{"id":50951,"date":"2019-04-02T12:19:09","date_gmt":"2019-04-02T15:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50951"},"modified":"2019-04-25T14:25:13","modified_gmt":"2019-04-25T17:25:13","slug":"entrevista-ultramen-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/02\/entrevista-ultramen-2019\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ultramen (2019)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela d\u00edvida de apresentar um novo disco que a Ultramen tinha com os f\u00e3s foi quitada em 2018, no lan\u00e7amento de \u201cTente Enxergar\u201d. Desde 2006, quando saiu \u201cCapa Preta\u201d, que o conjunto ga\u00facho n\u00e3o disponibilizava um \u00e1lbum de in\u00e9ditas. Mas te ligo, bico: o quinto trabalho na discografia dos caras mostra que eles n\u00e3o perderam a m\u00e3o e nem a capacidade de misturar rock, rap, samba, soul e MPB com maestria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revisitar a obra da Ultramen \u00e9 como passear em uma m\u00e1quina tempo. Logo, nada mais adequado do que os pr\u00f3prios m\u00fasicos falarem sobre como tem sido a viagem desde 1991, ano em que a banda foi criada. Por isso, nesta entrevista, alguns integrantes da forma\u00e7\u00e3o atual \u2014 que tem Tonho Crocco (voz), Pedro Porto (baixo), Mal\u00e1sia (percuss\u00e3o), Leonardo Boff (teclado), DJ Anderson (scratches) e Z\u00e9 Darcy (bateria) \u2014 respondem uma bateria de quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os temas abordados, est\u00e3o: como agregar, de canto e sossegado, influ\u00eancias sonoras distintas, a peleia que \u00e9 montar um repert\u00f3rio e o que mant\u00eam os ultramanos pilhados para seguirem nessa estrada perdida da m\u00fasica. Al\u00e9m, uma lista dedicada de refer\u00eancias que ajudaram a formam cada um dos \u00e1lbuns da Ultramen, um balaio classudo em que cabem de Beastie Boys e Funkadelic e Parliament a Beatles, Mutantes e Bob Marley! Confira o papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YsYPIRRoqu8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Ultramen \u00e9 uma das bandas que despontaram por volta do fim dos anos 1990 no cen\u00e1rio ga\u00facho. Desde ent\u00e3o, outros artistas dessa leva diminu\u00edram o ritmo \u2014 alguns at\u00e9 pararam \u2014, mas voc\u00eas seguem na ativa. O que os mant\u00eam tocando juntos, seja no est\u00fadio ou no palco?<\/strong><br \/>\nPedro Porto \u2014 O prazer de tocar juntos e o respeito pela nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Olhar para os discos que gravamos no passado nos d\u00e1 vontade de manter a m\u00e1quina em movimento, de produzir cada vez mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em rock ga\u00facho\u2026 Voc\u00eas t\u00eam elementos do rock (forma\u00e7\u00e3o instrumental e peso no som, por exemplo), mas a musicalidade da Ultramen vai al\u00e9m. Tem refer\u00eancia do rap, do reggae, de m\u00fasica brasileira, do dub e at\u00e9 do pop. Consideram-se uma banda de rock? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nPedro Porto \u2014 Falar de r\u00f3tulos \u00e9 complicado no caso da Ultramen, justamente porque a proposta da banda sempre foi misturar estilos diversos com o objetivo de apresentar um resultado final original. E o rock como r\u00f3tulo tamb\u00e9m pode ser confuso, porque engloba Dead Kennedys, Erasmo Carlos e The Police. A gente n\u00e3o v\u00ea a Ultramen como uma banda de rock hoje em dia, mas, com certeza, o rock aparece como uma das refer\u00eancias mais fortes, junto com o reggae, o rap e a soul music.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a forma\u00e7\u00e3o dessa identidade musical bem ecl\u00e9tica? Ainda mais em uma \u00e9poca na qual misturar estilos nem sempre era algo visto com bons olhos?<\/strong><br \/>\nPedro Porto \u2014 A ideia original era misturar rap com rock pesado, o que n\u00e3o era incomum no in\u00edcio dos anos 90. Com o tempo, fomos experimentando com outros estilos, como reggae, samba rock, funk e tradicionalismo ga\u00facho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas enxergam que essa gama de refer\u00eancia se distribui na discografia da banda? Tipo: os dois primeiros s\u00e3o mais agressivos, com guitarras nervosas. Os dois seguintes j\u00e1 soam mais acess\u00edveis, dando espa\u00e7o para sonoridades menos pesadas. E por a\u00ed vai. Como voc\u00eas avaliam isso?<\/strong><br \/>\nLuciano Mal\u00e1sia \u2014 Na verdade, n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula, mas, no in\u00edcio, a gente tentava agregar som pesado (metal, hardcore) com funk old school e hip hop. Com o passar do tempo, foram entrando reggae e m\u00fasica brasileira, principalmente por conta de alguns integrantes terem esses estilos nas bandas covers ou trabalhos paralelos da \u00e9poca. Eu diria que, no primeiro disco, a gente estava tentando equilibrar as influencias de sete anos de atividade. A partir do \u00e1lbum \u201cOlel\u00ea\u201d (2000) j\u00e1 conseguimos essa harmonia. A sequ\u00eancia da discografia \u00e9 uma mistura dessa nossa tend\u00eancia musical curiosa e alquimista com o que est\u00e1vamos ouvindo no momento, sejam novidades ou coisas antigas que sempre curtimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teria como citar artistas e\/ou discos que influenciaram cada \u00e1lbum da Ultramen?<\/strong><br \/>\nTonho Crocco \u2014 No primeiro disco, \u201cUltramen\u201d (1998), podemos citar Red Hot Chilli Peppers, Faith no More, Public Enemy e Sepultura. J\u00e1 no segundo, \u201cOlel\u00ea\u201d, Beastie Boys, Tim Maia, Dr. Dre, Bob Marley, Lee Perry e C\u00e9sar Passarinho. No terceiro, \u201cO Incr\u00edvel Caso da M\u00fasica que Encolheu e Outras Hist\u00f3rias\u201d (2002): Mutantes, Luis Vagner e Jorge Ben. No quarto disco, \u201cCapa Preta\u201d (2006), pode ser Funkadelic, Parliament e Beatles. J\u00e1 no quinto, \u201cTente Enxergar\u201d (2018), diria que Zapp, Gustavo Black Alien e Augustus Pablo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O trabalho mais recente, \u201cTente Enxergar\u201d, comprova que voc\u00eas s\u00e3o uma banda sem medo de experimentar. Tem de composi\u00e7\u00f5es alto-astral ao hardcore. A ideia era um criar um trampo com essa diversidade musical mesmo?<\/strong><br \/>\nPedro Porto \u2014 Essa diversidade j\u00e1 aparecia em outros discos da Ultramen, como em \u201cO Incr\u00edvel Caso da M\u00fasica que Encolheu e Outras Hist\u00f3rias\u201d, por exemplo. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 planejado. Durante o processo de composi\u00e7\u00e3o, as ideias v\u00e3o sendo trazidas e n\u00f3s vamos arranjando as m\u00fasicas da forma que nos pare\u00e7a soar melhor. O que acontece \u00e9 que, por ter uma gama enorme de gostos musicais entre os m\u00fasicos da banda, dificilmente algu\u00e9m vai dizer \u201cn\u00e3o d\u00e1 para fazer assim, porque vai ficar muito diferente das outras\u201d. Uma das coisas legais de tocar na Ultramen \u00e9 esse grau de liberdade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o se tem comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de papai Noel, Gnomo, ET e tampouco show fraco da Ultramen. De onde vem essa pilha para sempre apresentar o melhor poss\u00edvel ao vivo?<\/strong><br \/>\nZ\u00e9 Darcy \u2014 Da Gal\u00e1xia M-78 e da c\u00e1psula beta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas escolhem o repert\u00f3rio? Que tipo de som costuma funcionar mais ao vivo?<\/strong><br \/>\nMal\u00e1sia \u2014 Escolher um repert\u00f3rio que caiba em 1h30min de show com uma discografia que tem cinco discos \u00e9 meio complicado. Temos uma espinha dorsal que parte dos hits que a gente n\u00e3o pode deixar de tocar, como \u2018Bico de Luz\u2019, \u2018D\u00edvida\u2019, \u2018Santo Forte\u2019 e \u2018Tubar\u00e3ozinho\u2019 \u2014 para dar exemplo de m\u00fasicas dos nossos quatro primeiros \u00e1lbuns. Sempre acaba ficando algo de fora e, agora, com disco novo ainda, temos que colocar as m\u00fasicas novas, como \u2018Robot Baby\u2019 e \u2018Tive Tudo\u2019. Geralmente, a gente bate cabe\u00e7a para montar isso no camarim, pensando no tempo do show, e deixa umas tr\u00eas confirmadas para o bis. Quando \u00e9 show coletivo e o tempo \u00e9 menor, a gente corta as que sabe que ficam muito longas ou s\u00e3o menos empolgantes ao vivo. \u00c0s vezes, essa fun\u00e7\u00e3o de setlist \u00e9 meio extenuante, porque \u00e9 preciso ter um impacto no in\u00edcio e n\u00e3o d\u00e1 para deixar a peteca cair durante o show. Mas a gente sempre consegue montar algo que nos agrada e tamb\u00e9m ao p\u00fablico. No fim das contas, \u00e9 isso que importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual m\u00fasica da Ultramen voc\u00eas acreditam que \u00e9 uma boa trilha para se tatuar? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nTonho Crocco \u2014 N\u00e3o sei se falo pela banda, mas gosto de m\u00fasicas mais calmas para tatuar. Alivia a tens\u00e3o, a dor e o estresse da adrenalina que \u00e9 ser riscado. Eu sugiro \u2018Estrada Perdida Dub\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para o show do Inked Art Tattoo Fest, alguma novidade ou surpresa deve rolar?<\/strong><br \/>\nTonho \u2014 A turn\u00ea do novo disco, \u201cTente Enxergar\u201d, come\u00e7a oficialmente no show do dia 14 de abril, na Inked Art. Ent\u00e3o, \u00e9 um show novo e diferente, com as m\u00fasicas novas e as antigas mais pedidas pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1RqlmQYFeVA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VVZXu7bblUk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VJTCgxss2pM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>. Entrevista cedida pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/abstratti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Abstratti Produtora<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Ville Juurikkala \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211; Entrevista Ultramen (2006): &#8220;<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/ultramen_entrevista.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A banda quase acabou no s\u00e9timo ano de exist\u00eancia<\/a>&#8221;<br \/>\n&#8211; Entrevista Ultramen (2016): &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/23\/entrevista-ultramen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A gente segue essa cartilha com orgulho: misturar m\u00fasica, cores e pessoas<\/a>&#8220;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aquela d\u00edvida de apresentar um novo disco que a Ultramen tinha com os f\u00e3s foi quitada em 2018, no lan\u00e7amento de \u201cTente Enxergar\u201d. 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