{"id":51761,"date":"2019-05-24T00:02:58","date_gmt":"2019-05-24T03:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51761"},"modified":"2019-06-18T08:48:52","modified_gmt":"2019-06-18T11:48:52","slug":"entrevista-lara-aufranc-o-segundo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/24\/entrevista-lara-aufranc-o-segundo-disco\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lara Aufranc, o segundo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2cBwujE9H9CL6ECIv9BGH6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eu Voc\u00ea Um N\u00f3<\/a>\u201d (2019, YB Music) \u00e9 o mais novo disco de Lara Aufranc. Ex-vocalista da banda de r&amp;b Lara e os Ultraleves, a cantora e compositora paulistana lan\u00e7a um segundo \u00e1lbum em carreira solo com mais seguran\u00e7a e consist\u00eancia e com uma identidade sonora mais bem definida. Ainda assim, n\u00e3o se pode definir o disco (nem sua carreira como um todo) em apenas um estilo musical.\u00a0 Lara, que tamb\u00e9m \u00e9 cineasta, atriz e locutora, tem influ\u00eancias das mais variadas, indo da MPB ao rock alternativo, de Tom Z\u00e9 a Tom Waits.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, \u201cEu Voc\u00ea Um N\u00f3\u201d \u00e9 uma obra de questionamentos, como por exemplo, a culpabiliza\u00e7\u00e3o da nudez feminina pela sociedade \u2013 j\u00e1 no clipe de \u201cLlena de \u00c1gua\u201d, m\u00fasica do disco \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/06k54YTjZEuYGcJtFHcNRw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Passagem<\/a>\u201d (2017), essa quest\u00e3o foi levantada, com tomadas da cantora nua interagindo com a natureza \u2013, o v\u00edcio do indiv\u00edduo contempor\u00e2neo em tecnologia, as novas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e novas defini\u00e7\u00f5es de amor, entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco t\u00eam dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Romulo Fr\u00f3es e conta com parcerias de Lara com <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/04\/28\/scream-yell-discos-meno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Meno Del Picchia<\/a>, Tarso Jones, Clima e o guitarrista de sua banda, Allen Alencar &#8211; completam o time Daniel Doctors no baixo e Victor Bluhm na bateria e percuss\u00e3o.\u00a0\u00a0Conversamos com Lara sobre os desafios do palco, o forte conservadorismo que vem assolando o pa\u00eds e as diferen\u00e7as entre trabalhar com banda e em carreira solo. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lara Aufranc - Pra um cora\u00e7\u00e3o acordar\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qT5SflZ1VSw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 uma artista multim\u00eddia \u2013 \u00e9 cineasta e estuda teatro. Mas por que acha que tens uma liga\u00e7\u00e3o maior com a m\u00fasica? Houve algum momento decisivo que fez voc\u00ea enveredar mais pra esse lado?<\/strong><br \/>\nSempre fui fascinada por arte, n\u00e3o uma arte espec\u00edfica, mas todas as artes. Eu era uma crian\u00e7a que n\u00e3o queria ir embora do museu sem antes ver todos os quadros. Queria ser artista pl\u00e1stica, mas tamb\u00e9m dan\u00e7ava e cantava. Comecei a estudar canto aos 12 anos e tive a primeira banda aos 18. A m\u00fasica sempre foi fundamental na minha vida. O meu ref\u00fagio. Na \u00e9poca dessa banda, eu estudava artes do corpo \u2013 tinha aulas de teatro, dan\u00e7a e performance. Foi maravilhoso e ao mesmo tempo apavorante. O palco, a entrega, a exposi\u00e7\u00e3o, o narcisismo dos artistas. N\u00e3o consegui me formar. Achei que eu teria uma vida mais tranquila atr\u00e1s das c\u00e2meras e fui pro cinema \u2013 que \u00e9 uma arte que mistura v\u00e1rias outras. Mas a m\u00fasica me perseguia. Cantar me d\u00e1 outro tipo de prazer. Comecei a compor, fui criando confian\u00e7a at\u00e9 que Lara e os Ultraleves virou autoral. Nesse meio tempo eu percebi que precisava escolher. A m\u00fasica foi um chamado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que voc\u00ea quis abordar a quest\u00e3o da nudez na foto de capa de \u201cEu Voc\u00ea Um N\u00f3\u201d?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 tinha trabalhado com nudez quando lancei o clipe da m\u00fasica \u201cLlena de \u00c1gua\u201d. Pra mim, a nudez tem algo de libertador, de sagrado. O corpo feminino ainda \u00e9 um grande tabu \u2013 inclusive pra n\u00f3s, mulheres. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds extremamente conservador e o corpo feminino carrega muita vergonha \u2013 de n\u00e3o ser bonita o suficiente, magra, jovem etc. A mulher \u00e9 criada para ser agrad\u00e1vel, como um objeto de decora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode incomodar as visitas. Dessa forma, o corpo feminino tamb\u00e9m deve ser submisso: belo mas sem voz. Um corpo-objeto. Quando comecei a cantar com os Ultraleves, eu me sentia obrigada a usar sapato de salto, c\u00edlio posti\u00e7o, vestido justo \u2013 coisas que n\u00e3o tem a ver comigo e que s\u00f3 me atrapalhavam. Hoje eu canto descal\u00e7a e por causa disso voltei a dan\u00e7ar. Quando eu escolho a nudez para apresentar o meu trabalho, escolho ser eu mesma. \u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o de entrega, for\u00e7a e vulnerabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com Romulo Fr\u00f3es, que j\u00e1 fez dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de nomes como Elza Soares e Juliana Perdig\u00e3o, nesse disco?<\/strong><br \/>\nMaravilhoso. O Romulo \u00e9 um cara que consegue extrair o que tem de melhor em cada pessoa da equipe. Ele chega pontual\u00edssimo e participa de tudo, mas sem controlar demais. Era quase como uma b\u00fassola. Quando eu ou a banda est\u00e1vamos um pouco perdidos ele indicava o norte, e a gente continuava a navegar. Eu nunca tinha mostrado m\u00fasicas inacabadas pra ningu\u00e9m, mas em pouco tempo me senti muito \u00e0 vontade com ele. Adoro gente sincera, que fala o que pensa sem meias palavras. Esse jeito Romulo de responder, na lata, funcionou muito bem pro meu processo criativo. S\u00f3 tenho a agradecer.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51763\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ybcd261_Lara-Aufranc_Eu-voce-um-no_cover-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ybcd261_Lara-Aufranc_Eu-voce-um-no_cover-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ybcd261_Lara-Aufranc_Eu-voce-um-no_cover-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ybcd261_Lara-Aufranc_Eu-voce-um-no_cover-1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais diferen\u00e7as voc\u00ea sente entre \u201cEu Voc\u00ea Um N\u00f3\u201d e \u201cPassagem\u201d? E entre trabalhar com banda e em carreira solo?<\/strong><br \/>\n\u201cEu Voc\u00ea Um N\u00f3\u201d \u00e9 um disco mais ousado. Tem uma escurid\u00e3o e uma complexidade maior. Acho que tem a ver com o momento hist\u00f3rico em que estamos passando, mas tamb\u00e9m com um crescimento pessoal como compositora. Liderar um grupo de pessoas nunca \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. No caso de uma banda, o trabalho \u00e9 horizontal e por isso costuma ser mais demorado. Cada ideia tem que ser debatida e aceita por todos os membros do grupo. No caso de carreira solo, a \u00faltima palavra \u00e9 do artista. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, ainda mais na realidade brasileira onde sempre falta dinheiro e muita coisa \u00e9 feita na brodagem. Eu tento encontrar um meio termo entre a democracia e a ditadura. Ou\u00e7o e considero as ideias do grupo, mas preciso me fazer ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diz que esse disco novo tenta trazer mais perguntas do que respostas. Por que acha que nele surgiu tantos questionamentos?<\/strong><br \/>\nO mundo de hoje est\u00e1 sobrecarregado de certezas. Todo mundo tem uma opini\u00e3o sobre tudo. Eu acredito que o verdadeiro conhecimento \u00e9 fruto de uma consci\u00eancia capaz de questionar. Lidar com a incerteza \u00e9 muito mais dif\u00edcil por\u00e9m traz um enorme potencial de transforma\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a internet n\u00e3o \u00e9 nem boa nem m\u00e1. \u00c9 uma ferramenta poderos\u00edssima. Mas como usar a ferramenta de modo ativo, pensante, inv\u00e9s de ser bombardeado por informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o interessam ou sequer s\u00e3o verdadeiras? O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 extremamente complexo. N\u00e3o adianta todo mundo falar ao mesmo tempo. Eu n\u00e3o tenho um discurso fechado. Quero ouvir, quero trocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2016, voc\u00ea comentou em entrevista que achava o mercado musical mais estabilizado naquela \u00e9poca. Em 2019, valeu a pena deixar um emprego est\u00e1vel pra focar na carreira de cantora?<\/strong><br \/>\nSim. Eu n\u00e3o teria sido feliz com o fantasma da m\u00fasica baforando nas minhas costas. Eu precisava me entregar de corpo e alma. N\u00e3o estou dizendo que \u00e9 um mar de rosas, o mercado da m\u00fasica independente no Brasil \u00e9 complicado em in\u00fameros aspectos. Vivemos num pa\u00eds que n\u00e3o valoriza a pr\u00f3pria cultura. Que acha que artista \u00e9 vagabundo. As pessoas n\u00e3o tem ideia do quanto a gente trabalha. E agora ainda temos que lidar com esse (des)governo \u2013 que acha que educa\u00e7\u00e3o, cultura, esporte e cidadania s\u00e3o dispens\u00e1veis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lara Aufranc - Muito Mais (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v7EinqpGbgk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lara Aufranc - Llena de Agua\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g7Cd1RvoHhM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lara Aufranc - Passagem (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FW8E50lEu3A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a>\u00a0(@<a href=\"https:\/\/twitter.com\/anandazambi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anandazambi<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nonada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nonada \u2013 jornalismo travessia<\/a>. Nas horas vagas, tamb\u00e9m brinca de fazer m\u00fasica.\u201d A foto que abre o texto \u00e9 de Gal Oppido \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cEu Voc\u00ea Um N\u00f3\u201d \u00e9 o mais novo disco de Lara Aufranc, cantora e compositora paulistana que lan\u00e7a um segundo \u00e1lbum em carreira solo. Aqui ela fala sobre os desafios do palco, o forte conservadorismo que vem assolando o pa\u00eds e as diferen\u00e7as entre trabalhar com banda e em carreira solo. 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