1guas e da fertilidade. O primeiro korin gravado aqui, aprendi com Alexandre Garniz\u00e9, e \u00e9 um agradecimento pela prote\u00e7\u00e3o recebida. A segunda m\u00fasica \u00e9 um ponto que adaptei e canto a muitos anos. Quando decidi grav\u00e1-lo, me veio a presen\u00e7a de Lia de Itamarac\u00e1, que sou f\u00e3 desde que me entendo por gente. Depois de algumas tentativas e choques na agenda, abriu-se um portal e conseguimos nos encontrar e gravar juntas em Recife, na v\u00e9spera do dia de Iemanj\u00e1. N\u00e3o sou de acreditar em rainhas, mas em Iemanj\u00e1 e em Lia eu acredito. O terceiro momento dessa faixa, \u00e9 uma s\u00e9rie de pontos cantados no Terreiro Xamb\u00e1, em Olinda, comandado pelo Babalorix\u00e1 Ivo de Oxum. \u00c9 minha homenagem e agradecimento \u00e0 esta casa que me acolhe h\u00e1 tantos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Corre um rio em mim (Alessandra Le\u00e3o)<\/strong><br \/>\nOxum \u00e9 a m\u00e3e das \u00e1guas doces, da fartura, da beleza, da abund\u00e2ncia, dos prazeres, da alegria e sensibilidade e do amor. Oxum \u00e9 m\u00e3e da minha m\u00e3e Gra\u00e7a. \u00c9 para as duas que fiz essa m\u00fasica. Para esse colo f\u00e9rtil e protetor, para o colo que eu sei que sempre posso contar e ela vem me cuidar e que sempre me mostra como levantar e a import\u00e2ncia celebrar e dan\u00e7ar. Essa m\u00fasica \u00e9 um rio que corre em cada uma de n\u00f3s. \u00c9 para Oxum e para a minha m\u00e3e que tamb\u00e9m \u00e9 minha irm\u00e3 de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Tua m\u00e3o, minha cabe\u00e7a (Alessandra Le\u00e3o)<\/strong><br \/>\nXang\u00f4, Orix\u00e1 da justi\u00e7a que tanto precisamos por perto. Dono dos trov\u00f5es e das pedreiras. Compus essa m\u00fasica pedindo, sentindo e agradecendo sua for\u00e7a e energia sobre mim, sobre minha cabe\u00e7a e meu corpo. Tanto os ensaios E grava\u00e7\u00f5es com Maur\u00edcio Bad\u00e9 e Abuhl Jr. quanto na grava\u00e7\u00e3o do coro com L\u00edvia Mattos, Lenna Bahule, Karina Buhr, Isaar, Manu Maltez e Ca\u00ea Rolfsen, aconteceram nessa mesma sintonia de for\u00e7a e festa que Xang\u00f4 representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6. Abre a mata, Ox\u00f3ssi (Alessandra Le\u00e3o e Abuhl Jr)<\/strong><br \/>\nA energia de Ox\u00f3ssi e dos caboclos esteve e est\u00e1 muito presente desde o in\u00edcio do processo. Um dia, cuidando de uma samambaia na casa de Juliana Godoy (que assina a capa, cenografia e co-dire\u00e7\u00e3o de ate), comecei a cantar \u201cAbre a mata, Ox\u00f3ssi \/ Pra eu passar \/ Na noite escura, Od\u00e9 \/ Clareia\u201d. Fiquei muito tempo cantarolando isso. Dias depois, numa passagem de som, comentei com Abuhl, filho de Ox\u00f3ssi, que havia feito essa m\u00fasica e que queria cant\u00e1-la naquela noite. Ele me falou que tamb\u00e9m tinha feito uma m\u00fasica dias antes e me mostrou \u201cNa mata eu vi \/ Os caboclos assobiando \/ Disseram que foi \/ Ox\u00f3ssi atirando\u201d, na hora entendemos que era a mesma m\u00fasica! Foi a \u00faltima faixa que gravamos no disco, e decidimos que ser\u00edamos apenas n\u00f3s tr\u00eas: um ilu, um ab\u00ea e eu e Maur\u00edcio Bad\u00e9 cantando. Durante a mix, sentimos que havia um espa\u00e7o a ser ocupado ainda e assim, Bruno Prado nos deu esse presente de gravar nessa faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7. Ponto para Malunguinho (Tradicional Jurema)<\/strong><br \/>\nNa Jurema, Malunguinho \u00e9 Reis, \u00e9 pra ele que se canta primeiro. Jurema \u00e9 religi\u00e3o de Caboclos, de \u00edndios que se encantaram. Malunguinho \u00e9 entidade poderosa. Essa foi a primeira m\u00fasica que eu e Ca\u00ea Rolfsen come\u00e7amos a pr\u00e9-produzir. Eu j\u00e1 vinha com a ideia de usar a voz como texturas e timbres nos arranjos. Ao gravar Malunguinho, come\u00e7amos a testar esse caminho, com essas vozes que muitos caboclos se apresentam quando est\u00e3o em terra. Esse faixa abre a linha da Jurema no disco e quem vai na frente \u00e9 Malunguinho e os caboclos, como deveria ser!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8. Cabocla de Pena (Tradicional Jurema)<\/strong><br \/>\nCaminhos abertos, convidamos as caboclas trabalharem primeiro! A for\u00e7a da Jurema, das mulheres e da mata. Esse ponto \u00e9 cantado at\u00e9 hoje nos terreiros de Jurema, mas eu o conheci atrav\u00e9s do disco Itiner\u00e1rio Musical do Nordeste, gravado pela Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco nos anos 1970 e lan\u00e7ada em 2010, tenho cantado ele desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9. Caboclo arreia (Tradicional Jurema e Cavalo Marinho)<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 uma toada pro Caboclo de Arub\u00e1, cantada no Cavalo Marinho e tamb\u00e9m nos terreiros de Jurema. Desde os anos 1990 que vejo Mestre Biu Alexandre, mestre e capit\u00e3o do Cavalo Marinho Estrela de Ouro, de Condado, \u201cbotar a figura\u201d do Caboclo de Arub\u00e1, e dan\u00e7ar inteiro em cima dos cacos de vidro, pra mostrar o corpo fechado. Essa dan\u00e7a \u00e9 das imagens mais lindas da vida, vi tantas vezes e n\u00e3o canso de ver. Esse ponto tamb\u00e9m \u00e9 cantado em alguns terreiros de Jurema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. No p\u00e9 da Jurema (Tradicional Catimb\u00f3)<\/strong><br \/>\nCanto esse ponto h\u00e1 anos, ele foi gravada originalmente com o nome de Toada de Mestra Leonor, pela Miss\u00e3o de Pesquisas Folcl\u00f3ricas de 1938, em Jo\u00e3o Pessoa, PB, cantada por Luiz Gonzaga \u00c2ngelo. N\u00e3o encontrei em Pernambuco nenhum juremeiro que conhecesse, n\u00e3o sei se na Paraiba ainda \u00e9 cantado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11. Vamos, meu Mestre (Tradicional Jurema)<\/strong><br \/>\nQuando decidi fazer esse disco, voltei para Pernambuco para ouvir mais do repert\u00f3rio da Jurema ou Catimb\u00f3. Aprendi muito com Alexandre L\u00b4Omi L\u00b4Odo, que me levou para conhecer o terreiro de Dona Ala\u00edde de Benedito Fuma\u00e7a (em mem\u00f3ria), importante juremeira, que vivia em Caruaru, e seu sobrinho Pai Cacau, que al\u00e9m de Babalorix\u00e1 e Mestre de Jurema, \u00e9 um cantor impressionante. Nesses mesmos dias, L\u00b4Omi me apresentou a Paulinho Carrapeta, grande conhecedor dos pontos e dono de uma voz arrebatadora. Esse ponto, cantado tanto para despedida, quanto para a chegada dos Mestres, me foi ensinado por Paulinho em meio a tantos outros que eles me ensinaram nesses encontros! Para a grava\u00e7\u00e3o, convidei Mestre Sapopemba, alagoano radicado em S\u00e3o Paulo, criado em meio ao Candolemb\u00e9 e da Jurema. Seu conhecimento sobre esse repert\u00f3rio \u00e9 imenso, sua presen\u00e7a, sua voz com esses aboios chama os Mestres e acende uma luz na minha alma. \u00c9 uma honra enorme t\u00ea-lo aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12. Abre a porta \/ Boiada de 31 (Tradicional Umbanda)<\/strong><br \/>\nDois pontos para Boiadeiro que cantamos l\u00e1 no meu terreiro. A chegada dele \u00e9 sempre motivo de festa e alegria. Conversei muito com ele sobre esse disco, sobre cada passo. Me encorajou a seguir adiante, me amparou quando me assustei, me disse para refazer alguns passos e ver o que n\u00e3o t\u00ednhamos visto ainda. Canto esses pontos como um agradecimento imenso a esse encontro com o Boiadeiro e ao Recanto Quiguiri\u00e7\u00e1. A sua chegada \u00e9 mesmo sempre motivo de festa e de alegria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13. Ponto para Preto Velho (Tradicional Umbanda)<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 um ponto que, l\u00e1 no terreiro, cantamos em trabalhos espec\u00edficos. Um canto de limpeza, de acalento e esperan\u00e7a. Um canto que sempre me levou a um estado meditativo profundo. Quis grav\u00e1-lo assim, como (e com) um cochicho, um conselho, um abra\u00e7o de Preto Velho. Precisava de Mateus Aleluia comigo nesse abra\u00e7o. Da sua voz e sabedoria, da calma e da for\u00e7a da sua presen\u00e7a, da generosidade do seu sorriso. Esse foi e \u00e9 um presente do tempo, um presente de Preto Velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14. Hasteia a bandeira (Tradicional Umbanda)<\/strong><br \/>\nOxal\u00e1 \u00e9 o pai, e \u00e9 ele quem fecha as giras. Esse \u00e9 um ponto antigo da Umbanda, cantamos sempre juntos l\u00e1 no terreiro. E era com eles, com minha fam\u00edlia de santo, como fazemos toda semana, com meus pais Luiz Quiguiri\u00e7\u00e1 e Marilda Soliano; com minhas irm\u00e3s Viviane e Camila Soliano; com Thalles e Vitor Soliano, og\u00e3s ou corimbeiros da casa h\u00e1 muito mais tempo do que eu; era com eles representando todo o povo do Quiguiri\u00e7\u00e1, que precisava gravar esse ponto, assim juntos, na mesma sala, nos olhando nos olhos e celebrando os encontros e nossa f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>15. Firmei meu ponto \/ Ponto pro tambor (pontos tradicionais da Umbanda, Jurema e Candombl\u00e9)<\/strong><br \/>\nEsse disco da ordem do tempo e dos encontros. Ao longo desse processo, gravei e recebi \u00e1udios com as vozes de Nice Firmino, Dona Ala\u00edde de Benedito Fuma\u00e7a (em mem\u00f3ria), Tia Maria de Guin\u00e9, Alexandre L&#8217;omi, Pai Cacau, Paulinho Carrapeta, Pai Ivo de Oxum, Guitinho, Gra\u00e7a Le\u00e3o, Laura Tamiana, Alexandre Garniz\u00e9, Anelis Assump\u00e7\u00e3o, Geraldo Barbosa, Daniel Le\u00e3o, Ma\u00edca Soares, Luiz Paix\u00e3o, Man\u00e9 Roque e Felipe C\u00e2ndido. Essa faixa conta sonoramente esse caminho, as vozes da maioria deles aparece aqui, e todos est\u00e3o em partes fundamentais dessa jornada. Para fechar o disco, um ponto para o tambor, para agradecer a ele pelo tanto que nos oferece e possibilita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sarav\u00e1<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51842\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Alessandra_Leao_Foto_Bia_Varella_3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Alessandra_Leao_Foto_Bia_Varella_3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Alessandra_Leao_Foto_Bia_Varella_3-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cantora, percussionista e compositora pernambucana Alessandra Le\u00e3o mergulha na religiosidade em seu novo disco, \u201cMacumbas e Catimb\u00f3s\u201d (2019), um disco que nasceu de uma sess\u00e3o de improviso de m\u00fasica e artes visuais a partir das macumbas e catimb\u00f3s em 2017 e agora ganha registro oficial!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/31\/alessandra-leao-comenta-faixa-a-faixa-seu-novo-disco-macumbas-e-catimbos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":51843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1773],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51840"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51840"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51840\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51845,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51840\/revisions\/51845"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}