{"id":5073,"date":"2010-05-09T08:49:54","date_gmt":"2010-05-09T11:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5073"},"modified":"2023-03-29T00:04:16","modified_gmt":"2023-03-29T03:04:16","slug":"entrevista-nasi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/09\/entrevista-nasi\/","title":{"rendered":"Nasi fala de futebol e alforria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5074\" title=\"nasi\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/nasi.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yuri de Castro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No m\u00eas de lan\u00e7amento de seu novo \u00e1lbum, \u201cVivo na Cena\u201d, o pobre paulista Nasi tem em sua agenda duas apresenta\u00e7\u00f5es marcadas no Estado do Esp\u00edrito Santo: o primeiro em Vit\u00f3ria e o outro em Colatina, interior do Estado. Na capital, o show \u00e9 para um p\u00fablico considerado adulto (talvez voc\u00ea esbarre com algu\u00e9m pela casa lamentando \u201cn\u00e3o se faz mais rock no Brasil do jeito que era feito nos 80\u201d). Em Colatina, Nasi toca \u00e0s tr\u00eas da manh\u00e3 em uma festa que comemora o jeito cafona de se vestir e de se viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas coisas no Brasil s\u00e3o t\u00e3o defasadas, que as pessoas ainda acham cafona se vestirem com um palet\u00f3 e um girassol na lapela. Isso j\u00e1 \u00e9 tend\u00eancia perto da quantidade de Ray-Bans Wayfares (de grau) e de len\u00e7os palestinos que se espalham pelas baladas alternativas a fora. A conferir as festas cafonas de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOnde os Anjos N\u00e3o Ousam Pisar\u201d, bom \u00e1lbum de 2006 (baixe <a href=\"http:\/\/nasioficial.uol.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>), despertou algumas aten\u00e7\u00f5es que estavam adormecidas para a carreira do cantor, que parecia se resumir a participa\u00e7\u00f5es em jogos de futebol da MTV e a ensaios fotogr\u00e1ficos expondo-o como o \u2018Wolverine brasileiro\u2019. A conferir a criatividade dos ensaios fotogr\u00e1ficos de revistas culturais em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Engra\u00e7ado como sempre, Nasi n\u00e3o economiza no bate papo e fala n\u00e3o somente de seu novo trabalho (que, al\u00e9m de CD, sair\u00e1 em DVD e em LP \u2013 seus quatro discos anteriores est\u00e3o para download gratuito no <a href=\"http:\/\/nasioficial.uol.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site oficial<\/a>), mas tamb\u00e9m do faniquito do jogador Richarlyson, do S\u00e3o Paulo, no Peru, dos ex-colegas do Ira! (\u201cO Andr\u00e9 Jung toca a mesma coisa h\u00e1 25 anos\u201d), sobre sertanejo universit\u00e1rio e, claro, sobre um pouquinho mais de futebol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se muitos especialistas j\u00e1 tentaram estabelecer o esporte preferido dos brasileiros como uma poss\u00edvel met\u00e1fora para interpretar a vida, n\u00e3o fizeram isso \u00e0 toa ou sem motivo. F\u00e3 de funk e blues e apresentador de um programa de r\u00e1dio (sobre futebol, claro), Nasi prova que as quatro linhas do esporte bret\u00e3o est\u00e3o muito pr\u00f3ximas das linhas escritas por ci\u00eancias como a psicologia e a psiquiatria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez seja por isso que, logo depois de afirmar que \u201ca psiquiatria forense tem atalhos que interessam a tudo, menos \u00e0 sa\u00fade das pessoas, principalmente quando envolve bens patrimonais\u201d, o s\u00e3o paulino fique \u00e0 vontade de comentar a rea\u00e7\u00e3o um tanto exagerada do jogador Richarlyson ao ser expulso na partida contra o Universit\u00e1rio, do Peru. \u201cNossa senhora. Pensei que ele ia dar um beijo nos jogadores advers\u00e1rios. Quando ele extrapola \u00e9 fogo: quer tocar a bola para um lado e olhar para outro, dar de calcanhar, botar aplique&#8230;\u201d, se diverte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulista daqueles de se intitular paulistano, Nasi comenta com naturalidade as tempestades que abalaram as estruturas do Ira!, antes mesmo dos in\u00edcios de trabalho para \u201cInvis\u00edvel DJ\u201d, derradeiro \u00e1lbum da banda. \u201cUm f\u00e3 chegou pra mim, em uma banca de jornal, e conversamos sobre esse \u00e1lbum. Ele comentou que esse era um bom disco, mas que faltava alma. E realmente. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o do baterista Andre Jung, todos n\u00f3s nos desenvolvemos. At\u00e9 o Edgard [Scandurra]. Mas isso \u00e9 muito pouco para uma banda. Perdemos a oportunidade de dar um tempo. Falar de outros assuntos, sentir saudade e voltar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se jogador que simula falta deve ser advertido com cart\u00e3o amarelo, Nasi n\u00e3o faz muito \u201cmigu\u00e9\u201d. Questionado sobre a produ\u00e7\u00e3o de Rick Bonadio em \u201cInvis\u00edvel DJ\u201d (Rick \u00e9 reconhecido por empreitadas teens como Rouge e Bro&#8217;z al\u00e9m de trabalhos com Charlie Brown Jr. e Mamonas Assassinas, al\u00e9m de ser uma esp\u00e9cie de divindade para bandas como NxZero e Fresno), o cantor encaixa no peito a responsabilidade: \u201cEle mete a m\u00e3o com certeza num monte de som a\u00ed. Mas no som de uma garotada que nem sabe o que quer. Quando ele foi tocar com o Ira!, as poucas coisas em que ele interferiu eram coisas que um produtor tinha que interferir mesmo. \u00c9ramos uma banda com 25 anos de hist\u00f3ria. Brigamos com o Liminha na \u00e9poca do \u201cVivendo e N\u00e3o Aprendendo\u201d. Um cara t\u00e3o conhecido como produtor de sucesso e n\u00f3s, os garotos terr\u00edveis do underground paulista. N\u00f3s brigamos e ele mandou a gente voltar pra S\u00e3o Paulo. O disco terminou com cinco produtores diferentes. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem essa coisa de &#8216;a culpa foi do produtor&#8217;. Se voc\u00ea foi at\u00e9 o final com o cara, a culpa \u00e9 sua\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre \u201cVivo na Cena\u201d, Nasi se delicia ao comentar que o cl\u00e1ssico \u201cBala com Bala\u201d, de autoria de Jo\u00e3o Bosco e eternizado na voz de Elis Regina, ganhou uma solu\u00e7\u00e3o \u201ctipo funk de Nova Orleans\u201d. Diz tamb\u00e9m que ficou muito feliz com o fato da Coqueiro Verde (a mesma que lan\u00e7ou o \u00f3timo \u201cRocknroll\u201d de Eramos Carlos e que distribui artistas internacionais como t. A.T.u e Face to Face) levar adiante a id\u00e9ia de prensar um LP o lan\u00e7amento. Quem conseguir a bolacha, talvez tenha alguma onda com a metalinguagem de ouvir um LP e conferir regrava\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos do rock brasileiro (\u201cO Tempo N\u00e3o P\u00e1ra\u201d, \u201cRockxixe\u201d), algumas do Ira! (\u201cTarde Vazia, \u201cPor Amor\u201d), outras dos tempos de Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria e Irm\u00e3os do Blues (\u201cVerdades e Mentiras\u201d), al\u00e9m de uma regrava\u00e7\u00e3o de um sub-hit do rock nacional: \u201cCarne e Osso\u201d, do Picassos Falsos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que algum torcedor do S\u00e3o Paulo possa defender a perman\u00eancia de Richarlyson no time de Ricardo Gomes, talvez Nasi esteja se divertindo bastante em covers de Cazuza e Raul Seixas. Talvez tenha um p\u00fablico que tamb\u00e9m se amarre ao ver \u201chinos de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d (falam isso por a\u00ed \u2013 ainda) sendo bem executados no palco, com uma varia\u00e7\u00e3o ali, outra acol\u00e1. Talvez algum jornalista ainda goste de dar umas risadas com o personagem Nasi, ali, misturando ambi\u00e7\u00f5es, brigas e opini\u00f5es divertidas. Mas, ao que parece, Nasi est\u00e1 mesmo sendo alforriado, assim, aos poucos. Resta saber se, daqui pra frente, seus atos musicais permitir\u00e3o que ele se reintegre \u00e0 sociedade de forma digna ou se ir\u00e1 aumentar as estat\u00edsticas do Instituto Paulo Ricardo para Forma\u00e7\u00e3o de Artista em Decad\u00eancia. A conferir o lan\u00e7amento de \u201cVivo na Cena\u201d em 2010 e os pr\u00f3ximos integrantes da banda do Doming\u00e3o do Faust\u00e3o em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yuri Castro \u00e9 jornalista, fot\u00f3grafo, m\u00fasico e produtor das r\u00e1dios Litoral FM e Gazeta AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Yuri Castro\nPrestes a lan\u00e7ar disco solo novo (em CD, DVD e vinil), o ex-vocalista do Ira! fala sobre Richarlyson, Rick Bonadio, futebol e alforria\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/09\/entrevista-nasi\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5073"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5073"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73597,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5073\/revisions\/73597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}