{"id":51141,"date":"2019-04-08T01:17:17","date_gmt":"2019-04-08T04:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=51141"},"modified":"2019-05-05T20:55:17","modified_gmt":"2019-05-05T23:55:17","slug":"entrevista-a-francesa-multicultural-jain","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/08\/entrevista-a-francesa-multicultural-jain\/","title":{"rendered":"Entrevista: a francesa multicultural Jain"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrojoaodecamargo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Jo\u00e3o<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem diga que idade \u00e9 um n\u00famero desimportante, que n\u00e3o quer dizer nada sobre quem o carrega. No entanto, no caso da francesa Jain, seus 27 anos servem de ponto de partida para algumas quest\u00f5es importantes. Al\u00e9m do fato de ser uma artista prod\u00edgio \u2013 suas primeiras composi\u00e7\u00f5es desabrocharam por entre os 12 e 13 anos \u2013, ela tamb\u00e9m est\u00e1 inserida em uma gera\u00e7\u00e3o que cresceu com a internet. Isso significa que desde cedo, como a maioria dos nascidos no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, Jain est\u00e1 conectada com o mundo: enquanto gera\u00e7\u00e3o, os &#8220;millennials&#8221; podem at\u00e9 discordar radicalmente entre si, mas, de alguma forma, est\u00e3o brigando por tentar convencer uns aos outros de suas novas maneiras de transformar o mundo em um lugar melhor. Por isso os text\u00f5es no Facebook, as infinitas &#8220;threads&#8221; no Twitter e os debates de mesa de bar que parecem nunca acabar \u2013 e andam cada vez mais acalorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para algu\u00e9m com acesso a tanta informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 estranho pensar que Jain poderia nunca ter ouvido falar em apropria\u00e7\u00e3o cultural. No entanto, os desavisados que assistem aos seus clipes ou ouvem suas m\u00fasicas \u2013 que combinam pop com Afrobeat e influ\u00eancias da m\u00fasica \u00e1rabe \u2013 podem imaginar que trata-se de mais uma menina branca que acha que pode se aproveitar de culturas que n\u00e3o s\u00e3o suas. Usando-as como artigo decorativo, perfume ou enfeite na sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa sorte \u00e9 que essa primeira impress\u00e3o est\u00e1 longe de condizer com a verdade. Apesar de ter nascido na Fran\u00e7a, a jovem musicista viveu por anos no Congo e nos Emirados \u00c1rabes. Sua inf\u00e2ncia foi marcada pelas mudan\u00e7as de pa\u00eds feitas ao lado de seu pai que trabalha para a ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Praticamente de tr\u00eas em tr\u00eas anos, Jain via sua vida virar de ponta cabe\u00e7a: novos amigos, nova escola, novas m\u00fasicas, novas culturas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso, de um jeito ou de outro, acabou entrando para o seu repert\u00f3rio. Depois desses deslocamentos, a artista se deparou com dois sentimentos abissais: o primeiro, uma solid\u00e3o irresoluta usada como combust\u00edvel para seus impulsos criativos; e o segundo, a cren\u00e7a de que \u00e9 a alteridade e a no\u00e7\u00e3o de que somos todos iguais que v\u00e3o trazer para essa sua gera\u00e7\u00e3o inconformada o futuro pac\u00edfico t\u00e3o sonhado. N\u00e3o \u00e0 toa, o show que ela trouxe para o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/06\/balanco-lollapalooza-brasil-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lollapalooza Brasil 2019<\/a> foi baseado em seu segundo disco &#8220;Souldier&#8221; (2018) &#8211; intitulado pelo am\u00e1lgama das palavras inglesas &#8220;soul&#8221; (alma) e &#8220;soldier&#8221; (guerreiro\/soldado). Em entrevista ao Scream &amp; Yell, durante o festival, Jain falou sobre sua bagagem, sua m\u00fasica e a mensagem que tenta deixar em cada lugar que visita. Brasil incluso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tEXEg6w6BMg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea viveu em muitos pa\u00edses diferentes durante a sua vida. Como cada um desses lugares impactou voc\u00ea e sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nEu jamais teria sequer feito m\u00fasica se n\u00e3o fossem por essas viagens. Quando se \u00e9 uma adolescente viajando desse jeito, tudo muda muito agressivamente. Voc\u00ea tem que deixar tudo para tr\u00e1s v\u00e1rias vezes. Ao mesmo tempo que se abre para coisas novas o tempo todo: novos amigos, nova escola, tudo. De qualquer maneira, isso fez com que eu me sentisse muito sozinha. A minha m\u00fasica, na verdade, veio dessa solid\u00e3o. Minha vida foi moldada por isso, eu sou feita dessas conex\u00f5es e elas s\u00e3o tudo para a minha m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por causa da influ\u00eancia \u00e1rabe e africana na sua m\u00fasica, voc\u00ea j\u00e1 foi acusada de cometer apropria\u00e7\u00e3o cultural. Como voc\u00ea lidou com essas acusa\u00e7\u00f5es? Em algum momento elas fizeram voc\u00ea duvidar das escolhas que tomou?<\/strong><br \/>\nA verdade \u00e9 que em nenhum momento eu fui literalmente acusada de apropria\u00e7\u00e3o cultural. Ningu\u00e9m afirmou assim t\u00e3o categoricamente que meu trabalho se tratava disso. O que acontece, em geral, \u00e9 que eu sou questionada a respeito do assunto. E \u00e9 \u00f3bvio que eu tenho que me explicar. Mas, depois que eu explico, as pessoas sempre entendem. Eu sei o que eu vivi e sei que isso \u00e9 verdadeiro e sei que n\u00e3o estou roubando uma cultura ou tentando fazer algo que n\u00e3o \u00e9 meu parecer meu. Eu vivi nesses pa\u00edses, eu cresci com essas refer\u00eancias, ent\u00e3o uma acusa\u00e7\u00e3o dessas me pareceria um pouco nonsense. Meu trabalho, inclusive, \u00e9 exatamente sobre o contr\u00e1rio: sobre uni\u00e3o, sobre alteridade e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na faixa &#8220;Makeba&#8221; do seu primeiro disco, voc\u00ea faz uma homenagem \u00e0 Miriam Makeba que &#8211; al\u00e9m de ser uma cantora de sucesso &#8211; tamb\u00e9m foi uma importante ativista contra o Apartheid na \u00c1frica do Sul. Voc\u00ea acredita que a m\u00fasica tem o poder de aferir mudan\u00e7as pol\u00edticas no mundo? Se sim, de que maneira o seu trabalho faz isso?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei dizer com precis\u00e3o se a m\u00fasica tem, de fato, essa capacidade. O que eu posso dizer \u00e9 que eu espero que tenha. Quando eu escrevi &#8220;Makeba&#8221;, meu intuito foi o de mostrar para o mundo \u2013 especialmente para as mulheres \u2013 o trabalho dessa ativista e artista \u00fanica. S\u00e3o poucas as mulheres que lutaram como ela lutou e, para mim, \u00e9 muito importante que saibam quem ela foi. Escrevo m\u00fasicas porque sou uma sonhadora. O meu sonho \u00e9 um mundo melhor, um mundo pac\u00edfico e \u00e9 essa a minha abordagem \u00e0 m\u00fasica. Escrevo e falo sobre esperan\u00e7a e queria muito que quem me ouve possa sentir isso tamb\u00e9m. \u00c9 essa a conex\u00e3o que eu adoraria que as pessoas tivessem com a minha m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/59Q_lhgGANc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea pudesse incluir qualquer artista, vivo ou morto, no seu palco, quem voc\u00ea chamaria?<\/strong><br \/>\nNossa, essa \u00e9 dif\u00edcil. Hm&#8230; Acho que o Bob Marley seria muito divertido. O Kendrick Lamar, com certeza. E, uau, a Beyonc\u00e9! A Beyonc\u00e9, por favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 muito jovem e j\u00e1 est\u00e1 fazendo muito sucesso. Onde imagina estar daqui uns anos?<\/strong><br \/>\nEspero continuar na m\u00fasica. Eu tento levar a minha carreira como uma maratona e n\u00e3o como uma corrida. Quero tomar o tempo que for necess\u00e1rio para fazer as coisas darem certo. Quero fazer a minha arte e n\u00e3o cair nessa armadilha do mundo dos neg\u00f3cios, quero continuar sendo verdadeira comigo. Vai demorar mais tempo, mas \u00e9 assim que eu prefiro fazer as coisas. Se tudo der certo, daqui a pouco eu j\u00e1 estou de volta ao Brasil para a gente se divertir mais juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea achou do Brasil? Mesmo depois da chuva, o p\u00fablico continuou animado?<\/strong><br \/>\nFoi muito legal! Mesmo depois da tempestade, eu amei a experi\u00eancia. E amei a cidade. Conheci o Beco do Batman, sou f\u00e3 de arte de rua! Fui a \u00f3timos restaurantes que n\u00e3o lembro o nome, mas estou amando o Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KSgGY2Y9daA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedrojoaodecamargo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Jo\u00e3o<\/a> \u00e9 jornalista tendo passado pelas reda\u00e7\u00f5es da Elle Brasil e da Veja Comer e Beber. <a href=\"https:\/\/medium.com\/@pedrocamargo_58201\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conhe\u00e7a seu canal no Medium<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Will Keeler durante uma sessio na Minnesota Public Radio, em que Jain conversou e cantou tr\u00eas can\u00e7\u00f5es: &#8220;Makeba&#8221;, &#8220;Inspecta&#8221; e &#8220;Alright&#8221;. <a href=\"https:\/\/www.thecurrent.org\/feature\/2018\/10\/20\/jain-performs-in-the-current-studio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ou\u00e7a online a session<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Escrevo m\u00fasicas porque sou uma sonhadora. O meu sonho \u00e9 um mundo melhor, um mundo pac\u00edfico e \u00e9 essa a minha abordagem \u00e0 m\u00fasica&#8221;, contou Jain ap\u00f3s seu show no Lollapalooza. Confira! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/08\/entrevista-a-francesa-multicultural-jain\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":66,"featured_media":51142,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3634,190],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51141"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51141"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51172,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51141\/revisions\/51172"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}