{"id":50520,"date":"2019-02-20T11:45:52","date_gmt":"2019-02-20T14:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50520"},"modified":"2019-03-26T17:29:33","modified_gmt":"2019-03-26T20:29:33","slug":"entrevista-stoyca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/20\/entrevista-stoyca\/","title":{"rendered":"Entrevista: Stoyca"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dariojulio2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dary<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Stoyca1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Stoyca<\/a> \u00e9 o tipo de banda que n\u00e3o faz m\u00fasica por encomenda. O som \u00e9 denso e as letras empurram o ouvinte contra a parede, sem concess\u00f5es. Volta e meia o rock nacional sofre um espasmo autoral que soa como um grito (ou suspiro?) de esperan\u00e7a em meio \u00e0 indig\u00eancia das &#8216;playlists&#8217;. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1: Stoyca tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 rock, mas dialoga com este e outros g\u00eaneros, como o trip hop e a MPB, para criar uma experi\u00eancia sensorial capaz de cooptar mesmo quem n\u00e3o foi iniciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reflex\u00f5es filos\u00f3ficas sobre o outro e o mundo cospem verdades inconvenientes em BPMs alternados. A m\u00fasica brasileira precisava disso: algu\u00e9m que provocasse tudo, menos indiferen\u00e7a. A discografia, constru\u00edda com coes\u00e3o, come\u00e7ou pelo EP &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4XAuo0f5a3FM6KXRqwon2G\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Stoyca<\/a>&#8221; (Independente, 2015). No ano seguinte, o primeiro disco &#8220;cheio&#8221;, tanto de can\u00e7\u00f5es quanto de provoca\u00e7\u00f5es: \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5iZqBOROdKVE6AMH0sl3pO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ningu\u00e9m Estava Aqui<\/a>\u201d. Em 2018, ano em que a banda finalmente bateu asas longe de Bras\u00edlia, veio outro EP, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1C71baljE3DM4eOolpU3Fb\">Formas de Voar<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simplifica\u00e7\u00e3o pode ser trai\u00e7oeira ou insuficiente, mas os dois par\u00e1grafos acima buscam resumir uma banda que voc\u00ea provavelmente n\u00e3o conhece. E deveria saber quem \u00e9. Eu j\u00e1 tinha ouvido os primeiros EP e \u00e1lbum, mas nunca trocara uma palavra sequer com Jorge Verlindo at\u00e9 22 de novembro de 2017, quando gravei uma entrevista com o l\u00edder da banda para o Refr\u00e3o, programa de m\u00fasica da TV Justi\u00e7a do qual fui editor e apresentador por dois anos e meio. A grava\u00e7\u00e3o nem terminara e eu j\u00e1 sabia que iria me aproximar ainda mais do som e da f\u00faria, ambos aparentemente \u2013 e s\u00f3 aparentemente \u2013 calculados, da Stoyca. Bingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, a Stoyca lan\u00e7a o clipe de &#8220;Alongamento&#8221;, m\u00fasica do \u00e1lbum &#8220;Ningu\u00e9m Estava Aqui&#8221;, escrita depois de Verlindo ser vitimado pela S\u00edndrome de Burnout, estresse associado \u00e0 sobrecarga ou excesso de trabalho. \u00c9 uma oportunidade de mergulhar no discurso e na linguagem de uma banda que conseguiu algo muito dif\u00edcil em pouco tempo de vida: identidade. Al\u00e9m de Verlindo (voz e viol\u00e3o), o time conta com Arthur L\u00f4bo (baixo), Caio Fonseca (bateria), Adriah (guitarra e vocal) e Walter Cruz (teclado), estrelas que dividem a bola e n\u00e3o jogam fechado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que segue abaixo, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma entrevista formal. \u00c9 uma tentativa de recriar o clima de irrever\u00eancia e debate dos encontros que tive com Jorge Verlindo ao longo de 2018, ano em que pudemos conviver de perto, tanto em bares e restaurantes quanto nos shows conjuntos das nossas bandas em S\u00e3o Paulo, Bras\u00edlia e Curitiba. Via WhatsApp, o cara deu risada das perguntas, como se esperava, mas n\u00e3o se furtou a respond\u00ea-las. Afinal, tamb\u00e9m \u00e9 de estoicismo que se trata a vida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aYORFznEHZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem \u00e9 a Stoyca na fila do p\u00e3o?<\/strong><br \/>\nStoyca \u00e9 uma banda brasiliense que adora tocar fora, que curte ver a plateia em transe, e que suspeita que na fila n\u00e3o haver\u00e1 p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A capa do EP &#8220;Formas de Voar&#8221; \u00e9 inspirada em Goya. Os clipes de &#8220;Valha&#8221; e &#8220;Alongamento&#8221; t\u00eam coreografias. Tudo o que diz respeito ao som e \u00e0 imagem da Stoyca revela cuidado e refinamento. A\u00ed, uma provoca\u00e7\u00e3o: voc\u00ea se sente atingido quando dizem que muitas das bandas atuais pensam mais em conceito do que em m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAcho que hoje a m\u00fasica vive uma precariza\u00e7\u00e3o do processo criativo. Veja o caso do transporte: antes o t\u00e1xi te levava num lugar e te cobrava um valor espec\u00edfico, hoje o motorista de Uber tem que ter balinha do carro, dar \u00e1gua, ser extrovertido, e se ganhar nota baixa se prejudica. O artista da m\u00fasica vive reflexos dessa cadeia tamb\u00e9m: ganha pouqu\u00edssimo [a fila do p\u00e3o!] com distribui\u00e7\u00e3o, disputa bravamente a ocupa\u00e7\u00e3o dos palcos, a aten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia \u00e9 concorrida com superprodu\u00e7\u00f5es, com a m\u00eddia de fora [as multinacionais do p\u00e3o!] e a\u00ed \u00e9 natural haver uma oferta mais robusta de experi\u00eancias. Do meu lado, o que eu quero mesmo \u00e9 dar um pouco da experi\u00eancia art\u00edstica avassaladora que eu consumo. Quando leio um Valter Hugo M\u00e3e, um Murakami, quando ou\u00e7o um Clube da Esquina, um Massive Attack, quando estou de frente pra uma Adriana Varej\u00e3o. Pra mim isso tudo \u00e9 muito, \u00e9 um mar de experi\u00eancia. Ent\u00e3o isso acaba contagiando a nossa m\u00fasica, os nossos conceitos. O que a Stoyca vem criando hoje s\u00e3o camadas, quem quer entrar mais fundo, v\u00ea mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Travis tocou &#8220;&#8230;Baby One More Time&#8221;, de Britney Spears. Flaming Lips regravou &#8220;Can&#8217;t Get You Out of My Head&#8221;, de Kylie Minogue. Paul Gilbert, &#8220;2 Become 1&#8221;, das Spice Girls. Como seria uma vers\u00e3o da Stoyca para &#8220;Baba Baby&#8221;, de Kelly Key?<\/strong><br \/>\nCerteza que seria uma vers\u00e3o psicod\u00e9lica sensual. O problema de &#8220;Baba Baby&#8221; \u00e9 que a experi\u00eancia er\u00f3tica fica toda na admira\u00e7\u00e3o do objeto e na nega\u00e7\u00e3o da consuma\u00e7\u00e3o do fato ao sujeito. Uma vers\u00e3o da Stoyca fatalmente envolveria o lambuzamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o seu problema com o refr\u00e3o? \u00c9 passageiro ou voc\u00ea est\u00e1 apenas tentando dizer quem \u00e9 que manda?<\/strong><br \/>\nRefr\u00e3o, antes de mais nada, \u00e9 vida. \u00c9 catarse, \u00e9 pra delirar junto. Refr\u00f5es do Gil, do Criolo, da Anitta. A gente tamb\u00e9m tem, veja &#8220;Bruxa Cega&#8221;, &#8220;Valha&#8221;, &#8220;D\u00e9dalos&#8221;. Mas tem coisa nossa que a ideia \u00e9 a disrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 um gosto novo no ouvido. Uma cultura apenas de refr\u00e3o ensina o ouvinte que s\u00f3 existe suco de frutas onde h\u00e1 cacha\u00e7a, vinho, gim. Ent\u00e3o h\u00e1 que se beber de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Stoyca gravou duas m\u00fasicas, em \u00e1udio e v\u00eddeo, quando passou por Curitiba, em setembro do ano passado. A meu ver, o material mais acess\u00edvel da banda. Quando ser\u00e1 o lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nFoi um grande prazer gravar no Nico&#8217;s, uma experi\u00eancia \u00fanica, engrandecedora para qualquer banda. Estamos ansiosos para lan\u00e7ar esses v\u00eddeos. Em mar\u00e7o agora vou ao SXSW levar um portf\u00f3lio da Stoyca. A ideia \u00e9 lan\u00e7ar os novos v\u00eddeos e o novo single em abril, j\u00e1 pensando nas pr\u00f3ximas a\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dono de ag\u00eancia, cantor, compositor, roteirista e diretor de clipe, booker da banda, estudante de alem\u00e3o e marido. Voc\u00ea n\u00e3o faz coisas demais para quem j\u00e1 teve um apag\u00e3o?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 pensei muito nisso. O apag\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma crise da quantidade. O meu burn out com certeza veio da qualidade do que eu estava fazendo. Vivendo rela\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas, sem saber dizer n\u00e3o, sem esperan\u00e7a de ter uma outra perspectiva [olha a\u00ed mais uma letra da Kelly Key]. Na verdade hoje eu acabo fazendo bem mais do que fazia quando escrevi &#8220;Alongamento&#8221;. O que aprendi \u00e9 que o tempo para cuidar de si \u00e9 inegoci\u00e1vel, e tem que ser generoso. N\u00e3o d\u00e1 pra gozar pensando em afazeres, sen\u00e3o os afazeres ficam contaminados com o sonho do gozo. Acho que trato um pouco disso em &#8220;Lua Cheia no C\u00e9u Claro&#8221; &#8211; duas pessoas ali, s\u00e3o c\u00famplices no ref\u00fagio, se d\u00e3o muito enquanto mergulham num tempo que \u00e9 s\u00f3 delas. Ent\u00e3o pra mim a quest\u00e3o hoje \u00e9 saber dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; para o que n\u00e3o serve, para sobrar bastante espa\u00e7o para os &#8220;sim&#8221; que me atraem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4uweln3SYWI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yZVlc4epRRA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U8_2rGWHlS8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Dary<\/strong> \u00e9 jornalista e m\u00fasico em Curitiba (PR). Foi cantor e compositor nas bandas lorena foi embora&#8230; e Terminal Guadalupe. Hoje, dedica-se ao projeto solo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dariojulio2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dario Julio &amp; Os Franciscanos<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Thais Mallon \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Stoyca \u00e9 o tipo de banda que n\u00e3o faz m\u00fasica por encomenda. O som \u00e9 denso e as letras empurram o ouvinte contra a parede, sem concess\u00f5es. Reflex\u00f5es filos\u00f3ficas sobre o outro e o mundo cospem verdades inconvenientes em BPMs alternados. 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