{"id":51267,"date":"2019-04-17T08:59:33","date_gmt":"2019-04-17T11:59:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51267"},"modified":"2019-05-15T10:27:54","modified_gmt":"2019-05-15T13:27:54","slug":"entrevista-a-volta-do-rumbora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/17\/entrevista-a-volta-do-rumbora\/","title":{"rendered":"Entrevista: A volta do Rumbora"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto da gera\u00e7\u00e3o anos 90 que recolocou Bras\u00edlia no mapa do rock nacional, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rumboraoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rumbora<\/a> foi uma das bandas mais interessantes de um per\u00edodo t\u00e3o bem retratado por Gabriel Thomaz no livro \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/08\/livro-magneticos-90\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Magn\u00e9ticos 90<\/a>\u201d (Edi\u00e7\u00f5es Ideal). Formado em 1997 na capital federal, o Rumbora se notabilizou na uni\u00e3o de elementos de ska e hardcore com letras bem humoradas, combina\u00e7\u00e3o explosiva que ganhou ainda mais impacto com os clipes, sempre bem posicionados em execu\u00e7\u00e3o nos programas da MTv Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do disco de estreia, \u201c71\u201d, lan\u00e7ado em 1999, surgiram os mais hits mais celebrados do grupo como \u201cChapirous\u201d e \u201cSka\u00f4\u201d. O videoclipe da primeira foi indicado na categoria de melhor clipe de rock no VMB (Video Music Brasil) enquanto o segundo registro em v\u00eddeo foi ainda mais longe, sendo indicado na categoria &#8220;Escolha da Audi\u00eancia&#8221;, a mais importante da MTV. O grupo tamb\u00e9m foi indicado como banda-revela\u00e7\u00e3o no Pr\u00eamio Multishow e teve cinco indica\u00e7\u00f5es nos Melhores do Ano da revista Showbizz, incluindo o de disco do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com produ\u00e7\u00e3o dividida entre Carlo Bartolini e Carlos Eduardo Miranda, o segundo \u00e1lbum, \u201cEx\u00e9rcito Positivo Operante\u201d, chegou \u00e1s lojas pelo selo Trama em 2000. Apesar dos hits \u201cO Mapa da Mina\u201d, &#8220;O Passo do Azuilson\u201d e &#8220;Veste o Uniforme&#8221; (vers\u00e3o bem-humorada de &#8220;Born to Be Alive&#8221; do cantor franc\u00eas Patrick Hernandez), a banda n\u00e3o renovou contrato com a Trama, e o terceiro disco, \u201cTrio El\u00e9trico\u201d, saiu de forma independente em 2003. A banda decidiu parar as atividades em 2005 e o vocalista Alf S\u00e1 primeiramente montou o Supergalo e, depois, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/31\/entrevista-alf-sa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">partiu para carreira solo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s mais uma d\u00e9cada dedicada a projetos pessoais, Alf S\u00e1 (guitarra e voz) e Beto Loureiro (baixo e voz) decidiram por continuar a escrever mais algumas p\u00e1ginas de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Na conversa abaixo, que celebra o retorno aos palcos do Rumbora, Alf fala sobre a era \u201c71\u201d (\u201cForam anos intensos\u201d), sobreviv\u00eancia art\u00edstica (\u201cViver de m\u00fasica ou de qualquer outra forma de express\u00e3o art\u00edstica nunca foi nem ser\u00e1 f\u00e1cil\u201d), a diferen\u00e7a ideol\u00f3gica da sua gera\u00e7\u00e3o para contemporaneidade (\u201cO mundo de hoje passa por um momento estranh\u00edssimo de muito retrocesso\u201d) e planos futuros (&#8220;N\u00e3o pretendemos ficar na nostalgia&#8221;). Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wHa9ME0rIeg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco &#8220;71&#8221; comemora 20 anos de lan\u00e7amento em 2019. Quais as lembran\u00e7as voc\u00eas daqueles tempos?<\/strong><br \/>\nForam anos intensos. Muita concentra\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o. Quando montamos a banda ensai\u00e1vamos de segunda a segunda, manh\u00e3 , tarde e noite. Muitos amigos fizeram parte dessa hist\u00f3ria desde o come\u00e7o em Bras\u00edlia e depois o bando foi aumentando exponencialmente Brasil afora. Chegamos a S\u00e3o Paulo na ponta dos cascos e ca\u00edmos matando. O f\u00e3-clube viajava pelo Brasil assistindo nossos shows em tudo que era lugar. De bar na praia e inferninhos at\u00e9 chegar ao Rock in Rio, Por\u00e3o do Rock (que tocaremos na edi\u00e7\u00e3o 2019) e as grandes casas de shows da \u00e9poca. Muita gente tatuou a logo da banda e at\u00e9 hoje muita gente me reconhece pela que fiz no cotovelo. Outras lembran\u00e7as marcantes foram a grava\u00e7\u00e3o na casa do Carlo Bartolini em Cotia num esquema &#8220;meio do mato\u201d que ajudou bastante no clima do \u00e1lbum e a mixagem em Los Angeles feita pelo Bill Kennedy (Nine Inch Nails, Alice in Chains) no Scream Studios, mesmo est\u00fadio onde foram mixados \u201cNevermind\u201d, do Nirvana, \u201cAngel Dust\u201d, do Faith No More e o primeiro do Rage Against The Machine, dentre v\u00e1rios discos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do anivers\u00e1rio do disco de estreia, quais os motivos os levaram a retomar as atividades do Rumbora?<\/strong><br \/>\nTodos. Saudade de tocar com os amigos, dos f\u00e3s que nunca desistiram da banda, de fazer m\u00fasicas novas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Vourakis e Iuri Rio Branco foram recrutados para esta nova fase. O que ambos trouxeram a sonoridade da banda?<\/strong><br \/>\nO momento agora \u00e9 de cair na estrada. Tocar o repert\u00f3rio dos \u00e1lbuns que j\u00e1 lan\u00e7amos. Como ambos j\u00e1 s\u00e3o de casa, pareceram boas escolhas para levar o plano adiante. Infelizmente, o Marcelo teve que declinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde 2005 a banda tem ensaiado o retorno as atividades, mas s\u00f3 agora o mesmo aconteceu. Por que se esperou tanto tempo?<\/strong><br \/>\nNa verdade, a banda parou em 2005. Os ensaios de retorno foram alguns anos depois. N\u00e3o se esperou, apenas as coisas n\u00e3o encaixavam. O momento de algu\u00e9m n\u00e3o cabia, um mudava de cidade, outro as ideias n\u00e3o batiam mais e os planos ficavam pelo caminho. A coisa foi se protelando at\u00e9 chegar uma hora de dar um basta e voltar pro trilho de uma vez por todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leandro (baterista na \u00e9poca do disco &#8220;Trio El\u00e9trico&#8221;) <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/1973937519582431\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">participar\u00e1 da apresenta\u00e7\u00e3o SESC 24 de Maio, em S\u00e3o Paulo dia 18 de abril<\/a>. Bacalhau, Biu e Fabr\u00edcio tamb\u00e9m foram convidados para participar desta nova tour?<\/strong><br \/>\nConversamos com todos. Nossa amizade e proximidade com o Biu e o Fabr\u00edcio sempre se mantiveram intactas mesmo quando eles sa\u00edram da banda. Mas \u00e9 uma inviabilidade geogr\u00e1fica. Biu mora em Los Angeles e Fabr\u00edcio mora em Berlim. Quando vierem pra C\u00c1, certamente participar\u00e3o. J\u00e1 a dist\u00e2ncia com o Bacalhau (que desde 2002 \u00e9 o baterista do Ultraje a Rigor) \u00e9 de afinidade de ideias. Desde que ele saiu da banda l\u00e1 em 2001 fomos ficando cada vez mais distantes. \u00c9 uma pena, mas vida que segue. O Rumbora \u00e9 maior que todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando &#8220;71&#8221; foi lan\u00e7ado, o mercado musical ainda vivia sob as r\u00e9deas da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, mas com uma ascendente cena alternativa e a internet num formato ainda primitivo. Passados 20 anos s\u00e3o percept\u00edveis diversas mudan\u00e7as quando o assunto \u00e9 a sobreviv\u00eancia musical. Para voc\u00ea que viveu as duas esferas, quais s\u00e3o as mudan\u00e7as mais significativas de l\u00e1 para c\u00e1?<\/strong><br \/>\nViver de m\u00fasica ou de qualquer outra forma de express\u00e3o art\u00edstica nunca foi nem ser\u00e1 f\u00e1cil. A diferen\u00e7a \u00e9 que naquela \u00e9poca a dificuldade maior era o custo de produ\u00e7\u00e3o. Grava\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, etc. Hoje se consegue resultados satisfat\u00f3rios com pouco investimento. Eu mesmo gravei meus singles solo no meu quarto, mandei masterizar fora, coloquei nos servi\u00e7os de streaming e foi. O desafio atualmente est\u00e1 em chegar a um n\u00famero expressivo de pessoas. Conseguir relev\u00e2ncia num mundo regido \u00e0 uma produ\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica de conte\u00fado onde o n\u00famero de curtidas e seguidores \u00e9 determinante pra que um produtor se interesse em contratar um show, por exemplo. Todo mundo quer resultados imediatos e a matura\u00e7\u00e3o essencial a tantos que fizeram hist\u00f3ria foi pro ralo. \u00c9 claro que existem artistas incr\u00edveis acontecendo pelo Brasil e pelo mundo, mas muitos est\u00e3o soterrados embaixo dessa pilha onde tudo fica cada vez mais r\u00e1pido e descart\u00e1vel. Os 15 minutos de fama que o Andy Warhol falava viraram 15 segundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual seria a melhor alternativa para criar um mercado independente sustent\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nMenos nichos, mais troca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li recentemente &#8220;Magn\u00e9ticos 90&#8221; do Gabriel Thomaz e ele comenta o qu\u00e3o efervescente era a cena de Bras\u00edlia na \u00e9poca. Qual foi o legado deixado pela sua gera\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFoi um tempo incr\u00edvel, de muitas descobertas. Soaria pretensioso da minha parte falar em legado de algo que fa\u00e7o parte. Prefiro que esse tipo de coment\u00e1rio venha de quem foi impactado por isso. J\u00e1 fico feliz de saber que muitas bandas se inspiraram no que constru\u00edmos e de saber que alguma m\u00fasica que fizemos salvou um dia ruim na vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que o Rumbora do s\u00e9culo XXI difere do de outrora?<\/strong><br \/>\nO mundo de hoje passa por um momento estranh\u00edssimo de muito retrocesso. \u00c9 impressionante como a tecnologia avan\u00e7a tanto e a humanidade continua ainda t\u00e3o primitiva e desigual. Por outro lado d\u00e1 \u00e2nimo ver que um n\u00famero significante de pessoas se pronuncia contra essa mar\u00e9. O Rumbora se inclui nesse grupo. Somos uma banda em constante evolu\u00e7\u00e3o. Que acompanha o mundo. Fomos largando as letras mais descompromissadas, caracter\u00edstica de muitas bandas da \u00e9poca, e nosso som foi ficando mais maduro e a mensagem cada vez mais afiada. Esse \u00e9 o caminho a ser seguido nessa retomada. Al\u00e9m de sempre nos renovarmos musicalmente sem perder o DNA da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m dos shows comemorativos h\u00e1 algum disco novo na pauta?<\/strong><br \/>\nOs shows comemorativos s\u00e3o um \u00f3timo motivo pra celebrar e reconectar com as pessoas que tem carinho pela banda, mas n\u00e3o pretendemos ficar na nostalgia. V\u00e1rias m\u00fasicas novas est\u00e3o a caminho. \u00c9 quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XycWXdTM37Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aPWxHnfB5Tw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hhhKg6-QY-o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Rumbora est\u00e1 de volta! Alf S\u00e1 (guitarra e voz) e Beto Loureiro (baixo e voz) retomam a banda, que havia parado em 2005, e prometem que o reencontro (20 anos depois de &#8220;71&#8221;, o disco de estreia da banda) n\u00e3o ir\u00e1 ficar s\u00f3 na nostalgia. Confira o papo!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/17\/entrevista-a-volta-do-rumbora\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":51268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2218,3654],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51267"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51551,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51267\/revisions\/51551"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}