{"id":50487,"date":"2019-02-18T01:00:32","date_gmt":"2019-02-18T04:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50487"},"modified":"2019-03-26T17:29:45","modified_gmt":"2019-03-26T20:29:45","slug":"conexao-latina-juan-olmedillo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/18\/conexao-latina-juan-olmedillo\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: Juan Olmedillo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Juan-Olmedillo-2105082349780536\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Juan Olmedillo<\/a> desenvolveu sua longa carreira musical em sua Venezuela natal: 18 anos com o rockabilly pesad\u00e3o e latinizado dos Los Mentas, seis com o duo indie folk La Peque\u00f1a Revancha. Por\u00e9m, se voc\u00ea quiser assistir a um show da turn\u00ea de seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cNing\u00fan Lugar\u201d (2018), \u00e9 melhor voc\u00ea ir para o M\u00e9xico. Olmedillo \u00e9 um dos mais de 2,5 milh\u00f5es de venezuelanos que deixaram o pa\u00eds nos \u00faltimos anos, e a divulga\u00e7\u00e3o do disco est\u00e1 mais corrente na p\u00e1tria adotiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivendo na Cidade do M\u00e9xico desde novembro, ele s\u00f3 teve tempo de fazer um \u00fanico show de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3NolOUQxlVh3ga3XAO8PJx\">Ning\u00fan Lugar<\/a>\u201d em Caracas. O \u00e1lbum \u00e9 uma breve e bem resolvida cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o encontravam lugar nos seus projetos coletivos. Varias delas tratam da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, seja com humor (\u201cEncuentro el Amor\u201d, que se disfar\u00e7a de rockabilly rom\u00e2ntico para falar da escassez de bens e alimentos) ou com pung\u00eancia (a fort\u00edssima \u201cCalle Ciega\u201d, que abre o \u00e1lbum). As est\u00e9ticas mais elementares ao rock\u2019n\u2019roll est\u00e3o no \u00e1lbum, do blues ao folk, passando at\u00e9 pelo romantismo \u00e0 latina comum nos roqueiros sessentistas da Am\u00e9rica do Sul. N\u00e3o reinventa nenhuma roda \u2013 ali\u00e1s, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 assumidamente reverente \u2013 mas \u00e9 um disco que cai bem nos ouvidos do come\u00e7o ao fim, e reafirma a sagacidade de Olmedillo como letrista, bem como sua confessa admira\u00e7\u00e3o (e voca\u00e7\u00e3o) pela can\u00e7\u00e3o pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Via Skype, Olmedillo se mostrou bem animado e com o mesmo bom humor que sempre exibiu nos palcos brasileiros (veio duas vezes ao festival El Mapa de Todos com Los Mentas, em 2011 e 2015), em suas letras e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/04\/entrevista-los-mentas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em sua entrevista anterior ao Scream &amp; Yell<\/a>. Contou que, mesmo espalhados pelo mundo, Los Mentas ainda est\u00e3o dispostos a tocar, e confirmou que La Peque\u00f1a Revancha continua, j\u00e1 que a outra metade da dupla, Claudia Lizardo, tamb\u00e9m se estabeleceu na capital federal do M\u00e9xico. Mas o grosso do papo foi sobre o disco solo, sua adapta\u00e7\u00e3o art\u00edstica ao cen\u00e1rio mexicano e, inevitavelmente, sua vis\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL1zQylNQVB1IZZqKpziZIebokjQUVeCAz\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNing\u00fan Lugar\u201d foi todo concebido na Venezuela. Como tem sido divulg\u00e1-lo t\u00e3o longe de casa?<\/strong><br \/>\nEstranho, como todas as circunst\u00e2ncias que envolvem meu pa\u00eds. Ent\u00e3o acredito que estou em sintonia com o momento que vivemos (risos). \u00c9 dif\u00edcil entender, de modo que no fim prefiro n\u00e3o entender, apenas tocar. J\u00e1 toquei tr\u00eas vezes no M\u00e9xico desde que o disco saiu, mas deu tempo de tocar uma vez em Caracas. Sinto que o p\u00fablico daqui percebe essas can\u00e7\u00f5es, porque estamos todos em crise e as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o universais. Como compositor, gosto disso, porque \u00e9 bom experimentar can\u00e7\u00f5es e vivenciar essa cumplicidade. O p\u00fablico que peguei aqui \u00e9 praticamente virgem no que tange ao meu trablho e isso tamb\u00e9m \u00e9 bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea chegou a essa banda, que \u00e9 totalmente diferente da que te acompanhou no disco?<\/strong><br \/>\nA banda com quem estou tocando em M\u00e9xico s\u00e3o todas pessoas com quem nunca me passou pela cabe\u00e7a tocar, s\u00f3 que tudo aconteceu de maneira org\u00e2nica. S\u00e3o m\u00fasicos que eu conhecia da cena venezuelana, mas s\u00f3 agora nos conhecemos de uma maneira interessante. Antes era uma rela\u00e7\u00e3o mais distante. Eu conhecia o trabalho deles, sabia que era bom. Por exemplo, na bateria est\u00e1 Armando Lovera, que vinha de uma banda que tocava cumbia, reggae, g\u00eaneros latinos, mas tamb\u00e9m em uma outra banda que tinha humor e m\u00fasica folcl\u00f3rica, que eram Los Hermanos Naturales. Cesar Garcia, o baixista, tocava ska e reggae, e eu toquei ska por muitos tempos, fui um RudeBoy tamb\u00e9m (risos). Por outro lado, Luis Henriquez, o tecladista, \u00e9 de Valencia, uma cidade que \u00e9 famosa por ter a cena rock muito forte. Ent\u00e3o quando eu soube que ele estava aqui, convidei-o e ele aceitou, mesmo n\u00e3o tendo nos falado mais que umas duas vezes antes. E na guitarra est\u00e1 o Rainer Diaz, que \u00e9 um cara de uma linha mais folk, mais jazz. \u00c9 um grupo muito heterog\u00eaneo, e minha m\u00fasica \u00e9 muito convencional, de certa forma: muito rock cl\u00e1ssico e blues com toques da can\u00e7\u00e3o latino-americana. Ao vivo acaba sendo algo muito diferente do que fizemos no est\u00fadio por causa da riqueza que esses caras trazem. Eu que acabo sendo o m\u00fasico mais fraco ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se definiu agora como \u201cconvencional\u201d musicalmente. Isso \u00e9 algo que voc\u00ea assume, que quer preservar?<\/strong><br \/>\nNa grava\u00e7\u00e3o do est\u00fadio acabamos sendo um pouco puristas. N\u00e3o sou herm\u00e9tico: quero que minhas m\u00fasicas sejam assimil\u00e1veis. Mas agora as m\u00fasicas mais latinas do disco ficaram com uma sonoridade bem venezuelana, e aqui no M\u00e9xico o pessoal gostou muito disso. O clima da Cidade do M\u00e9xico \u00e9 muito seco, montanhoso, diferente do nosso clima quente e ritmo de vida, que s\u00e3o bem caribenhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As faixas de \u201cNing\u00fan Lugar\u201d foram feitas ao longo de muitos anos. Quando voc\u00ea as compunha, como definia o que iria para as bandas e o que poderia virar um poss\u00edvel disco solo?<\/strong><br \/>\nNunca tive o plano de gravar um disco solo. Pode ser que intuitivamente eu tenha separado algumas can\u00e7\u00f5es mais pessoais. Quando voc\u00ea faz muitas can\u00e7\u00f5es para uma banda, sempre seleciona aquelas que funcionam melhor para o grupo. A\u00ed sempre sobram algumas can\u00e7\u00f5es estacionadas, e foi isso que aconteceu com esse disco. Algumas tinham um lado que eu n\u00e3o queria dividir com ningu\u00e9m (risos). N\u00e3o queria ter que negociar algumas coisas das can\u00e7\u00f5es, porque eu me identificava muito com elas, entende? Quando decidi fazer o disco solo, eu j\u00e1 tinha umas 15 can\u00e7\u00f5es que funcionavam juntas, e a partir da\u00ed comecei a trabalhar com elas. E tem umas tr\u00eas que foram escritas para o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea trabalhava essas can\u00e7\u00f5es sozinho, a partir de suas demos? (nota: uma delas, \u201cTiempo Perdido\u201d, inclusive, foi parar no \u00e1lbum \u201cConex\u00e3o Latina\u201d, do selo Scream &amp; Yell: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/18\/conexao-latina-baixe-o-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ou\u00e7a e baixe aqui<\/a>)<\/strong><br \/>\nAs demos tinham um n\u00edvel de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o importante, mas o determinante foi Max Martinez (produtor do \u00e1lbum). Ele \u00e9 um grande amigo de Puerto la Cruz, que \u00e9 um produtor de uma bagagem muito grande daqui, e tem um estilo de se envolver muito no trabalho. E mostrei para ele o disco para que ele fosse um maestro e desse o toque da sua batuta, entende? Sou perme\u00e1vel, e conforme fui mostrando, ele foi sugerindo coisas que foram se incorporando. Na hora de gravar, ele trazia muitos m\u00fasicos que vinham com seu trabalho e sua amizade, a coisa virou meio que uma festa e todo mundo propunha alguma coisa. No fim, todo mundo se divertiu e colaborou. A escolha das faixas que entraram foram minhas e, um tanto menos de Max. Na verdade, existe um grupo de amigos em quem confio muito e fiz meio que uma enquete (risos). Max tem uma cabe\u00e7a de \u201crocanrol\u201d latino-americano que orientou essa escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A situa\u00e7\u00e3o atual da Venezuela est\u00e1 em muitas das can\u00e7\u00f5es, seja no humor de \u201cEncuentro el Amor\u201d ou no tom mais dram\u00e1tico de \u201cCalle Ciega\u201d. Claro que \u00e9 seu olhar pessoal, mas voc\u00ea acredita que essas can\u00e7\u00f5es possam servir como fonte de informa\u00e7\u00e3o para pessoas de outros pa\u00edses?<\/strong><br \/>\nEu adoraria que isso acontecesse. Que a m\u00fasica ao menos servisse para despertar a iniciativa de pesquisar a respeito. Eu escutava muito rock argentino quando era mais jovem: Sui Generis, Charly Garcia, Fabulosos Cadillacs&#8230; Sabia muito do que se passava por l\u00e1 a partir do que ouvia. Isso tamb\u00e9m me acontecia com o rock espanhol, com as can\u00e7\u00f5es da [banda punk] La Polla Records sobre os conflitos do Pa\u00eds Basco. Pode ser que esteja a\u00ed o germe que me fez compor \u201cCalle Ciega\u201d. Quando moleque, eu podia n\u00e3o saber bem o que rolava no mundo, mas j\u00e1 entendia e sentia a preocupa\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, escutava sobre a presen\u00e7a dos militares \u2013 inclusive a\u00ed no Brasil, ou com Pinochet no Chile. Ent\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7a a se transformar em m\u00fasico e tem a preocupa\u00e7\u00e3o de comunicar algo social. Cheguei tarde nisso, porque Los Mentas era meio vazio nesse sentido. Mas se agora posso chegar a esse ponto de contar o que passa em meu pa\u00eds atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es&#8230; bem, \u00e9 isso que devo fazer. Uma can\u00e7\u00e3o como \u201cCalle Ciega\u201d \u00e9 muito dolorida, e sou v\u00edtima da situa\u00e7\u00e3o que ela retrata como tantos outros venezuelanos, e portanto n\u00e3o teria como n\u00e3o falar sobre isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Lq_FEZxcn9c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que o tema \u00e9 extremamente complexo, mas como voc\u00ea apresentaria a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela hoje para algu\u00e9m que n\u00e3o vive no pa\u00eds (ri). N\u00e3o estou pedindo uma aula de hist\u00f3ria (risos), mas queria te propor expor a sua percep\u00e7\u00e3o pessoal mesmo.<\/strong><br \/>\n\u00c9 pela situa\u00e7\u00e3o do meu pa\u00eds que estou no M\u00e9xico, um pa\u00eds que escolheu um presidente (Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador) que tem uma vis\u00e3o mais socialista. Quando vou falar desse assunto com um mexicano, eu deixo claro que o que acontece na Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o \u00e9 um problema de ideologias. Se por exemplo Maduro fosse ultradireitista e estivesse morrendo gente por falta de medicamentos, por falta de tratamentos no setor p\u00fablico, crian\u00e7as com desnutri\u00e7\u00e3o, eu estaria fora do mesmo jeito. O problema \u00e9 que temos uma ditadura que n\u00e3o atende os requisitos sociais m\u00ednimos. N\u00e3o d\u00e1 para ter uma afinidade imediata com ele s\u00f3 porque ele se diz socialista. \u00c9 claro que todos n\u00f3s queremos voltar ao nosso pa\u00eds. Coletivamente, temos uma expectativa de voltar. Mas \u00e9 mais \u201cwishful thinking\u201d que realidade hoje. N\u00f3s como civis temos poucas chances de enfrentar algu\u00e9m que est\u00e1 armado. Eu queria que tudo se resolvesse da forma mais pac\u00edfica poss\u00edvel, mas n\u00e3o sei o que te dizer. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente. Tem gente que vive com 2 ou 3 d\u00f3lares por dia, n\u00e3o h\u00e1 vacina, a mortalidade infantil aumentou. A crise est\u00e1 severa, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 alt\u00edssima e quem n\u00e3o consegue trabalhar tem que sair pra roubar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu pergunto isso porque, como tantas coisas na sociedade hoje em dia, a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela passa por paix\u00f5es bem polarizadas, com cada \u201clado\u201d apresentando palavras de ordem e informa\u00e7\u00f5es controversas para enfatizar e defender seus pontos de vista.<\/strong><br \/>\nSe eu n\u00e3o vivesse em Venezuela \u2013 fosse mexicano, por exemplo \u2013 e tivesse a informa\u00e7\u00e3o que tenho aqui, eu diria: \u201cah, se esse pessoal que governa a Venezuela est\u00e1 contra Trump, me coloco ao lado deles\u201d. Que \u00e9 o que aconteceu com o Roger Waters, por exemplo, que chamou a Venezuela de uma democracia aut\u00eantica. Mas n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 o que acontece l\u00e1. Eu n\u00e3o gosto do Trump, mas as pessoas que tiveram pensamento cr\u00edtico toda a vida e andam ao lado de quem vivem o dia a dia da Venezuela, sente que o governo est\u00e1 contra o povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Claudia [Lizardo] recentemente foi morar no M\u00e9xico, ent\u00e3o La Peque\u00f1a Revancha continua. Mas os Los Mentas est\u00e3o espalhados pelo mundo (risos). Como fica a banda? Est\u00e1 parada? Dando uma pausa? Ou s\u00f3 volta se receber 80 milh\u00f5es de d\u00f3lares em uma mala preta?<\/strong><br \/>\nPode ser menos de 80 milh\u00f5es (gargalhadas) Hoje em dia n\u00e3o precisam nos oferecer dinheiro para voltarmos, somos bons amigos. Mas \u00e9 que depois de 18 anos tocando juntos precis\u00e1vamos de uma pausa (a banda anunciou sua parada em 2016), e essa pausa se deu com a condi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Lucas, o baixista, est\u00e1 em Miami, Drupy est\u00e1 em Bogot\u00e1, o outro no Equador e o Chicha, baterista, \u00e9 o \u00fanico que est\u00e1 em Caracas. E eu no M\u00e9xico. Quando tiver circunst\u00e2ncias que nos permitam estar nos mesmos territ\u00f3rios, estaremos. Claro que todos temos filhos, fam\u00edlia, e isso tem que ser levado em considera\u00e7\u00e3o. Mas, por exemplo, o Lucas est\u00e1 tocando com Acosta, na Fl\u00f3rida; Chicha est\u00e1 com os Javelin e Druppy est\u00e1 com os projetos dele. Claudia est\u00e1 aqui e j\u00e1 estamos trabalhando no pr\u00f3ximo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o do som mais \u201cconvencional\u201d, como voc\u00ea definiu: Los Mentas \u00e9 uma banda com uma proposta musical bem clara, La Peque\u00f1a Revancha tamb\u00e9m. Voc\u00ea tem aqui e ali alguma abertura folcl\u00f3rica na estrutura das suas can\u00e7\u00f5es, mas elas s\u00e3o bem roqueiras. Voc\u00ea n\u00e3o sente vontade de se arriscar em coisas diferentes?<\/strong><br \/>\nCom Los Mentas, uma vez que conseguimos o som, sentimos que j\u00e1 tinha a identidade e seguimos em frente. N\u00e3o acho que era purismo, era s\u00f3 um som bem identificado. Mas gosto de praticamente tudo da m\u00fasica latino-americana, e do rock tamb\u00e9m quase tudo. S\u00f3 nunca gostei de nu-metal (risos). Pode ser que eu esteja um pouco distante da parte eletr\u00f4nica, mas j\u00e1 posso usar um pouco dos elementos dela. O legal \u00e9 usar esses elementos no seu territ\u00f3rio. Sei l\u00e1, voc\u00ea pode trazer uma cumbia e um bolero, desde que seja dentro dos seus termos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pergunta \u00e9 um baita clich\u00ea, mas tem hora que o clich\u00ea vai bem (risos). Ent\u00e3o queria perguntar quais s\u00e3o suas lembran\u00e7as das duas passagens da banda no Brasil.<\/strong><br \/>\nEu gostei muito de tocar no Brasil. Mas como dizemos na Venezuela, foi uma emo\u00e7\u00e3o incompleta. Faltou fazer mais coisas. Gostamos demais de Porto Alegre, s\u00f3 que ela \u00e9 t\u00e3o diferente de qualquer outra cidade do Brasil&#8230; Quer\u00edamos ter andado por S\u00e3o Paulo, Rio, por mais cidades. Tentamos voltar: mandamos muitas propostas para festivais, e n\u00e3o aconteceu. Obviamente, eu adoraria ir ao Brasil com meu projeto solo ou La Peque\u00f1a Revancha. Duvido que v\u00e3o nos convidar, mas se convidarem&#8230; (risos) E as pessoas foram demais! Formamos f\u00e3s, mesmo. \u00c9 incr\u00edvel lan\u00e7ar um disco, uma m\u00fasica nova, e ver que tem coment\u00e1rios em portugu\u00eas nas postagens.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3x1EvGdMx8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QrdK9S3KQ_4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a5sO4wbru0g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Juan Olmedillo desenvolveu sua carreira musical na Venezuela natal: 18 anos com o rockabilly pesad\u00e3o e latinizado dos Los Mentas, seis com o duo indie folk La Peque\u00f1a Revancha. 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