{"id":51447,"date":"2019-04-30T00:02:28","date_gmt":"2019-04-30T03:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51447"},"modified":"2019-06-05T02:02:39","modified_gmt":"2019-06-05T05:02:39","slug":"entrevista-uganga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/30\/entrevista-uganga\/","title":{"rendered":"Entrevista: Uganga"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/paulo.pontes.376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Paulo Pontes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 25 anos de carreira, cinco discos de est\u00fadio, um \u00e1lbum ao vivo gravado na Alemanha e um DVD resumem a carreira do <a href=\"http:\/\/www.uganga.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uganga<\/a>, banda mineira liderada pelo experiente vocalista Manu Joker. E como o pr\u00f3prio Manu disse no bate papo com o Scream &amp; Yell que voc\u00ea confere abaixo, a banda \u201csegue evoluindo e se adaptando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00edtida no mais recente trabalho dos caras, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/25\/ao-vivo-rodrigo-amarante-faz-show-intimista-cheio-de-ineditas-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Servus<\/a>\u201d, lan\u00e7ado este ano com apoio da Wacken Foundation, organiza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 sem fins lucrativos idealizada em 2008 pelos produtores do Wacken Open Air, de longe o maior e mais ic\u00f4nico festival de heavy metal do planeta, e tamb\u00e9m pelo Programa Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura (PMIC) de Uberl\u00e2ndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ser o primeiro disco a contar com tr\u00eas guitarristas na forma\u00e7\u00e3o da banda, \u201cServus\u201d vem com muito mais experimenta\u00e7\u00f5es e nuances que seu antecessor, \u201cOpressor\u201d (2014). O disco conta com participa\u00e7\u00f5es inusitadas, como a dan\u00e7arina e cantora pernambucana Flaira Ferro, o m\u00fasico Luiz Salgado, o grupo chileno de rap Lexico na faixa \u201cHienas\u201d e o espiritualista Sr. Waldir, entre outros, mostrando a amplitude que a sonoridade do Uganga pode atingir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste bate papo com Manu Joker e o baterista Marco Henriques, falamos sobre os detalhes desta nova fase da banda, as inspira\u00e7\u00f5es para as tem\u00e1ticas abordadas nas letras de \u201cServus\u201d \u2014 como, por exemplo, o \u201cgoverno golpista do vampiro\u201d \u2014, a atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural do Brasil e as diferen\u00e7as e mudan\u00e7as vividas por quem est\u00e1 na estrada h\u00e1 tanto tempo. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MtUKn9Am83w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cServus\u201d \u00e9 o primeiro disco de est\u00fadio do Uganga gravado como sexteto, ou seja, com tr\u00eas guitarristas. Como voc\u00eas trabalharam na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o do disco com esta nova configura\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Manu Joker \u2013 Eu sempre me envolvi na produ\u00e7\u00e3o dos nossos \u00e1lbuns e diria que no \u201cServus\u201d esse envolvimento foi ainda maior. Quando decidimos que a banda seguiria como sexteto, est\u00e1vamos no in\u00edcio da pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e j\u00e1 nas conversas iniciais a proposta era clara: \u201cN\u00e3o precisamos de mais uma guitarra fazendo a mesma coisa que as outras\u201d. A ideia foi abrir nosso leque de possibilidades, trabalhar detalhes, novas texturas, ir por outros caminhos&#8230; Alguns desses caminhos foram trilhas novas e outras trilhas antigas por onde passamos nos primeiros dias do Uganga. Voltamos a essas trilhas mais experientes. Certas coisas do p\u00f3s punk, do funk e do rock anos 60-70 e at\u00e9 do doom est\u00e3o espalhadas no \u201cServus\u201d, gra\u00e7as a essa abordagem. \u00c9 claro que em determinadas partes viramos um bloco e tocamos mais colados, afinal, em ess\u00eancia, somos uma banda de rock pesado com muito de thrash metal e a ideia \u00e9 que as pessoas batam cabe\u00e7a (risos). Por\u00e9m, mesmo nessas horas, evitamos nos prender a eventuais regras. O Thiago teve um papel muito importante nesse processo por ser o guitarrista base. Nos momentos mais thrash, em muitas ocasi\u00f5es, ele toca riffs que colam com as outras duas guitarras e em outros com a cozinha, ou s\u00f3 com a bateria. Isso trouxe mais peso, por\u00e9m, tamb\u00e9m trouxe mais groove \u00e0s composi\u00e7\u00f5es. O Murcego \u00e9 um solador por excel\u00eancia, tem aquela manha do classic rock, de caras como Hendrix ou Ritchie Blackmore, e trouxe isso pro Uganga, fazendo um balan\u00e7o interessante com a guitarra do Christian, que tem uma pegada mais m\u00e3o direita, mais anos 90, inclusive nos solos. Mas um disco n\u00e3o vive s\u00f3 de solos, ao menos n\u00e3o um disco do Uganga. Ent\u00e3o foi necess\u00e1rio organizar tudo na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, trabalhar pela composi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela execu\u00e7\u00e3o individual. Em determinadas partes foi necess\u00e1rio simplificar e diversificar, e creio que tive um papel importante nessa hora como produtor, freando um pouco os excessos. A meu ver, no \u00e1lbum temos tr\u00eas guitarras com personalidades distintas que se completam de maneira perfeita e procurei real\u00e7ar essas qualidades ao inv\u00e9s de lotar nosso \u00e1lbum de floreios e frita\u00e7\u00f5es. Tive o aval da banda nesse processo e acredito que fomos al\u00e9m do resultado esperado. Recentemente, o Murcego teve que deixar a banda e agora contamos com Lucas \u201cCarca\u00e7a\u201d Simon (ex-Krow) na terceira guitarra e ele, com certeza, tamb\u00e9m deixar\u00e1 sua marca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podemos perceber que \u201cOpressor\u201d, disco anterior da banda, \u00e9 mais direto em termos sonoros do que \u201cServus\u201d, que possui claramente maiores influ\u00eancias e experimenta\u00e7\u00f5es. A o que voc\u00eas atribuem esse direcionamento na sonoridade da banda?<\/strong><br \/>Manu \u2013 O advento da terceira guitarra por si s\u00f3 j\u00e1 potencializou isso, mas n\u00e3o foi o \u00fanico motivo. De maneira geral, trabalhamos com mais calma, mais \u201catentos aos sinais\u201d como diz o grande Ney Matogrosso, atentos aos detalhes e com tempo para experimentar. Cada nova pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do Uganga acaba sendo mais detalhada que a anterior. Mas essa, apesar de longa, foi leve. Ou ao menos mais leve que as outras (risos). Todos nossos \u00e1lbuns t\u00eam uma dose razo\u00e1vel de experimentalismo, assim como m\u00fasicas diferentes entre si, isso desde as primeiras demos, j\u00e1 que nossas influ\u00eancias s\u00e3o amplas e todos compomos. Isso naturalmente faz nossa m\u00fasica ser mais variada, mas acho que no \u201cServus\u201d essas diferen\u00e7as interagiram de maneira mais harmoniosa. Especificamente sobre os vocais, esse foi o primeiro trabalho onde gravei minha parte em separado, num outro momento, em outro est\u00fadio, perto da minha casa, e isso me possibilitou colocar em pr\u00e1tica ideias que vinha maturando h\u00e1 algum tempo. O suporte financeiro que tivemos da Wacken Foundation e da PMIC (Programa Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura) de Uberl\u00e2ndia tamb\u00e9m ajudou, pois possibilitou melhores condi\u00e7\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o e mais tempo no est\u00fadio. Recomendo uma olhada na ficha t\u00e9cnica, foram sete est\u00fadios envolvidos no \u201cServus\u201d! Tudo foi finalizado no Rocklab em Goi\u00e2nia com o Gustavo Vazquez que co-produziu o \u00e1lbum comigo e o trabalho foi enorme. Por outro lado, a banda chegou pronta pra gravar, eu queria que a banda chegasse no est\u00fadio com o \u00e1lbum fechado e pronto pra tocar ao vivo e foi assim que rolou. Ent\u00e3o tivemos tempo para maturar e focar nos detalhes, mixar com calma etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea comentou, o novo \u00e1lbum contou com apoio do Wacken Foundation e do Programa Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura (PMIC) de Uberl\u00e2ndia, dois importantes meios que auxiliaram voc\u00eas na produ\u00e7\u00e3o, correto? Comentem um pouco sobre.<\/strong><br \/>Marco Henriques \u2013 Exato. Sempre estamos ligados em iniciativas que podem ajudar a banda, como o PMIC. O governo tem essa verba pra ser destinada \u00e0 cultura, ent\u00e3o, por que n\u00e3o aproveitar, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Antes que seja destinada para algum artista que j\u00e1 possui uma mega estrutura e nem precisa desse apoio \u2014 como j\u00e1 vimos acontecer v\u00e1rias vezes. No caso do Wacken Foundation, foi n\u00e3o s\u00f3 uma super ajuda como uma honra pra gente ter sido aprovado nesse projeto, que tem por tr\u00e1s um dos maiores festivais de metal do mundo. S\u00f3 de ter a logo do Wacken no \u00e1lbum j\u00e1 seria demais. Termos sido escolhidos pela curadoria da funda\u00e7\u00e3o, em meio a bandas de todo o mundo, s\u00f3 nos fez ver ainda mais que estamos no caminho certo. Quem sabe o pr\u00f3ximo passo n\u00e3o \u00e9 tocar nesse festival?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando o gancho: a cultura no nosso pa\u00eds, de certa forma, nunca recebeu a devida aten\u00e7\u00e3o, principalmente dos governantes, mas, atualmente, essa falta de interesse em algo indiscutivelmente importante para o desenvolvimento de uma na\u00e7\u00e3o tem se intensificado. Como voc\u00eas avaliam nosso atual momento relacionado \u00e0 cultura?<\/strong><br \/>Marco \u2013 Vivemos um momento tenso. Ao mesmo tempo em que temos uma grande quantidade de artistas, bandas, festivais acontecendo, movimentando a cultura nacional, temos de outro lado um governo que parece n\u00e3o se importar muito com isso. Mas pra quem vive no underground, a luta continua, a correria segue e n\u00e3o temos outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser tocar o foda-se e continuar nadando contra a corrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manu \u2013 Somos um pa\u00eds modista e entre as novas modinhas est\u00e1 essa de culpar a classe art\u00edstica pela nossa triste realidade. S\u00f3 rindo, n\u00e9, mano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comente um pouco sobre a escolha da faixa-t\u00edtulo como single e primeiro videoclipe do novo \u00e1lbum.<\/strong><br \/>Manu \u2013 Gostamos de abrir nossos \u00e1lbuns com faixas mais diretas e \u201cServus&#8221; \u00e9 uma delas. Ela tem o thrashcore que nos caracteriza, tem um refr\u00e3o mel\u00f3dico e mais lento, que remete aos nossos primeiros trabalhos, e refer\u00eancias tanto ao metal mineiro dos anos 80 quanto ao ragga. Parece improv\u00e1vel? \u00c9 s\u00f3 ouvir com aten\u00e7\u00e3o, pois est\u00e1 tudo l\u00e1 (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco \u2013 Sempre tem aquelas faixas que, ap\u00f3s serem compostas, chamam a aten\u00e7\u00e3o pela sua for\u00e7a e d\u00e3o aquela cara de abertura de disco. E foi assim com esse som. Tem uma intro marcante, riffs poderosos, mostra diferentes pegadas da banda e tem uma letra foda que casa muito com o momento que estamos vivendo. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil escolher qual m\u00fasica vai abrir um trabalho, mas dessa vez n\u00e3o tivemos d\u00favidas que \u201cServus\u201d seria a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando ainda da faixa \u201cServus\u201d, a letra traz um tema que, infelizmente, ainda \u00e9 muito atual nos mais diversos \u00e2mbitos em nosso pa\u00eds, com trechos como, por exemplo, \u201cescravos coniventes, massa de manobra, n\u00e3o mais que servos\u201d, referindo-se \u00e0 grande parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira, enquanto \u201cassassinos de terno e gravata\u201d faz alus\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica, certo? Na opini\u00e3o de voc\u00eas, o que \u00e9 preciso para mudarmos tal situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Manu \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 correto em sua interpreta\u00e7\u00e3o. O momento atual do Brasil foi a inspira\u00e7\u00e3o para essa letra. N\u00e3o s\u00f3 a elei\u00e7\u00e3o do Bozo e toda a polariza\u00e7\u00e3o rid\u00edcula que resultou da mesma, essa letra veio antes disso, ainda no governo golpista do vampiro. A meu ver, o Brasil vive um momento ideologicamente med\u00edocre j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, e essa elei\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi a cereja do bolo. Enquanto povo somos massa de manobra defendendo lados opostos de uma mesma moeda e seguiremos assim brigando por migalhas at\u00e9 identificarmos o verdadeiro inimigo comum. \u201cServus\u201d, o \u00e1lbum, trata disso: do Brasil no futuro, quando esse inimigo comum ser\u00e1 julgado pela lei do carma. Os hindus chamam esse momento de Idade do Ouro, onde o le\u00e3o e o servo bebem \u00e1gua no mesmo riacho. Se \u201cOpressor\u201d era sobre o momento atual, a Idade do Ferro, \u201cServus\u201d olha pra Idade do Ouro, depois da sele\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica e do renascimento da terra e, consequentemente, do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando que o Uganga est\u00e1 na estrada h\u00e1 mais de 25 anos, o que mudou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cena do metal no Brasil na opini\u00e3o de voc\u00eas? Quais as principais diferen\u00e7as que identificaram durante esse per\u00edodo?<\/strong><br \/>Manu \u2013 Algumas mudan\u00e7as s\u00e3o gritantes e \u00f3bvias. Nossa primeira demo saiu em fita K7, cara, e n\u00e3o era algo tipo retr\u00f4, era o formato para espalhar seu som naqueles dias. Parece outro planeta (risos)! As gravadoras ainda ditavam as regras do mercado e a internet dava seus primeiros passos. \u00c9poca do release xerocado, troca de cartas e uni\u00e3o. Muita coisa mudou, mas muita coisa permanece igual. O rock ainda trava uma batalha desigual com a m\u00fasica descart\u00e1vel de cada \u00e9poca, que, com certeza, recebe muito mais investimento e aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Ainda somos contracultura, mesmo que tentem \u2014 e muitas vezes consigam \u2014, nos pasteurizar. O Uganga segue evoluindo e se adaptando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que nos chama muito a aten\u00e7\u00e3o no disco s\u00e3o as participa\u00e7\u00f5es especiais, alguns nomes peculiares e que trouxeram elementos bem interessantes para o som do Uganga, como, a dan\u00e7arina e cantora pernambucana Flaira Ferro, o m\u00fasico Luiz Salgado, o grupo chileno de rap Lexico na faixa \u201cHienas\u201d, o espiritualista Sr. Waldir, entre outros. Como foi trabalhar com esse pessoal e como voc\u00eas avaliam a colabora\u00e7\u00e3o de cada um para a m\u00fasica e sonoridade do Uganga?<\/strong><br \/>Manu \u2013 Sempre tivemos em nossos \u00e1lbuns participa\u00e7\u00f5es de convidados que v\u00e3o muito al\u00e9m das cenas rock e metal, e esses que voc\u00ea citou representam muito bem isso. S\u00e3o artistas que admiramos e que foram inseridos em nosso universo musical sem perder sua caracter\u00edstica original, ou sem modificar a nossa. Em alguns casos gravamos com eles aqui em Araguari no Mundo da Lua Est\u00fadio, e em outros eles gravaram e nos enviaram. Pessoas, viv\u00eancias e lugares diferentes ajudaram a pintar esse quadro musical. Acho que o Uganga \u00e9 uma banda que consegue fazer isso muito bem, dar unidade ao trabalho sem soar como uma colcha de retalhos musical. Al\u00e9m dessas participa\u00e7\u00f5es mais improv\u00e1veis que voc\u00ea citou, \u00e9 claro que tamb\u00e9m tivemos convidados do \u201ccl\u00e3 dos camisas preta\u201d como Casito, do Witchhammer, ou o BT, do John No Arms, e todos, sem exce\u00e7\u00e3o, detonaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na primeira tour pela Europa realizada pelo Uganga voc\u00eas gravaram um disco ao vivo por 60 euros, que posteriormente foi mixado pelo Vulcano da banda Hellish War, \u00e9 isso mesmo? Falem um pouco sobre essa experi\u00eancia e sobre como tem sido a receptividade do p\u00fablico europeu nas turn\u00eas realizadas pelo Uganga.<\/strong><br \/>Marco \u2013 Isso mesmo! A nossa primeira tour na Europa aconteceu em 2010 e entre outros shows, participamos do Razorblade, um festival muito massa na Alemanha. Ap\u00f3s o show o t\u00e9cnico de som nos ofereceu o show gravado em multipistas por 60 euros. N\u00e3o tivemos d\u00favidas em adquirir, porque foi um puta show, o lugar estava bem cheio e seria uma \u00f3tima recorda\u00e7\u00e3o dessa viagem. Mas n\u00e3o esper\u00e1vamos que o resultado ficaria t\u00e3o bom. Quando ouvimos n\u00e3o tivemos d\u00favidas que o material merecia ser lan\u00e7ado. Na \u00e9poca ele saiu em uma tiragem limitada acompanhada de um livreto contando como foi a tour. Temos muito carinho por esse trabalho. Em ambas as turn\u00eas que fizemos na Europa (2010 e 2013) a receptividade sempre foi muito boa. Mesmo cantando em portugu\u00eas o p\u00fablico interagiu muito, comprou material, vinha trocar ideia ap\u00f3s os shows&#8230; O retorno foi 100% positivo. Provavelmente em 2020 a gente volte para nossa terceira tour no velho mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cServus\u201d foi lan\u00e7ado no final de mar\u00e7o; j\u00e1 deu pra sentir o que os f\u00e3s t\u00eam achado do trabalho?<\/strong><br \/>Marco \u2013 Cara, at\u00e9 o momento todas as resenhas que temos lido t\u00eam falado muito bem desse \u00e1lbum. Tanto no Brasil quanto no exterior j\u00e1 tivemos \u00f3timas respostas. Ainda estamos na fase de divulga\u00e7\u00e3o, enviando material para r\u00e1dios, revistas, sites, ou seja, ainda tem muitas resenhas pra sair. Mas num primeiro momento podemos dizer que a aceita\u00e7\u00e3o tem sido 100% positiva. Foi um \u00e1lbum trabalhado com muito cuidado. O Manu entrou de cabe\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o e \u00e9 muito bom ver que todo esse trabalho est\u00e1 sendo reconhecido. Agora \u00e9 hora de colocar o p\u00e9 na estrada e mostrar ao vivo as m\u00fasicas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas consideram \u201cServus\u201d o melhor trabalho da carreira do Uganga?<\/strong><br \/>Manu \u2013 \u00c9 natural o m\u00fasico preferir seus trabalhos mais recentes, isso sempre rolou comigo, mas no caso do \u201cServus\u201d acho que o lance vai al\u00e9m. Eu acredito de verdade que o \u00e1lbum re\u00fane o que de melhor j\u00e1 criamos, tem o melhor som que j\u00e1 tiramos em est\u00fadio e uma arte soberba. Eu, com certeza, o coloco no topo da discografia do Uganga e da minha em particular. Ao menos at\u00e9 o pr\u00f3ximo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco \u2013 Cada disco carrega um carinho especial. E sempre procuramos evoluir a cada trabalho. Eu, particularmente, demoro um pouco pra acostumar com os discos. Ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o eu ouvi muito pouco essas m\u00fasicas, agora que o disco chegou que estou voltando a escutar, inclusive pra tirar algumas m\u00fasicas que n\u00e3o tocamos desde a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o (risos). Mas com certeza o \u201cServus\u201d mostra um passo a mais na trajet\u00f3ria da banda, buscando sempre evoluir, mas nunca presos a nenhuma f\u00f3rmula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Manu, voc\u00ea j\u00e1 disse que a participa\u00e7\u00e3o do espiritualista Sr. Waldir, na faixa \u201cDepois do Hoje&#8230;\u201d, \u201cfoi providencial\u201d, j\u00e1 que vivemos em tempos onde religi\u00f5es afro-brasileiras s\u00e3o atacadas por falsos moralistas. A excelente arte de capa de \u201cServus\u201d traz elementos e simbolismos das mais diversas religi\u00f5es. Como voc\u00eas trabalham esses conceitos nas composi\u00e7\u00f5es do Uganga, e como voc\u00ea avalia o atual momento repleto de discursos de \u00f3dio em que vivemos?<\/strong><br \/>Manu \u2013 Cara, os dias atuais est\u00e3o muito estranhos. Pra mim \u00e9 meio que uma volta a Idade M\u00e9dia s\u00f3 que com celular (risos). Sei que posso soar um chato da velha guarda falando isso, algo que devo ser mesmo, mas olho a minha volta e vejo mais pessoas desinteressantes que antes. Acho que nesses tempos ser do rock, do punk, do hardcore, do metal, do rap, das ruas \u00e9 ainda mais legal. Vou al\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio. Dedo do meio em riste! A arte da capa e contracapa foi feita pelo Wendel Ara\u00fajo, um artista pernambucano muito foda. Trabalhamos o conceito com ele e adoramos o resultado. Ali est\u00e1 um feiticeiro (Uganga significa Feiti\u00e7aria em Swahilli) na esplanada dos minist\u00e9rios em Bras\u00edlia, com aquele c\u00e9u lindo do cerrado, animais, vegeta\u00e7\u00e3o e paz. Nessa figura pode se ver colares do hindu\u00edsmo e da umbanda, pinturas Caiap\u00f3 (refer\u00eancia \u00e0 Minas Gerais, e claro, ao \u201cRoots\u201d do Sepultura) o fogo dos rituais pag\u00e3os e a luz saindo da testa em refer\u00eancia ao Raja Yoga. Tudo junto em harmonia como fazemos com nossas refer\u00eancias musicais. Por fim, pedi para que ele colocasse as araras voando pois \u00e9 algo muito comum aqui na paisagem do cerrado. Pra falar a verdade, h\u00e1 pouco mais de uma hora, sete delas passaram voando felizes sobre a minha cabe\u00e7a. Acho que elas j\u00e1 est\u00e3o na Idade do Ouro (risos). Salve!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0no8ZzNWtVA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vMtQBqmoNrM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FLgcH9dN-OQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Paulo Pontes \u00e9 colaborador do\u00a0<a href=\"http:\/\/whiplash.net\/autores\/paulopontes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Whiplash,\u00a0<\/a>assina a\u00a0<a href=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/kontratak_kultural\/autor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kontratak Kultural<\/a>\u00a0e escreve de rock, hard rock e metal no Scream &amp; Yell. \u00c9 autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=2123311197759382&amp;set=a.356284934462026&amp;type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Arte de Narrar Vidas: hist\u00f3rias al\u00e9m dos biografados<\/a>\u201c.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de 25 anos de carreira, cinco discos de est\u00fadio, um \u00e1lbum ao vivo gravado na Alemanha, outro bancado pelo Wacken Open Air e um DVD resumem a carreira do Uganga, banda mineira liderada pelo experiente vocalista Manu Joker. 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