{"id":50664,"date":"2019-03-06T22:44:44","date_gmt":"2019-03-07T01:44:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50664"},"modified":"2019-04-22T00:33:59","modified_gmt":"2019-04-22T03:33:59","slug":"entrevista-ladytron","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/03\/06\/entrevista-ladytron\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ladytron"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ladytron\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ladytron<\/a> est\u00e1 completando 20 anos de banda e depois de oito anos de hiato est\u00e1 de volta <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4Fvu2KmEkjmgqa6h4KXNLh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com um disco hom\u00f4nimo<\/a>. Desde o lan\u00e7amento de \u201cGravity The Seducer\u201d (2011), a banda inglesa se espalhou pelo mundo em diferentes projetos: Reuben Wu mudou-se para Chicago e investiu na carreira de fot\u00f3grafo; Helen Marnie passou a viver em Glasgow e lan\u00e7ou dois \u00e1lbuns solo; Mira Aroyo manteve-se em Londres, colaborou com diferentes artistas independentes e ainda investiu em sua carreira de DJ; j\u00e1 Daniel Hunt se casou, mudou-se para S\u00e3o Paulo e passou a produzir diferentes bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma quase remota (como praticamente fizeram em toda a carreira, segundo revelam na entrevista abaixo), eles produziram \u201cLadytron\u201d (2019), disco lan\u00e7ado no Brasil pelo selo LAB344, e que soa como um Ladytron perante o caos deste final de d\u00e9cada. Produzido conjuntamente entre Hunt e Jim Abbiss (que j\u00e1 trabalhou com o Arctic Monkeys), o disco conta com a participa\u00e7\u00e3o do brasileiro Iggor Cavalera na bateria e foi constru\u00eddo em grande parte atrav\u00e9s de um crowndfunding pela Pledge Music, onde voc\u00ea poderia adquirir diferentes produtos, desde discos e cassetes at\u00e9 um remix do Ladytron para sua m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse sexto disco parece ser o trabalho mais sujo do quarteto; os ecos de electropop ainda est\u00e3o por aqui \u2013 j\u00e1 que o Ladytron sempre esteve nas bases da cena electroclash no in\u00edcio dos anos 2000 \u2013, mas agora pendendo mais para o lado do p\u00f3s-punk, com camadas pesadas de guitarra e sintetizadores que d\u00e3o corpo a can\u00e7\u00f5es quase niilistas. \u00c9 um jeito bem Ladytron (ser\u00e1 que poder\u00edamos dizer \u201cum jeito bem ingl\u00eas\u201d?) de olhar para o nosso tempo. Conversamos com a banda para entender o processo de produ\u00e7\u00e3o do novo disco, os diferentes projetos de cada membro do grupo e at\u00e9 falamos de pol\u00edtica brasileira. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wmeg3SVHb_U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Daniel Hunt vive em S\u00e3o Paulo h\u00e1 alguns anos, assim como outros membros da banda n\u00e3o moram mais na Inglaterra. Sabendo disso, como foi a constru\u00e7\u00e3o deste novo \u00e1lbum? Foi feito principalmente remotamente?<\/strong><br \/>\nHelen: Desde que come\u00e7amos, havia apenas breves per\u00edodos em que viv\u00edamos na mesma cidade ou pa\u00eds, por isso estamos acostumados a trabalhar remotamente desde o in\u00edcio. A \u00fanica diferen\u00e7a agora que Daniel est\u00e1 em S\u00e3o Paulo e Reuben est\u00e1 em Chicago \u00e9 a dist\u00e2ncia. O processo \u00e9 imut\u00e1vel: trabalhamos remotamente, colaboramos, nos reunimos para trabalhar em ideias e depois nos reunimos no final para completar o \u00e1lbum, como sempre foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O v\u00eddeo de &#8220;The Animals&#8221; (acima), primeiro single do disco lan\u00e7ando ainda no primeiro semestre de 2018, foi gravado pela cidade de S\u00e3o Paulo. Que influ\u00eancia o Brasil e a cidade de S\u00e3o Paulo t\u00eam nesse novo \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nDaniel: Eu queria filmar esse v\u00eddeo em S\u00e3o Paulo e mostrar um lado da vida e uma est\u00e9tica muito familiar para quem mora na cidade, mas que \u00e9 estranha para a parte externa (das demais pessoas). Trabalhando com o meu amigo, o diretor Fernando Nogari, come\u00e7amos a constru\u00e7\u00e3o de um universo em torno do \u00e1lbum que est\u00e1vamos produzindo, que continua e continuar\u00e1 com os clipes subsequentes. Tenho vivido em S\u00e3o Paulo h\u00e1 algum tempo e isso deve me influenciar, \u00e9 claro, mas a natureza disso muitas vezes n\u00e3o \u00e9 clara e s\u00f3 \u00e9 compreendida depois do fato. Raramente \u00e9 consciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ladytron ficou em hiato por muitos anos e nesse meio tempo muitas coisas aconteceram: Helen Marnie lan\u00e7ou dois \u00e1lbuns solo e Daniel lan\u00e7ou um projeto ao lado dos brasileiros Luisa Maita e Fernando Rischbieter. Quanto esses projetos influenciaram a sonoridade explorada no novo \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nHelen: O que esses outros projetos fazem \u00e9 trazer novas perspectivas e experi\u00eancias ao processo e \u00e0 pr\u00e1tica, em vez de influenciar o som real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Christina Aguilera \u00e9 f\u00e3 da banda e voc\u00eas acabaram produzindo algumas faixas com ela, incluindo duas que est\u00e3o na vers\u00e3o de luxo do \u00e1lbum &#8220;Bionic&#8221; (2010). Como foi trabalhar com a cantora e esse gigantesco esquema de produ\u00e7\u00e3o pop? \u00c9 muito diferente da maneira como voc\u00eas produzem coisas da banda?<\/strong><br \/>\nDaniel: Esse foi um epis\u00f3dio surreal para n\u00f3s, mas foi uma experi\u00eancia positiva. Acho que Christina merece muito cr\u00e9dito pelo \u00e1lbum que ela imaginou e seu desejo de trabalhar com seus artistas favoritos, n\u00e3o apenas com produtores que os copiariam. No contexto da m\u00fasica pop mainstream em 2008 (quando o \u00e1lbum come\u00e7ou a ser produzido), a vers\u00e3o original desse disco era monumental, e esse era o problema: era muito arriscado para sua gravadora, por isso o \u00e1lbum resultante se tornou algo diferente, sua vis\u00e3o original havia sido comprometida. Ainda assim, parece que &#8220;Bionic&#8221; virou objeto de culto posteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reuben, no seu trabalho como fot\u00f3grafo voc\u00ea produz lindas fotos da natureza e capas para grandes nomes pop como o Zeed. Como a fotografia entrou em sua vida?<\/strong><br \/>\nReuben: A fotografia s\u00f3 se tornou importante para mim quando eu estava viajando com a banda. Desenhar era o meu principal passatempo (inclusive fiz algumas das ilustra\u00e7\u00f5es nos primeiros lan\u00e7amentos do Ladytron) at\u00e9 que o processo ficou muito demorado com todas as turn\u00eas que est\u00e1vamos fazendo, ent\u00e3o comecei a usar minha c\u00e2mera mais do que o meu l\u00e1pis. Me envolvi com a fotografia muito mais depois durante o nosso hiato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Daniel, como voc\u00ea v\u00ea o momento pol\u00edtico no Brasil? O que voc\u00ea espera do pa\u00eds para o futuro?<\/strong><br \/>\nDaniel: Este \u00e9 um assunto que \u00e9 muito importante para mim, claro. Quando me mudei para o Brasil, havia muito otimismo. Eu acreditei que finalmente tinha chegado ao futuro. \u00c9 evidente que as sombras estavam se aproximando \u2013 e entendi isso muito rapidamente. O que aconteceu desde 2013 j\u00e1 era previs\u00edvel naquela \u00e9poca; muita gente, eu incluso, percebeu que um golpe era iminente. L\u00e1 atr\u00e1s, me falaram para &#8220;superar a polariza\u00e7\u00e3o&#8221; e disseram que tudo estava bem, muito bem. O que foi feito ao Brasil desde ent\u00e3o \u2013 essa onda revanchista \u2013 \u00e9 algo vil, parte de um projeto neocolonialista maior. A soberania nacional \u00e9 algo vital e acredito que \u00e9 tolo entender os problemas pol\u00edticos apenas de uma perspectiva interna. \u00c9 tolo ignorar as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria e os padr\u00f5es estabelecidos ao longo de 500 anos de explora\u00e7\u00e3o \u2013 e que seguem hoje no cora\u00e7\u00e3o do momento brasileiro. Claro, a cultura \u00e9 um tema central nesse assunto. Vou ficar feliz de ver o Brasil que eu amo lutando na resist\u00eancia \u2013 e ganhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao novo \u00e1lbum, &#8220;Ladytron&#8221; conta com a participa\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/29\/entrevista-iggor-cavalera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Iggor Cavalera<\/a>. Como voc\u00ea o conheceu e como participou do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nDaniel: Iggor \u00e9 sensacional, \u00e9 um velho amigo que conhecemos em 2006 quando o Ladytron tocou pela primeira vez em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 trabalhei com ele antes, participei do Mixhell e tamb\u00e9m da CVLTV DO FVTVRV. Sempre quis que ele participasse de algo no Ladytron, e no novo disco ele tocou nas faixas \u201cUntil the Fire\u201d, \u201cFigurine\u201d e algumas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Ladytron&#8221; quebra um sil\u00eancio de 8 anos desde &#8220;Gravity the Seducer&#8221; (2011). O que motivou voc\u00eas a voltarem?<\/strong><br \/>\nHelen: Sempre foi o plano gravar um novo disco, mas demoramos um pouco mais do que o esperado. Precis\u00e1vamos de uma pausa ap\u00f3s 10 anos sem parar de gravar e fazer turn\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ainda assim, para n\u00f3s a pausa n\u00e3o foi t\u00e3o dram\u00e1tica porque come\u00e7amos a trabalhar em \u201cLadytron\u201d em 2016, depois de uma pausa em 2012. Ent\u00e3o, para n\u00f3s foram apenas 4 anos realmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2019 voc\u00eas est\u00e3o completando 20 anos de banda! Voc\u00eas imaginaram que o Ladytron cresceria tanto, seria t\u00e3o bem sucedida e teria tantos f\u00e3s? Como \u00e9 olhar para aquele Ladytron de 1999?<\/strong><br \/>\nDaniel: N\u00e3o creio que, naquele tempo, tiv\u00e9ssemos ideia do que aconteceria com a banda. As mem\u00f3rias s\u00e3o fragmentadas e \u00e9 dif\u00edcil imaginar nossa perspectiva. Sab\u00edamos que t\u00ednhamos algo bom e novo para a \u00e9poca. T\u00ednhamos cren\u00e7a e est\u00e1vamos determinados. Mas tamb\u00e9m \u00e9ramos pouco convencionais em muitos aspectos. Demos os primeiros passos de maneira incomum e curtimos n\u00e3o ter que participar da corrida de ratos que era a ind\u00fastria ent\u00e3o. N\u00f3s \u00e9ramos desajeitados e travessos. Na verdade, ainda somos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cXu0zuOKQ2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Ladytron est\u00e1 completando 20 anos de banda em 2019 e depois de oito anos de hiato est\u00e1 de volta com um disco novo. 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Confira. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/03\/06\/entrevista-ladytron\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":50665,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3550,3549],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50664"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50670,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50664\/revisions\/50670"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}