{"id":51511,"date":"2019-05-05T20:53:34","date_gmt":"2019-05-05T23:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51511"},"modified":"2019-06-20T23:05:05","modified_gmt":"2019-06-21T02:05:05","slug":"entrevista-jose-teles-fala-sobre-o-livro-da-lama-ao-caos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/05\/entrevista-jose-teles-fala-sobre-o-livro-da-lama-ao-caos\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jos\u00e9 Teles fala sobre o livro &#8220;Da Lama ao Caos&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gil Luiz Mendes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futuro da m\u00fasica pop brasileira era uma grande inc\u00f3gnita na entrada da \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. Todos os dials das FM, de Norte a Sul do pa\u00eds, era dividido apenas por quatro g\u00eaneros: lambada, sertanejo, pagode e a rec\u00e9m-criada Ax\u00e9 Music. Eis que em Recife, na \u00e9poca considerada a quarta pior cidade do mundo para se viver, segundo relat\u00f3rio da ONU, surge uma gera\u00e7\u00e3o ambiciosa, que foi muito al\u00e9m das suas fronteiras e revolucionou a forma de como jovens passariam a consumir cultura dali por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Teles, que est\u00e1 prestes a completar 40 anos como rep\u00f3rter e cr\u00edtico musical do Jornal do Commercio, viu tudo isso acontecer diante dos seus olhos. Al\u00e9m de ter registrado o surgimento do Manguebeat em suas mat\u00e9rias, coube ele fazer o Raio X do \u00e1lbum \u201cDa Lama ao Caos\u201d (1994), disco de estreia de Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, que completou 25 do seu lan\u00e7amento em 2019 \u2013 o jornalista j\u00e1 havia se debru\u00e7ado sobre a m\u00fasica pernambucana no recomendad\u00edssimo \u201c<a href=\"http:\/\/www.editora34.com.br\/detalhe.asp?id=178\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Do Frevo ao Manguebeat<\/a>\u201d, lan\u00e7ado pela Editora 34 em 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/online\/edicoes-sesc\/780_DA+LAMA+AO+CAOS+QUE+SOM+E+ESSE+QUE+VEM+DE+PERNAMBUCO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Da Lama ao Caos: que som \u00e9 esse que vem de Pernambuco?<\/a>\u201d (Edi\u00e7\u00f5es Sesc, 2019), Teles conta como foi o in\u00edcio da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, que se deu da fus\u00e3o da banda Loustal com o grupo percussivo Lamento Negro. O autor faz uma an\u00e1lise da grava\u00e7\u00e3o do disco no Rio de Janeiro e toda a dificuldade que Liminha teve para gravar uma banda que n\u00e3o tinha bateria. A obra ainda relata que nem a cr\u00edtica, nem o mercado fonogr\u00e1fico estavam preparados para absorver tanta informa\u00e7\u00e3o que vinha com os caranguejos, que tiverem maior aceita\u00e7\u00e3o do seu primeiro \u00e1lbum no exterior do que no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este livro faz parte de uma nova cole\u00e7\u00e3o da Edi\u00e7\u00f5es Sesc, intitulada Discos da M\u00fasica Brasileira, com uma s\u00e9rie de livros digitais sobre discos seminais da m\u00fasica brasileira, organizada pelo jornalista Lauro Lisboa Garcia. Todos os t\u00edtulos da cole\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser adquiridos nas principais livrarias virtuais, em aplicativos como Apple Store e Google Play e tamb\u00e9m pelo portal <a href=\"http:\/\/www.sescsp.org.br\/livraria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.sescsp.org.br\/livraria<\/a>. \u201cDa Lama ao Caos: que som \u00e9 esse que vem de Pernambuco?\u201d j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em lojas virtuais, e futuramente ganhar\u00e1 edi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Abaixo, Jos\u00e9 Teles conversa com Gil Luiz Mendes com exclusividade sobre o livro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-51512\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/CAPA_DaLamaAoCaos_PT-m.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/CAPA_DaLamaAoCaos_PT-m.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/CAPA_DaLamaAoCaos_PT-m-188x300.jpg 188w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi testemunha de todo o processo de nascimento do movimento manguebeat nos primeiros anos da d\u00e9cada de 90. Escrever esse livro te fez rememorar coisas que voc\u00ea j\u00e1 havia esquecido? Quais foram elas.<\/strong><br \/>\nNa verdade, nem esqueci, eu aprendi mais sobre aquela fase da m\u00fasica pernambucana, conversando com pessoas com a quais n\u00e3o tinha falado antes. Gente do Lamento Negro, integrantes da primeira banda de Chico, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>25 anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cDa Lama ao Caos\u201d, quais s\u00e3o os principais legados desse \u00e1lbum para a cidade do Recife e para a m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o apenas o disco, mas aquela movimenta\u00e7\u00e3o deflagrou uma esp\u00e9cie de energia criativa que nunca mais parou de funcionar, e n\u00e3o apenas na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m no cinema, artes pl\u00e1sticas e literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro fala-se muito de como o disco n\u00e3o foi bem recebido ou entendido pela cr\u00edtica e pelo mercado fonogr\u00e1fico brasileiro. Ao que se deve a import\u00e2ncia e peso hist\u00f3rico que ele acabou tendo com o passar dos anos?<\/strong><br \/>\nEra uma m\u00fasica nova, uma banda sem bateria, com alfaias, que quase ningu\u00e9m conhecia. Os cr\u00edticos estranharam, obviamente, porque a m\u00fasica de \u201cDa Lama ao Caos\u201d fugia aos modelos estabelecidos, era um Nordeste inesperado, fora dos estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em tempos de m\u00fasica via streaming e a falta do disco como objeto f\u00edsico, seria poss\u00edvel o surgimento de um novo movimento aos moldes do manguebeat?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, claro que de maneira diferente, que nem imagino qual seja. Ser\u00e1 at\u00e9 mais f\u00e1cil a m\u00fasica ser difundida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois do movimento mangue, Recife se tornou uma esp\u00e9cie de meca da m\u00fasica pop nacional. Na sua opini\u00e3o, a cidade continua com essa relev\u00e2ncia? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nA cidade sempre foi culturalmente forte. At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 70, era autosuficiente. Tinha emissoras de TV com programas locais de grande audi\u00eancia, uma gravadora grande, uma rede de emissoras de r\u00e1dio que ia da Capital \u00e0s principais cidades do interior. Ent\u00e3o o que acontecia em Pernambuco ficava em Pernambuco. Esta coisa acabou, e voltou a funcionar depois do manguebeat, que chegou mostrando a riqueza cultural do estado mesclando isso com informa\u00e7\u00f5es importadas, que funcionaram muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As m\u00fasicas do \u00e1lbum foram regravadas por diversos artistas de estilos bem diferentes. De Elba Ramalho (\u201cRisoflora\u201d) a Sepultura (\u201cDa Lama ao Caos\u201d) e Charlie Brown Jr. (\u201cSamba Makossa\u201d). Isso \u00e9 um exemplo da grandeza e complexidade do disco?<\/strong><br \/>\nDe certa forma, sim. Mas o repert\u00f3rio do disco foi pouco regravado. Ele foi mais influente do que regravado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro voc\u00ea afirma que n\u00e3o existe o estilo musical mangue e que os cr\u00edticos internacionais enquadravam o som da CSNZ como World Music. Em que prateleira daria para colocar a m\u00fasica feita no Recife desde \u201cDa Lama ao Caos\u201d?<\/strong><br \/>\nA rigor, mangue s\u00f3 Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Houve bandas que seguiam o estilo do CSNZ, mas n\u00e3o tiveram vida longa. A Mundo Livre fazia um estilo bem diferente da CSNZ, outros grupos n\u00e3o tinham nada a ver com o manguebeat, esteticamente falando, eram muito mais contempor\u00e2neos, feito a Eddie, A Devotos do \u00d3dio (hoje s\u00f3 Devotos), Querosene Jacar\u00e9, a Mestre Ambr\u00f3sio, Comadre Florzinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mangue surgiu com as bandas, mas voc\u00ea acredita que o movimento promovido pela m\u00fasica tamb\u00e9m ajudou a dar holofotes a outras atividades culturais do Recife, como o cinema e a literatura, que atualmente est\u00e3o t\u00e3o em alta em todo pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nComo falei antes, sim. O manguebeat funcionou na pr\u00e1tica como uma cooperativa. Kleber Mendon\u00e7a Filho, hoje um cineasta conhecido internacionalmente, fez os primeiros clipes de Chico Science, DJ Dolores, Fred Jord\u00e3o, este um fot\u00f3grafo, trabalharam na capa do disco, at\u00e9 a gente da imprensa, que \u00e9ramos amigos dos caras, colaboramos na divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de m\u00fasica estaria fazendo Chico Science em 2019?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta. Chico vivia se atualizando com o que acontecia na m\u00fasica, aqui e l\u00e1 fora. Quando morreu estava planejando um grupo com Max Cavalera, tenho uns faxes que os dois trocaram, mas infelizmente quase ileg\u00edveis. Certamente n\u00e3o estaria fazendo o som de 25 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kgHg98E3y18tfKlI8Vf50GX7NnwYba98Q\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j299EbU-UnQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E-H_sDlXWWw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"curator-description\">\u2013 Gil Luiz Mendes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes<\/a>), jornalista, viveu boa parte da vida no Recife e hoje mistura a sua loucura com a de S\u00e3o Paulo. Tem passagens pelas r\u00e1dios Jornal do Commercio, CBN, Central3 e tem textos publicados no IG e na Carta Capital. \u00c9 skatista e m\u00fasico quando d\u00e1 tempo. A foto que abre o texto \u00e9 de Ricardo Labastier \/ Divulga\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jos\u00e9 Teles, jornalista que est\u00e1 prestes a completar 40 anos como rep\u00f3rter e cr\u00edtico musical do Jornal do Commercio, assina o livro \u201cDa Lama ao Caos: que som \u00e9 esse que vem de Pernambuco?\u201d , sobre o \u00e1lbum de estreia revolucion\u00e1rio de Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/05\/entrevista-jose-teles-fala-sobre-o-livro-da-lama-ao-caos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":40,"featured_media":51513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[3705,3706,2511],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51511"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/40"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51511"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51517,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51511\/revisions\/51517"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}