{"id":51218,"date":"2019-04-12T08:16:55","date_gmt":"2019-04-12T11:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51218"},"modified":"2019-05-08T00:05:55","modified_gmt":"2019-05-08T03:05:55","slug":"entrevista-the-inspector-cluzo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/12\/entrevista-the-inspector-cluzo\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Inspector Cluzo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrojoaodecamargo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Jo\u00e3o<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurent Lacrouts me contou que, logo depois do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/06\/balanco-lollapalooza-brasil-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lollapalooza Brasil 2019<\/a>, ele e Mathieu Jourdain &#8211; a outra metade do duo franc\u00eas <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ticluzo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Inspector Cluzo<\/a> &#8211; voltariam imediatamente para sua fazenda. \u201cNesta quarta-feira, precisamos come\u00e7ar a plantar milho\u201d, disse em entrevista ao Scream &amp; Yell ao t\u00e9rmino de sua apresenta\u00e7\u00e3o no festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dez anos, a banda que vive apenas com uma guitarra e uma bateria alcan\u00e7ou a independ\u00eancia da ind\u00fastria aliment\u00edcia. Ou seja, em sua fazenda na Gasconha, no sudoeste da Fran\u00e7a, eles produzem tudo o que comem. \u201cEsse \u00e9 o futuro. Inclusive, estamos nos preparando para isso. No nosso celeiro, vamos montar um curso para quem quiser aprender tudo aquilo que os nossos av\u00f3s nos ensinaram.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de n\u00e3o depender do supermercado para comer, a dupla tamb\u00e9m n\u00e3o depende de nenhum agente, gravadora, ou qualquer coisa do tipo. Mesmo j\u00e1 tendo visitado mais de 52 pa\u00edses fazendo shows, s\u00e3o eles que cuidam de tudo relacionado \u00e0 banda que mistura funk rock com metal. Abaixo, Mathieu revela como eles encontraram um equil\u00edbrio para organizar tudo isso e, ainda assim, viver uma vida que eles prometem ser mais tranquila do que a de quem mora na cidade grande.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_Fld8vjxCtA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 anos de banda e 10 anos de independ\u00eancia. Por que \u00e9 importante para voc\u00eas se manterem assim e como administrar uma carreira no rock e uma fazenda org\u00e2nica em paralelo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito importante para a gente porque \u00e9 assim que garantimos que a nossa m\u00fasica seja sempre verdadeira. Sem compromisso com ningu\u00e9m. O que a gente fez no palco aqui do Lollapalooza, por exemplo, \u00e9 algo \u00fanico, diferente de todo mundo. Acho muito complicado fazer esse tipo de coisa quando tem v\u00e1rias outras pessoas investindo dinheiro nisso. E, depois de tanto tempo, a gente est\u00e1 se estruturando cada vez mais para conseguirmos fazer tudo \u201csozinhos\u201d. Por exemplo, nosso selo, agora, \u00e9 distribu\u00eddo pela <a href=\"http:\/\/www.caroline.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Caroline Records<\/a>, mas o contrato \u00e9 \u00fanica e exclusivamente de distribui\u00e7\u00e3o. Quem paga as contas, ainda somos n\u00f3s. Trabalhamos muito: organizamos agenda, administramos o selo, coordenamos todas as atividades\u2026 J\u00e1 passamos por mais de 52 pa\u00edses, sabe? Mas, somos um time. Temos um bom engenheiro de som, minha mulher cuida dos contratos e, quando n\u00e3o estamos na fazenda, \u00e9 ela quem cuida de tudo l\u00e1. Com ajuda dos nossos vizinhos, \u00e9 claro. S\u00e3o os dois velhinhos que aparecem no nosso document\u00e1rio &#8220;Rockfarmers&#8221; (2015 &#8211; nota do editor: que voc\u00ea pode assistir no final do texto). Eles s\u00e3o brasileiros, inclusive. Todo mundo se ajuda por ali. Mas, \u00e9 isso, quando a gente voltar, vamos imediatamente come\u00e7ar a plantar milho nessa quarta-feira. \u00c9 o equil\u00edbrio que encontramos e queremos manter as coisas como est\u00e3o. Ali\u00e1s, achamos que n\u00e3o faz sentido ficar trabalhando que nem louco. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem agente que fica pressionando a banda, prazos rid\u00edculos, etc. Adorar\u00edamos abrir para o Pearl Jam, mas talvez isso s\u00f3 aconte\u00e7a se eles mesmos conhecerem o nosso som naturalmente. Acho que se vissem, iam gostar (risos). Essa \u00e9 a nossa hist\u00f3ria e ela j\u00e1 tem 10 anos. Acho que est\u00e1 dando certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Soube que voc\u00eas costumam aproveitar as viagens de shows para visitar fazendas dos pa\u00edses em que est\u00e3o. Fizeram isso no Brasil?<\/strong><br \/>\nAqui n\u00e3o conseguimos, mas fizemos isso na Costa Rica. Vimos algumas coisas interessantes por l\u00e1. Porque a gente sempre pega algumas refer\u00eancias do que a gente v\u00ea pelo mundo e tentamos adaptar para a nossa realidade. Por exemplo, no M\u00e9xico, a gente viu um document\u00e1rio enquanto est\u00e1vamos l\u00e1. Eles tem um m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o em que se planta milho, feij\u00e3o e ab\u00f3bora ao mesmo tempo. Quando voltamos, falei para minha mulher: vamos fazer um quadrado, jogar um milho e ver se isso vai funcionar. Tentamos fazer um pouco de arroz tamb\u00e9m com as coisas que aprendemos no Jap\u00e3o. Coisas desse tipo. No Brasil, n\u00e3o, mas a gente est\u00e1 planejando em fazer isso em breve. Porque como todos os pa\u00edses grandes do mundo, principalmente nos pa\u00edses mais novos e ricos, \u00e9 uma luta entre a ind\u00fastria e as fazendas org\u00e2nicas. Na Fran\u00e7a \u00e9 um pouco parecido, tem uma fazenda que vai abrir na frente da nossa que ser\u00e1 gigantesca. Na sexta-feira, temos uma reuni\u00e3o para brigar pelo nosso espa\u00e7o, inclusive. Quer\u00edamos fazer a\u00e7\u00f5es, na verdade, com os fazendeiros dos lugares em que visitamos para conscientizar todo mundo a respeito do uso de agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos. Fizemos isso nos Estados Unidos, em Wyoming, Kansas, Wisconsin&#8230; Discutimos isso com eles. Em alguns lugares, inclusive, eles nem tinham essa possibilidade em mente, mas estavam abertos para avaliar nossas propostas. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem briga-briga, de fato. \u00c9 uma conex\u00e3o que tentamos fazer. At\u00e9 porque, mesmo para a gente, na Fran\u00e7a \u00e9 muito dif\u00edcil fazer as coisas como a gente faz. N\u00e3o tem nenhum pesticida no nosso circuito todo por ali. Por isso, temos muitas abelhas na nossa regi\u00e3o. Mas, se os caras come\u00e7arem a usar na fazenda da frente, n\u00e3o teremos mais essas abelhas. Ent\u00e3o, a gente precisa se proteger para conseguir continuar assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em geral, o rock \u00e9 associado \u00e0 vida nas grandes cidades. Por que voc\u00eas escolheram especificamente o rock para investir? Como e quando o rock surgiu na vida de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nO rock \u00e9 mais urbano quando ele \u00e9 ingl\u00eas. A gente segue uma linha mais norte-americana, que tem a ver com o interior, com o solo, com a terra. A gente faz uma m\u00fasica &#8220;caipira&#8221;, por assim dizer. Sentimos o cheiro do ch\u00e3o. Tudo de um jeito norte-americano e agressivo, se n\u00e3o, nem rock \u00e9, \u00e9 m\u00fasica pop. N\u00f3s tentamos fazer um balan\u00e7o, sempre respeitando quem n\u00f3s somos. N\u00f3s n\u00e3o somos norte-americanos, mas respeitamos profundamente essa m\u00fasica que, na realidade, nasceu no centro dos Estados Unidos com a escravid\u00e3o. Para ir al\u00e9m na sua quest\u00e3o, achamos que essa m\u00fasica precisa ser regenerada por novas gera\u00e7\u00f5es das quais n\u00e3o fazemos mais parte. E, na medida do poss\u00edvel, seria muito bom se essas novas propostas n\u00e3o viessem dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Queria ver um approach novo. Mas, com respeito \u00e0s bases dessa m\u00fasica: feita com seriedade, agressividade (de um jeito bom), poderosa, rock and roll. E essas novas abordagens existem. Em Madagascar, por exemplo, tem uma cena forte. Na Fran\u00e7a praticamente n\u00e3o h\u00e1 rock, porque ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o cultural l\u00e1, mas a gente vem de uma parte da Fran\u00e7a que se conecta demais com o solo e isso naturalmente leva a gente para o rock, de certa forma. Mas, \u00e9 isso. Tem o Greta Van Fleet, que n\u00f3s amamos. Ficamos muito felizes de ver uma banda jovem como eles dando certo. Tocando um rock norte-americano e tendo sucesso, precisamos desse tipo de m\u00fasica sendo revigorada. Por exemplo, no meio do nosso show, a gente faz umas piadas. \u00c9 uma coisa nossa. Agora, se voc\u00ea fizer isso na Inglaterra, as pessoas v\u00e3o ficar chateadas. Porque o rock \u00e9 como uma religi\u00e3o, uma igreja. Mas, tem que sair disso! \u00c9 irritante. \u00c9 isso: precisamos ter pessoas diferentes fazendo rock. \u00c9 respeitar as regras e ser barulhento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cCultural Misunderstanding\u201d, me parece que voc\u00eas est\u00e3o falando sobre alteridade. No Brasil, \u00e9 comum associar a vida no campo, nas fazendas, a um ponto de vista pol\u00edtico conservador. Parcialmente, isso procede quando consideramos a quantidade de riqueza concentrada nas m\u00e3os dos donos de terra. Como voc\u00eas est\u00e3o ajudando a mudar essa perspectiva? E mais, a vida na fazenda \u00e9 para todo mundo?<\/strong><br \/>\nOk, eu n\u00e3o sabia isso do Brasil. Na Fran\u00e7a, \u00e9 diferente. Tem poucas pessoas morando no interior por l\u00e1. Devem ter umas oito cidades em que todo mundo fica concentrado. S\u00e3o capitais enormes. N\u00f3s somos da gera\u00e7\u00e3o que decidiu trilhar um caminho oposto. E, nesse sentido, fomos muito corajosos, porque n\u00f3s voltamos de verdade para o campo. O futuro \u00e9 voc\u00ea plantar sua comida, ser independente, conservar o espa\u00e7o em que voc\u00ea vive, e precisamos respeitar n\u00f3s mesmos tamb\u00e9m, precisamos respeitar uns aos outros. N\u00e3o h\u00e1 nada de conservadorismo nisso. As pessoas que fazem isso, na Fran\u00e7a, s\u00e3o progressistas. \u00c9 claro que sempre tem gente est\u00fapida, em qualquer lugar tem. Mas, eu diria que as pessoas mais conservadoras, hoje, est\u00e3o nas metr\u00f3poles. Nossa maneira de viver \u00e9 a mais l\u00f3gica e essa \u00e9 uma conclus\u00e3o em que as pessoas, eventualmente, v\u00e3o chegar. N\u00f3s somos a gera\u00e7\u00e3o que vai ensinar as novas gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o saindo das cidades, ou que um dia sair\u00e3o das cidades, a como se alimentar quando eles perceberem que esse \u00e9 o futuro. E a gente est\u00e1 se preparando para isso. No nosso celeiro, a gente montou uma escola. Vamos explicar tudo o que n\u00f3s aprendemos com o nosso av\u00f4. Queremos transmitir isso. Porque, com certeza, uma hora esse momento vai chegar. N\u00e3o s\u00e3o todas as pessoas que nasceram para isso, mas eu diria 50% ou 30% das pessoas v\u00e3o se cansar de comer por\u00e7\u00f5es est\u00fapidas de comida, de se estressar o tempo inteiro, de ficar preso no tr\u00e2nsito&#8230; Isso n\u00e3o \u00e9 vida. N\u00e3o \u00e9 nada! \u00c9 um passo pequeno, mas \u00e9 um passo. A gente viu os nossos av\u00f3s serem completamente felizes no campo, alimentando-se independente. Eles conseguiram atravessar duas guerras e mantiveram o sorriso no rosto o tempo todo. \u00c9 esse o exemplo que queremos seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GUZnfsPNoMc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rVopeu8_FKQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CLfYz9dalvM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrojoaodecamargo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Jo\u00e3o<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista tendo passado pelas reda\u00e7\u00f5es da Elle Brasil e da Veja Comer e Beber.\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pedrocamargo_58201\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conhe\u00e7a seu canal no Medium<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 dez anos, a banda que vive apenas com uma guitarra e uma bateria alcan\u00e7ou a independ\u00eancia da ind\u00fastria aliment\u00edcia. 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