{"id":5092,"date":"2010-05-11T00:26:27","date_gmt":"2010-05-11T03:26:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5092"},"modified":"2018-06-27T12:17:42","modified_gmt":"2018-06-27T15:17:42","slug":"viajo-porque-preciso-volto-porque-te-amo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/11\/viajo-porque-preciso-volto-porque-te-amo\/","title":{"rendered":"Viajo porque preciso, volto porque&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5094\" title=\"viajo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/viajo.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/ttrigo\" target=\"_blank\">Tiago Trigo<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um filme corajoso. Em \u201cViajo porque preciso, volto porque te amo\u201d, os diretores Marcelo Gomes (\u201cCinema, Aspirinas e Urubus\u201d) e Karim A\u00efnouz (\u201cMadame Sat\u00e3\u201d, \u201cO C\u00e9u de Suely\u201d) criaram uma hist\u00f3ria sem di\u00e1logos. Mon\u00f3logos naturalmente fazem mais sentido no teatro, at\u00e9 porque o espectador fica cara a cara com seu interlocutor, v\u00ea seu rosto e express\u00f5es. Faz menos sentido na tela grande justamente porque o cinema permite o jogo de c\u00e2meras, a varia\u00e7\u00e3o de lugares, cen\u00e1rios, tomadas, luzes e, \u00f3bvio, a intera\u00e7\u00e3o entre os personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de encarar um mon\u00f3logo no cinema (quase 100% do filme s\u00f3 tem a voz de um personagem), o espectador n\u00e3o v\u00ea o protagonista em momento algum \u2013 ele narra tudo em primeira pessoa. Se v\u00ea o filme pelos olhos dele, a c\u00e2mera, inclusive um cartaz que explica o t\u00edtulo. A voz \u00e9 de Irandhir Santos, que, ao que tudo indica, dever\u00e1 ser a pr\u00f3xima sensa\u00e7\u00e3o do cinema nacional. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 em \u201cQuincas Berro D\u2019Agua\u201d e teve sua atua\u00e7\u00e3o muito elogiada pelos pr\u00f3prios colegas em \u201cTropa de Elite 2\u201d, em fase final, que estreia em setembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cViajo porque preciso, volto porque te amo\u201d, o ge\u00f3logo Jos\u00e9 Renato roda por Pernambuco fazendo uma pesquisa para o projeto de transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas de um rio para acabar com a seca (pensa-se, logo, no S\u00e3o Francisco, mas o projeto do mundo real n\u00e3o \u00e9 citado nominalmente). Sua vida profissional, no entanto, \u00e9 apenas pano de fundo para um drama pessoal. Sim, \u00e9 um filme sobre amor, mas n\u00e3o \u00e9 \u201cmais um filme sobre amor\u201d. A narrativa foge de todas as formas convencionais e a \u00fanica fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre este amor s\u00e3o os pensamentos do narrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A c\u00e2mera tenta expressar a apatia, tristeza e o estado quase catat\u00f4nico em que algu\u00e9m pode ficar por causa do amor (ou pela falta dele). Por\u00e9m, estes longos momentos com a c\u00e2mera parada \u2013 simulando, muitas vezes, o olhar perdido do protagonista \u2013 fazem com que um filme de pouco mais de uma hora e dez minutos torne-se longo para quem o assiste. O isolamento do personagem faz o come\u00e7o do filme soar mon\u00f3tono, mas a hist\u00f3ria melhora (um pouco) com o passar do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma clara inten\u00e7\u00e3o de relatar as cinco fases da perda (nega\u00e7\u00e3o, raiva, barganha, depress\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o) ou, pelo menos, algumas delas, e a op\u00e7\u00e3o de usar a narrativa dos pensamentos de quem a sente \u00e9 criativa e, talvez, o principal ponto positivo do filme. O mon\u00f3logo, ali\u00e1s, fica mais interessante quando o protagonista sai da nega\u00e7\u00e3o e entra na fase da raiva. O texto ganha impacto e a monotonia do in\u00edcio vai embora quando ele abandona o isolamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, Jos\u00e9 Renato apresenta personagens, desde fabricantes de colch\u00f5es (a forma como o colch\u00e3o \u00e9 exibido remete a uma noite de amor) a prostitutas. Ensaia at\u00e9 uma entrevista com uma delas. Mas este ar documental, embora tire a monotonia do come\u00e7o, n\u00e3o chega a fazer o filme decolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m que esteja vivendo um momento parecido com o do ge\u00f3logo pode se identificar e ter outra percep\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se engane: \u201cViajo porque preciso, volto porque te amo\u201d \u00e9 um filme de arte, daqueles em que o sil\u00eancio e as imagens tamb\u00e9m formam palavras. Por isso, \u00e9 de dif\u00edcil digest\u00e3o e tende a ter pouco p\u00fablico. O resultado final n\u00e3o \u00e9 esplendoroso, mas \u00e9 bom ver cineastas brasileiros fora do circuito global de or\u00e7amento arriscando cada vez mais. S\u00f3 assim o cinema nacional pode amadurecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5095 aligncenter\" title=\"viajo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/viajo2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/viajo2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/viajo2-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago Trigo \u00e9 jornalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Trigo\nNo corajoso filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, Marcelo Gomes e Karim A\u00efnouz criaram uma hist\u00f3ria sem di\u00e1logos. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/11\/viajo-porque-preciso-volto-porque-te-amo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":61,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/61"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5092"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5260,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5092\/revisions\/5260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}