{"id":51293,"date":"2005-06-20T00:33:38","date_gmt":"2005-06-20T03:33:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51293"},"modified":"2019-04-18T00:54:35","modified_gmt":"2019-04-18T03:54:35","slug":"entrevista-m-i-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/20\/entrevista-m-i-a\/","title":{"rendered":"Entrevista: M.I.A."},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por Ana Garcia e Filipe Luna<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida na Inglaterra e criada no Sri Lanka, Maya Arulpragasam, conhecida como M.I.A. (sigla do termo &#8220;militar missing in action&#8221;) ou &#8220;embaixadora internacional do funk carioca&#8221;, conquista o mundo com&#8221;Arular&#8221; (2005), seu \u00e1lbum de estr\u00e9ia que chega ao Brasil em junho pela Sum Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criando uma fus\u00e3o de dancehall, ragga, hip hop, electro, funk carioca com temas sobre prostitui\u00e7\u00e3o, pobreza e consumismo, M.I.A. est\u00e1 usando todas as oportunidades para estimular a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. A energia exibida por faixas como &#8220;Galang&#8221; e &#8220;Bucky Done Gun&#8221; t\u00eam tanta for\u00e7a e raiva que \u00e9 imposs\u00edvel ignorar a sua crueza verbal, que constantemente entra na linguagem de combate. M.I.A. foi uma refugiada da guerra de Sri Lanka, seu pai era um militante da guerrilha dos t\u00e2miles (Tamil Tigers), que lutava pela independ\u00eancia para a minoria t\u00e2mila. Arular, ali\u00e1s, \u00e9 o codinome usado por seu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu primeiro contato com arte foi com a visual &#8211; a sua paix\u00e3o por desenhos e pinturas fez com que ela ganhasse uma bolsa de estudos no conceituado St. Martin&#8217;s School of Art, em Londres. Foi nesse mundo que M.I.A. tornou-se amiga de Justine Frishmann, na \u00e9poca da banda Elastica, e fez a capa do seu segundo disco, &#8216;The Menace&#8221;, em 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de Frishmann, M.I.A. conheceu a cantora Peaches, que deu a ela um Roland 505 Groovebox barato. Foi nesse 505 que suas primeiras grava\u00e7\u00f5es foram feitas, inclusive a mais famosa, &#8220;Galang&#8221;, que teve apenas 500 c\u00f3pias lan\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M.I.A. e Diplo, seu namorado que a apresentou o funk carioca, dividem o palco no Tim Festival, entre 21 e 23 de outubro, no MAM do Rio. Acompanhe a seguir a entrevista feita por e-mail com Maya Arulpragasam, publicada originalmente no site parceiro Speculum, e cedida ao Scream &amp; Yell. Com voc\u00eas, M.I.A.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DCL1RpgYxRM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi morar a maior parte da sua vida como uma imigrante na Inglaterra? Piorou depois de 11 de setembro?<\/strong><br \/>\nDepois de 11 de setembro n\u00e3o piorou para mim, mas para os mu\u00e7ulmanos. Eu acho que a m\u00eddia ajudou muito a criar essa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o t\u00eam como as pessoas n\u00e3o serem afetadas por isso. As pessoas foram injetadas com medo dos &#8220;outros&#8221; para que os 5 bilh\u00f5es de ataques di\u00e1rios contra o outro pudessem ser justificados. Com rela\u00e7\u00e3o a minha experi\u00eancia, sempre rolou algo como &#8220;quem \u00e9 voc\u00ea?&#8221; ou &#8220;como assim, voc\u00ea quer o que eu tenho?&#8221; quando, hoje em dia, todo mundo deveria ter a mesma oportunidade na vida. Mas eu falo das minhas experi\u00eancias porque eu quero que as pessoas aprendam que se algu\u00e9m jogar lama em voc\u00ea o tempo todo, voc\u00ea pode juntar toda a lama e construir uma casa com ela. Foi isso que eu aprendi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por ter nascido na Inglaterra, mas morado no Sri Lanka, alguma vez sentiu que n\u00e3o pertencia a algum lugar?<\/strong><br \/>\nDepois de voltar para o Sri Lanka, senti que n\u00e3o era nem um e nem outro: eu era ambos. At\u00e9 mais do que isso porque neste momento amo tantas culturas diferentes, e percebo que isso \u00e9 o estado de ser da nossa gera\u00e7\u00e3o. Nenhum de n\u00f3s \u00e9 100% de alguma coisa, mas somos muito pregui\u00e7osos para lutar por algo. Talvez n\u00f3s tenhamos o poder de fazer a guerra morrer. Mas dizem que &#8220;voc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea come&#8221;. Ent\u00e3o, eu sou sushi-pizza-pasta-arroz e ervilha-curry-sanduiche-fritas e picles de manga. O que eu sou agora? Sou feliz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 feminista? Qual \u00e9 uma das grandes injusti\u00e7as com as mulheres hoje em dia?<\/strong><br \/>\nQue ainda temos que fazer tudo &#8211; m\u00fasica, cuidar da apar\u00eancia, casa, fam\u00edlia e crian\u00e7as, trabalhar e ainda prestar aten\u00e7\u00e3o para que os homens n\u00e3o fodam com voc\u00ea. Tamb\u00e9m \u00e9 uma injusti\u00e7a que c\u00f3licas menstruais n\u00e3o sirvam para ter um atestado m\u00e9dico. Quando estou em um quarto com uns cinco homens e eles conversam sobre m\u00fasica como se estivessem colecionando cartas de beisebol, eu fico puta. Eu n\u00e3o sei fazer isso, \u00e9 muito mais emocional para mim. Eu amo ser uma mulher. \u00c0s vezes eu n\u00e3o percebo isso, mas por ser do Sri Lanka e ser uma mulher muito diferente, que sempre teve a palavra &#8220;terrorista&#8221; me seguindo, \u00e9 dif\u00edcil saber, mas eu acho que ser mulher \u00e9 a \u00fanica coisa boa para mim no momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V<strong>oc\u00ea pode contar algumas das suas primeiras mem\u00f3rias musicais? Voc\u00ea cresceu escutando o qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nPrimeiro foram as trilhas sonoras de filmes indianos, sonhando com meninos e depois m\u00fasica pop do oeste. Ouvi o &#8220;Thriller&#8221; do Michael Jackson durante quatro anos e depois fui pra Inglaterra e encontrei o hip hop. Desde ent\u00e3o, escuto qualquer m\u00fasica que chega a mim. Eu tento ser cabe\u00e7a aberta com todo tipo de m\u00fasica porque quero descobrir o que eu gosto e \u00e0s vezes fico surpresa com algo que converse comigo. Eu n\u00e3o defino a m\u00fasica pelo seu g\u00eanero, mas pelo seu poder de me dizer algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de entrar na carreira musical, voc\u00ea tinha se formado em cinema, certo? Poderia contar um pouco desse seu passado?<\/strong><br \/>\nCriatividade \u00e9 a \u00fanica coisa que eles n\u00e3o podem tirar de mim. A minha fam\u00edlia, casa, dinheiro e comunidade tiveram problemas, ent\u00e3o eu passei muito tempo vagando. Por causa de algumas pessoas que eu tinha conhecido, coisas que eu tinha visto e queria lembrar e contar para as pessoas ficou mais e mais importante que eu fosse treinada como um menino para poder representar bem todas essas pessoas. Cinema era muito dif\u00edcil porque voc\u00ea tem que falar bem, voc\u00ea tem que dizer para as pessoas o que quer fazer e algu\u00e9m pode te dar algum dinheiro ou n\u00e3o. Claro que ajuda se voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 rico ou tem alguma da fam\u00edlia no ramo. Ent\u00e3o, eu fui para as artes, mas era muito careta e eu tinha personalidade demais e tinha experimentado a vida demais para ser uma artista torturada na Inglaterra. Ent\u00e3o, eu continuei com a mente aberta sobre como dizer o que eu queria dizer e a\u00ed veio a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi essa mudan\u00e7a? \u00c9 mais f\u00e1cil se expressar atrav\u00e9s da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nMuito, \u00e9 bem mais f\u00e1cil &#8211; eu abro a minha boca e o som sai. Se eu tiver comida, eu posso fazer batidas no meu 505 sem preocupa\u00e7\u00e3o, para sempre. Coloco o meu fone de ouvido e me desligo do mundo, e \u00e9 bom. Depois quando saio, eu quero que o mundo saiba o que eu estava pensando o tempo inteiro enquanto estava com o fone de ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como come\u00e7ou a sua carreira musical? Voc\u00ea fazia batalhas de rimas e shows ao vivo ou apenas gravava com produtores? \u00c9 dif\u00edcil ser uma mulher MC num ambiente dominado pelos homens?<\/strong><br \/>\nEu gravava com produtores porque a arena musical era dividida em dois g\u00eaneros particulares, ent\u00e3o se eu n\u00e3o fosse 100% de uma coisa, eu n\u00e3o poderia &#8220;batalhar&#8221; com algu\u00e9m. A minha batalha era sobre ser uma individual, ter uma identidade que ningu\u00e9m entendia e ser uma mulher e n\u00e3o deixar nenhum produtor pensar que est\u00e3o me criando, numa \u00e9poca onde a maioria das mulheres cai na mesma armadilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com o Elastica?<\/strong><br \/>\nO que voc\u00ea quer saber? Foi a minha \u00e9poca indie music. Eu n\u00e3o me tornei britpop porque o britpop n\u00e3o sabia que algu\u00e9m como eu existia. Era tudo t\u00e3o sobre ser brit, mas sem cor. De qualquer forma, a melhor coisa foi conhecer Justine Frischmann. Justine \u00e9 uma pessoa incr\u00edvel e interessante e fez com que eu continuasse na Inglaterra. \u00c9 engra\u00e7ado, tive alguns insights sobre as politicagens de ter uma banda e isso me fez nunca querer fazer uma turn\u00ea com uma banda. \u00c9 por isso que eu tenho Diplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Voc\u00ea sempre teve uma ideia do que queria fazer musicalmente?<\/b><br \/>\nN\u00e3o, eu sou uma reacion\u00e1ria, sou completamente guiada pelo momento antes de mim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9cA3b-PbPE0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de &#8220;Arular&#8221; ser lan\u00e7ado pela XL Recordings, todo mundo j\u00e1 conhecia a sua m\u00fasica por causa da Internet, quais s\u00e3o os seus pensamentos a respeito?<\/strong><br \/>\nMeu&#8230; Eu instalei a Internet h\u00e1 cinco meses. Sempre fui muito primitiva com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia, e gostava de mim por isso porque \u00e0s vezes esse mundo roda r\u00e1pido demais pra mim. Mas \u00e9 bom ser a primeira artista de Internet que as pessoas escolheram. Acho que tem muito a ver com o fato de uma pessoa como eu n\u00e3o poder ser tocada no r\u00e1dio e TV por causa das coisas que falo. Agora posso estirar o meu dedo para Bush por ter tentado censurar artistas e tirar a liberdade de express\u00e3o. Eu amo os internautas p\u00f4r terem tomado controle, porque \u00e9 o \u00fanico lugar que as pessoas podem controlar e que o sistema n\u00e3o descobriu como domin\u00e1-lo ainda, e temos que continuar isso assim. Ent\u00e3o, lembrem de serem loucos. O espa\u00e7o \u00e9 de voc\u00eas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m fez um mixtape com Diplo, &#8220;Piracy Fund Terrorism Vol. 1&#8221;. Foi por causa dele que voc\u00ea come\u00e7ou a gostar de m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nSim. Eu sa\u00ed \u00e0 procura dele depois de ter escutado o CD &#8220;Favela on Blast&#8221;. Eu espero que voc\u00eas gostem dele porque foi assim que conheci a m\u00fasica brasileira. \u00c9 dif\u00edcil encontrar pessoas que se preocupam em trazer m\u00fasica para outras pessoas sem serem guiadas pelo dinheiro. Fora do Brasil, ele est\u00e1 espalhando o barulho e espero que seja positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de coisa ele traz pra sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nFrustra\u00e7\u00e3o! Mas ele tem sorte que eu goste disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 verdade que voc\u00ea vai trabalhar com DJ Marlboro?<\/strong><br \/>\nO problema em trabalhar com pessoas dessa cena \u00e9 o visto, realmente n\u00e3o \u00e9 nada mais do que isso. \u00c9 muito dif\u00edcil organizar toda a papelada e a maioria das pessoas n\u00e3o querem ser perturbadas. Mas sim, eu queria que ele se juntasse a mim no EUA quando eu estiver por l\u00e1 para fazer alguns shows e que viesse pra Londres para espalhar o barulho, precisamos disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os seus pensamentos sobre funk carioca? N\u00e3o \u00e9 triste que a maioria da classe m\u00e9dia brasileira n\u00e3o gosta?<\/strong><br \/>\nSim, mas \u00e9 uma perda de tempo odi\u00e1-lo. \u00c9 o que eu digo na m\u00fasica &#8220;Fire Fire&#8221;. Quando os marginais n\u00e3o s\u00e3o cuidados corretamente eles fazem a sua pr\u00f3pria m\u00fasica, porque ningu\u00e9m conversa com eles no mainstream. \u00c9 importante e eu espero que continue e ensine as crian\u00e7as que m\u00fasica \u00e9 uma boa sa\u00edda. \u00c9 a \u00fanica oportunidade que eles est\u00e3o fazendo para eles mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual seria o seu show ideal?<\/strong><br \/>\nO meu show ideal seriam 2 brasileiros + 1 jamaicano + 2 tamiles + 1 americano + algu\u00e9m da China + 1 da \u00c1frica. Mas a imigra\u00e7\u00e3o nem me deixa passar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea acha que a sua m\u00fasica relaciona com as pessoas? Ou talvez, como voc\u00ea acha que as pessoas relacionam com a sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho ideia, mas sei o que algumas pessoas me dizem e isso \u00e9 o sentido de ir pra frente. N\u00e3o estamos dentro de caixas bonitinhas, como eles querem fazer-nos acreditar. Quero dizer: apenas temos que caber dentro de uma caixa por raz\u00f5es puramente mercadol\u00f3gicas e eu n\u00e3o quero saber disso. Eu j\u00e1 sei o que \u00e9 n\u00e3o ter dinheiro, ent\u00e3o tomo riscos porque \u00e9 a minha vida. Eu sou muito aberta porque n\u00e3o tenho medo de ser machucada pelas pessoas. Sei que o povo \u00e9 esperto e converso com ele no mesmo n\u00edvel. Sei que estamos dentro disso juntos e quero fazer isso interessante para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Brasil voc\u00ea s\u00f3 \u00e9 conhecida por uma elite e isso deve acontecer em outros pa\u00edses, voc\u00ea faz um esfor\u00e7o consciente para tornar a sua m\u00fasica vi\u00e1vel para a maior quantidade de pessoas poss\u00edveis?<\/strong><br \/>\nSim, eu fa\u00e7o. N\u00e3o tenho barreiras, mas o Mundo tem e tenho que usar a ferramenta dos intelectuais para ser escutada. Mas as elites e as ruas precisam de mais lugares para se falar e trocar id\u00e9ias. Precisamos quebrar a parede, se n\u00e3o fica muito dif\u00edcil para algu\u00e9m como eu passar por ela. Sou a primeira e as conseq\u00fc\u00eancias demoram. A \u00fanica forma com que as pessoas mais pobres escutem m\u00fasica \u00e9 atrav\u00e9s do r\u00e1dio ou TV. Ent\u00e3o se eu n\u00e3o entrar no r\u00e1dio e TV, as ruas n\u00e3o podem me escutar, eles n\u00e3o t\u00eam tempo para computadores porque trabalham duas jornadas ou est\u00e3o nas esquinas das ruas escutando JZ, Snoop e Britney pelo r\u00e1dio de alguma loja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea acha da humanidade no momento?<\/strong><br \/>\nEu acho que estamos indo pra tr\u00e1s. Muitos l\u00edderes mostraram a sua gan\u00e2ncia pelo dinheiro e achamos que n\u00e3o dever\u00edamos nos envergonhar disso, afinal, dinheiro e brilho s\u00e3o muito bonitos. Os bons pol\u00edticos tomam um passo para questionar, mas s\u00e3o muito fracos para manter uma boa luta. N\u00e3o ensinamos mais valores e esperamos encontr\u00e1-los atrav\u00e9s de telefones celulares e Ipods. Estamos ocupados demais tentando possuir essas coisas para sentirmos inteiros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VNJ96imMskk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entrevista por Ana Garcia e Filipe Luna Nascida na Inglaterra e criada no Sri Lanka, Maya Arulpragasam, conhecida como M.I.A. 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